Inteligência Artificial

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Nos últimos trinta anos a sociedade internacional passou por grandes transformações estruturais, com impactos generalizados para todas as nações, modificando comportamentos, alterando hábitos e inaugurando novos modelos de negócios, gerando desafios e oportunidades, além de causar calafrios, desesperos e medos crescentes.

Vivemos num mundo dominado pelas grandes tecnologias e pelo poder do capital financeiro, presenciamos cotidianamente o surgimento de máquinas e equipamentos sofisticados, que estão se espalhando para todas as regiões, diante disso, estamos percebendo o surgimento e a disseminação de novos conceitos, alterando o vocabulário dos indivíduos, conceitos como: robótica avançada, computação quântica, data-centers, criptomoedas, tokenização, computação das nuvens, impressão 3D, inteligência artificial, internet das coisas, algoritmos, dentre outras, estes novos conceitos estão aparecendo nas conversas cotidianas, nas discussões acadêmicas, nas matérias jornalísticas e nas redes sociais.

Todas estas tecnologias estão transformando a sociedade internacional, levando os indivíduos a se preocuparem com o futuro imediato, as pessoas estão com medo de se tornarem obsoletas rapidamente. As novas tecnologias estão transformando o mundo do trabalho, gerando novas ocupações, profissões surgem todos os dias e, muitas vezes, as atividades profissionais tradicionais estão sendo devastadas rapidamente e esquecidas pelas novas gerações, gerando um desemprego estrutural e uma verdadeira precarização do trabalho humano, gerando uma fábula da descartabilidade humana, contada e combatida pelos ludistas ingleses no decorrer do século XIX. 

Como definido pelo Gemini, a “Inteligência Artificial (IA) é um campo da ciência da computação dedicado ao desenvolvimento de sistemas e tecnologias capazes de realizar tarefas que, tradicionalmente, exigiriam a inteligência humana. Em termos práticos, em vez de seguirem apenas regras estritas e linhas de código estáticas, esses sistemas aprendem com dados, identificam padrões e tomam decisões de forma autônoma ou semi-autônoma”.

O incremento da Inteligência Artificial está se transformando em um dos grandes desafios para a comunidade internacional, encontramos variadas posições sobre o crescimento desta tecnologia. De um lado encontramos os catastrofistas, que acreditam que a Inteligência Artificial vai aumentar as destruições do emprego, fomentando novos conflitos sociais e as previsões são sombrias e preocupantes. De outro lado, encontramos os chamados entusiastas, que acreditam que esta tecnologia vai impulsionar o desenvolvimento da economia global, trazendo melhoras substanciais para a comunidade mundial, impactando a saúde e as políticas públicas, diminuindo os desperdícios e impulsionando as melhorias sociais.

Neste cenário marcado por dúvidas e discussões, é importante descartarmos as visões extremadas que pululam nos debates contemporâneos e estimularmos a compreensão dos verdadeiros potenciais da Inteligência Artificial, fortalecendo a regulação social desta nova tecnologia, impedindo a monopolização desta tecnologia nas mãos de poucos atores produtivos globais, evitando que os investimentos exagerados levem a construção de uma verdadeira bolha especulativa que pode gerar graves constrangimentos para toda a economia internacional, destruições de empregos, falências de empresas e obrigando a intervenção dos governos nacionais a socializar os prejuízos, gerando graves desfalques nos orçamentos públicos e salvando da bancarrota grupos dominantes que, com sua irracionalidade, levaram crises financeiras ao sistema, com a destruição de empregos e a degradação das condições de vida de milhões de indivíduos.

A tecnologia sempre gerou preocupação para os trabalhadores, anteriormente esta tecnologia impactava os trabalhadores pouco qualificados, agora, neste momento, a tecnologia está mirando os engravatados, os consultores e os bem remunerados do capital, neste ambiente, as preocupações com a saúde mental tendem a permanecer por muito tempo.

Ary Ramos da Silva Júnior, Bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitário.

Grandes transformações

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Nos últimos anos os indivíduos passaram a se perguntar constantemente sobre o que está acontecendo com a sociedade internacional, afinal são tantas e variadas transformações estruturais que as pessoas estão atônitas, perplexas e preocupadas com os rumos que a sociedade global está tomando, os modelos construídos anteriormente estão sendo transformados muito rapidamente, os valores estão sendo devastados, os relacionamentos estão sendo modificados, os comportamentos estão em constante alteração, criando preocupações constantes e medos variados, gerando um verdadeiro calafrio coletivo.

Neste espaço, gostaria de analisar quatro grandes transformações simultâneas que, em conjunto, representam uma ruptura maior do que qualquer geração enfrentou nos últimos séculos, gerando grandes preocupações estruturais na sociedade: a ascensão da inteligência artificial, a crise climática e a transição energética, o retorno da multipolaridade e o colapso demográfico.

A Inteligência Artificial está transformando todos os setores da sociedade, gerando alterações no conhecimento, reescrevendo as regras da economia , modificando a segurança nacional, gerando fortes instabilidades e incertezas no mundo do trabalho, criando inúmeros desafios e exigindo da sociedade contemporânea uma reestruturação educacional, melhorando seu capital humano e fortalecendo a pesquisa, a ciência e a tecnologia, sob pena de ficar para trás e criar graves constrangimentos para a sociedade, desemprego crescente, degradação das condições sociais e criando espaço para grandes revoluções sociais.

A crise climática e a transição energética estão criando uma preocupação na sociedade gerando momentos de incertezas e de instabilidades, o modelo energético constituído há mais de duzentos anos, intensivos em combustíveis fósseis, vem impactando fortemente sobre o planeta Terra, o aumento da temperatura está transformando regiões inteiras, criando devastações ambientais, aumentando as enchentes e degradando o solo, com impactos generalizados para a estrutura econômica e produtivo, afetando exportações e incrementando a pobreza e a miséria da população.

Destacando ainda, uma transformação geopolítica em curso na sociedade internacional, o mundo unilateral, centrado no poder unipessoal dos Estados Unidos vem perdendo espaço na sociedade internacional, está surgindo um novo mundo,  um mundo multipolar, onde os polos de poder não se concentram em apenas uma nação, vários países vem ganhando espaço na geopolítica mundial, onde destacamos a China, a Índia, a Rússia e outros atores que reafirmam a sua soberania, passando a rivalizar com o poderio norte-americano, gerando uma verdadeira transformação geopolítica, trazendo para o cenário global novas discussões, novos valores, novos desafios e novas reflexões.

Outro assunto muito discutido na sociedade contemporânea é o colapso da demografia, que está impactando quase todas as regiões do mundo, gerando preocupações crescentes para os países ricos e para as nações pobres, pois a queda da natalidade está impactando e vai gerar desastres crescentes sobre a previdência social dos países, além de gerar um verdadeiro calafrio sobre a saúde e o mercado de trabalho.

Neste ambiente de grandes incertezas e turbulências crescentes, as sociedades precisam construir uma verdadeira e extraordinária resiliência, instituições sólidas e adaptáveis às constantes movimentações, além de uma grande dose de liderança com visão de longo prazo e cidadãos capazes de tolerar incertezas sem ceder ao pânico ou ao populismo.

Ary Ramos da Silva Júnior, Bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitário.

Divisões constantes

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Vivemos momentos de grandes divisões na sociedade contemporânea, poucos assuntos criam consensos na sociedade atual, na grande maioria das conversas percebemos o incremento da intolerância, das agressões e das violências generalizadas, evitando debates importantes e, desta forma, postergamos decisões imprescindíveis e inadiáveis, com isso, percebemos a incapacidade de construirmos um projeto de país, vivemos na incerteza, na escuridão e desdenhamos decisões importantes num futuro imediato.

Ideias interessantes, discussões ricas e valorosas são deixadas de lado, as redes sociais, palco das discussões estéreis e desnecessárias, estimulam as violências crescentes e impedem uma discussão mais sólida e mais consistente, o que percebemos é o incremento da lacração, o crescimento das mentiras, das fake news e dos ressentimentos, espalhando medos, pavores e cancelamentos, deixando a impressão de que estamos numa nau sem rumo, sem horizontes, sem perspectivas e neste cenário, cada indivíduo defende seus interesses imediatos, criando um guerra de todos contra todos.

