Finanças e Desenvolvimento

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O setor financeiro é fundamental para o desenvolvimento econômico de uma nação, devendo atuar como intermediário de recursos monetários e estimulando a produção, gerando emprego e incrementando o investimento produtivo. Nas últimas décadas percebemos o aumento no setor financeiro que pouco contribuiu para o crescimento econômico e produtivo, transformando a economia em um verdadeiro cassino que garante ganhos altíssimos para um pequeno grupo de privilegiados que ganham com taxas de juros elevados que limitam o crédito do longo prazo e rentabilidade imediata, deixando de lado o planejamento econômico e a construção de uma nação.

O fortalecimento dos setores financeiros na sociedade brasileira tem um papel central na ausência das grandes discussões econômicas, assuntos relacionados a planejamento e a construção de um projeto nacional perdem espaços para assuntos imediatistas e limitantes, tais como as taxas de juros, inflação e câmbio. Embora estes assuntos sejam importantes, devem ser pensados dentro de uma estratégia maior de fortalecimento do país e da construção do desenvolvimento econômico.

No mundo contemporâneo, precisamos reconstruir os valores da civilização, trocando a competição econômica exagerada pela cooperação produtiva e o compartilhamento social. A pandemia que assola a sociedade global exige uma transformação estrutural no modelo econômico, privilegiando o conceito de nação, que foi deixado de lado devido aos interesses financeiros, materiais e imediatistas.

Os setores produtivos devem ser estimulados como agentes do progresso econômico, gerando emprego, incrementando a renda, movimentando o consumo e, posteriormente, impulsionando toda a economia e o produto interno bruto. Desde os anos 1980 a economia brasileira vem perdendo espaço na economia global, desde então o país vem se desindustrializando, perdendo a participação no mercado internacional e piorando as relações de trocas, perdendo dinamismo industrial e estamos caminhando, a passos largos, a se tornarmos uma economia agroexportadora, insuficiente para gerar o desenvolvimento de um contingente populacional de mais de duzentos milhões de pessoas.

As finanças devem retornar sua centralidade na economia brasileira, criando as bases para o financiamento, levando recursos monetários e financeiros para aumentar a capacidade produtiva, gerando emprego e renda, investindo no empreendedorismo e na inovação. Os setores financeiros devem retomar a capacidade de correr risco e estimular o crédito para movimentar o sistema econômico. No caso nacional, historicamente, o sistema financeiro nacional foge dos riscos e espera os grandes investimentos estatais, exigindo altas taxas de retornos, cobrando juros elevados que inviabilizam os investimentos produtivos. Percebendo uma grande contradição nacional, um sistema financeiro com lucros elevados e uma sociedade carente de crédito, empresários endividados e famílias sem perspectivas, inviabilizando a construção de um mercado interno de crédito e perpetuando a degradação dos setores produtivos.

O setor financeiro de um país é fundamental para a construção do desenvolvimento da nação, ativando o sistema econômico e produtivo, levando recursos em forma de créditos com juros baixos e condições condizentes, garantindo investimentos nos setores produtivos, impulsionando empregos, movimentando renda, consumo e produção. Sem o impulso dos setores financeiros dificilmente as nações desenvolvidas conseguiriam alcançar o tão almejado desenvolvimento econômico. As finanças hipertrofiadas limitam o crescimento das economias, reduzem os recursos para os setores dinâmicos da economia, fragilizando o empreendedorismo e perpetuando desigualdades sociais e limitando o “espírito animal” dos empresários e garantindo lucros abissais para seus acionistas em detrimento do empobrecimento da economia e da perpetuação das indignidades e de subserviência. Passou da hora de as finanças auxiliarem os rumos do crescimento e do desenvolvimento econômico brasileiro.

Ary Ramos da Silva Júnior, Economista, Especialista em Economia, Mestre, Doutor em Sociologia e Professor Universitário. Artigo publicado no Jornal Diário da Região, Caderno Economia, 28/04/2021.

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