Palestra Espírita

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Palestra na Associação Espírita Allan Kardec, de São José do Rio Preto/SP, no dia 22 de março de 2026, onde o professor Ary Ramos abordou um tema interessante, na ocasião o tema escolhido foi “José de Arimatéia: o discípulo de Jesus”, vale a pena assistir.

Petróleo, inflação e guerras

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Vivemos um momento de novos confrontos militares no Oriente Médio, com impactos generalizados para toda a economia internacional, afinal esta região é responsável pelo fornecimento do produto mais importante no capitalismo global. Neste cenário, o preço do petróleo aumentou vertiginosamente, saindo de US$ 60,00 por barril no começo do conflito e os valores aumentaram, rapidamente, alcançando mais de US$ 100,00 o barril, impactando para todas as regiões, gerando calafrios para os setores produtivos, pressionando o sistema financeiro internacional, impactando os preços e pressionando a inflação global, levando as Autoridades Monetárias a aumentarem as taxas de juros, com graves repercussões nos investimentos produtivos, nos empregos e na renda agregada.

A sociedade global vive momentos de grandes incertezas e grandes instabilidades, gerando riscos crescentes que afugentam os investimentos produtivos, reduzindo a geração de empregos e criando um ambiente de baixo crescimento econômico, levando os governos a adotarem políticas públicas para reduzirem os efeitos colaterais da economia, levando-os a reduzir os impostos e aumentando os subsídios, vislumbrando a redução dos problemas internos, mas ao mesmo tempo, os indicadores fiscais pioram sensivelmente.

O petróleo tem grande relevância na economia internacional, este produto movimenta todo o sistema produtivo, as guerras em curso no Oriente Médio geram impactos para todas as regiões do mundo e forçam os governos nacionais a reduzirem as perdas internas, incorrendo em gastos crescentes, reduzindo os repasses internos, forçando a economia a adotar taxas de juros mais elevadas que restringem o potencial da economia.

No caso brasileiro, percebemos uma espiral de grandes impactos diretos e indiretos, como temos uma das taxas de juros mais elevadas da economia internacional, o cenário de conflitos militares deve adiar a redução dos juros internos, postergando uma esperada melhora dos indicadores fiscais, visto, por muitos especialistas em contas públicas, como um dos maiores problemas da economia nacional.

As taxas de juros elevadas podem travar os investimentos produtivos e postergar o crescimento econômico, fazendo com que os rentistas tenham retornos elevados, no caso brasileiro, uma sociedade marcada por grandes desigualdades sociais, baixa poupança interna e com grandes carências na infraestrutura.

A guerra no Oriente Médio aprofunda as instabilidades econômicas e as incertezas políticas e impacta todas as nações, prejudicando os consumidores, reduzindo a renda agregada e encarecendo os setores produtivos. Os especialistas em geopolítica da região não sabem precisar quanto tempo esse conflito vai demorar, o que dizem, claramente, é que o Estados Unidos esperava um confronto rápido, destrutivo e cirúrgico, com a destituição do governo iraniano e, em seu lugar, seria colocado um apaniguado, um fantoche para se submeter aos interesses dos norte-americanos e israelenses.

Parece que as previsões não foram confirmadas, o fechamento do Estreito de Ormuz pelas forças de Irã, tende a gerar graves constrangimentos econômicos e políticos para toda a economia internacional, ainda mais, devemos destacar a estratégia de atacar as bases dos EUA em países aliados na região, mostrando fragilidade na defesa e na incapacidade de proteger seus “protetorados”, gerando constrangimentos e pressões crescentes para a interrupção da guerra.

Vivemos momentos preocupantes na comunidade internacional, as guerras acabam com a racionalidade das nações e seus governantes e mostram que mesmo sendo detentores de grandes tecnologias, as decisões são tomadas olhando apenas interesses imediatos, irracionais e estimulados pelos ganhos econômicos.

Ary Ramos da Silva Júnior, Bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitário.

Retrocessos

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Vivemos mais uma guerra no Oriente Médio com muitas mortes e destruições da infraestrutura, devastando famílias e gerando dramas individuais e coletivos, com impactos variados sobre a economia internacional, gastando bilhões de dólares para patrocinar mais uma guerra fratricida, desviando recursos para uma escalada militar e espalhando corrupção e desperdícios de recursos público e privado que poderiam ser melhor utilizados para reduzir as mazelas sociais que crescem de forma acelerada na sociedade contemporânea, gerando mais violências, degradações morais e a desesperança na humanidade.

