A comunidade internacional passa por momentos de grandes preocupações, o desenvolvimento tecnológico construiu novos horizontes para a estrutura econômica, a competição cresce de forma acelerada, novos modelos de negócios surgem constantemente, o mundo do trabalho se altera de forma estrutural e as perspectivas são imprecisas, gerando ansiedades, depressões e incertezas crescentes, vide as agitações e reivindicações dos trabalhadores franceses.
Neste ambiente, percebemos que a comunidade internacional observa o Brasil com um misto de esperanças e grandes preocupações. Somos uma nação gigantesca, dotada de grandes recursos naturais, reservas petrolíferas no subsolo, somos detentores de uma vegetação variada e fortemente produtiva, possuímos a segunda maior reserva de terras raras e minerais críticos, além de possuirmos recursos naturais elevados e diversificados, gerando uma grande cobiça e uma inveja crescente, neste cenário, marcado por grandes instabilidades internacionais, onde as nações investem, fortemente, em armas e equipamentos bélicos e entram em conflitos militares buscando novos territórios e riquezas naturais, precisamos construir consensos para defendermos nossa condição estratégica, fortalecer nossos instrumentos de defesa, garantindo nossa autonomia e consolidarmos nossa soberania.
Embora sejamos detentores de grandes recursos naturais, somos dotados de riquezas estratégicas para a nova economia contemporânea, neste cenário, precisamos construir novos horizontes de crescimento econômico, precisamos vislumbrar esperanças de um futuro melhor e mais sustentável, onde a pobreza e a indigência não sejam naturalizadas, onde o debate político seja construído e centrado pelo respeito, aceitando as diferenças, pensando e atuando coletivamente e deixando de lado nossos interesses mais mesquinhos e imediatos, rechaçando uma sociedade cada vez mais centrada no individualismo, no hedonismo, nos ganhos pessoais e nos perguntando, abertamente, o que está acontecendo com os seres humanos e seus valores éticos e morais que foram fundamentais para sustentar a civilização?
Nesta sociedade, as esperanças estão, cada vez mais, escassas. Há poucos dias, a sociedade homenageou os professores, uma data especial para toda a comunidade, afinal, o trabalho desta categoria é fundamental para garantir um futuro digno e decente para as nações. Todos os países que alçaram seu desenvolvimento econômico e garantiram melhorias das condições de vida de sua população tiveram, nesta classe de trabalhadores, um papel relevante, estratégico e imprescindível.
Nesta sociedade, onde as esperanças estão cada vez mais escassas, o papel dos professores perdeu a relevância, as universidades foram deixadas de lado e suas estruturas estão sendo degradadas, salas esvaziadas e alunos desinteressados, violências crescentes e generalizadas, a sedução do magistério acabou e a atratividade desta categoria foi reduzida, demonstrando, claramente, nossa indigência moral e os valores que estamos cultivando. Como destacou o grande intelectual e professor universitário Leandro Karnal em artigo recente: “Quando a admiração pelo professor passa ao influenciador, a crise não é da escola – é da sociedade”.
Nesta sociedade, estamos fazendo escolhas preocupantes, pouco valorizamos os professores, votamos em candidatos desqualificados e depois criticamos a ineficiência dos governantes, pagamos bilhões para enriquecer poucos grupos privilegiados e negamos recursos para educação, para ciência e para a tecnologia, adoramos importar tecnologias e desvalorizamos a produção nacional, aumentamos nossa dependência externa, abandonamos a educação e deixamos de lado os agentes da mudança, os professores: aqueles que podem criar um clima de esperança, mesmo sabendo que vivemos num mundo de escassas esperanças.
Ary Ramos da Silva Júnior, Bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitário.

