Dilemas econômicos

O mundo contemporâneo nos impõe grandes desafios e oportunidades, este ambiente marcado pelo crescimento da tecnologia, pelo aumento da concorrência e por um cenário de grandes incertezas exigem uma grande liderança com capacidade de compreender as mudanças econômicas, as transformações políticas e geopolíticas, sob pena de ficarmos para trás nos novos arranjos econômicos e produtivos, perdendo espaço nas cadeias globais.

Neste cenário, encontramos uma economia marcada por grandes dificuldades e inúmeros dilemas, de um lado, sabemos que precisamos crescer economicamente para incluir a população no mercado de consumo e, de outro lado, o governo não possui força política para mudar este modelo econômico. O crescimento da economia demanda taxas de juros reduzidas, estabilidade das regras, capital humano capacitado e boas condições de investimentos produtivos, tudo isso contribui diretamente para que a economia cresça e se diversifique, gerando emprego e desperte o espírito animal dos setores produtivos.

Vivemos num ambiente econômico, onde as taxas de juros elevadas foram escaladas para evitar que os preços não aumentem de forma exagerada e a inflação não ganhe espaço no cotidiano da população, inflação essa que reduz a renda e empobrece a população, gerando graves constrangimentos políticos e eleitorais para os governos. No caso nacional, com estas taxas de juros elevadas, vivemos estimulando um ambiente descrito pelos economistas como stop and go, a economia cresce um pouquinho e depois perde tração e os governos são obrigados a aumentar as taxas de juros internas para evitar o crescimento inflacionário. Com o aumento dos juros a renda da população se reduz, o desemprego cresce e o salário dos trabalhadores perde espaço, desta forma os grandes ganhadores deste modelo são os rentistas e os financistas, não investem nenhum centavo, controlam os meios de comunicações, manipulam comentaristas econômicos com mesadas generosos e difundem que os vilãos desta situação são os ganhadores das políticas públicas governamentais.

Nos anos 1990, o governo brasileiro seguiu o receituário liberal dominante na época, que preconizava o livre fluxo de capitais externos, onde os recursos estrangeiros poderiam entrar e sair rapidamente nas economias, sem restrições tributárias e sem amarras institucionais, desta forma os “investidores” externos tinham mais liberdade e poderiam escolher os ambientes mais atrativos, locais que garantissem grandes retornos econômicos, privatizações de ativos governamentais e aberturas econômicas, além de facilidades de movimentações financeiras, todas essas vantagens que beneficiam os rentistas existem desde então, os governos (alguns vistos como de esquerda e outros de direita) se alternaram nestes trinta anos e nenhum se mobilizou para reduzir essa liberalização financeira e seus custos econômicos e produtivos para a economia nacional, este modelo econômico e financeiro estimula a jogatina interna e transforma o país num verdadeiro paraíso fiscal e impede a construção de um verdadeiro projeto nacional.

Vivemos num ambiente onde os juros elevados estão no centro do modelo econômico implantado nos anos 1990 como forma de remunerar os capitais especulativos e limitando os investimentos produtivos, isso acontece porque ao reduzir os juros internos os capitais estrangeiros fogem do país, desvalorizando o câmbio e pressionando os preços internos, exigindo juros elevados para estabilizar o câmbio e reduzir os preços. Estamos vivendo um dos grandes dilemas econômico e não vislumbro uma solução definitiva, para resolver este dilema precisamos de força política, algo impensável num ambiente polarizado.

Ary Ramos da Silva Júnior, Bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitário.

Desigualdade Social

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Um dos maiores desastres brasileiros é a desigualdade social que crassa a sociedade nacional, somos um país caracterizado por uma das naturezas mais extraordinárias do globo terrestre, somos detentores de clima agradável, recursos naturais que enchem os olhos de outras nações, somos detentores de um verdadeiro ecossistema de recursos naturais e sustentáveis, estamos no centro das discussões contemporâneas referentes a energia limpa e sustentabilidade, possuímos recursos minerais estratégicos para a economia do século XXI e, mesmo assim somos um dos países mais desiguais do mundo, uma verdadeira vergonha internacional.

Nesta trajetória de atraso e dependência estrutural, desde o descobrimento somos uma nação marcada pela pilhagem e pela exploração constantes, mais de trezentos anos de extração econômica pela metrópole europeia, somos uma nação constituída pela escravidão e pela espoliação do trabalho negro, uma classe social fortemente marginalizada e marcada por salários aviltantes, péssimas condições de vida, habitação degradante e indigna, desprovida de saneamento básico e das mínimas condições de sobrevivência, além de uma exploração constante, tudo isso gera uma nação marcada pela atraso institucional e civilizacional, com uma pequena “elite” detentora de benefícios hereditários, isenções tributárias e subsídios fiscais que servem para reproduzir essa situação de indignidade e vergonha generalizada.

