Endividamentos

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A economia brasileira sempre se caracterizou pelos amplos endividamentos interno e externo, impactando sobre a solidez econômica e produtiva e, com isso, vivenciamos um cenário marcado pelo chamado stop-in-go, uma economia que sempre apresentou uma incapacidade de gerar uma ambiente de crescimento econômico consistente, nossa economia é marcada por crescimento lento e desequilíbrios duradouros e incapazes de garantir uma sustentabilidade produtiva que garanta uma melhora nas condições de vida da maioria da sociedade.

Depois de um forte endividamento externo no decorrer do século passado, a economia brasileira conseguiu resolver este problema e passamos a ser credores líquidos externos, nossas reservas monetárias ultrapassam os passivos externos, desta forma, no front externo conseguimos resolver este problema que sempre caracterizou a sociedade brasileira, com impactos negativos para os setores econômicos e produtivos.

Atualmente, encontramos variados problemas que limitam o crescimento da economia nacional, baixa produtividade, dependência tecnológica, pouca complexidade dos setores produtivos, impostos regressivos e elevados, setor judiciário caro, lento e ineficiente, baixo investimento em ciência e tecnologia, pobreza elevada, educação de baixa qualidade, elite dominante que se compraz com um papel subserviente nas parcerias externas, além de taxas de juros escorchantes que limitam o espírito empreendedor e, ao mesmo tempo, contribui ativamente para a criação de uma nação de rentista, individualista e pouco afeita aos investimentos produtivos.

Neste cenário, ao analisarmos as deficiências estruturais internas e imediatas, precisamos destacar o alto endividamento interno dos cidadãos, dos consumidores e dos setores produtivos que estão fragilizando a economia nacional e limitando o potencial produtivo. Somos detentores de riquezas nacionais invejáveis aos olhos do mundo, somos detentores de mais de 50% de energias renováveis e sustentáveis, possuímos reservas substanciais de terras raras e nos caracterizamos como uma população marcada pelo espírito inovador e empreendedor, poucas vezes vistas em outras nações.

Atualmente, encontramos mais de 81,3 milhões de cidadãos negativados, numa pesquisa feita pelo Mapa da Inadimplência da Serasa Experian, feito em janeiro de 2026, colocam mais de 49,7% da população adulta negativada, um recorde histórico que limitam o potencial de consumo dos consumidores, gerando constrangimentos elevados, problemas emocionais e distúrbios variados.

Neste ambiente de alterações dos padrões de consumo, com gastos crescentes relacionados as casas de apostas, as chamadas bets, e dos dispêndios relacionados com as canetas emagrecedoras, percebemos o aumento da inadimplência e o crescimento do endividamento interno que impactam os indicadores macroeconômicos, reduzindo gastos correntes e derrubando as vendas do varejo. Estas demandas conjunturais estão transformando os gastos da população e estão contribuindo diretamente para o endividamento, mas precisamos nos atentar para uma questão estrutural, as taxas de juros estratosféricas que pululam na economia brasileira, que limitam os investimentos produtivos e estimulam os gastos especulativos que nada trazem de positivo para o restante da economia, aprofundando a desigualdade e tornando os consumidores reféns de dívidas elevadas, impagáveis e crescentes.

 Historicamente, a sociedade brasileira, com custos financeiros elevados, posterga decisões estratégicas, onde resolver este imbróglio pode destravar a economia nacional e criar novos horizontes de crescimento econômico, além de alavancar os investimentos produtivos, neste cenário precisamos tomar decisões estratégicas e evitar a omissão constante do Executivo, do Legislativo e do Judiciário, todos estes poderes precisam assumir as suas responsabilidades.

Ary Ramos da Silva Júnior, bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitário.

Ary Ramos
Ary Ramos
Doutor em Sociologia (Unesp)

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