Riscos do conflito

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A situação da economia internacional se deteriora todos os dias, depois de dois anos de grandes incertezas e instabilidades geradas pela covid-19, que culminou em milhões de mortes em todas as regiões do mundo, percebemos que as destruições tendem a aumentar em decorrência de uma guerra com potencial devastador, com destruições familiares, desestruturações produtivas, falências de empresas e grandes conglomerados e o incremento das exclusões sociais, com impactos negativos para quase toda a comunidade internacional.

Neste ambiente macroeconômico percebemos pressões inflacionárias em todas as regiões do globo, geradas pela desestruturação das cadeias produtivas, falta de matérias primas dos setores industriais, elevação dos custos de produtos alimentares e aumento dos preços dos combustíveis, cujos impactos são generalizados, gerando queda na renda agregada dos trabalhadores, redução dos salários e levando a diminuição do consumo interno, postergando a recuperação econômica e criando um ambiente de instabilidades e incertezas.

O aumento dos preços dos combustíveis tende a impactar sobre todas as cadeias produtivas, elevando custos de produção, encarecendo os transportes e os fretes, reduzindo os ganhos dos trabalhadores, inviabilizando modelos de negócios e gerando instabilidades que tendem a elevar as taxas de juros, encarecendo o crédito, contraindo os investimentos produtivos, postergando as contratações e materializando um ambiente recessivo. Numa economia, como a brasileira, combalida pelos desequilíbrios recentes gerados pela pandemia e a incapacidade do governo de criar agendas consistentes, os impactos da guerra tendem a gerar cenários preocupantes com fortes custos sobre a sociedade que se materializam em mais desemprego, mais exclusão e maior degradação social.

O ambiente global está marcado por grandes incertezas, o incremento do conflito militar e as sanções econômicas impostas pelas economias ocidentais podem gerar mais constrangimentos para a economia russa, levando-os a se aproximarem dos chineses e abrindo espaço para a reestruturação da geopolítica internacional, abrindo espaço para outros modelos monetários e fragilizando algumas nações e redesenhando o cenário internacional. Estamos vivendo um momento de grandes instabilidades políticas, desafios econômicos e os riscos de conflitos nucleares não podem ser desprezados.

Além do incremento dos preços do petróleo, cujos valores estão crescendo de forma ascendente, os alimentos, os fertilizantes e os insumos que entram na confecção de produtos primários devem passar por momentos de instabilidades, isto acontece porque a região em conflito é forte produtor de commodities, gerando aumento dos custos, além da redução das ofertas e pressão sobre os preços, impactando os produtores e os consumidores, reduzindo a entrada de divisas e fragilizando os setores produtivos.

O mundo globalizado aproxima todos os agentes produtivos em grandes cadeias de produção, integrando as finanças, dinamizando o comércio exterior, uniformizando costumes e comportamentos e aproximando as comunicações, todas estas conquistas estão ligadas aos avanços tecnológicos, que integram as nações, aumentam a concorrência e expõem os setores produtivos a grande competição. Neste cenário, os novos desafios econômicos estão claros, exigindo maior planejamento, aumento substancial em investimentos em capital humano e repensar a inserção da economia globalizada.

A pandemia e a guerra estão mostrando as deficiências estruturais da sociedade brasileira, somos uma nação rica, dotada de grandes riquezas naturais com forte potencial de crescimento econômico e possibilidade de melhorarmos as condições de vida da população. Neste cenário, precisamos construir uma nação centrada em um projeto de país, com clareza e consistência, deixando de lado políticas eleitorais inconsistentes e com forte degradação fiscal, que aprofunda nosso subdesenvolvimento e mostra nossa indigência moral que reproduz a desigualdade e compactua com as mais variadas formas de exclusão social.

Ary Ramos da Silva Júnior, Bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Especialista em Economia Criativa, Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitário. Artigo publicado no Jornal Diário da Região, Caderno Economia, 16/03/2022.

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