Prioridades equivocadas

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A pandemia está gerando novos desafios para a sociedade internacional, percebemos um crescimento da concorrência entre os atores econômicos e produtivos, centrados na busca crescente de ganhos monetários, lucros e retornos financeiros e, em contrapartida, um incremento da desigualdade da renda, da redução do emprego e uma piora considerável das condições de vida, da pobreza e da miséria.

Vivemos num mundo marcado por contradições crescentes, a riqueza aumenta, os donos do poder se tornam cada vez mais ricos e poderosos e, em contrapartida, grande parte da sociedade internacional sobrevive com recursos cada vez mais escassos, gerando um forte incremento de rancores e ressentimentos. Neste ambiente, os conflitos crescem e as esperanças se reduzem, criando tensões e violências generalizadas.

O sistema capitalista é o melhor sistema produtivo para a geração de riqueza na sociedade global, nenhum sistema econômico e político consegue gerar mais riquezas do que o modelo capitalista, mas apresenta um grande defeito, o sistema se concentra nas mãos de poucos grupos sociais, controla o Estado Nacional e define a agenda de acordo com seus interesses, nem sempre seus interesses são os melhores para a coletividade, gerando tensões e constrangimentos.

O mal-estar crescente na sociedade contemporânea é generalizado, o desemprego cresce, a pobreza aumenta, a riqueza se concentra nas mãos de poucos e a esperança de dias melhores se esvaem todos os dias, gerando novos confrontos e desilusões, abrindo espaço para doenças emocionais, depressões, ansiedades, desesperanças, transtornos e suicídios.

As escolhas econômicas das últimas décadas estavam atreladas aos interesses dos grandes donos do dinheiro, dos detentores de setores atrelados aos interesses políticos imediatos e individualizados garantiram o crescimento de seus interesses patrimoniais, deixando de lado, os interesses de parcelas crescentes da comunidade que ralam todos os dias, recebem salários degradantes, trabalham em escalas crescentes de trabalhos precarizados, sem benefícios adicionais e sem perspectivas de médio e longo prazos.

Neste cenário, nem precisa ser um gênio com PhD do conhecimento para compreender a situação que vivemos na sociedade internacional, caminhamos a passos largos para uma degradação mais acentuada, com destruição do Meio Ambiente e degradação das condições de vida da coletividade, onde uma pequena parte dessa coletividade se tornam cada vez mais bilionários e se comprazem com viagens e excursões interespaciais.

A economia enquanto ciência perdeu sua relevância para a sociedade contemporânea, os interesses dessa ciência se transformaram nos interesses dos donos do dinheiro, os consultores econômicos se restringiram a referendar teses que degradam os interesses da comunidade e, com isso, garantem altos recursos monetários e se transformam em sócios menores, contribuindo para eternizar a degradação da sociedade global.

Nos debates econômicos contemporâneos encontramos discussões superficiais sobre indicadores macroeconômicos e se esquecem dos interesses imediatos da comunidade, dos grupos mais fragilizados economicamente, omitem reflexões sobre desemprego, diminuição da renda e da degradação das condições de vida da comunidade. O ambiente de pandemia deveria nos remeter as reflexões sobre as escolhas das sociedades, revendo as prioridades equivocadas das últimas décadas e retomando as escolhas dos grupos mais fragilizados.

A verdadeira Economia precisa ser reconstruída e totalmente reestruturada, retomando as bases da Economia Política, analisando os interesses da sociedade, priorizando todos os atores econômicos e políticos da comunidade, analisando os interesses dos trabalhadores, dos empresários e do Estado Nacional, desta forma, destacando que os interesses individuais devem ser condicionados aos ganhos de toda a comunidade.

A pandemia está transformando a sociedade, a Economia está se transformando, as prioridades devem ser transformadas e os seres humanos devem estar no centro das prioridades.

Ary Ramos da Silva Júnior, Economista, Administrador, Mestre, Doutor em Sociologia e Professor Universitário. Artigo publicado no Jornal Diário da Região, Caderno Economia, 12/01/2022.

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