Outra oportunidade

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Vivemos num momento de incertezas constantes, as guerras crescem de forma acelerada, o arcabouço institucional criado no pós-segunda guerra vem sendo devastado, a tecnologia ganha cada vez mais as rédeas da sociedade, as crises energéticas se espalham para a sociedade internacional, as lideranças mundiais mostram suas limitações para a compreensão dos desafios globais, o mundo do trabalho se transforma rapidamente e as condições sociais se degradam todos os dias, aumentando a fome e a indignidade humana, neste cenário de instabilidades crescentes, as perguntas crescem e as certezas estão cada vez mais reduzidas, gerando violências, caos e ressentimentos.

Neste ambiente global marcado pelos conflitos geopolíticos, onde os atores econômicos e produtivos se utilizam do poder e da influência dos governos nacionais para manter seus ganhos imediatos e aumentar seus instrumentos de acumulação, encontramos vestígios e esboço do grande conflito do século XXI, neste confronto percebemos o embate entre os Estados Unidos e a China, as duas maiores economias do mundo, detentoras das grandes capacidades produtivas industriais e forte influência política, seus poderes se espalham para todas as regiões da comunidade internacional.

Neste cenário, descrito anteriormente, as nações buscam espaços de sobrevivência e novos horizontes econômicos e produtivos, países produtores de produtores primários buscam se inserir no ambiente global, países que detém grande potencial no setor de serviços se mobilizam para se estruturar e angariar vantagens neste cenário de constantes transformações e os países industrializados buscam manter seus mercados e ampliar novos horizontes produtivos, ou seja, estamos vivendo uma verdadeira revolução global, onde cada nação vem se capacitando para sobreviver num cenário incerto, imediatista e fortemente concorrencial.

No caso brasileiro, percebemos grandes desafios estruturais, encontramos uma elite econômica imediatista, rentista e incapaz de pensar o país para as próximas décadas, seu horizonte de planejamento e de reflexão é sempre o agora, não investimos em educação porque demanda tempo e planejamento e colhemos uma população mal qualificada e pouco capacitada para compreendermos os grandes desafios da sociedade contemporânea.

Na nossa história econômica, percebemos uma nação explorada e dividida desde os primórdios da colonização, somos um país detentor de riquezas variadas, solos ricos e energia em abundância e, infelizmente, entregamos nossas riquezas naturais para melhorar as condições de vida de outros povos e de outras nações e nos “esquecemos” da desigualdade interna que somos os patrocinadores, olhamos para as outras nações com admiração e não conseguimos compreender que muitos destes recursos que patrocinaram as melhoras sociais de outros povos foram extraídas do nosso território, numa verdadeira história de pilhagem, escravidão e degradação humana.

Depois de séculos de espoliação, estamos em um momento de grandes transformações econômicas e produtivas globais, onde a história está nos dando uma nova oportunidade de desenvolvimento econômico. No mundo da tecnologia, da inteligência artificial, dos algoritmos, da robotização e das big techs, temos um instrumento valoroso para nossa ascensão econômica, afinal somos detentores de mais de 25% das terras raras do mundo, minérios estratégicos que dominam a economia global. Neste cenário,precisamos ter sabedoria para utilizarmos estes minérios para a melhora constante da sociedade brasileira e nos afastar daqueles que querem vender nossa soberania e se postam como patriotas, mas na verdade são hipócritas e entreguistas.

Ary Ramos da Silva Júnior, bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitário.

Endividamentos

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A economia brasileira sempre se caracterizou pelos amplos endividamentos interno e externo, impactando sobre a solidez econômica e produtiva e, com isso, vivenciamos um cenário marcado pelo chamado stop-in-go, uma economia que sempre apresentou uma incapacidade de gerar uma ambiente de crescimento econômico consistente, nossa economia é marcada por crescimento lento e desequilíbrios duradouros e incapazes de garantir uma sustentabilidade produtiva que garanta uma melhora nas condições de vida da maioria da sociedade.

Depois de um forte endividamento externo no decorrer do século passado, a economia brasileira conseguiu resolver este problema e passamos a ser credores líquidos externos, nossas reservas monetárias ultrapassam os passivos externos, desta forma, no front externo conseguimos resolver este problema que sempre caracterizou a sociedade brasileira, com impactos negativos para os setores econômicos e produtivos.

Atualmente, encontramos variados problemas que limitam o crescimento da economia nacional, baixa produtividade, dependência tecnológica, pouca complexidade dos setores produtivos, impostos regressivos e elevados, setor judiciário caro, lento e ineficiente, baixo investimento em ciência e tecnologia, pobreza elevada, educação de baixa qualidade, elite dominante que se compraz com um papel subserviente nas parcerias externas, além de taxas de juros escorchantes que limitam o espírito empreendedor e, ao mesmo tempo, contribui ativamente para a criação de uma nação de rentista, individualista e pouco afeita aos investimentos produtivos.

Neste cenário, ao analisarmos as deficiências estruturais internas e imediatas, precisamos destacar o alto endividamento interno dos cidadãos, dos consumidores e dos setores produtivos que estão fragilizando a economia nacional e limitando o potencial produtivo. Somos detentores de riquezas nacionais invejáveis aos olhos do mundo, somos detentores de mais de 50% de energias renováveis e sustentáveis, possuímos reservas substanciais de terras raras e nos caracterizamos como uma população marcada pelo espírito inovador e empreendedor, poucas vezes vistas em outras nações.

Atualmente, encontramos mais de 81,3 milhões de cidadãos negativados, numa pesquisa feita pelo Mapa da Inadimplência da Serasa Experian, feito em janeiro de 2026, colocam mais de 49,7% da população adulta negativada, um recorde histórico que limitam o potencial de consumo dos consumidores, gerando constrangimentos elevados, problemas emocionais e distúrbios variados.

Neste ambiente de alterações dos padrões de consumo, com gastos crescentes relacionados as casas de apostas, as chamadas bets, e dos dispêndios relacionados com as canetas emagrecedoras, percebemos o aumento da inadimplência e o crescimento do endividamento interno que impactam os indicadores macroeconômicos, reduzindo gastos correntes e derrubando as vendas do varejo. Estas demandas conjunturais estão transformando os gastos da população e estão contribuindo diretamente para o endividamento, mas precisamos nos atentar para uma questão estrutural, as taxas de juros estratosféricas que pululam na economia brasileira, que limitam os investimentos produtivos e estimulam os gastos especulativos que nada trazem de positivo para o restante da economia, aprofundando a desigualdade e tornando os consumidores reféns de dívidas elevadas, impagáveis e crescentes.

 Historicamente, a sociedade brasileira, com custos financeiros elevados, posterga decisões estratégicas, onde resolver este imbróglio pode destravar a economia nacional e criar novos horizontes de crescimento econômico, além de alavancar os investimentos produtivos, neste cenário precisamos tomar decisões estratégicas e evitar a omissão constante do Executivo, do Legislativo e do Judiciário, todos estes poderes precisam assumir as suas responsabilidades.

Ary Ramos da Silva Júnior, bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitário.

Aplicativo

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O Aplicativo Ary Ramos está, novamente, disponível na loja do Google, aproveitem!

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Desorganização global

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A economia internacional vem passando por momentos de grandes inquietações e preocupações crescentes, levando o sistema produtivo e a estrutura financeira global a terem que conviver, abertamente, com incertezas e instabilidades, que contribuem para o crescimento do risco e do aumento dos preços globais, elevando a inflação e levando os bancos centrais ao incremento das taxas de juros, cujos impactos são imediatos na redução dos investimentos produtivos.

Neste cenário internacional, percebemos uma desorganização generalizada, forças militares invadem países da noite para o dia, bombardeiam a infraestrutura das nações, gerando uma matança indiscriminada  que impacta em todo o sistema econômico e financeiro, elevando os custos de produção, aumentando as incertezas produtivas escasseando as matérias primas, aumentando os custos logísticos, desorganizando todo o sistema político global e, posteriormente, se assustam com as consequências de ações desastradas, equivocadas e impensadas.

