Crise econômica e degradação da segurança pública

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A economia brasileira vem derretendo nos últimos cinco anos, do período 2003 a 2013, as taxas de crescimento econômico foram generosas com o Brasil, a melhoria na economia gerou uma certa sensação de que o país tinha encontrado os rumos para seu desenvolvimento econômico, o ufanismo estava assentado nos indicadores positivos, a economia crescia motivada pelas demandas chinesas e pelas políticas de inclusão do governo federal, o salários e a renda agregadas cresceram e colocaram o país no radar das grandes empresas transnacionais e os investimentos anunciados eram bastante positivos, neste ambiente a revista britânica The Economist dedicou uma matéria de capa para saudar o crescimento brasileiro, a foto mostrava o cristo redentor decolando.

Neste ambiente de prosperidade aparente, os governos petistas se sucederam no comando do país e se concentraram em uma política bastante ambígua, de um lado abriram os cofres para as populações mais necessitadas, com inúmeras políticas públicas direcionadas diretamente para estes grupos sociais mas, ao mesmo tempo, adotaram políticas que garantiram um forte crescimento dos setores mais ricos da população, em nenhum momento da história do país os ricos ganharam tantos recursos e enriqueceram, os dados da revista Forbes nos mostrava que o Brasil foi um dos países que mais aumentaram seu número de milionários e de bilionários, o clima era de euforia.

Todo analista mais criterioso, ao olhar as bases da política econômica adotada pelos governos petistas, percebia que toda aquela situação dificilmente se manteria por muito tempo, os recursos do Estado dificilmente teriam condições de manter as altas taxas de crescimento que colocavam o Brasil na berlinda da economia internacional como um case de sucesso e de crescimento econômico com melhorias sociais mas, mesmo assim, a grande maioria evitava proferir críticas mais sólidas e consistentes por medo de parecerem antipatrióticos e desinformados sendo, com isso, degredado ao esquecimento eterno e perdendo, com isso, os altos valores destinados a propaganda oficial.

A situação começou a se alterar com os graves erros econômicos cometidos pela presidente Dilma Rousseff, onde destacamos os equivocados controles sobre os preços dos combustíveis e da energia elétrica que geraram graves constrangimentos financeiros para a Petrobrás, que era obrigada a comprar combustíveis no mercado internacional e vendê-los internamente a um preço mais barato, e das empresas do setor de energia que para renovar suas concessões aceitaram redução nos preços das tarifas que as levaram à beira da insolvência, obrigando toda a população a pagar mais caro pelo consumo da energia.

Destacamos ainda a desoneração de inúmeros tributos para aumentar os recursos das empresas e, com isso, abrir espaço para novos investimentos produtivos que culminariam em aumento nos empregos e uma melhora considerável da renda e da demanda agregadas, gerando novas perspectivas para a economia do país que já sentia a redução do crescimento e do investimento, esta desoneração girou em muitos bilhões de dólares e os investimentos das empresas privadas não se materializaram, o resultado desta política foi a queda na arrecadação e a piora das contas públicas que levaram o país a perder o grau de investimento, selo dado pelas agências de rating internacional atestando que o país cumpre de forma correta com todos os seus compromissos financeiros internacionais, com a perda deste selo, os juros pagos pelo país para rolar suas dívidas cresceu de forma acelerada e colocou a crise fiscal no centro das discussões econômicas.

O resultado fiscal do governo federal foi avassalador, o resultado primário do setor público consolidado saiu de um superávit de R$ 128,7 bilhões em 2011, para R$ 105 bilhões em 2012, R$ 91,3 bilhões em 2013, para um déficit de R$ 32,5 bilhões em 2014, déficit de R$ 111,2 bilhões em 2015, outro déficit de R$ 155,8 bilhões em 2016, em 2017 o déficit caiu para R$ 118,6 bilhões, a projeção para 2018 é de R$ 159 bilhões e as estimativas para o próximo ano são bastante ruins, déficit de R$ 139 bilhões, tudo isso exige da sociedade medidas draconianas de ajuste, mais impostos a população não aceita mais, então é fundamental reduzir as despesas e estimular o crescimento, sem isso o país fica cada vez mais inviável e as perspectivas serão cada vez mais perturbadora.

A falta de competência  para negociar com o Congresso Nacional e as dificuldades de comunicação e de liderança, levaram a presidente a amargar um impeachment, mais um em um período muito curto de tempo, dos últimos quatro presidentes eleitos pela população, dois foram apeados do poder por denúncias variadas, o país se transformou em uma nação difícil de ser governada, devemos destacar ainda, que o atual presidente, por pouco também não sofreu uma tentativa de investigação devido a declarações de empresários, o país se transformou numa grande incógnita, estamos vivendo uma crise política pouco vista em nossa história recente, precisamos de uma liderança confiável, competente e apaziguadora, somente desta forma poderemos reconstruir os cacos do país e construir uma nova sociedade, lutando contra as agruras sociais e os desequilíbrios históricos que construímos em quase duzentos anos de história como país independente.

Nos últimos anos o Brasil mergulhou em uma crise econômica brutal, o país só não se degradou por completo na seara econômico porque nos anos recentes o país acumulou uma grande quantidade de reservas internacionais, estes recursos acumulados estão lastreados em moeda forte e servem como um grande colchão para aparar nossos outros desequilíbrios, perdemos uma chance histórica de reconstruir este país na primeira década deste século, neste momento o Brasil alcançava índices elevados de crescimento e, infelizmente, o governo sucumbiu da missão de fazer as reformas que, na época, já eram inadiáveis, dentre elas destacamos a Previdenciária, a Tributária e a Política, como não foram feitas voltam a tona todos os anos e incomodam todos os gestores que pensam a sociedade brasileira no longo prazo.

