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Outra oportunidade

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Vivemos num momento de incertezas constantes, as guerras crescem de forma acelerada, o arcabouço institucional criado no pós-segunda guerra vem sendo devastado, a tecnologia ganha cada vez mais as rédeas da sociedade, as crises energéticas se espalham para a sociedade internacional, as lideranças mundiais mostram suas limitações para a compreensão dos desafios globais, o mundo do trabalho se transforma rapidamente e as condições sociais se degradam todos os dias, aumentando a fome e a indignidade humana, neste cenário de instabilidades crescentes, as perguntas crescem e as certezas estão cada vez mais reduzidas, gerando violências, caos e ressentimentos.

Neste ambiente global marcado pelos conflitos geopolíticos, onde os atores econômicos e produtivos se utilizam do poder e da influência dos governos nacionais para manter seus ganhos imediatos e aumentar seus instrumentos de acumulação, encontramos vestígios e esboço do grande conflito do século XXI, neste confronto percebemos o embate entre os Estados Unidos e a China, as duas maiores economias do mundo, detentoras das grandes capacidades produtivas industriais e forte influência política, seus poderes se espalham para todas as regiões da comunidade internacional.

Neste cenário, descrito anteriormente, as nações buscam espaços de sobrevivência e novos horizontes econômicos e produtivos, países produtores de produtores primários buscam se inserir no ambiente global, países que detém grande potencial no setor de serviços se mobilizam para se estruturar e angariar vantagens neste cenário de constantes transformações e os países industrializados buscam manter seus mercados e ampliar novos horizontes produtivos, ou seja, estamos vivendo uma verdadeira revolução global, onde cada nação vem se capacitando para sobreviver num cenário incerto, imediatista e fortemente concorrencial.

No caso brasileiro, percebemos grandes desafios estruturais, encontramos uma elite econômica imediatista, rentista e incapaz de pensar o país para as próximas décadas, seu horizonte de planejamento e de reflexão é sempre o agora, não investimos em educação porque demanda tempo e planejamento e colhemos uma população mal qualificada e pouco capacitada para compreendermos os grandes desafios da sociedade contemporânea.

Na nossa história econômica, percebemos uma nação explorada e dividida desde os primórdios da colonização, somos um país detentor de riquezas variadas, solos ricos e energia em abundância e, infelizmente, entregamos nossas riquezas naturais para melhorar as condições de vida de outros povos e de outras nações e nos “esquecemos” da desigualdade interna que somos os patrocinadores, olhamos para as outras nações com admiração e não conseguimos compreender que muitos destes recursos que patrocinaram as melhoras sociais de outros povos foram extraídas do nosso território, numa verdadeira história de pilhagem, escravidão e degradação humana.

Depois de séculos de espoliação, estamos em um momento de grandes transformações econômicas e produtivas globais, onde a história está nos dando uma nova oportunidade de desenvolvimento econômico. No mundo da tecnologia, da inteligência artificial, dos algoritmos, da robotização e das big techs, temos um instrumento valoroso para nossa ascensão econômica, afinal somos detentores de mais de 25% das terras raras do mundo, minérios estratégicos que dominam a economia global. Neste cenário,precisamos ter sabedoria para utilizarmos estes minérios para a melhora constante da sociedade brasileira e nos afastar daqueles que querem vender nossa soberania e se postam como patriotas, mas na verdade são hipócritas e entreguistas.

Ary Ramos da Silva Júnior, bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitário.

Endividamentos

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A economia brasileira sempre se caracterizou pelos amplos endividamentos interno e externo, impactando sobre a solidez econômica e produtiva e, com isso, vivenciamos um cenário marcado pelo chamado stop-in-go, uma economia que sempre apresentou uma incapacidade de gerar uma ambiente de crescimento econômico consistente, nossa economia é marcada por crescimento lento e desequilíbrios duradouros e incapazes de garantir uma sustentabilidade produtiva que garanta uma melhora nas condições de vida da maioria da sociedade.

Depois de um forte endividamento externo no decorrer do século passado, a economia brasileira conseguiu resolver este problema e passamos a ser credores líquidos externos, nossas reservas monetárias ultrapassam os passivos externos, desta forma, no front externo conseguimos resolver este problema que sempre caracterizou a sociedade brasileira, com impactos negativos para os setores econômicos e produtivos.