Estamos vivendo momentos de grandes instabilidades na sociedade internacional, as guerras, como tudo na vida, geram ganhadores e perdedores ao redor do mundo, gerando setores que apresentam grandes lucros monetários e financeiros e, outros setores, amargam variados prejuízos materiais. Os preços do barril de petróleo aumentaram de forma imediata, inicialmente os valores estavam na casa dos US$ 60,00 e, na semana passada, chegaram ao valor estratosférico de US$ 119,00 e atualmente se estabilizou na casa dos US$ 100,00, gerando fortes reações de nações que dependem deste produto e aumentaram os ganhos dos exportadores deste óleo, que domina o sistema produtivo global e servem de justificativas para suas intervenções, suas guerras e suas destruições.

Vivemos num momento de grandes incertezas produtivas, as guerras em curso no Oriente Médio estão escalando para outros países da região, com ataques nas refinarias e usinas nucleares, além do fechamento do Estreito de Ormuz, responsável por mais de 20% do fluxo destes produtos, gerando calafrios para os países europeus e seus governos nacionais, nações dependentes da importação do petróleo e do gás natural, levando-os a adotarem políticas imediatas para evitar um colapso de suas finanças.

Vivemos num momento em que as regras criadas e consolidadas no pós-segunda guerra mundial vem sendo destruídas rapidamente e deixando um vazio institucional preocupante e assustador, com isso, percebemos confrontos diplomáticos, chantagens crescentes, discursos agressivos, postagens grosseiras e espaços claros para que as agressões militares cresçam e os gastos militares aumentem, desta forma, percebemos que estamos vivenciando uma verdadeira desorganização global e as consequências são impossíveis de serem mensuradas.

As guerras, em curso na sociedade mundial, ampliam a escassez energética, aumentam os preços destes produtos essenciais para o capitalismo contemporâneo, elevando as temperaturas nas Bolsas de Valores globais e levam as Autoridades Monetárias a aumentarem as taxas de juros, desta forma, percebemos o aumento dos prejuízos dos setores econômicos, que reduzem os investimentos produtivos, reduzindo a geração de emprego, limitando a renda agregada dos trabalhadores e criando uma situação degradante para os setores mais vulneráveis.

Vivemos um momento preocupante e assustador para a comunidade internacional, onde os fortões que sempre acreditaram que a força física resolveria os problemas do mundo chegaram ao poder, patrocinaram guerras e destruições e o cenário internacional está cada vez mais degradante, está na hora dos adultos tomarem o controle desta situação e mostrar que os conflitos militares só geram destruições, mortes, rancores e ressentimentos.

Ary Ramos da Silva Júnior, bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e Professor universitário.

Palestra Espírita

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Palestra na Associação Espírita Allan Kardec, de São José do Rio Preto/SP, no dia 22 de março de 2026, onde o professor Ary Ramos abordou um tema interessante, na ocasião o tema escolhido foi “José de Arimatéia: o discípulo de Jesus”, vale a pena assistir.

Petróleo, inflação e guerras

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Vivemos um momento de novos confrontos militares no Oriente Médio, com impactos generalizados para toda a economia internacional, afinal esta região é responsável pelo fornecimento do produto mais importante no capitalismo global. Neste cenário, o preço do petróleo aumentou vertiginosamente, saindo de US$ 60,00 por barril no começo do conflito e os valores aumentaram, rapidamente, alcançando mais de US$ 100,00 o barril, impactando para todas as regiões, gerando calafrios para os setores produtivos, pressionando o sistema financeiro internacional, impactando os preços e pressionando a inflação global, levando as Autoridades Monetárias a aumentarem as taxas de juros, com graves repercussões nos investimentos produtivos, nos empregos e na renda agregada.

A sociedade global vive momentos de grandes incertezas e grandes instabilidades, gerando riscos crescentes que afugentam os investimentos produtivos, reduzindo a geração de empregos e criando um ambiente de baixo crescimento econômico, levando os governos a adotarem políticas públicas para reduzirem os efeitos colaterais da economia, levando-os a reduzir os impostos e aumentando os subsídios, vislumbrando a redução dos problemas internos, mas ao mesmo tempo, os indicadores fiscais pioram sensivelmente.

O petróleo tem grande relevância na economia internacional, este produto movimenta todo o sistema produtivo, as guerras em curso no Oriente Médio geram impactos para todas as regiões do mundo e forçam os governos nacionais a reduzirem as perdas internas, incorrendo em gastos crescentes, reduzindo os repasses internos, forçando a economia a adotar taxas de juros mais elevadas que restringem o potencial da economia.

No caso brasileiro, percebemos uma espiral de grandes impactos diretos e indiretos, como temos uma das taxas de juros mais elevadas da economia internacional, o cenário de conflitos militares deve adiar a redução dos juros internos, postergando uma esperada melhora dos indicadores fiscais, visto, por muitos especialistas em contas públicas, como um dos maiores problemas da economia nacional.

As taxas de juros elevadas podem travar os investimentos produtivos e postergar o crescimento econômico, fazendo com que os rentistas tenham retornos elevados, no caso brasileiro, uma sociedade marcada por grandes desigualdades sociais, baixa poupança interna e com grandes carências na infraestrutura.

A guerra no Oriente Médio aprofunda as instabilidades econômicas e as incertezas políticas e impacta todas as nações, prejudicando os consumidores, reduzindo a renda agregada e encarecendo os setores produtivos. Os especialistas em geopolítica da região não sabem precisar quanto tempo esse conflito vai demorar, o que dizem, claramente, é que o Estados Unidos esperava um confronto rápido, destrutivo e cirúrgico, com a destituição do governo iraniano e, em seu lugar, seria colocado um apaniguado, um fantoche para se submeter aos interesses dos norte-americanos e israelenses.

Parece que as previsões não foram confirmadas, o fechamento do Estreito de Ormuz pelas forças de Irã, tende a gerar graves constrangimentos econômicos e políticos para toda a economia internacional, ainda mais, devemos destacar a estratégia de atacar as bases dos EUA em países aliados na região, mostrando fragilidade na defesa e na incapacidade de proteger seus “protetorados”, gerando constrangimentos e pressões crescentes para a interrupção da guerra.

Vivemos momentos preocupantes na comunidade internacional, as guerras acabam com a racionalidade das nações e seus governantes e mostram que mesmo sendo detentores de grandes tecnologias, as decisões são tomadas olhando apenas interesses imediatos, irracionais e estimulados pelos ganhos econômicos.

Ary Ramos da Silva Júnior, Bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitário.

Retrocessos

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Vivemos mais uma guerra no Oriente Médio com muitas mortes e destruições da infraestrutura, devastando famílias e gerando dramas individuais e coletivos, com impactos variados sobre a economia internacional, gastando bilhões de dólares para patrocinar mais uma guerra fratricida, desviando recursos para uma escalada militar e espalhando corrupção e desperdícios de recursos público e privado que poderiam ser melhor utilizados para reduzir as mazelas sociais que crescem de forma acelerada na sociedade contemporânea, gerando mais violências, degradações morais e a desesperança na humanidade.

Neste momento, percebemos que uma guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã está espalhando destruições na região, com ataques se espalhando para países como Catar, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Kuwait, Arábia Saudita, Jordânia, Iraque, Turquia, dentre outros, onde os iranianos passaram a atacar bases dos Estados Unidos nestes países, gerando medos, mortes e destruições que podem levar o conflito para outras regiões e disseminando uma violência generalizada.

Vivemos momentos de grandes inquietações na sociedade internacional, com discursos calorosos, com ofensas verbais e agressividades físicas, onde a verdade e a realidade objetiva estão sendo escondidas e crescem rapidamente, neste ambiente de guerras e conflitos armados, as fake news crescem, surgindo canais para explorar as misérias humanas, youtubers e influenciadores estão acumulando fortunas e disseminando inverdades do conflito para uma população atônita, desesperada e assustada.

Estamos num cenário de transformações da geopolítica internacional, onde o multilateralismo tem dificuldades para se instalar por completo, gerando conflitos em todas as regiões, levando a Organização das Nações Unidas (ONU) a calcular mais de 120 guerras em curso na comunidade global, com impactos destrutivos para todas as regiões do mundo, com a disseminação de ódios, rancores e ressentimentos.

