Caos generalizado

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A economia brasileira está caminhando a passos largos a uma recessão com impactos generalizados para grande parte da sociedade, com incremento dos conflitos institucionais, diminuição da confiança e da credibilidade dos agentes econômicos, com queda dos investimentos e instabilidades que nada auxiliam na recuperação da economia, neste ambiente de incertezas o desemprego aumenta, a renda diminui e limitam as perspectivas de melhora econômica.

Vivemos um momento de desgoverno, descrédito e instabilidades crescentes, a inflação cresce de forma acelerada, o câmbio se desvaloriza e impacta sobre os preços internos. Os preços proibitivos dos combustíveis impactam diretamente sobre a estrutura produtiva, prejudicando a grande massa da população, inviabilizando os motoristas dos aplicativos que ganharam relevância neste período de pandemia. O aumento dos preços dos combustíveis garante os lucros de um pequeno grupo social em detrimento da população, contribuindo para a piora da concentração da renda, aumentando a inflação e reduzindo a renda da população, efeito imediato menos consumo e menor geração de emprego.

No país do agronegócio, conhecido como o celeiro do mundo, a fome e a exclusão crescem de forma acelerada e, em contrapartida, os ganhos dos grandes produtores agrícolas crescem, estimulando o consumo nos mercados de luxos, estimulando os investimentos em imóveis de alto padrão e aumentando a ostentação, contribuindo para incrementar as contradições que crescem na sociedade brasileira, perpetuando os privilégios de poucos grupos em detrimento de uma sociedade centrada na desigualdade, no racismo e na exploração.

Neste ambiente de incertezas e instabilidades os investimentos se concentram no curto prazo, o planejamento é deixado de lado e prescinde de profissionais altamente capacitados para entendermos o momento e construirmos os cenários futuros. Os investimentos que dominam a economia brasileira buscam rendimentos imediatos e deixam de lado os dispêndios de longo prazo, postergando os recursos para a infraestrutura, negligenciando os investimentos da educação, cujos retornos são mais distantes e demorados, a ciência e a tecnologia são negligenciadas e nos tornando mais dependentes do mercado internacional, acreditando que as tecnologias estarão disponíveis para a aquisição no mercado global. A pandemia nos mostra que, sem desenvolvimento próprio de tecnologias, de máquinas e de vacinas, somos cada vez mais dependentes dos humores dos agentes econômicos e políticos internacionais, países que optaram, anteriormente, na construção de sua autonomia científica e tecnológica.

Estas tecnologias podem estar disponíveis no mercado global, mas os valores serão, cada vez mais elevados e, num momento de crises mundiais, como numa pandemia, os desenvolvedores destas tecnologias priorizam seus mercados internos e seus interesses imediatos, deixando de lado seus “parceiros” comerciais. Neste ambiente de grandes desafios e concorrências crescentes, os investimentos em educação, pesquisa, ciência e tecnologia se mostram cada vez mais relevantes e, infelizmente, não estamos aprendendo as lições deste momento de pandemia e de crises crescentes, insistindo em conflitos políticos desnecessários, propondo pautas atrasadas e perpetuando o caos generalizado.

A pandemia desagregou as estruturas produtivas globais, gerou aumento dos custos produtivos, a falta de insumos está levando muitos conglomerados a rever políticas de investimentos, aumento da inflação e levando os bancos centrais a elevarem as taxas de juros, cujos impactos imediatos são visíveis na economia brasileira, menos investimentos, menos empregos, mais inflação e maior endividamento das famílias e dos setores produtivos.

Num ambiente de desconfianças e discursos de ódio e de ressentimento, precisamos de uma agenda para superarmos os atrasos que perpetuam nosso subdesenvolvimento, atacando os verdadeiros problemas da sociedade brasileira, a pobreza, a fome, a exclusão social e o desemprego que crescem de forma acelerada.

Ary Ramos da Silva Júnior, Economista, Mestre, Doutor em Sociologia e Professor Universitário. Artigo publicado no Jornal Diário da Região, Caderno Economia, 15/09/2021.

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