Ascensão Social

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Vivemos um momento preocupante para toda a comunidade global, somos bombardeados por um marketing agressivo, imagens e propagandas nas mídias tradicionais e nas redes sociais  que estimulam, abertamente, o consumo constante e deliberado, nossos desejos de consumo e de acumulação material extrapolam as vontades individuais e se espalham para o mundo digital, gerando uma busca crescente pelo consumo, neste momento é imprescindível mostrar a compra, não é apenas adquirir o produto, precisamos expor nossa aquisição e mostrar que somos bem sucedidos.

A ascensão social sempre foi um dos maiores objetivos dos indivíduos, que motivava toda a família para a melhor escolha profissional. Anteriormente os grupos mais fragilizados economicamente buscavam essa ascensão através do estudo, qualificação profissional e a carreira era o centro das decisões mais estratégicas para os cidadãos, as escolhas corretas culminariam em empregos sólidos e com maior remuneração, melhorando as condições de vida e um futuro mais consistente para toda a família.

 O setor público sempre foi um espaço de ascensão social, onde profissionais liberais se preparavam para prestar os melhores concursos públicos, com isso, muitos alunos se encantavam com as áreas do direito que abriam novas oportunidades de carreira e valorização profissional. Muitos estudantes foram atraídos para a docência, se formaram como professores ou profissionais do ensino, sonhando com a estabilidade financeira, realização pessoal, benefícios sociais e melhores condições de aposentadoria.

Nos últimos trinta anos, percebemos uma redução substancial dos concursos públicos, o Estado vem passando por um emagrecimento sistemático, cargos estão sendo extintos, setores estão passando por transformações estruturais, ainda mais, percebemos um movimento crescente de terceirização de atividades profissionais e o incremento das parcerias públicas e privadas, gerando empregos precarizados e degradados, sem estabilidade, menores benefícios, cargas excessivas de trabalho, metas absurdas e preocupações crescentes com a saúde mental.

A ascensão do neoliberalismo nos anos 1990 elegeu o Estado como o grande responsável pelas desigualdades econômica e social, para resolver esse desequilíbrio, a ideologia dominante impôs uma forte reestruturação econômica e produtiva, acelerando a venda de estatais, redução dos cargos governamentais e carreiras públicas e acelerando a abertura econômica, tudo isso impactou as estruturas produtivas, o Estado empregador foi reduzido e o setor privado passou a ser o grande motor da geração de empregos nacionais.

A ascensão social perdeu espaço na sociedade contemporânea, os setores que ascendem são, na maioria, os grupos que nasceram em condições diferenciadas, grupos sociais oriundos de famílias abonadas financeiramente, dotadas de grande influência política, desta forma, a ascensão social pelo esforço e pela dedicação perderam espaço na comunidade. O estudo, que sempre foi visto como o farol da construção da cidadania e da melhora econômica, perdeu espaço e, em muitos casos, percebemos nas redes sociais o culto da ignorância, do despreparo intelectual e a desfaçatez moral.

Neste ambiente marcado por grandes instabilidades e incertezas crescentes, a ascensão social nos parece uma grande ilusão para uma parte substancial da sociedade global, desta forma, percebemos uma democracia disfuncional, que aceita conviver livremente, lado a lado, bilionários detentores da grande riqueza mundial e, uma grande maioria de pobres e miseráveis. Estamos chegando, a passos largos, no momento em que, a ascensão social, se restringirá ao nascimento, ao sobrenome e ao poder financeiro. Onde está a tão chamada meritocracia?

Ary Ramos da Silva Júnior, bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitário.

Ilusões contemporâneas

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Vivemos momentos de grandes transformações na sociedade contemporânea, com novas oportunidades, novos desafios, novos modelos de negócios, novas tecnologias, novos consumidores, novos modelos de família e, o crescimento de grandes ilusões que dominam a comunidade e os seres humanos, levando os indivíduos a confundirem ideais momentâneos, prazeres imediatos e enriquecimento instantâneo como objetivos de vida e de sobrevivência e, com isso, acabam gerando frustrações, constrangimentos e desilusões quando estes objetivos não se efetivam, aumentando os desequilíbrios afetivos e emocionais.

Vivemos numa sociedade baseada no consumo sistemático, exagerado e imediato de mercadorias, bens e serviços, estamos transformando este consumo em um ideal de felicidade, de prosperidade e de realização. No século XVII, o grande pensador francês René Descartes destacou, em frase clássica: “Penso, logo existo”. Na sociedade contemporânea, percebemos, uma alteração, nada sutil, da máxima do pensador francês: “Consumo, logo existo”.

Nesta sociedade baseada na aparência e na acumulação financeira, percebemos o aumento substancial de  pessoas que frequentam os templos religiosos, nas mais variadas religiões e filosofias existenciais e, ao mesmo tempo, percebemos que, muitos destes contingentes de pessoas participam desta religião como uma verdadeira convenção social, muitos saem de suas casas para fazer negócios e angariar novos contatos profissionais, falam da caridade material e, ao mesmo tempo, em cargos de chefia, exploram seus subordinados, pagam salários indignos e, deixam de lado, os verdadeiros objetivos da religião que, sempre foi vista como o espaço de solidariedade, empatia e integração entre o material e o imaterial.

Vivemos numa sociedade que estimula o empreendedorismo e a inovação, vistos como a chave para o desenvolvimento econômico e para a melhora das condições de vida da população e, ao mesmo tempo, destroem o ensino, degrada a carreira docente, restringe os recursos públicos para setores estratégicos, como educação e saúde, privatizam as riquezas naturais, limitando as oportunidades dos seus cidadãos e continua, abertamente, irrigando os bolsos dos ricos e dos poderosos com subsídios gigantescos, isenções fiscais e tributárias e penduricalhos variados para garantir uma classe de maganos e privilegiados.

Vivemos numa sociedade que entrega abertamente as nossas riquezas naturais e metais estratégicos para grupos estrangeiros, abraçamos cotidianamente as bandeiras dos forasteiros, desfilamos em avenidas lotadas para adorar as cores dos nossos feitores, falamos de liberdade e fugimos dos bancos escolares, não sabemos nossa trajetória e nossos valores e, desta forma, assumimos claramente a nossa subalternidade e a incapacidade de pensarmos como nação soberana.

Vivemos uma sociedade que estimula a compra e os prazeres materiais e, se esquecem, diariamente, que perpetuamos taxas de juros estratosféricos, que aumentam o endividamento das famílias, reduzem os investimentos produtivos e condena uma parte substancial da população a salários reduzidos, cargas de trabalho escorchante e tributos exagerados, além de metas impossíveis de serem cumpridas e, neste ambiente, repercutem a necessidade da construção de uma família equilibrada e estruturada, sonho distante da maior parte da população.

Nesta sociedade, marcada pela ilusão crescente, percebemos o aumento assustador de pessoas em situação de rua, os desequilíbrios emocionais, os suicídios silenciosos, a corrupção crescente, uma justiça ineficiente e dispendiosa, educação pública degradada, trabalhadores próximos da insolvência e uma suposta elite incapaz de compreender os desafios sociais e, interessada, apenas, em garantir seus benefícios financeiros e continuar recebendo proventos vinculados aos juros elevados.

Ary Ramos da Silva Júnior, Bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitário.

Confrontos abertos

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A sociedade brasileira vem passando por transformações generalizadas, com impactos sobre todos os atores sociais, gerando calafrios crescentes, desequilíbrios estruturais, instabilidades variadas e preocupações gigantescas, com impactos sobre a democracia, elevando as incertezas e os confrontos internos, aumentando as movimentações externas e os receios de intervenções internacionais. Vivemos um momento de medos e desesperanças que podem levar a ascensão de grupos políticos que pregam rupturas democráticas e retrocessos sociais, impulsionando uma guerra de todos contra todos.

Recentemente, percebemos o aumento das inverdades e das chamadas fake news, na verdade, estas inverdades sempre existiram na sociedade e, neste ambiente de eleições generalizadas, as mentiras crescem aceleradamente, as chamadas narrativas crescem como forma de evitar uma reflexão mais consistente, criando interpretações equivocadas e, com isso, acabam gerando confrontos verbais, desrespeitos físicos, aumentando a violência, as agressões e os ressentimentos, deixando claro, que vivemos numa sociedade marcada por dificuldades de reflexão, ausência de planejamento, desconhecimento histórico e a incapacidade de estratégias de desenvolvimento.

Vivemos uma sociedade onde os confrontos crescem de forma acelerada, no trânsito reina a força do mais forte, os condutores estacionam seus veículos em locais impróprios, percebemos motoristas desrespeitando a sinalização, passando no sinal vermelho, ultrapassando em locais proibidos, transeuntes desrespeitando as regras de convivência cotidiana e as brigas, o incremento de confrontos físicos que podem culminar em mortes e agressões violentas, com isso, consolidamos uma sociedade violenta, longe do chamado homem cordial, destacado pelo ilustre sociólogo Sérgio Buarque de Holanda no aclamado Raízes do Brasil.

