Caminhos equivocados

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A economia internacional vem passando por grandes transformações nos últimos anos, desde a crise financeira de 2008 a sociedade mundial vem sentindo o aumento das instabilidades e das incertezas que crescem em todas as regiões, diante disso, percebemos o incremento das turbulências econômicas e financeiras, a ascensão da economia chinesa, a perda de poder relativo da economia norte-americana, a pandemia e seus custos crescentes e a guerra que atordoa a comunidade internacional, impondo custos financeiros assustadores, mortes de milhares de pessoas, destruição da infraestrutura, desestruturação das cadeias produtivas, o incremento dos preços e gerando mais volatilidades, desesperanças, racismos e xenofobias.

Neste ambiente de instabilidades econômicas e políticas, as nações desenvolvidas estão buscando novos espaços de consensos políticos e a reconstrução de novos modelos econômicos e produtivos, reestruturando as políticas públicas exitosas e reformulando aqueles que carecem de consistências econômicas e financeiras, reduzindo as disparidades econômicas e angariando espaços de acumulação e democracia.

Numa sociedade como a brasileira, percebemos a necessidade de reconstruirmos os laços sociais e o redesenho de políticas sociais que garantam autonomia para os indivíduos, reduzindo os poderes econômicos e financeiros dos grupos que dominam as estruturas do Estado Nacional, que controlam as burocracias governamentais e garantem aos seus prepostos os melhores cargos e remunerações, com isso, se utilizam deste poder para angariar isenções crescentes e subsídios que garantem a perpetuação de seus ganhos intocáveis desde os primórdios dos tempos coloniais.

Dentre as grandes reformas que devem ser vistas como urgentes e imprescindíveis para alavancar o crescimento econômico, devemos colocar a reforma tributária no primeiro lugar, isto porque vivemos numa sociedade que premia a especulação financeira e o rentismo, valorizando a ostentação e o palavreado alienado, deixando de lado os produtores e os verdadeiros empreendedores nacionais.

A reforma tributária deve preconizar que aqueles que ganham mais devem contribuir com mais recursos e estes devem ser canalizados para a construção de uma nação mais desenvolvida e a reconstrução dos canais de solidariedade, ainda mais num momento marcado por grandes incertezas e instabilidades impulsionadas pela pandemia. A progressividade tributária deve ser um projeto nacional, reduzindo subsídios em setores ineficientes, tributando fortemente os setores que usam seus lobbies para angariar ganhos adicionais, além de aliviar tributos no consumo e incrementando os de propriedade, desta forma, estaremos nos aproximando dos exemplos de nações desenvolvidas.
Neste ambiente, percebemos discussões desnecessárias e equivocadas, pautas ultrapassadas e ideologizadas que pouco contribuem para a melhora das condições sociais da coletividade e servem apenas para esconder os verdadeiros e, urgentes, debates nacionais. Neste momento, precisamos retomar ações concretas para reduzir a desigualdade que crassa a sociedade e perpetua as precárias condições da população, onde mais de 33 milhões de brasileiros estão passando fome e mais da metade da população nacional vive em condição de insegurança alimentar, enquanto uma minoria se compraz com a degradação de uma maioria, ecoando discursos de moralidade e eficiência mas, na realidade, sobrevivem com polpudos subsídios de um Estado ineficiente, mas servem para manter seus interesses imediatos, seus lucros estratosféricos, suas ostentações vulgares e a manutenção de seu status quo.

Estamos postergando decisões fundamentais para o futuro da nação, estamos negligenciando as pesquisas científicas, reduzindo os repasses para as universidades e os centros de pesquisas e estamos degradando instituições de Estado que contribuíram para melhorar a ciência nacional, num momento em que o conhecimento científico se transformou no grande instrumento de soberania e da autonomia das nações, sem investimentos na ciência estamos, novamente, flertando com a barbárie.

Ary Ramos da Silva Júnior, Bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Especialista em Economia Comportamental (Unyleya), Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitário. Artigo publicado no jornal Diário da Região, Caderno Economia, 22/06/2022.

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