Competição global

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Vivemos num momento de grandes transformações geopolíticas e econômicas, neste ambiente de mudanças constantes percebemos movimentações em todas as nações, buscando novos espaços políticos, novas formas de integração econômica, novas tecnologias, novas formas de dinamizar suas sociedades e novas oportunidades que devem definir as estratégias de sobrevivência nas próximas décadas.

Neste ambiente, percebemos o crescimento de um novo conflito econômico e geopolítico que deve moldar o capitalismo contemporâneo, com formas diferentes de organização social, estruturas produtivas e construções políticas. Neste momento, percebemos um conflito entre os Estados Unidos e China, onde cada um dos contendores tem suas armas, além de seus instrumentos de convencimento e de pressão, deste conflito tende a nascer uma nova sociedade, uma nova forma de organização social e novas características produtivas.

O crescimento chinês foi assustador nos últimos 40 anos, de uma sociedade altamente miserável a China se transformou no mais bem sucedido modelo de crescimento econômico, com uma estrutura produtiva moderna, com políticas centradas no Estado Nacional, com sólidas e consistentes estratégias de transformação produtiva, marcadas pelo protecionismo, pelos subsídios crescentes e pelas políticas de compras governamentais que garantiram a venda de produtos produzidos internamente, garantindo fortes estímulos para a geração de empregos, melhora salarial e novos espaços de inclusão social que contribuíram para retirar da pobreza milhões de trabalhadores.

Destacamos ainda, que todos os setores receberam estímulos para competir no mercado internacional, garantindo uma melhoria constante dos setores produtivos, além que adquirir novos mercados globais que angariavam a entrada de moedas conversíveis que contribuíram para o aumento das reservas internacionais. Nos anos 1970, algumas delegações oficiais chinesas visitaram o Brasil para compreender as políticas que estavam sendo implementadas, estas políticas garantiram um forte crescimento econômico e levaram o Brasil a uma posição de destaque no cenário internacional.

A partir dos anos 1980 os chineses colocaram em prática uma política desenvolvimentista fortemente centrada num Estado planejador, mesclando forte intervenção estatal e estímulo a competição externa, além disso, inovou ao adotar políticas de associação de empresas nacionais com grandes conglomerados globais, que garantiram uma forte transferência de tecnologia, utilizando o mercado nacional como um trunfo fundamental para atrair grandes empresas interessadas na exploração do mercado do país asiático.

A ascensão chinesa nos anos 1980 nos mostra que num mercado altamente competitivo e concorrencial, como vivemos na atualidade, é fundamental construirmos uma sólida e consistente estratégia de desenvolvimento econômico. Todos os países que conseguiram se desenvolver econômica e produtivamente construíram, internamente, uma estratégia centrada no planejamento, na construção de metas claras e flexíveis, garantindo investimentos sólidos em educação, em ciência e tecnologia, formando mão de obra capacitada para entender os grandes desafios que estavam sendo desenhados na economia internacional.

Neste ambiente, precisamos repelir ideias entreguistas centradas no pensamento liberal ortodoxo, que privilegia os grandes atores econômicos internacionais, são eles os grandes responsáveis pela difusão destas ideias, que patrocinam os pseudo-intelectuais que aparecem cotidianamente nos meios de comunicação e que contribuem diretamente para esta situação degradante da sociedade brasileira, onde uma grande parte da população vive em condições de indignidade, de exclusão e de degradação moral.

Vivemos numa grande competição internacional, o mundo contemporâneo é marcado por grandes desafios, neste ambiente, precisamos refletir sobre os modelos mais consistentes da sociedade global, o desenvolvimento é uma grande maratona que exige disciplina, planejamento e humildade. Como foi dito anteriormente, o Brasil serviu de exemplo para a China no século passado, está na hora de termos humildade para aprendermos com exemplos mais exitosos.

Ary Ramos da Silva Júnior, Bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Especialista em Economia Criativa, Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitário. Artigo publicado no Jornal Diário da Região, Caderno Economia, 30/03/2022.

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