Neste momento, percebemos que uma guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã está espalhando destruições na região, com ataques se espalhando para países como Catar, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Kuwait, Arábia Saudita, Jordânia, Iraque, Turquia, dentre outros, onde os iranianos passaram a atacar bases dos Estados Unidos nestes países, gerando medos, mortes e destruições que podem levar o conflito para outras regiões e disseminando uma violência generalizada.

Vivemos momentos de grandes inquietações na sociedade internacional, com discursos calorosos, com ofensas verbais e agressividades físicas, onde a verdade e a realidade objetiva estão sendo escondidas e crescem rapidamente, neste ambiente de guerras e conflitos armados, as fake news crescem, surgindo canais para explorar as misérias humanas, youtubers e influenciadores estão acumulando fortunas e disseminando inverdades do conflito para uma população atônita, desesperada e assustada.

Estamos num cenário de transformações da geopolítica internacional, onde o multilateralismo tem dificuldades para se instalar por completo, gerando conflitos em todas as regiões, levando a Organização das Nações Unidas (ONU) a calcular mais de 120 guerras em curso na comunidade global, com impactos destrutivos para todas as regiões do mundo, com a disseminação de ódios, rancores e ressentimentos.

As guerras servem como um verdadeiro retrocesso para a humanidade, um momento em que a tecnologia cresce e passa a ganhar espaço na comunidade internacional, com equipamentos complexos que estão revolucionando as mais variadas áreas do conhecimento humano, doenças raras e violentas, vistas como de difícil tratamento, que levavam milhares de indivíduos a morte, estão sendo tratadas com novas técnicas revolucionárias e, desta forma, evitando mortes e criando uma sobrevida para os pacientes. Tecnologias de comunicação e de informática estão gerando uma verdadeira transformação nos modelos de negócios e a inteligência artificial está criando um prelúdio para novas conquistas nos mais variados setores da sociedade mundial.

Vivemos numa sociedade onde as nações estão se integrando cada vez mais, o comércio e as comunicações estão abrindo novos horizontes para a economia internacional, nações pobres e miseráveis estão ganhando relevância e importância no cenário mundial através do comércio e das trocas comerciais, novos atores estão se consolidando no novo mercado global, construindo novas oportunidades e superando os desafios anteriores.

Vivemos num momento de grandes preocupações imediatas, países que se arvoram como defensores da liberdade e da democracia se esquecem de seus históricos de guerras e de destruições, se esquecem de olhar para seus aliados, será que estão se aliando a nações democráticas e defensoras da liberdade? Vivemos num mundo onde o que reina é a hipocrisia e a ignorância humana, um verdadeiro retrocesso civilizacional, passamos a controlar novas tecnologias e, ao mesmo tempo, temos prazer na guerra, na devastação e na miséria humana.

Ary Ramos da Silva Júnior, bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitário.

Assim caminha a humanidade…

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Vivemos em um momento de disrupção constante, onde todos os dias somos bombardeados por notícias escabrosas e degradantes vindo de todas as regiões do mundo, um ambiente altamente concorrencial, desprovido de valores morais, onde as regras são definidas pelo poder militar e consolidadas pelos interesses econômicos e financeiros de uma pequena parte da comunidade global, que vive num banquete surreal, marcado pelo luxo e pelo exibicionismo cotidiano, marcado pelo hedonismo e pela acumulação ininterrupta de valores monetários e pela penúria material de uma grande maioria.

Vivemos num cenário que a tecnologia cresce de forma acelerada, onde a escassez material acontece em decorrência da ganância de poucos em detrimento da sobrevivência digna e decente de uma grande parte da comunidade global. Neste cenário, a tecnologia nos auxilia na produção de valores materiais e, contribui, fortemente para fortalecer a força do capital e, ao mesmo tempo, aumenta a desvalorização do trabalho humano e coloca uma grande parte da sociedade global em condições indignas de sobrevivência, aumentando o exército industrial de descartáveis e degradados, levando todas as regiões do globo a conviverem com pessoas em situação de rua, indivíduos desprezados pelo sistema, sem recursos materiais, sem esperanças futuras e desprovidos dos prazeres do mundo contemporâneo.

