ÚLTIMOS ARTIGOS

Insatisfação

Na sociedade contemporânea percebemos grandes movimentações econômicas, sociais e políticas, que acirram os conflitos econômicos em todas as regiões do mundo, gerando incertezas e instabilidades crescentes, tudo isso contribui imensamente para que compreendamos as insatisfações da sociedade. Vivemos num momento em que as pessoas estão insatisfeitas, os trabalhadores estão insatisfeitos, as famílias estão insatisfeitas, os empresários estão insatisfeitos, os estudantes estão insatisfeitos, os professores estão insatisfeitos, ou seja, estamos vivendo ou sobrevivendo, numa sociedade marcada por insatisfação.

A sociedade contemporânea se caracteriza pelo crescimento tecnológico, nesta sociedade, percebemos transformações profundas e estruturais, os comportamentos estão em constantes alterações, os modelos de negócios estão sendo modificados, os relacionamentos estão sendo revistos e transformados, as ocupações e o mundo do trabalho estão sendo alterados, criando um modelo de sociabilidade que impõem mudanças e limitações, gerando medos, ressentimentos e desequilíbrios afetivos e sentimentais.

Os governos se sucedem, entra governo e sai governo, e as melhoras são sempre marginais, as mudanças são apenas limitadas e temporárias. Os pais estão cada vez mais assustados com o futuro de seus filhos e de seus netos, a tão sonhada ascensão social nos parece, cada vez mais, distante e improvável. Os jovens não querem mais constituir famílias, evitam serem pais e se limitam a uma vida solitária, sem descendentes e sem auxílios na velhice.

Neste cenário, percebemos um estímulo e uma revolta contra a política, uma crítica sistemática contra os governos de plantão e as instituições, vistas como os responsáveis pelas condições degradantes do cotidiano, desta forma, percebemos o crescimento de grupos extremados, acreditando que assim vão conseguir melhoras na sociedade, garantindo liberdade e sucesso.

Vivemos numa sociedade onde a escola pública está sendo devastada e destruída, anteriormente a educação era vista como o espaço de ascensão social, através do estudo e do esforço familiar podíamos vislumbrar horizontes de sonhos e acreditarmos em um mundo melhor, dotado de novas oportunidades e abundância material para todos, infelizmente essa possibilidade perdeu espaço e as perspectivas de sucesso se limitam aos jogos de azar e as gastanças nas empresas de bets, um verdadeiro cassino global, enriquecendo poucos e degradando a maioria da sociedade, desta forma, as famílias estão cada vez mais endividadas, as doenças mentais crescem de forma acelerada e a depressão acomete uma parte substancial da sociedade global.

A educação sempre foi vista como um espaço de ascensão social, famílias inteiras se cotizavam para auxiliar seus descendentes no caminho do estudo e do crescimento profissional, hoje o estudo sozinho não consegue abrir horizontes sólidos e consistentes, os esforços são sempre insuficientes, sabemos, ainda, que os profissionais mais qualificados são recompensados com melhores empregos, salários mais atrativos e maior possibilidade de ascensão social, mas na maioria das vezes, os melhores empregos são reservados para os bem nascidos, os mais abastados e os dotados de  melhor networking.

Neste ambiente, estamos vivendo uma sociedade marcada por pessoas insatisfeitas, amedrontadas e com perspectivas limitadas, desta forma, evitamos ter filhos, evitamos relacionamentos, nos prendemos em casa e consolidamos uma sociedade cada vez mais individualista, imediatista e focada no lucro. Será que ainda não passou da hora de pensarmos e repensarmos o modelo dominante de sociedade que estimula todos estes desequilíbrios?

Ary Ramos da Silva Júnior, bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitário

Conflitos monetários

0

A economia internacional vem passando por momentos de grandes tensões econômicas e movimentações geopolíticas, onde os conflitos se disseminam para todas as regiões do mundo, gerando instabilidades nos preços, criando inseguranças institucionais e violências generalizadas.

Neste cenário, percebemos os conflitos militares e as intervenções na soberania de inúmeras nações e muitos desconhecem que, por trás deste ambiente de confrontos cotidianos, percebemos uma verdadeira guerra monetária entre os países, buscando hegemonias e dominações, um conflito que impacta todos os povos, alterando as estruturas produtivas e criando embaraços econômicos e produtivos.