As guerras servem como um verdadeiro retrocesso para a humanidade, um momento em que a tecnologia cresce e passa a ganhar espaço na comunidade internacional, com equipamentos complexos que estão revolucionando as mais variadas áreas do conhecimento humano, doenças raras e violentas, vistas como de difícil tratamento, que levavam milhares de indivíduos a morte, estão sendo tratadas com novas técnicas revolucionárias e, desta forma, evitando mortes e criando uma sobrevida para os pacientes. Tecnologias de comunicação e de informática estão gerando uma verdadeira transformação nos modelos de negócios e a inteligência artificial está criando um prelúdio para novas conquistas nos mais variados setores da sociedade mundial.

Vivemos numa sociedade onde as nações estão se integrando cada vez mais, o comércio e as comunicações estão abrindo novos horizontes para a economia internacional, nações pobres e miseráveis estão ganhando relevância e importância no cenário mundial através do comércio e das trocas comerciais, novos atores estão se consolidando no novo mercado global, construindo novas oportunidades e superando os desafios anteriores.

Vivemos num momento de grandes preocupações imediatas, países que se arvoram como defensores da liberdade e da democracia se esquecem de seus históricos de guerras e de destruições, se esquecem de olhar para seus aliados, será que estão se aliando a nações democráticas e defensoras da liberdade? Vivemos num mundo onde o que reina é a hipocrisia e a ignorância humana, um verdadeiro retrocesso civilizacional, passamos a controlar novas tecnologias e, ao mesmo tempo, temos prazer na guerra, na devastação e na miséria humana.

Ary Ramos da Silva Júnior, bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitário.

Assim caminha a humanidade…

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Vivemos em um momento de disrupção constante, onde todos os dias somos bombardeados por notícias escabrosas e degradantes vindo de todas as regiões do mundo, um ambiente altamente concorrencial, desprovido de valores morais, onde as regras são definidas pelo poder militar e consolidadas pelos interesses econômicos e financeiros de uma pequena parte da comunidade global, que vive num banquete surreal, marcado pelo luxo e pelo exibicionismo cotidiano, marcado pelo hedonismo e pela acumulação ininterrupta de valores monetários e pela penúria material de uma grande maioria.

Vivemos num cenário que a tecnologia cresce de forma acelerada, onde a escassez material acontece em decorrência da ganância de poucos em detrimento da sobrevivência digna e decente de uma grande parte da comunidade global. Neste cenário, a tecnologia nos auxilia na produção de valores materiais e, contribui, fortemente para fortalecer a força do capital e, ao mesmo tempo, aumenta a desvalorização do trabalho humano e coloca uma grande parte da sociedade global em condições indignas de sobrevivência, aumentando o exército industrial de descartáveis e degradados, levando todas as regiões do globo a conviverem com pessoas em situação de rua, indivíduos desprezados pelo sistema, sem recursos materiais, sem esperanças futuras e desprovidos dos prazeres do mundo contemporâneo.

Vivemos numa sociedade que cultua os valores do corpo sarado, que canoniza a imagem e estimula a mente ociosa, onde os novos modelos de negócio investem em indivíduos dotados de grande capacidade de comunicação e deixam de lado o conteúdo moral e a consistência técnica, desvalorizando o estudo, a escola e a reflexão crítica, ridicularizando o ensino superior como forma de ascensão social e crescimento intelectual e cultuando a ignorância humana, criando e consolidando uma sociedade desprovida de valores científico e tecnológico e, ao mesmo tempo, contribuindo para a perpetuação do atraso histórico e da dependência externa.

Neste ambiente da sociedade contemporânea, todos os meses somos acordados com notícias de guerras em curso na sociedade global, mísseis de alta complexidade sendo despejados em populações indefesas e fragilizadas, matanças indiscriminadas em todas as nações e acometendo, principalmente, os pobres e os miseráveis, presenciando governos corruptos, incompetentes e ineptos que posam de paladinos da moralidade, da eficiência e defendem a bandeira da liberdade, nos esquecendo de que esta liberdade tão propalada é a da acumulação monetária, dos donos do capital e daqueles que defendem a degradação do trabalho e a desvalorização dos seres humanos.

Vivemos numa sociedade centrada no poder econômico e no poder militar, onde as regras internacionais são alteradas de acordo com os interesses dos magnatas do mundo, instituições multilaterais, constituídas em períodos anteriores, são deixadas de lado quando não servem aos seus interesses, com isso, percebemos a criação de um ambiente marcado por incertezas e instabilidades, que empobrecem os mais fragilizados e enriquecem, mais ainda, os detentores das finanças internacionais.

Neste ambiente, devemos destacar que este cenário está degradando os valores da civilização, gerando guerras em todas as regiões do globo, destruindo o meio ambiente e impactando sobre o clima e a vegetação, trazendo devastações em todos os continentes, soterramentos, desastres ambientais, furacões e tsunamis e ainda encontramos indivíduos defendendo o aprofundamento deste modelo econômico dominante. São ignorantes ou são motivados por valores imediatos e individualistas, mesmo assim, precisamos refletir urgentemente sobre para onde caminha a humanidade…

Ary Ramos da Silva Júnior, Doutor em Sociologia e professor universitário.  

           

Novos horizontes

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Vivemos momentos de grandes turbulências na economia internacional, os novos modelos produtivos estão transformando as relações de trabalho, exigindo grandes investimentos em tecnologias, fortes dispêndios em ciência, pesquisa e inovação e estratégias que demandam, de todos os setores da comunidade, uma união em prol de um projeto de país, com estratégias claras e planejamento sistemático.

Todas as nações que conseguiram melhorar as condições de vida de sua população, todas mesmo, investiram fortemente no aumento da complexidade econômica, alterando sua estrutura produtiva, angariando novos mercados globais, com fortes investimentos em capital humano e uma transformação dos produtos exportados, saindo de uma base exportadora de produtos de baixo valor agregado e, com o passar do tempo, melhorando seu perfil exportador, vendendo em outros mercados produtos mais complexos, mais sofisticados e com valor agregado maior, garantindo retorno monetários maiores e lucros mais substanciais.

Ao analisarmos os países que conseguiram dar saltos econômicos e produtivos nas últimas décadas, destacamos a Índia e a China, as duas maiores populações do globo, ambas vem crescendo de forma sistemática e conseguindo aumentar a complexidade de suas respectivas economias. A Índia, em 1994, exportava arroz, chá e algodão, notadamente produtos primários de baixo valor agregado e, atualmente, os indianos estão exportando equipamentos industriais, medicamentos e veículos, além de US$ 274 bilhões anuais em serviços tecnológicos e eletrônicos, uma verdadeira transformação produtiva que colocaram os indianos em um local de destaque no cenário internacional, participando das discussões mais relevantes do mundo da tecnologia, dos algoritmos, da robótica e da inteligência artificial.

A China vem se destacando no cenário internacional pelo seu forte crescimento econômicos que vem ameaçando outras nações e está gerando ciúmes generalizados no ambiente global. Neste cenário, a China vem ganhando espaços em variados setores da tecnologia mundial, tais como as baterias, viagens espaciais, inteligência artificial, nos chips e nos variados produtos marcados pela alta complexidade, que exigem da sociedade chinesa, supervisionada pelo governo, fortes investimentos em capital humano, que contribuíram para levar a nação para a liderança da inovação tecnológica.

Estes são dois bons exemplos que deveriam ser seguidos pelas economias médias, como a brasileira, focando nos investimentos em capital humano, canalizando recursos para o desenvolvimento científico e tecnológico, subsidiando setores estratégicos para o desenvolvimento tecnológico e, ao mesmo tempo, cobrando resultados palpáveis para a sociedade, deixando de lado os subsídios estatais que se perpetuam no tempo, gerando grandes desequilíbrios econômicos e servindo para angariar lucros elevados para poucos empresários e intermediários.

No caso brasileiro, percebemos a forte dependência de produtos primários de baixo valor agregado, nossa estrutura produtiva se caracteriza por uma baixa complexidade econômica e forte dependência dos centros de tecnologia. Nos anos 1990 exportávamos café, soja, açúcar e minério de ferro, depois de trinta anos continuamos sendo exportadores dos mesmos produtos e, para piorar, nossa indústria perdeu espaço na economia nacional e estamos vivendo uma verdadeira desindustrialização, achatando os salários, estimulando setores improdutivos e continuamos acreditando que o modelo econômico trará ganhos para a sociedade. Passou da hora de olharmos para os exemplos exitosos do mundo contemporâneo, precisamos fortalecer a institucionalidade, consolidar os setores democráticos e evitar pautas reacionárias que atrasam nosso desenvolvimento econômico e perpetuam nossa dependência externa.