Atualmente, encontramos variados problemas que limitam o crescimento da economia nacional, baixa produtividade, dependência tecnológica, pouca complexidade dos setores produtivos, impostos regressivos e elevados, setor judiciário caro, lento e ineficiente, baixo investimento em ciência e tecnologia, pobreza elevada, educação de baixa qualidade, elite dominante que se compraz com um papel subserviente nas parcerias externas, além de taxas de juros escorchantes que limitam o espírito empreendedor e, ao mesmo tempo, contribui ativamente para a criação de uma nação de rentista, individualista e pouco afeita aos investimentos produtivos.

Neste cenário, ao analisarmos as deficiências estruturais internas e imediatas, precisamos destacar o alto endividamento interno dos cidadãos, dos consumidores e dos setores produtivos que estão fragilizando a economia nacional e limitando o potencial produtivo. Somos detentores de riquezas nacionais invejáveis aos olhos do mundo, somos detentores de mais de 50% de energias renováveis e sustentáveis, possuímos reservas substanciais de terras raras e nos caracterizamos como uma população marcada pelo espírito inovador e empreendedor, poucas vezes vistas em outras nações.

Atualmente, encontramos mais de 81,3 milhões de cidadãos negativados, numa pesquisa feita pelo Mapa da Inadimplência da Serasa Experian, feito em janeiro de 2026, colocam mais de 49,7% da população adulta negativada, um recorde histórico que limitam o potencial de consumo dos consumidores, gerando constrangimentos elevados, problemas emocionais e distúrbios variados.

Neste ambiente de alterações dos padrões de consumo, com gastos crescentes relacionados as casas de apostas, as chamadas bets, e dos dispêndios relacionados com as canetas emagrecedoras, percebemos o aumento da inadimplência e o crescimento do endividamento interno que impactam os indicadores macroeconômicos, reduzindo gastos correntes e derrubando as vendas do varejo. Estas demandas conjunturais estão transformando os gastos da população e estão contribuindo diretamente para o endividamento, mas precisamos nos atentar para uma questão estrutural, as taxas de juros estratosféricas que pululam na economia brasileira, que limitam os investimentos produtivos e estimulam os gastos especulativos que nada trazem de positivo para o restante da economia, aprofundando a desigualdade e tornando os consumidores reféns de dívidas elevadas, impagáveis e crescentes.

 Historicamente, a sociedade brasileira, com custos financeiros elevados, posterga decisões estratégicas, onde resolver este imbróglio pode destravar a economia nacional e criar novos horizontes de crescimento econômico, além de alavancar os investimentos produtivos, neste cenário precisamos tomar decisões estratégicas e evitar a omissão constante do Executivo, do Legislativo e do Judiciário, todos estes poderes precisam assumir as suas responsabilidades.

Ary Ramos da Silva Júnior, bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitário.

Aplicativo

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O Aplicativo Ary Ramos está, novamente, disponível na loja do Google, aproveitem!

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Desorganização global

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A economia internacional vem passando por momentos de grandes inquietações e preocupações crescentes, levando o sistema produtivo e a estrutura financeira global a terem que conviver, abertamente, com incertezas e instabilidades, que contribuem para o crescimento do risco e do aumento dos preços globais, elevando a inflação e levando os bancos centrais ao incremento das taxas de juros, cujos impactos são imediatos na redução dos investimentos produtivos.

Neste cenário internacional, percebemos uma desorganização generalizada, forças militares invadem países da noite para o dia, bombardeiam a infraestrutura das nações, gerando uma matança indiscriminada  que impacta em todo o sistema econômico e financeiro, elevando os custos de produção, aumentando as incertezas produtivas escasseando as matérias primas, aumentando os custos logísticos, desorganizando todo o sistema político global e, posteriormente, se assustam com as consequências de ações desastradas, equivocadas e impensadas.