 Os setores políticos se digladiam abertamente, todos os dias, os poderes que foram construídos para fortalecer os laços da sociedade, criar um ambiente de respeito e harmonia, para estruturarmos uma sociedade marcada por regras, justiça e solidariedade. Ao contrário, percebemos uma guerra de todos contra todos, cada um observando seus interesses imediatos, cada poder usa seus instrumentos para garantir seus benefícios financeiros, seus penduricalhos, suas emendas parlamentares e suas indicações políticas, gerando uma verdadeira batalha campal entre os poderes da República, onde a sociedade, de forma geral, é o grande prejudicado, desta forma, estamos perpetuando um atraso institucional e aprimorando os privilégios que dominam a sociedade.

No setor produtivo este conflito cresce de forma acelerada, estimulando uma divisão estrutural na sociedade. Setores que demandam juros baixos, crédito abundante e ambiente salutar para o investimento produtivo, perdem espaço na sociedade e deixam de gerar empregos de qualidade e melhorar o bem-estar social da comunidade, em detrimento, percebemos o fortalecimento de setores que vampirizam as riquezas nacionais e crescem com taxas de juros estratosféricas, estimulando a agiotagem, as aplicações financeiras improdutivas, as empresas de bets e dos setores ligados asjogatinas desenfreadas, além das fintechs, muitas delas patrocinadas pelo crime organizado que atuam diretamente para lavar dinheiro, financiar corrupção e esconder falcatruas.

Numa sociedade marcada por grandes transformações como a contemporânea, onde a tecnologia está transformando todas as arestas sociais, redefinindo o futuro imediato, alterando os valores e devastando o mundo do trabalho, encontramos uma sociedade cindida, sem projeto para o futuro, onde os grupos se digladiam em busca de seus interesses privados, fugindo das discussões estruturais e naturalizando as agruras sociais que perpetuam nosso atraso histórico e desastre institucional.

Neste cenário, encontramos uma sociedade amorfa, uma elite agressiva e individualista, sem nacionalismo aparente, sem projeto de país e louca para leiloar a nação, entregando nossas riquezas naturais e vendendo todo o patrimônio público, esperando valores monetários suculentos, acreditando que, com este leilão será agraciada com recursos financeiros gigantescos e que possam garantir, apenas para seus grupos políticos, uma aposentadoria vultosa e garantida, mais uma vez, uma parceria estratégica com os donos do poder financeiro global, perpetuando uma condição desigual e recorrente,  que condena a sociedade a pobreza e ao eterno subdesenvolvimento.

Ary Ramos da Silva Júnior, Bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitário.

Ressentimentos

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O desenvolvimento tecnológico transformou estruturalmente a sociedade contemporânea, impactando os indivíduos, alterando os relacionamentos, modificando o mundo do trabalho, gerando novos instrumentos de estudo e de absorção do conhecimento, criando oportunidades, novos consumidores, novos modelos de negócios e inaugurando uma nova sociedade, marcada pela incerteza e pelo medo.

Nesta sociedade, dominada pelo desenvolvimento tecnológico, encontramos novos conflitos nas sociedades, a democracia, anteriormente, que era vista como o porto seguro para estabilizar os conflitos sociais, vem perdendo espaço em todas as regiões do mundo, abrindo caminho para modelos autoritários e violentos, aumentando seus defensores e difundindo seus ganhos sociais e, ao mesmo tempo, se esquecendo, de propósito, das agruras dos modelos autoritários.

 Nesta sociedade, encontramos o aumento substancial do ressentimento nos seres humanos, as transformações cotidianas, motivadas pelo desenvolvimento tecnológico e pelo poder do capital financeiro estão alterando os comportamentos pessoais, estimulando o individualismo e gerando uma desesperança generalizada, onde o futuro se torna, cada vez mais nebuloso, sombrio e fortemente assustador, aumentando os ressentimentos, incrementando a violência urbana e os medos cotidianos.

As mudanças em curso na sociedade estão transformando o mundo do trabalho, levando trabalhadores a perderem espaço nas organizações, os governos incentivam processos de enxugamento de funcionários e passam a exigir metas impossíveis de serem alcançadas, gerando instabilidades e incertezas crescentes que impactam negativamente sobre a produtividade dos profissionais, com isso, reduzem seus rendimentos e demitem estes indivíduos, criando desequilíbrios emocionais e passando a tachar estes profissionais de incompetentes.

Vivemos numa sociedade marcada pelo crescente ressentimento, indivíduos que trabalharam durante décadas acreditando que, com o envelhecimento físico, encontrariam espaços para o descanso e para a felicidade, se veem impactados por uma realidade sombria, onde seus parcos rendimentos servem apenas para bancar seus inúmeros remédios e, em muitos casos, para financiar empréstimos consignados para alimentar seus grupos familiares, gerando uma espiral crescente de ansiedade, medo e desesperança.

Vivemos numa sociedade onde todos os agentes do mercado financeiro e os donos dos conglomerados das mídias comerciais sabem, rapidamente, as causas das nossas mazelas sociais, recitando o discurso neoliberal e defendendo o Estado mínimo para melhorar as condições sociais, se tornando um mantra da contemporaneidade, a novidade é que, onde pessoas mais humildes, empobrecidas, degradadas e exploradas passam a defender as políticas que aumentam os rendimentos das elites financeiras e, pasmem, defendem o chicote que sempre foi utilizado para degradar a dignidade dos trabalhadores.

Nesta sociedade, os donos do poder criticam as políticas sociais e defendem o ajuste fiscal, desde que este ajuste impacte fortemente sobre o lombo dos trabalhadores. Se eximem de suas responsabilidades, pagando seus apaniguados para defender seus interesses e seus benefícios hereditários, evitando projetos que podem gerar prejuízos monetários e impedem a taxação de seus compadres e garantem suas isenções fiscais e tributárias, garantindo suas benesses que passam de pais para filhos.

Enquanto os grupos sociais mais privilegiados da sociedade brasileira, marcados pelos ganhos estratosféricos, isenções fiscais e pelos penduricalhos polpudos e generosos permanecerem, continuaremos construindo presídios, encarcerando cidadãos e subfinanciando as escolas, suprimindo direitos fundamentais e transformando os profissionais da educação em categorias degradadas e descartáveis, desta forma, nosso futuro será marcado pelo crescimento dos ressentimentos, dos medos e das desesperanças.

Ary Ramos da Silva Júnior, Bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitário.

Abertura, integração e instabilidades

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Nos últimos trinta anos a sociedade internacional passou por grandes transformações, com impactos generalizados em todas as regiões do mundo, impactando as estruturas econômicas e produtivas, gerando movimentações na comunidade, alterando por completo a lógica política, aumentando a exclusão social e transformando o comportamento humano. Todas estas transformações impactaram, fortemente, sobre os seres humanos, gerando individualismos crescentes, aumentando a competição, degradando a ética, gerando valores imediatistas e transformando tudo em mercadoria, com isso, vivemos numa sociedade que transforma tudo em produtos comercializáveis.

Neste período, percebemos que a economia global passou por grandes transformações, onde destacamos a inclusão de mais de 800 milhões de pessoas que viviam nos países asiáticos, indivíduos privados de produtos essenciais para a sobrevivência humana, cidadãos pobres e miseráveis que viviam em condições indignas, sem emprego, sem dignidade e sem perspectivas de sobrevivência decente e civilizada. Os ventos da globalização impactaram positivamente sobre as nações asiáticas, com isso, passamos a incluir este contingente de indivíduos através de políticas de emprego e fortes investimentos governamentais, centrados em políticas industriais e intervencionistas que privilegiaram os setores internos, além de grandes investimentos em pesquisa, ciência e tecnologia. Tudo isso contribuiu, imensamente, para estimular uma transformação estrutural, fortalecendo empresas nacionais, exportando produtos variados, desenvolvendo tecnologias e angariando espaços no mercado internacional, levando a China a dominar mais de 30% dos produtos industriais comercializados no mercado global, gerando crises nos setores industriais ocidentais e gerando calafrios nos governos de países desenvolvidos.