Vivemos numa sociedade que cultua os valores do corpo sarado, que canoniza a imagem e estimula a mente ociosa, onde os novos modelos de negócio investem em indivíduos dotados de grande capacidade de comunicação e deixam de lado o conteúdo moral e a consistência técnica, desvalorizando o estudo, a escola e a reflexão crítica, ridicularizando o ensino superior como forma de ascensão social e crescimento intelectual e cultuando a ignorância humana, criando e consolidando uma sociedade desprovida de valores científico e tecnológico e, ao mesmo tempo, contribuindo para a perpetuação do atraso histórico e da dependência externa.

Neste ambiente da sociedade contemporânea, todos os meses somos acordados com notícias de guerras em curso na sociedade global, mísseis de alta complexidade sendo despejados em populações indefesas e fragilizadas, matanças indiscriminadas em todas as nações e acometendo, principalmente, os pobres e os miseráveis, presenciando governos corruptos, incompetentes e ineptos que posam de paladinos da moralidade, da eficiência e defendem a bandeira da liberdade, nos esquecendo de que esta liberdade tão propalada é a da acumulação monetária, dos donos do capital e daqueles que defendem a degradação do trabalho e a desvalorização dos seres humanos.

Vivemos numa sociedade centrada no poder econômico e no poder militar, onde as regras internacionais são alteradas de acordo com os interesses dos magnatas do mundo, instituições multilaterais, constituídas em períodos anteriores, são deixadas de lado quando não servem aos seus interesses, com isso, percebemos a criação de um ambiente marcado por incertezas e instabilidades, que empobrecem os mais fragilizados e enriquecem, mais ainda, os detentores das finanças internacionais.

Neste ambiente, devemos destacar que este cenário está degradando os valores da civilização, gerando guerras em todas as regiões do globo, destruindo o meio ambiente e impactando sobre o clima e a vegetação, trazendo devastações em todos os continentes, soterramentos, desastres ambientais, furacões e tsunamis e ainda encontramos indivíduos defendendo o aprofundamento deste modelo econômico dominante. São ignorantes ou são motivados por valores imediatos e individualistas, mesmo assim, precisamos refletir urgentemente sobre para onde caminha a humanidade…

Ary Ramos da Silva Júnior, Doutor em Sociologia e professor universitário.  

           

Novos horizontes

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Vivemos momentos de grandes turbulências na economia internacional, os novos modelos produtivos estão transformando as relações de trabalho, exigindo grandes investimentos em tecnologias, fortes dispêndios em ciência, pesquisa e inovação e estratégias que demandam, de todos os setores da comunidade, uma união em prol de um projeto de país, com estratégias claras e planejamento sistemático.

Todas as nações que conseguiram melhorar as condições de vida de sua população, todas mesmo, investiram fortemente no aumento da complexidade econômica, alterando sua estrutura produtiva, angariando novos mercados globais, com fortes investimentos em capital humano e uma transformação dos produtos exportados, saindo de uma base exportadora de produtos de baixo valor agregado e, com o passar do tempo, melhorando seu perfil exportador, vendendo em outros mercados produtos mais complexos, mais sofisticados e com valor agregado maior, garantindo retorno monetários maiores e lucros mais substanciais.

Ao analisarmos os países que conseguiram dar saltos econômicos e produtivos nas últimas décadas, destacamos a Índia e a China, as duas maiores populações do globo, ambas vem crescendo de forma sistemática e conseguindo aumentar a complexidade de suas respectivas economias. A Índia, em 1994, exportava arroz, chá e algodão, notadamente produtos primários de baixo valor agregado e, atualmente, os indianos estão exportando equipamentos industriais, medicamentos e veículos, além de US$ 274 bilhões anuais em serviços tecnológicos e eletrônicos, uma verdadeira transformação produtiva que colocaram os indianos em um local de destaque no cenário internacional, participando das discussões mais relevantes do mundo da tecnologia, dos algoritmos, da robótica e da inteligência artificial.