Estamos vivendo momentos de grandes instabilidades na sociedade internacional, as guerras, como tudo na vida, geram ganhadores e perdedores ao redor do mundo, gerando setores que apresentam grandes lucros monetários e financeiros e, outros setores, amargam variados prejuízos materiais. Os preços do barril de petróleo aumentaram de forma imediata, inicialmente os valores estavam na casa dos US$ 60,00 e, na semana passada, chegaram ao valor estratosférico de US$ 119,00 e atualmente se estabilizou na casa dos US$ 100,00, gerando fortes reações de nações que dependem deste produto e aumentaram os ganhos dos exportadores deste óleo, que domina o sistema produtivo global e servem de justificativas para suas intervenções, suas guerras e suas destruições.

Vivemos num momento de grandes incertezas produtivas, as guerras em curso no Oriente Médio estão escalando para outros países da região, com ataques nas refinarias e usinas nucleares, além do fechamento do Estreito de Ormuz, responsável por mais de 20% do fluxo destes produtos, gerando calafrios para os países europeus e seus governos nacionais, nações dependentes da importação do petróleo e do gás natural, levando-os a adotarem políticas imediatas para evitar um colapso de suas finanças.

Vivemos num momento em que as regras criadas e consolidadas no pós-segunda guerra mundial vem sendo destruídas rapidamente e deixando um vazio institucional preocupante e assustador, com isso, percebemos confrontos diplomáticos, chantagens crescentes, discursos agressivos, postagens grosseiras e espaços claros para que as agressões militares cresçam e os gastos militares aumentem, desta forma, percebemos que estamos vivenciando uma verdadeira desorganização global e as consequências são impossíveis de serem mensuradas.

As guerras, em curso na sociedade mundial, ampliam a escassez energética, aumentam os preços destes produtos essenciais para o capitalismo contemporâneo, elevando as temperaturas nas Bolsas de Valores globais e levam as Autoridades Monetárias a aumentarem as taxas de juros, desta forma, percebemos o aumento dos prejuízos dos setores econômicos, que reduzem os investimentos produtivos, reduzindo a geração de emprego, limitando a renda agregada dos trabalhadores e criando uma situação degradante para os setores mais vulneráveis.

Vivemos um momento preocupante e assustador para a comunidade internacional, onde os fortões que sempre acreditaram que a força física resolveria os problemas do mundo chegaram ao poder, patrocinaram guerras e destruições e o cenário internacional está cada vez mais degradante, está na hora dos adultos tomarem o controle desta situação e mostrar que os conflitos militares só geram destruições, mortes, rancores e ressentimentos.

Ary Ramos da Silva Júnior, bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e Professor universitário.

Palestra Espírita

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Palestra na Associação Espírita Allan Kardec, de São José do Rio Preto/SP, no dia 22 de março de 2026, onde o professor Ary Ramos abordou um tema interessante, na ocasião o tema escolhido foi “José de Arimatéia: o discípulo de Jesus”, vale a pena assistir.

Petróleo, inflação e guerras

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Vivemos um momento de novos confrontos militares no Oriente Médio, com impactos generalizados para toda a economia internacional, afinal esta região é responsável pelo fornecimento do produto mais importante no capitalismo global. Neste cenário, o preço do petróleo aumentou vertiginosamente, saindo de US$ 60,00 por barril no começo do conflito e os valores aumentaram, rapidamente, alcançando mais de US$ 100,00 o barril, impactando para todas as regiões, gerando calafrios para os setores produtivos, pressionando o sistema financeiro internacional, impactando os preços e pressionando a inflação global, levando as Autoridades Monetárias a aumentarem as taxas de juros, com graves repercussões nos investimentos produtivos, nos empregos e na renda agregada.

A sociedade global vive momentos de grandes incertezas e grandes instabilidades, gerando riscos crescentes que afugentam os investimentos produtivos, reduzindo a geração de empregos e criando um ambiente de baixo crescimento econômico, levando os governos a adotarem políticas públicas para reduzirem os efeitos colaterais da economia, levando-os a reduzir os impostos e aumentando os subsídios, vislumbrando a redução dos problemas internos, mas ao mesmo tempo, os indicadores fiscais pioram sensivelmente.

O petróleo tem grande relevância na economia internacional, este produto movimenta todo o sistema produtivo, as guerras em curso no Oriente Médio geram impactos para todas as regiões do mundo e forçam os governos nacionais a reduzirem as perdas internas, incorrendo em gastos crescentes, reduzindo os repasses internos, forçando a economia a adotar taxas de juros mais elevadas que restringem o potencial da economia.