 A ascensão dos cidadãos asiáticos, até então pobres e miseráveis, transformou o cenário internacional e modificou a lógica política e geopolítica global, a classe média ocidental sentiu na pele e no bolso o crescimento dos mercados industriais orientais, notadamente chineses, que impactou a renda dos trabalhadores ocidentais, que perderam seus salários polpudos e sua estabilidade econômica, passando a conhecer a instabilidade produtiva e a desindustrialização, a redução dos salários monetários e passaram a perder o status quo acumulado desde a metade do século passado, passando a conviver com um forte crescimento da financeirização da economia, das incertezas crescentes, além da degradação da condição de vida da população e do medo dos imigrantes.

 Neste ambiente, percebemos o crescimento acelerado dos discursos de ódio, da segregação e de ressentimento, levando ao poder político um grupo de pessoas despreparadas, desqualificadas e motivadas por soluções mágicas e imediatistas, sem planejamento econômico, sem estratégia política concreta e, com isso, percebemos o crescimento de guerras fratricidas, invasões militares, estimulando a degradação das instituições multilaterais, aumentando, com isso, a insegurança global e levando ao incremento de investimentos na indústria bélica e da defesa, além de estimularem inimigos imaginários que culminam em violências crescentes, destruições de famílias e aumentando a desesperança global.

Vivemos numa sociedade marcada por uma distorção crescente, um modelo econômico e produtivo que, ao incluir um grupo crescente de uma parte de indivíduos miseráveis e marginalizados acabam gerando constrangimentos para outros grupos sociais e estimulando uma competição deletéria e degradante, gerando novos inimigos,  opositores, desafetos e adversários, essa sociedade deve ser vista como um fracasso civilizacional, ainda mais, quando sabemos que as revoluções geradas pela tecnologia e pela inteligência artificial estão criando, cada vez mais, milionários e bilionários, que vivem e convivem num verdadeiro mundo paralelo e distante de bilhões de pobres, de miseráveis e de desesperançados.

Ary Ramos da Silva Júnior, Bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitário.

Impactos econômicos da guerra

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Este espaço procura compreender os grandes desafios da sociedade contemporânea, as transformações tecnológicas, as alterações no mundo do trabalho, as mudanças econômicas, as movimentações políticas e geopolíticas, as desigualdades crescentes, os conflitos hegemônicos e os medos que dominam as sociedades e afugentam as esperanças futuras de vida melhor.

Todos sabemos que vivemos numa sociedade marcada por grandes desajustes estruturais, dotada de riquezas variadas, tecnologias de ponta e, ao mesmo tempo, vivemos, na contemporaneidade, o incremento da pobreza, da mendicância e da desigualdade, onde o país mais rico do mundo vive numa situação sui generis, onde quatrocentas pessoas detém recursos de mais de 150 milhões de norte-americanos, uma situação vergonhosa e preocupante, pouco vista pela comunidade internacional.

Nesta sociedade, percebemos os conflitos militares se espalhando para variadas regiões do globo, impactando sobre os preços relativos, afetando orçamentos familiares, postergando investimentos produtivos e aumentando a riqueza e o poder econômico de poucos em detrimento do aumento da pobreza de muitos, desta forma, assim caminha a nossa humanidade, estimulando e convivendo, lado a lado, a opulência e a miséria generalizada.

Neste momento, estamos vivendo um novo conflito militar no Oriente Médio, com impactos generalizados para a economia internacional, elevando os preços, tais como os combustíveis, os fertilizantes, a energia, a aviação, o turismo, os setores de seguros e logísticas, dentre outros, levando os preços a aumentos significativos e gerando impactos econômicos para os cidadãos, impactando a renda da população, reduzindo os rendimentos dos trabalhadores e gerando perspectivas futuras sombrias.

Os países europeus estão passando por momentos de grandes instabilidades, os preços da energia aumentaram rapidamente, sendo sentido imediatamente pelos cidadãos, fragilizando os setores industriais com contas elevadas e passaram a sentir, mais fortemente, a concorrência dos produtos asiáticos, levando organizações tradicionais a adotarem medidas de austeridade, reduzindo margens de lucros, dispensando milhares de trabalhadores e impactando sobre a renda agregada destas nações, gerando confrontos políticos e degradação das condições de vida da população.

Os impactos das instabilidades econômicas globais sobre a sociedade brasileira são variados, os consumidores sentem na pele o aumento dos preços na economia, queda da renda dos trabalhadores e a instabilidade dos mercados financeiros e, ao mesmo tempo, percebendo ganhos substanciais para o setor de petróleo e gás e dos especuladores de mercado, que ganham fortunas com as flutuações dos preços relativos.

Vivemos numa sociedade cada vez mais individualista e imediatista, marcada pelo crescimento da insanidade, onde governantes incompetentes e imediatistas adotam políticas equivocadas e agressivas e não se atentam para as consequências, criando guerras, conflitos militares e destruições generalizadas, devastando famílias inteiras, degradando sentimentos e, com isso, estimulando a disseminação de valores demolidores e aniquiladores.

Neste ambiente, percebemos que as nações se encontram num momento de escolhas perigosas e emergenciais, subsidiar os combustíveis auxilia nos preços internos, mas ao mesmo tempo piora as condições fiscais dos governos e prejudica as contas do Estado Nacional, uma discussão relevante. Mas não podemos nos esquecer, no caso nacional, que os arautos do liberalismo e os defensores das privatizações devem ser chamados para opinar sobre as consequências das vendas das refinarias, aí vamos encontrar as raízes dos desajustes dos preços dos combustíveis.

Ary Ramos da Silva Júnior, Bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitário.

Insatisfação

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Na sociedade contemporânea percebemos grandes movimentações econômicas, sociais e políticas, que acirram os conflitos econômicos em todas as regiões do mundo, gerando incertezas e instabilidades crescentes, tudo isso contribui imensamente para que compreendamos as insatisfações da sociedade. Vivemos num momento em que as pessoas estão insatisfeitas, os trabalhadores estão insatisfeitos, as famílias estão insatisfeitas, os empresários estão insatisfeitos, os estudantes estão insatisfeitos, os professores estão insatisfeitos, ou seja, estamos vivendo ou sobrevivendo, numa sociedade marcada por insatisfação.

A sociedade contemporânea se caracteriza pelo crescimento tecnológico, nesta sociedade, percebemos transformações profundas e estruturais, os comportamentos estão em constantes alterações, os modelos de negócios estão sendo modificados, os relacionamentos estão sendo revistos e transformados, as ocupações e o mundo do trabalho estão sendo alterados, criando um modelo de sociabilidade que impõem mudanças e limitações, gerando medos, ressentimentos e desequilíbrios afetivos e sentimentais.

Os governos se sucedem, entra governo e sai governo, e as melhoras são sempre marginais, as mudanças são apenas limitadas e temporárias. Os pais estão cada vez mais assustados com o futuro de seus filhos e de seus netos, a tão sonhada ascensão social nos parece, cada vez mais, distante e improvável. Os jovens não querem mais constituir famílias, evitam serem pais e se limitam a uma vida solitária, sem descendentes e sem auxílios na velhice.

Neste cenário, percebemos um estímulo e uma revolta contra a política, uma crítica sistemática contra os governos de plantão e as instituições, vistas como os responsáveis pelas condições degradantes do cotidiano, desta forma, percebemos o crescimento de grupos extremados, acreditando que assim vão conseguir melhoras na sociedade, garantindo liberdade e sucesso.

Vivemos numa sociedade onde a escola pública está sendo devastada e destruída, anteriormente a educação era vista como o espaço de ascensão social, através do estudo e do esforço familiar podíamos vislumbrar horizontes de sonhos e acreditarmos em um mundo melhor, dotado de novas oportunidades e abundância material para todos, infelizmente essa possibilidade perdeu espaço e as perspectivas de sucesso se limitam aos jogos de azar e as gastanças nas empresas de bets, um verdadeiro cassino global, enriquecendo poucos e degradando a maioria da sociedade, desta forma, as famílias estão cada vez mais endividadas, as doenças mentais crescem de forma acelerada e a depressão acomete uma parte substancial da sociedade global.