Todos sabemos que a moeda dominante da economia internacional é o dólar norte-americano, este poder monetário foi imposto pelos Estados Unidos no pós-segunda guerra mundial, onde seu poderio econômico e sua força política eram evidentes e inquestionáveis, forçando as outras economias a aceitarem o dólar como a moeda reserva global, diante disso, as nações passaram a acumular a moeda norte-americana, acumular recursos e, desta forma, participar das trocas mundiais.

Como os Estados Unidos eram a maior econômica mundial, responsável por grande parte da indústria global os laços comerciais cresciam de forma acelerada, os empréstimos estrangeiros eram feitos em dólares, os investimentos externos diretos eram em moeda norte-americana, os fluxos financeiros eram dominados pelos dólares e, desta forma, esta nação passou a acumular um poder pouco visto na sociedade internacional, tudo isso levou o Ministro das Finanças da França, Giscard d”Estaing, no governo do  general De Gaulle a cunhar a expressão privilégio exorbitante, para definir o grande poder baseado no domínio monetário dos Estados Unidos.

No começo de 1974 foi assinado o acordo entre os Estados Unidos e a Arábia Saudita, conhecido mundialmente de “petrodólar”, estabelecendo, com isso, que o reino passaria a vender petróleo exclusivamente em dólares americanos, garantindo a hegemonia da moeda e financiando o tesouro dos EUA, em troca, os norte-americanos passaram a oferecer segurança militar e apoio técnico, ampliando a construção de bases militares e fortalecendo os laços políticos e econômicos.

Em junho de 2024, a Arábia Saudita optou por não renovar o acordo original de 50 anos, abrindo espaço para vendas em outras moedas (como yuan ou euro), sinalizando uma nova estratégia econômica e financeira dos sauditas, gerando uma verdadeira revolução nos meios de pagamentos.

Nas últimas décadas, percebemos movimentos de fragilização do dólar como moeda global, a ascensão econômica da Ásia, o fortalecimento dos Brics que passaram a negociar com suas respectivas moedas, além da perda de confiança na moeda norte-americana, alto endividamento americano, riscos geopolíticos, guerras comerciais e sanções contra vários parceiros, tudo isso, contribuiu imensamente para que outras nações passassem a buscar alternativas ao dólar norte-americano, iniciando um movimento que vem sendo chamado de desdolarização, com isso, os bancos centrais de outros países estão comprando ouro e reduzindo as exposição à moeda norte-americana.

Vivemos um momento de conflitos variados, as guerras em curso na sociedade global não têm nada a ver com a defesa de povos oprimidos por governos autoritários e reacionários, os conflitos em curso na sociedade contemporânea estão ligados ao poder econômico, a capacidade de controlar o petróleo e a manutenção da hegemonia do dólar como a moeda internacional, afinal, como disse o ministro francês, os norte-americanos não vão renunciar seu privilégio exorbitante.

Ary Ramos da Silva Júnior, bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitário.

Outra oportunidade

0

Vivemos num momento de incertezas constantes, as guerras crescem de forma acelerada, o arcabouço institucional criado no pós-segunda guerra vem sendo devastado, a tecnologia ganha cada vez mais as rédeas da sociedade, as crises energéticas se espalham para a sociedade internacional, as lideranças mundiais mostram suas limitações para a compreensão dos desafios globais, o mundo do trabalho se transforma rapidamente e as condições sociais se degradam todos os dias, aumentando a fome e a indignidade humana, neste cenário de instabilidades crescentes, as perguntas crescem e as certezas estão cada vez mais reduzidas, gerando violências, caos e ressentimentos.

Neste ambiente global marcado pelos conflitos geopolíticos, onde os atores econômicos e produtivos se utilizam do poder e da influência dos governos nacionais para manter seus ganhos imediatos e aumentar seus instrumentos de acumulação, encontramos vestígios e esboço do grande conflito do século XXI, neste confronto percebemos o embate entre os Estados Unidos e a China, as duas maiores economias do mundo, detentoras das grandes capacidades produtivas industriais e forte influência política, seus poderes se espalham para todas as regiões da comunidade internacional.

