Vivemos um momento marcado por uma verdadeira transformação na comunidade global, nesta nova sociedade tudo é comercializável. Encontramos, um verdadeiro ambiente de negociações constantes em todas as áreas e setores, neste cenário, aqueles que detém os poderes monetário e financeiro na sociedade contemporânea, compram e, muitas vezes, com valores elevados, para acumular seus recursos, garantir seus caprichos, aumentar seus ganhos monetários, consolidando sua força política e satisfazendo seus interesses.
Vivemos numa sociedade, onde tudo se compra, tudo se vende, os valores são deixados de lado e os preços aparecem visivelmente, os ganhos sedutores do dinheiro e do poder político transformam os seres humanos e garantem uma sociedade centrada nas injustiças, nas desigualdades, nas exclusões e, contribuem, ativamente, para dilacerar os laços sociais, aumentando a violência e uma verdadeira guerra de todos contra todos.
Nesta sociedade, os valores sociais estão em constante movimentação, os comportamentos estão em constante agitação, o mundo do trabalho está em transformação cotidiana, os relacionamentos estão sendo transformados rapidamente e em constante alvoroço. A ética, que nasceu para refletir e orientar o comportamento dos seres humanos, definindo o que é considerado certo ou errado, justo ou injusto, bom ou mau, ou seja, a ética sempre se pautou por princípios para guiar as ações das pessoas e garantir uma convivência respeitosa e pacífica.
Nesta sociedade, a ética e a moral perderam espaço, comportamentos vistos como justo ou injusto, bom ou mau, perderam significado e importância, dilemas como este, que muitas vezes levavam os indivíduos a reflexões constantes, passaram a ser resumidos em uma nova equação, os ganhos materiais e a acumulação monetária. A ética contemporânea é a ética do capital, do enriquecimento, da ostentação, essas são as verdadeiras bússolas das decisões dos indivíduos.
No mundo contemporâneo, encontramos comércio de tudo, órgãos humanos são encontrados e comercializáveis, a saúde se transformou num verdadeiro negócio bilionário, a educação e, principalmente, os diplomas são vendidos livremente neste grande mercadão, desde que o indivíduo tenha recursos monetários para pagar, algumas religiões estão se transformando num negócio extremamente lucrativo, movimentando bilhões, além de isenções fiscais e financeiras que enriquecem muitos “religiosos”. Os relacionamentos, cada vez mais líquidos, rápidos e passageiros, como dizia Zygmunt Baumann, autor da prestigiosa obra “Amor Líquido”, estão sendo estampados nas redes sociais, na programação das televisões comerciais e na camisa dos times de futebol, neste cenário, tudo está sendo comprado e vendido em troca de valores monetários.
No mundo dos negócios, os governantes se eximem de trazer políticas públicas inovadoras e passam a vender o patrimônio nacional, algo muito fácil, privatizam empresas tradicionais, criticam os monopólios públicos e os transformam em monopólios privados, sucateiam serviços públicos, reduzem seus recursos humanos e degradam suas estruturas estratégicas para, posteriormente, criticar os serviços públicos e justificar a entrega do patrimônio para grupos financeiros que pouco conhecem o serviço, que posteriormente, passam a majorar as tarifas e garantem, na próxima eleição, recursos monetários e apoio político, garantindo sua reeleição e a perpetuação na destruição do patrimônio público.
O mundo dos negócios não deve ser assim, sabemos disso, os mercados foram criados para satisfazer necessidades e integrar povos e comunidades, mas quando o capital passa a comandar a sociedade e impor seus valores materiais, encontramos degradação, violência e desigualdade social.
Ary Ramos da Silva Júnior, Bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitário.