As escolas, que deveriam ser vistas como um espaço de cidadania, do respeito e da convivência pacífica se transformaram em locais de confrontos constantes, professores e funcionários estão sendo agredidos violentamente, gerando um caldo crescente de agressividade e desrespeito, com isso, consolidamos uma nação sem educação, sem horizontes e colhemos uma nação sem horizontes tangíveis. Os professores, anteriormente eram vistos como um grupo respeitado, perderam este status social, gerando jovens que fogem da docência, repudiam as escolas, abominam o ensino superior e sonham em ser empreendedores, vislumbrando carreira de produtor de conteúdo e de influencers.

Os confrontos crescem em todas as searas, os tribunais se tornaram espaço de xingamentos, grosserias e ofensas generalizadas, onde a corrupção, o compadrio e o corporativismo crescem e a defesa “invisível” e indiscriminada dos donos do poder se tornam cada vez mais evidentes, desnudando as relações entre o capital e a justiça e, contribuindo, para a perpetuação de uma estrutura social atrasada, violenta e corrupta.

Os confrontos contemporâneos mostram uma degradação da democracia representativa, os eleitos se utilizam do poder financeiro para garantir a preservação de suas benesses, ventilando mentiras e manipulações como instrumento de proteção e, com isso, garantem a sua perpetuação nas barbas do poder, se vendendo para os donos do dinheiro, embolsando migalhas materiais e se afastando dos interesses da população.

As ofensas e os confrontos abertos nas cortes superiores servem como uma cortina de fumaça para encobrirmos a inoperância de uma sociedade que perpetua a desigualdade, a exclusão e preserva o atraso institucional, somadas a degradação social e financeira dos profissionais da educação, o incremento do feminicídio e o crescimento da violência urbana, tudo isso nos mostra, claramente, que chegamos ao limite da degradação, o próximo passo é, com certeza, a verdadeira barbárie.

Ary Ramos da Silva Júnior, bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitário

Educação

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Todas as nações que conseguiram alçar, o tão sonhado desenvolvimento, antes deste intuito, tiveram que se conscientizar, verdadeiramente, da importância da educação como a verdadeira alavanca para o crescimento econômico e para o desenvolvimento social, mas, antes de tudo, estas nações conseguiram construir consensos sociais, coesão política e instituições sólidas, unindo os mais variados grupos sociais, planejando ações concretas, fomentando os investimentos e estruturando uma verdadeira estratégia de desenvolvimento.

São inúmeras as nações que saíram de condições de atraso, de pobreza e de carência material, para construir uma sólida estrutura econômica e diversidade produtiva, com a criação de empregos sofisticados, impulsionando setores dinâmicos e empreendedores, marcados por estruturas físicas consolidadas e garantindo, a todos os seus cidadãos, uma condição digna e decente, melhorando o bem-estar social e possibilitando as condições materiais e imateriais para uma vida mais abastada, com segurança e ascensão social.

Neste cenário, percebemos uma sociedade que se compraz com as imagens criadas nas redes sociais, onde as eleições que, sempre foram vistas como um espaço de debates e conversações atreladas aos grandes desafios da contemporaneidade, passou a ser vista como um momento de lacração, xingamento e mentiras constantes. A educação, sempre foi imprescindível para o desenvolvimento nacional, atualmente, infelizmente, está relegada aos chavões clássicos, aos clichês envergonhados e uma enxurrada de números, sem comprovação científica e sem consistência técnica, desta forma, percebemos, claramente, nosso atraso educacional, que coloca nossos alunos nos últimos lugares das provas internacionais.

Vivemos num país onde os professores estão sendo relegados a condição de insolvência e indignidade, seus parcos recursos monetários não garantem condições mínimas de sobrevivência, suas condições de trabalho pioram constantemente, as pressões por metas irracionais e cobranças exageradas levam muitos profissionais a desenvolverem síndromes emocionais, desta forma, os estudantes não cogitam a possibilidade de seguir a carreira docente, gerando um verdadeiro caos na educação, levando gestores pouco capacitados ou desqualificados a acreditarem que a solução está na plataformização do ensino, comprando computadores, tecnologias e equipamentos sofisticados, garantindo lucros elevados e polpudos para os empresários e perpetuando uma condição de subalternidade das grandes empresas de tecnologia.

A educação deve garantir, a todos os indivíduos, as condições dignas de sobrevivência, um espaço de integração social e uma troca constante de experiências entre os cidadãos, garantindo uma bagagem sólida e consistente para construir uma carreira profissional consistente, compreendendo, ainda, os grandes desafios da sociedade contemporânea e possibilitando um crescimento como ser humano, valorizando a empatia e a solidariedade, deixando para traz uma visão imediatista, hipócrita e centrada no eu, que valoriza o egoísmo, o hedonismo e a acumulação material, além de degradar o meio ambiente e deixar de lado os verdadeiros valores humanos.

Os investimentos na educação demandam tempo, competência técnica, inclusão social, estímulo à diversidade e valores humanistas, precisamos valorizar as escolas como um espaço de solidariedade, consolidar valores éticos e morais e valorizar um projeto nacional. Como nos foi dito pelo grande intelectual brasileiro, Darcy Ribeiro, o fracasso da educação pública no Brasil não é um acidente ou uma falha de planejamento, mas sim um projeto político deliberado da elite para manter a desigualdade social. Cabe refletirmos sobre isso…

Ary Ramos da Silva Júnior, bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitá

Poder imperial

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O mundo vive um momento de grandes incertezas e polarizações constantes, marcados por conflitos militares, intervenções diplomáticas e pressões econômicas, onde muitos governos soberanos estão sentindo na pele uma violência continuada de um poder imperial, gerador de instabilidade, criando um caos generalizado, espalhando medo e incertezas crescentes.

Neste ambiente, percebemos que os Estados Unidos atuam diretamente como a potência enraivecida, atacando nações em todas as regiões do globo, agredindo nações soberanas, matando lideranças, conspirando contra governos, espalhando instabilidade e disseminando rancor e ressentimento, atacando inimigos e ofendendo aliados.

Nos últimos anos, o governo norte-americano atacou militarmente algumas nações, capturou governos legítimos e reconhecidos pela comunidade internacional, ameaçou Estados soberanos, bombardeou povos, disseminando agressões, escondendo atrocidades, expulsando empresas estrangeiras e pressionando grandes conglomerados a aumentarem os investimentos produtivos e a geração de empregos na economia norte-americana.

Neste cenário, percebemos uma intervenção constante contra as instituições multilaterais, organismos construídos no período posterior da segunda guerra mundial, mantidas e inspiradas por brilhantes formuladores de políticas internacionais. Estas instituições nasceram para auxiliar na reconstrução das economias destruídas neste período, onde o dólar norte-americano, se transformou na moeda global e sua indústria se consolidou como o grande espaço produtivo mundial, responsável pela internacionalização do modelo fordista que dominou o século XX.

A destruição deste modelo está impactando todas as nações, gerando um verdadeiro caos entre os países, reduzindo a legitimidade e contribuindo para vislumbrarmos um cenário externo de incertezas, conflitos militares e soberanias contestadas, desta forma, exige-se urgentemente, de todas as nações, a reconstrução de conceitos fundamentais, tais como soberania, autonomia, acordos internacionais, instituições multilaterais e os espaços geográficos.

Depois de uma excursão violenta no Oriente Médio, cercado por guerras e conflitos militares, justificados pelo ataque nas Torres Gêmeas, de 2001, as forças armadas norte-americanos invadiram países da região, como Iraque e Afeganistão, matando milhões de pessoas, gerando caos e alimentando conflitos culturais, impactando fortemente sobre a economia local, despejando trilhões de dólares e os resultados desta incursão militar foram fortemente questionáveis interna e externamente.

Nos últimos dez anos, os Estados Unidos não declararam guerra contra nenhuma nação, mas se envolveram diretamente em operações de combate, intervenções aéreas, ataques de drones, bombardeios, missões antiterrorismo e operações especiais em pelo menos 8 países, desta forma, espalhou no mundo todo, preocupações crescentes de aliados e inimigos, levando muitas nações a aumentarem seus gastos militares como forma de se defender.

Com o retorno de Donald Trump, as pressões utilizadas foram diferentes, os norte-americanos aumentaram as tarifas comerciais, se desentenderam com antigos aliados e se retiraram de inúmeras organizações e tratados multilaterais tais como: Organização Mundial de Saúde (OMS), o Acordo de Paris sobre o clima, a UNESCO e o Conselho de Direitos Humanos, desta forma, suspenderam o financiamento de 66 entidades internacionais, gerando insatisfação e um clima de revolta e de indignação.

O poder imperial mostra suas armas, suas fraquezas e seu desespero, afinal percebe a ameaça crescente da China, seu poder econômico e sua força geopolítica, neste cenário, os Estados Unidos buscam revisar uma nova doutrina de segurança e tentam retomar a América Latina, para isso, mais uma vez, atrai, novamente, sua elite financeira, corrupta, subserviente e entreguista, que se pinta de nacionalista, mas no fundo, trabalha intensamente, para a perpetuação do nosso subdesenvolvimento.

Ary Ramos da Silva Júnior, Bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitário.