Ary Ramos da Silva Júnior, Bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e Professor universitário

Abertura econômica

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A sociedade contemporânea se caracteriza pelo aumento da competição, os agentes produtivos se encontram num momento de incertezas e instabilidades, onde os governos nacionais percebem as alterações, os trabalhadores sentem na pele o aumento da concorrência e as organizações percebem os movimentos dos mercados, o surgimento de novos produtos, o nascimento de novos consumidores, com alterações dos hábitos e variados desafios, que deixam todos os atores sociais e econômicos em constantes preocupações.

Nestas reflexões encontramos a ascensão da civilização oriental, onde percebemos exemplos claros e verdadeiros de nações que eram pobres e miseráveis e, atualmente, crescem de forma acelerada, gerando melhoras substanciais de vida para as suas populações. Neste cenário, a ascensão asiática nos traz novos horizontes, novas perspectivas e novos desafios, que exigem das nações ocidentais uma compreensão dos equívocos adotados anteriormente, contribuindo para criar novos espaços de crescimento econômico e melhoras produtivas, refletindo sobre as melhores políticas públicas e renovando as estratégias, reestruturando seus sistemas produtivos e visando o desenvolvimento econômico.

No final dos anos 1980, surgem os receituários neoliberais para estimularem o desenvolvimento econômico das nações subdesenvolvidas ou em desenvolvimento, onde percebemos medidas centradas na abertura econômica, na privatização de empresas estatais e em uma forte desregulamentação financeira, estas medidas foram recebidas com ceticismo e com incredulidade pelas nações asiáticas, que rechaçaram todas as medidas preconizadas no chamado Consenso de Washington e passaram a adotar políticas diferentes, fortalecendo as empresas públicas, aumentando a proteção dos setores produtivos e fortalecendo seus sistemas financeiros, consolidando seus bancos e evitando a ascensão da chamada ciranda financeira, além de fortes investimentos em ciência, pesquisa e inovação, além de contribuir ativamente para a consolidação de um setor educacional sólido e consistente que, garantem, na contemporaneidade, resultados positivos nos índices internacionais.

Do outro lado, encontramos as nações latino-americanas, onde destacamos o Brasil, se entregando para os ideários neoliberais e passando a acreditar que éramos visionários e modernizadores, abandonando o atraso milenar e assim iniciando uma colheita de crescimento econômico, de melhorias sociais e dessa forma alcançaríamos, com sucesso, o tão sonhado desenvolvimento econômico.

Neste cenário, fizemos escolhas simples e acreditamos que rumaríamos para o desenvolvimento econômico, deixamos de lado o planejamento governamental e passamos a acreditar que o mercado faria as escolhas corretas, vendemos empresas públicas estratégicas, retiramos os monopólios públicos, abrimos nossas estruturas econômica e produtiva, reduzimos a regulação financeira, valorizamos nossa moeda, perdemos o controle de nossa economia e colhemos mais crescimento econômico, com redução da desigualdade social e melhorias substanciais para a nossa sociedade?

As escolhas dos rumos da economia nacional devem ser definidas internamente, as medidas neoliberais foram positivas para os donos do capital, os grupos que abdicaram da definição do futuro da economia nacional e se comprazem de serem sócios minoritários do capital internacional, perdendo capacidade produtiva, vendendo patrimônio nacional, destruindo nossa indústria nacional, estimulando o rentismo e o capital improdutivo, além de remunerar as falsas elites nacionais via juros escorchantes, subsídios exagerados e desoneração tributária, que futuro teremos como nação aceitando cartilhas externas e adotando receituários de outros países?

Neste momento de instabilidades externas, passamos da hora de estudarmos as experiências asiáticas, suas escolhas estratégicas, suas vivências econômicas, afinal quem está conseguindo crescer economicamente, são as nações submissas e subalternas que abraçaram os receituários neoliberais ou aquelas que escolheram caminhos heterodoxos e mais autônomos?

Ary Ramos da Silva Júnior, Bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitário.

Confronto secular

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O mundo contemporâneo se caracteriza por grandes transformações estruturais na sociedade global, período marcado por grandes incertezas e instabilidades estruturais, além de variados confrontos entre nações, que podem culminar em guerras fratricidas. O século XXI traz em suas entranhas novos confrontos econômicos e geopolíticos globais que tendem a impactar fortemente todas as regiões do mundo, impactando os modelos produtivos, transformando as relações entre capital e trabalho e modificando as relações entre as nações.

Desde a segunda guerra mundial até o início dos anos 1990, o grande confronto econômico, político e geopolítico era entre os Estados Unidos da América (EUA) versus a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), este conflito moldou a sociedade global, gerando inimizades, enfrentamentos militares, conflitos culturais e uma verdadeira máquina de violências, marcadas por inverdades e cancelamentos recíprocos.

Neste período os Estados Unidos construíram uma imensa estrutura econômica e produtiva, baseada em fortes investimentos em pesquisa, ciência e tecnologia, que impulsionaram os setores produtivos, financiados por fortes subsídios fiscais e financeiros, levando os norte-americanos a controlarem quase toda a sociedade global, exportando seus valores, controlando as questões monetárias, dominando os aspectos ideológicos e exportando para todas as regiões seu complexo industrial-militar, que integravam as forças armadas, a indústria de defesa e os formuladores de políticas públicas.

Os Estados Unidos foram os grandes responsáveis pela consolidação de um mundo centrado em regras, crescimento das trocas entre os países, com instituições internacionais consolidadas, investimentos externos diretos, recursos abundantes em ciência e tecnologia e organização produtiva, além de previsibilidade, credibilidade e uma grande estabilidade que impulsionaram a sociedade global, além de uma moeda estável, o dólar, responsável pela estabilização monetária mundial, com isso, a economia global cresceu, promovendo melhorias nas condições de vida da população.

Atualmente, percebemos novos confrontos geopolíticos em curso na sociedade global, a URSS se desintegrou, a Europa se perde em suas mazelas crescentes e, percebemos uma grande ameaça da manutenção do poderio norte-americano, a ascensão da China, seu desenvolvimento tecnológico e seu potencial exportador, ameaça a dominação global dos Estados Unidos, inaugurando um momento único para a sociedade global, onde os movimentos geopolíticos estão em transformações, disputas econômicas e produtivas ganham relevância e o sucesso anterior pode não ser suficiente para garantir avanços substanciais nos próximos anos.

Vivemos um momento de confronto secular entre Estados Unidos e China, tudo isso impacta sobre as políticas públicas e os acordos estratégicos das nações, moldando a sociedade global nos próximos anos, exigindo maturidade dos governantes para escolherem novos espaços que privilegiam a soberania nacional e a autonomia política, exigindo ainda contrapartidas econômicas sólidas e consistentes para participar ativamente do xadrez global, mostrando nossas inúmeras potencialidades, nossa capacidade de inovação e nosso espírito empreendedor, evitando escolhas equivocadas que caracterizaram a sociedade brasileira, escolhas estas que contribuíram, diretamente, para que construíssemos uma nação marcada pela desigualdade, pela exclusão e pela injustiça.

Estamos num momento estratégico para a sociedade brasileira, externamente. as nações se digladiam para novos espaços de poder do século XXI e, internamente, temos uma elite econômica e grupos políticos que querem manter e perpetuar seus privilégios, além de consolidar o sistema econômico dominante, mesmo sabendo que este modelo beneficia seu grupo, garantindo vantagens e aprofundando imensamente os interesses da maioria da população.

Ary Ramos da Silva Júnior, Bacharel de Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitário.

Economia Complexa

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A sociedade global vem percebendo grandes transformações no mundo do trabalho, onde ocupações tradicionais estão sendo destruídas, fragilizadas e reinventadas, exigindo dos setores produtivos novas habilidades, novos valores e novos comportamentos. Todas estas transformações estão revolucionando a relação entre capital e trabalho, gerando preocupações constantes, ansiedades, medos e transtornos variados.