Dados recentes divulgados pelo Relatório da Desigualdade Global divulgado em 2025 pelo World Inequility Lab, liderado pelo economista francês Thomas Piketty, colocam o Brasil na quinta posição entre os 216 países em desigualdade de renda, uma situação vergonhosa internacionalmente, mostrando que, mesmo sendo detentores de grandes riquezas naturais e minerais, não somos capazes de transformar nossas riquezas em melhorias substanciais de vida para nossa população, muito pelo contrário, nossa condição destacada no relatório mostra nosso secular atraso institucional, nossa acomodação social e a incapacidade de indignação.

Recentemente o Instituto Brasileira de Geografia e Estatística (IBGE) indicou que o Brasil apresentou um aumentou de 1,3% no Gini, indicador utilizado para medir desigualdade, de 2024 e 2025, mesmo assim, somos, há décadas um dos países mais desiguais do mundo e não temos sinais de sair dessa posição. Numa sociedade marcada por grandes transformações estruturais, com a tecnologia ganhando espaço na sociedade e onde a desigualdade cresce de forma acelerada na sociedade global, o Brasil precisa criar novos instrumentos para reduzir os indicadores de desigualdade social que impactam sobra a sustentabilidade dos grupos sociais, sem isso, as crises em curso na sociedade contemporânea podem gerar constrangimentos e podem levar a sociedade a conflitos inevitáveis.

O Brasil conseguiu perder o bônus demográfico e, infelizmente, não conseguirmos levar a sociedade brasileira a um tão sonhado desenvolvimento econômico, com melhoras significativas para a população, os desafios são elevados e reais, reformar a previdência é urgente e atacar os privilégios de castas incrustados no Estado, além de aumentar os investimentos em educação básica, fomentar a pesquisa, ciência e a tecnologia, sendo esses os grandes motores de desenvolvimento das nações, mas antes de tudo, precisamos compreender o que queremos nas próximas décadas, será que queremos continuar como exportadores de produtos primários de baixo valor agregado e importadores de tecnologias?

Neste cenário de grandes incertezas, as nações estão buscando reconfigurar seus setores econômicos e produtivos e angariar uma maior envergadura para encarar os desafios contemporâneos, passou da hora de encararmos a desigualdade que permeia a sociedade brasileira, limita o desenvolvimento e corrobora para nosso atraso civilizacional.Ary Ramos da Silva Júnior, Bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitário

Vulnerabilidades internas

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Aumento nos conflitos bélicos em variadas regiões do mundo, crescimento desenfreado das tecnologias, investimentos gigantescos em armas e equipamentos de defesa, mudanças estruturais nos modelos de negócios, além do aumento de confrontos fronteiriços e mudanças geopolíticas, que estão gerando instabilidades, culminando em intervenções armadas, matanças generalizadas, assassinatos de lideranças civis e militares, captura de presidente, aumentos nas sanções econômicas e pressões políticas, buscando assim manter o seu poder no cenário econômico e consolidando sua força política.

Neste cenário de grandes confrontos econômicos e tarifários, encontramos uma nação prostrada em desafios urgentes e imediatos, marcada por fragilidades institucionais, poderes em confrontos constantes, uma “elite” alienada e voltada para seus interesses imediatos e uma sociedade inconsciente dos desafios do mundo contemporâneo, gerando um futuro sombrio e preocupante, onde as eleições  que deveriam ser um espaço de discussão dos grandes desafios nacionais, encontramos uma verdadeira conversa de botequim, recheada de fake news e inverdades que dominam o debate público.

Vivemos numa nação fortemente dependente de tecnologias estrangeiras, somos grandes produtores de produtos primários, somos líderes de commodities globais, mas somos importadores de fertilizantes, combustíveis, máquinas e tecnologias utilizadas nas fazendas nacionais, compramos equipamentos sofisticados, utilizamos satélites estrangeiros e somos explorados pelas traders internacionais que dominam o mercado global, controlam os preços e concentram a maioria dos ganhos.

Neste mundo marcado pelo grande desenvolvimento tecnológico somos dependentes de outras nações mais estruturadas e desenvolvidas, precisamos importar equipamentos bélicos  e militares, adquirimos aviões sofisticados de nações menores e mais desenvolvidos tecnologicamente, compramos satélites estrangeiros para monitorar nossas questões climáticas, somos dependentes de grandes empresas de tecnologia, as chamadas big techs, enviamos nossas bases de dados para as nuvens e entregamos um dos maiores tesouros nacionais, os dados agregados nacionais, informações valiosíssimas em todas as nações, mas no Brasil se tornam espaço de negociata e estímulo para a corrupção e para a malversação de recursos públicos.