Soberania

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Vivemos um mundo marcado por discussões políticas desnecessárias, muitos grupos influentes falam muito e nada de relevante, as conversas são sempre superficiais, ultrapassadas e limitadas. Os assuntos mais complexos, que demandam um maior aprofundamento, aqueles que impactam fortemente sobre a realidade nacional dos cidadãos são deixados de lado, ouso dizer, são ignorados, é mais fácil falar de banalidades, lacrar e agredir do que refletir sobre os problemas contemporâneos.

Um dos assuntos que ganham espaço no noticiário é a discussão referente a soberania, um assunto importante e relevante, onde poucos indivíduos conhecem, afinal vivemos numa sociedade centrada no trabalho constante, cobranças intensas, levando as pessoas a correrem atrás de metas inalcançáveis, cargas excessivas de trabalho e salários miseráveis, onde os indivíduos não têm tempo para conviver com os seus, ainda mais disposição efetiva de pensar, refletir e indagar.

Podemos definir soberania como o poder supremo e exclusivo que um Estado Nacional exerce sobre o seu território e a sua população, garantindo autonomia para tomar decisões políticas, jurídicas e econômicas sem interferências externas. A soberania das nações é a oportunidade de fazermos escolhas imediatas e estruturadas, definirmos os rumos da sociedade, a estrutura econômica e produtiva e as questões políticas que impactam sobre seus cidadãos, um assunto complexo e imprescindível, que demanda tempo, reflexão e a consciência do que queremos ser nos próximos anos.

Somos uma economia fortemente dependente de outras nações, somos importadores de tecnologias, compramos mercadorias sofisticadas e consumimos produtos produzidos e desenhados em outros países, tudo isso limita a nossa soberania e nossa autonomia, afinal, num ambiente de grandes confrontos políticos e geopolíticos, depender de outras nações é algo preocupante, como ficaríamos se o mundo entrasse em um conflito militar mais efetivo?

Vivemos num impasse preocupante, investir fortemente em ciência, pesquisa e em tecnologia pode e deve fortalecer a estrutura econômica e produtiva, garantindo uma sofisticação tecnológica e uma redução sistemática das fragilidades produtivas, gerando uma economia mais independente, mais soberana, gerando empregos mais qualificados e uma renda mais elevada. Mas, para isso, precisamos romper com uma estrutura econômica rudimentar, consolidada no período de colonização, dependente das nações desenvolvidas, importadora de tecnologias e máquinas sofisticadas e dependente da exportação de produtos primários de baixo valor agregado, este modelo concentra renda, gera empregos com baixos salários e uma desigualdade crescente, que limita o crescimento econômico sustentável.

Neste cenário, percebemos uma discussão superficial e eleitoreira, a sociedade internacional exige um posicionamento da sociedade brasileira e as escolhas estão sendo dadas abertamente, ou buscamos um desenvolvimento econômico autônomo e soberano que nos garanta e consolide uma emancipação política ou se vamos aprofundar um modelo baseado na subserviência dos grandes atores globais, nações desenvolvidas que conseguiram seu desenvolvimento econômico estimulando a pilhagem, o saque e a submissão incondicional. Atualmente, estamos recebendo grandes investimentos estrangeiros com o objetivo de extrair reservas minerais estratégicas para a economia contemporânea, entregar estas riquezas, a preço de banana e sem contrapartidas deve perpetuar a nossa submissão e nossa subserviência. O cenário da sociedade global é preocupante e os caminhos estão nítidos e evidentes, cabe a cada cidadão escolher os rumos que queremos trilhar nos próximos anos, mais soberania ou submissão total.

Ary Ramos da Silva Júnior, bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitário.

Mundo muito estranho

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Vivemos numa sociedade esquisita, preconceituosa e marcada por crescentes e intermináveis desigualdades sociais. Onde os valores estão sempre centrados na acumulação material e nos prazeres imediatos, tudo isso se transformou abertamente na tônica central dos indivíduos e da comunidade. Uma sociedade que premia o rentismo e o financismo, defende a meritocracia e a ascensão social, mas ao mesmo tempo, destrói a educação pública e humilha os professores, condenando seus filhos mais humildes a humilhações constantes, aumentando a desesperança, o medo e, ao mesmo tempo, observa atônita o crescimento acelerado da violência.

Uma sociedade que premia valores e comportamentos transitórios e imediatistas que colhe afastamento social, onde os relacionamentos passam por um cálculo econômico e financeiro, levando os indivíduos a se afastarem dos compromissos mais sólidos e consistentes como forma de evitar constrangimentos futuros e frustrações emocionais. Uma sociedade que defende, abertamente, a racionalidade e prega a eficiência produtiva e, ao mesmo tempo, degrada o meio ambiente, devastando as florestas, explorando de forma indiscriminada os rios, os mares e os oceanos, gerando graves constrangimentos nas águas, matando espécies e gerando um verdadeiro caos na natureza. Mesmo assim, acreditam, cegamente, que são racionais e agem abertamente em prol do desenvolvimento econômico.

Vivemos numa sociedade que premia a especulação financeira e se compraz na criação de fórmulas sofisticadas, defendendo a eficiência produtiva e os ganhos imediatos e, ao mesmo tempo, pouco contribui para o desenvolvimento econômico e produtivo e para a redução da desigualdade social. Cria cálculos matemáticos modernos, desenvolve fórmulas pouco compreensivas e acredita serem racionais e dotados de grande capacidade intelectual e, ao mesmo tempo, prega a racionalidade produtivo, trocando seres humanos por máquinas, ignorando sonhos e esperanças de seus concidadãos, espalhando pobreza e indignidade material, acreditando piamente que aqueles que não conseguirem se adaptar aos novos tempos são ineficientes e ultrapassados.

Vivemos numa sociedade marcada pela falsa eficiência material, que prega os valores da família e da religião, propagandeando a ascensão social via trabalho e dedicação na vida profissional e exige horas e mais horas de trabalho e de subserviência total, impondo metas impossíveis de serem cumpridas, cobranças exageradas e indevidas, salários arrochados e desvalorizados, além de atuar diretamente na redução dos benefícios dos trabalhadores, usando seu poder de convencimento material para defender menos direitos trabalhistas, espalhando que menos benefícios trarão mais empregos e melhorias crescentes para a toda comunidade, desta forma, cria uma classe de trabalhadores despreparados, subservientes e sem benefícios sociais e, mesmo assim, defende abertamente os interesses materiais de seus empregadores.

Vivemos numa sociedade marcada pelo crescimento da tecnologia, onde os valores estão em constante movimento, onde as tecnologias estão entrando em todas as casas, alterando comportamentos e tradições consolidadas, santificando a beleza física, os ganhos materiais e os corpos sarados, como forma de sucesso, estimulando a exposição exagerada, acabando com a privacidade e escondendo as frustrações emocionais e os vazios existenciais, gerando, desta forma, um exército de indivíduos frustrados, incultos e cultuadores de sua própria ignorância intelectual e sua pobreza moral.

Vivemos num mundo estranho, falamos constantemente na meritocracia e no empreendedorismo e nos esquecemos, cotidianamente, de darmos maiores oportunidades para nossos concidadãos, afinal, vivemos num mundo onde tantos talentos extraordinários morrem esquecidos, sem oportunidades e sem esperanças. Precisamos repensar a nossa sociedade, afinal o tempo urge.

Ary Ramos da Silva Júnior, Bacharel em Ciência Econômica e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitário.

Riquezas Naturais

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A sociedade internacional vive momentos de grandes agitações econômicas, políticas e geopolíticas. Onde as nações estão repensando seus desafios contemporâneos, as guerras e os conflitos militares crescem em todas as regiões do globo, o meio ambiente passa por degradações constantes pela ação irresponsável e imediatista dos seres humanos, o aumento constante da desigualdade dentro dos países, violências explodem na comunidade mundial, os imigrantes passaram a ser vistos como indesejáveis, a democracia representativa se degrada todos os dias, percebemos, ainda, a ascensão de uma extrema direita fascista, xenófoba e belicista. Neste cenário, as nações estão tendo que repensar os seus modelos de desenvolvimento econômico, suas políticas públicas, suas prioridades, seus desafios imediatos e suas oportunidades, num mundo conflagrado, violento, corrupto, sangrento e centrado nos valores do capital, da acumulação e do hedonismo.

A sociedade brasileira se caracteriza, desde os seus primórdios, como uma economia agroexportadora de produtos de baixo valor agregado, alternamos, desde a colonização, uma predominância de produtos primários, pau-brasil, cana de açúcar, metais preciosos, borracha, cacau, café… dentre outros.  Mais de duzentos anos de independência, permanecemos como uma nação exportadora de produtos primários, atualmente dependemos das vendas externas de soja, minério de ferro, carne, laranja, petróleo, açúcar dentre outros, desta forma, perpetuamos nossa dependência externa, enriquecendo uma pequena parte da sociedade e condenamos a indignidade uma grande parte da população, criando e consolidando uma elite econômica, política e financeira importadora de produtos sofisticados, compradora de tecnologias de última geração e sendo vistos como modernos, dominando o Estado Nacional, extraindo grandes somas de recursos através de subsídios, isenções fiscais e tributárias e, mesmo assim, lutam fortemente para reduzir os repasses governamentais para os grupos menos favorecidos.