Nesta sociedade, percebemos inúmeros questionamentos sobre o mundo do trabalho, desta forma, o trabalho vem sendo transformado muito rapidamente e essas transformações exigem mais qualificação e mais capacitação dos trabalhadores, o que demanda fortes investimentos sociais e políticas públicas em prol do trabalho, sob pena de serem alijados do mercado de trabalho e, sem salário, sem renda, sem esperanças e sem perspectivas, desta forma, muitos tendem a se albergar nas marquises dos espaços urbanos, aumentando o contingente de moradores de ruas, elevando a violência e a exclusão social.

Neste cenário, todas as nações que fizeram fortes investimentos em educação, priorizando os setores de ciência e de tecnologia colheram retornos excepcionais, com aumento, substancial, da complexidade econômica. Estes investimentos produtivos criaram as condições para melhorar o perfil de suas economias, industrializando seus setores produtivos e garantindo retornos elevados na estrutura econômica, impulsionando empregos melhores, salários mais elevados e contribuindo para a melhora das condições de vida da população.

Alguns países fizeram investimentos elevados em educação e deixaram de lado uma estratégia mais efetiva de industrialização econômica, embora a indústria não consiga gerar mais empregos como em períodos anteriores, o incremento da complexidade econômica contribui para aumentar a produtividade da economia, produzindo produtos mais elaborados, exportando bens e serviços mais complexos e mais dinâmicos, além de garantir retornos monetários elevados.

As nações que se caracterizam por serem exportadores de produtos primários de baixo valor agregado tendem a se perpetuar nesta equação perigosa, demandam pouca mão-de-obra e absorvem poucos trabalhadores qualificados na estrutura produtiva, além de importarem tecnologias externas e pouco investem em inovação, desta forma, os trabalhadores mais qualificados, dotados de curso superior e mais capacitados, são empurrados para outras nações em busca de um emprego melhor ou são absorvidos pelas empresas de aplicativos e se transformam em motoristas, sendo explorados, recebendo salários degradantes, fortemente endividados, sem direitos sociais, sem proteção previdenciária e sem perspectivas futuras, criando uma legião de trabalhadores desesperançados e, ao relatar sua história, contribuem negativamente para que milhões de estudantes abandonem as escolas e os estudos, sobrevivendo sem horizontes e, muitas vezes, como verdadeiros analfabetos funcionais.

Aumentar a complexidade da economia nacional demanda uma sólida estratégia de desenvolvimento e uma grande maturidade institucional, o investimento em capital humano é imprescindível, atrair os setores produtivos para a construção de uma transformação estrutural da economia é fundamental, reduzir o poder dos grupos econômicos e políticos que ganham com essa situação de subserviência e de desesperança que vivenciamos atualmente, além de atrair as universidades e as faculdades na construção de uma mão-de-obra capacitada e consciente dos desafios contemporâneos, evitando excesso de profissionais despreparados e estimularem setores centrais para a economia do conhecimento. Num momento de grande desenvolvimento tecnológico, de grandes alterações do mundo do trabalho e de grandes transformações geopolíticos, a indústria deve ser fortalecida e impulsionada, sem ela, continuamos importando tecnologias, seguindo cartilhas que perpetuam o subdesenvolvimento e impedem nosso potencial na construção de uma economia complexa.

Ary Ramos da Silva Júnior, Bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e Professor Universitário.

Corrupção e Subdesenvolvimento

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Todos os povos e todas as civilizações sempre sonharam com o desenvolvimento econômico, com seus impactos sociais positivos para a comunidade, melhoras substanciais na qualidade de vida, oportunidades crescentes para todos os cidadãos, serviços públicos e privados desenvolvidos e bem-estar para toda a sociedade. Para que o desenvolvimento se efetive é fundamental uma maturidade social e institucional, regras sólidas e consistentes e um sistema baseado em planejamentos constantes, tudo isso pode impedir que o sonho do desenvolvimento se transforme em um verdadeiro pesadelo.

No caso brasileiro, os cidadãos sonham com este desenvolvimento econômico e seus benefícios coletivos e, percebemos constantemente, impasses que nos mantem em situação econômico e social preocupante, dentre elas, destacamos as questões relacionadas a corrupção, que impactam negativamente sobre o desenvolvimento econômico, limitam a alocação de recursos produtivos escassos, reduzindo o crescimento e o dinamismo econômico, fragilizando os agentes governamentais e impactando negativamente os investimentos produtivos, além de limitar a inovação e o empreendedorismo.

Neste cenário, percebemos que países como o Brasil apresentam indicadores elevados de corrupção, apresentando arcabouços legais frágeis, menor renda, pior educação e baixa capacidade estatal —fatores que, por si só, reduzem o crescimento econômico, diminuindo as potencialidades e perpetuando uma condição degradante da sociedade. A corrupção impacta fortemente no desenvolvimento econômico brasileiro, exigindo que o combate a corrupção se torne uma das maiores prioridades, exigindo atitudes consistentes de todos os setores da comunidade e conscientizando a sociedade sobre os males da corrupção para as condições de vida da população.

No decorrer da história brasileira, encontramos casos escandalosos de corrupção que limitaram o crescimento econômico e contribuíram ativamente para variados desequilíbrios políticos e limitaram as potencialidades econômicas nacionais. Muitos acreditavam que a corrupção era um instrumento positivo para contornar as inúmeras burocracias que sempre caracterizaram a sociedade brasileira. De outro lado, alguns especialistas acreditam que a corrupção afeta fortemente a alocação de recursos, favorecendo empresas pouco produtivas e, muitas organizações passaram a investir mais em angariar benefícios políticos e econômicos imediatos ao contrário de focar no incremento de produtividade.

A corrupção acontece em todas as esferas da sociedade brasileira, nos setores públicos e, também, dos setores privados, cujos impactos são violentos para a sociedade brasileira, aumentando os custos dos investimentos produtivos, degradando os serviços e perpetuando uma verdadeira erosão social, onde uma pequena parte da sociedade vive de forma nababesca, centrada em luxos e desperdícios e uma grande parte sobrevive em condições degradantes, cercada pela pobreza e pela indignidade.

Neste ambiente de degradação dos serviços públicos, como vivemos cotidianamente, serviços estes descritos como ineficientes, caros e desnecessários, onde muitos defendem que a solução para acabar com a corrupção está na retirada das esferas públicas e o repasse para os setores privados, mais eficientes, menos dispendiosos e mais produtivos, será mesmo essa solução?

Muitos países desenvolvidos embarcaram neste discurso ideológico nos anos 1990, diminuíram o papel do Estado e passaram a exaltar o poder do mercado, privatizaram, desnacionalizaram e desregularam, acreditando que estavam fazendo as escolhas corretas. Atualmente, muitas nações estão voltando atrás, reestatizando empresas, retomando a regulação de setores estratégicos e aqui, no Brasil, estamos ensaiando, mais uma vez, vender patrimônio público a preços módicos, acreditando que somos modernos e, na verdade, somos entreguistas e verdadeiros dinossauros.
Ary Ramos da Silva Júnior, Bacharel em Ciências Econômicas, Mestre, Doutor em Sociologia.

Novo Livro

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O livro Reflexões Espíritas: Análises e pensamentos num mundo em transformação faz parte de alguns escritos do autor no decorrer de décadas de estudos e conversações referentes a Doutrina Espírita, onde a obra aborda assuntos relacionados as questões contemporâneas que preocupam imensamente a sociedade, onde destacamos as questões econômicas e produtivas, o crescimento da tecnologia, os impactos da transição planetária, as mudanças no mundo do trabalho, o incremento de casos de suicídio, além de abordar assuntos referentes ao aumento da ansiedade, da depressões, dos transtornos e das preocupações constantes do mundo atual, os desafios crescentes, os medos invisíveis e as oportunidades que surgem neste momento de grandes transformações estruturais.

O livro Reflexões Espíritas: Análises e pensamentos num mundo em transformação reúne variados artigos referentes a assuntos atuais e contemporâneos que podem ser lidos de forma independente, onde encontramos reflexões das grandes transformações da sociedade e seus impactos sobre os indivíduos, as famílias e as comunidades em geral. Nesta sociedade, percebemos mudanças estruturais em todas as áreas e setores, valores consolidados anteriormente estão sendo colocados em xeque, mudanças no mundo do trabalho, exigindo movimentações crescentes e, ao mesmo tempo, percebemos o incremento do chamado individualismo, o imediatismo, o hedonismo e a busca crescente por prazeres imediatos, levando os seres humanos a se afastarem de valores espirituais, valorizando as conquistas materiais, a acumulação e as sensações de prazer e de enriquecimento, deixando de lado os valores imateriais.

