Peso do agronegócio no PIB sobe de 5% para quase 7%, por Mauro Zafalon

0
35

Mesmo com pequena retração na pecuária, a agropecuária mantém presença forte na economia

Mauro Zafalon, formado em jornalismo e ciências sociais, com MBA em derivativos na USP.

Folha de São Paulo, 02/06/2021.

O ano de 2021 prometia ser diferente para a agropecuária brasileira. A soja, o carro-chefe da agricultura, foi plantada com atraso, e, embora a área estivesse ganhando um bom impulso, a produtividade era incerta.
Mesmo com tantos empecilhos iniciais, o país volta a obter uma safra recorde com a oleaginosa, somando 132 milhões de toneladas, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O volume apurado pelo IBGE é referência para a apuração do PIB (Produto Interno Bruto) da agropecuária. Outras avaliações de mercado, porém, apontam uma produção de até 137 milhões de toneladas.

Com o avanço nas produções de soja e de milho, a safra brasileira de grãos deste ano deverá atingir 264,5 milhões de toneladas, segundo o IBGE. Na avaliação da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), serão 272 milhões de toneladas.

Com números tão expressivos na lavoura, e mesmo com pequena retração na pecuária, a agropecuária mantém uma presença forte no PIB e na economia.

No primeiro trimestre deste ano, a evolução do PIB do setor foi de 5,2%, em relação a igual período de 2020. No acumulado dos últimos quatro trimestres, a alta é de 2,3%. Há 17 trimestres seguidos que a agropecuária vem registrando um PIB positivo no acumulado de 12 meses.

A taxa acumulada dos quatro últimos trimestres é a maior desde 2019, mas o melhor ano foi 2017, quando houve um crescimento de 14,2% no PIB do setor.

Com o recente crescimento da agropecuária, a taxa de participação do setor no PIB, que normalmente gira próxima de 5%, fechou 2020 em 6,8%, conforme os dados divulgados nesta terça-feira (1º) pelo IBGE.

A agropecuária adicionou R$ 209 bilhões na economia neste início de ano, bem acima dos R$ 125 bilhões de igual período de 2020.

O primeiro trimestre deste ano foi marcado por alta na produção e melhora na produtividade. A soja, cuja área de plantio cresceu 4,1%, obteve um rendimento, por hectare, 4,4% superior ao da safra passada.

A produção recorde, com alta de 9%, foi preponderante para uma participação melhor do produto no PIB geral.

Apesar do atraso no plantio, algumas regiões obtiveram um desempenho bem melhor do que o da safra anterior. O Rio Grande do Sul, que havia sido afetado severamente por problemas climáticos na safra 2020, conseguiu uma produção de soja 74% superior em 2021.

O milho, o segundo principal produto do setor agrícola, ainda é uma promessa. A primeira safra, que representa apenas 25% da produção do ano, foi colhida com queda de 3,1%, segurando a evolução do PIB.

A segunda, a chamada safrinha, foi semeada com atraso, e o clima adverso já faz o mercado rever estimativas de produção para baixo. Se concretizada essa quebra, o cereal vai afetar o desempenho do PIB agropecuário nos próximos trimestres.

As lavouras de fumo também cooperaram com o PIB. A produção é de 721 mil toneladas, com alta de 3,6%. O rendimento cresceu 6,1% por hectare.

Além do milho da primeira safra, a produção de mandioca, que tem queda de 3,4% na área plantada, inibiu o crescimento do PIB agropecuário. A produção recuou 1,3%.

O PIB da agropecuária deverá ser influenciado nos próximos trimestres por uma previsível queda na produção de milho, de laranja, de café arábica e de cana-de-açúcar, produtos importantes na composição do índice.

DEIXAR RESPOSTA

Por favor digite seu comentaário
Digite seu nome