No caso brasileiro, percebemos uma espiral de grandes impactos diretos e indiretos, como temos uma das taxas de juros mais elevadas da economia internacional, o cenário de conflitos militares deve adiar a redução dos juros internos, postergando uma esperada melhora dos indicadores fiscais, visto, por muitos especialistas em contas públicas, como um dos maiores problemas da economia nacional.

As taxas de juros elevadas podem travar os investimentos produtivos e postergar o crescimento econômico, fazendo com que os rentistas tenham retornos elevados, no caso brasileiro, uma sociedade marcada por grandes desigualdades sociais, baixa poupança interna e com grandes carências na infraestrutura.

A guerra no Oriente Médio aprofunda as instabilidades econômicas e as incertezas políticas e impacta todas as nações, prejudicando os consumidores, reduzindo a renda agregada e encarecendo os setores produtivos. Os especialistas em geopolítica da região não sabem precisar quanto tempo esse conflito vai demorar, o que dizem, claramente, é que o Estados Unidos esperava um confronto rápido, destrutivo e cirúrgico, com a destituição do governo iraniano e, em seu lugar, seria colocado um apaniguado, um fantoche para se submeter aos interesses dos norte-americanos e israelenses.

Parece que as previsões não foram confirmadas, o fechamento do Estreito de Ormuz pelas forças de Irã, tende a gerar graves constrangimentos econômicos e políticos para toda a economia internacional, ainda mais, devemos destacar a estratégia de atacar as bases dos EUA em países aliados na região, mostrando fragilidade na defesa e na incapacidade de proteger seus “protetorados”, gerando constrangimentos e pressões crescentes para a interrupção da guerra.

Vivemos momentos preocupantes na comunidade internacional, as guerras acabam com a racionalidade das nações e seus governantes e mostram que mesmo sendo detentores de grandes tecnologias, as decisões são tomadas olhando apenas interesses imediatos, irracionais e estimulados pelos ganhos econômicos.

Ary Ramos da Silva Júnior, Bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitário.

Retrocessos

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Vivemos mais uma guerra no Oriente Médio com muitas mortes e destruições da infraestrutura, devastando famílias e gerando dramas individuais e coletivos, com impactos variados sobre a economia internacional, gastando bilhões de dólares para patrocinar mais uma guerra fratricida, desviando recursos para uma escalada militar e espalhando corrupção e desperdícios de recursos público e privado que poderiam ser melhor utilizados para reduzir as mazelas sociais que crescem de forma acelerada na sociedade contemporânea, gerando mais violências, degradações morais e a desesperança na humanidade.

Neste momento, percebemos que uma guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã está espalhando destruições na região, com ataques se espalhando para países como Catar, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Kuwait, Arábia Saudita, Jordânia, Iraque, Turquia, dentre outros, onde os iranianos passaram a atacar bases dos Estados Unidos nestes países, gerando medos, mortes e destruições que podem levar o conflito para outras regiões e disseminando uma violência generalizada.

Vivemos momentos de grandes inquietações na sociedade internacional, com discursos calorosos, com ofensas verbais e agressividades físicas, onde a verdade e a realidade objetiva estão sendo escondidas e crescem rapidamente, neste ambiente de guerras e conflitos armados, as fake news crescem, surgindo canais para explorar as misérias humanas, youtubers e influenciadores estão acumulando fortunas e disseminando inverdades do conflito para uma população atônita, desesperada e assustada.

Estamos num cenário de transformações da geopolítica internacional, onde o multilateralismo tem dificuldades para se instalar por completo, gerando conflitos em todas as regiões, levando a Organização das Nações Unidas (ONU) a calcular mais de 120 guerras em curso na comunidade global, com impactos destrutivos para todas as regiões do mundo, com a disseminação de ódios, rancores e ressentimentos.