A educação sempre foi vista como um espaço de ascensão social, famílias inteiras se cotizavam para auxiliar seus descendentes no caminho do estudo e do crescimento profissional, hoje o estudo sozinho não consegue abrir horizontes sólidos e consistentes, os esforços são sempre insuficientes, sabemos, ainda, que os profissionais mais qualificados são recompensados com melhores empregos, salários mais atrativos e maior possibilidade de ascensão social, mas na maioria das vezes, os melhores empregos são reservados para os bem nascidos, os mais abastados e os dotados de  melhor networking.

Neste ambiente, estamos vivendo uma sociedade marcada por pessoas insatisfeitas, amedrontadas e com perspectivas limitadas, desta forma, evitamos ter filhos, evitamos relacionamentos, nos prendemos em casa e consolidamos uma sociedade cada vez mais individualista, imediatista e focada no lucro. Será que ainda não passou da hora de pensarmos e repensarmos o modelo dominante de sociedade que estimula todos estes desequilíbrios?

Ary Ramos da Silva Júnior, bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitário

Conflitos monetários

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A economia internacional vem passando por momentos de grandes tensões econômicas e movimentações geopolíticas, onde os conflitos se disseminam para todas as regiões do mundo, gerando instabilidades nos preços, criando inseguranças institucionais e violências generalizadas.

Neste cenário, percebemos os conflitos militares e as intervenções na soberania de inúmeras nações e muitos desconhecem que, por trás deste ambiente de confrontos cotidianos, percebemos uma verdadeira guerra monetária entre os países, buscando hegemonias e dominações, um conflito que impacta todos os povos, alterando as estruturas produtivas e criando embaraços econômicos e produtivos.

Todos sabemos que a moeda dominante da economia internacional é o dólar norte-americano, este poder monetário foi imposto pelos Estados Unidos no pós-segunda guerra mundial, onde seu poderio econômico e sua força política eram evidentes e inquestionáveis, forçando as outras economias a aceitarem o dólar como a moeda reserva global, diante disso, as nações passaram a acumular a moeda norte-americana, acumular recursos e, desta forma, participar das trocas mundiais.

Como os Estados Unidos eram a maior econômica mundial, responsável por grande parte da indústria global os laços comerciais cresciam de forma acelerada, os empréstimos estrangeiros eram feitos em dólares, os investimentos externos diretos eram em moeda norte-americana, os fluxos financeiros eram dominados pelos dólares e, desta forma, esta nação passou a acumular um poder pouco visto na sociedade internacional, tudo isso levou o Ministro das Finanças da França, Giscard d”Estaing, no governo do  general De Gaulle a cunhar a expressão privilégio exorbitante, para definir o grande poder baseado no domínio monetário dos Estados Unidos.

No começo de 1974 foi assinado o acordo entre os Estados Unidos e a Arábia Saudita, conhecido mundialmente de “petrodólar”, estabelecendo, com isso, que o reino passaria a vender petróleo exclusivamente em dólares americanos, garantindo a hegemonia da moeda e financiando o tesouro dos EUA, em troca, os norte-americanos passaram a oferecer segurança militar e apoio técnico, ampliando a construção de bases militares e fortalecendo os laços políticos e econômicos.

Em junho de 2024, a Arábia Saudita optou por não renovar o acordo original de 50 anos, abrindo espaço para vendas em outras moedas (como yuan ou euro), sinalizando uma nova estratégia econômica e financeira dos sauditas, gerando uma verdadeira revolução nos meios de pagamentos.

Nas últimas décadas, percebemos movimentos de fragilização do dólar como moeda global, a ascensão econômica da Ásia, o fortalecimento dos Brics que passaram a negociar com suas respectivas moedas, além da perda de confiança na moeda norte-americana, alto endividamento americano, riscos geopolíticos, guerras comerciais e sanções contra vários parceiros, tudo isso, contribuiu imensamente para que outras nações passassem a buscar alternativas ao dólar norte-americano, iniciando um movimento que vem sendo chamado de desdolarização, com isso, os bancos centrais de outros países estão comprando ouro e reduzindo as exposição à moeda norte-americana.

Vivemos um momento de conflitos variados, as guerras em curso na sociedade global não têm nada a ver com a defesa de povos oprimidos por governos autoritários e reacionários, os conflitos em curso na sociedade contemporânea estão ligados ao poder econômico, a capacidade de controlar o petróleo e a manutenção da hegemonia do dólar como a moeda internacional, afinal, como disse o ministro francês, os norte-americanos não vão renunciar seu privilégio exorbitante.

Ary Ramos da Silva Júnior, bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitário.

Outra oportunidade

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Vivemos num momento de incertezas constantes, as guerras crescem de forma acelerada, o arcabouço institucional criado no pós-segunda guerra vem sendo devastado, a tecnologia ganha cada vez mais as rédeas da sociedade, as crises energéticas se espalham para a sociedade internacional, as lideranças mundiais mostram suas limitações para a compreensão dos desafios globais, o mundo do trabalho se transforma rapidamente e as condições sociais se degradam todos os dias, aumentando a fome e a indignidade humana, neste cenário de instabilidades crescentes, as perguntas crescem e as certezas estão cada vez mais reduzidas, gerando violências, caos e ressentimentos.

Neste ambiente global marcado pelos conflitos geopolíticos, onde os atores econômicos e produtivos se utilizam do poder e da influência dos governos nacionais para manter seus ganhos imediatos e aumentar seus instrumentos de acumulação, encontramos vestígios e esboço do grande conflito do século XXI, neste confronto percebemos o embate entre os Estados Unidos e a China, as duas maiores economias do mundo, detentoras das grandes capacidades produtivas industriais e forte influência política, seus poderes se espalham para todas as regiões da comunidade internacional.

Neste cenário, descrito anteriormente, as nações buscam espaços de sobrevivência e novos horizontes econômicos e produtivos, países produtores de produtores primários buscam se inserir no ambiente global, países que detém grande potencial no setor de serviços se mobilizam para se estruturar e angariar vantagens neste cenário de constantes transformações e os países industrializados buscam manter seus mercados e ampliar novos horizontes produtivos, ou seja, estamos vivendo uma verdadeira revolução global, onde cada nação vem se capacitando para sobreviver num cenário incerto, imediatista e fortemente concorrencial.

No caso brasileiro, percebemos grandes desafios estruturais, encontramos uma elite econômica imediatista, rentista e incapaz de pensar o país para as próximas décadas, seu horizonte de planejamento e de reflexão é sempre o agora, não investimos em educação porque demanda tempo e planejamento e colhemos uma população mal qualificada e pouco capacitada para compreendermos os grandes desafios da sociedade contemporânea.

Na nossa história econômica, percebemos uma nação explorada e dividida desde os primórdios da colonização, somos um país detentor de riquezas variadas, solos ricos e energia em abundância e, infelizmente, entregamos nossas riquezas naturais para melhorar as condições de vida de outros povos e de outras nações e nos “esquecemos” da desigualdade interna que somos os patrocinadores, olhamos para as outras nações com admiração e não conseguimos compreender que muitos destes recursos que patrocinaram as melhoras sociais de outros povos foram extraídas do nosso território, numa verdadeira história de pilhagem, escravidão e degradação humana.

Depois de séculos de espoliação, estamos em um momento de grandes transformações econômicas e produtivas globais, onde a história está nos dando uma nova oportunidade de desenvolvimento econômico. No mundo da tecnologia, da inteligência artificial, dos algoritmos, da robotização e das big techs, temos um instrumento valoroso para nossa ascensão econômica, afinal somos detentores de mais de 25% das terras raras do mundo, minérios estratégicos que dominam a economia global. Neste cenário,precisamos ter sabedoria para utilizarmos estes minérios para a melhora constante da sociedade brasileira e nos afastar daqueles que querem vender nossa soberania e se postam como patriotas, mas na verdade são hipócritas e entreguistas.

Ary Ramos da Silva Júnior, bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitário.

