Novos confrontos

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O mundo contemporâneo está vivendo momentos de confrontos de novas hegemonias geopolíticas, novos atores estão surgindo e os antigos estão perdendo espaço no cenário internacional, com isso, percebemos um verdadeiro xadrez estratégico, exigindo novas posturas políticas e comportamentos econômicos, buscando novos caminhos, novas oportunidades e instrumentos alternativos de sobrevivência, garantindo autonomia e soberania.

Neste ambiente, percebemos que nesta sociedade centrada no conhecimento, na tecnologia e nas informações, as nações que não conseguirem compreender os rumos da contemporaneidade, tendem a perder espaços relevantes para outros países, gerando conflitos internos e inúmeros desequilíbrios, motivando desajustes produtivos, degradando a economia, desemprego crescente, aumento da exclusão social, da desesperança e dos desequilíbrios emocionais.

A economia internacional vive momentos de incertezas crescentes, conflitos militares que dispendem bilhões de dólares, com desajustes nos preços, onde a inflação corrói a renda dos trabalhadores, reduzindo o poder de compra da população, gerando uma insatisfação nos cidadãos e preocupações emocionais, escasseando as esperanças e aumentando as preocupações materiais.

No âmbito das nações, percebemos o aumento das hostilidades e das rivalidades, gerando preocupações de conflitos degradantes com potencial de guerras nucleares, cujos impactos são imprecisos, indeterminados e preocupantes, pois podem levar a sociedade a uma destruição generalizada. Neste cenário, saímos de uma pandemia que ceifou milhões de indivíduos em todas as regiões do globo e estamos caminhando para um momento de degradação militar, buscando a satisfação de seus interesses imediatos, mesquinhos e individualistas, sem se preocuparem com o futuro da humanidade.

Vivemos momentos de provocações crescentes entre os maiores atores econômicos, Estados Unidos e China, motivados por seus interesses geopolíticos, geoestratégicos, seus ganhos econômicos e financeiros e a busca crescente pela hegemonia global, impactando a comunidade internacional, angariando parcerias estratégicas, alimentando desequilíbrios culturais e interesses xenofóbicos que incentivam as violências, ódios e ressentimentos extremados.

Neste cenário, percebemos que os grandes confrontos internacionais do século XXI tendem a ser travados no Pacífico, que se transformou no centro da economia internacional, responsável pelos novos espaços de acumulação na contemporaneidade, região que ganhou relevância nas últimas décadas, com forte crescimento econômico, imensos investimentos na formação de capital humano, melhoria da qualidade de vida da sua população, com isso, o oriente se transformou no grande responsável pelas novidades na sociedade mundial, incluindo milhões de indivíduos no mercado de consumo e reduzindo a pobreza e a indignidade humanas, gerando novos espaços de esperanças.

Os modelos econômicos adotados nesta região devem ser vistos com cautela e parcimônia, algumas medidas devem ser estimuladas e implementadas na sociedade brasileira, tais como os fortes investimentos em educação, os elevados dispêndios em ciência e tecnologia, as parcerias geoestratégicas entre os setores governamentais e dos setores produtivos, garantindo recursos abundantes e taxas de juros reduzidas, proteção centrada por metas rigorosas e factíveis, além da busca de novos espaços no comércio internacional, aumentando a produtividade e elevando a participação das organizações nacionais e garantindo a acumulação de recursos em moedas conversíveis.

Neste momento de intensos confrontos militares precisamos construir agendas mais pragmáticas, deixando de lado políticas centradas em ideologias ultrapassadas, construindo consensos políticos e aprendendo com as nações desenvolvidas que, hipocritamente, clamam por mais competição econômica e redução do intervencionismo estatal na economia, mas ao mesmo tempo, adotam políticas protecionistas e intervencionistas, injetando trilhões de dólares nas suas estruturas produtivas, aumentando os subsídios governamentais para proteger suas corporações e usam seu poder militar para garantir seus interesses imediatos. Como diz o conhecido ditado popular: “…faça o que eu falo mas, não o que eu faço.”

Ary Ramos da Silva Júnior, Bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Especialista em Economia, Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitário. Artigo publicado no jornal Diário da Região, Caderno Economia, 31/08/2022.