Neste mundo globalizado marcado pela circulação de recursos monetários, percebemos que o nosso país renunciou à nossa capacidade de controlar os fluxos monetários externos, os recursos estrangeiros entram e saem de acordo com interesses imediatos, desta forma, os governos nacionais que se alternam, utilizam-se de nossa elevada taxa de juros para atrair recursos especulativos, fechar as contas externas, que pouco contribuem para o desenvolvimento nacional, muito pelo contrário, perpetuando nosso atraso tecnológico, aumentando nossa dependência externa e contribuindo para nosso endividamento. Neste cenário, entregamos um dos mais importantes instrumentos de política econômica para os tubarões do sistema financeiro internacional, com isso, perpetuamos uma taxa de juro absurda e ultrajante, que serve para parasitar o povo brasileiro e destruir o espírito animal dos criadores da riqueza nacional, os verdadeiros empreendedores.

As nações apresentam variadas vulnerabilidades internas, muitos países conseguiram enfrentar suas limitações tecnológicas, investindo fortemente em ciência, pesquisa e tecnologia, estimulando o conhecimento científico, investindo fortemente nas universidades e nos centros de pesquisas, angariando espaços significativos no cenário global. Infelizmente estamos degradando as universidades, destruindo a pesquisa científica e devastando a carreira docente e ainda estamos esperando que outras nações nos salvem das escolhas insensatas, imaturas e irracionais.

Ary Ramos da Silva Júnior, bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitário.

Inteligência Artificial

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Nos últimos trinta anos a sociedade internacional passou por grandes transformações estruturais, com impactos generalizados para todas as nações, modificando comportamentos, alterando hábitos e inaugurando novos modelos de negócios, gerando desafios e oportunidades, além de causar calafrios, desesperos e medos crescentes.

Vivemos num mundo dominado pelas grandes tecnologias e pelo poder do capital financeiro, presenciamos cotidianamente o surgimento de máquinas e equipamentos sofisticados, que estão se espalhando para todas as regiões, diante disso, estamos percebendo o surgimento e a disseminação de novos conceitos, alterando o vocabulário dos indivíduos, conceitos como: robótica avançada, computação quântica, data-centers, criptomoedas, tokenização, computação das nuvens, impressão 3D, inteligência artificial, internet das coisas, algoritmos, dentre outras, estes novos conceitos estão aparecendo nas conversas cotidianas, nas discussões acadêmicas, nas matérias jornalísticas e nas redes sociais.

Todas estas tecnologias estão transformando a sociedade internacional, levando os indivíduos a se preocuparem com o futuro imediato, as pessoas estão com medo de se tornarem obsoletas rapidamente. As novas tecnologias estão transformando o mundo do trabalho, gerando novas ocupações, profissões surgem todos os dias e, muitas vezes, as atividades profissionais tradicionais estão sendo devastadas rapidamente e esquecidas pelas novas gerações, gerando um desemprego estrutural e uma verdadeira precarização do trabalho humano, gerando uma fábula da descartabilidade humana, contada e combatida pelos ludistas ingleses no decorrer do século XIX. 

Como definido pelo Gemini, a “Inteligência Artificial (IA) é um campo da ciência da computação dedicado ao desenvolvimento de sistemas e tecnologias capazes de realizar tarefas que, tradicionalmente, exigiriam a inteligência humana. Em termos práticos, em vez de seguirem apenas regras estritas e linhas de código estáticas, esses sistemas aprendem com dados, identificam padrões e tomam decisões de forma autônoma ou semi-autônoma”.

O incremento da Inteligência Artificial está se transformando em um dos grandes desafios para a comunidade internacional, encontramos variadas posições sobre o crescimento desta tecnologia. De um lado encontramos os catastrofistas, que acreditam que a Inteligência Artificial vai aumentar as destruições do emprego, fomentando novos conflitos sociais e as previsões são sombrias e preocupantes. De outro lado, encontramos os chamados entusiastas, que acreditam que esta tecnologia vai impulsionar o desenvolvimento da economia global, trazendo melhoras substanciais para a comunidade mundial, impactando a saúde e as políticas públicas, diminuindo os desperdícios e impulsionando as melhorias sociais.