Neste cenário, descrito anteriormente, as nações buscam espaços de sobrevivência e novos horizontes econômicos e produtivos, países produtores de produtores primários buscam se inserir no ambiente global, países que detém grande potencial no setor de serviços se mobilizam para se estruturar e angariar vantagens neste cenário de constantes transformações e os países industrializados buscam manter seus mercados e ampliar novos horizontes produtivos, ou seja, estamos vivendo uma verdadeira revolução global, onde cada nação vem se capacitando para sobreviver num cenário incerto, imediatista e fortemente concorrencial.

No caso brasileiro, percebemos grandes desafios estruturais, encontramos uma elite econômica imediatista, rentista e incapaz de pensar o país para as próximas décadas, seu horizonte de planejamento e de reflexão é sempre o agora, não investimos em educação porque demanda tempo e planejamento e colhemos uma população mal qualificada e pouco capacitada para compreendermos os grandes desafios da sociedade contemporânea.

Na nossa história econômica, percebemos uma nação explorada e dividida desde os primórdios da colonização, somos um país detentor de riquezas variadas, solos ricos e energia em abundância e, infelizmente, entregamos nossas riquezas naturais para melhorar as condições de vida de outros povos e de outras nações e nos “esquecemos” da desigualdade interna que somos os patrocinadores, olhamos para as outras nações com admiração e não conseguimos compreender que muitos destes recursos que patrocinaram as melhoras sociais de outros povos foram extraídas do nosso território, numa verdadeira história de pilhagem, escravidão e degradação humana.

Depois de séculos de espoliação, estamos em um momento de grandes transformações econômicas e produtivas globais, onde a história está nos dando uma nova oportunidade de desenvolvimento econômico. No mundo da tecnologia, da inteligência artificial, dos algoritmos, da robotização e das big techs, temos um instrumento valoroso para nossa ascensão econômica, afinal somos detentores de mais de 25% das terras raras do mundo, minérios estratégicos que dominam a economia global. Neste cenário,precisamos ter sabedoria para utilizarmos estes minérios para a melhora constante da sociedade brasileira e nos afastar daqueles que querem vender nossa soberania e se postam como patriotas, mas na verdade são hipócritas e entreguistas.

Ary Ramos da Silva Júnior, bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitário.

Endividamentos

0

A economia brasileira sempre se caracterizou pelos amplos endividamentos interno e externo, impactando sobre a solidez econômica e produtiva e, com isso, vivenciamos um cenário marcado pelo chamado stop-in-go, uma economia que sempre apresentou uma incapacidade de gerar uma ambiente de crescimento econômico consistente, nossa economia é marcada por crescimento lento e desequilíbrios duradouros e incapazes de garantir uma sustentabilidade produtiva que garanta uma melhora nas condições de vida da maioria da sociedade.

Depois de um forte endividamento externo no decorrer do século passado, a economia brasileira conseguiu resolver este problema e passamos a ser credores líquidos externos, nossas reservas monetárias ultrapassam os passivos externos, desta forma, no front externo conseguimos resolver este problema que sempre caracterizou a sociedade brasileira, com impactos negativos para os setores econômicos e produtivos.

Atualmente, encontramos variados problemas que limitam o crescimento da economia nacional, baixa produtividade, dependência tecnológica, pouca complexidade dos setores produtivos, impostos regressivos e elevados, setor judiciário caro, lento e ineficiente, baixo investimento em ciência e tecnologia, pobreza elevada, educação de baixa qualidade, elite dominante que se compraz com um papel subserviente nas parcerias externas, além de taxas de juros escorchantes que limitam o espírito empreendedor e, ao mesmo tempo, contribui ativamente para a criação de uma nação de rentista, individualista e pouco afeita aos investimentos produtivos.

Neste cenário, ao analisarmos as deficiências estruturais internas e imediatas, precisamos destacar o alto endividamento interno dos cidadãos, dos consumidores e dos setores produtivos que estão fragilizando a economia nacional e limitando o potencial produtivo. Somos detentores de riquezas nacionais invejáveis aos olhos do mundo, somos detentores de mais de 50% de energias renováveis e sustentáveis, possuímos reservas substanciais de terras raras e nos caracterizamos como uma população marcada pelo espírito inovador e empreendedor, poucas vezes vistas em outras nações.

