Crise, caos e desgoverno no Brasil: uma visão perturbadora do futuro do país

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Nos últimos anos o Brasil vem passando por situação de grande instabilidade, incerteza e um caos generalizado, onde as discussões giram sempre em torno de questões irrelevantes e as soluções surgem como propostas demagogas e autoritárias, um verdadeiro desgoverno de fazer inveja aos tempos conturbados de Dilma Rousseff. Estamos mesmo regredindo ou estamos numa situação de reconstrução da realidade nacional? Uma resposta para esta pergunta só o tempo vai nos mostrar de forma mais clara, aguardemos então.

Nestes momentos de crises e caos estamos ouvindo de tudo, desde assobios autoritários de pessoas ignorantes e desqualificadas até tabelamentos de preços de fretes e a busca por socorro do velho Estado, passando por discursos exaltados de combate a violência urbana, intervenções generalizadas das Forças Armadas através de solicitações de governos civis, uma verdadeira pantomina, cujo final nada tem de positivo e de auspicioso, mas de medo, instabilidade e incertezas.

De um lado enxergamos muitos pontos positivos desta situação de caos generalizado, a sociedade passa a tomar consciência de que o Estado não tem mais brechas fiscais e financeiras para financiar novas demandas imediatas, os governos municipais, estaduais e federal não tem mais sobras para aumentar os gastos públicos, as grandes demandas construídas sob o suporte da Constituição Federal de 1988, que completa trinta anos, não mais podem ser atendidas pelo Estado, que se encontra em uma crise fiscal pouco vista em sua história e necessita de um novo pacto social ou entra em condição de insolvência e, com isso, caminhará, a passos largos, para a bancarrota.

Os inúmeros subsídios públicos precisam ser rediscutidos, as isenções fiscais e tributárias para muitas instituições sociais e políticas devem ser repensadas, os altos salários e benefícios dos servidores federais, principalmente judiciário e legislativo, devem ser revistos e as federações e sindicatos devem ser melhor investigadas pelos órgãos especializados, tudo isso deve ser feito para que o Estado Nacional recupera seu papel de protagonista na sociedade brasileira, sob pena de que, se não for feito, a sociedade civil tende a entrar em um clima de mais insatisfação, o que pode culminar em guerras, conflitos e insegurança generalizadas para todos os cidadãos brasileiros.

Ao analisarmos a situação fiscal do Estado brasileiro, percebemos que os desequilíbrios orçamentários sempre foram frequentes, inicialmente o governo se utilizava da inflação como instrumento de financiamento, o desequilíbrio nos preços aumentava os recursos que eram utilizados para financiar os gastos públicos, a partir de 1994, com o Plano Real e posterior queda da inflação, o governo passa a utilizar o aumento de impostos para financiar os desajustes do orçamento, no período 1995 a 2016 a carga tributária saltou de 24% do PIB para 34%, um incremento de dez pontos percentuais, atualmente, percebemos que a população não quer mais incremento tributário, com isso o Estado está buscando se financiar via venda de títulos públicos, esta política se encontra próximo do esgotamento, isto porque os agentes econômicos estão reticentes com relação a capacidade de pagamento do Estado, tudo isto leva o governo a buscar com urgência uma reforma fiscal verdadeira que abra novas possibilidades para o setor público, sem uma reforma consistente o Estado terá grandes dificuldades de financiamento, sendo obrigado a pagar taxas de juros cada vez maiores, o que inviabiliza o país no médio e longo prazo.

Num país como o Brasil, com as graves desigualdades que temos, numa sociedade que se diz civilizada, onde uma parcela substancial de seus cidadãos vivem em condições sociais bastante precárias e um pequeno grupo, menos de 1% da população, se compraz com altos salários e belas remunerações, muitas delas vindas do setor público, donos de aposentadorias milionárias e benefícios generosos que levam o Estado a condições de sangria constantes para financiar seus benesses mais íntimos, designar esta sociedade de civilizada é algo bastante equivocado e reducionista.

Precisamos rever estes benefícios exagerados que são concedidos a poucos funcionários e custam muito caro ao Estado, comprometendo sua capacidade fiscal e financeira e deixando o país próximo daqueles que, num futuro próximo, estarão condenados a uma situação de incerteza generalizada, de um lado um pequeno grupo formado por grandes salários e benefícios e de outro uma grande maioria que sobrevive com migalhas e indignidade.

Devemos destacar ainda, que muitos subsídios concedidos aos grupos financeiros e empresariais contribuem imensamente para que a situação fiscal do Estado se fragiliza mais rapidamente, políticas protecionistas de cotas, taxas e sobretaxas que inibem a concorrência e condenam o trabalhador brasileiro a ter que comprar produtos caros e ineficientes e a pagar preços extorsivos, gerando um círculo vicioso que perpetua a pobreza e a exploração dos cidadãos.

Muitas vezes ouvimos reclamações dos cidadãos sobre a classe política, seus privilégios e benefícios generalizados, seus grandes salários e vantagens adicionais, isto gera grande revolta nas pessoas, devemos deixar claro que o poder legislativo é o mais transparente para a população, basta buscarmos nos sites e nos jornais encontramos informações atualizadas deste poder, por mais que tenham grandes benefícios devemos destacar que cabe a todos nós cobrar de todos os nossos representantes atitudes políticas corretas e dignas para a adoção de uma postura ilibada e distantes de roubalheiras e conchavos políticos.

O Poder Judiciário é dono de uma aura que atrai os indivíduos, marcado pela pompa e pelos privilégios generalizados, mas cabe a todos perguntarmos, para que este poder presta contas na sociedade brasileira ou será que presta contas para alguém? Esta pergunta deve ser feita por todos que pensam o país e sonhem para que o nosso Brasil se transforme em um país desenvolvido, não apenas economicamente, mas desenvolvido e justo socialmente e não uma ilha onde um pequeno grupo vive cheio de privilégios generalizados e uma grande parte se afunda na pobreza, na indignidade e nas indiferenças dos governantes e das elites políticas e empresariais.

