Desafios da Reindustrialização

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Nestes últimos anos, percebemos grandes transformações nas estruturas produtivas internacionais, novos modelos de negócios, novas exigências para os trabalhadores, novos desafios para as empresas, novas formas de organizações social e política, que exigem, na sociedade contemporânea, novos instrumentos de acumulação que tendem a levar as nações a buscarem uma reestruturação produtiva e industrial ou aquilo que os economistas chamam de reindustrialização para diminuir as dependências externas e aumentarem a soberania nacional.

Desde o começo do século XXI a sociedade global foi assolada por grandes crises econômicas e financeiras, como o grande crash do mercado imobiliário nos Estados Unidos, com repercussões violentas sobre a economia internacional, gerando quebradeiras, falências de bancos e empresas, aumento no desemprego e da degradação das condições de vida de milhares de trabalhadores nos países desenvolvidos e subdesenvolvidos, cuja recuperação demandou forte intervencionismo estatal, estatização de empresas e recursos bilionários para evitar que a bancarrota não fosse maior.

Recentemente, a sociedade internacional, sentiu na pele a pandemia da covid-19, que ceifou mais de 7 milhões de pessoas no mundo todo, gerando degradações crescentes, instabilidades econômicas, quebras produtivas e incrementos nos preços. Neste cenário, muitas nações desenvolvidas perceberam crescimento da dependência industrial dos países asiáticos, notadamente crescimento da dependência das estruturas produtivas chinesas, responsáveis por grande parte da produção de insumos industriais, transformando nações ocidentais em sociedades dependentes do gigante asiático.

A pandemia desnudou a dependência das nações ocidentais da indústria asiática, fortalecendo a China, Coréia do Sul e Taiwan, gerando insatisfações internas nas economias europeias e estadunidense, aumentando as pressões dos setores produtivos para aumentarem as políticas protecionistas de seus respectivos governos, como forma de preservar a estrutura produtiva e sua autonomia industrial. Diante disso, os governos ocidentais passaram a implementar novas políticas protecionistas para garantirem mercados internos para suas indústrias, recuperar empregos perdidos anteriormente e aumentaram, sensivelmente, os subsídios para atrair novas indústrias, garantindo um estímulo para a reindustrialização e reduzir a dependência da indústria asiática.

Estamos vivendo um momento de forte intervencionismo estatal por parte das nações desenvolvidas, notadamente europeus e norte-americanos, que anteriormente, se caracterizavam com um discurso liberal agressivo, defensor dos mercados livres e forte estímulo da concorrência e da competição como o grande agente gerador de desenvolvimento das nações, uma verdadeira falácia que a contemporaneidade está desmascarando.

Neste cenário, percebemos os governos desenvolvidos dispendendo trilhões de dólares para estimular a produção interna, impedindo empresas norte-americanas de comprarem produtos de fornecedores chineses, como está acontecendo com a Dell Computadores que foi proibida de importar chips fabricados pelo gigante asiático, destacamos ainda, o governo Biden aportando mais de US$ 52 bilhões para que a TSMC e a Samsung instalem fábricas de semicondutores em solo estadunidense, fortalecendo a produção interna, aumentando a produtividade das empresas nacionais e reduzindo a dependência externa da estrutura produtiva norte-americana. Todas estas medidas fazem parte de um grande pacote de 280 bilhões de dólares dos Estados Unidos para estimular a reindustrialização de sua economia, além de mais de US$ 550 bilhões de um programa de investimento em infraestrutura e geração de empregos, capacitando sua economia para uma forte competição com as economias asiáticas e, principalmente, a China.

A reindustrialização das economias desenvolvidas voltou a agenda internacional, depois de fortes crises econômicas e da pandemia, que geraram grandes destruições produtivas, as nações perceberam a importância do setor industrial, infelizmente, internamente, a indústria brasileira foi dizimada nas últimas décadas, estimulando o rentismo, degradando o emprego e matando o mercado interno, com isso, nos afastamos fortemente do desenvolvimento.

Ary Ramos da Silva Júnior, Bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Especialista em Economia Brasileira Contemporânea, Mestre, Doutor e professor universitário. Artigo publicado no jornal Diário da Região, Caderno Economia, 11/01/2023.

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