China: ameaças e oportunidades

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Nas últimas décadas a economia internacional vem passando por grandes transformações, com a ascensão de novos atores produtivos, novas organizações, novos modelos de negócios, novas culturas e novos personagens políticos, além do crescimento da concorrência global, novas hegemonias estratégicas, novas configurações no mundo do trabalho e o fortalecimento das nações asiáticas, gerando calafrios, ameaças e oportunidades, consolidando um mundo cada vez mais multipolar.

Nesta nova configuração da sociedade internacional percebemos o crescimento e o fortalecimento da economia chinesa, uma nação pobre e miserável nos anos 1980 e, atualmente a segunda maior economia mundial, responsável pela maior estrutura exportadora, dotada de grande tecnologia, responsável por inúmeras inovações que estão impulsionando a sociedade, impactando positivamente sua população, aumentando as possiblidades de melhorias sociais e reduzindo assustadoramente a pobreza e a indigência, retirando milhões de pessoas na indignidade e garantindo novas oportunidades de ascensão social.

A China construiu uma estrutura industrial invejável, suas fábricas produzem mais de US$ 4 trilhões em produtos e mercadorias, exportando para todos os continentes, atuando nas mais variadas áreas e setores produtivos, dominando a produção de televisões, aparelhos celulares, automóveis, eletro eletrônicos, dentre outros, gerando grandes desafios para as nações, pois absorvem produtos chineses a preços módicos, contribuindo ativamente para o aumento do salário da população e um aumento sistemático da renda, mas estes produtos vendidos a preços baixos internamente podem destruir sua estrutura industrial, estimulando a desindustrialização, aumentando o desemprego interno, além de graves constrangimentos econômicos, polarizações políticas e agitações sociais.

Nas últimas décadas, o governo chinês vem buscando novos espaços de investimentos externos para desovar as altas reservas internacionais acumuladas nos anos anteriores, para isso, a China criou a Rota da Seda, uma política global para estimular os investimentos externos nas mais variadas áreas e regiões da economia internacional, crescendo sua participação nos acordos comerciais com a Ásia, a Europa e a África, além dos esforços para incrementar essa política na América Latina, gerando graves constrangimentos com os Estados Unidos, que claramente vem perdendo espaço na economia mundial, levando-o a impulsionar novos conflitos militares, novas formas de intervencionismo, novas formas de protecionismos e medidas mais agressivas para salvaguardar seus interesses nacionais, num momento de instabilidades, incertezas e novos desafios e novas oportunidades.

Neste cenário, as nações buscam defender seus interesses nacionais, alguns se aliam ao gigante asiático para se defender dos desafios contemporâneos, enquanto outros governos preferem fortalecer laços anteriores com a sociedade estadunidense, uma decisão estratégica para todas as nações, escolher caminhos e fazer escolhas podem trazer ganhos diretos ou indiretos, mas podem trazer grandes constrangimentos.

Numa sociedade como a brasileira, dotada de grande potencial nas mais variadas áreas e setores, faz-se necessário construir novos caminhos e novos horizontes para os desafios futuros e as escolhas contemporâneas, arregimentando apoio político interno, consolidando um projeto nacional de país, deixando de lado os conflitos, as brigas e as imaturidades políticas que perpetuam e solidificam nosso subdesenvolvimento e nossa pobreza, quem sabe, depois deste desastre climático em curso no Rio Grande do Sul, a nação acorde efetivamente deste sono letárgico e degradante que vivemos continuadamente desde nossa constituição enquanto nação “independente”.

Ary Ramos da Silva Júnior, Bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitário.

Ary Ramos
Ary Ramos
Doutor em Sociologia (Unesp)

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