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	<title>Curiosidades &#8211; Ary Ramos</title>
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	<description>A grandeza não está naqueles que recebem honras, mas sim naqueles que as merecem. - Aristóteles</description>
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		<title>Cinema: A vertigem da adolescência, por José Geraldo Couto</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ary Ramos]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 11 Apr 2025 19:34:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Curiosidades]]></category>
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					<description><![CDATA[Adolescência faz do plano-sequência não um fetiche, mas recurso potente para mostrar atordoamentos, labirintos, embates… imaubreykeys onlyfans Elena Spano E, omitir a catarse (o julgamento do caso) incita a pensar sobre como o mal floresce no mundo contemporâneo, para além de um indivíduo José Geraldo Couto – OUTRAS PALAVRAS – 10/04/25 Os leitores habituais deste blog [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Adolescência faz do plano-sequência não um fetiche, mas recurso potente para mostrar atordoamentos, labirintos, embates…  <a href="https://lifefans.online/" target="_blank">imaubreykeys onlyfans Elena Spano</a> E, omitir a catarse (o julgamento do caso) incita a pensar sobre como o mal floresce no mundo contemporâneo, para além de um indivíduo</em></p>
<p>José Geraldo Couto – OUTRAS PALAVRAS – 10/04/25</p>
<p>Os leitores habituais deste blog sabem que nossa prioridade absoluta são os filmes exibidos nos cinemas, mas excepcionalmente uma obra lançada no <em>streaming</em> justifica, por um ou outro motivo, sua presença aqui. É o caso, agora, de <em>Adolescência</em>, microssérie da Netflix, escrita por Stephen Graham e Jack Thorne e dirigida por Philip Barantini.</p>
<p>Como se sabe, trata-se da história, narrada em quatro episódios, de um garoto inglês de 13 anos condenado pelo assassinato de uma colega de escola. O garoto em questão é Jamie Miller (Owen Cooper), filho do encanador Eddie Miller (Stephen Graham, um dos roteiristas) e estudante de um colégio público de bairro popular. Ao falar dele, alguns <em>spoilers</em> serão inevitáveis.</p>
<p><strong>Usos do plano-sequência</strong></p>
<p>O que torna <em>Adolescência</em> um fenômeno singular, além do apelo urgente e dramático de seu tema e da excelência da produção, é sua opção formal pela tomada contínua, sem cortes, de cada um dos episódios. É o chamado plano-sequência, usado ocasionalmente no cinema em contraposição à habitual decupagem clássica, que fragmenta cada cena em diversos cortes e pontos de vista.</p>
<p>Considerado uma marca do cinema moderno, o plano-sequência tem sido usado desde os anos 1930 com os mais diversos propósitos expressivos. Um caso pioneiro é a esplêndida abertura de <em>Scarface </em>(Howard Hawks, 1932) e a experiência mais radical e paradigmática é <em>Festim diabólico</em> (Alfred Hitchcock, 1948), primeiro longa-metragem que simula (mediante truques engenhosos) uma única tomada contínua. Desde então um punhado de cineastas brilhantes (Welles, Antonioni, De Palma, Altman) adotou o recurso, cada um à sua maneira e com finalidades próprias.</p>
<p>No caso de <em>Adolescência</em>, houve quem acusasse os realizadores de usar o plano-sequência como um fetiche, uma bossa exibicionista e desnecessária. Estou aqui para discordar.</p>
<p>Em <em>Adolescência</em>, a meu ver, cada episódio se serve do plano-sequência com um propósito diferente. No primeiro, que encadeia num único fôlego a invasão da casa de Jamie, sua condução à delegacia e a todos os trâmites e situações que nos apresentam um fato brutal de maneira igualmente brutal, o efeito é de atordoamento e de sufoco. Somos lançados no meio da voragem, sem tempo para respirar e espairecer.</p>
<p><strong>Labirinto de perigos</strong></p>
<p>O segundo episódio, que mostra a visita do inspetor policial Luke Bascombe (Ashley Walters) e sua colega (Faye Marsay) ao colégio de Jamie, retrata a escola como um labirinto fervilhante de surpresas e perigos, feito de bullying, afronta e indisciplina. Ao passar sem cerimônia de um ambiente a outro, de um grupo a outro de personagens, a câmera nos deixa sempre a sensação de que há algo acontecendo às nossas costas, um evento ou sentido que nos escapa. É ali, pressentimos, que nasce o perigo, potencializado pela internet, como indica o filho do policial Bascombe, ele próprio vítima da violência reinante.</p>
<p>Totalmente diversa é a utilização do plano-sequência no terceiro episódio, ocupado em sua maior parte pela entrevista entre Jamie e a psicóloga (Erin Doherty) encarregada de procurar entendê-lo. Aqui a tomada contínua serve a um adensamento quase insuportável da atmosfera de embate entre duas mentes, duas vivências, duas sensibilidades. A percepção do tempo real intensifica a tensão, o desconforto e a imprevisibilidade da cena. É, antes de tudo, um duelo entre duas atuações fabulosas. (Chocante é saber que se trata da primeira experiência cinematográfica do garoto Owen Cooper.)</p>
<p>O quarto e último episódio, dedicado aos efeitos da tragédia na família de Jamie (pai, mãe e irmã) e em sua relação com o entorno, é o único que talvez não perdesse muito de sua eficácia se fosse narrado mediante a montagem tradicional. Mas é possível que, nesse caso, a quebra de coesão formal incomodasse o espectador e soasse como uma rendição ou traição.</p>
<p><strong>Sem catarse</strong></p>