Acompanhando as discussões políticas e econômicas desde o começo dos anos 90, percebemos que, neste período, tínhamos um partido fortemente contrário a todas as políticas e proposições do governo FHC, um período onde as críticas das esquerdas eram fortes e bem formuladas, percebíamos tudo isso e mais ainda, uma esquerda que se colocava no centro das virtudes e dotada de sólidos valores éticos e morais, conscientes de sua integridade e de seu papel na sociedade, com isso angariaram admiradores e seguidores, com isso, conquistaram a vitória nas eleições presidenciais e conseguiram realizar o sonho de todos os grupos políticos, chegaram a Presidência da República.

Os anos petistas foram emblemáticos, todos os indicadores econômicos e sociais sob o manto petista melhoraram, a união de programas sociais e a criação de outros incluíram na sociedade de consumo um grande contingente de pessoas antes excluídas, aumentaram as vagas nas universidades públicas e conseguiram colocar um grande contingente de pessoas, antes excluídas, nos bancos das universidades privadas, através do Programa Universidade para Todos (Prouni). Destacamos ainda um amplo projeto de capitalização das instituições financeiras, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) recebeu mais de R$ 500 bilhões para canalizar estes recursos para a economia, era a velha política de escolha dos campeões nacionais, que transformou empresas como a JBS, o Grupo X e o Grupo Telemar em grandes conglomerados, muitos deles com presença internacional de destaque, atualmente a situação financeira é bastante desconfortável para cada uma destas organizações.

Todo este crescimento desmoronou em 2014, os números positivos foram revertidos e o país mergulhou em uma grande recessão, com impactos negativos para a sociedade, o desemprego aumentou imensamente e os indicadores de violência se mostram cada vez mais desanimadores, os assassinatos aumentaram imensamente, em 2011 foram 48,084 vítimas de homicídios, latrocínios e lesões corporais seguidas de mortes, estes números saltaram para 53.054 em 2012, 54.163 em 2013, 57.091 em 2014, 55.492 em 2015, 57.549 em 2016 e 59.103 em 2017, com isso, o Brasil se destaca como um dos países mais violentos do mundo, enquanto isso, a indústria das armas e dos equipamentos de vigilância e de defesa cresce como se a crise não existisse.

Estes números nos mostram questões muitos claras e insustentáveis, somos um país violento, a máxima de que somos um povo gentil e agregador é mais um mito de muitos que nos foram contados na nossa história oficial, que reproduzimos e pouco refletimos, como se fosse um verdadeiro dogma que nunca se deve questionar, pois seremos descritos como hereges, e muito menos se rebelar, como cordeiros que sempre fomos e vamos continuar durante muitos anos.

Esta violência destrói todas as esperanças da população, de um lado encontramos um discurso de falta de dinheiro, que nos parece uma realidade no modelo fiscal que temos mas, de outro lado, encontramos setores mais organizados se estruturando e conseguindo benefícios e isenções de todas as naturezas, desde as fiscais até as tributárias, enquanto a classe média definha e os setores mais necessitados vivem, ou melhor, sobrevivem acumulando as maiores privações e humilhações, os grupos mais privilegiados acumulam benesses das mais generosas possíveis, férias polpudas, salários gordos e benefícios bastante atrativos, um país com várias realidades diferentes, somos um país à beira de uma das rupturas mais intensas e perigosas de nossa história.

Outro ponto central que deve ser destacado, dentre os crimes que mais crescem no Brasil contemporâneo devemos destacar o feminicídio, a violência contra as mulheres, a violência doméstica, um crime muitas vezes cometidos por seus parceiros ou companheiros, os crimes são tão violentos que chegam a chocar pela agressividade, pela insensibilidade e pela crueldade, levando muitos homens a se identificar com os mais cruéis dos monstros, uma degradação que nos permite dizer, claramente, que os seres humanos estão se deixando levar por processos obsessivos e sua agressividade se torna cada vez mais destrutiva, criando vínculos de ódio, rancor e ressentimentos.

Neste ambiente de guerra não declarada, encontramos um avanço considerável do crime organizado pelo país, o crescimento e expansão do Primeiro Comando da Capital (PCC) está na origem deste crescimento da violência, percebemos uma guerra entre as facções, o período de tréguas entre elas chegou ao fim e as mortes dos grandes líderes já foi anunciada, alguns já foram executados e outros mais o serão, os modelos de gestão destas organizações chamam a atenção como cases de sucesso e, muito brevemente serão estudados nas universidades e nos cursos de MBA, o resultado final desta guerra ainda é incerto mas temos hoje, atualmente no país, que os perdedores deste tiroteio são todos os cidadãos de bem que pagam seus tributos e se desencantam com a situação de descaso e degradação dos serviços públicos de saúde, educação, moradia, infraestrutura, etc…não é difícil, diante de todo este cenário sombrio e de desesperança entender porque na liderança das pesquisas eleitorais para presidente da República temos um militar, que prega antes de mais nada um endurecimento das leis e uma medida de exceção para que os militares quando forem atender uma chamada possam atirar, matar e não ser julgados pelas autoridades, mas sim condecorados pelo seu gesto de coragem e de bravura, estamos na maior guerra de nossas vidas e o futuro não nos reservas melhorias consideráveis, apenas medos e preocupações, que Deus proteja a todos nós.

 

 

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