Endividamentos

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A economia brasileira sempre se caracterizou pelos amplos endividamentos interno e externo, impactando sobre a solidez econômica e produtiva e, com isso, vivenciamos um cenário marcado pelo chamado stop-in-go, uma economia que sempre apresentou uma incapacidade de gerar uma ambiente de crescimento econômico consistente, nossa economia é marcada por crescimento lento e desequilíbrios duradouros e incapazes de garantir uma sustentabilidade produtiva que garanta uma melhora nas condições de vida da maioria da sociedade.

Depois de um forte endividamento externo no decorrer do século passado, a economia brasileira conseguiu resolver este problema e passamos a ser credores líquidos externos, nossas reservas monetárias ultrapassam os passivos externos, desta forma, no front externo conseguimos resolver este problema que sempre caracterizou a sociedade brasileira, com impactos negativos para os setores econômicos e produtivos.

Atualmente, encontramos variados problemas que limitam o crescimento da economia nacional, baixa produtividade, dependência tecnológica, pouca complexidade dos setores produtivos, impostos regressivos e elevados, setor judiciário caro, lento e ineficiente, baixo investimento em ciência e tecnologia, pobreza elevada, educação de baixa qualidade, elite dominante que se compraz com um papel subserviente nas parcerias externas, além de taxas de juros escorchantes que limitam o espírito empreendedor e, ao mesmo tempo, contribui ativamente para a criação de uma nação de rentista, individualista e pouco afeita aos investimentos produtivos.

Neste cenário, ao analisarmos as deficiências estruturais internas e imediatas, precisamos destacar o alto endividamento interno dos cidadãos, dos consumidores e dos setores produtivos que estão fragilizando a economia nacional e limitando o potencial produtivo. Somos detentores de riquezas nacionais invejáveis aos olhos do mundo, somos detentores de mais de 50% de energias renováveis e sustentáveis, possuímos reservas substanciais de terras raras e nos caracterizamos como uma população marcada pelo espírito inovador e empreendedor, poucas vezes vistas em outras nações.

Atualmente, encontramos mais de 81,3 milhões de cidadãos negativados, numa pesquisa feita pelo Mapa da Inadimplência da Serasa Experian, feito em janeiro de 2026, colocam mais de 49,7% da população adulta negativada, um recorde histórico que limitam o potencial de consumo dos consumidores, gerando constrangimentos elevados, problemas emocionais e distúrbios variados.

Neste ambiente de alterações dos padrões de consumo, com gastos crescentes relacionados as casas de apostas, as chamadas bets, e dos dispêndios relacionados com as canetas emagrecedoras, percebemos o aumento da inadimplência e o crescimento do endividamento interno que impactam os indicadores macroeconômicos, reduzindo gastos correntes e derrubando as vendas do varejo. Estas demandas conjunturais estão transformando os gastos da população e estão contribuindo diretamente para o endividamento, mas precisamos nos atentar para uma questão estrutural, as taxas de juros estratosféricas que pululam na economia brasileira, que limitam os investimentos produtivos e estimulam os gastos especulativos que nada trazem de positivo para o restante da economia, aprofundando a desigualdade e tornando os consumidores reféns de dívidas elevadas, impagáveis e crescentes.

 Historicamente, a sociedade brasileira, com custos financeiros elevados, posterga decisões estratégicas, onde resolver este imbróglio pode destravar a economia nacional e criar novos horizontes de crescimento econômico, além de alavancar os investimentos produtivos, neste cenário precisamos tomar decisões estratégicas e evitar a omissão constante do Executivo, do Legislativo e do Judiciário, todos estes poderes precisam assumir as suas responsabilidades.

Ary Ramos da Silva Júnior, bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitário.

Aplicativo

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Desorganização global

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A economia internacional vem passando por momentos de grandes inquietações e preocupações crescentes, levando o sistema produtivo e a estrutura financeira global a terem que conviver, abertamente, com incertezas e instabilidades, que contribuem para o crescimento do risco e do aumento dos preços globais, elevando a inflação e levando os bancos centrais ao incremento das taxas de juros, cujos impactos são imediatos na redução dos investimentos produtivos.

Neste cenário internacional, percebemos uma desorganização generalizada, forças militares invadem países da noite para o dia, bombardeiam a infraestrutura das nações, gerando uma matança indiscriminada  que impacta em todo o sistema econômico e financeiro, elevando os custos de produção, aumentando as incertezas produtivas escasseando as matérias primas, aumentando os custos logísticos, desorganizando todo o sistema político global e, posteriormente, se assustam com as consequências de ações desastradas, equivocadas e impensadas.

Estamos vivendo momentos de grandes instabilidades na sociedade internacional, as guerras, como tudo na vida, geram ganhadores e perdedores ao redor do mundo, gerando setores que apresentam grandes lucros monetários e financeiros e, outros setores, amargam variados prejuízos materiais. Os preços do barril de petróleo aumentaram de forma imediata, inicialmente os valores estavam na casa dos US$ 60,00 e, na semana passada, chegaram ao valor estratosférico de US$ 119,00 e atualmente se estabilizou na casa dos US$ 100,00, gerando fortes reações de nações que dependem deste produto e aumentaram os ganhos dos exportadores deste óleo, que domina o sistema produtivo global e servem de justificativas para suas intervenções, suas guerras e suas destruições.

Vivemos num momento de grandes incertezas produtivas, as guerras em curso no Oriente Médio estão escalando para outros países da região, com ataques nas refinarias e usinas nucleares, além do fechamento do Estreito de Ormuz, responsável por mais de 20% do fluxo destes produtos, gerando calafrios para os países europeus e seus governos nacionais, nações dependentes da importação do petróleo e do gás natural, levando-os a adotarem políticas imediatas para evitar um colapso de suas finanças.

Vivemos num momento em que as regras criadas e consolidadas no pós-segunda guerra mundial vem sendo destruídas rapidamente e deixando um vazio institucional preocupante e assustador, com isso, percebemos confrontos diplomáticos, chantagens crescentes, discursos agressivos, postagens grosseiras e espaços claros para que as agressões militares cresçam e os gastos militares aumentem, desta forma, percebemos que estamos vivenciando uma verdadeira desorganização global e as consequências são impossíveis de serem mensuradas.

As guerras, em curso na sociedade mundial, ampliam a escassez energética, aumentam os preços destes produtos essenciais para o capitalismo contemporâneo, elevando as temperaturas nas Bolsas de Valores globais e levam as Autoridades Monetárias a aumentarem as taxas de juros, desta forma, percebemos o aumento dos prejuízos dos setores econômicos, que reduzem os investimentos produtivos, reduzindo a geração de emprego, limitando a renda agregada dos trabalhadores e criando uma situação degradante para os setores mais vulneráveis.

Vivemos um momento preocupante e assustador para a comunidade internacional, onde os fortões que sempre acreditaram que a força física resolveria os problemas do mundo chegaram ao poder, patrocinaram guerras e destruições e o cenário internacional está cada vez mais degradante, está na hora dos adultos tomarem o controle desta situação e mostrar que os conflitos militares só geram destruições, mortes, rancores e ressentimentos.

Ary Ramos da Silva Júnior, bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e Professor universitário.

Palestra Espírita

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Palestra na Associação Espírita Allan Kardec, de São José do Rio Preto/SP, no dia 22 de março de 2026, onde o professor Ary Ramos abordou um tema interessante, na ocasião o tema escolhido foi “José de Arimatéia: o discípulo de Jesus”, vale a pena assistir.

Petróleo, inflação e guerras

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Vivemos um momento de novos confrontos militares no Oriente Médio, com impactos generalizados para toda a economia internacional, afinal esta região é responsável pelo fornecimento do produto mais importante no capitalismo global. Neste cenário, o preço do petróleo aumentou vertiginosamente, saindo de US$ 60,00 por barril no começo do conflito e os valores aumentaram, rapidamente, alcançando mais de US$ 100,00 o barril, impactando para todas as regiões, gerando calafrios para os setores produtivos, pressionando o sistema financeiro internacional, impactando os preços e pressionando a inflação global, levando as Autoridades Monetárias a aumentarem as taxas de juros, com graves repercussões nos investimentos produtivos, nos empregos e na renda agregada.