Neste cenário marcado por dúvidas e discussões, é importante descartarmos as visões extremadas que pululam nos debates contemporâneos e estimularmos a compreensão dos verdadeiros potenciais da Inteligência Artificial, fortalecendo a regulação social desta nova tecnologia, impedindo a monopolização desta tecnologia nas mãos de poucos atores produtivos globais, evitando que os investimentos exagerados levem a construção de uma verdadeira bolha especulativa que pode gerar graves constrangimentos para toda a economia internacional, destruições de empregos, falências de empresas e obrigando a intervenção dos governos nacionais a socializar os prejuízos, gerando graves desfalques nos orçamentos públicos e salvando da bancarrota grupos dominantes que, com sua irracionalidade, levaram crises financeiras ao sistema, com a destruição de empregos e a degradação das condições de vida de milhões de indivíduos.

A tecnologia sempre gerou preocupação para os trabalhadores, anteriormente esta tecnologia impactava os trabalhadores pouco qualificados, agora, neste momento, a tecnologia está mirando os engravatados, os consultores e os bem remunerados do capital, neste ambiente, as preocupações com a saúde mental tendem a permanecer por muito tempo.

Ary Ramos da Silva Júnior, Bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitário.

Grandes transformações

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Nos últimos anos os indivíduos passaram a se perguntar constantemente sobre o que está acontecendo com a sociedade internacional, afinal são tantas e variadas transformações estruturais que as pessoas estão atônitas, perplexas e preocupadas com os rumos que a sociedade global está tomando, os modelos construídos anteriormente estão sendo transformados muito rapidamente, os valores estão sendo devastados, os relacionamentos estão sendo modificados, os comportamentos estão em constante alteração, criando preocupações constantes e medos variados, gerando um verdadeiro calafrio coletivo.

Neste espaço, gostaria de analisar quatro grandes transformações simultâneas que, em conjunto, representam uma ruptura maior do que qualquer geração enfrentou nos últimos séculos, gerando grandes preocupações estruturais na sociedade: a ascensão da inteligência artificial, a crise climática e a transição energética, o retorno da multipolaridade e o colapso demográfico.

A Inteligência Artificial está transformando todos os setores da sociedade, gerando alterações no conhecimento, reescrevendo as regras da economia , modificando a segurança nacional, gerando fortes instabilidades e incertezas no mundo do trabalho, criando inúmeros desafios e exigindo da sociedade contemporânea uma reestruturação educacional, melhorando seu capital humano e fortalecendo a pesquisa, a ciência e a tecnologia, sob pena de ficar para trás e criar graves constrangimentos para a sociedade, desemprego crescente, degradação das condições sociais e criando espaço para grandes revoluções sociais.

A crise climática e a transição energética estão criando uma preocupação na sociedade gerando momentos de incertezas e de instabilidades, o modelo energético constituído há mais de duzentos anos, intensivos em combustíveis fósseis, vem impactando fortemente sobre o planeta Terra, o aumento da temperatura está transformando regiões inteiras, criando devastações ambientais, aumentando as enchentes e degradando o solo, com impactos generalizados para a estrutura econômica e produtivo, afetando exportações e incrementando a pobreza e a miséria da população.

Destacando ainda, uma transformação geopolítica em curso na sociedade internacional, o mundo unilateral, centrado no poder unipessoal dos Estados Unidos vem perdendo espaço na sociedade internacional, está surgindo um novo mundo,  um mundo multipolar, onde os polos de poder não se concentram em apenas uma nação, vários países vem ganhando espaço na geopolítica mundial, onde destacamos a China, a Índia, a Rússia e outros atores que reafirmam a sua soberania, passando a rivalizar com o poderio norte-americano, gerando uma verdadeira transformação geopolítica, trazendo para o cenário global novas discussões, novos valores, novos desafios e novas reflexões.

Outro assunto muito discutido na sociedade contemporânea é o colapso da demografia, que está impactando quase todas as regiões do mundo, gerando preocupações crescentes para os países ricos e para as nações pobres, pois a queda da natalidade está impactando e vai gerar desastres crescentes sobre a previdência social dos países, além de gerar um verdadeiro calafrio sobre a saúde e o mercado de trabalho.

Neste ambiente de grandes incertezas e turbulências crescentes, as sociedades precisam construir uma verdadeira e extraordinária resiliência, instituições sólidas e adaptáveis às constantes movimentações, além de uma grande dose de liderança com visão de longo prazo e cidadãos capazes de tolerar incertezas sem ceder ao pânico ou ao populismo.

Ary Ramos da Silva Júnior, Bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitário.

