O futuro que escolhemos, por Ilona Szabó de Carvalho.

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Está em jogo nas eleições o direito das próximas gerações de viver em um planeta habitável

Ilona Szabó de Carvalho, Empreendedora cívica, mestre em estudos internacionais pela Universidade de Uppsala (Suécia). É autora de “Segurança Pública para Virar o Jogo”.

Folha de São Paulo, 21/09/2022

Estamos às vésperas das eleições mais consequentes para o país desde a ditadura militar. Para além da democracia, está em jogo o nosso futuro e o direito das próximas gerações de viver em um planeta habitável. Não há exagero nesta afirmação. Nossa floresta amazônica é peça-chave da luta coletiva pela regulação climática planetária. Meu pedido é para que, ao votar, tenham consciência desta questão.

A real dimensão do potencial do Brasil para se tornar uma potência verde não está posta em nenhuma das candidaturas majoritárias. Mas pode ser construída, ao menos que por enorme desventura e para o azar da humanidade, caso seja mantido o curso político atual. Desconsiderando este último cenário, compartilho uma sucinta visão e missão para o país, que considero viável de ser colocada em prática por quem assumir a responsabilidade e o peso das canetas com o interesse público como guia.

A partir de janeiro de 2023, o Brasil deve se reerguer e assumir a liderança global da transição justa para uma economia de baixo carbono e com soluções baseadas na natureza. Podemos estar na vanguarda da mobilização de países que estão trabalhando em parcerias multisetoriais para reverter a tripla crise planetária —que inclui a disrupção climática, a poluição e a perda de biodiversidade e natureza.

Para tal, precisamos ter uma ambição muito maior nas agendas climática e ambiental, resolver de uma vez por todas os problemas que já deveriam ter ficado no passado, e pactuar a nossa agenda de futuro. Isso implica pensar políticas para as pessoas e para o planeta de forma integrada. Trazer quem ficou para trás de forma definitiva, para um modelo econômico novo, verdadeiramente circular, inclusivo e sustentável.

E o que nos garante que podemos alcançar tudo isso?

Primeiramente, temos um enorme ativo estratégico, a Amazônia —a maior floresta tropical do planeta. Também temos o potencial de regenerar nossos outros biomas, ainda mais destruídos e degradados. Isso nos traz a chance de ser uma economia desenvolvida de base florestal, com ênfase em mercado de carbono, bioeconomia, biotecnologia, turismo sustentável, e outras atividades econômicas compatíveis com as florestas de pé.

Precisamos aproveitar essa abundância de biodiversidade e aumentar a complexidade econômica dos produtos da floresta. Essa visão não só não impede de garantir a segurança alimentar dos brasileiros e outras populações do globo como é fundamental para manter nossa vantagem competitiva, investindo em uma indústria mais produtiva, regenerativa e sustentável, alinhada ao conhecimento mais atual disponível. Mas, por certo, não devemos mais nos limitar a ser grandes somente na economia primária.

Em segundo lugar, podemos ser um país com matriz energética totalmente renovável, e assim rapidamente transformar nossas indústrias pesadas, como a siderúrgica e a cimentícia por exemplo, investindo em ciência e tecnologia para desenvolver processos de produção de primeira linha. Com a amônia verde, podemos também nos tornar independentes em fertilizantes e ainda exportar energia renovável como o hidrogênio verde.

Isso demandará do novo governo o fim dos subsídios que nos ancoram no atraso, e a criação dos incentivos certos que nos antecipam o futuro. Será também fundamental garantir a segurança jurídica para atrair os investimentos responsáveis e pacientes. Desta forma, não só recuperaríamos o papel de destaque que sempre tivemos no cenário multilateral, mas teríamos a chance real de deixar de ser um dos líderes do mundo em desenvolvimento e passar a ser um país desenvolvido.

Se essa for a ambição da sociedade, será a do novo governo, desde que ele seja um governo democrático —aberto às interações e à construção coletiva. Já pensou que futuro você vai escolher nas urnas no dia 2 de outubro?

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