Atualmente, encontramos mais de 81,3 milhões de cidadãos negativados, numa pesquisa feita pelo Mapa da Inadimplência da Serasa Experian, feito em janeiro de 2026, colocam mais de 49,7% da população adulta negativada, um recorde histórico que limitam o potencial de consumo dos consumidores, gerando constrangimentos elevados, problemas emocionais e distúrbios variados.

Neste ambiente de alterações dos padrões de consumo, com gastos crescentes relacionados as casas de apostas, as chamadas bets, e dos dispêndios relacionados com as canetas emagrecedoras, percebemos o aumento da inadimplência e o crescimento do endividamento interno que impactam os indicadores macroeconômicos, reduzindo gastos correntes e derrubando as vendas do varejo. Estas demandas conjunturais estão transformando os gastos da população e estão contribuindo diretamente para o endividamento, mas precisamos nos atentar para uma questão estrutural, as taxas de juros estratosféricas que pululam na economia brasileira, que limitam os investimentos produtivos e estimulam os gastos especulativos que nada trazem de positivo para o restante da economia, aprofundando a desigualdade e tornando os consumidores reféns de dívidas elevadas, impagáveis e crescentes.

 Historicamente, a sociedade brasileira, com custos financeiros elevados, posterga decisões estratégicas, onde resolver este imbróglio pode destravar a economia nacional e criar novos horizontes de crescimento econômico, além de alavancar os investimentos produtivos, neste cenário precisamos tomar decisões estratégicas e evitar a omissão constante do Executivo, do Legislativo e do Judiciário, todos estes poderes precisam assumir as suas responsabilidades.

Ary Ramos da Silva Júnior, bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitário.

Aplicativo

0

O Aplicativo Ary Ramos está, novamente, disponível na loja do Google, aproveitem!

Segue o link:

https://play.google.com/store/apps/details?id=br.pro.aryramos.app&pcampaignid=web_share

Desorganização global

0

A economia internacional vem passando por momentos de grandes inquietações e preocupações crescentes, levando o sistema produtivo e a estrutura financeira global a terem que conviver, abertamente, com incertezas e instabilidades, que contribuem para o crescimento do risco e do aumento dos preços globais, elevando a inflação e levando os bancos centrais ao incremento das taxas de juros, cujos impactos são imediatos na redução dos investimentos produtivos.

Neste cenário internacional, percebemos uma desorganização generalizada, forças militares invadem países da noite para o dia, bombardeiam a infraestrutura das nações, gerando uma matança indiscriminada  que impacta em todo o sistema econômico e financeiro, elevando os custos de produção, aumentando as incertezas produtivas escasseando as matérias primas, aumentando os custos logísticos, desorganizando todo o sistema político global e, posteriormente, se assustam com as consequências de ações desastradas, equivocadas e impensadas.

Estamos vivendo momentos de grandes instabilidades na sociedade internacional, as guerras, como tudo na vida, geram ganhadores e perdedores ao redor do mundo, gerando setores que apresentam grandes lucros monetários e financeiros e, outros setores, amargam variados prejuízos materiais. Os preços do barril de petróleo aumentaram de forma imediata, inicialmente os valores estavam na casa dos US$ 60,00 e, na semana passada, chegaram ao valor estratosférico de US$ 119,00 e atualmente se estabilizou na casa dos US$ 100,00, gerando fortes reações de nações que dependem deste produto e aumentaram os ganhos dos exportadores deste óleo, que domina o sistema produtivo global e servem de justificativas para suas intervenções, suas guerras e suas destruições.

Vivemos num momento de grandes incertezas produtivas, as guerras em curso no Oriente Médio estão escalando para outros países da região, com ataques nas refinarias e usinas nucleares, além do fechamento do Estreito de Ormuz, responsável por mais de 20% do fluxo destes produtos, gerando calafrios para os países europeus e seus governos nacionais, nações dependentes da importação do petróleo e do gás natural, levando-os a adotarem políticas imediatas para evitar um colapso de suas finanças.

