Vivemos num mundo marcado por grandes transformações estruturais que impactam todas as regiões do globo, estas mudanças estão pressionando as organizações e assustando os indivíduos, nesta sociedade, dominada pelo desenvolvimento tecnológico e pela força do capital, poucas nações, na sociedade internacional, estão preparadas para competir neste ambiente marcado pelo incremento da concorrência, pelo crescimento da violência e pelas ameaças bélicas e militares.
Estamos visualizando guerras crescentes em inúmeras regiões do mundo, ameaças aos imigrantes, intolerâncias crescentes, aumento dos conflitos e das invasões militares, um forte incremento dos dispêndios em tecnologias, radares, drones e equipamentos bélicos, além das violências crescentes contra as minorias e avanço crescente de governos de direita e, principalmente, da extrema-direita com feições fascistas, todos estes fatores, somados, evidenciam uma forte degradação da democracia.
Neste ambiente, as nações buscam desenvolver tecnologias para reduzirem suas deficiências estruturais, governos nacionais aumentam os dispêndios na educação, incrementando os investimentos em ciência, pesquisa e tecnologia. Neste cenário as nações estão buscando construir energias alternativas e sustentáveis para suportar os desafios da economia do século XXI e ainda, buscam preservar seu meio ambiente, combatendo as queimadas e consolidando o combate aos grupos, nacionais e internacionais, que ganham com a degradação da naturezacom isso, estes países vislumbram uma soberania maior, fortalecimento de suas economias, aumentando a proteção para seus cidadãos.
A palavra soberania vem ganhando espaço na sociedade brasileira nos últimos anos, embora as discussões nos pareçam interessantes e atuais, precisamos compreender que, para consolidarmos nossa soberania, precisamos construir um ecossistema sofisticado que abarque variados setores estratégicos da sociedade. A verdadeira soberania demanda das nações uma autonomia em algumas áreas estratégicas, tais como: militar, tecnológica, alimentar, energética e econômica.
Poucos países conseguem acumular autonomia em todas estas áreas, algumas nações possuem força militar e tecnológica, mas carecem de uma maior autonomia alimentar ou energética. Outras nações possuem autonomias econômica, energética e tecnológica, mas precisam construir estratégias mais consistentes em outros setores. Ao analisarmos a autonomia brasileira, percebemos que somos dotados de força energética e alimentar, somos referência nestas áreas, mas precisamos construir uma autonomia econômica, tecnológica e militar, sem estas autonomias somos frágeis e dependentes de outras nações, ainda mais num mundo marcado por grandes disrupturas, onde os poderes da lei e da institucionalidade estão sendo sobrepostos pela força militar e pelo poder do capital financeiro.
Neste momento, a sociedade brasileira vem passando por um momento importante e imprescindível, as eleições presidenciais demandam seriedade, lucidez e compromisso nacional. Escolher as melhores ideias e analisar os cenários possíveis exigem maturidade e uma forte capacidade de compreensão dos desafios em curso na contemporaneidade.
A sociedade global nos mostra oportunidades crescentes, a inteligência artificial pode abrir novos horizontes e grandes desafios, a robótica nos auxilia e pode reduzir os custos produtivos, mas ao mesmo tempo, pode trazer um exército de desempregados, aumentando o contingente de degradados e excluídos. Estamos num momento fundamental para a sociedade brasileira, precisamos analisar as nossas deficiências estruturais, construir novas estratégias para superar as desigualdades que sempre marcaram nosso país e fortalecer nossa soberania, nossa autonomia e nossa independência, além de evitar que sejamos comandados pelos vendilhões do templo que se pintam de nacionalistas e são, verdadeiramente, hipócritas e entreguistas.
Ary Ramos da Silva Júnior, Bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitário.