Se tivermos a oportunidade de entrar nos sites dos tribunais de justiça dos estados brasileiros, vamos nos deparar com uma situação de escárnio com a população, encontramos desembargadores ganhando salários de mais de quinhentos mil reais ao mês, isso mesmo, mais de quinhentos mil reais ao mês, enquanto de outro lado temos favelas crescendo em escala exponencial, violência generalizada, filas crescentes nos hospitais e educação de péssima qualidade, um paradoxo que só desnuda a incapacidade que temos de construir uma nação verdadeira.

Estamos próximos de uma eleição e convivemos com o governo fraco e com pouca legitimidade, um presidente que dificilmente seria eleito na próxima eleição a um cargo de vereador em uma cidade brasileira, um presidente que foi denunciado por corrupção pela Procuradoria Geral e só não foi retirado do cargo porque se utilizou de sua capacidade de atuar nos bastidores para se segurar na presidência mas, a que custo Michel Temer conseguiu se segurar no cargo de Presidente da República?

Embora tenhamos severas críticas a estrutura política e aos representantes eleitos na última eleição, acredito que cabe a sociedade fazer uma grande reflexão, isso porque a grande maioria da sociedade se estivesse em cargos eletivos utilizá-los-ia da mesma forma ou de forma parecida, usá-los ia para manter ou aumentar os seus benesses com os recursos da sociedade e pouco se importaria com o eleitor, acreditando na velha tese de que o eleitor esquece e na próxima eleição seria reconduzido ao posto com até mais votos e mais legitimidade eleitoral.

Vivemos em uma sociedade caracterizada pela concorrência e pela competição generalizadas, o estudo, o conhecimento e a informação são as molas para o século XXI, sem estes recursos e investimentos na estrutura social estamos condenados ao atraso e a indignidade, não estamos preparados para este novo momento histórico da sociedade capitalista mundial, precisamos eleger as principais bandeiras para este novo século e, de todas as bandeiras, a mais sólida e consistente é a bandeira da educação que deve se transformar em um mantra nacional, só ela pode resgatar a dignidade do povo brasileira e fazer com que consigamos construir uma sociedade onde a dívida social seja reduzida e a pobreza extrema seja dizimada por completo.

A atual crise nos leva a grandes reflexões, o brasileiro está desesperançado com o país, não acreditamos na política, nos partidos políticos e principalmente, não acreditamos nos políticos e homens públicos, esta história não é nova e sabemos o final, embora saibamos que a política no Brasil apresenta graves desajustes e desequilíbrios, precisamos compreender que a Política é uma ciência fundamental para que consigamos sair desta situação e construir novos espaços de esperança e de dignidade para este povo, demonizar a Política só serve para aqueles que se locupletam com a situação que vivenciamos na atualidade e nos condenemos a um futuro de desigualdade, de medo e de incertezas.

Recentemente o país mergulhou no caos completo, a greve dos caminhoneiros deixou claro a dependência do país ao transporte rodoviário, nenhum país com dimensões continentais apresenta tanta dependência deste setor como o Brasil, quando estes resolvem parar o caos é generalizado e o custo destes impropérios são sentidos por todos os grupos mas, os grandes perdedores, são os mais pobres, os trabalhadores mais humildes e desprovidos de recursos, estes sim são os mais atingidos e sentem na pele o desabastecimento e os aumentos generalizados que se espalham por toda a cadeia produtiva da economia brasileira.

A greve é um instrumento legítimo para todas as categorias, mas da forma como foi feita gerou graves constrangimentos para a economia, uma economia que começava muito lentamente sua recuperação que foi abortadas trazendo custos para todos os indivíduos, de uma perspectiva de crescimento de 3% no começo do ano, a nova perspectiva para o produto interno bruto não passa de 2%, alguns economistas e analistas acreditam em um número menor que este, recuperação mais lenta, menos investimentos, menos empregos, menos renda, menos produção, menos consumo e menos frete, ou seja, prejuízo para todos os trabalhadores.

Grupos que apoiaram a greve num primeiro momento, perceberam que os custos da paralisação deverá ser pago por alguém, e este alguém será ele mesmo, com as propostas atendidas pelo governo com custos estimados em mais de R$ 13,5 bilhões os exportadores já sentiram na pele os custos das concessões, além de cortes generalizados em políticas públicas de saúde e educação, ao menos aí a greve teve um impacto interessante, mostrou para a sociedade que não existe almoço grátis, como diria o economista norte americano, prêmio Nobel de Economia e um dos grandes baluartes do pensamento liberal contemporâneo.

A crise na sociedade brasileira é generalizada, do lado político não vislumbramos pessoas capacitadas para recuperar a economia do país, melhorar a auto estima do brasileiro, estamos próximos da Copa do Mundo da FIFA, um dos eventos esportivos mais celebrados no mundo e os brasileiros se encontram alheios ao evento, muito disso se explica pela situação de descrença com o país, a roubalheira generalizada que se descobriu nas federações internacional e brasileira, gatunagem esta que levou alguns dos presidentes da confederação brasileira de futebol a cadeia ou ao ostracismo, melhorar e recuperar este país nos parece uma situação difícil e bastante trabalhosa, por isso, fujamos dos demagogos, dos autoritários e dos populistas da política brasileira, fujamos daqueles que se dizem donos de ideias e pensamentos mirabolantes, fujam daqueles que divulgam melhorias imediatas e rápidas, será que se fizermos isso teremos em quem votar?

 

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