Vivemos numa sociedade interessante e preocupante e, ao mesmo tempo, marcada pela incerteza e instabilidade crescentes, nesta comunidade, percebemos o domínio da tecnologia e dos valores materiais, onde o dinheiro e a ganância financeira predominam. Uma sociedade marcada por grandes contradições, onde a régua do sucesso está atrelado aos rendimentos, aos valores monetários, as propriedades, as ações, as obras de arte e atrelada aos bens de luxo, nesta sociedade, os valores do sucesso estão no ter, no possuir ou, principalmente, no parecer ter.
Nesta sociedade, o poder do dinheiro é irrefutável, todos que os criticam são vistos como inimigos, delinquentes e devem ser eliminados, são aceitos os subservientes, os fracos e os entreguistas, aqueles que aceitam os valores da barbárie em prol de seu enriquecimento momentâneo, deixando os valores da solidariedade, da empatia e do humanismo e passam a abraçar valores temporários e se esquecem de que a história seria cruel a estes personagens.
O mundo contemporâneo é dominado pelo poder do capital, o dinheiro compra consciência, adquire empresas e destrói os seus concorrentes, acreditando que foi uma gestão eficiente e profissionalizada e pouco conhece os meandros da selvageria que comanda o mundo dos negócios, marcado por sabotagem e por chantagem, comprando uma justiça ineficiente, cara e muitas vezes corrupta, usando o poder do capital para contratar profissionais capacitados tecnicamente e desprovidos de valores morais, com isso, perpetua as desigualdades, as violências simbólicas, gerando calafrios, medos e desesperanças.
Vivemos numa sociedade onde o poder do capital passou a controlar as mídias, a imprensa e as redes sociais, controlando as informações, impedindo as discussões saudáveis, limitando a liberdade e consolidando um verdadeiro pensamento único, afinal, as grandes revistas, os canais de televisão e a chamada mídia tradicional passaram a ser comandadas por agentes financeiros e grandes bancos de investimentos, controlando as redações, interditando o debate político, limitando as discussões econômicas, divulgando inverdades, espalhando fake News, dispensando profissionais que pensam diferente, com isso, limitam o debate, o pluralismo e a imparcialidade.
Os valores da sociedade estão em constante transformação, as tradições estão sendo destruídas, os comportamentos estão em movimentação, as necessidades dos indivíduos estão sendo alteradas, o trabalho passou a ser o centro da vida cotidiana, as atividades profissionais, marcadas pela competição crescente e desigual, estão degradando as relações sociais e políticas, transformando os seres humanos em verdadeiros robôs e agora, na contemporaneidade, estes robôs estão passando a ocupar os espaços dos trabalhadores, gerando incertezas, medos e inquietações, que levaram o CEO do maior fundo de investimento do mundo, BlockRock, que administra mais de US$ 12 trilhões, a mostrar preocupação com o mercado de trabalho e a rápida ascensão da inteligência artificial.
Na sociedade contemporânea, as discussões se afastam dos interesses sociais, os medos contemporâneos crescem de forma acelerada, as famílias estão assustadas com o futuro de seus filhos, o mundo do trabalho nos parece selvagem e alucinado, os relacionamentos humanos se concentram numa busca constante por interesses pessoais e imediatos, as discussões coletivas são deixadas de lado, as famílias estão se afastando constantemente, a classe política se compraz com seus ganhos pessoais e os pobres votam para perpetuar os ganhos daqueles que os escravizam. Estranha e perigosa modernidade…
Ary Ramos da Silva Júnior, Bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitário.

