Vivemos num momento de incertezas constantes, as guerras crescem de forma acelerada, o arcabouço institucional criado no pós-segunda guerra vem sendo devastado, a tecnologia ganha cada vez mais as rédeas da sociedade, as crises energéticas se espalham para a sociedade internacional, as lideranças mundiais mostram suas limitações para a compreensão dos desafios globais, o mundo do trabalho se transforma rapidamente e as condições sociais se degradam todos os dias, aumentando a fome e a indignidade humana, neste cenário de instabilidades crescentes, as perguntas crescem e as certezas estão cada vez mais reduzidas, gerando violências, caos e ressentimentos.
Neste ambiente global marcado pelos conflitos geopolíticos, onde os atores econômicos e produtivos se utilizam do poder e da influência dos governos nacionais para manter seus ganhos imediatos e aumentar seus instrumentos de acumulação, encontramos vestígios e esboço do grande conflito do século XXI, neste confronto percebemos o embate entre os Estados Unidos e a China, as duas maiores economias do mundo, detentoras das grandes capacidades produtivas industriais e forte influência política, seus poderes se espalham para todas as regiões da comunidade internacional.
Neste cenário, descrito anteriormente, as nações buscam espaços de sobrevivência e novos horizontes econômicos e produtivos, países produtores de produtores primários buscam se inserir no ambiente global, países que detém grande potencial no setor de serviços se mobilizam para se estruturar e angariar vantagens neste cenário de constantes transformações e os países industrializados buscam manter seus mercados e ampliar novos horizontes produtivos, ou seja, estamos vivendo uma verdadeira revolução global, onde cada nação vem se capacitando para sobreviver num cenário incerto, imediatista e fortemente concorrencial.
No caso brasileiro, percebemos grandes desafios estruturais, encontramos uma elite econômica imediatista, rentista e incapaz de pensar o país para as próximas décadas, seu horizonte de planejamento e de reflexão é sempre o agora, não investimos em educação porque demanda tempo e planejamento e colhemos uma população mal qualificada e pouco capacitada para compreendermos os grandes desafios da sociedade contemporânea.
Na nossa história econômica, percebemos uma nação explorada e dividida desde os primórdios da colonização, somos um país detentor de riquezas variadas, solos ricos e energia em abundância e, infelizmente, entregamos nossas riquezas naturais para melhorar as condições de vida de outros povos e de outras nações e nos “esquecemos” da desigualdade interna que somos os patrocinadores, olhamos para as outras nações com admiração e não conseguimos compreender que muitos destes recursos que patrocinaram as melhoras sociais de outros povos foram extraídas do nosso território, numa verdadeira história de pilhagem, escravidão e degradação humana.
Depois de séculos de espoliação, estamos em um momento de grandes transformações econômicas e produtivas globais, onde a história está nos dando uma nova oportunidade de desenvolvimento econômico. No mundo da tecnologia, da inteligência artificial, dos algoritmos, da robotização e das big techs, temos um instrumento valoroso para nossa ascensão econômica, afinal somos detentores de mais de 25% das terras raras do mundo, minérios estratégicos que dominam a economia global. Neste cenário,precisamos ter sabedoria para utilizarmos estes minérios para a melhora constante da sociedade brasileira e nos afastar daqueles que querem vender nossa soberania e se postam como patriotas, mas na verdade são hipócritas e entreguistas.
Ary Ramos da Silva Júnior, bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitário.