A sociedade global vive momentos de grandes incertezas e grandes instabilidades, gerando riscos crescentes que afugentam os investimentos produtivos, reduzindo a geração de empregos e criando um ambiente de baixo crescimento econômico, levando os governos a adotarem políticas públicas para reduzirem os efeitos colaterais da economia, levando-os a reduzir os impostos e aumentando os subsídios, vislumbrando a redução dos problemas internos, mas ao mesmo tempo, os indicadores fiscais pioram sensivelmente.

O petróleo tem grande relevância na economia internacional, este produto movimenta todo o sistema produtivo, as guerras em curso no Oriente Médio geram impactos para todas as regiões do mundo e forçam os governos nacionais a reduzirem as perdas internas, incorrendo em gastos crescentes, reduzindo os repasses internos, forçando a economia a adotar taxas de juros mais elevadas que restringem o potencial da economia.

No caso brasileiro, percebemos uma espiral de grandes impactos diretos e indiretos, como temos uma das taxas de juros mais elevadas da economia internacional, o cenário de conflitos militares deve adiar a redução dos juros internos, postergando uma esperada melhora dos indicadores fiscais, visto, por muitos especialistas em contas públicas, como um dos maiores problemas da economia nacional.

As taxas de juros elevadas podem travar os investimentos produtivos e postergar o crescimento econômico, fazendo com que os rentistas tenham retornos elevados, no caso brasileiro, uma sociedade marcada por grandes desigualdades sociais, baixa poupança interna e com grandes carências na infraestrutura.

A guerra no Oriente Médio aprofunda as instabilidades econômicas e as incertezas políticas e impacta todas as nações, prejudicando os consumidores, reduzindo a renda agregada e encarecendo os setores produtivos. Os especialistas em geopolítica da região não sabem precisar quanto tempo esse conflito vai demorar, o que dizem, claramente, é que o Estados Unidos esperava um confronto rápido, destrutivo e cirúrgico, com a destituição do governo iraniano e, em seu lugar, seria colocado um apaniguado, um fantoche para se submeter aos interesses dos norte-americanos e israelenses.

Parece que as previsões não foram confirmadas, o fechamento do Estreito de Ormuz pelas forças de Irã, tende a gerar graves constrangimentos econômicos e políticos para toda a economia internacional, ainda mais, devemos destacar a estratégia de atacar as bases dos EUA em países aliados na região, mostrando fragilidade na defesa e na incapacidade de proteger seus “protetorados”, gerando constrangimentos e pressões crescentes para a interrupção da guerra.

Vivemos momentos preocupantes na comunidade internacional, as guerras acabam com a racionalidade das nações e seus governantes e mostram que mesmo sendo detentores de grandes tecnologias, as decisões são tomadas olhando apenas interesses imediatos, irracionais e estimulados pelos ganhos econômicos.

Ary Ramos da Silva Júnior, Bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitário.

Retrocessos

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Vivemos mais uma guerra no Oriente Médio com muitas mortes e destruições da infraestrutura, devastando famílias e gerando dramas individuais e coletivos, com impactos variados sobre a economia internacional, gastando bilhões de dólares para patrocinar mais uma guerra fratricida, desviando recursos para uma escalada militar e espalhando corrupção e desperdícios de recursos público e privado que poderiam ser melhor utilizados para reduzir as mazelas sociais que crescem de forma acelerada na sociedade contemporânea, gerando mais violências, degradações morais e a desesperança na humanidade.

Neste momento, percebemos que uma guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã está espalhando destruições na região, com ataques se espalhando para países como Catar, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Kuwait, Arábia Saudita, Jordânia, Iraque, Turquia, dentre outros, onde os iranianos passaram a atacar bases dos Estados Unidos nestes países, gerando medos, mortes e destruições que podem levar o conflito para outras regiões e disseminando uma violência generalizada.

Vivemos momentos de grandes inquietações na sociedade internacional, com discursos calorosos, com ofensas verbais e agressividades físicas, onde a verdade e a realidade objetiva estão sendo escondidas e crescem rapidamente, neste ambiente de guerras e conflitos armados, as fake news crescem, surgindo canais para explorar as misérias humanas, youtubers e influenciadores estão acumulando fortunas e disseminando inverdades do conflito para uma população atônita, desesperada e assustada.

Estamos num cenário de transformações da geopolítica internacional, onde o multilateralismo tem dificuldades para se instalar por completo, gerando conflitos em todas as regiões, levando a Organização das Nações Unidas (ONU) a calcular mais de 120 guerras em curso na comunidade global, com impactos destrutivos para todas as regiões do mundo, com a disseminação de ódios, rancores e ressentimentos.

As guerras servem como um verdadeiro retrocesso para a humanidade, um momento em que a tecnologia cresce e passa a ganhar espaço na comunidade internacional, com equipamentos complexos que estão revolucionando as mais variadas áreas do conhecimento humano, doenças raras e violentas, vistas como de difícil tratamento, que levavam milhares de indivíduos a morte, estão sendo tratadas com novas técnicas revolucionárias e, desta forma, evitando mortes e criando uma sobrevida para os pacientes. Tecnologias de comunicação e de informática estão gerando uma verdadeira transformação nos modelos de negócios e a inteligência artificial está criando um prelúdio para novas conquistas nos mais variados setores da sociedade mundial.

Vivemos numa sociedade onde as nações estão se integrando cada vez mais, o comércio e as comunicações estão abrindo novos horizontes para a economia internacional, nações pobres e miseráveis estão ganhando relevância e importância no cenário mundial através do comércio e das trocas comerciais, novos atores estão se consolidando no novo mercado global, construindo novas oportunidades e superando os desafios anteriores.

Vivemos num momento de grandes preocupações imediatas, países que se arvoram como defensores da liberdade e da democracia se esquecem de seus históricos de guerras e de destruições, se esquecem de olhar para seus aliados, será que estão se aliando a nações democráticas e defensoras da liberdade? Vivemos num mundo onde o que reina é a hipocrisia e a ignorância humana, um verdadeiro retrocesso civilizacional, passamos a controlar novas tecnologias e, ao mesmo tempo, temos prazer na guerra, na devastação e na miséria humana.

Ary Ramos da Silva Júnior, bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitário.

Assim caminha a humanidade…

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Vivemos em um momento de disrupção constante, onde todos os dias somos bombardeados por notícias escabrosas e degradantes vindo de todas as regiões do mundo, um ambiente altamente concorrencial, desprovido de valores morais, onde as regras são definidas pelo poder militar e consolidadas pelos interesses econômicos e financeiros de uma pequena parte da comunidade global, que vive num banquete surreal, marcado pelo luxo e pelo exibicionismo cotidiano, marcado pelo hedonismo e pela acumulação ininterrupta de valores monetários e pela penúria material de uma grande maioria.

Vivemos num cenário que a tecnologia cresce de forma acelerada, onde a escassez material acontece em decorrência da ganância de poucos em detrimento da sobrevivência digna e decente de uma grande parte da comunidade global. Neste cenário, a tecnologia nos auxilia na produção de valores materiais e, contribui, fortemente para fortalecer a força do capital e, ao mesmo tempo, aumenta a desvalorização do trabalho humano e coloca uma grande parte da sociedade global em condições indignas de sobrevivência, aumentando o exército industrial de descartáveis e degradados, levando todas as regiões do globo a conviverem com pessoas em situação de rua, indivíduos desprezados pelo sistema, sem recursos materiais, sem esperanças futuras e desprovidos dos prazeres do mundo contemporâneo.

Vivemos numa sociedade que cultua os valores do corpo sarado, que canoniza a imagem e estimula a mente ociosa, onde os novos modelos de negócio investem em indivíduos dotados de grande capacidade de comunicação e deixam de lado o conteúdo moral e a consistência técnica, desvalorizando o estudo, a escola e a reflexão crítica, ridicularizando o ensino superior como forma de ascensão social e crescimento intelectual e cultuando a ignorância humana, criando e consolidando uma sociedade desprovida de valores científico e tecnológico e, ao mesmo tempo, contribuindo para a perpetuação do atraso histórico e da dependência externa.

