Desorganização global

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A economia internacional vem passando por momentos de grandes inquietações e preocupações crescentes, levando o sistema produtivo e a estrutura financeira global a terem que conviver, abertamente, com incertezas e instabilidades, que contribuem para o crescimento do risco e do aumento dos preços globais, elevando a inflação e levando os bancos centrais ao incremento das taxas de juros, cujos impactos são imediatos na redução dos investimentos produtivos.

Neste cenário internacional, percebemos uma desorganização generalizada, forças militares invadem países da noite para o dia, bombardeiam a infraestrutura das nações, gerando uma matança indiscriminada  que impacta em todo o sistema econômico e financeiro, elevando os custos de produção, aumentando as incertezas produtivas escasseando as matérias primas, aumentando os custos logísticos, desorganizando todo o sistema político global e, posteriormente, se assustam com as consequências de ações desastradas, equivocadas e impensadas.

Estamos vivendo momentos de grandes instabilidades na sociedade internacional, as guerras, como tudo na vida, geram ganhadores e perdedores ao redor do mundo, gerando setores que apresentam grandes lucros monetários e financeiros e, outros setores, amargam variados prejuízos materiais. Os preços do barril de petróleo aumentaram de forma imediata, inicialmente os valores estavam na casa dos US$ 60,00 e, na semana passada, chegaram ao valor estratosférico de US$ 119,00 e atualmente se estabilizou na casa dos US$ 100,00, gerando fortes reações de nações que dependem deste produto e aumentaram os ganhos dos exportadores deste óleo, que domina o sistema produtivo global e servem de justificativas para suas intervenções, suas guerras e suas destruições.

Vivemos num momento de grandes incertezas produtivas, as guerras em curso no Oriente Médio estão escalando para outros países da região, com ataques nas refinarias e usinas nucleares, além do fechamento do Estreito de Ormuz, responsável por mais de 20% do fluxo destes produtos, gerando calafrios para os países europeus e seus governos nacionais, nações dependentes da importação do petróleo e do gás natural, levando-os a adotarem políticas imediatas para evitar um colapso de suas finanças.

Vivemos num momento em que as regras criadas e consolidadas no pós-segunda guerra mundial vem sendo destruídas rapidamente e deixando um vazio institucional preocupante e assustador, com isso, percebemos confrontos diplomáticos, chantagens crescentes, discursos agressivos, postagens grosseiras e espaços claros para que as agressões militares cresçam e os gastos militares aumentem, desta forma, percebemos que estamos vivenciando uma verdadeira desorganização global e as consequências são impossíveis de serem mensuradas.

As guerras, em curso na sociedade mundial, ampliam a escassez energética, aumentam os preços destes produtos essenciais para o capitalismo contemporâneo, elevando as temperaturas nas Bolsas de Valores globais e levam as Autoridades Monetárias a aumentarem as taxas de juros, desta forma, percebemos o aumento dos prejuízos dos setores econômicos, que reduzem os investimentos produtivos, reduzindo a geração de emprego, limitando a renda agregada dos trabalhadores e criando uma situação degradante para os setores mais vulneráveis.

Vivemos um momento preocupante e assustador para a comunidade internacional, onde os fortões que sempre acreditaram que a força física resolveria os problemas do mundo chegaram ao poder, patrocinaram guerras e destruições e o cenário internacional está cada vez mais degradante, está na hora dos adultos tomarem o controle desta situação e mostrar que os conflitos militares só geram destruições, mortes, rancores e ressentimentos.

Ary Ramos da Silva Júnior, bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e Professor universitário.

Ary Ramos
Ary Ramos
Doutor em Sociologia (Unesp)

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