Muitas nações pobres, frágeis e desprovidas de riquezas naturais conseguiram seu desenvolvimento econômico e garantiram uma melhor qualidade de vida para seus cidadãos, investindo fortemente em educação, dispendendo grandes somas monetárias em pesquisa, ciência e tecnologia, aumentando a complexidade econômica de seu setor produtivo, com isso, garantiram um capital humano mais qualificado, mais dinâmico e, desta forma, conseguiram, construir uma economia mais independente, mais soberana, com autonomia política e garantiram espaços de destaque no cenário internacional.

Outras nações, podemos elencar inúmeros exemplos, caracterizadas por grandes riquezas naturais, dotadas de vegetação variada e diversificada, solos ricos, energias renováveis, ventos abundantes, características positivas que enchem os olhos de outras nações, gerando inveja e constrangimentos no cenário global. Mesmo assim, sendo detentoras de grandes riquezas não conseguiram se libertar do atraso econômico, favorecendo uma pequena parte da população, garantindo benesses e isenções constantes e, contribuindo, imensamente para a perpetuação da miséria, do analfabetismo e da indignidade humana de parte substancial da população.

A abundância de recursos naturais pode angariar uma melhora constante da vida da população, desde que a sociedade compreenda a importância de distribuir recursos para todos os grupos sociais, deixando de lado os ganhos indiscriminados de poucos e entendendo que a desigualdade degrada o tecido social, reduz as oportunidades, limitam o potencial inovador dos cidadãos, concentra a renda nas mãos de poucos, aumenta a violência cotidiana e perpetua uma guerra de todos contra todos, sem vencedores e apenas perdedores.

Ary Ramos da Silva Júnior, Bacharel em Ciências e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitário.

Poder do capital

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Vivemos numa sociedade interessante e preocupante e, ao mesmo tempo, marcada pela incerteza e instabilidade crescentes, nesta comunidade, percebemos o domínio da tecnologia e dos valores materiais, onde o dinheiro e a ganância financeira predominam. Uma sociedade marcada por grandes contradições, onde a régua do sucesso está atrelado aos rendimentos, aos valores monetários, as propriedades, as ações, as obras de arte e atrelada aos bens de luxo, nesta sociedade, os valores do sucesso estão no ter, no possuir ou, principalmente, no parecer ter.

Nesta sociedade, o poder do dinheiro é irrefutável, todos que os criticam são vistos como inimigos, delinquentes e devem ser eliminados, são aceitos os subservientes, os fracos e os entreguistas, aqueles que aceitam os valores da barbárie em prol de seu enriquecimento momentâneo, deixando os valores da solidariedade, da empatia e do humanismo e passam a abraçar valores temporários e se esquecem de que a história seria cruel a estes personagens.

O mundo contemporâneo é dominado pelo poder do capital, o dinheiro compra consciência, adquire empresas e destrói os seus concorrentes, acreditando que foi uma gestão eficiente e profissionalizada e pouco conhece os meandros da selvageria que comanda o mundo dos negócios, marcado por sabotagem e por chantagem, comprando uma justiça ineficiente, cara e muitas vezes corrupta, usando o poder do capital para contratar profissionais capacitados tecnicamente e desprovidos de valores morais, com isso, perpetua as desigualdades, as violências simbólicas, gerando calafrios, medos e desesperanças.

Vivemos numa sociedade onde o poder do capital passou a controlar as mídias, a imprensa e as redes sociais, controlando as informações, impedindo as discussões saudáveis, limitando a liberdade e  consolidando um verdadeiro pensamento único, afinal, as grandes revistas, os canais de televisão e a chamada mídia tradicional passaram a ser comandadas por agentes financeiros e grandes bancos de investimentos, controlando as redações, interditando o debate político, limitando as discussões econômicas, divulgando inverdades, espalhando fake News, dispensando profissionais que pensam diferente, com isso, limitam o debate, o pluralismo e a imparcialidade.

Os valores da sociedade estão em constante transformação, as tradições estão sendo destruídas, os comportamentos estão em movimentação, as necessidades dos indivíduos estão sendo alteradas, o trabalho passou a ser o centro da vida cotidiana, as atividades profissionais, marcadas pela competição crescente e desigual, estão degradando as relações sociais e políticas, transformando os seres humanos em verdadeiros robôs e agora, na contemporaneidade, estes robôs estão passando a ocupar os espaços dos trabalhadores, gerando incertezas, medos e inquietações, que levaram o CEO do maior fundo de investimento do mundo, BlockRock, que administra mais de US$ 12 trilhões, a mostrar preocupação com o mercado de trabalho e a rápida ascensão da inteligência artificial.

Na sociedade contemporânea, as discussões se afastam dos interesses sociais, os medos contemporâneos crescem de forma acelerada, as famílias estão assustadas com o futuro de seus filhos, o mundo do trabalho nos parece selvagem e alucinado, os relacionamentos humanos se concentram numa busca constante por interesses pessoais e imediatos, as discussões coletivas são deixadas de lado, as famílias estão se afastando constantemente, a classe política se compraz com seus ganhos pessoais e os pobres votam para perpetuar os ganhos daqueles que os escravizam. Estranha e perigosa modernidade…

Ary Ramos da Silva Júnior, Bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitário.

Mundo dos negócios

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Vivemos um momento marcado por uma verdadeira transformação na comunidade global, nesta nova sociedade tudo é comercializável. Encontramos, um verdadeiro ambiente de negociações constantes em todas as áreas e setores, neste cenário, aqueles que detém os poderes monetário e financeiro na sociedade contemporânea, compram e, muitas vezes, com valores elevados, para acumular seus recursos, garantir seus caprichos, aumentar seus ganhos monetários, consolidando sua força política e satisfazendo seus interesses.

Vivemos numa sociedade, onde tudo se compra, tudo se vende, os valores são deixados de lado e os preços aparecem visivelmente, os ganhos sedutores do dinheiro e do poder político transformam os seres humanos e garantem uma sociedade centrada nas injustiças, nas desigualdades, nas exclusões e, contribuem, ativamente, para dilacerar os laços sociais, aumentando a violência e uma verdadeira guerra de todos contra todos.

Nesta sociedade, os valores sociais estão em constante movimentação, os comportamentos estão em constante agitação, o mundo do trabalho está em transformação cotidiana, os relacionamentos estão sendo transformados rapidamente e em constante alvoroço. A ética, que nasceu para refletir e orientar o comportamento dos seres humanos, definindo o que é considerado certo ou errado, justo ou injusto, bom ou mau, ou seja, a ética sempre se pautou por princípios para guiar as ações das pessoas e garantir uma convivência respeitosa e pacífica.

Nesta sociedade, a ética e a moral perderam espaço, comportamentos vistos como justo ou injusto, bom ou mau, perderam significado e importância, dilemas como este, que muitas vezes levavam os indivíduos a reflexões constantes, passaram a ser resumidos em uma nova equação, os ganhos materiais e a acumulação monetária. A ética contemporânea é a ética do capital, do enriquecimento, da ostentação, essas são as verdadeiras bússolas das decisões dos indivíduos.

No mundo contemporâneo, encontramos comércio de tudo, órgãos humanos são encontrados e comercializáveis, a saúde se transformou num verdadeiro negócio bilionário, a educação e, principalmente, os diplomas são vendidos livremente neste grande mercadão, desde que o indivíduo tenha recursos monetários para pagar, algumas religiões estão se transformando num negócio extremamente lucrativo, movimentando bilhões, além de isenções fiscais e financeiras que enriquecem muitos “religiosos”. Os relacionamentos, cada vez mais líquidos, rápidos e passageiros, como dizia Zygmunt Baumann, autor da prestigiosa obra “Amor Líquido”, estão sendo estampados nas redes sociais, na programação das televisões comerciais e na camisa dos times de futebol, neste cenário, tudo está sendo comprado e vendido em troca de valores monetários.

No mundo dos negócios, os governantes se eximem de trazer políticas públicas inovadoras e passam a vender o patrimônio nacional, algo muito fácil, privatizam empresas tradicionais, criticam os monopólios públicos e os transformam em monopólios privados, sucateiam serviços públicos, reduzem seus recursos humanos e degradam suas estruturas estratégicas para, posteriormente, criticar os serviços públicos e justificar a entrega do patrimônio para grupos financeiros que pouco conhecem o serviço, que posteriormente, passam a majorar as tarifas e garantem, na próxima eleição, recursos monetários e apoio político, garantindo sua reeleição e a perpetuação na destruição do patrimônio público.

O mundo dos negócios não deve ser assim, sabemos disso, os mercados foram criados para satisfazer necessidades e integrar povos e comunidades, mas quando o capital passa a comandar a sociedade e impor seus valores materiais, encontramos degradação, violência e desigualdade social.

Ary Ramos da Silva Júnior, Bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitário.

