Vivemos momentos nebulosos e transformadores, marcados por inúmeras oportunidades e desafios e, ao mesmo tempo, dificuldades e aprendizagens constantes, onde os seres humanos estão em movimentos cotidianos, marcados por incertezas, desequilíbrios íntimos e novos comportamentos sentimentais, afetivos e emocionais.
Neste cenário, percebemos o crescimento de ilusões constantes e variadas, onde as redes sociais passaram a ganhar relevância na vida dos indivíduos e das organizações, criando valores novos, necessidades crescentes, desejos pessoais e comportamentos variados, levando os sistemas econômicos e produtivos a se reinventarem, exigindo novas estratégias para atingir seu público, instrumentos novos de monetização e, no mundo digital, novos espaços de curtidas e likes constantes.
Neste ambiente, percebemos o crescimento e a consolidação do mundo digital, as pessoas estão namorando no mundo virtual, os indivíduos estão estudando, se qualificando e se capacitando à distância, as conversas pessoais perdem a relevância e a centralidade, passando a ser substituídas por conversas nos meios digitais, criando novas formas de sociabilidade, gerando desafios inéditos e, ao mesmo tempo, criando novas oportunidades, uma verdadeira revolução está acontecendo na sociedade contemporânea, com grandes progressos e, ao mesmo tempo, variados retrocessos.
Neste novo ambiente, a concorrência cresce de forma acelerada, os agentes econômicos e produtivos sentem um incremento na competição, levando estes agentes a estarem sempre abertos para as movimentações dos mercados, este mercado que não se restringe aos concorrentes locais ou regionais, agora percebemos que a competição contemporânea é global, nossos concorrentes estão alojados em todas as regiões do mundo, aumentando os desafios, os medos e as instabilidades.
Neste ambiente marcado por intensa competição que exige uma verdadeira estratégia de atuação, onde as organizações, os governos e os trabalhadores precisam atuar conjuntamente, onde todos os setores devem se comprometer, os governos precisam desburocratizar, combater os desperdícios e a corrupção generalizada, investir fortemente em infraestrutura e aumentar os dispêndios em ciência, pesquisa e tecnologia. No lado das organizações, precisamos reduzir os subsídios e os protecionismos, investir fortemente em uma integração constante com as universidades e os centros de pesquisas, angariando informações e dados estratégicos para a competição internacional. Aos trabalhadores, é importante investir fortemente no incremento da produtividade do trabalho, capacitando a força de trabalho e exigindo uma melhoria dos setores educacionais, criando oportunidades e espaços de construção de utopias.
Nas nações que alcançaram grandes níveis de desenvolvimento econômico, os setores produtivos se integraram imensamente, criando estratégias de crescimento produtivo e sofisticação tecnológica, aumentando a complexidade dos sistemas e deixaram de lado a ilusão de que os mercados, por si só, tendem a levar a economia ao desenvolvimento, vide os exemplos dos países asiáticos que fizeram grandes apostas nos Estados Nacionais como instrumento indutor do crescimento econômico, gerando melhorias produtivas, aumentando a renda e melhorando as condições sociais.
Nações como o Brasil ainda estão apostando no mito de que o mercado vai levar ao desenvolvimento econômico, vivendo numa ilusão estrutural e se perpetuando no subdesenvolvimento e normalizando as desigualdades sociais, acreditando que sempre conseguiremos comprar tecnologias de ponta como exportadores de produtos primários, extraindo do nosso solo produtos fundamentais para a economia do século XXI e vendendo a preço de banana, beneficiando poucos grupos sociais, os mesmos setores que vendem o país no mercado internacional, entrega nossas riquezas e conseguem angariar apoio de desavisados, mal-informados e entreguistas.
Ary Ramos da Silva Júnior, bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitário.