Divisões constantes

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Vivemos momentos de grandes divisões na sociedade contemporânea, poucos assuntos criam consensos na sociedade atual, na grande maioria das conversas percebemos o incremento da intolerância, das agressões e das violências generalizadas, evitando debates importantes e, desta forma, postergamos decisões imprescindíveis e inadiáveis, com isso, percebemos a incapacidade de construirmos um projeto de país, vivemos na incerteza, na escuridão e desdenhamos decisões importantes num futuro imediato.

Ideias interessantes, discussões ricas e valorosas são deixadas de lado, as redes sociais, palco das discussões estéreis e desnecessárias, estimulam as violências crescentes e impedem uma discussão mais sólida e mais consistente, o que percebemos é o incremento da lacração, o crescimento das mentiras, das fake news e dos ressentimentos, espalhando medos, pavores e cancelamentos, deixando a impressão de que estamos numa nau sem rumo, sem horizontes, sem perspectivas e neste cenário, cada indivíduo defende seus interesses imediatos, criando um guerra de todos contra todos.

 Os setores políticos se digladiam abertamente, todos os dias, os poderes que foram construídos para fortalecer os laços da sociedade, criar um ambiente de respeito e harmonia, para estruturarmos uma sociedade marcada por regras, justiça e solidariedade. Ao contrário, percebemos uma guerra de todos contra todos, cada um observando seus interesses imediatos, cada poder usa seus instrumentos para garantir seus benefícios financeiros, seus penduricalhos, suas emendas parlamentares e suas indicações políticas, gerando uma verdadeira batalha campal entre os poderes da República, onde a sociedade, de forma geral, é o grande prejudicado, desta forma, estamos perpetuando um atraso institucional e aprimorando os privilégios que dominam a sociedade.

No setor produtivo este conflito cresce de forma acelerada, estimulando uma divisão estrutural na sociedade. Setores que demandam juros baixos, crédito abundante e ambiente salutar para o investimento produtivo, perdem espaço na sociedade e deixam de gerar empregos de qualidade e melhorar o bem-estar social da comunidade, em detrimento, percebemos o fortalecimento de setores que vampirizam as riquezas nacionais e crescem com taxas de juros estratosféricas, estimulando a agiotagem, as aplicações financeiras improdutivas, as empresas de bets e dos setores ligados asjogatinas desenfreadas, além das fintechs, muitas delas patrocinadas pelo crime organizado que atuam diretamente para lavar dinheiro, financiar corrupção e esconder falcatruas.

Numa sociedade marcada por grandes transformações como a contemporânea, onde a tecnologia está transformando todas as arestas sociais, redefinindo o futuro imediato, alterando os valores e devastando o mundo do trabalho, encontramos uma sociedade cindida, sem projeto para o futuro, onde os grupos se digladiam em busca de seus interesses privados, fugindo das discussões estruturais e naturalizando as agruras sociais que perpetuam nosso atraso histórico e desastre institucional.

Neste cenário, encontramos uma sociedade amorfa, uma elite agressiva e individualista, sem nacionalismo aparente, sem projeto de país e louca para leiloar a nação, entregando nossas riquezas naturais e vendendo todo o patrimônio público, esperando valores monetários suculentos, acreditando que, com este leilão será agraciada com recursos financeiros gigantescos e que possam garantir, apenas para seus grupos políticos, uma aposentadoria vultosa e garantida, mais uma vez, uma parceria estratégica com os donos do poder financeiro global, perpetuando uma condição desigual e recorrente,  que condena a sociedade a pobreza e ao eterno subdesenvolvimento.

Ary Ramos da Silva Júnior, Bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitário.

Ressentimentos

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O desenvolvimento tecnológico transformou estruturalmente a sociedade contemporânea, impactando os indivíduos, alterando os relacionamentos, modificando o mundo do trabalho, gerando novos instrumentos de estudo e de absorção do conhecimento, criando oportunidades, novos consumidores, novos modelos de negócios e inaugurando uma nova sociedade, marcada pela incerteza e pelo medo.

Nesta sociedade, dominada pelo desenvolvimento tecnológico, encontramos novos conflitos nas sociedades, a democracia, anteriormente, que era vista como o porto seguro para estabilizar os conflitos sociais, vem perdendo espaço em todas as regiões do mundo, abrindo caminho para modelos autoritários e violentos, aumentando seus defensores e difundindo seus ganhos sociais e, ao mesmo tempo, se esquecendo, de propósito, das agruras dos modelos autoritários.