As guerras servem como um verdadeiro retrocesso para a humanidade, um momento em que a tecnologia cresce e passa a ganhar espaço na comunidade internacional, com equipamentos complexos que estão revolucionando as mais variadas áreas do conhecimento humano, doenças raras e violentas, vistas como de difícil tratamento, que levavam milhares de indivíduos a morte, estão sendo tratadas com novas técnicas revolucionárias e, desta forma, evitando mortes e criando uma sobrevida para os pacientes. Tecnologias de comunicação e de informática estão gerando uma verdadeira transformação nos modelos de negócios e a inteligência artificial está criando um prelúdio para novas conquistas nos mais variados setores da sociedade mundial.

Vivemos numa sociedade onde as nações estão se integrando cada vez mais, o comércio e as comunicações estão abrindo novos horizontes para a economia internacional, nações pobres e miseráveis estão ganhando relevância e importância no cenário mundial através do comércio e das trocas comerciais, novos atores estão se consolidando no novo mercado global, construindo novas oportunidades e superando os desafios anteriores.

Vivemos num momento de grandes preocupações imediatas, países que se arvoram como defensores da liberdade e da democracia se esquecem de seus históricos de guerras e de destruições, se esquecem de olhar para seus aliados, será que estão se aliando a nações democráticas e defensoras da liberdade? Vivemos num mundo onde o que reina é a hipocrisia e a ignorância humana, um verdadeiro retrocesso civilizacional, passamos a controlar novas tecnologias e, ao mesmo tempo, temos prazer na guerra, na devastação e na miséria humana.

Ary Ramos da Silva Júnior, bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitário.

Assim caminha a humanidade…

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Vivemos em um momento de disrupção constante, onde todos os dias somos bombardeados por notícias escabrosas e degradantes vindo de todas as regiões do mundo, um ambiente altamente concorrencial, desprovido de valores morais, onde as regras são definidas pelo poder militar e consolidadas pelos interesses econômicos e financeiros de uma pequena parte da comunidade global, que vive num banquete surreal, marcado pelo luxo e pelo exibicionismo cotidiano, marcado pelo hedonismo e pela acumulação ininterrupta de valores monetários e pela penúria material de uma grande maioria.

Vivemos num cenário que a tecnologia cresce de forma acelerada, onde a escassez material acontece em decorrência da ganância de poucos em detrimento da sobrevivência digna e decente de uma grande parte da comunidade global. Neste cenário, a tecnologia nos auxilia na produção de valores materiais e, contribui, fortemente para fortalecer a força do capital e, ao mesmo tempo, aumenta a desvalorização do trabalho humano e coloca uma grande parte da sociedade global em condições indignas de sobrevivência, aumentando o exército industrial de descartáveis e degradados, levando todas as regiões do globo a conviverem com pessoas em situação de rua, indivíduos desprezados pelo sistema, sem recursos materiais, sem esperanças futuras e desprovidos dos prazeres do mundo contemporâneo.

Vivemos numa sociedade que cultua os valores do corpo sarado, que canoniza a imagem e estimula a mente ociosa, onde os novos modelos de negócio investem em indivíduos dotados de grande capacidade de comunicação e deixam de lado o conteúdo moral e a consistência técnica, desvalorizando o estudo, a escola e a reflexão crítica, ridicularizando o ensino superior como forma de ascensão social e crescimento intelectual e cultuando a ignorância humana, criando e consolidando uma sociedade desprovida de valores científico e tecnológico e, ao mesmo tempo, contribuindo para a perpetuação do atraso histórico e da dependência externa.

Neste ambiente da sociedade contemporânea, todos os meses somos acordados com notícias de guerras em curso na sociedade global, mísseis de alta complexidade sendo despejados em populações indefesas e fragilizadas, matanças indiscriminadas em todas as nações e acometendo, principalmente, os pobres e os miseráveis, presenciando governos corruptos, incompetentes e ineptos que posam de paladinos da moralidade, da eficiência e defendem a bandeira da liberdade, nos esquecendo de que esta liberdade tão propalada é a da acumulação monetária, dos donos do capital e daqueles que defendem a degradação do trabalho e a desvalorização dos seres humanos.

Vivemos numa sociedade centrada no poder econômico e no poder militar, onde as regras internacionais são alteradas de acordo com os interesses dos magnatas do mundo, instituições multilaterais, constituídas em períodos anteriores, são deixadas de lado quando não servem aos seus interesses, com isso, percebemos a criação de um ambiente marcado por incertezas e instabilidades, que empobrecem os mais fragilizados e enriquecem, mais ainda, os detentores das finanças internacionais.

