Vivemos um mundo marcado por discussões políticas desnecessárias, muitos grupos influentes falam muito e nada de relevante, as conversas são sempre superficiais, ultrapassadas e limitadas. Os assuntos mais complexos, que demandam um maior aprofundamento, aqueles que impactam fortemente sobre a realidade nacional dos cidadãos são deixados de lado, ouso dizer, são ignorados, é mais fácil falar de banalidades, lacrar e agredir do que refletir sobre os problemas contemporâneos.
Um dos assuntos que ganham espaço no noticiário é a discussão referente a soberania, um assunto importante e relevante, onde poucos indivíduos conhecem, afinal vivemos numa sociedade centrada no trabalho constante, cobranças intensas, levando as pessoas a correrem atrás de metas inalcançáveis, cargas excessivas de trabalho e salários miseráveis, onde os indivíduos não têm tempo para conviver com os seus, ainda mais disposição efetiva de pensar, refletir e indagar.
Podemos definir soberania como o poder supremo e exclusivo que um Estado Nacional exerce sobre o seu território e a sua população, garantindo autonomia para tomar decisões políticas, jurídicas e econômicas sem interferências externas. A soberania das nações é a oportunidade de fazermos escolhas imediatas e estruturadas, definirmos os rumos da sociedade, a estrutura econômica e produtiva e as questões políticas que impactam sobre seus cidadãos, um assunto complexo e imprescindível, que demanda tempo, reflexão e a consciência do que queremos ser nos próximos anos.
Somos uma economia fortemente dependente de outras nações, somos importadores de tecnologias, compramos mercadorias sofisticadas e consumimos produtos produzidos e desenhados em outros países, tudo isso limita a nossa soberania e nossa autonomia, afinal, num ambiente de grandes confrontos políticos e geopolíticos, depender de outras nações é algo preocupante, como ficaríamos se o mundo entrasse em um conflito militar mais efetivo?
Vivemos num impasse preocupante, investir fortemente em ciência, pesquisa e em tecnologia pode e deve fortalecer a estrutura econômica e produtiva, garantindo uma sofisticação tecnológica e uma redução sistemática das fragilidades produtivas, gerando uma economia mais independente, mais soberana, gerando empregos mais qualificados e uma renda mais elevada. Mas, para isso, precisamos romper com uma estrutura econômica rudimentar, consolidada no período de colonização, dependente das nações desenvolvidas, importadora de tecnologias e máquinas sofisticadas e dependente da exportação de produtos primários de baixo valor agregado, este modelo concentra renda, gera empregos com baixos salários e uma desigualdade crescente, que limita o crescimento econômico sustentável.
Neste cenário, percebemos uma discussão superficial e eleitoreira, a sociedade internacional exige um posicionamento da sociedade brasileira e as escolhas estão sendo dadas abertamente, ou buscamos um desenvolvimento econômico autônomo e soberano que nos garanta e consolide uma emancipação política ou se vamos aprofundar um modelo baseado na subserviência dos grandes atores globais, nações desenvolvidas que conseguiram seu desenvolvimento econômico estimulando a pilhagem, o saque e a submissão incondicional. Atualmente, estamos recebendo grandes investimentos estrangeiros com o objetivo de extrair reservas minerais estratégicas para a economia contemporânea, entregar estas riquezas, a preço de banana e sem contrapartidas deve perpetuar a nossa submissão e nossa subserviência. O cenário da sociedade global é preocupante e os caminhos estão nítidos e evidentes, cabe a cada cidadão escolher os rumos que queremos trilhar nos próximos anos, mais soberania ou submissão total.
Ary Ramos da Silva Júnior, bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitário.