Neste ambiente da sociedade contemporânea, todos os meses somos acordados com notícias de guerras em curso na sociedade global, mísseis de alta complexidade sendo despejados em populações indefesas e fragilizadas, matanças indiscriminadas em todas as nações e acometendo, principalmente, os pobres e os miseráveis, presenciando governos corruptos, incompetentes e ineptos que posam de paladinos da moralidade, da eficiência e defendem a bandeira da liberdade, nos esquecendo de que esta liberdade tão propalada é a da acumulação monetária, dos donos do capital e daqueles que defendem a degradação do trabalho e a desvalorização dos seres humanos.

Vivemos numa sociedade centrada no poder econômico e no poder militar, onde as regras internacionais são alteradas de acordo com os interesses dos magnatas do mundo, instituições multilaterais, constituídas em períodos anteriores, são deixadas de lado quando não servem aos seus interesses, com isso, percebemos a criação de um ambiente marcado por incertezas e instabilidades, que empobrecem os mais fragilizados e enriquecem, mais ainda, os detentores das finanças internacionais.

Neste ambiente, devemos destacar que este cenário está degradando os valores da civilização, gerando guerras em todas as regiões do globo, destruindo o meio ambiente e impactando sobre o clima e a vegetação, trazendo devastações em todos os continentes, soterramentos, desastres ambientais, furacões e tsunamis e ainda encontramos indivíduos defendendo o aprofundamento deste modelo econômico dominante. São ignorantes ou são motivados por valores imediatos e individualistas, mesmo assim, precisamos refletir urgentemente sobre para onde caminha a humanidade…

Ary Ramos da Silva Júnior, Doutor em Sociologia e professor universitário.  

           

Novos horizontes

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Vivemos momentos de grandes turbulências na economia internacional, os novos modelos produtivos estão transformando as relações de trabalho, exigindo grandes investimentos em tecnologias, fortes dispêndios em ciência, pesquisa e inovação e estratégias que demandam, de todos os setores da comunidade, uma união em prol de um projeto de país, com estratégias claras e planejamento sistemático.

Todas as nações que conseguiram melhorar as condições de vida de sua população, todas mesmo, investiram fortemente no aumento da complexidade econômica, alterando sua estrutura produtiva, angariando novos mercados globais, com fortes investimentos em capital humano e uma transformação dos produtos exportados, saindo de uma base exportadora de produtos de baixo valor agregado e, com o passar do tempo, melhorando seu perfil exportador, vendendo em outros mercados produtos mais complexos, mais sofisticados e com valor agregado maior, garantindo retorno monetários maiores e lucros mais substanciais.

Ao analisarmos os países que conseguiram dar saltos econômicos e produtivos nas últimas décadas, destacamos a Índia e a China, as duas maiores populações do globo, ambas vem crescendo de forma sistemática e conseguindo aumentar a complexidade de suas respectivas economias. A Índia, em 1994, exportava arroz, chá e algodão, notadamente produtos primários de baixo valor agregado e, atualmente, os indianos estão exportando equipamentos industriais, medicamentos e veículos, além de US$ 274 bilhões anuais em serviços tecnológicos e eletrônicos, uma verdadeira transformação produtiva que colocaram os indianos em um local de destaque no cenário internacional, participando das discussões mais relevantes do mundo da tecnologia, dos algoritmos, da robótica e da inteligência artificial.

A China vem se destacando no cenário internacional pelo seu forte crescimento econômicos que vem ameaçando outras nações e está gerando ciúmes generalizados no ambiente global. Neste cenário, a China vem ganhando espaços em variados setores da tecnologia mundial, tais como as baterias, viagens espaciais, inteligência artificial, nos chips e nos variados produtos marcados pela alta complexidade, que exigem da sociedade chinesa, supervisionada pelo governo, fortes investimentos em capital humano, que contribuíram para levar a nação para a liderança da inovação tecnológica.

Estes são dois bons exemplos que deveriam ser seguidos pelas economias médias, como a brasileira, focando nos investimentos em capital humano, canalizando recursos para o desenvolvimento científico e tecnológico, subsidiando setores estratégicos para o desenvolvimento tecnológico e, ao mesmo tempo, cobrando resultados palpáveis para a sociedade, deixando de lado os subsídios estatais que se perpetuam no tempo, gerando grandes desequilíbrios econômicos e servindo para angariar lucros elevados para poucos empresários e intermediários.

No caso brasileiro, percebemos a forte dependência de produtos primários de baixo valor agregado, nossa estrutura produtiva se caracteriza por uma baixa complexidade econômica e forte dependência dos centros de tecnologia. Nos anos 1990 exportávamos café, soja, açúcar e minério de ferro, depois de trinta anos continuamos sendo exportadores dos mesmos produtos e, para piorar, nossa indústria perdeu espaço na economia nacional e estamos vivendo uma verdadeira desindustrialização, achatando os salários, estimulando setores improdutivos e continuamos acreditando que o modelo econômico trará ganhos para a sociedade. Passou da hora de olharmos para os exemplos exitosos do mundo contemporâneo, precisamos fortalecer a institucionalidade, consolidar os setores democráticos e evitar pautas reacionárias que atrasam nosso desenvolvimento econômico e perpetuam nossa dependência externa.

Ary Ramos da Silva Júnior, Bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e Professor universitário

Abertura econômica

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A sociedade contemporânea se caracteriza pelo aumento da competição, os agentes produtivos se encontram num momento de incertezas e instabilidades, onde os governos nacionais percebem as alterações, os trabalhadores sentem na pele o aumento da concorrência e as organizações percebem os movimentos dos mercados, o surgimento de novos produtos, o nascimento de novos consumidores, com alterações dos hábitos e variados desafios, que deixam todos os atores sociais e econômicos em constantes preocupações.

Nestas reflexões encontramos a ascensão da civilização oriental, onde percebemos exemplos claros e verdadeiros de nações que eram pobres e miseráveis e, atualmente, crescem de forma acelerada, gerando melhoras substanciais de vida para as suas populações. Neste cenário, a ascensão asiática nos traz novos horizontes, novas perspectivas e novos desafios, que exigem das nações ocidentais uma compreensão dos equívocos adotados anteriormente, contribuindo para criar novos espaços de crescimento econômico e melhoras produtivas, refletindo sobre as melhores políticas públicas e renovando as estratégias, reestruturando seus sistemas produtivos e visando o desenvolvimento econômico.

No final dos anos 1980, surgem os receituários neoliberais para estimularem o desenvolvimento econômico das nações subdesenvolvidas ou em desenvolvimento, onde percebemos medidas centradas na abertura econômica, na privatização de empresas estatais e em uma forte desregulamentação financeira, estas medidas foram recebidas com ceticismo e com incredulidade pelas nações asiáticas, que rechaçaram todas as medidas preconizadas no chamado Consenso de Washington e passaram a adotar políticas diferentes, fortalecendo as empresas públicas, aumentando a proteção dos setores produtivos e fortalecendo seus sistemas financeiros, consolidando seus bancos e evitando a ascensão da chamada ciranda financeira, além de fortes investimentos em ciência, pesquisa e inovação, além de contribuir ativamente para a consolidação de um setor educacional sólido e consistente que, garantem, na contemporaneidade, resultados positivos nos índices internacionais.

Do outro lado, encontramos as nações latino-americanas, onde destacamos o Brasil, se entregando para os ideários neoliberais e passando a acreditar que éramos visionários e modernizadores, abandonando o atraso milenar e assim iniciando uma colheita de crescimento econômico, de melhorias sociais e dessa forma alcançaríamos, com sucesso, o tão sonhado desenvolvimento econômico.

Neste cenário, fizemos escolhas simples e acreditamos que rumaríamos para o desenvolvimento econômico, deixamos de lado o planejamento governamental e passamos a acreditar que o mercado faria as escolhas corretas, vendemos empresas públicas estratégicas, retiramos os monopólios públicos, abrimos nossas estruturas econômica e produtiva, reduzimos a regulação financeira, valorizamos nossa moeda, perdemos o controle de nossa economia e colhemos mais crescimento econômico, com redução da desigualdade social e melhorias substanciais para a nossa sociedade?

