Precarização do trabalho

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Muitos teóricos da economia do século XIX acreditavam que o incremento da tecnologia na sociedade levaria os indivíduos a terem mais tempo para o lazer, para as atividades culturais e artísticas e para a ociosidade. Infelizmente as previsões não se efetivaram, vivemos marcados por tecnologias crescentes, máquinas e equipamentos variados, comemoramos alto crescimento da produtividade e as cargas de trabalhos crescem de forma acelerada, levando o mundo do trabalho a novas transformações que geram mais desemprego, subemprego, desalentos e, mesmo os trabalhadores empregados, percebemos que as patologias laborais crescem, gerando depressões, ansiedades e desesperanças generalizadas.

Neste ambiente percebemos que as mudanças no mundo do trabalho é um dos grandes desafios da sociedade contemporânea, de um lado, percebemos que a quantidade de riqueza cresce de forma acelerada e, ao mesmo tempo, percebemos que a pobreza cresce mais ainda, gerando conflitos, guerras, misérias e instabilidades crescentes.

A pandemia, que crassa a sociedade global, desnudou as desigualdades crescentes da sociedade mundial, levando as maiores personalidades do mundo dos negócios e dos setores financeiros, a destacarem a necessidade de estimular os governos e os gestores públicos e privados a adotarem políticas para reduzir esta mazela que desagrega as relações sociais e deixando marcas agressivas nos países e criando sequelas para todas as regiões.

A tecnologia está impactando sobre todo o processo produtivo, muitos teóricos enxergam o desenvolvimento tecnológico como instrumento de desestruturação do trabalho e outros acreditam que a solução é o investimento maciço na educação. Na verdade, precisamos requintar a discussão, estimulando o desenvolvimento das políticas públicas, fomentando os setores geradores de empregos dignos para toda a comunidade, investimento maciço na educação, em centros de pesquisas e fomento do conhecimento, ao mesmo tempo, construindo uma estratégia de consolidação de setores industriais fortes e pujantes. Sem setores produtivos fortes, consolidados, maduros e competitivos para a geração de empregos de qualidade, perceberemos profissionais qualificados sem emprego, sendo sujeitados a trabalhos precários e mal remunerados, algo que percebemos na sociedade brasileira.

A sociedade precisa combinar estratégias de consolidação educacional e fortalecimento industrial e dos setores produtivos, impulsionando empregos qualificados e novas oportunidades para aumentar a produtividade e enriquecimento da coletividade. Neste ambiente percebemos a importância do estímulo do empreendedorismo e da inovação, ao mesmo tempo, é fundamental a construção de novos ambientes mais afeito a desburocratização, reduzindo os excessivos subsídios de setores mais consolidados e investimentos em educação de qualidade, que forma m mão de obra para compreender os inúmeros desafios que crassa a sociedade brasileira.

Atualmente, estamos percebendo a saída de pessoas altamente qualificadas, profissionais com doutorado e pós-doutorado que estão optando por sair do país. Sem um projeto nacional consistente, com a demonização crescente das universidades públicas que são os grandes geradores de conhecimento científico nacional, além da degradação das agências de fomento e a redução de investimentos em ciência e tecnologia, muitos pesquisadores aceitam convites de centros de pesquisas e universidades estrangeiras, abandonando o sonho de construirmos uma sociedade desenvolvida.

Estamos num momento crucial para a construção de um rumo consistente para a sociedade brasileira, a pandemia está trazendo novos desafios para a população, os investimentos em educação são dispendiosos, imprescindíveis e seus retornos são inquestionáveis no longo prazo. Neste ambiente, sem investimento e com baixa confiança viveremos saudando um falso crescimento econômico com geração limitada de emprego precário, assistindo a saída de grandes conglomerados e uma verdadeira degradação do trabalho, num ambiente caracterizado por baixo salário, sem perspectivas de desenvolvimento econômico, sem dignidade e assolado por promessas nunca realizadas.

Ary Ramos da Silva Júnior, Economista, Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitário. Artigo publicado no Jornal Diário da Região, Caderno Economia, 16/06/2021.

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