<p>Um mérito adicional de <em>Adolescência</em> está naquilo que ele nos omite: o julgamento do caso. As cenas de tribunal costumam ser o momento catártico em que o público se extasia porque vê a justiça sendo feita ou se indigna por vê-la desrespeitada. Um contra-exemplo como o excepcional <em>Anatomia de uma queda</em> (Justine Triet, 2023) é isso mesmo: excepcional.</p>
<p><em>Adolescência</em>, ao nos negar a satisfação vicária de ver os maus serem punidos e o bem vencer, nos incita a pensar na natureza e origem do mal, no modo como ele viceja e floresce no mundo contemporâneo, sem reduzir a questão à disfunção moral ou psíquica de um indivíduo ou de um grupo de indivíduos. Por um momento – ou por quatro horas – somos todos o enigma Jamie, mas também somos seu pai, a psicóloga, o inspetor policial, a menina morta, sua família… todos unidos no espanto e na consciência vertiginosa da fragilidade da</p>
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		<title>Trump põe as polícias nas ruas, por Luiz Francisco Carvalho Filho</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ary Ramos]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 29 Mar 2025 19:06:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Curiosidades]]></category>
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					<description><![CDATA[Mascarados, agentes do governo fizeram até sequestro de aluna de doutorado Luiz Francisco Carvalho Filho, Advogado criminal, é autor de &#8220;Newton&#8221; e &#8220;Nada mais foi dito nem perguntado&#8221; Folha de São Paulo, 29/03/2025 É aterrorizante a cena de prisão da estudante turca Rumeysa Ozturk, 30 anos, por agentes mascarados do Departamento de Segurança Interna dos [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Mascarados, agentes do governo fizeram até sequestro de aluna de doutorado</p>
<p>Luiz Francisco Carvalho Filho, Advogado criminal, é autor de &#8220;Newton&#8221; e &#8220;Nada mais foi dito nem perguntado&#8221;</p>
<p>Folha de São Paulo, 29/03/2025</p>
<p>É aterrorizante a cena de prisão da estudante turca Rumeysa Ozturk, 30 anos, por agentes mascarados do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos, captada por câmera de vigilância urbana, em Massachusetts.</p>
<p>A mulher é submetida a sequestro-relâmpago por homens que não se identificam. É suspeita de ser favorável a palestinos de Gaza e desfavorável ao governo de Israel, o que significaria, segundo autoridades migratórias, antissemitismo. Muçulmana e bolsista de prestígio no programa de pós-graduação da Universidade Tufts, tem o visto de permanência cassado.</p>
<p>Não é caso isolado. Trump põe as polícias nas ruas, persegue delitos de opinião e ambiciona instituir uma dinâmica política de limpeza étnica e ideológica nos campos universitários.</p>
<p>Com fundamento em lei de 1798, editada para tempos de guerra e nunca utilizada em tempos de paz, que permite deportar cidadãos de &#8220;países inimigos&#8221; sem garantias do devido processo legal, Trump avança contra venezuelanos que supostamente pertencem a gangues e a grupos criminosos. Convênio sinistro de colaboração totalitária, o governo de El Salvador faz a gentiliza remunerada de acolher presos dos EUA em suas gigantescas prisões. É a terceirização da violência e do abuso de poder.</p>
<p>Nas fronteiras, não se pronuncia a palavra &#8220;não&#8221;. Turistas são atingidos. Com base em &#8220;suspeita razoável&#8221; e sem mandado judicial, agentes dos órgãos de imigração encontram meios de invadir, em busca de informações sensíveis ou comprometedoras, a privacidade de telefones e computadores de quem viaja a passeio para Nova York ou para a Disney.</p>
<p>Ordens executivas de controle ideológico atingem escritórios de advocacia com histórico de patrocínio de causas contrárias ao que se convencionou chamar de pensamento trumpista. Não resistem pelo temor de perder a clientela para a concorrência.</p>
<p>Instituições museológicas e de pesquisa como o Smithsonian são acusadas de ideologia imprópria. Cientistas patrocinados pelo governo norte-americano estão impedidos de participar de encontros internacionais que discutem temas inoportunos, como clima, vacinação.</p>
<p>A resistência é pífia. Como mostra o jornalista Guga Chacra, em O Globo, a capitulação é geral. Não há mais vozes dissonantes no Partido Republicano como havia no primeiro mandato. O líder da minoria democrata no Senado a nada se opõe. A venerável Universidade Columbia sucumbe para não perder fundos federais de financiamento e admite restrições à liberdade acadêmica. A covardia e o oportunismo se espalham como fogo.</p>
<p>Muito além da guerra tarifária, o presidente dos Estados Unidos quer anexar a Groenlândia e intimidar países vizinhos. Aparece como chefe de uma polícia planetária e corrupta, pronta para agir, o que, no Brasil, dá ânimo para a famiglia Bolsonaro de criminosos políticos e para seus agregados de sempre, os golpistas silenciosos.</p>
<p>Ambicioso, o autocrata não tem limites. Trump ameaça com impeachment juízes que eventualmente criem embaraços judiciais para atos que violam a Constituição.</p>
<p>Os Estados Unidos, a despeito das suas guerras e da arrogância diplomática, têm tradição profunda de liberdades civis, que, agora, escorre como água pelos dedos.</p>
<p>A América está de ponta-cabeça.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Reforma do Imposto de Renda é boa, por Celso Rocha de Barros</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ary Ramos]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 24 Mar 2025 01:12:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Curiosidades]]></category>