Vivemos num momento em que as regras criadas e consolidadas no pós-segunda guerra mundial vem sendo destruídas rapidamente e deixando um vazio institucional preocupante e assustador, com isso, percebemos confrontos diplomáticos, chantagens crescentes, discursos agressivos, postagens grosseiras e espaços claros para que as agressões militares cresçam e os gastos militares aumentem, desta forma, percebemos que estamos vivenciando uma verdadeira desorganização global e as consequências são impossíveis de serem mensuradas.

As guerras, em curso na sociedade mundial, ampliam a escassez energética, aumentam os preços destes produtos essenciais para o capitalismo contemporâneo, elevando as temperaturas nas Bolsas de Valores globais e levam as Autoridades Monetárias a aumentarem as taxas de juros, desta forma, percebemos o aumento dos prejuízos dos setores econômicos, que reduzem os investimentos produtivos, reduzindo a geração de emprego, limitando a renda agregada dos trabalhadores e criando uma situação degradante para os setores mais vulneráveis.

Vivemos um momento preocupante e assustador para a comunidade internacional, onde os fortões que sempre acreditaram que a força física resolveria os problemas do mundo chegaram ao poder, patrocinaram guerras e destruições e o cenário internacional está cada vez mais degradante, está na hora dos adultos tomarem o controle desta situação e mostrar que os conflitos militares só geram destruições, mortes, rancores e ressentimentos.

Ary Ramos da Silva Júnior, bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e Professor universitário.

Palestra Espírita

0

Palestra na Associação Espírita Allan Kardec, de São José do Rio Preto/SP, no dia 22 de março de 2026, onde o professor Ary Ramos abordou um tema interessante, na ocasião o tema escolhido foi “José de Arimatéia: o discípulo de Jesus”, vale a pena assistir.

Petróleo, inflação e guerras

0

Vivemos um momento de novos confrontos militares no Oriente Médio, com impactos generalizados para toda a economia internacional, afinal esta região é responsável pelo fornecimento do produto mais importante no capitalismo global. Neste cenário, o preço do petróleo aumentou vertiginosamente, saindo de US$ 60,00 por barril no começo do conflito e os valores aumentaram, rapidamente, alcançando mais de US$ 100,00 o barril, impactando para todas as regiões, gerando calafrios para os setores produtivos, pressionando o sistema financeiro internacional, impactando os preços e pressionando a inflação global, levando as Autoridades Monetárias a aumentarem as taxas de juros, com graves repercussões nos investimentos produtivos, nos empregos e na renda agregada.

A sociedade global vive momentos de grandes incertezas e grandes instabilidades, gerando riscos crescentes que afugentam os investimentos produtivos, reduzindo a geração de empregos e criando um ambiente de baixo crescimento econômico, levando os governos a adotarem políticas públicas para reduzirem os efeitos colaterais da economia, levando-os a reduzir os impostos e aumentando os subsídios, vislumbrando a redução dos problemas internos, mas ao mesmo tempo, os indicadores fiscais pioram sensivelmente.

O petróleo tem grande relevância na economia internacional, este produto movimenta todo o sistema produtivo, as guerras em curso no Oriente Médio geram impactos para todas as regiões do mundo e forçam os governos nacionais a reduzirem as perdas internas, incorrendo em gastos crescentes, reduzindo os repasses internos, forçando a economia a adotar taxas de juros mais elevadas que restringem o potencial da economia.

No caso brasileiro, percebemos uma espiral de grandes impactos diretos e indiretos, como temos uma das taxas de juros mais elevadas da economia internacional, o cenário de conflitos militares deve adiar a redução dos juros internos, postergando uma esperada melhora dos indicadores fiscais, visto, por muitos especialistas em contas públicas, como um dos maiores problemas da economia nacional.

As taxas de juros elevadas podem travar os investimentos produtivos e postergar o crescimento econômico, fazendo com que os rentistas tenham retornos elevados, no caso brasileiro, uma sociedade marcada por grandes desigualdades sociais, baixa poupança interna e com grandes carências na infraestrutura.

