Mundo conturbado

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Neste espaço buscamos refletir sobre questões econômicas, sociais, políticas e culturais com o intuito de compreendermos os grandes desafios da sociedade contemporânea, ainda mais, quando percebemos que o mundo passa por momentos de grandes incertezas e de fortes instabilidades, novas tecnologias que podem gerar graves constrangimentos para o mundo do trabalho, alterações climáticas que podem modificar regiões e estruturas produtivas, conflitos militares que podem se espalhar para outras nações, tudo isso está afetando empresas, setores produtivos e os indivíduos.

O ano de 2026, nos traz grandes preocupações e receios em todas as regiões mundiais, invasões na América Latina, violências populares em ascensão no Irã, rusgas crescentes nas relações conflituosas entre as Coreias, ensaios militares nas cercanias entre China e Taiwan, confrontos nas fronteiras das nações, incremento da guerra Ucrânia e Rússia, aumento do imperialismo e do intervencionismo, agitações de produtores rurais na França contra o Acordo Mercosul/União Europeia, além das manifestações populares nos Estados Unidos, dentre outras, tudo evidenciando um momento de grandes incertezas e alterações geopolíticas que impactam em todas as regiões do globo.

Vivemos numa sociedade marcada por inúmeros conflitos econômicos e políticos que podem impulsionar variados confrontos militares, que estão levando os governos a reduzirem seus recursos orçamentários para atenderem os grupos mais fragilizados de sua população e, em contrapartida, estes mesmos governos estão aumentando os aportes monetários para os setores militares e para a indústria bélica, inflacionando os preços das ações de empresas de tecnologias ligadas a defesa e a indústria da guerra.

Estamos presenciando governos intervencionistas e Estados imperialistas a demostrarem seus poderes militar e bélico, espalhando os seus tentáculos de dominação para todas as regiões, intervindo fortemente em algumas nações, supostamente para defenderem a democracia, criando protetorados e dominando suas riquezas naturais e ameaçando outros países de uma possível intervenção militar, rasgando acordos assinados anteriormente, ridicularizando instituições multilaterais e mostrando que as leis estão sendo substituídas por um novo marco institucional, centrado na lei do mais forte, um verdadeiro retrocesso civilizacional.

Anteriormente, as intervenções eram motivadas pela posse dos recursos naturais, os produtos primários, notadamente alimentos, minerais e petróleo, na linguagem econômica estamos falando das chamadas commodities. Na contemporaneidade, os conflitos militares apresentam características parecidas, embora os recursos minerais estejam no radar das nações desenvolvidas, percebemos que os focos estão nas chamadas terras raras, minerais fundamentais para o desenvolvimento dos setores de tecnologia e também nas fontes de energias renováveis, as nações que não os possuem vão buscar nos países mais ricos destes minerais e suas energias sustentáveis, afinal, estes produtos são fundamentais para o crescimento e a consolidação econômica.

Na busca por estes produtos fundamentais para a economia do século XXI, muitos governos estão intervindo em outras nações, novamente, e de forma descarada, boicotando outras economias, financiando movimentos oposicionistas, pressionando governos, impondo tarifas elevadas e investindo fortemente na chamada guerra cultural para gerar desestabilização interna.

Historicamente, nações dependentes de produtos primários tiveram elites predatórias, que sempre atuaram como sócios menores de governos estrangeiros, garantindo seus lucros marginais e, com isso, entregavam suas nações para grupos externos. Tudo se mantém como anteriormente, desta forma, conseguimos entender que nosso subdesenvolvimento não é apenas econômico e político, mas antes disso, nosso subdesenvolvimento é moral e, principalmente, intelectual.

Ary Ramos da Silva Júnior, Bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e Professor Universitário.

Ary Ramos
Ary Ramos
Doutor em Sociologia (Unesp)

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