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					<description><![CDATA[Quem ganha muito bem vai ter que se sacrificar um pouco para ajudar a professora e o PM Celso Rocha de Barros, Servidor federal, é doutor em sociologia pela Universidade de Oxford (Inglaterra) e autor de &#8220;PT, uma História&#8221; Levou 40 anos, mas a democracia brasileira finalmente produziu uma proposta para tornar o Imposto de [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Quem ganha muito bem vai ter que se sacrificar um pouco para ajudar a professora e o PM</p>
<p>Celso Rocha de Barros, Servidor federal, é doutor em sociologia pela Universidade de Oxford (Inglaterra) e autor de &#8220;PT, uma História&#8221;</p>
<p>Levou 40 anos, mas a democracia brasileira finalmente produziu uma proposta para tornar o Imposto de Renda mais justo.</p>
<p>Na semana passada, o governo Lula divulgou sua proposta de reforma de Imposto de Renda. É um passo moderadíssimo, cautelosíssimo, mas na direção certa.</p>
<p>A reforma deu isenção completa de Imposto de Renda para quem ganha menos que R$ 5.000 por mês. Entre R$ 5.000 e R$ 7.000 por mês, o cidadão também vai ter desconto, maior se estiver perto do cinco, menor se estiver perto do sete.</p>
<p>A isenção atinge a classe social mais debatida pelos analistas políticos nos últimos anos: quem já escapou da vulnerabilidade extrema, mas ainda está longe do padrão de consumo da classe média &#8220;tradicional&#8221;. É muita gente: o governo estima que a reforma beneficiará cerca de 10 milhões de pessoas.</p>
<p>Como tudo tem um preço, o governo calcula que vai deixar de arrecadar R$ 25,84 bilhões por ano com a mudança. Para compensar esse rombo, o governo vai aumentar o Imposto de Renda dos ricos.</p>
<p>Para isentar os 10 milhões, vai aumentar o imposto de cerca de 140 mil brasileiros, duas vezes o público da final do Campeonato Carioca que deu o título de 2025 ao Mengão. Essa turma paga, hoje em dia, uma alíquota média de Imposto de Renda de 2,5%.</p>
<p>Quando Haddad anunciou a reforma no ano passado, naquele pronunciamento que tanto furdunço gerou, o plano era mais ambicioso: fazer com que quem ganhasse mais que R$ 50 mil por mês fosse obrigado a pagar ao menos 10% de Imposto de Renda.</p>
<p>Isto é, Haddad queria que os ricos pagassem pelo menos a mesma porcentagem que um policial militar paga hoje em dia (nas contas do governo, 9,8%).</p>
<p>A proposta foi responsável por parte do aumento do dólar na época. Afinal, o motivo dos ricos pagarem tão pouco Imposto de Renda é que muitos investimentos disponíveis no mercado financeiro são isentos (LCA, LCI, dividendos etc.). Se houver uma alíquota mínima para os ricos, ao menos parte dessa renda será tributada, o que tornaria esses investimentos menos atrativos. Na dúvida, o pessoal correu para o dólar (e lá encontraram o Trump, mas isso é outra história).</p>
<p>Na nova proposta, vários desses investimentos continuarão isentos. E o governo agora só vai exigir que o sujeito pague a mesma alíquota do PM se ele ganhar mais que R$ 100 mil por mês. Entre R$ 50 mil e R$ 100 mil haverá uma alíquota mínima, mas ela começará bem pequena e crescerá conforme a renda chegue perto dos R$ 100 mil.</p>
<p>Todo mundo sabe que isso é certo. A proposta de tornar os impostos brasileiros mais progressivos estava até no programa da Arena, o partido que apoiava a ditadura militar. Mas ninguém tinha feito até agora.</p>
<p>Segundo Guilherme Klein, do Núcleo de Pesquisa sobre Macroeconomia das Desigualdades (Made) da USP, atualmente, os impostos brasileiros são progressivos –isto é, quem ganha mais paga uma alíquota maior– até o 1% mais rico, quem ganha mais que R$ 30 mil por mês. Daí em diante, tornam-se regressivos: quanto mais rico o rico for, menor a alíquota.</p>
<p>A reforma não elimina essa regressividade no topo, mas deve reduzi-la consideravelmente.</p>
<p>Enfim, um pessoal que ganha muito bem vai ter que se sacrificar um pouco para ajudar a professora e o PM. Eu acho bom.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>A Europa se prepara para a guerra, por Flávio Aguiar</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ary Ramos]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 22 Mar 2025 15:28:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Curiosidades]]></category>
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					<description><![CDATA[Flávio Aguiar – A Terra é Redonda – 18/03/2025 Sempre que os países da Europa prepararam-se para uma guerra, a guerra aconteceu. E este continente propiciou as duas guerras que em toda a história humana ganharam o triste título de “mundiais” Há sinais de fumaça no horizonte de que os países europeus preparam-se para a [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Flávio Aguiar – A Terra é Redonda – 18/03/2025</em></p>
<p><em>Sempre que os países da Europa prepararam-se para uma guerra, a guerra aconteceu. E este continente propiciou as duas guerras que em toda a história humana ganharam o triste título de “mundiais”</em></p>
<p>Há sinais de fumaça no horizonte de que os países europeus preparam-se para a guerra. Que guerra? Contra a Rússia.</p>
<p>Tomemos a Alemanha como exemplo.</p>
<p>Primeiro exemplo: a Volkswagen, empresa que há quase um século está vinculada à identidade nacional alemã, vai fechar três de suas fábricas, devido à crise econômica que assola o país e o continente. Mas há uma empresa interessada na compra das três. Qual? a Rheinmetall, uma das principais produtoras de armamentos na Alemanha. Por quê? Porque seus diretores prevêem uma margem de lucro considerável, graças ao anúncio, por parte da presidenta da Comissão Europeia, Úrsula von der Leyen, de que a União vai investir 800 bilhões de euros em armamentos para incrementar a defesa do continente.</p>
