Oportunidades perdidas

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A sociedade internacional vem vivendo momentos de grandes transformações com impactos generalizados, o crescimento da tecnologia, mudanças no mundo do trabalho, novos modelos de negócios, instabilidades nas cadeias produtivas com reflexos imediatos sobre os preços e perspectivas de inflação. Neste ambiente, cabe a sociedade se capacitar para compreender as novas oportunidades e os desafios que se abrem para a economia nacional, com isso, se capacitar para que as oportunidades abertas no cenário global possam ser aproveitadas, angariando espaços de crescimento econômico.

Neste ambiente, os consensos internacionais estão se materializando em políticas públicas efetivas para reduzir as desigualdades crescentes em todas as regiões, não mais entre os países, como anteriormente, mas dentro dos países, desde os países pobres como os países mais ricos. Neste momento, a pandemia está gerando novos consensos globais, a sociedade brasileira precisa se aproveitar das discussões, de forma clara e efetiva, para minorar as variadas desigualdades, que fragilizam e limitam os potenciais de desenvolvimento econômico.

Neste momento, a sociedade brasileira precisa reconstruir os instrumentos de combate à pobreza e a exclusão social, criando políticas públicas eficientes de transferências de recursos para os grupos mais fragilizados, tributando grupos que pagam menos impostos, que usam brechas legais e subsídios conquistados de forma inusual, angariando recursos contribuirão para a redução das desigualdades de riquezas e de rendas. Na condição brasileira, percebendo um fosso enorme entre os grupos sociais, criando um antagonismo crescente, gerando desagregações e conflitos generalizados, inviabilizando a governabilidade e levando a retrocessos constantes.

Vivemos um momento de escolhas limitadas, mas cruciais, neste instante precisamos construir novos consensos políticos e econômicos, construindo espaços de negociações internacionais, priorizando os interesses nacionais, estimulando os setores que gerem novos investimentos produtivos e a geração de empregos. Na sociedade internacional, todos os países e as empresas transnacionais buscam seus interesses imediatos, angariando investimentos e visando seus interesses nacionais. No caso brasileiro, precisamos buscar os nossos interesses nacionais, construindo espaços de consenso entre as elites econômicas e financeiras, priorizando os investimentos que aumentem a capacidade produtiva da economia, a geração de empregos qualificados e a capacitação dos trabalhadores, melhorando o mercado interno e transformando-o como o grande motor de crescimento da economia e beneficiando todos os grupos sociais, reduzindo as desigualdades e investimentos maciços em capital humano.

As oportunidades abertas na sociedade internacional neste momento de pandemia precisam ser mais encaradas com maior planejamento estratégico e profissionalismo, estudando as políticas de desenvolvimento de países que conseguiram entender as bases do crescimento econômico, onde destacamos os países asiáticos e as políticas adotadas pelos Estados Unidos, vide os fortes investimentos na indústria bélica e nas políticas de inovação e proteção de seus interesses nacionais, como estamos percebendo nos conflitos com os chineses em torno da indústria 5G e da indústria de semicondutores.

A sociedade brasileira construiu, com o passar dos tempos, setores importantes na economia internacional, onde destacamos o agronegócio, o complexo de petróleo e gás e os setores vinculados ao complexo da saúde. Estes setores, ao contrário do agronegócio, perderam espaço no cenário global, cabendo ao país repensar estas indústrias e reconstruir os laços do desenvolvimento, investindo maciçamente nestes setores, gerando empregos qualificados e estimulando outros com potencial dinamizador. Estas políticas foram amplamente utilizadas por países que construíram espaços de respeito na comunidade internacional, alguns analistas ainda querem acreditar que os avanços foram possíveis por gênios empreendedores dotados de grande competência gerencial e inovação, mas na verdade isso só se materializou em decorrência da mão visível, ativa e intervencionista dos Estados Nacionais, lembrem-se sempre disso.

Ary Ramos da Silva Júnior, Economista, Mestre, Doutor em Sociologia/Unesp e professor universitário. Artigo publicado no Jornal Diário da Região, Caderno Economia, 21/07/2021.

1 Comentário

  1. Caro Professor Ary, concordo – e muito – contigo. Aliás, atrevo-me a dizer, em minha míope visão, penso que o Brasil – há tempos – “virou as costas” para o mercado doméstico, simplesmente. Ora, é mais cômodo garantir um faturamento em dólares, em euros; porém, isso tem um preço aprazado… é a famosa “lei do retorno” (ou, “da causa e efeito”), salvo engano. Grande – fraternal e virtual – abraço.

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