Neste ambiente, devemos destacar que este cenário está degradando os valores da civilização, gerando guerras em todas as regiões do globo, destruindo o meio ambiente e impactando sobre o clima e a vegetação, trazendo devastações em todos os continentes, soterramentos, desastres ambientais, furacões e tsunamis e ainda encontramos indivíduos defendendo o aprofundamento deste modelo econômico dominante. São ignorantes ou são motivados por valores imediatos e individualistas, mesmo assim, precisamos refletir urgentemente sobre para onde caminha a humanidade…

Ary Ramos da Silva Júnior, Doutor em Sociologia e professor universitário.  

           

Novos horizontes

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Vivemos momentos de grandes turbulências na economia internacional, os novos modelos produtivos estão transformando as relações de trabalho, exigindo grandes investimentos em tecnologias, fortes dispêndios em ciência, pesquisa e inovação e estratégias que demandam, de todos os setores da comunidade, uma união em prol de um projeto de país, com estratégias claras e planejamento sistemático.

Todas as nações que conseguiram melhorar as condições de vida de sua população, todas mesmo, investiram fortemente no aumento da complexidade econômica, alterando sua estrutura produtiva, angariando novos mercados globais, com fortes investimentos em capital humano e uma transformação dos produtos exportados, saindo de uma base exportadora de produtos de baixo valor agregado e, com o passar do tempo, melhorando seu perfil exportador, vendendo em outros mercados produtos mais complexos, mais sofisticados e com valor agregado maior, garantindo retorno monetários maiores e lucros mais substanciais.

Ao analisarmos os países que conseguiram dar saltos econômicos e produtivos nas últimas décadas, destacamos a Índia e a China, as duas maiores populações do globo, ambas vem crescendo de forma sistemática e conseguindo aumentar a complexidade de suas respectivas economias. A Índia, em 1994, exportava arroz, chá e algodão, notadamente produtos primários de baixo valor agregado e, atualmente, os indianos estão exportando equipamentos industriais, medicamentos e veículos, além de US$ 274 bilhões anuais em serviços tecnológicos e eletrônicos, uma verdadeira transformação produtiva que colocaram os indianos em um local de destaque no cenário internacional, participando das discussões mais relevantes do mundo da tecnologia, dos algoritmos, da robótica e da inteligência artificial.

A China vem se destacando no cenário internacional pelo seu forte crescimento econômicos que vem ameaçando outras nações e está gerando ciúmes generalizados no ambiente global. Neste cenário, a China vem ganhando espaços em variados setores da tecnologia mundial, tais como as baterias, viagens espaciais, inteligência artificial, nos chips e nos variados produtos marcados pela alta complexidade, que exigem da sociedade chinesa, supervisionada pelo governo, fortes investimentos em capital humano, que contribuíram para levar a nação para a liderança da inovação tecnológica.

Estes são dois bons exemplos que deveriam ser seguidos pelas economias médias, como a brasileira, focando nos investimentos em capital humano, canalizando recursos para o desenvolvimento científico e tecnológico, subsidiando setores estratégicos para o desenvolvimento tecnológico e, ao mesmo tempo, cobrando resultados palpáveis para a sociedade, deixando de lado os subsídios estatais que se perpetuam no tempo, gerando grandes desequilíbrios econômicos e servindo para angariar lucros elevados para poucos empresários e intermediários.

No caso brasileiro, percebemos a forte dependência de produtos primários de baixo valor agregado, nossa estrutura produtiva se caracteriza por uma baixa complexidade econômica e forte dependência dos centros de tecnologia. Nos anos 1990 exportávamos café, soja, açúcar e minério de ferro, depois de trinta anos continuamos sendo exportadores dos mesmos produtos e, para piorar, nossa indústria perdeu espaço na economia nacional e estamos vivendo uma verdadeira desindustrialização, achatando os salários, estimulando setores improdutivos e continuamos acreditando que o modelo econômico trará ganhos para a sociedade. Passou da hora de olharmos para os exemplos exitosos do mundo contemporâneo, precisamos fortalecer a institucionalidade, consolidar os setores democráticos e evitar pautas reacionárias que atrasam nosso desenvolvimento econômico e perpetuam nossa dependência externa.