<p>Exemplo 2: paradoxalmente, o diretor de uma das agências do serviço secreto alemão, Bruno Kahl, do Bundesnachrichtendienst, manifestou, em entrevista à <em>Deutsche Welle</em>, em 03/03/2025, a preocupação com a possibilidade de que a guerra na Ucrânia tenha um “fim rápido”. Por quê? Segundo ele, porque isto liberaria a Rússia para ameaçar o restante da Europa antes de 2029 ou 2030, isto é, antes de que os outros países do continente estejam preparados para enfrentar o “inimigo”. A afirmativa, que provocou indignação em Kiev, mostra que há uma estratégia pensada a respeito da possibilidade e previsão da guerra.</p>
<p>E a indústria da guerra parece ser um dos vetores mais importantes para a recuperação econômica da Alemanha e do continente.</p>
<p>A Alemanha ocupa o quinto lugar entre os maiores exportadores de armas do mundo. São eles, em ordem crescente, segundo o Instituto Internacional de Investigação para a Paz, sediado em Estocolmo: Israel, Coreia do Sul, Espanha, Reino Unido, Alemanha, China, França e Rússia praticamente empatadas, e Estados Unidos.</p>
<p>Há duas enormes discrepâncias entre estes países. Primeira: de Israel à China, o percentual de participação nas exportações mundiais de armas fica em um dígito, de 1 a 5%. Com Rússia e França, o índice dá um salto, para 10,5 e 10,9%, respectivamente, sendo que a França superou a Rússia porque as exportações desta caíram, graças à guerra com a Ucrânia e os aliados que a apoiam.</p>
<p>Com os Estados Unidos, o salto é maior ainda: o índice de sua participação é de 40% do mercado mundial.</p>
<p>Segunda discrepância: nos últimos dez anos o valor destas exportações caiu, em oito dos dez países. As duas grandes exceções são a França e os Estados Unidos. No caso destes, o aumento foi de 24%.</p>
<p>Das 100 maiores empresas g“`privadas de produção de armamentos, 41 são norte-americanas, e 27 europeias, excluindo-se a Rússia, que tem apenas 2 empresas entre elas.</p>
<p>Invertendo-se a perspectiva, verifica-se que o país que mais importa armas no mundo é a Ucrânia, com quase 9% do setor. E seus principais fornecedores são os Estados Unidos, a Alemanha e a Polônia.</p>
<p>Assinale-se uma curiosidade: nenhum país da América Latina figura entre os principais exportadores ou importadores de armas.</p>
<p>Aqueles números acima mostram que, como no passado, infelizmente a guerra ou sua perspectiva permanecem sendo um bom negócio para afastar o fantasma de recessões econômicas para quem produza armas, não para quem suporte seus efeitos.</p>
<p>Como afirmei no começo, há sinais de fumaça no horizonte apontando na direção de uma guerra. Sabe-se que onde há fumaça, há fogo. Sempre que os países da Europa se prepararam para uma guerra, a guerra aconteceu. E este continente propiciou as duas guerras que em toda a história humana ganharam o triste título de “mundiais”.</p>
<p><strong>Flávio Aguiar</strong><em>, jornalista e escritor, é professor aposentado de literatura brasileira na USP. Autor, entre outros livros, de</em> Crônicas do mundo ao revés (<em>Boitempo</em>).</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Sobre os críticos de “Ainda estou aqui”, por Lúcio Verçoza</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ary Ramos]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 21 Mar 2025 12:17:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Curiosidades]]></category>
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					<description><![CDATA[Lúcio Verçoza – a Terra é Redonda – 05/03/2025 A capacidade do cinema de Walter Salles de adentrar os raquíticos fios do debate público no Brasil – ou da opinião publicada O filme Ainda estou aqui circula. Prossegue circulando. E sua circulação não é como a de um ventilador de padaria: que gira, gira e permanece no [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Lúcio Verçoza – a Terra é Redonda – 05/03/2025</p>
<p><em>A capacidade do cinema de Walter Salles de adentrar os raquíticos fios do debate público no Brasil – ou da opinião publicada</em></p>
<p>O filme <em>Ainda estou aqui </em>circula. Prossegue circulando. E sua circulação não é como a de um ventilador de padaria: que gira, gira e permanece no mesmo lugar – soprando pouco vento. O começo da circulação da película se deu, sobretudo, na pele e nos pelos das pessoas que saíram de casa para ir ao cinema.</p>
<p>O segundo circuito de circulação, que é um desdobramento do primeiro, está na capacidade do cinema de Walter Salles de adentrar os raquíticos fios do debate público no Brasil – ou da opinião publicada. Logo, nessa segunda esfera da circulação, não tardou para que os autores de resenhas alimentassem os <em>blogs</em>, <em>YouTube</em>, <em>Instagram</em>, <em>TikTok</em> e páginas da grande mídia – tanto com análises elogiosas, quanto implacáveis.</p>
<p>Dentre as críticas mais duras, gostaria de sublinhar o texto de Raul Arthuso, divulgado recentemente no jornal <em>Folha de S. Paulo</em>. O escrito tem sua relevância, pois desloca a discussão para o campo da estética. Porém, no afã de sustentar a tese na qual o filme de Walter Salles seria um passo atrás no contexto do cinema nacional contemporâneo, o autor contorce o argumento, rebaixando o peso político de <em>Ainda Estou Aqui</em>.</p>
<p>Numa rápida análise, é possível destacar trechos nos quais Raul Arthuso carrega excessivamente nas tintas – fazendo com que o filme analisado pareça outro: “sua ênfase está na narrativa íntima, na memória, nas relações pessoais em detrimento da história e da realidade social, mesmo que isso esteja presente como pano de fundo difuso.” “[…] a realidade política é só um detalhe na trama.” “[…] não consegue construir um mundo ficcional que diga algo para a nossa realidade.” “[…] produzir efeitos de emoções, sem agredir ou tensionar questões locais”.</p>
