Desafios futuros

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Estamos caminhando para momentos de grandes decisões e desafios que tendem a definir a sociedade nos próximos anos, neste momento de incertezas e de instabilidades crescentes, precisamos ter seriedade para a tomada de decisões estratégicas que se aproximam, pavimentando caminhos mais suaves numa sociedade centrada em turbulências crescentes.

A sociedade brasileira é descrita internacionalmente como um dos maiores produtores de alimentos do mundo, somos campeões em variados produtos que contribuem para alimentar parte considerável da comunidade global e percebemos, com espanto e preocupação, que voltamos para o mapa da fome, onde mais de 125 milhões de brasileiros apresentam insegurança alimentar, gerando preocupações políticas e desequilíbrios econômicos e sociais.

A sociedade brasileira precisa encarar de frente o crescimento da desigualdade econômica e da exclusão social que crescem de forma acelerada, essa desigualdade cresceu no período pós-pandemia e exige do Estado políticas públicas efetivas e imediatas, evitando a naturalização desta situação de degradação que presenciamos cotidianamente e nos transformam em indivíduos frios, distantes e indiferentes diante das dores dos outros.

A sociedade brasileira precisa construir instrumentos de preservação do meio ambiente, sua degradação está presente no cotidiano de todos os indivíduos, as chuvas estão se escasseando, as tempestades estão mais intensas, as enchentes estão mais violentas, as geleiras estão secando e as queimadas estão em ascensão, gerando preocupações com as gerações futuras, preocupações crescentes com os setores produtivos e custos de insumos mais elevados que impactam sobre todos os grupos da sociedade e afetando mais fortemente os mais vulneráveis e fragilizados.

A sociedade brasileira precisa reestruturar o Estado Nacional, retomando seu papel proeminente de planejador e fomentador dos setores produtivos, estimulando os investimentos de longo prazo, fomentando a geração de mão de obra capacitada para superar os grandes desafios que vislumbramos num mundo centrado nas incertezas e nas turbulências. Neste momento, precisamos construir ou reconstruir laços sólidos entre Estado e Mercado, investindo em ciência e tecnologia, criando vantagens competitivas e abandonando pensamentos simplificados que contribuem para aprofundar a pobreza e a degradação social.

A sociedade brasileira precisa combater arduamente os desvios de recursos que atravancam o crescimento econômico e o tão sonhado desenvolvimento social, para isso, faz-se necessário que os agentes governamentais, e toda a coletividade, assumam o papel de fiscalizar, regulamentar e reconstruir os instrumentos institucionais de combate a corrupção que perpassa a sociedade, deixando de lado políticas proselitistas, protecionismo de grupos políticos e setores econômicos que se escondem sob uma legislação frouxa e garante a impunidade dos setores mais abastados da sociedade. Políticas efetivas de combate a corrupção contribuem para a retirada das máscaras que escondem interesses imediatos, de indivíduos e de corporações que contribuem para que vivamos numa sociedade que caminha rapidamente para a degradação e convulsões sociais, econômicas e políticas.

A sociedade brasileira precisa acordar para os desafios educacionais do século XXI, numa sociedade descrita como a do conhecimento, estamos distantes dos padrões mínimos exigidos para a manutenção de uma estrutura produtiva capaz de garantir autonomia e soberania nacional. Neste ambiente de atraso visível precisamos retomar o planejamento educacional, priorizar o ensino de qualidade, garantir fontes de financiamentos e aumentar os investimentos em pesquisa, ciência e tecnologia, deixando de lado os cortes obscuros nos orçamentos da educação que criam instabilidades, incertezas e degradam o futuro da nação e perpetuam nossas indignidades.

São inúmeros os desafios da sociedade brasileira, neste espaço elenquei apenas alguns, encará-los de frente podem nos trazer esperança e dignidade ou continuaremos a ser vistos como um pária na sociedade internacional.

Ary Ramos da Silva Júnior, bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Especialista em Economia Criativa, Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitário. Artigo publicado no jornal Diário da Região, Caderno Economia, 24/08/2022.

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