Deficiências estruturais

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Vivemos num mundo marcado por grandes transformações estruturais que impactam todas as regiões do globo, estas mudanças estão pressionando as organizações e assustando os indivíduos, nesta sociedade, dominada pelo desenvolvimento tecnológico e pela força do capital, poucas nações, na sociedade internacional, estão preparadas para competir neste ambiente marcado pelo incremento da concorrência, pelo crescimento da violência e pelas ameaças bélicas e militares.

Estamos visualizando guerras crescentes em inúmeras regiões do mundo, ameaças aos imigrantes, intolerâncias crescentes, aumento dos conflitos e das invasões militares, um forte incremento dos dispêndios em tecnologias, radares, drones e equipamentos bélicos, além das violências crescentes contra as minorias e avanço crescente de governos de direita e, principalmente, da extrema-direita com feições fascistas, todos estes fatores, somados, evidenciam uma forte degradação da democracia.

Neste ambiente, as nações buscam desenvolver tecnologias para reduzirem suas deficiências estruturais, governos nacionais aumentam os dispêndios na educação, incrementando os investimentos em ciência, pesquisa e tecnologia. Neste cenário as nações estão buscando construir energias alternativas e sustentáveis para suportar os desafios da economia do século XXI e ainda, buscam preservar seu meio ambiente, combatendo as queimadas e consolidando o combate aos grupos, nacionais e internacionais, que ganham com a degradação da naturezacom isso, estes países vislumbram uma soberania maior, fortalecimento de suas economias, aumentando a proteção para seus cidadãos.
A palavra soberania vem ganhando espaço na sociedade brasileira nos últimos anos, embora as discussões nos pareçam interessantes e atuais, precisamos compreender que, para consolidarmos nossa soberania, precisamos construir um ecossistema sofisticado que abarque variados setores estratégicos da sociedade. A verdadeira soberania demanda das nações uma autonomia em algumas áreas estratégicas, tais como: militar, tecnológica, alimentar, energética e econômica.

Poucos países conseguem acumular autonomia em todas estas áreas, algumas nações possuem força militar e tecnológica, mas carecem de uma maior autonomia alimentar ou energética. Outras nações possuem autonomias econômica, energética e tecnológica, mas precisam construir estratégias mais consistentes em outros setores. Ao analisarmos a autonomia brasileira, percebemos que somos dotados de força energética e alimentar, somos referência nestas áreas, mas precisamos construir uma autonomia econômica, tecnológica e militar, sem estas autonomias somos frágeis e dependentes de outras nações, ainda mais num mundo marcado por grandes disrupturas, onde os poderes da lei e da institucionalidade estão sendo sobrepostos pela força militar e pelo poder do capital financeiro.

Neste momento, a sociedade brasileira vem passando por um momento importante e imprescindível, as eleições presidenciais demandam seriedade, lucidez e compromisso nacional. Escolher as melhores ideias e analisar os cenários possíveis exigem maturidade e uma forte capacidade de compreensão dos desafios em curso na contemporaneidade.

A sociedade global nos mostra oportunidades crescentes, a inteligência artificial pode abrir novos horizontes e grandes desafios, a robótica nos auxilia e pode reduzir os custos produtivos, mas ao mesmo tempo, pode trazer um exército de desempregados, aumentando o contingente de degradados e excluídos. Estamos num momento fundamental para a sociedade brasileira, precisamos analisar as nossas deficiências estruturais, construir novas estratégias para superar as desigualdades que sempre marcaram nosso país e fortalecer nossa soberania, nossa autonomia e nossa independência, além de evitar que sejamos comandados pelos vendilhões do templo que se pintam de nacionalistas e são, verdadeiramente, hipócritas e entreguistas.

Ary Ramos da Silva Júnior, Bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitário.

Donos do mundo

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Vivemos numa sociedade marcada por novos valores internacionais, as regras estão sendo transformadas todos os dias, os modelos de negócios, anteriormente exitosos, estão sendo contestados diuturnamente, as instituições globais criadas, no pós-segunda guerra mundial, para criar um espaço de crescimento econômico e de desenvolvimento social estão sendo desmontadas e os governos hegemônicos usam seus poderes bélicos e militares para subjugar outros povos, impondo seus interesses e garantindo seu poder no xadrez internacional.

Estamos sentindo na pele o surgimento de novas formas de organização produtiva, a ascensão do mundo digital está criando novas estruturas econômicas e produtivas, organizações criadas há poucos anos estão sendo negociadas e comercializadas no cenário internacional, por bilhões de dólares, destruindo modelos econômicos tradicionais e organizações consolidadas, além de colocar em xeque milhões de empregos, afetando famílias e comunidades inteiras, além de espalhar sentimentos conflituosos, agressividades represadas e violências crescentes.

Estamos vivendo uma sociedade marcada pelo grande poder do mercado financeiro internacional, são eles os donos no mundo contemporâneo, definem a política econômica das nações, comandam as taxas de juros das Autoridades Monetárias, estruturam os instrumentos de pagamentos, comandam os rumos dos Bancos Centrais colocam as taxas de câmbio nos patamares mais rentáveis e, muitos ainda, acreditam, que vivemos numa sociedade democrática e temos liberdade de expressão e de pensamento.

Os três maiores gestores de ativos do mundo, Black Rock, Vanguard e Fidelity administram mais de US$ 30 trilhões, valores maiores de que o Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos, detêm ações de empresas nas mais variadas regiões de mundo, controlando recursos e comandando direta ou indiretamente, muitas organizações são vistas como empresas de capital nacional e, na verdade, são braços controlados por estes conglomerados estrangeiros gestores de ativos e dotados de grande poder econômico e financeiro, com influência marcante sobre os governos, as autoridades monetárias e os fundos de investimentos.

Destacando o xadrez do poder internacional, precisamos destacar a força e a influência das grandes empresas de tecnologia, as chamadas Big Techs, onde destacamos Meta (Facebook e Instagram), Alphabet (Google), Microsoft, Amazon, Apple, Nvídia e Tesla, todas organizações dotadas de grande poder e seus valores de mercado são assustadores, todas empresas norte-americanas e usam seu poder para manter seu poderio e impedir que os governos nacionais usem instrumentos institucionais para regular, afetar seus ganhos e limitar sua capacidade de influenciar os cidadãos, vender seus produtos, valorizar suas ações e garantir lucros estratosféricos.

Vivemos num momento de grandes transformações na sociedade internacional, a riqueza, antes atrelada a valores materiais passou a ser associada ao conhecimento científico, a imaterialidade e a reflexão crítica, neste ambiente, a sociedade brasileira está tendo a oportunidade de construir novos horizontes, somos detentores de produtos imprescindíveis para a economia do século XXI, possuímos energias renováveis, somos detentores de minerais críticos e terras raras, além de sermos uma sociedade criativa e empreendedora, precisamos apenas construir um projeto de futuro e canalizar nossas energias em discussões produtivas e lucrativas, abandonando visões atrasadas, entreguistas e rechaçar os defensores do complexo de vira latas que perpetuam nosso subdesenvolvimento e nosso atraso moral.

Ary Ramos da Silva Júnior, Bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitário.

Novos ventos

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Nestas últimas décadas percebemos inúmeras transformações na economia mundial, o processo de globalização alterou fortemente as estruturas produtivas, novos comportamentos se espalharam para todas as regiões do globo, a globalização reconfigurou as estruturas produtivas internacionais, tudo isso, contribuiu imensamente para o surgimento de novos valores, novos comportamentos e uma nova volatilidade.

Desde os anos 1980 a sociedade internacional passou por grandes alterações estruturais, novos valores e novas formas de organização produtiva, a teoria econômica dominante passou a defender mais mercados e menos Estado, onde os ideários econômicos e políticos passaram a divulgar conceitos como privatização, desregulação, abertura econômica, redução do papel do Estado na economia, dentre outras, ideias ligadas ao pensamento neoliberal, todas estas medidas eram vistas como o instrumento para que as nações subdesenvolvidas conseguissem alavancar seu crescimento econômico, com incremento da produtividade do trabalho, melhora nas condições de vida da população e levando estas nações ao tão sonhado desenvolvimento.

Países como o Brasil e a América Latina, abraçaram, sem titubear, este novo ideário econômico, motivado e estimulado pelos países desenvolvidos ocidentais, desta forma, passaram a diminuir o papel do Estado na Economia, iniciaram a venda do patrimônio público nas mais variadas áreas e setores, reduzindo as regras, as fiscalizações e as regulações dos sistemas econômicos, passando a abrir espaço para os setores privados, onde os mercados passaram a ser os grandes condutores e alavancadores da economia, gerando, como num passe de mágica, mais prosperidade, mais riqueza e bem-estar para a sociedade.

Nos anos 1990, as instituições multilaterais, dependentes das nações desenvolvidas ocidentais, passaram a pressionar os governos nacionais a abrirem suas economias e atraindo grandes conglomerados internacionais, desta forma, esta abertura trouxe, como efeito colateral, a fragilização dos setores produtivos nacionais, a chamada desindustrialização, que transformou as estruturas produtivas e contribuíram, ativamente, para a perpetuação de um modelo econômico agroexportador baseado em produtos de baixo valor agregado, aumentando a dependência da importação de máquinas, equipamentos e tecnologias externas.