O desenvolvimento da ciência nas últimas décadas está transformando as relações sociais, alterando modelos econômicos, criando novas formas políticas e impondo novos valores cotidianos, exigindo uma modificação estrutural na sociedade, colocando no centro da sociedade uma nova forma de convivência social, onde as famílias estão sendo transformadas, gerando constrangimentos e, ao mesmo tempo, novos desafios, afinal, sabemos que a família é o mais nobre espaço de convivência social da comunidade, sem família os indivíduos perdem a bússola da convivência social.

A obra Reflexões Espíritas: Análises e pensamentos num mundo em transformação fala sobre questões relacionadas a economia contemporânea, destacando que estamos vivendo um modelo econômico que impõe aos indivíduos desafios gigantescos, a Ciência Econômica, em sua raiz, foi constituída para ser a ciência da escassez, ou seja, surge como espaço para administrar recursos naturais limitados existentes na natureza e compatibilizar as demandas ilimitadas dos seres humanos, um desafio elevado e exige produtividade crescente, bom senso, solidariedade e discernimento para dividirmos os recursos escassos disponíveis na sociedade mundial. Nas últimas décadas, percebemos que as Ciências Econômicas passaram a ser administradas com o intuito da maximização dos ganhos monetários, garantindo escalas crescentes de lucro para pouco e uma verdadeira penúria para uma grande parte da população, isso denota que as Ciências Econômicos passaram a ser refém dos interesses dos donos do mundo, gerando uma sociedade, em escala global, marcada por desigualdades crescentes, com aumento da violência, degradação do Meio Ambiente e uma verdadeira polarização política, como presenciamos no mundo contemporâneo.

O livro mostra ainda que vivenciamos uma verdadeira transição planetária, onde o nosso Planeta Terra está caminhando, a passos largos, para sairmos de um mundo de provas e expiações e se transformando num mundo de regeneração, onde os valores tendem a ser diferentes, os interesses dos indivíduos serão alterados e os desafios passarão a ser diferenciados, uma verdadeira transformação em curso no Planeta Terra.

O livro Reflexões Espíritas: Análises e pensamentos num mundo em transformação tem como intuito trazer aos espíritas novos horizontes de reflexões, sabemos que a Doutrina dos Espíritos nos auxilia a compreender os grandes desafios da sociedade contemporânea, trazendo obras doutrinárias de vulto, autores espíritas e mensagens edificantes, vislumbrando uma nova sociedade, menos conflituosa, mais estudiosa, reduzindo as radicalidades e contribuindo ativamente para este momento de transição planetária.

Abraços!!

Multilateralismo

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A sociedade internacional criou, no período posterior da pós-segunda guerra mundial, as bases do chamado multilateralismo, neste ambiente foram criadas inúmeras instituições multilaterais, neste cenário foram construídas regras de convivência e tolerância entre as nações, definindo fronteiras entre os países, reduzindo os conflitos militares, construindo novos espaços de recuperação econômica e o tão desejado desenvolvimento econômico.

Depois de mais de 60 milhões de mortos na segunda guerra mundial, as nações acreditavam que eram necessárias, para evitar novos conflitos militares, a construção de uma nova estrutura institucional, neste momento foram criadas instituições como Organização das Nações Unidas (ONU), Acordo Geral de Tarifas e Comércio (GATT), posteriormente substituída pela Organização Mundial de Comércio (OMC), Banco Mundial, Fundo Monetário Internacional (FMI) e inúmeras outras instituições vinculadas a estas agências multilaterais, tais como Organização Mundial de Saúde (OMS), Unicef, Unesco, FAO, dentre outras.

Este modelo de organização institucional foi, relativamente, bem sucedido, evitando a tão temida terceira guerra mundial, preocupação de todos os povos, a economia internacional entrou num momento de grande crescimento econômico, os setores produtivos passaram a se integrar rapidamente, surgiram novos produtos e novas mercadorias, novos modelos produtivos substituíram o consolidado modelo fordista e taylorista, inaugurando novos espaços de desenvolvimento econômico e melhorias substanciais para a população.

Neste período, os conflitos militares continuaram, como sempre, mas estes confrontos eram localizados em algumas regiões do mundo, conflitos fronteiriços, guerras regionais e questões culturais milenares. Importante destacar ainda que, neste momento, o mundo sentiu na pele a chamada Guerra Fria, conflito entre os Estados Unidos e União Soviética, responsável por afrontas constantes, discursos calorosos e ameaças permanentes, mesmo assim, o arranjo institucional, criado no pós-guerra, teve êxito para evitar um confronto militar fratricida entre potências nucleares que poderiam destruir a civilização.

Nos últimos anos, percebemos que o arcabouço institucional criado depois da segundo guerra mundial vem se fragilizando cotidianamente, os acordos internacionais vem sendo rompidos, as invasões militares estão crescendo, a soberania das nações está sendo desrespeitada, as agressões verbais entre autoridades estão aumentando e o multilateralismo vem perdendo espaço na agenda internacional, levando a sociedade a um escalada perigosa e assustadora, impulsionando incertezas, volatilidades e instabilidades que, prejudicam o funcionamento da economia mundial e impacta fortemente sobre os setores produtivos.

A Organização das Nações Unidas (ONU) vem perdendo espaço, a Organização Mundial de Comércio (OMC) foi escanteada, acordos globais assinados pelas nações, como aqueles relacionados a defesa do meio ambiente e dos direihumanos estão sendo abandonados e, ao mesmo tempo, as tensões militares crescem de forma acelerada e o medo e o desespero aumentam rapidamente, gerando ansiedades, violências e ressentimentos.

Neste momento, percebemos preocupações constantes em todas as regiões globais, o discurso do primeiro-ministro do Canadá Mark Carney, no Fórum Econômico Mundial, foi inspirador e preocupante, afinal ele nos mostra, claramente, que a “ordem baseada em regras” acabou, embora todos saibamos que esta ordem sempre priorizou os interesses do Império, neste momento a hipocrisia acabou e o verniz moral ficou para trás.

Anteriormente, era preciso utilizar o idioma da “democracia”, da “liberdade”, das “regras”, da “responsabilidade”. No mundo contemporâneo, o Trumpismo deixa claro, “manda quem pode, obedece quem precisa. E não pede desculpas. Ao contrário: exibe a brutalidade como virtude”.

Ary Ramos da Silva Júnior, Bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitário.

Mundo conturbado

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Neste espaço buscamos refletir sobre questões econômicas, sociais, políticas e culturais com o intuito de compreendermos os grandes desafios da sociedade contemporânea, ainda mais, quando percebemos que o mundo passa por momentos de grandes incertezas e de fortes instabilidades, novas tecnologias que podem gerar graves constrangimentos para o mundo do trabalho, alterações climáticas que podem modificar regiões e estruturas produtivas, conflitos militares que podem se espalhar para outras nações, tudo isso está afetando empresas, setores produtivos e os indivíduos.

O ano de 2026, nos traz grandes preocupações e receios em todas as regiões mundiais, invasões na América Latina, violências populares em ascensão no Irã, rusgas crescentes nas relações conflituosas entre as Coreias, ensaios militares nas cercanias entre China e Taiwan, confrontos nas fronteiras das nações, incremento da guerra Ucrânia e Rússia, aumento do imperialismo e do intervencionismo, agitações de produtores rurais na França contra o Acordo Mercosul/União Europeia, além das manifestações populares nos Estados Unidos, dentre outras, tudo evidenciando um momento de grandes incertezas e alterações geopolíticas que impactam em todas as regiões do globo.

Vivemos numa sociedade marcada por inúmeros conflitos econômicos e políticos que podem impulsionar variados confrontos militares, que estão levando os governos a reduzirem seus recursos orçamentários para atenderem os grupos mais fragilizados de sua população e, em contrapartida, estes mesmos governos estão aumentando os aportes monetários para os setores militares e para a indústria bélica, inflacionando os preços das ações de empresas de tecnologias ligadas a defesa e a indústria da guerra.

Estamos presenciando governos intervencionistas e Estados imperialistas a demostrarem seus poderes militar e bélico, espalhando os seus tentáculos de dominação para todas as regiões, intervindo fortemente em algumas nações, supostamente para defenderem a democracia, criando protetorados e dominando suas riquezas naturais e ameaçando outros países de uma possível intervenção militar, rasgando acordos assinados anteriormente, ridicularizando instituições multilaterais e mostrando que as leis estão sendo substituídas por um novo marco institucional, centrado na lei do mais forte, um verdadeiro retrocesso civilizacional.

Anteriormente, as intervenções eram motivadas pela posse dos recursos naturais, os produtos primários, notadamente alimentos, minerais e petróleo, na linguagem econômica estamos falando das chamadas commodities. Na contemporaneidade, os conflitos militares apresentam características parecidas, embora os recursos minerais estejam no radar das nações desenvolvidas, percebemos que os focos estão nas chamadas terras raras, minerais fundamentais para o desenvolvimento dos setores de tecnologia e também nas fontes de energias renováveis, as nações que não os possuem vão buscar nos países mais ricos destes minerais e suas energias sustentáveis, afinal, estes produtos são fundamentais para o crescimento e a consolidação econômica.

Na busca por estes produtos fundamentais para a economia do século XXI, muitos governos estão intervindo em outras nações, novamente, e de forma descarada, boicotando outras economias, financiando movimentos oposicionistas, pressionando governos, impondo tarifas elevadas e investindo fortemente na chamada guerra cultural para gerar desestabilização interna.

Historicamente, nações dependentes de produtos primários tiveram elites predatórias, que sempre atuaram como sócios menores de governos estrangeiros, garantindo seus lucros marginais e, com isso, entregavam suas nações para grupos externos. Tudo se mantém como anteriormente, desta forma, conseguimos entender que nosso subdesenvolvimento não é apenas econômico e político, mas antes disso, nosso subdesenvolvimento é moral e, principalmente, intelectual.

Ary Ramos da Silva Júnior, Bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e Professor Universitário.

Intervenções militares

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O ano de 2026 começou com grandes inquietações na sociedade internacional, a intervenção militar dos Estados Unidos na América Latina gerou instabilidades na economia internacional, impactando sobre o direito internacional, gerando incertezas em todas as regiões do mundo, depois da Venezuela qual nação será atacada militarmente pelo todo poderoso governo norte-americano? Alguns comentaristas e especialistas fazem apostas de que a próxima nação na mira norte-americana será a Groenlândia, outros acreditam que será Cuba e outros especialistas ainda fazem as apostas no México, na Colômbia e até mesmo o Irã.

Difícil responder esta questão, mas ao mesmo tempo, percebemos que as regras internacionais foram destruídas, reinando a lei da força, com isso, vamos viver, mais intensamente uma grande escalada militar, com aumentos gigantescos nos setores bélicos que podem levar os governos nacionais a reduzirem os dispêndios em políticas públicas para os grupos mais fragilizados das sociedades, impulsionando os desequilíbrios sociais e, para resolver essa situação, o remédio é mais repressão, mais violências internas e mais liberalização do porte de armas.

Vivemos numa sociedade global marcada pela escalada da violência militar generalizada, onde as regras multilaterais, construídas no pós-segunda guerra mundial (1945), estão sendo devastadas rapidamente, organismos multilaterais criados para melhorar a convivência entre as nações perderam espaço no cenário global. A Organização da Nações Unidas (ONU) perdeu relevância, a Organização Mundial do Comércio (OMC) se fragilizou e perdeu espaço no comércio internacional, acordos internacionais foram abandonados, desta forma, estamos caminhando a passos largos para um mundo sem regras, ou melhor, as regras serão definidas para as nações que tiverem poder para impor seus interesses militares imediatos, ao contrário, as outras nações, frágeis militarmente e dependentes tecnologicamente, se restringiriam a serem verdadeiros vassalos.

As intervenções militares impactam sobre toda a sociedade global, neste momento, os especialistas em geopolítica denunciam que, na contemporaneidade, o mundo apresenta mais de 130 conflitos militares, um número preocupante que impacta sobre todas as regiões do mundo, aumentando as imigrações, devastando a economia local, impulsionando os confrontos culturais e xenofobias.

Um estudo conduzido e publicado por especialistas da Universidade Estadual de Bridgewater (Massachusetts/Estados Unidos), no período entre 1776 e 2019, com grande concentração após a Guerra Fria, identificaram quase 400 intervenções militares (incluindo operações menores) dos Estados Unidos no mundo, corroborando que a intervenção atual norte-americana na América Latina e as ameaças em todas as regiões podem reviver tristes memórias de conflitos fratricidas, destruições generalizadas e violências políticas.

Ao rever a história e refletirmos sobre as intervenções militares dos Estados Unidos, precisamos evitar comentários favoráveis e apaixonados, acreditando que a intervenção militar tenderá a gerar liberdades e democracias nas nações invadidas, ainda é muito cedo e precisamos estudar e refletir sobre os impactos mais estruturados, vale a pena lembrar os casos do Iraque e Afeganistão, será que a intervenção norte-americana trouxe alívios e crescimento econômico para estes países?

No começo do século XX os povos invadidos foram os iraquianos e os afegãos, atualmente os venezuelanos estão na berlinda, quem será o próximo? Esperamos que nosso país não esteja na mira dos norte-americanos, afinal muitos indivíduos que apoiaram a invasão podem sentir na pele a violência gerada pelos invasores.

Ary Ramos da Silva Júnior, Bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e Professor Universitário.

Caos nacional

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Este artigo está sendo escrito no último dia de 2025, um ano de grandes alterações no cenário global, incremento dos conflitos econômicos entre nações, aumento dos confrontos militares em todas as regiões do globo e expectativas sobre o comportamento da economia brasileira, uns grupos apostando fortemente no caos generalizado, inflação em ascensão, aumento do desemprego, degradação da renda nacional, diminuição dos investimentos estrangeiros e uma devastação econômica. Será que essas previsões se concretizaram?

Depois de dois anos de crescimento econômico na casa dos 3% ao ano, 2023 e 2024, as expectativas dos grupos oposicionistas eram de uma retração econômica, neste ano de 2025 devemos confirmar um crescimento do produto interno bruto na casa dos 2,2%, garantindo um triênio de crescimento satisfatório, ainda mais numa sociedade internacional marcada por grandes instabilidades econômicas e variados conflitos políticos, gerando incertezas crescentes e vários conflitos militares que podem se espalhar para outras nações e culminar em conflitos generalizados.

Os dados econômicos nacionais deste ano são auspiciosos, apesar das taxas de juros escorchantes adotadas pela Autoridade Monetária, Banco Central, na casa dos 15% ao ano, o país conseguiu algum fôlego no crescimento econômico, melhorando substancialmente os indicadores sociais, com redução da pobreza extrema, aumento no emprego e, em contrapartida, redução do desemprego, além do incremento da renda nacional e a redução da inflação, tudo isso contribuiu, ativamente, para a movimentação econômica, que impulsionaram o consumo e a renda agregada.

Ao analisarmos os indicadores macroeconômicos, o contraste entre a expectativa e a realidade é notável. A projeção inicial deste ano da inflação (IPCA) era de 5,8%, mas o resultado efetivo deve fechar o ano de 2025 em 4,32%, abaixo das inúmeras previsões do mercado. Essa reversão demonstra um controle de preços mais eficaz do que o previsto, mesmo sabendo que as taxas de juros praticadas inviabilizam um crescimento mais consistente.

Outro indicador macroeconômico que mostrou grande resiliência da economia brasileira foi o Investimento Estrangeiro Direto (IEDs), ainda mais num ambiente externo marcado por grandes instabilidades, tarifaços, protecionismos e intervencionismos crescentes. Em 2024, o Brasil recebeu mais de US$ 74 bilhões de recursos externos e, em 2025, as estimativas mostram mais de US$ 84 bilhões, mostrando condições externas positivas e pujantes, além de mostrarem que a diversificação externa pode gerar grandes espaços de crescimentos econômico e comercial.

Recentemente, o relatório da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura) confirmou que menos de 2,5% da população brasileira estava em situação de subalimentação grave, resultado de políticas públicas focadas em combate à fome e insegurança alimentar, uma grande conquista da população brasileira e nos mostram que políticas públicas e sociais bem estruturadas e bem desenhadas podem gerar grandes benefícios para a sociedade.