As escolhas dos rumos da economia nacional devem ser definidas internamente, as medidas neoliberais foram positivas para os donos do capital, os grupos que abdicaram da definição do futuro da economia nacional e se comprazem de serem sócios minoritários do capital internacional, perdendo capacidade produtiva, vendendo patrimônio nacional, destruindo nossa indústria nacional, estimulando o rentismo e o capital improdutivo, além de remunerar as falsas elites nacionais via juros escorchantes, subsídios exagerados e desoneração tributária, que futuro teremos como nação aceitando cartilhas externas e adotando receituários de outros países?

Neste momento de instabilidades externas, passamos da hora de estudarmos as experiências asiáticas, suas escolhas estratégicas, suas vivências econômicas, afinal quem está conseguindo crescer economicamente, são as nações submissas e subalternas que abraçaram os receituários neoliberais ou aquelas que escolheram caminhos heterodoxos e mais autônomos?

Ary Ramos da Silva Júnior, Bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitário.

Confronto secular

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O mundo contemporâneo se caracteriza por grandes transformações estruturais na sociedade global, período marcado por grandes incertezas e instabilidades estruturais, além de variados confrontos entre nações, que podem culminar em guerras fratricidas. O século XXI traz em suas entranhas novos confrontos econômicos e geopolíticos globais que tendem a impactar fortemente todas as regiões do mundo, impactando os modelos produtivos, transformando as relações entre capital e trabalho e modificando as relações entre as nações.

Desde a segunda guerra mundial até o início dos anos 1990, o grande confronto econômico, político e geopolítico era entre os Estados Unidos da América (EUA) versus a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), este conflito moldou a sociedade global, gerando inimizades, enfrentamentos militares, conflitos culturais e uma verdadeira máquina de violências, marcadas por inverdades e cancelamentos recíprocos.

Neste período os Estados Unidos construíram uma imensa estrutura econômica e produtiva, baseada em fortes investimentos em pesquisa, ciência e tecnologia, que impulsionaram os setores produtivos, financiados por fortes subsídios fiscais e financeiros, levando os norte-americanos a controlarem quase toda a sociedade global, exportando seus valores, controlando as questões monetárias, dominando os aspectos ideológicos e exportando para todas as regiões seu complexo industrial-militar, que integravam as forças armadas, a indústria de defesa e os formuladores de políticas públicas.

Os Estados Unidos foram os grandes responsáveis pela consolidação de um mundo centrado em regras, crescimento das trocas entre os países, com instituições internacionais consolidadas, investimentos externos diretos, recursos abundantes em ciência e tecnologia e organização produtiva, além de previsibilidade, credibilidade e uma grande estabilidade que impulsionaram a sociedade global, além de uma moeda estável, o dólar, responsável pela estabilização monetária mundial, com isso, a economia global cresceu, promovendo melhorias nas condições de vida da população.

Atualmente, percebemos novos confrontos geopolíticos em curso na sociedade global, a URSS se desintegrou, a Europa se perde em suas mazelas crescentes e, percebemos uma grande ameaça da manutenção do poderio norte-americano, a ascensão da China, seu desenvolvimento tecnológico e seu potencial exportador, ameaça a dominação global dos Estados Unidos, inaugurando um momento único para a sociedade global, onde os movimentos geopolíticos estão em transformações, disputas econômicas e produtivas ganham relevância e o sucesso anterior pode não ser suficiente para garantir avanços substanciais nos próximos anos.

Vivemos um momento de confronto secular entre Estados Unidos e China, tudo isso impacta sobre as políticas públicas e os acordos estratégicos das nações, moldando a sociedade global nos próximos anos, exigindo maturidade dos governantes para escolherem novos espaços que privilegiam a soberania nacional e a autonomia política, exigindo ainda contrapartidas econômicas sólidas e consistentes para participar ativamente do xadrez global, mostrando nossas inúmeras potencialidades, nossa capacidade de inovação e nosso espírito empreendedor, evitando escolhas equivocadas que caracterizaram a sociedade brasileira, escolhas estas que contribuíram, diretamente, para que construíssemos uma nação marcada pela desigualdade, pela exclusão e pela injustiça.

Estamos num momento estratégico para a sociedade brasileira, externamente. as nações se digladiam para novos espaços de poder do século XXI e, internamente, temos uma elite econômica e grupos políticos que querem manter e perpetuar seus privilégios, além de consolidar o sistema econômico dominante, mesmo sabendo que este modelo beneficia seu grupo, garantindo vantagens e aprofundando imensamente os interesses da maioria da população.

Ary Ramos da Silva Júnior, Bacharel de Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitário.

Economia Complexa

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A sociedade global vem percebendo grandes transformações no mundo do trabalho, onde ocupações tradicionais estão sendo destruídas, fragilizadas e reinventadas, exigindo dos setores produtivos novas habilidades, novos valores e novos comportamentos. Todas estas transformações estão revolucionando a relação entre capital e trabalho, gerando preocupações constantes, ansiedades, medos e transtornos variados.

Nesta sociedade, percebemos inúmeros questionamentos sobre o mundo do trabalho, desta forma, o trabalho vem sendo transformado muito rapidamente e essas transformações exigem mais qualificação e mais capacitação dos trabalhadores, o que demanda fortes investimentos sociais e políticas públicas em prol do trabalho, sob pena de serem alijados do mercado de trabalho e, sem salário, sem renda, sem esperanças e sem perspectivas, desta forma, muitos tendem a se albergar nas marquises dos espaços urbanos, aumentando o contingente de moradores de ruas, elevando a violência e a exclusão social.

Neste cenário, todas as nações que fizeram fortes investimentos em educação, priorizando os setores de ciência e de tecnologia colheram retornos excepcionais, com aumento, substancial, da complexidade econômica. Estes investimentos produtivos criaram as condições para melhorar o perfil de suas economias, industrializando seus setores produtivos e garantindo retornos elevados na estrutura econômica, impulsionando empregos melhores, salários mais elevados e contribuindo para a melhora das condições de vida da população.

Alguns países fizeram investimentos elevados em educação e deixaram de lado uma estratégia mais efetiva de industrialização econômica, embora a indústria não consiga gerar mais empregos como em períodos anteriores, o incremento da complexidade econômica contribui para aumentar a produtividade da economia, produzindo produtos mais elaborados, exportando bens e serviços mais complexos e mais dinâmicos, além de garantir retornos monetários elevados.

As nações que se caracterizam por serem exportadores de produtos primários de baixo valor agregado tendem a se perpetuar nesta equação perigosa, demandam pouca mão-de-obra e absorvem poucos trabalhadores qualificados na estrutura produtiva, além de importarem tecnologias externas e pouco investem em inovação, desta forma, os trabalhadores mais qualificados, dotados de curso superior e mais capacitados, são empurrados para outras nações em busca de um emprego melhor ou são absorvidos pelas empresas de aplicativos e se transformam em motoristas, sendo explorados, recebendo salários degradantes, fortemente endividados, sem direitos sociais, sem proteção previdenciária e sem perspectivas futuras, criando uma legião de trabalhadores desesperançados e, ao relatar sua história, contribuem negativamente para que milhões de estudantes abandonem as escolas e os estudos, sobrevivendo sem horizontes e, muitas vezes, como verdadeiros analfabetos funcionais.

Aumentar a complexidade da economia nacional demanda uma sólida estratégia de desenvolvimento e uma grande maturidade institucional, o investimento em capital humano é imprescindível, atrair os setores produtivos para a construção de uma transformação estrutural da economia é fundamental, reduzir o poder dos grupos econômicos e políticos que ganham com essa situação de subserviência e de desesperança que vivenciamos atualmente, além de atrair as universidades e as faculdades na construção de uma mão-de-obra capacitada e consciente dos desafios contemporâneos, evitando excesso de profissionais despreparados e estimularem setores centrais para a economia do conhecimento. Num momento de grande desenvolvimento tecnológico, de grandes alterações do mundo do trabalho e de grandes transformações geopolíticos, a indústria deve ser fortalecida e impulsionada, sem ela, continuamos importando tecnologias, seguindo cartilhas que perpetuam o subdesenvolvimento e impedem nosso potencial na construção de uma economia complexa.

Ary Ramos da Silva Júnior, Bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e Professor Universitário.