Vivemos numa sociedade marcada por novos valores internacionais, as regras estão sendo transformadas todos os dias, os modelos de negócios, anteriormente exitosos, estão sendo contestados diuturnamente, as instituições globais criadas, no pós-segunda guerra mundial, para criar um espaço de crescimento econômico e de desenvolvimento social estão sendo desmontadas e os governos hegemônicos usam seus poderes bélicos e militares para subjugar outros povos, impondo seus interesses e garantindo seu poder no xadrez internacional.
Estamos sentindo na pele o surgimento de novas formas de organização produtiva, a ascensão do mundo digital está criando novas estruturas econômicas e produtivas, organizações criadas há poucos anos estão sendo negociadas e comercializadas no cenário internacional, por bilhões de dólares, destruindo modelos econômicos tradicionais e organizações consolidadas, além de colocar em xeque milhões de empregos, afetando famílias e comunidades inteiras, além de espalhar sentimentos conflituosos, agressividades represadas e violências crescentes.
Estamos vivendo uma sociedade marcada pelo grande poder do mercado financeiro internacional, são eles os donos no mundo contemporâneo, definem a política econômica das nações, comandam as taxas de juros das Autoridades Monetárias, estruturam os instrumentos de pagamentos, comandam os rumos dos Bancos Centrais colocam as taxas de câmbio nos patamares mais rentáveis e, muitos ainda, acreditam, que vivemos numa sociedade democrática e temos liberdade de expressão e de pensamento.
Os três maiores gestores de ativos do mundo, Black Rock, Vanguard e Fidelity administram mais de US$ 30 trilhões, valores maiores de que o Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos, detêm ações de empresas nas mais variadas regiões de mundo, controlando recursos e comandando direta ou indiretamente, muitas organizações são vistas como empresas de capital nacional e, na verdade, são braços controlados por estes conglomerados estrangeiros gestores de ativos e dotados de grande poder econômico e financeiro, com influência marcante sobre os governos, as autoridades monetárias e os fundos de investimentos.
Destacando o xadrez do poder internacional, precisamos destacar a força e a influência das grandes empresas de tecnologia, as chamadas Big Techs, onde destacamos Meta (Facebook e Instagram), Alphabet (Google), Microsoft, Amazon, Apple, Nvídia e Tesla, todas organizações dotadas de grande poder e seus valores de mercado são assustadores, todas empresas norte-americanas e usam seu poder para manter seu poderio e impedir que os governos nacionais usem instrumentos institucionais para regular, afetar seus ganhos e limitar sua capacidade de influenciar os cidadãos, vender seus produtos, valorizar suas ações e garantir lucros estratosféricos.
Vivemos num momento de grandes transformações na sociedade internacional, a riqueza, antes atrelada a valores materiais passou a ser associada ao conhecimento científico, a imaterialidade e a reflexão crítica, neste ambiente, a sociedade brasileira está tendo a oportunidade de construir novos horizontes, somos detentores de produtos imprescindíveis para a economia do século XXI, possuímos energias renováveis, somos detentores de minerais críticos e terras raras, além de sermos uma sociedade criativa e empreendedora, precisamos apenas construir um projeto de futuro e canalizar nossas energias em discussões produtivas e lucrativas, abandonando visões atrasadas, entreguistas e rechaçar os defensores do complexo de vira latas que perpetuam nosso subdesenvolvimento e nosso atraso moral.
Ary Ramos da Silva Júnior, Bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitário.