Os indicadores macroeconômicos nos mostram avanços substanciais para a economia nacional, sabemos que os desafios macroeconômicos são gigantescos, nossa estrutura produtiva ainda carece de complexidade econômica, os empregos nacionais pagam salários reduzidos, a produtividade do trabalho é limitada, a estrutura tributária apresenta grandes distorções históricas, ricos pagam poucos impostos e a carga tributária se concentra na classe média e nos grupos mais precarizados. Os avanços são positivos, tímidos e poderiam ser maiores se os grupos políticos e econômicos se interessassem em defender os interesses da maioria e deixar de lado seus próprios interesses imediatos.

Ary Ramos da Silva Júnior, Bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitário.

Estado e Mercado

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Vivemos momentos interessantes, marcados por grandes rupturas e contradições, onde os agentes econômicos e produtivos se organizam para competir num ambiente centrado na competição e na concorrência, onde os mais capacitados sobrevivem, ganham musculatura, em detrimento daqueles que não conseguem aumentar sua capacidade produtiva e sua eficiência, ficando para trás literalmente, reestruturando suas estratégias de mercado, investindo mais em tecnologias e passando a criar novos instrumentos de sobrevivência.

Dentre as grandes transformações na sociedade global, destacamos as modificações no ambiente ideológico, uns grupos defendendo cabalmente a concorrência como instrumento de consolidação dos atores econômicos, por estas teorias as intervenções estatais eram vistas como desnecessárias, aumentariam os custos de oportunidades e gerariam novos constrangimentos na estrutura econômica, deixando de lado a criação de riquezas materiais e protegeriam os setores mais ineficientes da estrutura produtiva.

Os defensores dos méritos dos mercados desregulados defendiam a competição constante, a concorrência continuada traria grandes vantagens para os sistemas econômico e produtivo, os grandes defensores destas ideias eram os países ocidentais, notadamente a Inglaterra e os Estados Unidos, que espalharam para todos os poros da economia mundial as vantagens da competição constante, espalhando as ideias para as melhores universidades estrangeiras, criando e inaugurando institutos de pesquisas renomados e investindo milhões de dólares na formação de várias gerações de economistas, jornalistas, gestores, sociólogos e cientistas políticos para defenderem seus ideários, seus valores e seus interesses.

Do outro lado, encontramos defensores de ideias progressistas que defendiam a intervenção do Estado Nacional, acreditando que a atuação estatal seria fundamental para evitar as falhas do mercado, defendendo uma maior fiscalização dos excessos dos capitalistas e criando espaços para reduzir as desigualdades sociais criadas pelos mercados, garantindo oportunidades para todos os setores da comunidade, privilegiando os mais precarizados da sociedade, afinal, percebemos que vivemos numa das nações mais desiguais da comunidade internacional.

Estas teorias defendiam políticas públicas progressistas, defendendo protecionismo para os setores produtivos e investimentos governamentais para melhorar a convivência entre capital e trabalho, trazendo uma nova pauta para as discussões sociais e políticas, tais como mais investimentos em educação e em capital humano, maiores investimentos em escolas, ensino técnico e universidades e mais políticas públicas visando os interesses coletivos, além de defenderem maior tributação para os grupos mais privilegiados da sociedade, diminuição das isenções fiscais e tributárias, pautas rechaçadas pelos detentores do capital, que sempre pregaram e defenderam suas isenções fiscais que sempre garantiram seus interesses imediatos.

Neste momento, percebemos uma mudança substancial nas discussões na sociedade global, nações ocidentais ricas e desenvolvidas, além de industrializadas, passaram a defender mais protecionismos econômico e comercial, menor concorrência no ambiente produtivo internacional e, em contrapartida, nações anteriormente vistas como pobres e miseráveis, passaram a defender e estimular maior competição no comércio internacional. Países que rechaçavam a atuação dos governos nacionais e defendiam a concorrência global agora, clamam para a intervenção dos seus governos, pressionando seus governantes para defenderem seus interesses econômicos e produtivos, aceitando e estimulando a atuação militar e o uso da força bélica, como estamos vivenciando no ambiente global contemporâneo.

O mundo passa por grandes transformações estruturais, as ideologias estão em constantes movimentações, anteriormente as propostas eram ideológicas e coerentes, atualmente os interesses são puramente econômicos, neste cenário os escrúpulos inexistem, tudo se transformou em verdadeiros negócios, apenas…

Ary Ramos da Silva Júnior, Bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e Professor Universitário.

Novos Protecionismos

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A economia internacional vem vivendo momentos de grandes transformações, os novos modelos econômicos estão alterando toda a estrutura produtiva, exigindo novos comportamentos, levando os governos a adotarem novas posturas para fortalecerem suas estruturas produtivas, protegendo seus empregos e defendendo seus interesses nacionais. Neste cenário, percebemos o crescimento do protecionismo, que cresce em todas as regiões do globo, gerando um verdadeiro desafio para os governos e os setores produtivos, levando grupos econômicos, que anteriormente criticavam a proteção estatal, a abraçarem e defender as políticas francamente protecionistas.

Poucas décadas atrás os agentes econômicos defendiam o processo de globalização como algo inevitável, levando os governos nacionais a abrirem suas estruturas econômicas e produtivas para atraírem novos atores externos como forma de sobrevivência, desta forma, nos anos 1990 foram marcados pela desnacionalização, abertura econômica e a privatização de empresas nacionais, acreditando que, com a venda de ativos governamentais, os novos proprietários impulsionariam o processo de desenvolvimento econômico, um grave equívoco, alienamos setores estratégicos, atraímos grandes conglomerados estrangeiros e passamos a aumentar a nossa dependência externa, desta forma, estamos pagando fortunas para acessar tecnologias estrangeiras.

A globalização estimulava fortemente a abertura econômica, a competição e a livre concorrência, motivadas pelo receituário neoliberal defendido pelas nações ocidentais que levaram seus setores produtivos a uma verdadeira encruzilhada, suas ideias não trouxeram os resultados esperados, ao contrário, na prática, os grandes ganhadores da era da globalização foram as nações asiáticas, notadamente a China, Coréia do Sul, dentre outras, que rechaçaram o receituário neoliberal e adotaram políticas muito diferentes, defendendo empresas nacionais, fortalecendo o papel do Estado Nacional como indutor do desenvolvimento e rechaçaram a entrada do capital estrangeiro especulativo, desta forma, as nações asiáticas foram as grandes ganhadoras da era da globalização e as nações desenvolvidas ocidentais que defendiam o pensamento liberal, perderam espaço no setor produtivo global, muitas delas sentem na pele uma forte desindustrialização precoce, que impacta na competitividade de suas estruturas produtivas.

Neste cenário, percebemos o incremento do protecionismo nas nações ocidentais, anteriormente defensoras da livre concorrência e da abertura econômica, agora buscam, notadamente o refúgio em ideias e pensamentos protecionistas e mercantilistas que rechaçavam anteriormente e, hipocritamente, passaram a adotar como forma de proteção de suas estruturas produtivas. Neste momento, percebemos o crescimento do fulgor protecionista norte-americano, buscando, abertamente, mostrar para a sociedade internacional o “America First”, gerando constrangimentos ideológicos, conflitos com outras nações e podendo levar a sociedade global a uma nova guerra.

Vivemos momentos de apreensão e instabilidades no cenário internacional, o protecionismo impacta sobre as estruturas econômica e produtiva gerando inimizades entre os povos e as nações, onde cada país busca seus interesses imediatos, seus ganhos monetários e financeiros, ativando ódios e ressentimentos, além de conflitos diplomáticos e agressões verbais, anteriormente esses conflitos levavam as nações a conversas e acordos mundiais para evitarem constrangimentos maiores, na atualidade, estes espaços de conversação e de discussão civilizada perderam força, levando os governos a fortes investimentos militares e gastos bélicos, postergando as conversas e resolvendo tudo na força e na ignorância. Nestas incertezas crescentes que dominam a sociedade global a América Latina sempre esteve distante dos grandes conflitos bélicos e militares, agora, percebemos que com os novos protecionismos estamos no centro dos grandes conflitos internacionais, infelizmente!

Ary Ramos da Silva Júnior, Bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e Professor universitário.