A guerra no Oriente Médio aprofunda as instabilidades econômicas e as incertezas políticas e impacta todas as nações, prejudicando os consumidores, reduzindo a renda agregada e encarecendo os setores produtivos. Os especialistas em geopolítica da região não sabem precisar quanto tempo esse conflito vai demorar, o que dizem, claramente, é que o Estados Unidos esperava um confronto rápido, destrutivo e cirúrgico, com a destituição do governo iraniano e, em seu lugar, seria colocado um apaniguado, um fantoche para se submeter aos interesses dos norte-americanos e israelenses.

Parece que as previsões não foram confirmadas, o fechamento do Estreito de Ormuz pelas forças de Irã, tende a gerar graves constrangimentos econômicos e políticos para toda a economia internacional, ainda mais, devemos destacar a estratégia de atacar as bases dos EUA em países aliados na região, mostrando fragilidade na defesa e na incapacidade de proteger seus “protetorados”, gerando constrangimentos e pressões crescentes para a interrupção da guerra.

Vivemos momentos preocupantes na comunidade internacional, as guerras acabam com a racionalidade das nações e seus governantes e mostram que mesmo sendo detentores de grandes tecnologias, as decisões são tomadas olhando apenas interesses imediatos, irracionais e estimulados pelos ganhos econômicos.

Ary Ramos da Silva Júnior, Bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitário.

Retrocessos

0

Vivemos mais uma guerra no Oriente Médio com muitas mortes e destruições da infraestrutura, devastando famílias e gerando dramas individuais e coletivos, com impactos variados sobre a economia internacional, gastando bilhões de dólares para patrocinar mais uma guerra fratricida, desviando recursos para uma escalada militar e espalhando corrupção e desperdícios de recursos público e privado que poderiam ser melhor utilizados para reduzir as mazelas sociais que crescem de forma acelerada na sociedade contemporânea, gerando mais violências, degradações morais e a desesperança na humanidade.

Neste momento, percebemos que uma guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã está espalhando destruições na região, com ataques se espalhando para países como Catar, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Kuwait, Arábia Saudita, Jordânia, Iraque, Turquia, dentre outros, onde os iranianos passaram a atacar bases dos Estados Unidos nestes países, gerando medos, mortes e destruições que podem levar o conflito para outras regiões e disseminando uma violência generalizada.

Vivemos momentos de grandes inquietações na sociedade internacional, com discursos calorosos, com ofensas verbais e agressividades físicas, onde a verdade e a realidade objetiva estão sendo escondidas e crescem rapidamente, neste ambiente de guerras e conflitos armados, as fake news crescem, surgindo canais para explorar as misérias humanas, youtubers e influenciadores estão acumulando fortunas e disseminando inverdades do conflito para uma população atônita, desesperada e assustada.

Estamos num cenário de transformações da geopolítica internacional, onde o multilateralismo tem dificuldades para se instalar por completo, gerando conflitos em todas as regiões, levando a Organização das Nações Unidas (ONU) a calcular mais de 120 guerras em curso na comunidade global, com impactos destrutivos para todas as regiões do mundo, com a disseminação de ódios, rancores e ressentimentos.

As guerras servem como um verdadeiro retrocesso para a humanidade, um momento em que a tecnologia cresce e passa a ganhar espaço na comunidade internacional, com equipamentos complexos que estão revolucionando as mais variadas áreas do conhecimento humano, doenças raras e violentas, vistas como de difícil tratamento, que levavam milhares de indivíduos a morte, estão sendo tratadas com novas técnicas revolucionárias e, desta forma, evitando mortes e criando uma sobrevida para os pacientes. Tecnologias de comunicação e de informática estão gerando uma verdadeira transformação nos modelos de negócios e a inteligência artificial está criando um prelúdio para novas conquistas nos mais variados setores da sociedade mundial.

Vivemos numa sociedade onde as nações estão se integrando cada vez mais, o comércio e as comunicações estão abrindo novos horizontes para a economia internacional, nações pobres e miseráveis estão ganhando relevância e importância no cenário mundial através do comércio e das trocas comerciais, novos atores estão se consolidando no novo mercado global, construindo novas oportunidades e superando os desafios anteriores.