A China vem se destacando no cenário internacional pelo seu forte crescimento econômicos que vem ameaçando outras nações e está gerando ciúmes generalizados no ambiente global. Neste cenário, a China vem ganhando espaços em variados setores da tecnologia mundial, tais como as baterias, viagens espaciais, inteligência artificial, nos chips e nos variados produtos marcados pela alta complexidade, que exigem da sociedade chinesa, supervisionada pelo governo, fortes investimentos em capital humano, que contribuíram para levar a nação para a liderança da inovação tecnológica.

Estes são dois bons exemplos que deveriam ser seguidos pelas economias médias, como a brasileira, focando nos investimentos em capital humano, canalizando recursos para o desenvolvimento científico e tecnológico, subsidiando setores estratégicos para o desenvolvimento tecnológico e, ao mesmo tempo, cobrando resultados palpáveis para a sociedade, deixando de lado os subsídios estatais que se perpetuam no tempo, gerando grandes desequilíbrios econômicos e servindo para angariar lucros elevados para poucos empresários e intermediários.

No caso brasileiro, percebemos a forte dependência de produtos primários de baixo valor agregado, nossa estrutura produtiva se caracteriza por uma baixa complexidade econômica e forte dependência dos centros de tecnologia. Nos anos 1990 exportávamos café, soja, açúcar e minério de ferro, depois de trinta anos continuamos sendo exportadores dos mesmos produtos e, para piorar, nossa indústria perdeu espaço na economia nacional e estamos vivendo uma verdadeira desindustrialização, achatando os salários, estimulando setores improdutivos e continuamos acreditando que o modelo econômico trará ganhos para a sociedade. Passou da hora de olharmos para os exemplos exitosos do mundo contemporâneo, precisamos fortalecer a institucionalidade, consolidar os setores democráticos e evitar pautas reacionárias que atrasam nosso desenvolvimento econômico e perpetuam nossa dependência externa.

Ary Ramos da Silva Júnior, Bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e Professor universitário

Abertura econômica

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A sociedade contemporânea se caracteriza pelo aumento da competição, os agentes produtivos se encontram num momento de incertezas e instabilidades, onde os governos nacionais percebem as alterações, os trabalhadores sentem na pele o aumento da concorrência e as organizações percebem os movimentos dos mercados, o surgimento de novos produtos, o nascimento de novos consumidores, com alterações dos hábitos e variados desafios, que deixam todos os atores sociais e econômicos em constantes preocupações.

Nestas reflexões encontramos a ascensão da civilização oriental, onde percebemos exemplos claros e verdadeiros de nações que eram pobres e miseráveis e, atualmente, crescem de forma acelerada, gerando melhoras substanciais de vida para as suas populações. Neste cenário, a ascensão asiática nos traz novos horizontes, novas perspectivas e novos desafios, que exigem das nações ocidentais uma compreensão dos equívocos adotados anteriormente, contribuindo para criar novos espaços de crescimento econômico e melhoras produtivas, refletindo sobre as melhores políticas públicas e renovando as estratégias, reestruturando seus sistemas produtivos e visando o desenvolvimento econômico.

No final dos anos 1980, surgem os receituários neoliberais para estimularem o desenvolvimento econômico das nações subdesenvolvidas ou em desenvolvimento, onde percebemos medidas centradas na abertura econômica, na privatização de empresas estatais e em uma forte desregulamentação financeira, estas medidas foram recebidas com ceticismo e com incredulidade pelas nações asiáticas, que rechaçaram todas as medidas preconizadas no chamado Consenso de Washington e passaram a adotar políticas diferentes, fortalecendo as empresas públicas, aumentando a proteção dos setores produtivos e fortalecendo seus sistemas financeiros, consolidando seus bancos e evitando a ascensão da chamada ciranda financeira, além de fortes investimentos em ciência, pesquisa e inovação, além de contribuir ativamente para a consolidação de um setor educacional sólido e consistente que, garantem, na contemporaneidade, resultados positivos nos índices internacionais.

Do outro lado, encontramos as nações latino-americanas, onde destacamos o Brasil, se entregando para os ideários neoliberais e passando a acreditar que éramos visionários e modernizadores, abandonando o atraso milenar e assim iniciando uma colheita de crescimento econômico, de melhorias sociais e dessa forma alcançaríamos, com sucesso, o tão sonhado desenvolvimento econômico.

