Movimentos estratégicos

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A construção de uma estratégia de desenvolvimento econômica e produtiva é fundamental para se posicionar na sociedade contemporânea, num mundo centrado na concorrência, na competição e na busca crescente por lucro e por ganhos monetários, sem construirmos uma estratégia, são grandes os riscos de um retrocesso social, político e econômico.

As nações desenvolvidas estão se movimentando rapidamente para se adaptar às grandes transformações econômicas, estimulando a participação de todos os setores produtivos, sociais e políticos para compreenderem as novas dinâmicas da sociedade contemporânea e como será o mundo na pós-pandemia, buscando fortalecer as estruturas produtivas, gerando milhões de empregos, estimulando investimentos produtivos, desestimulando investimentos especulativos de alto risco e criando instrumentos de sobrevivência para todos os setores da sociedade.

Neste momento de instabilidades internacionais e incertezas nacionais, precisamos construir uma união entre todos os setores da sociedade, criando instrumentos de participação setorial, estimulando investimentos maciços em educação, aumentando os recursos nas áreas da pesquisa científica e tecnológica, evitando a fuga de pesquisadores renomados e cientistas que poderiam impulsionar a ciência nacional, contribuindo para a construção da autonomia tecnológica, ativo fundamental na sociedade contemporânea.

Os investimentos da pesquisa científica devem ser feitos por todos os setores, não apenas pelas agências governamentais, devendo ser acompanhados pelas empresas, assumindo riscos, aguardando os tempos de maturação e contribuindo para que os frutos sejam compartilhados para toda a coletividade, melhorando os salários da sociedade, aumentando os recursos dos setores produtivos e dinamizando os setores mais fragilizados, erradicando a miséria e abrindo novas perspectivas para a sociedade.

O planejamento econômico deve vislumbrar os ganhos no longo prazo, criando os instrumentos de crescimento para todos os setores econômicos, melhorando as cadeias produtivas, estimulando compras governamentais, cobrando melhoras de produtividade, desenvolvendo soberania científicas e tecnológicas, além de reduzir a dependência de outras nações. O mercado pós-pandemia exige planejamento e novas estratégias, países dependentes de importação de produtos agrícolas buscam novas alternativas, estimulando novos mercados produtivos e angariando investimentos em outras nações para, no médio e no logo prazo, reduzir a dependência de outras nações. O mundo pós-pandemia exige profissionalismo e novos arranjos produtivos, depender de outras nações pode ser algo preocupante e pode gerar constrangimentos, custos financeiros elevados e perdas de seres humanos impossíveis de mensurar.

A economia está passando por grandes transformações na contemporaneidade, novos conceitos estão surgindo, novos desafios e oportunidades, mas não podemos esquecer conceitos antigos e comprovados cientificamente, dentre eles, de que o produto interno bruto tem o lado da produção (oferta) e o lado do consumo (demanda), mas infelizmente estamos estimulando apenas a produção e contraindo o consumo.

Como os dois precisam ser iguais, a oferta se contrai por falta de demanda, ou seja, sem investimentos produtivos não teremos emprego, sem estes não teremos renda, sem renda não teremos consumo. Sem consumo os setores produtivos não geram investimentos e, em contrapartida, o desemprego cresce, a informalidade aumenta e o desalento acelera, gerando graves constrangimentos para a sociedade, levando muitos indivíduos ao desespero, aos distúrbios emocionais, à depressão e ao suicídio, males do mundo contemporâneo.

A “ciência” econômica contemporânea se transformou num grande instrumento de crenças e de valores centrados no dinheiro, no imediatismo e nos interesses do capital financeiro nacional e internacional, perdemos a credibilidade e estamos nos entregando aos prazeres do enriquecimento fácil, defendendo ideias ultrapassadas e ainda acreditamos nos valores da meritocracia e do empreendedorismo, diante disso, percebemos que estamos, cada vez mais distante daquilo que podemos definir como uma sociedade civilizada.

Ary Ramos da Silva Júnior, Bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitário. Artigo publicado no jornal Diário da Região, Caderno Economia, 09/02/2022.

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