Mundo do trabalho

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Vivemos um momento caracterizado pela Quarta Revolução Industrial, um período de grandes transformações, marcadas por alta tecnologia, novas máquinas e novas habilidades, com isso, percebemos crises crescentes no mercado de trabalho, destacando novas formas de acumulação, novos modelos de negócios, rupturas econômicas e exigências crescentes de capacitação e de qualificação, onde a competição não é mais local, nem nacional, mas ao mesmo tempo, é internacional.

Na atualidade, ao analisarmos os dados mais recentes de emprego divulgados pelo IBGE, abarcando os três meses do ano, 14,7% da população se encontra desempregada, um contingente de quase 15 milhões de trabalhadores sem emprego. Mais de 33 milhões de subempregados, pessoas na informalidade ou intermitentes. Além de 5,9 milhões de desalentados, um verdadeiro desastre econômico e social, com impactos políticos generalizados.

Neste ambiente, percebemos que o Brasil vive três grandes crises, de um lado estamos sofrendo os impactos da covid-19, de outro lado vivemos uma crise econômica, com forte degradação produtiva e uma crise política. O país vive uma situação de inação, de destruição de empresas e de setores produtivos, crescimento da pobreza, fome em ascensão, desestruturação dos setores de serviços e o enfraquecimento das esperanças da população.

Estamos vivendo um momento de grandes transformações no mundo do trabalho, as novas tecnologias exigem mais qualificação dos trabalhadores, assertividade, flexibilidade, agilidade e a capacidade constante de aprender. Sem estas habilidades, os trabalhadores terão dificuldades em encontrar novos espaços no mercado de trabalho. Ao mesmo tempo, alguns setores que, anteriormente, eram intensivos em mão de obra, passaram a substituir trabalhadores por tecnologias, máquinas e inteligência artificial. Sem políticas públicas eficientes a massa de trabalhadores sem ocupação tende a crescer, inviabilizando o crescimento mais equitativo da economia.

Neste momento, quando convivemos com inúmeras crises, é fundamental que os setores produtivos trabalhem intimamente na construção de novas oportunidades, com investimentos em setores mais intensivos em mão de obra, tais como a construção civil e investimentos em infraestrutura, que tendem a fomentar um ciclo de investimentos produtivos, gerando emprego, empregabilidade e incremento na renda. Sem estes pactos entre os agentes econômicos e políticos, a recuperação da economia deve demorar mais e os custos sociais serão maiores.

A tecnologia deve ser estimulada com o intuito de melhorar o bem-estar social da sociedade, os setores econômicos devem crescer e gerar novas riquezas para a sociedade mas, cabem aos governos usar instrumentos para tributar setores que pagam menos tributos e canalizar estes recursos para a melhoria dos setores sociais e as políticas públicas, estimulando a criatividade e, ao mesmo tempo, melhorar os serviços de saúde, incrementado a educação, fortalecendo as universidades e os centros de pesquisas, dessa forma, os trabalhadores serão mais qualificados para compreender as demandas dos setores econômicos e produtivos.

O mundo do trabalho exige novos trabalhadores para compreenderem as novas tecnologias, as novas máquinas e os novos desafios. Além dos trabalhadores, os gestores, os empresários e os empreendedores devem compreender o novo ambiente de negócio, marcados pela concorrência e pela competição, se capacitando e se qualificando, deixando a busca de proteção de governos ineficientes e subsídios excessivos e exagerados, que engordam os lucros individuais e levam a estrutura econômica ao empobrecimento.

Neste ambiente precisamos recuperar a autoestima da população, construir ambientes de esperança e de solidariedade, resgatando os espaços de empatia e integração social. Num mundo marcado por grandes tristezas coletivas, mortes crescentes, pobrezas em ascensão, incremento da população, precisamos exercer sentimentos mais sólidos de acolhimento, respeito e compaixão.

Ary Ramos da Silva Júnior, Economista, Mestre, Doutor em Sociologia e Professor Universitário. Artigo publicado no jornal Diário da Região, Caderno Economia, 02/06/2021.

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