Neste cenário, fizemos escolhas simples e acreditamos que rumaríamos para o desenvolvimento econômico, deixamos de lado o planejamento governamental e passamos a acreditar que o mercado faria as escolhas corretas, vendemos empresas públicas estratégicas, retiramos os monopólios públicos, abrimos nossas estruturas econômica e produtiva, reduzimos a regulação financeira, valorizamos nossa moeda, perdemos o controle de nossa economia e colhemos mais crescimento econômico, com redução da desigualdade social e melhorias substanciais para a nossa sociedade?

As escolhas dos rumos da economia nacional devem ser definidas internamente, as medidas neoliberais foram positivas para os donos do capital, os grupos que abdicaram da definição do futuro da economia nacional e se comprazem de serem sócios minoritários do capital internacional, perdendo capacidade produtiva, vendendo patrimônio nacional, destruindo nossa indústria nacional, estimulando o rentismo e o capital improdutivo, além de remunerar as falsas elites nacionais via juros escorchantes, subsídios exagerados e desoneração tributária, que futuro teremos como nação aceitando cartilhas externas e adotando receituários de outros países?

Neste momento de instabilidades externas, passamos da hora de estudarmos as experiências asiáticas, suas escolhas estratégicas, suas vivências econômicas, afinal quem está conseguindo crescer economicamente, são as nações submissas e subalternas que abraçaram os receituários neoliberais ou aquelas que escolheram caminhos heterodoxos e mais autônomos?

Ary Ramos da Silva Júnior, Bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitário.

Confronto secular

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O mundo contemporâneo se caracteriza por grandes transformações estruturais na sociedade global, período marcado por grandes incertezas e instabilidades estruturais, além de variados confrontos entre nações, que podem culminar em guerras fratricidas. O século XXI traz em suas entranhas novos confrontos econômicos e geopolíticos globais que tendem a impactar fortemente todas as regiões do mundo, impactando os modelos produtivos, transformando as relações entre capital e trabalho e modificando as relações entre as nações.

Desde a segunda guerra mundial até o início dos anos 1990, o grande confronto econômico, político e geopolítico era entre os Estados Unidos da América (EUA) versus a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), este conflito moldou a sociedade global, gerando inimizades, enfrentamentos militares, conflitos culturais e uma verdadeira máquina de violências, marcadas por inverdades e cancelamentos recíprocos.

Neste período os Estados Unidos construíram uma imensa estrutura econômica e produtiva, baseada em fortes investimentos em pesquisa, ciência e tecnologia, que impulsionaram os setores produtivos, financiados por fortes subsídios fiscais e financeiros, levando os norte-americanos a controlarem quase toda a sociedade global, exportando seus valores, controlando as questões monetárias, dominando os aspectos ideológicos e exportando para todas as regiões seu complexo industrial-militar, que integravam as forças armadas, a indústria de defesa e os formuladores de políticas públicas.

Os Estados Unidos foram os grandes responsáveis pela consolidação de um mundo centrado em regras, crescimento das trocas entre os países, com instituições internacionais consolidadas, investimentos externos diretos, recursos abundantes em ciência e tecnologia e organização produtiva, além de previsibilidade, credibilidade e uma grande estabilidade que impulsionaram a sociedade global, além de uma moeda estável, o dólar, responsável pela estabilização monetária mundial, com isso, a economia global cresceu, promovendo melhorias nas condições de vida da população.

Atualmente, percebemos novos confrontos geopolíticos em curso na sociedade global, a URSS se desintegrou, a Europa se perde em suas mazelas crescentes e, percebemos uma grande ameaça da manutenção do poderio norte-americano, a ascensão da China, seu desenvolvimento tecnológico e seu potencial exportador, ameaça a dominação global dos Estados Unidos, inaugurando um momento único para a sociedade global, onde os movimentos geopolíticos estão em transformações, disputas econômicas e produtivas ganham relevância e o sucesso anterior pode não ser suficiente para garantir avanços substanciais nos próximos anos.

