Movimentos geopolíticos

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Vivemos momentos de grandes transformações na sociedade contemporânea, a pandemia está gerando novos paradigmas econômicos e geopolíticos, novos desafios e oportunidades, além de abrir espaços para novos modelos produtivos. O mundo do trabalho vive mudanças avassaladoras, os relacionamentos estão em constante movimento e os indivíduos seguem atônitos e marcados por fortes desesperanças, gerando ansiedades, instabilidades financeiras e incertezas sociais, além do crescimento dos desequilíbrios emocionais, afetivos e espirituais. O cenário descrito não se restringe a países como o Brasil, vivemos movimentos globais que impactam sobre todas as nações, organizações e indivíduos.

A globalização ganhou espaço na agenda dos governos nacionais desde o período posterior a segunda guerra mundial, difundindo e uniformizando os modelos econômicos e produtivos, impondo estruturas de consumo e definindo o comportamento dos indivíduos e comunidades, tendo a moeda norte-americana, o dólar, como o instrumento monetário internacional, garantindo ganhos extraordinários para seu emissor. Neste instante, percebemos que os modelos construídos anteriormente vêm perdendo espaço na geopolítica mundial, os Estados Unidos perderam força econômica e dinamismo produtivo, além de vivermos num período de grandes conflitos geopolíticos e confrontos militares que tendem a se perpetuar por algumas décadas e que devem redefinir as estruturas de poder com impactos generalizados para todas as regiões, reconfigurando o conceito de autonomia e soberania.

Neste momento, os países que conseguirem construir estratégias mais consistentes tendem a ganhar espaço na comunidade internacional. No caso brasileiro, precisamos capacitar e desenvolver políticas públicas que estimulem as potencialidades mais evidentes da comunidade e construindo um forte planejamento estratégico em setores imprescindíveis para a sociedade, fortalecendo setores nacionais que mostrem potenciais de concorrência e angariando aumentos constantes de produtividade e de eficiência, além de estimularmos a construção de um mercado interno consistente e diversificado, que garanta dinamismo econômico, fortalecendo a empregabilidade da população, incremento da renda agregada, consolidando salários e garantindo recursos para satisfazer as necessidades materiais, reduzindo a pobreza generalizada que crassa na sociedade nacional.

As mudanças geopolíticas em curso na sociedade mundial podem abrir novas oportunidades para as nações que se prepararem para os novos cenários que estão sendo redesenhados na contemporaneidade. As nações que conseguirem diversificar as estruturas produtivas, reduzindo as fragilidades econômicas, buscando a autossuficiência interna em setores estratégicos e criando espaços para desenvolvimentos regionais.

Está nascendo na sociedade global um novo paradigma de produção, que tende a valorizar os parceiros regionais, a cultura local deve ser estimulada, os laços históricos devem ser consolidados e as rivalidades devem ser deixadas de lado, em prol de uma construção mais consistente e equilibrada, sob pena de perdermos mais uma oportunidade de construirmos uma sociedade menos desigual e mais equilibrada.

A ascensão das economias asiáticas nos traz novas oportunidades e, ao mesmo tempo, novos desafios, que exigem consensos internos para participarmos num ambiente marcado pela alta concorrência e pela forte competição, deixando de lado futilidades, mesquinharias e interesses políticos imediatos que caracterizam o nosso subdesenvolvimento. O sucesso dos países asiáticos demonstra o papel central e fundamental dos Estados Nacionais na construção de um projeto nacional, garantindo mercados internos dinâmicos e consolidados que garantam demandas internas e estimulem os investimentos produtivos, ao mesmo tempo, criando estratégias macroeconômicas que reduzam as taxas de juros e garantam preços reduzidos de insumos fundamentais para o crescimento da economia.

A experiência internacional nos mostra que a construção de um mercado interno é fundamental para o desenvolvimento de uma nação, mostrando que o que estimula o crescimento dos investimentos produtivos é a perspectiva de retorno financeiro e ganhos adicionais. Novamente, estamos no caminho equivocado.

Ary Ramos da Silva Júnior, Bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitário. Artigo publicado no jornal Diário da Região, Caderno Economia, 13/04/2022.

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