Dilemas

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Vivemos um momento de grandes dilemas, incertezas e instabilidades, cujos impactos sobre toda a sociedade são elevados. A riqueza cresce rapidamente dentro dos grupos mais afortunados, enquanto percebemos o incremento da fome, da miséria e da indignidade. Neste momento, precisamos de soluções políticas imediatas, lideranças consistentes e a atuação efetiva dos grupos mais engajados da coletividade.

A sociedade brasileira passa por um momento de desolação e de desânimo, as decisões são difíceis, exigindo maturidade política e a construção de um consenso entre as chamadas elites intelectuais, econômicas e políticas, sem estas decisões, o país estará condenado a viver a situação descrita pelo relatório da OCDE, que diz que o padrão de vida dos brasileiros deverá ficar estagnado pelos próximos 40 anos.

A pandemia nos mostrou uma situação social dramática, os indicadores são preocupantes e, ao mesmo tempo, percebemos que, os países desenvolvidos estão repensando a atuação dos Estados Nacionais e fortalecendo suas políticas públicas para melhorar as condições da sociedade, enquanto isso, no Brasil estamos insistindo em reformas chamadas estruturais que pioram e degradam as condições sociais, aumentam a concentração da renda, reduzindo a proteção do cidadão, aumentando a precarização dos trabalhadores, reduzindo os espaços de solidariedade e construindo uma sociedade cada vez mais centrada no individualismo, no imediatismo, no rancor, no ódio e no ressentimento.

Neste momento, os países ditos civilizados perceberam a importância das políticas públicas, incrementando as políticas sociais com o intuito de melhorar as condições da população, ainda mais num período de pandemia que matou milhões de pessoas na sociedade global. Nestes países os investimentos em ciência e tecnologia crescem de forma acelerada, perceberam a centralidade da pesquisa, ainda mesmo numa pandemia, infelizmente tomamos outros rumos, reduzindo os investimentos científicos, degradando as universidades públicas e estimulamos a fuga de cérebros financiados pelo próprio Estado.

No Brasil, a sociedade pós-pandemia precisa repensar o contrato social, aumentando os recursos para investimentos na saúde, no fortalecimento do SUS, nas universidades públicas, nas pesquisas científicas e no ensino público, além de infraestruturas centrais para capacitar a população para um ambiente altamente concorrencial que se faz presente na sociedade contemporânea, sem essas reflexões o futuro tende a ser assustador.

Neste momento, o Estado prescinde de recursos para construírem políticas públicas visando a redução das desigualdades de renda, o incremento da fome e da desesperança que assolam a sociedade brasileira. Neste cenário, a sociedade está envolta em grandes dilemas que devem impactar os próximos anos, exigindo forte organização política e liderança, visando um ambiente mais propício para vislumbrar espaços de crescimento econômico.

Neste momento precisamos de políticas mais ousadas, planejamento e escolhas estratégicas que impactam sobre todos os grupos sociais. O incremento da inflação está levando o Banco Central a aumentar os juros, contraindo os recursos monetários e diminuindo os investimentos produtivos, postergando a recuperação econômica e criando um ambiente de incertezas e prejuízos sociais, além da falência de empresas e setores econômicos. A aceleração dos preços cria novos dilemas econômicos, juros altos para diminuir a inflação prejudica a recuperação e piora o cenário econômico, além de reduzir os investimentos produtivos, a geração de emprego, criando um verdadeiro caldeirão de pressões políticas e sociais, como estamos percebendo na conjuntura atual.

Neste ambiente, precisamos proteger os mais fragilizados, para isso, necessitamos reconstruir espaços políticos, reduzindo isenções fiscais, taxando grupos menos tributados que contribuem para a perpetuação da degradação social brasileira. Neste momento, percebemos a importância de lideranças conscientes e capacitadas para construirmos novos caminhos num mundo marcado por incertezas e por instabilidades.

Ary Ramos da Silva Júnior, Economista, Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitário. Artigo publicado no Jornal Diário da Região, Caderno Economia, 27/10/2021.

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