 Nesta sociedade, encontramos o aumento substancial do ressentimento nos seres humanos, as transformações cotidianas, motivadas pelo desenvolvimento tecnológico e pelo poder do capital financeiro estão alterando os comportamentos pessoais, estimulando o individualismo e gerando uma desesperança generalizada, onde o futuro se torna, cada vez mais nebuloso, sombrio e fortemente assustador, aumentando os ressentimentos, incrementando a violência urbana e os medos cotidianos.

As mudanças em curso na sociedade estão transformando o mundo do trabalho, levando trabalhadores a perderem espaço nas organizações, os governos incentivam processos de enxugamento de funcionários e passam a exigir metas impossíveis de serem alcançadas, gerando instabilidades e incertezas crescentes que impactam negativamente sobre a produtividade dos profissionais, com isso, reduzem seus rendimentos e demitem estes indivíduos, criando desequilíbrios emocionais e passando a tachar estes profissionais de incompetentes.

Vivemos numa sociedade marcada pelo crescente ressentimento, indivíduos que trabalharam durante décadas acreditando que, com o envelhecimento físico, encontrariam espaços para o descanso e para a felicidade, se veem impactados por uma realidade sombria, onde seus parcos rendimentos servem apenas para bancar seus inúmeros remédios e, em muitos casos, para financiar empréstimos consignados para alimentar seus grupos familiares, gerando uma espiral crescente de ansiedade, medo e desesperança.

Vivemos numa sociedade onde todos os agentes do mercado financeiro e os donos dos conglomerados das mídias comerciais sabem, rapidamente, as causas das nossas mazelas sociais, recitando o discurso neoliberal e defendendo o Estado mínimo para melhorar as condições sociais, se tornando um mantra da contemporaneidade, a novidade é que, onde pessoas mais humildes, empobrecidas, degradadas e exploradas passam a defender as políticas que aumentam os rendimentos das elites financeiras e, pasmem, defendem o chicote que sempre foi utilizado para degradar a dignidade dos trabalhadores.

Nesta sociedade, os donos do poder criticam as políticas sociais e defendem o ajuste fiscal, desde que este ajuste impacte fortemente sobre o lombo dos trabalhadores. Se eximem de suas responsabilidades, pagando seus apaniguados para defender seus interesses e seus benefícios hereditários, evitando projetos que podem gerar prejuízos monetários e impedem a taxação de seus compadres e garantem suas isenções fiscais e tributárias, garantindo suas benesses que passam de pais para filhos.

Enquanto os grupos sociais mais privilegiados da sociedade brasileira, marcados pelos ganhos estratosféricos, isenções fiscais e pelos penduricalhos polpudos e generosos permanecerem, continuaremos construindo presídios, encarcerando cidadãos e subfinanciando as escolas, suprimindo direitos fundamentais e transformando os profissionais da educação em categorias degradadas e descartáveis, desta forma, nosso futuro será marcado pelo crescimento dos ressentimentos, dos medos e das desesperanças.

Ary Ramos da Silva Júnior, Bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitário.

Abertura, integração e instabilidades

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Nos últimos trinta anos a sociedade internacional passou por grandes transformações, com impactos generalizados em todas as regiões do mundo, impactando as estruturas econômicas e produtivas, gerando movimentações na comunidade, alterando por completo a lógica política, aumentando a exclusão social e transformando o comportamento humano. Todas estas transformações impactaram, fortemente, sobre os seres humanos, gerando individualismos crescentes, aumentando a competição, degradando a ética, gerando valores imediatistas e transformando tudo em mercadoria, com isso, vivemos numa sociedade que transforma tudo em produtos comercializáveis.

Neste período, percebemos que a economia global passou por grandes transformações, onde destacamos a inclusão de mais de 800 milhões de pessoas que viviam nos países asiáticos, indivíduos privados de produtos essenciais para a sobrevivência humana, cidadãos pobres e miseráveis que viviam em condições indignas, sem emprego, sem dignidade e sem perspectivas de sobrevivência decente e civilizada. Os ventos da globalização impactaram positivamente sobre as nações asiáticas, com isso, passamos a incluir este contingente de indivíduos através de políticas de emprego e fortes investimentos governamentais, centrados em políticas industriais e intervencionistas que privilegiaram os setores internos, além de grandes investimentos em pesquisa, ciência e tecnologia. Tudo isso contribuiu, imensamente, para estimular uma transformação estrutural, fortalecendo empresas nacionais, exportando produtos variados, desenvolvendo tecnologias e angariando espaços no mercado internacional, levando a China a dominar mais de 30% dos produtos industriais comercializados no mercado global, gerando crises nos setores industriais ocidentais e gerando calafrios nos governos de países desenvolvidos.