Vivemos num momento de grandes preocupações imediatas, países que se arvoram como defensores da liberdade e da democracia se esquecem de seus históricos de guerras e de destruições, se esquecem de olhar para seus aliados, será que estão se aliando a nações democráticas e defensoras da liberdade? Vivemos num mundo onde o que reina é a hipocrisia e a ignorância humana, um verdadeiro retrocesso civilizacional, passamos a controlar novas tecnologias e, ao mesmo tempo, temos prazer na guerra, na devastação e na miséria humana.

Ary Ramos da Silva Júnior, bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitário.

Assim caminha a humanidade…

0

Vivemos em um momento de disrupção constante, onde todos os dias somos bombardeados por notícias escabrosas e degradantes vindo de todas as regiões do mundo, um ambiente altamente concorrencial, desprovido de valores morais, onde as regras são definidas pelo poder militar e consolidadas pelos interesses econômicos e financeiros de uma pequena parte da comunidade global, que vive num banquete surreal, marcado pelo luxo e pelo exibicionismo cotidiano, marcado pelo hedonismo e pela acumulação ininterrupta de valores monetários e pela penúria material de uma grande maioria.

Vivemos num cenário que a tecnologia cresce de forma acelerada, onde a escassez material acontece em decorrência da ganância de poucos em detrimento da sobrevivência digna e decente de uma grande parte da comunidade global. Neste cenário, a tecnologia nos auxilia na produção de valores materiais e, contribui, fortemente para fortalecer a força do capital e, ao mesmo tempo, aumenta a desvalorização do trabalho humano e coloca uma grande parte da sociedade global em condições indignas de sobrevivência, aumentando o exército industrial de descartáveis e degradados, levando todas as regiões do globo a conviverem com pessoas em situação de rua, indivíduos desprezados pelo sistema, sem recursos materiais, sem esperanças futuras e desprovidos dos prazeres do mundo contemporâneo.

Vivemos numa sociedade que cultua os valores do corpo sarado, que canoniza a imagem e estimula a mente ociosa, onde os novos modelos de negócio investem em indivíduos dotados de grande capacidade de comunicação e deixam de lado o conteúdo moral e a consistência técnica, desvalorizando o estudo, a escola e a reflexão crítica, ridicularizando o ensino superior como forma de ascensão social e crescimento intelectual e cultuando a ignorância humana, criando e consolidando uma sociedade desprovida de valores científico e tecnológico e, ao mesmo tempo, contribuindo para a perpetuação do atraso histórico e da dependência externa.

Neste ambiente da sociedade contemporânea, todos os meses somos acordados com notícias de guerras em curso na sociedade global, mísseis de alta complexidade sendo despejados em populações indefesas e fragilizadas, matanças indiscriminadas em todas as nações e acometendo, principalmente, os pobres e os miseráveis, presenciando governos corruptos, incompetentes e ineptos que posam de paladinos da moralidade, da eficiência e defendem a bandeira da liberdade, nos esquecendo de que esta liberdade tão propalada é a da acumulação monetária, dos donos do capital e daqueles que defendem a degradação do trabalho e a desvalorização dos seres humanos.

Vivemos numa sociedade centrada no poder econômico e no poder militar, onde as regras internacionais são alteradas de acordo com os interesses dos magnatas do mundo, instituições multilaterais, constituídas em períodos anteriores, são deixadas de lado quando não servem aos seus interesses, com isso, percebemos a criação de um ambiente marcado por incertezas e instabilidades, que empobrecem os mais fragilizados e enriquecem, mais ainda, os detentores das finanças internacionais.

Neste ambiente, devemos destacar que este cenário está degradando os valores da civilização, gerando guerras em todas as regiões do globo, destruindo o meio ambiente e impactando sobre o clima e a vegetação, trazendo devastações em todos os continentes, soterramentos, desastres ambientais, furacões e tsunamis e ainda encontramos indivíduos defendendo o aprofundamento deste modelo econômico dominante. São ignorantes ou são motivados por valores imediatos e individualistas, mesmo assim, precisamos refletir urgentemente sobre para onde caminha a humanidade…

Ary Ramos da Silva Júnior, Doutor em Sociologia e professor universitário.