Apagão da mão de obra

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Neste momento de pandemia, marcados por grandes instabilidades econômicas, crise sanitária e constantes desequilíbrios políticos, percebemos que a recuperação da economia, fundamental para o retorno do sistema produtivo, tende a prescindir de mão de obra capacitada para alavancar a economia e retomar os investimentos produtivos, sem capital humano especializado as dificuldades da retomada tendem a se limitar a poucos setores, gerando espaços de crescimento com pouco emprego, aprofundando as gigantescas desigualdades sociais.

A sociedade precisa criar instrumentos para estimular os setores educacionais para formar mão de obra capacitada, qualificando os trabalhadores e construindo ambientes de ensino e aprendizagem, num ambiente de constantes transformações, de forte concorrência, de informações crescentes, prescindindo de um sistema educacional consolidado, profissionais capacitados e empresas em condições de formar cidadãos críticos, metodologias modernas e fortemente competitivas.

A pandemia está acelerando os desafios para a sociedade, todos os setores estão sentindo os impactos deste fenômeno, exigindo atitudes organizadas e concatenadas, onde o planejamento e as estratégias são fundamentais, exigindo dos setores púbico e privado, instrumentos efetivos e imediatos para que o país consiga pensar os momentos pós-pandemia e adotar políticas planejadas. Dentre os setores mais estratégicos na economia contemporânea, não devemos relegar os setores educacionais, criando instrumentos de financiamentos, coordenação entre os setores e a construção de metodologias que motivem os estudantes e os profissionais, fomentando o dinamismo dos espíritos empreendedores, elementos centrais neste momento de incertezas e instabilidades generalizadas.

Os índices de desemprego são preocupantes, estamos falando em mais de 20 milhões de desempregados e desalentados, cujos impactos sociais e econômicos são elevados e degradantes, com estes números, percebemos que o potencial de geração de riqueza é elevado, mas subocupado, gerando desperdício elevado para a sociedade. Uma grande contradição brasileira, estamos vivendo desemprego e subempregado crescentes e, ao mesmo tempo, carência de mão de obra capacitada, profissionais qualificados para compreender os desafios do mundo contemporâneo.

O mundo do trabalho está passando por um período de reconfiguração, marcados pela automação, pela inteligência artificial e pela quarta revolução industrial. Estes trabalhadores estão em falta na sociedade brasileira, diante disso, os grupos econômicos e políticos precisam criar instrumentos de capacitação do capital humano, para isso, faz-se necessário a junção de todas as forças ativas da sociedade, unindo universidades públicas e privadas, centros de pesquisas, o sistema S (Senai, Senac, Sebrae, dentre outros), secretarias de educação, ministério da educação, dentre outros. O esforço deve ser costurado visando auxiliar na recuperação da economia, motivando a melhora do ambiente dos países desenvolvidos, estimulando investimentos, gerando empregos e dinamizando os setores produtivos.

Sem crescimento econômico, baixa confiança dos setores produtivos, percebemos a fuga de cérebro, profissionais altamente capacitados estão deixando o país em busca de oportunidades de trabalho e desenvolvimento profissional, desta forma, sem planejamento e organização dos setores educacionais, o país rifa o futuro e deixa de angariar novos espaços de crescimento econômico, deixando, mais uma vez, oportunidade de surfar neste ambiente externo favorável que se avizinha.

Vivemos um momento preocupante, anteriormente éramos vistos com um futuro respeitável e admirado pela comunidade internacional, atualmente estamos se degradando a olhos vistos, neste momento de degradação, muitos jovens e adolescentes estão buscando novas paradas, deixando famílias em busca de novos horizontes, de novas oportunidades profissionais, ascensão social e melhores condições de vida. Vivemos na era da informação e do conhecimento, neste momento o ativo mais importante da sociedade contemporânea é o capital humano, sem melhorarmos a formação dos cidadãos seremos relegados ao subdesenvolvimento e a dependência eterna.

Ary Ramos da Silva Júnior, Economista, Mestre, Doutor em Sociologia/Unesp e professor universitário. Artigo publicado no Jornal Diário da Região, Caderno Economia, 14/07/2021.

1 Comentário

  1. Salve Doutor Ary,
    momentos antes de tecer esse singelo comentário, pude ler uma importante manchete do dia, “Olimpíada 2021 – Brasil 4 x 2 Alemanha: Com 3 gols de Richarlison, Seleção estreia com vitória” (“sic”, Valor Econômico – 22/07/2021); bem, muito longe de apagar aquele amargo “1 x 7” (em casa), mas… quem sabe, isso seja um sinal da retomada de nossa economia.
    Ironias à parte, acho muito difícil o Brasil recuperar sua credibilidade – em qualquer que seja o âmbito (ou setor) – mundo afora.
    O pior, pude ver – em suas entrelinhas – meu próprio prognóstico particular familiar: meu filho único optando ir para o Canadá (estudar, trabalhar) e minha esposa – também única – aliciando-me para irmos à busca de vida melhor em Portugal (pasme!).

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