<p>Toda essa linha argumentativa leva à construção de um retrato de filme que seria politicamente minúsculo e quase irrelevante: “que pouco tem a dizer sobre a nossa realidade”; no entanto, se trata do inverso: pela via da estética do detalhe íntimo, Walter Salles conseguiu atar um nó que liga o passado ao presente – fazendo o espectador sentir o passado como algo que diz respeito ao que está em nossa frente. E esse traço, de conseguir reavivar a memória por meio da arte, tem uma enorme potência política.</p>
<p>Tanto os críticos que gostariam que o filme fosse algo próximo de um panfleto (a exemplo das análises de viés excessivamente programático de Jones Manoel, ou do Chavoso da USP), quanto os que exigem uma estética de vanguarda, desconsideram que o forte impacto político do longa decorre de uma abordagem que toca na grande política pela chave da sutileza do detalhe e da micro-história.</p>
<p>A obra forma uma espécie de nó artístico – sem adotar uma linguagem explicitamente herdeira do Cinema Novo dos anos 1960, nem das vanguardas recentes do mangue ou dos sertões nordestinos –; um nó que não escreve um tratado da política econômica dos governos da ditadura militar, nem da luta sindical (como reivindicaram os críticos programáticos).</p>
<p>Todavia, é um nó ainda mais arguto, pois liga a ponta do passado à do presente em frente aos olhos e ouvidos do grande público: dando um tapa simbólico no rosto e na máscara do bolsonarismo. E, faz isso, sem dizer explicitamente o que faz. E faz isso construindo uma estética que sintoniza muito bem a forma ao conteúdo – sem pertencer às vanguardas da forma, e sem conceder a patrulha estreita dos que exigiram um filme-panfleto.</p>
<p>Talvez o grande acerto do filme esteja justamente nisso: em captar uma forma de pertencer a um tempo pelo 3×4 de uma família. E o faz sem a pretensão de lançar um tratado. E o faz demonstrando que uma linguagem aparentemente simples (em termos de inovação) pode ser sutil e profunda. A plateia, por diferentes caminhos, sacou o que estava na tela e sentiu, por alguns minutos, o sentimento do mundo. E o sentimento do mundo é ambíguo: carregado de choro, fúria, esperança, aplauso e memória.</p>
<p><strong>Lúcio Verçoza</strong> <em>é professor de sociologia na Universidade Federal de Alagoas (UFAL)</em>.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Como vai a Europa pagar por sua própria defesa? por Rui Tavares.</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ary Ramos]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 19 Mar 2025 20:13:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Curiosidades]]></category>
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					<description><![CDATA[Problema nunca foi de falta de recursos, mas de vontade política; quando é para sobreviver, a vontade política aparece Rui Tavares, Historiador, deputado na Assembleia da República de Portugal e ex-deputado no Parlamento Europeu; autor de &#8216;Agora, Agora e Mais Agora&#8217; Folha de São Paulo, 19/03/2025 A opinião convencional dominante nos dias que correm parece [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Problema nunca foi de falta de recursos, mas de vontade política; quando é para sobreviver, a vontade política aparece</p>
<p>Rui Tavares, Historiador, deputado na Assembleia da República de Portugal e ex-deputado no Parlamento Europeu; autor de &#8216;Agora, Agora e Mais Agora&#8217;</p>
<p>Folha de São Paulo, 19/03/2025</p>
<p>A opinião convencional dominante nos dias que correm parece ser que a Europa deixou de cuidar da sua defesa após a Segunda Guerra Mundial, delegando essa função aos Estados Unidos e praticamente não gastando dinheiro em armamento. A mesma opinião sustenta agora que a Europa ficou desorientada perante a guinada geopolítica de Donald Trump e que não terá chance de defender-se perante Vladimir Putin.</p>
<p>Essa opinião convencional está errada.</p>
<p>A Europa nunca gastou propriamente pouco em defesa. O Reino Unido e a França são potências nucleares, e os gastos acumulados dos países-membros da União Europeia foram no ano passado bem superiores a € 300 bilhões, não tão longe da Rússia e da China.</p>
<p>A questão na Europa nunca foi gastar pouco em defesa, mas antes gastar sem visão de conjunto e comprando grande parte do seu material dos EUA. É isso que vai mudar agora. Trump conseguiu quebrar os laços de confiança entre europeus e americanos e com isso deu um novo foco estratégico à Europa, e em particular à UE.</p>
<p>A União Europeia irá com toda a probabilidade avançar para a compra conjunta de armamento, repetindo o mecanismo que provou ser um grande sucesso com a compra de vacinas pelo bloco, assegurando ganhos de escala e baixando custos. E o material será produzido na Europa, para ajudar na reindustrialização do continente e para evitar a utilização de caríssimo armamento dos EUA (como os famosos caças F-35) que se suspeita que possa ser desativado à distância.</p>
<p>Além disso, há países-membros da UE que têm capacidade para gastar mais, e o caso mais relevante agora é o da Alemanha, que já aprovou alterações à sua legislação para possibilitar mais gastos em defesa.</p>
<p>Mesmo assim, há investimentos iniciais que precisarão de somas mais avultadas nos primeiros anos. Têm feito debate aqui no continente as declarações do secretário-geral da Otan, Mark Rutte, que sugeriu que os europeus deveriam ter de prescindir do seu estado social para investir na defesa.</p>
<p>A União Europeia pode lançar os chamados eurobonds, títulos de dívida emitidos em nome da União como um todo, não dos seus Estados-membros. A dívida da UE, bem como o seu orçamento, representa pouco mais de 1% do PIB da União. Há espaço mais do que suficiente para emitir dívida, há interesse dos mercados globais em comprá-la, e o momento é o mais oportuno, num momento em que Trump lança a economia dos EUA na turbulência e os investidores procuram outros portos seguros.</p>