 A ascensão dos cidadãos asiáticos, até então pobres e miseráveis, transformou o cenário internacional e modificou a lógica política e geopolítica global, a classe média ocidental sentiu na pele e no bolso o crescimento dos mercados industriais orientais, notadamente chineses, que impactou a renda dos trabalhadores ocidentais, que perderam seus salários polpudos e sua estabilidade econômica, passando a conhecer a instabilidade produtiva e a desindustrialização, a redução dos salários monetários e passaram a perder o status quo acumulado desde a metade do século passado, passando a conviver com um forte crescimento da financeirização da economia, das incertezas crescentes, além da degradação da condição de vida da população e do medo dos imigrantes.

 Neste ambiente, percebemos o crescimento acelerado dos discursos de ódio, da segregação e de ressentimento, levando ao poder político um grupo de pessoas despreparadas, desqualificadas e motivadas por soluções mágicas e imediatistas, sem planejamento econômico, sem estratégia política concreta e, com isso, percebemos o crescimento de guerras fratricidas, invasões militares, estimulando a degradação das instituições multilaterais, aumentando, com isso, a insegurança global e levando ao incremento de investimentos na indústria bélica e da defesa, além de estimularem inimigos imaginários que culminam em violências crescentes, destruições de famílias e aumentando a desesperança global.

Vivemos numa sociedade marcada por uma distorção crescente, um modelo econômico e produtivo que, ao incluir um grupo crescente de uma parte de indivíduos miseráveis e marginalizados acabam gerando constrangimentos para outros grupos sociais e estimulando uma competição deletéria e degradante, gerando novos inimigos,  opositores, desafetos e adversários, essa sociedade deve ser vista como um fracasso civilizacional, ainda mais, quando sabemos que as revoluções geradas pela tecnologia e pela inteligência artificial estão criando, cada vez mais, milionários e bilionários, que vivem e convivem num verdadeiro mundo paralelo e distante de bilhões de pobres, de miseráveis e de desesperançados.

Ary Ramos da Silva Júnior, Bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitário.

Impactos econômicos da guerra

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Este espaço procura compreender os grandes desafios da sociedade contemporânea, as transformações tecnológicas, as alterações no mundo do trabalho, as mudanças econômicas, as movimentações políticas e geopolíticas, as desigualdades crescentes, os conflitos hegemônicos e os medos que dominam as sociedades e afugentam as esperanças futuras de vida melhor.

Todos sabemos que vivemos numa sociedade marcada por grandes desajustes estruturais, dotada de riquezas variadas, tecnologias de ponta e, ao mesmo tempo, vivemos, na contemporaneidade, o incremento da pobreza, da mendicância e da desigualdade, onde o país mais rico do mundo vive numa situação sui generis, onde quatrocentas pessoas detém recursos de mais de 150 milhões de norte-americanos, uma situação vergonhosa e preocupante, pouco vista pela comunidade internacional.

Nesta sociedade, percebemos os conflitos militares se espalhando para variadas regiões do globo, impactando sobre os preços relativos, afetando orçamentos familiares, postergando investimentos produtivos e aumentando a riqueza e o poder econômico de poucos em detrimento do aumento da pobreza de muitos, desta forma, assim caminha a nossa humanidade, estimulando e convivendo, lado a lado, a opulência e a miséria generalizada.

Neste momento, estamos vivendo um novo conflito militar no Oriente Médio, com impactos generalizados para a economia internacional, elevando os preços, tais como os combustíveis, os fertilizantes, a energia, a aviação, o turismo, os setores de seguros e logísticas, dentre outros, levando os preços a aumentos significativos e gerando impactos econômicos para os cidadãos, impactando a renda da população, reduzindo os rendimentos dos trabalhadores e gerando perspectivas futuras sombrias.

Os países europeus estão passando por momentos de grandes instabilidades, os preços da energia aumentaram rapidamente, sendo sentido imediatamente pelos cidadãos, fragilizando os setores industriais com contas elevadas e passaram a sentir, mais fortemente, a concorrência dos produtos asiáticos, levando organizações tradicionais a adotarem medidas de austeridade, reduzindo margens de lucros, dispensando milhares de trabalhadores e impactando sobre a renda agregada destas nações, gerando confrontos políticos e degradação das condições de vida da população.

Os impactos das instabilidades econômicas globais sobre a sociedade brasileira são variados, os consumidores sentem na pele o aumento dos preços na economia, queda da renda dos trabalhadores e a instabilidade dos mercados financeiros e, ao mesmo tempo, percebendo ganhos substanciais para o setor de petróleo e gás e dos especuladores de mercado, que ganham fortunas com as flutuações dos preços relativos.