Ary Ramos da Silva Júnior, Bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e Professor universitário

Abertura econômica

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A sociedade contemporânea se caracteriza pelo aumento da competição, os agentes produtivos se encontram num momento de incertezas e instabilidades, onde os governos nacionais percebem as alterações, os trabalhadores sentem na pele o aumento da concorrência e as organizações percebem os movimentos dos mercados, o surgimento de novos produtos, o nascimento de novos consumidores, com alterações dos hábitos e variados desafios, que deixam todos os atores sociais e econômicos em constantes preocupações.

Nestas reflexões encontramos a ascensão da civilização oriental, onde percebemos exemplos claros e verdadeiros de nações que eram pobres e miseráveis e, atualmente, crescem de forma acelerada, gerando melhoras substanciais de vida para as suas populações. Neste cenário, a ascensão asiática nos traz novos horizontes, novas perspectivas e novos desafios, que exigem das nações ocidentais uma compreensão dos equívocos adotados anteriormente, contribuindo para criar novos espaços de crescimento econômico e melhoras produtivas, refletindo sobre as melhores políticas públicas e renovando as estratégias, reestruturando seus sistemas produtivos e visando o desenvolvimento econômico.

No final dos anos 1980, surgem os receituários neoliberais para estimularem o desenvolvimento econômico das nações subdesenvolvidas ou em desenvolvimento, onde percebemos medidas centradas na abertura econômica, na privatização de empresas estatais e em uma forte desregulamentação financeira, estas medidas foram recebidas com ceticismo e com incredulidade pelas nações asiáticas, que rechaçaram todas as medidas preconizadas no chamado Consenso de Washington e passaram a adotar políticas diferentes, fortalecendo as empresas públicas, aumentando a proteção dos setores produtivos e fortalecendo seus sistemas financeiros, consolidando seus bancos e evitando a ascensão da chamada ciranda financeira, além de fortes investimentos em ciência, pesquisa e inovação, além de contribuir ativamente para a consolidação de um setor educacional sólido e consistente que, garantem, na contemporaneidade, resultados positivos nos índices internacionais.

Do outro lado, encontramos as nações latino-americanas, onde destacamos o Brasil, se entregando para os ideários neoliberais e passando a acreditar que éramos visionários e modernizadores, abandonando o atraso milenar e assim iniciando uma colheita de crescimento econômico, de melhorias sociais e dessa forma alcançaríamos, com sucesso, o tão sonhado desenvolvimento econômico.

Neste cenário, fizemos escolhas simples e acreditamos que rumaríamos para o desenvolvimento econômico, deixamos de lado o planejamento governamental e passamos a acreditar que o mercado faria as escolhas corretas, vendemos empresas públicas estratégicas, retiramos os monopólios públicos, abrimos nossas estruturas econômica e produtiva, reduzimos a regulação financeira, valorizamos nossa moeda, perdemos o controle de nossa economia e colhemos mais crescimento econômico, com redução da desigualdade social e melhorias substanciais para a nossa sociedade?

As escolhas dos rumos da economia nacional devem ser definidas internamente, as medidas neoliberais foram positivas para os donos do capital, os grupos que abdicaram da definição do futuro da economia nacional e se comprazem de serem sócios minoritários do capital internacional, perdendo capacidade produtiva, vendendo patrimônio nacional, destruindo nossa indústria nacional, estimulando o rentismo e o capital improdutivo, além de remunerar as falsas elites nacionais via juros escorchantes, subsídios exagerados e desoneração tributária, que futuro teremos como nação aceitando cartilhas externas e adotando receituários de outros países?

Neste momento de instabilidades externas, passamos da hora de estudarmos as experiências asiáticas, suas escolhas estratégicas, suas vivências econômicas, afinal quem está conseguindo crescer economicamente, são as nações submissas e subalternas que abraçaram os receituários neoliberais ou aquelas que escolheram caminhos heterodoxos e mais autônomos?

Ary Ramos da Silva Júnior, Bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitário.