Contemporaneidade

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São inúmeros os desafios para a sociedade brasileira contemporânea que exigem grandes capacidades de organização social, planejamento econômico e liderança política. Vivemos numa sociedade marcada por grandes desequilíbrios e conflitos políticos, esgotamento do modelo econômico, aumento da desesperança, degradações ambientais, negacionismo científico, crescimento da pobreza e da violência e o aumento acelerado da população global, gerando incertezas nos agentes econômicos, redução dos investimentos produtivos, desagregação dos laços sociais, com aumento do individualismo, do imediatismo e degradação ambiental.

Dentre estes desafios contemporâneos, precisamos destacar as rápidas transformações demográficas, o aumento dos idosos, a longevidade dos indivíduos e uma redução do número de crianças, exigindo da sociedade a consolidação do planejamento estratégico e uma grande capacidade de vislumbrar os desafios futuros, preparando as organizações, qualificando o capital humano e criando espaços de atuação social e política, fortalecendo os conselhos como local de discussão democrática e participativo da comunidade, contribuindo para a construção e a consolidação da cidadania.

No século XIX, um economista inglês chamado Thomas Robert Malthus defendia a tese de que estávamos nos aproximando de uma grande fome, isso aconteceria porque a população mundial estava crescendo rapidamente e a oferta de alimentos não conseguiria acompanhar este crescimento, com isso, a fome deveria assolar a sociedade, aumentando os conflitos sociais, incrementando as guerras e as instabilidades políticas. Suas teses não se efetivaram, apesar do crescimento populacional a oferta de alimento cresceu mais rapidamente do que a demanda, em decorrência do aumento tecnológico, do incremento das técnicas de produção e dos avanços das pesquisas científicas em insumos, fertilizantes e adubos.

Na contemporaneidade percebemos que as mazelas da fome crescem em todas as regiões do mundo, não pela falta da oferta de alimento, mas sim pela ausência da renda dos trabalhadores, todo este cenário impacta sobre as alterações na estrutura populacional, exigindo políticas públicas para garantir segurança alimentar para as comunidades mais carentes e fragilizadas.

O novo perfil populacional da sociedade nacional necessita de uma ampla reformulação das formas de sociabilidade humana, uma ampla alteração dos modelos econômicos e produtivos, uma reestruturação intensa no mundo do trabalho e a criação de espaços para absorver indivíduos mais experientes que, muitas vezes, são preteridos pelos mais jovens, com isso, precisamos incrementar os investimentos da chamada economia criativa, que tem grande potencial para alavancar a economia brasileira e, infelizmente, na história nacional é muito negligenciada, com poucos recursos investidos na cultura, no audiovisual e nas artes cênicas.

As alterações populacionais tendem a demandar mais profissionais em detrimento de outros, com isso, novos cursos e formações específicas ganham relevância como forma de absorver todos os trabalhadores, buscando melhores condições de trabalho, melhorando a capacitação da mão-de-obra, fomentando a flexibilidade e o dinamismo para se adaptar para as transformações cotidianas.
Os avanços tecnológicos, nas mais variadas áreas de conhecimento, estão gerando transformações silenciosas, desestimulando atividades e consolidando novas formas de trabalho, novas habilidades comportamentais ganham centralidade, a inteligência emocional ganha relevância e os investimentos em capital humano, exigindo uma sociedade consciente para compreendermos os desafios na sociedade contemporânea, levando oportunidades para todos os indivíduos e para todas as comunidades, evitando que os conflitos econômicos e desequilíbrios políticos não fragilizem as bases que sustentam a sociedade, degradando a democracia e gerando mais espaço de violência, medo e desesperanças.

Os desafios populacionais devem crescer nos próximos anos, exigindo novas configurações produtivas e lideranças conscientes nas organizações. A tecnologia aumenta a produção, mas degrada o meio ambiente, aumenta a desigualdade e podem acabar com as esperanças no futuro.

Ary Ramos da Silva Júnior, Bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Especialista em Economia Criativa; Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitário. Artigo publicado no jornal Diário da Região, Caderno Economia, 30/11/2022

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