O futuro do dólar

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Vivemos num momento de grandes transformações na sociedade internacional, a globalização aumentou a competição entre pessoas, empresas e nações numa busca insana por aumento de produtividade, de retornos financeiros e novos modelos de negócios, levando a sociedade global a novas formas de desigualdades e exclusões sociais, novas pandemias e conflitos militares, com mortes e destruições em massa, não apenas na Europa, mas em inúmeras regiões da sociedade mundial.

Nas últimas décadas percebemos alterações em todas as áreas e setores, o mundo do trabalho se transforma rapidamente exigindo novas qualificações e capacitações cujas escolas se mostram incapazes de acompanhar estas atualizações, gerando levas de trabalhadores sem empregos e, muito pior, neste momento percebemos a descartabilidade dos trabalhadores, que mesmo capacitados não conseguem acompanhar as mudanças das tecnologias que crescem de forma acelerada, gerando bolsões de desigualdades e exclusões sociais.

Neste momento, percebemos que as transformações no ambiente econômico estão alterando os modelos monetários e os padrões financeiros, o dólar que se transformou na moeda mundial desde a segunda guerra mundial, responsável por grande parte das transações internacionais, vem perdendo poder e sua hegemonia tende a perder espaço no mercado global.

O poderio do dólar sempre contribuiu diretamente para sustentar o poder dos Estados Unidos no ambiente global, garantindo ao país a capacidade de manter durante décadas grandes déficits nas suas contas externas, sendo que era o país responsável pela emissão da moeda que embalava as transações financeiras internacionais.

Como as transações internacionais eram feitas com a moeda norte-americana, todas as nações deveriam acumular reservas internacionais em dólares, garantindo indiretamente forte poder na economia global e fortalecendo o poder no ambiente externo. Vivemos momentos de medos e apreensões, ao refletirmos sobre o conflito militar na Ucrânia percebemos que muitas nações passaram a se preocupar com suas reservas externas em dólares, desde que o governo dos EUA, como forma de fragilizar a economia russa e reduzir a sua ofensiva militar, confiscou suas reservas internacionais em moedas norte-americanas depositadas nos bancos ocidentais, com esta política muitos países que possuem dólares depositados em bancos ocidentais passaram a se preocupar com a adoção de sanções como esta, gerando desconfiança, incertezas e fortes preocupações dos mercados globais.

Estas medidas extremadas adotadas pelo governo norte-americano estão levando países a repensarem a moeda dos Estados Unidos como o padrão monetário do comércio internacional, abrindo espaço para que alguns países estudem a comercialização de seus produtos com suas moedas. A assinatura de acordos entre países que comercializam petróleo, além de países exportadores de produtos primários como a Arábia Saudita, Irã, Índia, China, Rússia, dentre outros, podem inaugurar novos espaços de comércio, diminuindo o poderio do dólar, abrindo espaço para novas moedas no cenário internacional, fortalecendo as trocas regionais e aumentando as fragilidades, cada vez mais evidentes, da economia dos Estados Unidos.

As movimentações em curso no cenário financeiro internacional acontecem rapidamente, mas o poderio dos Estados Unidos permanecerá nos próximos anos, mesmo assim, percebemos o crescimento de novos modelos monetários e financeiros, que tendem a gerar novos desafios para as autoridades monetárias, como o crescimento das criptomoedas, as bitcoins e o crescimento de startups financeiras que tendem a crescer e a ganhar relevância no cenário financeiro internacional.

O mundo está em polvorosa, as estruturas que sustentam o modelo econômico global estão desmoronando, o dólar tende a perder espaço, nascem novas hegemonias financeiras e industriais e outras nações, como o Brasil, se perdem em discussões desnecessárias, postergando nossa recuperação e perpetuando nossa insignificância.

Ary Ramos da Silva Júnior, Bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Especialista em Economia Criativa, Mestre, Doutor em Sociologia e Professor universitário. Artigo publicado no jornal Diário da Região, Caderno Economia, 06/04/2022.

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