Vivemos um momento de confronto secular entre Estados Unidos e China, tudo isso impacta sobre as políticas públicas e os acordos estratégicos das nações, moldando a sociedade global nos próximos anos, exigindo maturidade dos governantes para escolherem novos espaços que privilegiam a soberania nacional e a autonomia política, exigindo ainda contrapartidas econômicas sólidas e consistentes para participar ativamente do xadrez global, mostrando nossas inúmeras potencialidades, nossa capacidade de inovação e nosso espírito empreendedor, evitando escolhas equivocadas que caracterizaram a sociedade brasileira, escolhas estas que contribuíram, diretamente, para que construíssemos uma nação marcada pela desigualdade, pela exclusão e pela injustiça.

Estamos num momento estratégico para a sociedade brasileira, externamente. as nações se digladiam para novos espaços de poder do século XXI e, internamente, temos uma elite econômica e grupos políticos que querem manter e perpetuar seus privilégios, além de consolidar o sistema econômico dominante, mesmo sabendo que este modelo beneficia seu grupo, garantindo vantagens e aprofundando imensamente os interesses da maioria da população.

Ary Ramos da Silva Júnior, Bacharel de Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitário.

Economia Complexa

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A sociedade global vem percebendo grandes transformações no mundo do trabalho, onde ocupações tradicionais estão sendo destruídas, fragilizadas e reinventadas, exigindo dos setores produtivos novas habilidades, novos valores e novos comportamentos. Todas estas transformações estão revolucionando a relação entre capital e trabalho, gerando preocupações constantes, ansiedades, medos e transtornos variados.

Nesta sociedade, percebemos inúmeros questionamentos sobre o mundo do trabalho, desta forma, o trabalho vem sendo transformado muito rapidamente e essas transformações exigem mais qualificação e mais capacitação dos trabalhadores, o que demanda fortes investimentos sociais e políticas públicas em prol do trabalho, sob pena de serem alijados do mercado de trabalho e, sem salário, sem renda, sem esperanças e sem perspectivas, desta forma, muitos tendem a se albergar nas marquises dos espaços urbanos, aumentando o contingente de moradores de ruas, elevando a violência e a exclusão social.

Neste cenário, todas as nações que fizeram fortes investimentos em educação, priorizando os setores de ciência e de tecnologia colheram retornos excepcionais, com aumento, substancial, da complexidade econômica. Estes investimentos produtivos criaram as condições para melhorar o perfil de suas economias, industrializando seus setores produtivos e garantindo retornos elevados na estrutura econômica, impulsionando empregos melhores, salários mais elevados e contribuindo para a melhora das condições de vida da população.

Alguns países fizeram investimentos elevados em educação e deixaram de lado uma estratégia mais efetiva de industrialização econômica, embora a indústria não consiga gerar mais empregos como em períodos anteriores, o incremento da complexidade econômica contribui para aumentar a produtividade da economia, produzindo produtos mais elaborados, exportando bens e serviços mais complexos e mais dinâmicos, além de garantir retornos monetários elevados.

As nações que se caracterizam por serem exportadores de produtos primários de baixo valor agregado tendem a se perpetuar nesta equação perigosa, demandam pouca mão-de-obra e absorvem poucos trabalhadores qualificados na estrutura produtiva, além de importarem tecnologias externas e pouco investem em inovação, desta forma, os trabalhadores mais qualificados, dotados de curso superior e mais capacitados, são empurrados para outras nações em busca de um emprego melhor ou são absorvidos pelas empresas de aplicativos e se transformam em motoristas, sendo explorados, recebendo salários degradantes, fortemente endividados, sem direitos sociais, sem proteção previdenciária e sem perspectivas futuras, criando uma legião de trabalhadores desesperançados e, ao relatar sua história, contribuem negativamente para que milhões de estudantes abandonem as escolas e os estudos, sobrevivendo sem horizontes e, muitas vezes, como verdadeiros analfabetos funcionais.

Aumentar a complexidade da economia nacional demanda uma sólida estratégia de desenvolvimento e uma grande maturidade institucional, o investimento em capital humano é imprescindível, atrair os setores produtivos para a construção de uma transformação estrutural da economia é fundamental, reduzir o poder dos grupos econômicos e políticos que ganham com essa situação de subserviência e de desesperança que vivenciamos atualmente, além de atrair as universidades e as faculdades na construção de uma mão-de-obra capacitada e consciente dos desafios contemporâneos, evitando excesso de profissionais despreparados e estimularem setores centrais para a economia do conhecimento. Num momento de grande desenvolvimento tecnológico, de grandes alterações do mundo do trabalho e de grandes transformações geopolíticos, a indústria deve ser fortalecida e impulsionada, sem ela, continuamos importando tecnologias, seguindo cartilhas que perpetuam o subdesenvolvimento e impedem nosso potencial na construção de uma economia complexa.