Vivemos numa sociedade cada vez mais individualista e imediatista, marcada pelo crescimento da insanidade, onde governantes incompetentes e imediatistas adotam políticas equivocadas e agressivas e não se atentam para as consequências, criando guerras, conflitos militares e destruições generalizadas, devastando famílias inteiras, degradando sentimentos e, com isso, estimulando a disseminação de valores demolidores e aniquiladores.

Neste ambiente, percebemos que as nações se encontram num momento de escolhas perigosas e emergenciais, subsidiar os combustíveis auxilia nos preços internos, mas ao mesmo tempo piora as condições fiscais dos governos e prejudica as contas do Estado Nacional, uma discussão relevante. Mas não podemos nos esquecer, no caso nacional, que os arautos do liberalismo e os defensores das privatizações devem ser chamados para opinar sobre as consequências das vendas das refinarias, aí vamos encontrar as raízes dos desajustes dos preços dos combustíveis.

Ary Ramos da Silva Júnior, Bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitário.

Insatisfação

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Na sociedade contemporânea percebemos grandes movimentações econômicas, sociais e políticas, que acirram os conflitos econômicos em todas as regiões do mundo, gerando incertezas e instabilidades crescentes, tudo isso contribui imensamente para que compreendamos as insatisfações da sociedade. Vivemos num momento em que as pessoas estão insatisfeitas, os trabalhadores estão insatisfeitos, as famílias estão insatisfeitas, os empresários estão insatisfeitos, os estudantes estão insatisfeitos, os professores estão insatisfeitos, ou seja, estamos vivendo ou sobrevivendo, numa sociedade marcada por insatisfação.

A sociedade contemporânea se caracteriza pelo crescimento tecnológico, nesta sociedade, percebemos transformações profundas e estruturais, os comportamentos estão em constantes alterações, os modelos de negócios estão sendo modificados, os relacionamentos estão sendo revistos e transformados, as ocupações e o mundo do trabalho estão sendo alterados, criando um modelo de sociabilidade que impõem mudanças e limitações, gerando medos, ressentimentos e desequilíbrios afetivos e sentimentais.

Os governos se sucedem, entra governo e sai governo, e as melhoras são sempre marginais, as mudanças são apenas limitadas e temporárias. Os pais estão cada vez mais assustados com o futuro de seus filhos e de seus netos, a tão sonhada ascensão social nos parece, cada vez mais, distante e improvável. Os jovens não querem mais constituir famílias, evitam serem pais e se limitam a uma vida solitária, sem descendentes e sem auxílios na velhice.

Neste cenário, percebemos um estímulo e uma revolta contra a política, uma crítica sistemática contra os governos de plantão e as instituições, vistas como os responsáveis pelas condições degradantes do cotidiano, desta forma, percebemos o crescimento de grupos extremados, acreditando que assim vão conseguir melhoras na sociedade, garantindo liberdade e sucesso.

Vivemos numa sociedade onde a escola pública está sendo devastada e destruída, anteriormente a educação era vista como o espaço de ascensão social, através do estudo e do esforço familiar podíamos vislumbrar horizontes de sonhos e acreditarmos em um mundo melhor, dotado de novas oportunidades e abundância material para todos, infelizmente essa possibilidade perdeu espaço e as perspectivas de sucesso se limitam aos jogos de azar e as gastanças nas empresas de bets, um verdadeiro cassino global, enriquecendo poucos e degradando a maioria da sociedade, desta forma, as famílias estão cada vez mais endividadas, as doenças mentais crescem de forma acelerada e a depressão acomete uma parte substancial da sociedade global.

A educação sempre foi vista como um espaço de ascensão social, famílias inteiras se cotizavam para auxiliar seus descendentes no caminho do estudo e do crescimento profissional, hoje o estudo sozinho não consegue abrir horizontes sólidos e consistentes, os esforços são sempre insuficientes, sabemos, ainda, que os profissionais mais qualificados são recompensados com melhores empregos, salários mais atrativos e maior possibilidade de ascensão social, mas na maioria das vezes, os melhores empregos são reservados para os bem nascidos, os mais abastados e os dotados de  melhor networking.

Neste ambiente, estamos vivendo uma sociedade marcada por pessoas insatisfeitas, amedrontadas e com perspectivas limitadas, desta forma, evitamos ter filhos, evitamos relacionamentos, nos prendemos em casa e consolidamos uma sociedade cada vez mais individualista, imediatista e focada no lucro. Será que ainda não passou da hora de pensarmos e repensarmos o modelo dominante de sociedade que estimula todos estes desequilíbrios?

Ary Ramos da Silva Júnior, bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitário