Reencarnação, dúvidas e medos dos espíritos no momento do retorno

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             A Doutrina dos Espíritos nos mostra a importância do retorno ao mundo material como instrumento de crescimento e desenvolvimento do espírito, sabemos que os indivíduos são imensamente endividados e o retorno a matéria deve ser vista como uma forma de depurarmos os nossos equívocos e construir um futuro mais sólido e consciente, como nos disse Francisco Cândido Xavier: “Embora ninguém possa voltar atrás para fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora a fazer um novo fim”.

A reencarnação é vista no espiritismo como uma lei natural, um instrumento de crescimento e melhoria dos espíritos, uma forma de nos melhorarmos para a compreensão das leis de Deus, se estamos reencarnados ininterruptamente a mais de quarenta mil anos, neste ínterim cometemos inúmeros equívocos e constrangimentos variados, assassinamos, humilhamos semelhantes, agredimos e fomos agredidos, denegrimos a imagem de diversas pessoas e acumulamos rancores e ressentimentos em nossos corações, nesta trajetória angariamos inimigos e detratores, a reencarnação serve como um instrumento de melhoria espiritual, uma forma de nos melhorarmos e de nos prepararmos para uma sociedade melhor, dotada de sentimentos melhores e energias mais elevadas.

Quando falamos em reencarnação, não estamos reivindicando a primazia do tema, doutrinas orientais clássicas dissertaram sobre a reencarnação a muito mais tempo, a Doutrina dos Espíritos, codificada pelo grande intelectual francês do século XIX, Hippolyte Léon Denizard Rival, cujo pseudônimo utilizado nesta empreitada foi Allan Kardec que, em 1857, publicou O Livro dos Espíritos, que nos trouxe apenas uma visão mais estruturada e consistente da reencarnação, marcada por elementos mais científicos e afeitos à ciência.

Embora a reencarnação seja uma lei natural que todos estamos sujeitos e somos fortemente influenciados, pelos cálculos dos estudiosos da doutrina os indivíduos já encarnaram mais de mil vezes, estamos sempre com medos e assustados com o momento do retorno na vida material, neste momento muitas coisas nos assustam, os medos crescem e as preocupações se mostram cada vez maiores e mais assustadores, muitos refugam no momento do reencarne e provocam abortos descritos como naturais, outros aceitam a empreitada mas se mostram, constantemente, preocupados e amedrontados.

Numa das obras mais importantes da doutrina dos espíritos, o livro Nosso Lar, psicografia de Francisco Cândido Xavier e ditado pelo espírito de André Luiz, encontramos a narrativa de dona Laura, a mãe do benfeitor Lísias, este relato acontece nas vésperas de seu retorno ao mundo material, neste momento, seu coração se encontra apreensivo e cheio de medos e preocupações. Dentre as preocupações, dona Laura destaca três grandes medos do retorno ao mundo da matéria, um mundo limitante para o espírito e um palco de grandes batalhas, marcado por medos e inquietações: 1) Esquecimento do passado; 2) Influência do meio e: 3) Composição do corpo físico.

Estas preocupações existem em todos os espíritos conscientes nos mundos material e imaterial, que retornam ao mundo da matéria, àqueles que não apresentam conscientização de suas capacidades e de suas limitações e acreditam, firmemente, que todo o processo acontece de forma espontânea e natural, como não sabem das bases da reencarnação, vivem sem consciência e desencarnam sem consciência e ainda, reencarnam sem nenhuma consciência, pouco se preocupam e são conduzidos até uma maior conscientização, que chegará para todos os indivíduos, uns mais rapidamente e outros de uma forma mais lenta e demorada.

Ao tomar contato com a experiência de dona Laura e perceber seus medos e preocupações, muitas questões nos veem a mente, além de preocupações e muitas indagações, se um espírito com milhares e milhares de horas de serviço na colônia Nosso Lar, possuidora de grandes méritos, construídos sempre nos braços de crianças e jovens da colônia, além de filhos conscientes e preparados para continuar suas histórias e suas evoluções conscientes, se encontram em momento de medos e de preocupações, o que dizer da grande maioria dos espíritos que retornam ao mundo material sem os mesmos méritos e os conhecimentos angariados pela mãe de Lísias?

O esquecimento do passado deve ser visto como uma grande benção de Deus para conosco, se partirmos do pressuposto de que todos somos devedores e cometemos muitos erros e equívocos nas mais variadas encarnações anteriores, o esquecimento nos leva a esquecer variados crimes cometidos, mesmo sabendo que este esquecimento é muito relativo, pois o trazemos fortemente atrelado ao nosso períspirito. Os espíritos mais conscientes, como dona Laura, apresentam preocupações com relação a este esquecimento, medo de esquecer a insignificância que nos caracteriza, os erros que acumulamos e nos deixarmos levar pelos prazeres do hedonismo e a ambição material que nos impulsiona em uma sociedade marcada pelos prazeres do dinheiro e do sexo descontrolados.

Espíritos mais conscientes, como a mão de Lísias, e trabalhadores mais fiéis aos postulados de Jesus, conseguem sentir mais intimamente as intuições trazidas pelos bons espíritos que, constantemente, nos inspiram para que sigamos pelos caminhos do bem, do trabalho e do melhoramento constantes, estes irmãos nos servem como verdadeiras bússolas do bem e do amor, emissários do cordeiro para que trilhemos os passos do progresso.

Francisco Cândido Xavier, quando foi indagado sobre os medos de um retorno ao mundo material, destacou que um de seus maiores temores era com relação aos pais que o receberiam no seio familiar, segundo ele, vivemos numa sociedade tão desequilibrada e desajustada, que os pais, muitas vezes não tem consciência de sua importância para o espírito que reencarna, seus exemplos são fundamentais para a construção deste indivíduo, se percebem nestes exemplos bons, sólidos e consistentes, constroem sua personalidade de forma consistente e estruturada no bem agora, se os exemplos são negativos, ajudam na construção de adultos com vícios variados, medos e desequilíbrios que serão levados durante muitas décadas e perpetuados em seus descendentes.

O espírito consciente clama pela oportunidade de resgatar seus débitos anteriores, sabe de seus equívocos, tem consciência da gravidade destes erros e suplica a oportunidade de reencarnar, teme as condições de seu retorno, mas confia em Deus e sabe que nunca será abandonado, tem consciência de que este momento é de suma importância para seu progresso enquanto espírito imortal.

A influência do meio foi descrita como um dos maiores medos e preocupações de dona Laura, o meio em que reencarnamos pode nos auxiliar muito em nosso progresso espiritual, pode nos abrir portas e nos dar instruções seguras para continuarmos em nossa caminhada, mas pode também nos causar graves constrangimentos, nos afastando de nossos objetivos e dificultando a concretização de nossos sonhos. Um local marcado por medo, violências e desagregações pode criar na personalidade do indivíduo traços fortes de ressentimentos, rancores e comportamentos agressivos que nos afastam de nossos ideais e, ao mesmo tempo, exigem muita determinação e comprometimento para evitar uma queda e um comprometimento maior nesta encarnação.

Somos o que somos devido as mais variadas vidas que sucederam na história de nossos espíritos, buscamos sempre o progresso espiritual, moral, intelectual e emocional, nesta trajetória passamos por dificuldades e constrangimentos variados, acumulamos débitos e nos endividamos com muitas pessoas, algumas delas recebemos em nossos lares para uma reconciliação e somos impulsionados a dar o melhor de nós para auxiliar no progresso do espírito encarnado, quando o fazemos construímos um futuro mais sólido e consistente, vislumbrando novas oportunidades de progresso e de crescimento espiritual.

Para que reencarnemos, faz-se fundamental a constituição de um corpo físico, nos desabafos de dona Laura, percebemos uma preocupação com a constituição de seu corpo físico, este momento é muito desafiador para o espírito consciente que retorna ao mundo material, isto porque se este não possuir uma consciência maior, no momento da construção do novo organismo, pode ficar sujeito as leis duras referentes aos ascendentes biológicos, podendo herdar características de semelhantes que poderiam lhe causar graves constrangimentos num futuro imediato, dificultando sua ascensão e seus compromissos espirituais, no caso de nossa irmã, descrita na obra de André Luiz, o próprio governador determinou medidas diretas, fruto de seus méritos e conquistas espirituais.

Neste momento percebemos o quanto é importante para o indivíduo ser bom, honesto e trabalhador, ser tolerante e respeitoso com seus semelhantes, os medos de dona Laura são, na verdade, os medos de todos aqueles que reconhecem que o mergulho no corpo material é fundamental para o crescimento do espírito, mas ao mesmo tempo, nos coloca em uma condição de fragilidade, onde somos colocados frente a frente com nossos vícios e inseguranças, ao encararmos esta situação e conseguirmos vencer esta dificuldade, podemos, com certeza, perceber que conseguimos angariar novos créditos que nos garantirão um maior progresso para nosso espírito.

A reencarnação deve ser vista como um instrumento perfeito para a compreensão da bondade de Deus, fica muito difícil compreender a justiça divina sem ter em mente a riqueza da reencarnação, somente estudando sua lógica e percebendo sua justiça podemos entender que não somos marionetes e que nosso progresso demanda muitas vivências, em corpos diferentes, e que nestas vivências acumulamos histórias, erros e equívocos variados mas, ao mesmo tempo, acumulamos acertos e melhoramentos, que nos garantem um crescimento que nos abre portas consistentes para o progresso espiritual que almejamos.

As preocupações encontradas no livro Nosso Lar não se encontram na cabeça e na mente da grande maioria das pessoas, isto porque muitos indivíduos ainda não tomaram consciência da real importância da vida, vivem sem entender seu significado, morrem sem perceber que desencarnaram e entram na fila da reencarnação sem compreender aonde estão e o que estão almejando, somos ainda muito limitados sobre o mundo imaterial, sobre as relações do mundo invisível com o mundo material e da importância de compreendermos a relevância da Doutrina dos Espíritos para a humanidade, uma doutrina que nasce na Europa e faz morada em terras brasileiras, mostrando ao ser humano que os verdadeiros valores da civilização estão no mundo espiritual e o caminho mais seguro para alcançarmos a nossa evolução é seguir os passos de Jesus, baseados no amor, na tolerância e na solidariedade.

 

 

 

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