Ary Ramos da Silva Júnior, Bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e Professor Universitário.

Corrupção e Subdesenvolvimento

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Todos os povos e todas as civilizações sempre sonharam com o desenvolvimento econômico, com seus impactos sociais positivos para a comunidade, melhoras substanciais na qualidade de vida, oportunidades crescentes para todos os cidadãos, serviços públicos e privados desenvolvidos e bem-estar para toda a sociedade. Para que o desenvolvimento se efetive é fundamental uma maturidade social e institucional, regras sólidas e consistentes e um sistema baseado em planejamentos constantes, tudo isso pode impedir que o sonho do desenvolvimento se transforme em um verdadeiro pesadelo.

No caso brasileiro, os cidadãos sonham com este desenvolvimento econômico e seus benefícios coletivos e, percebemos constantemente, impasses que nos mantem em situação econômico e social preocupante, dentre elas, destacamos as questões relacionadas a corrupção, que impactam negativamente sobre o desenvolvimento econômico, limitam a alocação de recursos produtivos escassos, reduzindo o crescimento e o dinamismo econômico, fragilizando os agentes governamentais e impactando negativamente os investimentos produtivos, além de limitar a inovação e o empreendedorismo.

Neste cenário, percebemos que países como o Brasil apresentam indicadores elevados de corrupção, apresentando arcabouços legais frágeis, menor renda, pior educação e baixa capacidade estatal —fatores que, por si só, reduzem o crescimento econômico, diminuindo as potencialidades e perpetuando uma condição degradante da sociedade. A corrupção impacta fortemente no desenvolvimento econômico brasileiro, exigindo que o combate a corrupção se torne uma das maiores prioridades, exigindo atitudes consistentes de todos os setores da comunidade e conscientizando a sociedade sobre os males da corrupção para as condições de vida da população.

No decorrer da história brasileira, encontramos casos escandalosos de corrupção que limitaram o crescimento econômico e contribuíram ativamente para variados desequilíbrios políticos e limitaram as potencialidades econômicas nacionais. Muitos acreditavam que a corrupção era um instrumento positivo para contornar as inúmeras burocracias que sempre caracterizaram a sociedade brasileira. De outro lado, alguns especialistas acreditam que a corrupção afeta fortemente a alocação de recursos, favorecendo empresas pouco produtivas e, muitas organizações passaram a investir mais em angariar benefícios políticos e econômicos imediatos ao contrário de focar no incremento de produtividade.

A corrupção acontece em todas as esferas da sociedade brasileira, nos setores públicos e, também, dos setores privados, cujos impactos são violentos para a sociedade brasileira, aumentando os custos dos investimentos produtivos, degradando os serviços e perpetuando uma verdadeira erosão social, onde uma pequena parte da sociedade vive de forma nababesca, centrada em luxos e desperdícios e uma grande parte sobrevive em condições degradantes, cercada pela pobreza e pela indignidade.

Neste ambiente de degradação dos serviços públicos, como vivemos cotidianamente, serviços estes descritos como ineficientes, caros e desnecessários, onde muitos defendem que a solução para acabar com a corrupção está na retirada das esferas públicas e o repasse para os setores privados, mais eficientes, menos dispendiosos e mais produtivos, será mesmo essa solução?

Muitos países desenvolvidos embarcaram neste discurso ideológico nos anos 1990, diminuíram o papel do Estado e passaram a exaltar o poder do mercado, privatizaram, desnacionalizaram e desregularam, acreditando que estavam fazendo as escolhas corretas. Atualmente, muitas nações estão voltando atrás, reestatizando empresas, retomando a regulação de setores estratégicos e aqui, no Brasil, estamos ensaiando, mais uma vez, vender patrimônio público a preços módicos, acreditando que somos modernos e, na verdade, somos entreguistas e verdadeiros dinossauros.
Ary Ramos da Silva Júnior, Bacharel em Ciências Econômicas, Mestre, Doutor em Sociologia.

