O mundo vive um momento de grandes incertezas e polarizações constantes, marcados por conflitos militares, intervenções diplomáticas e pressões econômicas, onde muitos governos soberanos estão sentindo na pele uma violência continuada de um poder imperial, gerador de instabilidade, criando um caos generalizado, espalhando medo e incertezas crescentes.
Neste ambiente, percebemos que os Estados Unidos atuam diretamente como a potência enraivecida, atacando nações em todas as regiões do globo, agredindo nações soberanas, matando lideranças, conspirando contra governos, espalhando instabilidade e disseminando rancor e ressentimento, atacando inimigos e ofendendo aliados.
Nos últimos anos, o governo norte-americano atacou militarmente algumas nações, capturou governos legítimos e reconhecidos pela comunidade internacional, ameaçou Estados soberanos, bombardeou povos, disseminando agressões, escondendo atrocidades, expulsando empresas estrangeiras e pressionando grandes conglomerados a aumentarem os investimentos produtivos e a geração de empregos na economia norte-americana.
Neste cenário, percebemos uma intervenção constante contra as instituições multilaterais, organismos construídos no período posterior da segunda guerra mundial, mantidas e inspiradas por brilhantes formuladores de políticas internacionais. Estas instituições nasceram para auxiliar na reconstrução das economias destruídas neste período, onde o dólar norte-americano, se transformou na moeda global e sua indústria se consolidou como o grande espaço produtivo mundial, responsável pela internacionalização do modelo fordista que dominou o século XX.
A destruição deste modelo está impactando todas as nações, gerando um verdadeiro caos entre os países, reduzindo a legitimidade e contribuindo para vislumbrarmos um cenário externo de incertezas, conflitos militares e soberanias contestadas, desta forma, exige-se urgentemente, de todas as nações, a reconstrução de conceitos fundamentais, tais como soberania, autonomia, acordos internacionais, instituições multilaterais e os espaços geográficos.
Depois de uma excursão violenta no Oriente Médio, cercado por guerras e conflitos militares, justificados pelo ataque nas Torres Gêmeas, de 2001, as forças armadas norte-americanos invadiram países da região, como Iraque e Afeganistão, matando milhões de pessoas, gerando caos e alimentando conflitos culturais, impactando fortemente sobre a economia local, despejando trilhões de dólares e os resultados desta incursão militar foram fortemente questionáveis interna e externamente.
Nos últimos dez anos, os Estados Unidos não declararam guerra contra nenhuma nação, mas se envolveram diretamente em operações de combate, intervenções aéreas, ataques de drones, bombardeios, missões antiterrorismo e operações especiais em pelo menos 8 países, desta forma, espalhou no mundo todo, preocupações crescentes de aliados e inimigos, levando muitas nações a aumentarem seus gastos militares como forma de se defender.
Com o retorno de Donald Trump, as pressões utilizadas foram diferentes, os norte-americanos aumentaram as tarifas comerciais, se desentenderam com antigos aliados e se retiraram de inúmeras organizações e tratados multilaterais tais como: Organização Mundial de Saúde (OMS), o Acordo de Paris sobre o clima, a UNESCO e o Conselho de Direitos Humanos, desta forma, suspenderam o financiamento de 66 entidades internacionais, gerando insatisfação e um clima de revolta e de indignação.
O poder imperial mostra suas armas, suas fraquezas e seu desespero, afinal percebe a ameaça crescente da China, seu poder econômico e sua força geopolítica, neste cenário, os Estados Unidos buscam revisar uma nova doutrina de segurança e tentam retomar a América Latina, para isso, mais uma vez, atrai, novamente, sua elite financeira, corrupta, subserviente e entreguista, que se pinta de nacionalista, mas no fundo, trabalha intensamente, para a perpetuação do nosso subdesenvolvimento.
Ary Ramos da Silva Júnior, Bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitário.