<p>Em segundo lugar, a União Europeia (ou apenas os Estados que o desejarem) pode lançar um imposto comum de apenas 2% sobre fortunas acima de € 1 milhão. Nos cálculos do economista Gabriel Zucmán, isso daria mais de € 60 bilhões por ano.</p>
<p>Em terceiro lugar, há € 300 bilhões em ativos russos congelados, que podem ser confiscados e usados na reconstrução da Ucrânia.</p>
<p>O problema da Europa nunca foi de falta de recursos, mas de falta de vontade política. Quando é para sobreviver, a vontade política aparece.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Como a economia explica o mundo, por Hélio Schwartsman</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ary Ramos]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 16 Mar 2025 17:27:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Curiosidades]]></category>
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					<description><![CDATA[Livro mostra como conceitos abstratos do tipo utilidade marginal decrescente produzem efeitos concretos na história Hélio Schwartsman, Jornalista, foi editor de Opinião. É autor de &#8220;Pensando Bem…&#8221; Folha de São Paulo, 16/03/2025 Breve e certeiro são dois adjetivos que descrevem bem &#8220;How Economics Explains the World&#8221; (Como a Economia Explica o Mundo), de Andrew Leigh. Em [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Livro mostra como conceitos abstratos do tipo utilidade marginal decrescente produzem efeitos concretos na história</p>
<p>Hélio Schwartsman, Jornalista, foi editor de Opinião. É autor de &#8220;Pensando Bem…&#8221;</p>
<p>Folha de São Paulo, 16/03/2025</p>
<p>Breve e certeiro são dois adjetivos que descrevem bem &#8220;How Economics Explains the World&#8221; (Como a Economia Explica o Mundo), de Andrew Leigh. Em menos de 200 páginas, ele narra como forças econômicas moldaram a história.</p>
<p>Leigh começa com a agricultura, que criou a possibilidade de acumular riqueza e permitiu a especialização do trabalho, e termina na pandemia, cujo impacto inflacionário, agravado pela invasão da Ucrânia, até hoje afeta o resultado de eleições mundo afora.</p>
<p>Uma coisa que Leigh faz muito bem é mostrar como conceitos econômicos que podem parecer abstratos, como estrutura de incentivos, custos de oportunidade, utilidade marginal decrescente, geram efeitos concretos.</p>
<p>Um exemplo: foram restaurantes europeus e não americanos que primeiro desenvolveram sistemas eletrônicos de registrar pedidos. Fizeram-no décadas antes do iFood. E por causa dos incentivos. Contratar um funcionário na Europa é muito mais caro que nos EUA.</p>
<p>Outro resultado inesperado da estrutura de incentivos é que, quando os EUA mudaram os impostos sobre a herança, moribundos responderam, morrendo um pouco mais tarde a fim de extrair maiores benefícios fiscais.</p>
<p>Apesar do espaço apertado, Leigh traz até discussões filosóficas para o livro. Dinheiro traz felicidade? As primeiras pesquisas sugeriram que sim, mas só até certo ponto. Análises mais recentes mostram que a felicidade sempre aumenta, tanto entre nações como dentro de cada país. Ainda assim, o autor, com base no princípio da utilidade marginal, recomenda a adoção de um imposto fortemente progressivo. É que um dólar adicional traz mais felicidade para quem não tem quase nenhum do que para quem já tem muitos.</p>
<p>Apesar da brevidade, e, portanto, da densidade do livro, Leigh ainda encontra espaço para contar boas historietas, como a de que o jogo Banco Imobiliário (Monopoly) foi inspirado nos barões ladrões, como era chamada a elite empresarial dos EUA no final do século 19. E o jogo era uma crítica, não uma bajulação, a eles.</p>
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		<title>Sobrepeso e obesidade, a nova epidemia? por Márcia Castro</title>
		<link>https://www.aryramos.pro.br/sobrepeso-e-obesidade-a-nova-epidemia-por-marcia-castro/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Ary Ramos]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 15 Mar 2025 19:18:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Curiosidades]]></category>
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					<description><![CDATA[Envelhecimento não saudável vai gerar demandas do sistema de saúde que poderiam ser evitadas Márcia Castro, Professora de demografia e chefe do Departamento de Saúde Global e População da Escola de Saúde Pública de Harvard. Folha de São Paulo, 15/03/2025 É inquestionável que a pandemia de Covid-19 foi um marco na história (tal qual a [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Envelhecimento não saudável vai gerar demandas do sistema de saúde que poderiam ser evitadas</p>
<p>Márcia Castro, Professora de demografia e chefe do Departamento de Saúde Global e População da Escola de Saúde Pública de Harvard.</p>
<p>Folha de São Paulo, 15/03/2025</p>
<p>É inquestionável que a pandemia de Covid-19 foi um marco na história (tal qual a pandemia da gripe cerca de um século antes). Como tal, não pode ser esquecida.</p>
<p>A Unifesp lançou o Acervo da Pandemia de Covid-19, uma plataforma digital que documenta as ações e inações do governo durante 2020 a 2022. Esse acervo é extremamente importante. Como disse George Santayana, &#8220;aqueles que não conseguem lembrar o passado estão condenados a repeti-lo&#8221;.</p>
<p>Nas últimas semanas houve discussões sobre os cinco anos da pandemia. Um tema recorrente é se o mundo está preparado para a próxima. Aqui, é preciso discutir dois aspectos.</p>
<p>Primeiro, há emergências que surgem de forma rápida, como um novo patógeno. Nesse caso, tudo é novo, o conhecimento vai se expandindo junto com a emergência, e o desenvolvimento de medicamentos e imunizantes demanda tempo. Esse foi o caso da Covid-19.</p>
<p>Apesar de todos os desafios relacionados a controlar um novo patógeno, o manejo da emergência foi falho. Ficou evidente que sistemas de saúde na grande maioria dos países não era resiliente, ou seja, não conseguiram prevenir, preparar, detectar, adaptar, responder e se recuperar de uma emergência, garantindo que funções essenciais de saúde não fossem comprometidas.</p>
<p>Segundo, há emergências que se desenvolvem ao longo do tempo. Batem na porta, mandam recado, e só recebem atenção quando a situação já virou uma emergência de fato. De certa forma, a situação da dengue é um exemplo. Afinal, o que esperar de um crescimento urbano desordenado, que gera verdadeiros paraísos para o mosquito?</p>
<p>Outro exemplo é o envelhecimento populacional. Demógrafos já alertavam há muito tempo que a população vinha envelhecimento rapidamente. O Censo Populacional de 2022 mostra isso. Não é novidade. Um envelhecimento não saudável vai gerar demandas do sistema de saúde que poderiam ser evitadas com prevenção.</p>
<p>Some-se a isso os resultados de uma pesquisa publicada na revista Lancet que estima a prevalência de sobrepeso e obesidade entre crianças e jovens (5 a 24 anos) e adultos (25 ou mais).</p>
<p>Em 2021, cerca de 20% da população menor de 25 anos e quase metade daqueles com 25 anos ou mais no mundo viviam com sobrepeso ou obesidade. Até 2050, caso a tendência não mude, cerca de 30% das crianças e jovens e 60% dos adultos terão sobrepeso ou obesidade.</p>
<p>No Brasil, a estimativa é que um terço das crianças e jovens e 65% dos adultos estejam com sobrepeso ou obesos em 2050. Esses números são preocupantes, mas não uma surpresa.</p>
<p>Dados do Vigitel, do Ministério da Saúde, mostram, desde 2006, um crescimento consistente no sobrepeso e obesidade.</p>
<p>As consequências serão inúmeras, incluindo problemas no desenvolvimento infantil, saúde mental, pressão alta, diabetes, doenças cardiovasculares, entre outras. Entretanto, ainda carecemos de medidas concretas para mudar essa tendência.</p>
<p>Que fique claro que esse problema não será resolvido com medicamentos antiobesidade (tais como Ozempic).</p>
<p>Uma emergência de saúde pública devido ao sobrepeso e obesidade vem se desenhando há algum tempo. No Brasil e no mundo. Ou o Brasil se antecipa e encara isso agora, ou teremos outra tragédia anunciada.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Desconectar para conectar, por Stephanie Habrich</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ary Ramos]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 11 Mar 2025 18:05:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Curiosidades]]></category>
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					<description><![CDATA[Proibir celulares nas escolas é só o começo: desafio maior é preparar jovens para interagirem de forma saudável tanto no mundo real quanto no virtual Stephanie Habrich, Fundadora e diretora-executiva dos jornais Joca e Tino Econômico Folha de São Paulo, 11/03/2025 O início do ano letivo trouxe polêmica com a lei que baniu celulares nas [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Proibir celulares nas escolas é só o começo: desafio maior é preparar jovens para interagirem de forma saudável tanto no mundo real quanto no virtual</p>
<p>Stephanie Habrich, Fundadora e diretora-executiva dos jornais Joca e Tino Econômico</p>
<p>Folha de São Paulo, 11/03/2025</p>
<p>O início do ano letivo trouxe polêmica com a lei que baniu celulares nas escolas. A pausa forçada no uso das telas gera resistência, mas levanta uma questão importante: isso realmente criará um ambiente de aprendizado mais saudável?</p>
<p>A ciência mostra benefícios claros dessa restrição: maior concentração e foco, redução da ansiedade, melhora na interação social e no contato humano. Além disso, combater o cyberbullying e incentivar atividades físicas e culturais são ganhos significativos. O “detox digital” também pode fortalecer o senso crítico e a autonomia dos estudantes.</p>
<p>Essa mudança, porém, exige acolhimento e conscientização. É essencial ouvir as preocupações dos alunos e explicar os benefícios. Pais e professores também precisam entender os impactos do uso excessivo da tecnologia, promovendo debates sobre saúde mental e dependência digital.</p>
<p>Pesquisas indicam que o excesso de telas compromete habilidades cognitivas essenciais, como memória e criatividade, além de estar associado a transtornos do sono e aumento da impulsividade. Escolas que já adotaram essa medida ao redor do mundo notam melhores resultados acadêmicos e maior engajamento em atividades extracurriculares.</p>
<p>Claro, a tecnologia é indispensável no mundo atual e pode ser uma grande aliada no aprendizado. O desafio está no equilíbrio entre seus benefícios e a necessidade de desenvolver habilidades interpessoais e emocionais. Cabe aos adultos orientar crianças e jovens no uso seguro e responsável das telas.</p>
<p>A educação midiática é um caminho essencial nessa jornada. Ensinar a diferenciar informações confiáveis de fake news fortalece o pensamento crítico e reduz a vulnerabilidade à desinformação. Esse processo começa cedo e se torna fundamental para a autonomia intelectual dos estudantes.</p>
<p>O afastamento do celular nas escolas também resgata o aprendizado ativo, incentivando a resolução de problemas, a colaboração em projetos e o desenvolvimento da criatividade sem distrações digitais. A aprendizagem significativa acontece quando há espaço para reflexão, troca de ideias e experimentação.</p>
<p>Reduzir o uso de celulares contribui para um futuro mais saudável, tanto para os estudantes quanto para seus relacionamentos. Mais do que proibir a tecnologia, trata-se de construir um ambiente que desenvolva habilidades essenciais para a vida e o mercado de trabalho, como empatia, resiliência e argumentação.</p>
<p>A discussão sobre o uso de celulares nas escolas vai além de evitar distrações em salas de aula. É uma oportunidade de repensar o papel da escola e o tipo de sociedade que queremos construir. A proibição é apenas o começo: o verdadeiro desafio está em preparar os jovens para interagirem de forma saudável tanto no mundo real quanto no virtual.</p>
<p>Os jornais Joca e Tino Econômico, voltados ao público infantojuvenil e seus educadores, acompanham temas atuais como o “brain rot” – ou “apodrecimento cerebral” &#8211; , causado pelo consumo excessivo de conteúdos digitais de baixa qualidade. Afinal, informação sem reflexão é só ruído.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>&#8216;Ainda Estou Aqui&#8217; abre portas para mudanças na sociedade, por Sylvia Colombo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ary Ramos]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 09 Mar 2025 19:59:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Curiosidades]]></category>
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					<description><![CDATA[Obras como a de Walter Salles, que venceu Oscar de melhor filme internacional, iluminam as consciências Sylvia Colombo, Historiadora e jornalista especializada em América Latina, foi correspondente da Folha em Londres e em Buenos Aires, onde vive. Folha de São Paulo, 09/03/2025 &#8220;Quem vai atrás de osso é cachorro&#8221;, já disse Jair Bolsonaro, referindo-se à [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Obras como a de Walter Salles, que venceu Oscar de melhor filme internacional, iluminam as consciências</p>
<p>Sylvia Colombo, Historiadora e jornalista especializada em América Latina, foi correspondente da Folha em Londres e em Buenos Aires, onde vive.</p>
<p>Folha de São Paulo, 09/03/2025</p>
<p>&#8220;Quem vai atrás de osso é cachorro&#8221;, já disse Jair Bolsonaro, referindo-se à busca por desaparecidos da ditadura militar brasileira (1964-1985).</p>
<p>Quando contei isso para Mariela Fumagalli, diretora da Eeaf (Equipe de Antropologia Forense Argentina), fez-se uma pausa na conversa. &#8220;Não é possível que uma parte considerável da sociedade se expresse dessa maneira. Se na Argentina há quem concorde com essa visão, ela é minoritária e envergonhada&#8221;, me respondeu.</p>
<p>A entidade que ela comanda trabalha desde 1984 na busca, recuperação, identificação e restituição da identidade das vítimas do terrorismo de Estado no país. Desde sua criação, revelou os nomes de 840 pessoas, algumas enterradas em cemitérios clandestinos, outras encontradas às margens do rio da Prata por terem sido arremessadas nos chamados &#8220;voos da morte&#8221;. Todo ano, esse número aumenta, porque o trabalho nunca foi interrompido.</p>
<p>Hoje, a Eaaf exporta sua expertise. Já ajudou em casos ocorridos na América Central e, recentemente, na identificação de soldados argentinos enterrados sem nome nas Ilhas Malvinas. &#8220;Podemos atuar a pedido de entidades, governos ou mesmo de particulares&#8221;, afirma Fumagalli.</p>
<p>A Eeaf não é a única organização não governamental que se dedica a esclarecer os crimes da ditadura. Também há as Avós da Praça de Maio, que buscam netos, ou seja, filhos de desaparecidos, e que para isso montaram um rico arquivo de DNA de pais, mães e avós para cotejar com pessoas que as procurem, em dúvida, sobre sua identidade.</p>
<p>A Argentina usa a interpretação de que crimes cometidos por civis prescrevem, mas não os perpetrados pelo Estado. Por conta disso, já foram condenados mais de mil repressores, num país que há muito derrubou leis de anistia.</p>
<p>Esses órgãos não dependem do governo de turno para continuar. Claro que, durante gestões de direita ou de centro-direita, esse trabalho encontra mais dificuldade, mas nunca deixa de ser feito. A razão, conta Fumagalli, é que, apesar de baseados em políticas públicas tomadas nos anos 1980, &#8220;foram apoiados e incorporados por uma sociedade&#8221;. E consciente por quê? Porque se informa por livros, filmes e outros instrumentos que fazem com que o período nunca caia no esquecimento.</p>
<p>Durante a gestão de Maurício Macri, por exemplo, houve a ideia de aliviar a pena de genocidas de avançada idade, ao incorporar em suas condenações o período em que ficaram em prisão preventiva. A manifestação popular foi tão grande que tomou as ruas do centro e cercou o Congresso. A ideia foi retirada de discussão.</p>
<p>Já o atual presidente, Javier Milei, adepto da teoria dos dois demônios, ou seja, que coloca em mesmo patamar os crimes cometidos por guerrilheiros e pela repressão, foi alvo de intensas manifestações, ainda durante a campanha eleitoral. Após mais de um ano de governo, não voltou a falar sobre o assunto.</p>
<p>&#8220;Talvez o caso de Rubens Paiva, se tivesse ocorrido na Argentina, tivesse uma solução mais rápida&#8221;, diz Fumagalli.</p>
<p>A diferença, na Argentina, não foi apenas o fato de que pesou muito a desmoralização dos militares nas Malvinas. Houve uma pressão da sociedade civil para esclarecer a verdade.</p>
<p>É nesse sentido que filmes como &#8220;Ainda Estou Aqui&#8221; são importantes. Eles iluminam as consciências. &#8220;Não é à toa que a Argentina tem uma longa história no que diz respeito a filmes sobre o período&#8221;, diz Fumagalli.</p>
<p>&nbsp;</p>
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