Rumores externos

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A sociedade internacional vem passando por grandes transformações e incertezas em todas as cadeias produtivas, com impactos nos preços e pressões inflacionárias, impactando sobre o consumo, sobre os investimentos, sobre os empregos e as perspectivas de recuperação econômica, aumentando as instabilidades e as preocupações, gerando problemas sociais, quebras econômicas e degradação política.

Para piorar este cenário, a economia internacional acordou sobre as perspectivas da falência de um dos grandes conglomerados imobiliários da China, Evergrande, cujo potencial pode ser gigantesco, com impactos sobre a economia, a demanda global de produtos importados e desestruturação do sistema financeiro, com desemprego, queda na renda e a dificuldade de recuperar os indicadores econômicos, tão degradados em momentos de pandemia.

O mercado imobiliário na China é gigantesco, nos últimos dez anos mais de 130 milhões de pessoas saíram do campo para viver nas cidades, sendo construídos mais de 70 milhões de apartamentos, apenas para absorver esta demanda de uma economia que cresce de forma acelerada. Com este crescimento, o setor se alavancou rapidamente, gerando bolhas de créditos que levaram o governo a costurar novas regulações e impactaram sobre as compras, diminuíram o crescimento econômico, reduzindo lucros e estimularam as dificuldades atuais.

Os dados sobre a empresa chinesa são assustadores, emprega mais de 200 mil funcionários, o endividamento da empresa chegou a mais de US$ 300 bilhões, sendo que mais de 100 bancos emprestaram a empresa e correm o risco de prejuízos altíssimos, gerando preocupações e descontentamentos. Apesar destes dados, não devemos esperar uma crise financeira como a do mercado imobiliário norte-americano em 2008. Desde o começo do ano as ações da Evergrande caíram mais de 80% e a empresa está tentando queimar estoques para pagar juros dos títulos que estão vencendo.

Embora alguns analistas acreditem que a crise da empresa chinesa pode impactar sobre o sistema internacional, é importante destacar que o sistema financeiro chinês não é integrado ao resto do mundo e as autoridades possuem instrumentos para garantir a liquidez do sistema, não importando o tamanho do buraco. Devemos destacar ainda, que mais de 80% do endividamento da empresa é em moeda local e os grandes credores são bancos públicos.

Países como o Brasil podem sentir a crise na queda das exportações para o mercado chinês, cuja demanda por commodities podem reduzir e impactar sobre o setor produtivo, principalmente pelos setores ligados ao minério de ferro e, em menor escala sobre os produtos do agronegócio, mas os riscos não devem ser descartados e nem desprezados.

Alguns analistas acreditam que a China caminha para a fragilização do modelo implementado no começo dos anos 80, outros teóricos acreditam que a crise do mercado imobiliário era esperada e deve reestruturar alguns modelos de negócios e o combate dos monopólios devem ser aperfeiçoado, pois a concentração de poder impacta negativamente para a coletividade, nesta visão, a crise da Evergrande deve ser vista como uma forma de repensar a atuação do Estado, como estamos vendo em países desenvolvidos, com maior intervencionismo governamental e maior regulação.

Neste ambiente de crises crescentes que caracterizam o mundo, marcados pelas incertezas e instabilidades geradas pela pandemia, as dificuldades das cadeias produtivas com aumento nos custos e do incremento da concorrência em escala global, faz-se necessário, construir espaços de atuação conjunta com todos os atores do desenvolvimento econômico. Deixando de lado os crescentes conflitos e confrontos desnecessários que limitam a confiança, a melhora do ambiente dos investimentos, a geração de emprego e a melhoria do bem-estar da sociedade.

Ary Ramos da Silva Júnior, Economista, Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitário. Artigo publicado no Jornal Diário da Região, Caderno Economia, 29/09/2021.

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