Novo Livro

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O livro Reflexões Espíritas: Análises e pensamentos num mundo em transformação faz parte de alguns escritos do autor no decorrer de décadas de estudos e conversações referentes a Doutrina Espírita, onde a obra aborda assuntos relacionados as questões contemporâneas que preocupam imensamente a sociedade, onde destacamos as questões econômicas e produtivas, o crescimento da tecnologia, os impactos da transição planetária, as mudanças no mundo do trabalho, o incremento de casos de suicídio, além de abordar assuntos referentes ao aumento da ansiedade, da depressões, dos transtornos e das preocupações constantes do mundo atual, os desafios crescentes, os medos invisíveis e as oportunidades que surgem neste momento de grandes transformações estruturais.

O livro Reflexões Espíritas: Análises e pensamentos num mundo em transformação reúne variados artigos referentes a assuntos atuais e contemporâneos que podem ser lidos de forma independente, onde encontramos reflexões das grandes transformações da sociedade e seus impactos sobre os indivíduos, as famílias e as comunidades em geral. Nesta sociedade, percebemos mudanças estruturais em todas as áreas e setores, valores consolidados anteriormente estão sendo colocados em xeque, mudanças no mundo do trabalho, exigindo movimentações crescentes e, ao mesmo tempo, percebemos o incremento do chamado individualismo, o imediatismo, o hedonismo e a busca crescente por prazeres imediatos, levando os seres humanos a se afastarem de valores espirituais, valorizando as conquistas materiais, a acumulação e as sensações de prazer e de enriquecimento, deixando de lado os valores imateriais.

O desenvolvimento da ciência nas últimas décadas está transformando as relações sociais, alterando modelos econômicos, criando novas formas políticas e impondo novos valores cotidianos, exigindo uma modificação estrutural na sociedade, colocando no centro da sociedade uma nova forma de convivência social, onde as famílias estão sendo transformadas, gerando constrangimentos e, ao mesmo tempo, novos desafios, afinal, sabemos que a família é o mais nobre espaço de convivência social da comunidade, sem família os indivíduos perdem a bússola da convivência social.

A obra Reflexões Espíritas: Análises e pensamentos num mundo em transformação fala sobre questões relacionadas a economia contemporânea, destacando que estamos vivendo um modelo econômico que impõe aos indivíduos desafios gigantescos, a Ciência Econômica, em sua raiz, foi constituída para ser a ciência da escassez, ou seja, surge como espaço para administrar recursos naturais limitados existentes na natureza e compatibilizar as demandas ilimitadas dos seres humanos, um desafio elevado e exige produtividade crescente, bom senso, solidariedade e discernimento para dividirmos os recursos escassos disponíveis na sociedade mundial. Nas últimas décadas, percebemos que as Ciências Econômicas passaram a ser administradas com o intuito da maximização dos ganhos monetários, garantindo escalas crescentes de lucro para pouco e uma verdadeira penúria para uma grande parte da população, isso denota que as Ciências Econômicos passaram a ser refém dos interesses dos donos do mundo, gerando uma sociedade, em escala global, marcada por desigualdades crescentes, com aumento da violência, degradação do Meio Ambiente e uma verdadeira polarização política, como presenciamos no mundo contemporâneo.

O livro mostra ainda que vivenciamos uma verdadeira transição planetária, onde o nosso Planeta Terra está caminhando, a passos largos, para sairmos de um mundo de provas e expiações e se transformando num mundo de regeneração, onde os valores tendem a ser diferentes, os interesses dos indivíduos serão alterados e os desafios passarão a ser diferenciados, uma verdadeira transformação em curso no Planeta Terra.

O livro Reflexões Espíritas: Análises e pensamentos num mundo em transformação tem como intuito trazer aos espíritas novos horizontes de reflexões, sabemos que a Doutrina dos Espíritos nos auxilia a compreender os grandes desafios da sociedade contemporânea, trazendo obras doutrinárias de vulto, autores espíritas e mensagens edificantes, vislumbrando uma nova sociedade, menos conflituosa, mais estudiosa, reduzindo as radicalidades e contribuindo ativamente para este momento de transição planetária.

Abraços!!