Investimentos Públicos

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Os investimentos públicos são fundamentais para estimular o crescimento econômico, dinamizando a sociedade, gerando consumo, aumento do emprego e estimulando as cadeias produtivas, sem estes investimentos públicos a retomada da economia perde força e as perspectivas do próximo ano são preocupantes. Neste ambiente, confuso e fortemente polarizado, percebemos o crescimento da fome, aumento da exclusão social, retração dos investimentos produtivos, taxas de juros em ascensão e a ausência de um modelo econômico confiável para retomar o crescimento da economia.

Neste ambiente, percebemos que as maiores economias do mundo (EUA, Europa, Japão e China) estão adotando fortes estímulos fiscais para o aumento dos investimentos públicos, sabemos que sem investimentos governamentais as economias demorariam muito mais tempo para recuperar os sistemas produtivos, retomando os empregos e dinamizando os setores internos, isso acontece porque os investimentos privados se retraem fortemente em momentos de instabilidades e incertezas. A literatura nos mostra, que os grandes riscos são tomados pelo Estado Nacional, são eles os responsáveis pelos grandes ciclos tecnológicos da economia global, ao contrário daqueles que acreditam no poder da livre concorrência, da mão invisível, do empreendedorismo e da meritocracia, algumas das falácias sem comprovação científica.

As maiores economias do mundo estão despejando trilhões de dólares em investimentos públicos e estímulos tributários para estimular os gastos produtivos, retomando investimentos em infraestrutura, aumentando as contratações, elevando as obras públicas necessárias para capacitar as estruturas econômicas para competir neste ambiente de alta complexidade, fortalecendo os canais de distribuição, melhorando as cadeias produtivas, aumentando os investimentos em ciência e tecnologia, capacitando as universidades e os centros de pesquisa. Neste momento, embora atrasados, as novas tecnologias geradas pelas conexões de 5G estão abrindo novas perspectivas para a economia internacional, estamos diante de desafios enormes e oportunidades gigantescas, que podem configurar as próximas décadas, moldando o crescimento econômico e o desenvolvimento nacional e garantindo melhoras consideráveis para as futuras gerações.

A concorrência cresce em todas as regiões da sociedade global, por trás de discursos de abertura, privatização e desregulação econômica, os grandes ganhadores do cenário internacional fazem uma política diferente. Clamam pela abertura econômica e defendem os benefícios do livre comércio para os outros países, mas na verdade se esmeram nos altos subsídios de suas empresas, desonerações de plantas nacionais, proteção para seus setores produtivos, injetando recursos em investimentos de risco que os setores privados temem pelos riscos elevados.

A pandemia nos mostrou a pobreza material de muitas nações na sociedade internacional e desnudou de forma crua e evidente a pobreza intelectual do debate econômico. As visões equivocadas de grupos econômicos que se comprazem com a degradação da estrutura produtiva, defendendo a venda de patrimônios nacionais sem justificativas plausíveis, apenas para garantir maiores retornos monetários e financeiros em detrimento de grande parte da população, num momento de combustível em ascensão, alto preço da energia, moeda desvalorizada e ganhos estrondosos de poucos acionistas que conseguem através do poder político a isenção tributária e condenando milhões de brasileiros na fila do osso, do auxílio e da degradação como ser humano.

Os investimentos públicos são fundamentais para estimular o crescimento econômico, reduzindo o desemprego, criando demanda efetiva para movimentar os investimentos privados, melhorando uma infraestrutura degradante que restringe a produtividade dos setores econômicos e auxilia na retomada da economia. As grandes nações estão mostrando o caminho da retomada da economia, os investimentos públicos devem nortear os recursos privados, reduzindo os poderes dos grandes grupos econômicos e financeiros, planejando ações urgentes e preparando a sociedade para os grandes desafios contemporâneos.

Ary Ramos da Silva Júnior, Economista, Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitário. Artigo publicado no jornal Diário da Região, Caderno Economia, 24/11/2021

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