Perspectivas

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Estamos chegando o final de mais um ano, o ano de 2020 está acabando, trazendo inúmeras dificuldades, desafios e desequilíbrios. Dentre as grandes deficiências geradas pelo ano, é importante destacar as dores geradas pela pandemia, com destruições generalizadas, mortes, degradações e deixando claro nossas deficiências mais íntimas, desnudando nossas desigualdades, limitações e dificuldades em todos os campos, desde o econômico, o político, o social, o emocional, o psicológico e cultural.

No campo econômico percebemos nossa desigualdade mais íntima, nossa sociedade se caracteriza por inúmeras estruturas sociais, uma pequena parte se caracteriza por uma rápida adaptação, flexível e dinâmica, dotada de máquinas e equipamentos sofisticados características do mundo do conhecimento, aptos pelo trabalho remoto, com home office, protegido e isolados. De outra lado, percebemos uma parcela significativa da sociedade que carece de saneamento básico, sem água encanada, sem empregos, sem internet, sem iluminação decente e sem perspectivas de sobrevivência digna, desta forma, grande parte da sociedade tem dificuldade para fazer isolamento social. Vivemos em um ambiente marcado pelo desenvolvimento da tecnologia, onde o conhecimento se tornou o grande ativo social, neste ambiente percebemos que estamos longe do mundo da informação, gerando graves atrasos do capital humano na nação, salários baixos e produtividade reduzida no trabalho.

Neste momento de pandemia, de incertezas e de instabilidades crescentes, a sociedade precisa construir um novo projeto de desenvolvimento econômico, priorizando os setores reais da economia, a geração de emprego e o incremento da renda agregada, aproveitando o grande contingente de trabalhadores que foram alijados dos setores produtivos, dinamizando a economia nacional, reduzindo as desigualdades regionais, investindo em ciência, pesquisa e tecnologia e garantindo novos investimentos produtivos, aumentando a arrecadação de impostos, dos tributos e ampliando os recursos do Estado, garantindo ampliar os direitos e os deveres da sociedade.

A pandemia pode estimular novas reflexões, o desenvolvimento pode ser incrementado através de um projeto nacional, concatenado entre todos os setores econômicos, financeiros e produtivos, deixando de lado interesses imediatos e individuais, construindo um modelo de desenvolvimento que una os setores industriais, o agronegócio, as universidades públicas e privadas, os centros de pesquisas, os sindicatos, os trabalhadores, os setores do comércio e dos serviços, além de bancos e financeiras. Neste momento, para o desenvolvimento econômico é necessário um projeto que una a sociedade em prol do crescimento econômico que vise a construção da nação, evitando e superando um modelo predatório como utilizado atualmente, atrasado, concentrador de renda, baseado em taxas de juros escorchantes, centrado na tributação do consumo, que garanta benesses a um pequeno grupo de endinheirados em prol da miséria de uma grande parcela da sociedade, reconhecendo que temos potencial para sermos uma economia empreendedora, soberana e autônoma.

Estamos num momento crucial para a sociedade, garantindo novos investimentos do meio ambiente e na diversidade cultural, precisamos tomar as rédeas do crescimento econômico e, com isso, construir o desenvolvimento da nação. Precisamos construir um futuro consciente, sabendo das potencialidades e das dificuldades e dos desafios, melhorando as vantagens comparativas e garantindo novos espaços para a atuação da população, construindo empregos dignos e investimentos produtivos, reduzindo as desigualdades sociais, diminuindo os hiatos existentes na educação, melhorando as oportunidades e garantindo para todos os trabalhadores um verdadeiro discurso da meritocracia.

Ary Ramos da Silva Júnior, Economista, Mestre e Doutor em Sociologia/Unesp Araraquara, Professor Universitário. Artigo publicado no jornal Diário da Região, Caderno Economia, 30/12/2020.

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