Nos últimos anos, percebemos que este ideário neoliberal vem perdendo espaço na agenda econômica global dos países desenvolvidos, como demonstrou o relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI), sugerindo que o mundo está entrando em uma nova fase, onde nações como França, Alemanha, Inglaterra, Estados Unidos, Rússia, dentre outras, estão nacionalizando empresas de energia, ferrovias, saneamento básico, telecomunicação, siderurgias, além disso, muitos governos passaram a controlar recursos minerais estratégicos, como terras raras, lítio, ouro, urânio, níquel, etc… produtos fundamentais para o domínio das cadeias globais de produção.

As alterações do sistema econômico mundial são violentas e exigem, dos setores produtivos, uma integração com governos nacionais, precisamos construir uma nova governança entre Mercado e Estado, deixando de lado as teorias neoliberais ultrapassadas e entreguistas. As nações que embarcaram cegamente nestas ideias foram penalizadas, perderam espaço no sistema econômico global, foram superadas por outras nações e viram seus poderes locais e regionais se reduzirem e, ao mesmo tempo, foram ultrapassadas por nações asiáticas que se afastaram do neoliberalismo, centrando no planejamento, no intervencionismo governamental, nas políticas públicas, atraindo tecnologias, com subsídios estatais e exigências para investidores internacionais. Neste cenário, onde os defensores do pensamento neoliberal estão mudando de ideia e revendo políticas, percebemos que, no Brasil, ainda estamos abraçados neste pensamento e, infelizmente, estamos perpetuando nossa dependência, nosso entreguismo e ainda, acreditamos que somos modernos.

Ary Ramos da Silva Júnior, Bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitário.

Ilusões

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Vivemos momentos nebulosos e transformadores, marcados por inúmeras oportunidades e desafios e, ao mesmo tempo, dificuldades e aprendizagens constantes, onde os seres humanos estão em movimentos cotidianos, marcados por incertezas, desequilíbrios íntimos e novos comportamentos sentimentais, afetivos e emocionais.

Neste cenário, percebemos o crescimento de ilusões constantes e variadas, onde as redes sociais passaram a ganhar relevância na vida dos indivíduos e das organizações, criando valores novos, necessidades crescentes, desejos pessoais e comportamentos variados, levando os sistemas econômicos e produtivos a se reinventarem, exigindo novas estratégias para atingir seu público, instrumentos novos de monetização e, no mundo digital, novos espaços de curtidas e likes constantes.

Neste ambiente, percebemos o crescimento e a consolidação do mundo digital, as pessoas estão namorando no mundo virtual, os indivíduos estão estudando, se qualificando e se capacitando à distância, as conversas pessoais perdem a relevância e a centralidade, passando a ser substituídas por conversas nos meios digitais, criando novas formas de sociabilidade, gerando desafios inéditos e, ao mesmo tempo, criando novas oportunidades, uma verdadeira revolução está acontecendo na sociedade contemporânea, com grandes progressos e, ao mesmo tempo, variados retrocessos.

Neste novo ambiente, a concorrência cresce de forma acelerada, os agentes econômicos e produtivos sentem um incremento na competição, levando estes agentes a estarem sempre abertos para as movimentações dos mercados, este mercado que não se restringe aos concorrentes locais ou regionais, agora percebemos que a competição contemporânea é global, nossos concorrentes estão alojados em todas as regiões do mundo, aumentando os desafios, os medos e as instabilidades.

Neste ambiente marcado por intensa competição que exige uma verdadeira estratégia de atuação, onde as organizações, os governos e os trabalhadores precisam atuar conjuntamente, onde todos os setores devem se comprometer, os governos precisam desburocratizar, combater os desperdícios e a corrupção generalizada, investir fortemente em infraestrutura e aumentar os dispêndios em ciência, pesquisa e tecnologia. No lado das organizações, precisamos reduzir os subsídios e os protecionismos, investir fortemente em uma integração constante com as universidades e os centros de pesquisas, angariando informações e dados estratégicos para a competição internacional. Aos trabalhadores, é importante investir fortemente no incremento da produtividade do trabalho, capacitando a força de trabalho e exigindo uma melhoria dos setores educacionais, criando oportunidades e espaços de construção de utopias.

Nas nações que alcançaram grandes níveis de desenvolvimento econômico, os setores produtivos se integraram imensamente, criando estratégias de crescimento produtivo e sofisticação tecnológica, aumentando a complexidade dos sistemas e deixaram de lado a ilusão de que os mercados, por si só, tendem a levar a economia ao desenvolvimento, vide os exemplos dos países asiáticos que fizeram grandes apostas nos Estados Nacionais como instrumento indutor do crescimento econômico, gerando melhorias produtivas, aumentando a renda e melhorando as condições sociais.

Nações como o Brasil ainda estão apostando no mito de que o mercado vai levar ao desenvolvimento econômico, vivendo numa ilusão estrutural e se perpetuando no subdesenvolvimento e normalizando as desigualdades sociais, acreditando que sempre conseguiremos comprar tecnologias de ponta como exportadores de produtos primários, extraindo do nosso solo produtos fundamentais para a economia do século XXI e vendendo a preço de banana, beneficiando poucos grupos sociais, os mesmos setores que vendem o país no mercado internacional, entrega nossas riquezas e conseguem angariar apoio de desavisados, mal-informados e entreguistas.

Ary Ramos da Silva Júnior, bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitário.

Desemprego e informalidade

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O crescimento e o desenvolvimento tecnológicos vem ganhando espaço na sociedade contemporânea, gerando, de um lado, entusiasmo, excitação e expectativas positivas, mas do outro lado, percebemos uma grande preocupação com as mudanças no mundo do trabalho, contribuindo, imensamente, para a instabilidade e as incertezas que crescem na sociedade global.

No cenário internacional, a sociedade brasileira é compradora de tecnologias, somos importadores de produtos, bens e mercadorias sofisticadas que dominam o ambiente global e, ao mesmo tempo, somos exportadores de matérias primas de baixo valor agregado, avançamos pouco em alguns mercados competitivos, mas continuamos dependentes de tecnologias externas, compramos máquinas, softwares e equipamentos refinados, nossos investimentos em ciência e tecnologia são pífios e, ao mesmo tempo construímos um ecossistema de inúmeras universidades públicas, altamente qualificadas e dotadas de grande conhecimento em variadas áreas e setores, mesmo assim, degradamos nosso patrimônio, destruímos nossa infraestrutura científica e expulsamos pesquisadores qualificados para outras regiões do mundo, desta forma, continuamos dependentes do mercado internacional e perpetuamos, internamente salários precarizados, informalidade elevada e péssimas condições de sobrevivência.

Nesse contexto, percebe-se que a estrutura de emprego e renda permanece marcada pela precariedade. Embora os dados oficiais indiquem a geração de inúmeros postos de trabalho e apontem para baixos índices de desemprego, observa-se que grande parte dessas vagas é caracterizada por baixos salários, jornadas de trabalho intensas, elevada rotatividade e reduzida proteção social. Como consequência, perpetua-se um cenário de deterioração das relações de trabalho, marcado pelo crescimento da informalidade, pela redução dos rendimentos dos trabalhadores e pelo aumento da exploração da força de trabalho. Além disso, essa realidade exerce forte pressão sobre o sistema de seguridade social, podendo comprometer sua sustentabilidade financeira nas próximas décadas e impor desafios significativos às futuras gerações.

Percebemos ainda, governos que estimulam o crescimento econômico através de uma política fiscal expansionista e, ao mesmo tempo, utilizam uma política monetária restritiva, ou seja, aumentamos os gastos públicos, geramos empregos e informalidade e utilizamos taxas de juros elevadas que impulsionam o endividamento da população, com isso, os governos adotam políticas públicas para reduzir o endividamento, criando inúmeros refis, o desenrola I, II… até quando?

Vivemos um verdadeiro ornitorrinco, estimulamos a economia, aumentamos os investimentos públicos, construímos políticas públicas exitosas, aumentamos o emprego formal, movimentamos o sistema produtivo, agitamos o mercado de consumo e, posteriormente, percebemos pressões fortes dos preços e o retorno do conhecido mostro da inflação. Neste cenário, as pressões de preços pressionam a Autoridade Monetária a aumentar as taxas de juros, elevando o endividamento das empresas, dos governos e dos indivíduos, ou seja, estamos correndo atrás do rabo, postergamos decisões estratégicas há décadas, gerando uma verdadeira classe de rentistas e financistas.

Estamos perpetuando um modelo deletério para a sociedade brasileira, precisamos atacar desequilíbrios estruturais da economia nacional, não aumentaremos a produtividade do trabalhador sem fortes investimentos em ciência, pesquisa e tecnologia, não conseguiremos reduzir as variadas desigualdades sociais que se espalham na sociedade sem uma verdadeira reforma tributária que impacte sobre a renda e a propriedade, não conseguiremos eleger representantes capacitados e conscientes de suas responsabilidades sociais sem uma verdadeira transformação educacional, onde os filhos dos pobres possam ter as mesmas oportunidades dos filhos dos ricos, como infelizmente todos os requisitos listados anteriormente nos parecem distantes, neste momento de eleições, precisamos escolher entre os candidatos, os menos piores.

Ary Ramos da Silva Júnior, Doutor em Sociologia e professor universitário.

Dilemas econômicos

O mundo contemporâneo nos impõe grandes desafios e oportunidades, este ambiente marcado pelo crescimento da tecnologia, pelo aumento da concorrência e por um cenário de grandes incertezas exigem uma grande liderança com capacidade de compreender as mudanças econômicas, as transformações políticas e geopolíticas, sob pena de ficarmos para trás nos novos arranjos econômicos e produtivos, perdendo espaço nas cadeias globais.

Neste cenário, encontramos uma economia marcada por grandes dificuldades e inúmeros dilemas, de um lado, sabemos que precisamos crescer economicamente para incluir a população no mercado de consumo e, de outro lado, o governo não possui força política para mudar este modelo econômico. O crescimento da economia demanda taxas de juros reduzidas, estabilidade das regras, capital humano capacitado e boas condições de investimentos produtivos, tudo isso contribui diretamente para que a economia cresça e se diversifique, gerando emprego e desperte o espírito animal dos setores produtivos.

Vivemos num ambiente econômico, onde as taxas de juros elevadas foram escaladas para evitar que os preços não aumentem de forma exagerada e a inflação não ganhe espaço no cotidiano da população, inflação essa que reduz a renda e empobrece a população, gerando graves constrangimentos políticos e eleitorais para os governos. No caso nacional, com estas taxas de juros elevadas, vivemos estimulando um ambiente descrito pelos economistas como stop and go, a economia cresce um pouquinho e depois perde tração e os governos são obrigados a aumentar as taxas de juros internas para evitar o crescimento inflacionário. Com o aumento dos juros a renda da população se reduz, o desemprego cresce e o salário dos trabalhadores perde espaço, desta forma os grandes ganhadores deste modelo são os rentistas e os financistas, não investem nenhum centavo, controlam os meios de comunicações, manipulam comentaristas econômicos com mesadas generosos e difundem que os vilãos desta situação são os ganhadores das políticas públicas governamentais.

Nos anos 1990, o governo brasileiro seguiu o receituário liberal dominante na época, que preconizava o livre fluxo de capitais externos, onde os recursos estrangeiros poderiam entrar e sair rapidamente nas economias, sem restrições tributárias e sem amarras institucionais, desta forma os “investidores” externos tinham mais liberdade e poderiam escolher os ambientes mais atrativos, locais que garantissem grandes retornos econômicos, privatizações de ativos governamentais e aberturas econômicas, além de facilidades de movimentações financeiras, todas essas vantagens que beneficiam os rentistas existem desde então, os governos (alguns vistos como de esquerda e outros de direita) se alternaram nestes trinta anos e nenhum se mobilizou para reduzir essa liberalização financeira e seus custos econômicos e produtivos para a economia nacional, este modelo econômico e financeiro estimula a jogatina interna e transforma o país num verdadeiro paraíso fiscal e impede a construção de um verdadeiro projeto nacional.

Vivemos num ambiente onde os juros elevados estão no centro do modelo econômico implantado nos anos 1990 como forma de remunerar os capitais especulativos e limitando os investimentos produtivos, isso acontece porque ao reduzir os juros internos os capitais estrangeiros fogem do país, desvalorizando o câmbio e pressionando os preços internos, exigindo juros elevados para estabilizar o câmbio e reduzir os preços. Estamos vivendo um dos grandes dilemas econômico e não vislumbro uma solução definitiva, para resolver este dilema precisamos de força política, algo impensável num ambiente polarizado.

Ary Ramos da Silva Júnior, Bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitário.

Desigualdade Social

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Um dos maiores desastres brasileiros é a desigualdade social que crassa a sociedade nacional, somos um país caracterizado por uma das naturezas mais extraordinárias do globo terrestre, somos detentores de clima agradável, recursos naturais que enchem os olhos de outras nações, somos detentores de um verdadeiro ecossistema de recursos naturais e sustentáveis, estamos no centro das discussões contemporâneas referentes a energia limpa e sustentabilidade, possuímos recursos minerais estratégicos para a economia do século XXI e, mesmo assim somos um dos países mais desiguais do mundo, uma verdadeira vergonha internacional.

Nesta trajetória de atraso e dependência estrutural, desde o descobrimento somos uma nação marcada pela pilhagem e pela exploração constantes, mais de trezentos anos de extração econômica pela metrópole europeia, somos uma nação constituída pela escravidão e pela espoliação do trabalho negro, uma classe social fortemente marginalizada e marcada por salários aviltantes, péssimas condições de vida, habitação degradante e indigna, desprovida de saneamento básico e das mínimas condições de sobrevivência, além de uma exploração constante, tudo isso gera uma nação marcada pela atraso institucional e civilizacional, com uma pequena “elite” detentora de benefícios hereditários, isenções tributárias e subsídios fiscais que servem para reproduzir essa situação de indignidade e vergonha generalizada.

Dados recentes divulgados pelo Relatório da Desigualdade Global divulgado em 2025 pelo World Inequility Lab, liderado pelo economista francês Thomas Piketty, colocam o Brasil na quinta posição entre os 216 países em desigualdade de renda, uma situação vergonhosa internacionalmente, mostrando que, mesmo sendo detentores de grandes riquezas naturais e minerais, não somos capazes de transformar nossas riquezas em melhorias substanciais de vida para nossa população, muito pelo contrário, nossa condição destacada no relatório mostra nosso secular atraso institucional, nossa acomodação social e a incapacidade de indignação.

Recentemente o Instituto Brasileira de Geografia e Estatística (IBGE) indicou que o Brasil apresentou um aumentou de 1,3% no Gini, indicador utilizado para medir desigualdade, de 2024 e 2025, mesmo assim, somos, há décadas um dos países mais desiguais do mundo e não temos sinais de sair dessa posição. Numa sociedade marcada por grandes transformações estruturais, com a tecnologia ganhando espaço na sociedade e onde a desigualdade cresce de forma acelerada na sociedade global, o Brasil precisa criar novos instrumentos para reduzir os indicadores de desigualdade social que impactam sobra a sustentabilidade dos grupos sociais, sem isso, as crises em curso na sociedade contemporânea podem gerar constrangimentos e podem levar a sociedade a conflitos inevitáveis.

O Brasil conseguiu perder o bônus demográfico e, infelizmente, não conseguirmos levar a sociedade brasileira a um tão sonhado desenvolvimento econômico, com melhoras significativas para a população, os desafios são elevados e reais, reformar a previdência é urgente e atacar os privilégios de castas incrustados no Estado, além de aumentar os investimentos em educação básica, fomentar a pesquisa, ciência e a tecnologia, sendo esses os grandes motores de desenvolvimento das nações, mas antes de tudo, precisamos compreender o que queremos nas próximas décadas, será que queremos continuar como exportadores de produtos primários de baixo valor agregado e importadores de tecnologias?

Neste cenário de grandes incertezas, as nações estão buscando reconfigurar seus setores econômicos e produtivos e angariar uma maior envergadura para encarar os desafios contemporâneos, passou da hora de encararmos a desigualdade que permeia a sociedade brasileira, limita o desenvolvimento e corrobora para nosso atraso civilizacional.Ary Ramos da Silva Júnior, Bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitário

Vulnerabilidades internas

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Aumento nos conflitos bélicos em variadas regiões do mundo, crescimento desenfreado das tecnologias, investimentos gigantescos em armas e equipamentos de defesa, mudanças estruturais nos modelos de negócios, além do aumento de confrontos fronteiriços e mudanças geopolíticas, que estão gerando instabilidades, culminando em intervenções armadas, matanças generalizadas, assassinatos de lideranças civis e militares, captura de presidente, aumentos nas sanções econômicas e pressões políticas, buscando assim manter o seu poder no cenário econômico e consolidando sua força política.

Neste cenário de grandes confrontos econômicos e tarifários, encontramos uma nação prostrada em desafios urgentes e imediatos, marcada por fragilidades institucionais, poderes em confrontos constantes, uma “elite” alienada e voltada para seus interesses imediatos e uma sociedade inconsciente dos desafios do mundo contemporâneo, gerando um futuro sombrio e preocupante, onde as eleições  que deveriam ser um espaço de discussão dos grandes desafios nacionais, encontramos uma verdadeira conversa de botequim, recheada de fake news e inverdades que dominam o debate público.

Vivemos numa nação fortemente dependente de tecnologias estrangeiras, somos grandes produtores de produtos primários, somos líderes de commodities globais, mas somos importadores de fertilizantes, combustíveis, máquinas e tecnologias utilizadas nas fazendas nacionais, compramos equipamentos sofisticados, utilizamos satélites estrangeiros e somos explorados pelas traders internacionais que dominam o mercado global, controlam os preços e concentram a maioria dos ganhos.

Neste mundo marcado pelo grande desenvolvimento tecnológico somos dependentes de outras nações mais estruturadas e desenvolvidas, precisamos importar equipamentos bélicos  e militares, adquirimos aviões sofisticados de nações menores e mais desenvolvidos tecnologicamente, compramos satélites estrangeiros para monitorar nossas questões climáticas, somos dependentes de grandes empresas de tecnologia, as chamadas big techs, enviamos nossas bases de dados para as nuvens e entregamos um dos maiores tesouros nacionais, os dados agregados nacionais, informações valiosíssimas em todas as nações, mas no Brasil se tornam espaço de negociata e estímulo para a corrupção e para a malversação de recursos públicos.

Neste mundo globalizado marcado pela circulação de recursos monetários, percebemos que o nosso país renunciou à nossa capacidade de controlar os fluxos monetários externos, os recursos estrangeiros entram e saem de acordo com interesses imediatos, desta forma, os governos nacionais que se alternam, utilizam-se de nossa elevada taxa de juros para atrair recursos especulativos, fechar as contas externas, que pouco contribuem para o desenvolvimento nacional, muito pelo contrário, perpetuando nosso atraso tecnológico, aumentando nossa dependência externa e contribuindo para nosso endividamento. Neste cenário, entregamos um dos mais importantes instrumentos de política econômica para os tubarões do sistema financeiro internacional, com isso, perpetuamos uma taxa de juro absurda e ultrajante, que serve para parasitar o povo brasileiro e destruir o espírito animal dos criadores da riqueza nacional, os verdadeiros empreendedores.

As nações apresentam variadas vulnerabilidades internas, muitos países conseguiram enfrentar suas limitações tecnológicas, investindo fortemente em ciência, pesquisa e tecnologia, estimulando o conhecimento científico, investindo fortemente nas universidades e nos centros de pesquisas, angariando espaços significativos no cenário global. Infelizmente estamos degradando as universidades, destruindo a pesquisa científica e devastando a carreira docente e ainda estamos esperando que outras nações nos salvem das escolhas insensatas, imaturas e irracionais.

Ary Ramos da Silva Júnior, bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitário.

Inteligência Artificial

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Nos últimos trinta anos a sociedade internacional passou por grandes transformações estruturais, com impactos generalizados para todas as nações, modificando comportamentos, alterando hábitos e inaugurando novos modelos de negócios, gerando desafios e oportunidades, além de causar calafrios, desesperos e medos crescentes.

Vivemos num mundo dominado pelas grandes tecnologias e pelo poder do capital financeiro, presenciamos cotidianamente o surgimento de máquinas e equipamentos sofisticados, que estão se espalhando para todas as regiões, diante disso, estamos percebendo o surgimento e a disseminação de novos conceitos, alterando o vocabulário dos indivíduos, conceitos como: robótica avançada, computação quântica, data-centers, criptomoedas, tokenização, computação das nuvens, impressão 3D, inteligência artificial, internet das coisas, algoritmos, dentre outras, estes novos conceitos estão aparecendo nas conversas cotidianas, nas discussões acadêmicas, nas matérias jornalísticas e nas redes sociais.

Todas estas tecnologias estão transformando a sociedade internacional, levando os indivíduos a se preocuparem com o futuro imediato, as pessoas estão com medo de se tornarem obsoletas rapidamente. As novas tecnologias estão transformando o mundo do trabalho, gerando novas ocupações, profissões surgem todos os dias e, muitas vezes, as atividades profissionais tradicionais estão sendo devastadas rapidamente e esquecidas pelas novas gerações, gerando um desemprego estrutural e uma verdadeira precarização do trabalho humano, gerando uma fábula da descartabilidade humana, contada e combatida pelos ludistas ingleses no decorrer do século XIX. 

Como definido pelo Gemini, a “Inteligência Artificial (IA) é um campo da ciência da computação dedicado ao desenvolvimento de sistemas e tecnologias capazes de realizar tarefas que, tradicionalmente, exigiriam a inteligência humana. Em termos práticos, em vez de seguirem apenas regras estritas e linhas de código estáticas, esses sistemas aprendem com dados, identificam padrões e tomam decisões de forma autônoma ou semi-autônoma”.

O incremento da Inteligência Artificial está se transformando em um dos grandes desafios para a comunidade internacional, encontramos variadas posições sobre o crescimento desta tecnologia. De um lado encontramos os catastrofistas, que acreditam que a Inteligência Artificial vai aumentar as destruições do emprego, fomentando novos conflitos sociais e as previsões são sombrias e preocupantes. De outro lado, encontramos os chamados entusiastas, que acreditam que esta tecnologia vai impulsionar o desenvolvimento da economia global, trazendo melhoras substanciais para a comunidade mundial, impactando a saúde e as políticas públicas, diminuindo os desperdícios e impulsionando as melhorias sociais.

Neste cenário marcado por dúvidas e discussões, é importante descartarmos as visões extremadas que pululam nos debates contemporâneos e estimularmos a compreensão dos verdadeiros potenciais da Inteligência Artificial, fortalecendo a regulação social desta nova tecnologia, impedindo a monopolização desta tecnologia nas mãos de poucos atores produtivos globais, evitando que os investimentos exagerados levem a construção de uma verdadeira bolha especulativa que pode gerar graves constrangimentos para toda a economia internacional, destruições de empregos, falências de empresas e obrigando a intervenção dos governos nacionais a socializar os prejuízos, gerando graves desfalques nos orçamentos públicos e salvando da bancarrota grupos dominantes que, com sua irracionalidade, levaram crises financeiras ao sistema, com a destruição de empregos e a degradação das condições de vida de milhões de indivíduos.

A tecnologia sempre gerou preocupação para os trabalhadores, anteriormente esta tecnologia impactava os trabalhadores pouco qualificados, agora, neste momento, a tecnologia está mirando os engravatados, os consultores e os bem remunerados do capital, neste ambiente, as preocupações com a saúde mental tendem a permanecer por muito tempo.

Ary Ramos da Silva Júnior, Bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitário.

Grandes transformações

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Nos últimos anos os indivíduos passaram a se perguntar constantemente sobre o que está acontecendo com a sociedade internacional, afinal são tantas e variadas transformações estruturais que as pessoas estão atônitas, perplexas e preocupadas com os rumos que a sociedade global está tomando, os modelos construídos anteriormente estão sendo transformados muito rapidamente, os valores estão sendo devastados, os relacionamentos estão sendo modificados, os comportamentos estão em constante alteração, criando preocupações constantes e medos variados, gerando um verdadeiro calafrio coletivo.

Neste espaço, gostaria de analisar quatro grandes transformações simultâneas que, em conjunto, representam uma ruptura maior do que qualquer geração enfrentou nos últimos séculos, gerando grandes preocupações estruturais na sociedade: a ascensão da inteligência artificial, a crise climática e a transição energética, o retorno da multipolaridade e o colapso demográfico.

A Inteligência Artificial está transformando todos os setores da sociedade, gerando alterações no conhecimento, reescrevendo as regras da economia , modificando a segurança nacional, gerando fortes instabilidades e incertezas no mundo do trabalho, criando inúmeros desafios e exigindo da sociedade contemporânea uma reestruturação educacional, melhorando seu capital humano e fortalecendo a pesquisa, a ciência e a tecnologia, sob pena de ficar para trás e criar graves constrangimentos para a sociedade, desemprego crescente, degradação das condições sociais e criando espaço para grandes revoluções sociais.

A crise climática e a transição energética estão criando uma preocupação na sociedade gerando momentos de incertezas e de instabilidades, o modelo energético constituído há mais de duzentos anos, intensivos em combustíveis fósseis, vem impactando fortemente sobre o planeta Terra, o aumento da temperatura está transformando regiões inteiras, criando devastações ambientais, aumentando as enchentes e degradando o solo, com impactos generalizados para a estrutura econômica e produtivo, afetando exportações e incrementando a pobreza e a miséria da população.

Destacando ainda, uma transformação geopolítica em curso na sociedade internacional, o mundo unilateral, centrado no poder unipessoal dos Estados Unidos vem perdendo espaço na sociedade internacional, está surgindo um novo mundo,  um mundo multipolar, onde os polos de poder não se concentram em apenas uma nação, vários países vem ganhando espaço na geopolítica mundial, onde destacamos a China, a Índia, a Rússia e outros atores que reafirmam a sua soberania, passando a rivalizar com o poderio norte-americano, gerando uma verdadeira transformação geopolítica, trazendo para o cenário global novas discussões, novos valores, novos desafios e novas reflexões.

Outro assunto muito discutido na sociedade contemporânea é o colapso da demografia, que está impactando quase todas as regiões do mundo, gerando preocupações crescentes para os países ricos e para as nações pobres, pois a queda da natalidade está impactando e vai gerar desastres crescentes sobre a previdência social dos países, além de gerar um verdadeiro calafrio sobre a saúde e o mercado de trabalho.

Neste ambiente de grandes incertezas e turbulências crescentes, as sociedades precisam construir uma verdadeira e extraordinária resiliência, instituições sólidas e adaptáveis às constantes movimentações, além de uma grande dose de liderança com visão de longo prazo e cidadãos capazes de tolerar incertezas sem ceder ao pânico ou ao populismo.

Ary Ramos da Silva Júnior, Bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitário.