Riqueza e Pobreza na visão da Doutrina Espírita

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Vivemos em uma sociedade onde os contrastes crescem de forma acelerada e causam grandes constrangimentos para toda a sociedade, riquezas convivendo lado a lado com a pobreza, fama e anonimato, belezas e feiuras, saúde e doença, o mundo é um acumulado constante de contradições que nos impacta diretamente e convivemos com estas contradições como se estas fossem naturais e devessem ser aceitas por todos os indivíduos. T O R I G R E E N onlyfans creador No mundo contemporâneo encontramos inúmeras contradições, mas gostaríamos de destacar aquelas vinculadas a convivência cotidiana de riquezas materiais, poder e luxo, convivendo ao lado de pobreza, miséria e degradação, nestas contradições percebemos como o nosso planeta ainda se ressente de estruturas morais mais sólidas, com tantas tecnologias, máquinas e equipamentos materiais, uma parcela considerável da população vive na indignidade, nos levando a questionar nossos valores éticos e morais. Dados recentes divulgados pelo economista francês Thomas Piketty, autor do livro Capital no Século XXI, nos revela que 1% da população mundial possui mais de 25% de toda a renda mundial, com isso, percebemos uma casta de pessoas que vivem em condições altamente privilegiada, enquanto outros grupos vivem em condições precárias, passando provações da mais variadas, desde a ausência do alimento do cotidiano, até a ausência de esperanças e perspectivas, onde a desesperança, o medo e as incertezas ganham espaços crescentes na coletividade, afastando-os de Deus e os colocando num limiar muito tênue entre uma vida honesta e a marginalidade.

A Doutrina Espírita não critica a riqueza e a acumulação, embora acredite que estes valores afastam os seres humanos dos valores mais consistentes da vida, levando-o a adotar e a viver valores altamente materiais e a deixar de lado os valores espirituais. Neste momento onde a riqueza ganha força no coração dos seres humanos e a busca por valores monetários passa a se transformar na tônica geral dos indivíduos, tudo que é excessivo não se deve estimular na visão espírita, excesso de dinheiro, excesso de trabalho, excesso de consumo, excesso de gastos, todos são vistos como excessos materiais e devem ser evitados para que não contamine os valores mais sólidos dos indivíduos.

O dinheiro é positivo na sociedade, deve ser visto como um grande instrumento de geração de bem-estar social, auxilia na construção de um futuro digno para os indivíduos, melhora as condições alimentares da população e abre novas perspectivas para indivíduos que, muitas vezes, vivem em condições em que até mesmo o sonho não lhe é possível. Usar o dinheiro de forma correta e equilibrada é algo fundamental e deve ser estimulado, pena que em muitos casos as pessoas não mais controlam os recursos monetários, mas são por eles controlados como se fossem marionetes submetidas aos seus desejos mais íntimos.

Na questão de número 814 de O Livro dos Espíritos, Allan Kardec fez a seguinte pergunta ao Espírito da Verdade: Por que Deus a uns concedeu as riquezas e o poder, e a outros, a miséria? “Para experimentá-los de modos diferentes. Além disso, como sabeis, essas provas foram escolhidas pelos próprios Espíritos, que nelas, entretanto, sucumbem com frequência”.

Neste mundo marcado pelo poder e pela força da matéria, muitos indivíduos desprovidos de recursos financeiros se revoltam contra Deus, a maioria não se lembra que quando estavam no mundo espiritual, foram eles que escolheram a privação financeira como forma de conseguir êxito na nova encarnação. Tanto a prova da pobreza quanto a da riqueza são difíceis testes para o indivíduo. Enquanto a miséria pode provocar a revolta com a Providência Divina, a riqueza incita aos excessos de toda ordem, o culto aos valores materiais e o afastamento das promessas feitas anteriormente.

Dispondo de maiores recursos financeiros e meios para fazer o Bem, o rico não o fazendo, torna se egoísta, orgulhoso e insaciável, acumulando dívidas no retorno ao mundo espiritual. Deus experimenta o pobre pela resignação, quando este se rebela passa a acumular mais desequilíbrios espirituais. O rico é experimentado pelo emprego que dá aos seus bens e ao seu poder econômico e financeiro. Pelas facilidades que a riqueza e o poder proporcionam ao ser humano, muito espinhosa torna-se esta prova, pois normalmente incita-o em apegar se à matéria e o afasta da perfeição espiritual.

Muitos pobres não acreditam ou não o querem fazer, mas a prova da riqueza é mais difícil de ser superada com êxito do que a prova da privação. Entre os extremos da riqueza e da miséria, a grande maioria das criaturas transita nas reencarnações terrenas em estágios intermediários, sempre com vistas ao seu progresso espiritual.

Muitas famílias que acumularam grandes fortunas no decurso do tempo, com propriedades e recursos financeiros e monetários que garantiria a todos os seus membros viveram em ótimas condições durante muitas existências, tem sua fortuna degradada em poucos anos, quando vivenciam esta situação sempre encontram culpados, as gerações mais novas que depredaram o patrimônio, a má gestão dos administradores de plantão, as crises econômicas, as novas transformações na lógica produtiva da economia internacional, dentre outras desculpas para o disparate. A Doutrina dos Espíritos nos mostra, com clareza e determinação, que muitas destas fortunas e riquezas acumuladas somente o foram através de espoliação, exploração e violência, muitos patrimônios gigantescos foram se degradando em curto período de tempo, levando os herdeiros a insolvência e a revolta generalizada.

Seja qual for, portanto, as nossas possibilidades materiais, saibamos usufruir corretamente dos bens que o Senhor nos concede, na certeza de que a desigualdade das riquezas visa acima de tudo, ao nosso aprendizado espiritual e a exemplificação cristã. Se utilizarmos bem de tudo que nos é concedido, se tivermos temperança e responsabilidade com nossas posses, se compreendermos que tudo que existe na natureza e na sociedade cotidiana pertence a um Deus maior, misericordiosamente justo e bom, entenderemos que só nos pertence aquilo que nós conseguirmos acumular dentro de nossos corações e mentes, nossos sentimentos, nossos conhecimentos, nossos valores morais e éticos e nossos exemplos edificantes de vida. Os recursos monetários e financeiros são importantes e não devemos negar sua relevância, são instrumentos fundamentais para nosso progresso, mas devem ser vistos sempre como meios para que atinjamos o progresso de forma mais consistente e nunca deve ser visto como um fim em si mesmo, quando o enxergamos assim, estamos nos desvirtuando dos verdadeiros valores da vida, muito bem exemplificados pelo Mestre de Nazaré.

Na história da humanidade, quando impérios desmoronaram por completo, quantas dinastias foram dizimadas e quantos conglomerados foram a falência, nestes casos encontramos muitas situações em comum, muitos destes empreendimentos foram construídos através de degradação, de corrupção generalizada e de uma exploração colossal, gerando dramas, lágrimas e dores que culminaram em ressentimentos, mágoas e, no pior dos casos perseguições espirituais. Famílias inteiras se transformaram em “vítimas” e foram perseguidas por espíritos revoltados que se sentiram traídos, humilhados, explorados ou roubados materialmente e em sua mais íntima dignidade.

O dinheiro tem grande relevância na sociedade contemporânea, mas todos devemos nos precaver dos prazeres oriundos da posse excessiva das moedas, ela nos abre portas, nos traz facilidades e amores ilusórios, comprometendo nossos valores mais íntimos e pessoais. Além disso, num mundo marcado pela força do capital, o poder nos é dado de forma direta, com este em mãos muitos podem se deixar corromper ou degradar suas formas de pensar, levando-o a impor aos outros seus pensamentos e transformando estes indivíduos em verdadeiros ditadores, seres desprezíveis e autoritários, que se utilizam de seu poder para impor suas ideias e pensamentos, degradando a democracia. Estes irmãos ao chegarem no mundo dos espíritos depois de seus desencarnes, tendem a se arrepender de suas escolhas equivocadas e imediatistas, suas lembranças serão fortes e estarão vivas na mente e no espírito, se materializando em lágrimas, cobranças e num remorso intenso e degradante, levando o espírito ao desequilíbrio.

As leis de Deus são eternas e verdadeiras, estamos encarnados no melhor local para nossa evolução, nascemos na família correta e com as características e habilidades necessárias para nosso crescimento espiritual, quando nos rebelamos diante das dificuldades da vida e bradamos contra a justiça divina estamos cometendo um sério equívoco. Superar as adversidades e construir um futuro melhor é fundamental para nosso crescimento espiritual, tendo a consciência de que Deus está sempre conosco, nós é que, na maioria das vezes, nos equivocamos e escolhemos atalhos que nos causam constrangimentos futuros, muitos destes constrangimentos nos acompanham durante muitos anos ou séculos, gerando dores violentas, mágoas intensas e severos ressentimentos.

A riqueza e a pobreza que vivemos no mundo material deve ser encarada como uma etapa para nossa evolução, neste momento estamos sendo chamados pela justiça divina para prestar um testemunho individual, onde tomamos consciência de nossas quedas e pavimentamos um caminho mais seguro e consistente. Muitos irmãos dotados de grandes habilidades intelectuais e posses materiais viveram apenas buscando prazeres materiais, deixaram que seus talentos trouxessem benefícios apenas para si e deixaram de lado os irmãos sofredores e desamparados, distorceram os ideais de auxílio e crescimento conjunto e transformaram suas vidas em um eterno acumular recursos monetários, prazeres materiais e gozos sexuais, num mundo marcado pela pobreza moral e pela indigência espiritual.

Muitos destes irmãos retornaram à matéria em situações degradantes, alguns em regiões pobres e miseráveis, outros sem a capacidade intelectual que anteriormente os caracterizavam, tiveram encarnações de expiação e quando desencarnaram foram socorridos pelos bons espíritos e voltaram para o mundo espiritual de uma forma mais consciente, estes evoluíram e estão em franco progresso espiritual, enquanto outros sucumbiram ao desânimo e a desesperança, se revoltaram contra as leis divinas e postergaram seu progresso espiritual.

Num mundo centrado nas aparências materiais, a prova da riqueza nos parece mais interessante, ter recursos financeiros pode apresentar vantagens aparentes e atrair inúmeras entidades, mas ao mesmo tempo, pode nos afastar dos verdadeiros ideais da espiritualidade maior e comprometer ainda mais nossa realidade espiritual. Entendamos verdadeiramente os pressupostos da vida e compreendamos que, onde estivermos, devemos valorizar as coisas simples e verdadeiras da vida, muitos cultivam falas sofisticadas e passam a impressão de grandes conhecimentos, aparentemente tudo nos parece perfeito, mas internamente somos ainda muito pequenos e precisamos labutar muito em busca dos verdadeiros ideais da vida, nesta caminhada, a Doutrina Espírita pode nos auxiliar muito mais do que imaginamos, que iniciemos nossa jornada.

Ironias do pinochetismo brasileiro, por Roberto Simon

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Novo culto a Pinochet revela mais do que ignorância histórica – FSP – 23/11/2019

Depois de “o nazismo foi de esquerda”, a nova temporada na série de falsificações históricas do bolsonarismo tem o ditador chileno Augusto Pinochet como herói principal. O pinochetismo é outra ideologia que, depois de bem velhinha, veio morar no Brasil: a direita chilena hoje no poder, a começar pelo próprio presidente Sebastian Piñera tenta ao máximo se afastar do pesadelo dos anos Pinochet.

Não por acaso, quando Jair Bolsonaro atacou o pai da ex-presidente Michelle Bachelet, torturado e assassinado pela ditadura chilena, Piñera — recém chegado de Brasília, no auge da crise dos incêndios na Amazônia — foi forçado a ir à TV se distanciar do aliado brasileiro.

A ironia maior é que Pinochet representa a antítese de vários valores que o bolsonarismo diz representar.

Aos lavajatistas roxos, por exemplo, vale lembrar que Pinochet foi talvez o líder mais corrupto da história do Chile. Quem descobriu isso não foi Cuba, mas o Senado e o Departamento de Justiça dos EUA —o mesmo que ajudou o Ministério Público brasileiro a derrubar o cartel das empreiteiras, na era petista.

Quando os EUA apertaram o cerco contra lavagem de dinheiro, no pós-11 de setembro, encontraram milhões de dólares de Pinochet em um arquipélago global de contas secretas e offshores. A investigação acabou por destruir o Riggs Bank, de Washington, que ajudava o ditador a esconder a fortuna.

Aos saudosistas do regime militar brasileiro: seis meses após o golpe no Chile, Pinochet já havia se tornado uma figura tão tóxica que o novo presidente Ernesto Geisel, por meio do Itamaraty, pediu explicitamente que não viesse à sua posse, em Brasília. Ele veio mesmo assim, mas Geisel recusou convites insistentes para uma visita oficial ao Chile.

As repressões chilena e brasileira colaborariam —agentes da Dina, a polícia secreta chilena, chegaram a ser treinados no Brasil—, mas o país terminaria por boicotar os planos mais ambiciosos de Pinochet, sobretudo na Operação Condor.

Trumpistas brasileiros talvez se esqueceram de que Pinochet ordenou um atentado terrorista no coração de Washington, com o carro-bomba que matou o ex-ministro Orlando Letelier e dois cidadãos americanos. Aliás, Ronald Reagan, herói conservador, tinha péssimas relações com o ditador.

Os EUA ajudaram a destruir a democracia chilena, em 1973, mas também pressionaram pela saída de Pinochet, em 1990.

Quem defende pena de morte a traficante faria bem em saber que a Dina, sob ordens de Pinochet, tornou-se um cartel da cocaína aliado aos narcos colombianos. Segundo o chefe da agência, Manuel Contreras, uma de suas inovações foi a chamada “coca negra”, supostamente à prova de cães farejadores.

Chicago Boys (ou “Olders”) deveriam ver a nova literatura sobre história econômica do Chile. Resumo: Salvador Allende destruiu o país, mas o chamado “milagre chileno” é um mito e, sob a democracia, o Chile cresceu muito mais e acelerou a melhora de todos os indicadores sociais. Claro, isso foi possível porque a esquerda incorporou parte da agenda da direita —mas, pelas últimas notícias de Santiago, os custos desse programa foram gravemente subestimados.

E, mais ainda, como pode alguém que diz defender valores judaico-cristãos, a família e a castidade adular um regime que perseguiu líderes religiosos, desapareceu crianças e usou o estupro como arma?

Talvez o pinochetismo tupiniquim seja fruto da ignorância histórica, da política feita de memes e gritaria online —e espero que as informações acima tragam alguma luz. Mais provável, porém, é que Pinochet esteja sendo celebrado no Brasil de hoje justamente pelo que, de fato, foi: um assalto à democracia, ao Estado de direito, às liberdades e à condição humana.

Roberto Simon

É diretor sênior de política do Council of the Americas e mestre em políticas públicas pela Universidade Harvard e em relações internacionais pela Unesp.

A terra treme, por Mário Sérgio Conti

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Do Chile à Argélia, a rebelião se espalha; e Bolsonaro se arma – FSP 23/11/2019

É tanta revolta que, para não esquecer nenhuma, é bom botá-las em ordem alfabética. Em um mês, houve rebeliões na Argélia, Catalunha, Chile, Colômbia, Equador, Haiti, Hong Kong, Irã, Iraque e Líbano. Milhões e milhões de pessoas querem mudar de vida. Agora, e não depois.

Diferentes entre si, os motins têm traços insurrecionais pela duração (desde fevereiro, Argel fecha para protestos às sextas-feiras), pela abrangência (em Santiago, mais de um milhão de pessoas participaram de uma passeata) e pela coragem (centenas de mortos em Teerã e Bagdá).

Na regra, os levantes começaram com demandas particulares que logo se alastraram. Secundaristas pularam catracas do metrô para se insurgir contra o aumento das passagens —e em dez dias uma greve geral parou o Chile.

O governo libanês quis impor uma taxa para mensagens de WhatsApp — e 12 dias depois o primeiro ministro se demitiu. O reajuste da gasolina desencadeou quebra-quebras em Quito. A corrupção alimentou convulsões em Bagdá e Teerã.

As reivindicações foram atendidas e as praças não se aquietaram. A China voltou atrás na intenção de querer que o Partido Comunista julgasse os dissidentes de Hong Kong. Mas, como quando da renúncia do presidente argelino, a contestação só fez aumentar.

Com o quebra-quebra, governo chileno teve que convocar plebiscito sobre constituinte. No Líbano, a palavra de ordem passou a ser a unidade nacional, acima das divisões religiosas. O separatismo ganhou força na Catalunha e em Hong Kong.

É preciso aguardar os desdobramentos para avaliar a insurgência. Dá para dizer, contudo, que ela lembra as revoluções europeias de 1848 e tem algo da explosão do stalinismo, em 1989-1991. Parece um segundo momento da Primavera Árabe de 2011, só que agora em vários cantos do globo.

Embora o seu alcance geográfico seja muito maior, as explosões não pegaram em cheio os países centrais. Mas, também neles, algo fermenta: coletes amarelos na França; passeatas pró e contra o brexit na Inglaterra; a greve da GM nos Estados Unidos.

O que fermenta é a insatisfação com a política apodrecida. Com o status quo criado pela economia neoliberal. Com a ordem mundial sino-americana. Com a espoliação de milhões por um punhado de bilionários. O combustível da turbulência é a desigualdade social.

As multidões sabem o que repudiam. Mas apenas intuem o que querem: justiça, democracia, igualdade.

Os poderes constituídos têm horror a isso. Sua reação automática foi cair de pau na plebe rude.

A teocracia tirou a internet do ar no Irã e, segundo a Anistia Internacional, matou mais de cem. O exército encarcerou dezenas de dissidentes na Argélia, a começar pela médica Louisa Hanoune. A polícia chilena atirou na cabecinha e cegou dezenas de insatisfeitos.

As multidões cantam seus mutilados e mártires. E os bens de vida zelam para que os pés-rapados não se aposentem nunca, os desempregados sejam taxados e o agronegócio queime a Amazônia: é cultural, tá oquei?

Bolsonaro vem se armando para enfrentar eventuais revoltas. Pôs 2.500 militares em ministérios e cargos de chefia (Folha de 14/10). Moro quase dobrou o contingente verde-oliva no Ministério da Justiça; e toda a milicada trabalha fardada às quartas-feiras.

Agora, o presidente mandou ao Congresso um projeto de lei que isenta de punições policiais e militares que, em defesa da lei e da ordem, “cometem excessos”. Na prática, inocenta previamente soldados e meganhas que cegarem, aleijarem ou matarem quem protestar contra Bolsonaro.

Por fim, lançou a Aliança pelo Brasil. Seu manifesto de fundação fala em “ordem nova”, “degeneração moral” e de “livrar o país dos larápios, dos espertos, dos demagogos e dos traidores”. É explícito: não usa nunca a palavra democracia.

A Aliança não precisa disputar as próximas eleições, como admitiu. Seu objetivo implícito é juntar a banda podre das polícias, do Exército, das seitas, das milícias e de toda a corja lúmpen numa organização de combate — de luta ideológica e física, nas ruas.

Enquanto os bem-pensantes batem papo sobre 2022, e avaliam as chances de Huck e Haddad, Bolsonaro se prepara. Tem o apoio de empresários e de Guedes, de moralistas e de Moro, de generais e de Villas Bôas, de pastores e do bispo Macedo, do “império” e de Trump.

Continuará a provocar arruaças, a destruir direitos e a solapar as liberdades públicas. Se a revolta vier e tiver condições, Bolsonaro posará de salvador da pátria, de Bonaparte. Tentará um golpe.

Mario Sergio Conti

Jornalista, é autor de “Notícias do Planalto”.

A cegueira espiritual do homem contemporâneo

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             Os indivíduos vivem em constantes conflitos na sociedade contemporânea, estes conflitos são das mais variadas origens, de um lado percebemos desajustes internos, medos, traumas e desesperanças e, de outro, os desajustes externos, desemprego e pouca empregabilidade, relacionamentos fracassados, religiões materializadas e violências generalizadas, neste momento os seres humanos se encontram cegos, a cegueira humana impede e dificulta que os indivíduos enxerguem melhor as verdades e os valores mais sólidos da vida.

Numa sociedade que premia e valoriza os valores materiais, os indivíduos buscam de todas as formas aumentar seus recursos financeiros, se sujeitando aos mais variados trabalhos e atividades cotidianas, deixam sua ética de lado e adotam valores flexíveis, aceitando tarefas pouco éticas desde que a remuneração seja atraente e lhes garanta ganhos consideráveis, o poder material está criando uma nova sociedade, nesta os indivíduos poucos se preocupam com os valores espirituais e, sem eles, acabam vitimado pelas dores mais agressivas da alma humana, a depressão, a ansiedade, os transtornos mentais e, no limite, o suicídio, que na atualidade aumenta de forma acelerada, gerando rastros de rancores e ressentimentos.

A Doutrina Espírita, como a Terceira Revelação, vem com o intuito de nos mostrar a amplitude da vida e de nossas relações sociais e espirituais, segundo esta doutrina iluminadora, todos vivemos juntos e compartilhamos os mesmos locais, teorias que a física quântica vem nos mostrando com detalhes maiores. Nesta convivência, encontramos encarnados e desencarnados vivendo e sobrevivendo lado a lado, neste conviver passamos a compreender as realidades mais significativas da vida, que nos auxiliam na compreensão do mundo, abrindo nossos olhos e nos angariando instrumentos teóricos para nosso crescimento espiritual cotidiano.

A Doutrina Espírita acabou com a morte, um dos maiores medos e tabus da humanidade, mostrando-nos que a separação é temporária e bastante subjetiva, afinal nos encontramos próximos uns dos outros e nos reencontraremos lado a lado em algum momento de nossa caminhada, tomara que este encontro seja num local iluminado de paz e de progresso, onde possamos receber energias e sentimentos melhores, mais saudáveis e consistentes, onde possamos compreender melhor nossas potencialidades e nossas limitações, trabalhando estes últimos no intuito de angariar um crescimento mais sólido, auxiliando nosso progresso espiritual.

O grande escritor português José Saramago, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura em 1998, tem uma frase bastante interessante e ilustrativa, segundo o escritor português:  “A pior cegueira é a mental, que faz que não reconheçamos o que temos a frente”. A frase nos mostra claramente que somos cegos para muitas realidades da vida, mas quando nos cegamos mentalmente para os novos conhecimentos e para as novas descobertas da ciência, deixamos de compreender melhor os significados da vida, muitas vezes perpetuando nossos desequilíbrios. Muitos são os motivos que nos levam a manter nossa mente fechada, dentre eles podemos destacar o comodismo, a ignorância e a falta de conhecimentos, os medos de descobertas, dentre outros, variando de indivíduo para indivíduo.

Quantas pessoas vivem em uma grande redoma, onde se escondem de outras pessoas, se fecham e temem relacionamentos afetivos e sentimentais, se tornando indivíduos frios e calculistas e passam a olhar os indivíduos como verdadeiros adversários ou inimigos, se escondendo e se limitando a relacionamentos superficiais e transitórios. Neste cenário, estes indivíduos se cegam com relação as realidades da vida, vivem em um verdadeiro EU S/A, mergulhando em uma cegueira que os impossibilita de compreender suas dores mais íntimas, levando para outras experiências físicas, desequilíbrios maiores, medos e desesperanças crescentes.

Na Bíblia encontramos algumas histórias referentes a cegueira, num dos episódios conhecidos como o cego de Jericó e outro descrito como o cego de nascença, dois momentos que Jesus nos mostra sua superioridade moral, seus valores mais caros e sua importância para a transformação que todos os indivíduos, nos dois episódios as falas do Mestre de Nazaré estimulam os indivíduos a compreenderem seus respectivos potenciais, afinal a cura e a obstinação estavam nas mãos de cada um, desde que compreendessem suas potencialidades.

Somos cegos espirituais, algumas pessoas enxergam muitas das realidades da vida material, conhecem várias culturas e acumularam grande conhecimento, mas, ao mesmo tempo, desconhecem valores e sentimentos dos mais intensos, desconhecem sua realidade espiritual, se debruçam no trabalho material e percebem nele a satisfação de suas necessidades, o responsável por seus recursos monetários e desconhecem os valores do espírito. Mergulham no trabalho material, ficam horas e mais horas em seu emprego, deixando de lado corações sensíveis, postergando a compreensão dos mais consistentes valores da vida, a nossa miséria espiritual incrementa e eterniza sofrimentos que trazemos de outras oportunidades e vivências.

No livro Memórias de um suicida, de Yvonne do Amaral Pereira, conhecemos a história de Camilo Cândido Botelho, cuja cegueira material, originada de um tresloucado suicídio o auxiliou na descoberta de uma outra realidade desconhecida, a cegueira física lhe abriu caminho para compreender realidades que até então eram por eles desconhecidas. A cegueira espiritual, como nos mostra a obra, era intensa em todos aqueles que, como Camilo, eram conhecidos como intelectuais e conhecedores de ciência e da racionalidade, mas na verdade, eram cegos sobre as mais importantes da realidade, a realidade da vida.

A cegueira física é uma das maiores dificuldades e desafios pelas quais um indivíduo pode passar, sua incapacidade de enxergar pelas vias físicas o leva a desenvolver outras habilidades para construir sua sobrevivência cotidiana, uma limitação o leva a evoluir espiritualmente, contribuindo imensamente para o desenvolvimento do espírito, dando-lhe suportes muitas vezes inimagináveis para pessoas que apresentam seu aparelho visual considerado normal, nestes casos percebemos a superação do indivíduo, seu crescimento e seu desenvolvimento.

Como nos diz Divaldo Pereira Franco no livro Ilumina-te, ditado pelo espírito Joanna de Angelis, “a cegueira física é uma dificuldade pessoal dentro do esquema da Lei de Causa e Efeito, constituindo um drama interior doloroso, facultando a alguns Espíritos resignados a conquista da iluminação pessoal, não se lhe tornando, de forma alguma, razão de desgraça ou de infelicidade. Antes, pelo contrário, não são poucos aqueles que conseguem superá-la, trabalhando eficazmente em benefício próprio graças aos inestimáveis serviços que realiza”. Na obra, o autor destaca a figura extraordinária da americana Hellen Keller, que se tornou uma verdadeira missionária do bem, da sabedoria e do amor, embora os limites da visão, da audição e da fala.

Muitos indivíduos considerados normais, detentoras de uma ampla capacidade de enxergar os movimentos humanos, as cores e os objetos, podem ser descritos como cegos de realidades imateriais. Muitas destas pessoas vivem a reclamar, invejando a vida de outras pessoas, lastimando por dificuldades passageiras e colocando a culpa de suas desditas em terceiros, estes sim são os verdadeiros culpados pelos seus desequilíbrios e por suas quedas, com estas atitudes estão se condenando a viver uma vida medíocre, sem progresso intelectual, elevação espiritual e com graves sequelas éticas e morais.

A Doutrina dos Espíritos insiste em mostrar para os indivíduos uma realidade diferente, nos mostra a reencarnação como instrumento para compreender a justiça de Deus, nos mostra a inexistência da morte, a pluralidade das existências e nos ensina que não existe vítima, somos todos culpados e muito culpados, nestas vivências nos deparamos com crimes e violências, matamos, roubamos e fomos desonestos, apanhamos e revidamos, xingamos e fomos xingados, agredimos e fomos asperamente agredidos e ainda, muitas vezes, nos colocamos como vítimas e nos acreditamos verdadeiros. Muitas pessoas nos indagam sobre o porque das dificuldades, perguntam quais os motivos das aflições e querem respostas imediatas, acreditando que estes questionamentos devem ser respondidos por outras pessoas e se esquecem que as vivências são nossas, as dores são nossas, o passado é uma herança individual e as respostas para nossas aflições estão no nosso íntimo e para encontrar estas respostas devemos mergulhar em nossos sentimentos e desejos e, com isso, descobriremos nossas desditas. Neste mergulho interior, devemos destacar, que vamos descobrir coisas ainda escondidas e vamos nos deparar com sequelas de nossos gestos, de nossos atos e de nossas atitudes, se somos difíceis de compreensão na atualidade, imagina como éramos a alguns séculos anteriormente.

A cegueira espiritual nos leva a deixar de lado o enxergar com o coração, visualizamos apenas o aparente, o transitório, a beleza externa e superficial, adoramos os prazeres do sexo e mergulhamos numa busca incansável pelo corpo mais sarado, pelo abdômen mais sequinho, mostramos nossa beleza física e deixamos que ele se torne o cartão de visita de nossa realidade existencial, acreditamos nos poderes da matéria, vivemos na busca por este prazer e acreditamos que, ao morrer, ficaremos esperando um momento onde seremos julgados pelos nossos atos e realizações, para que consigamos a salvação nutrimos alguma compaixão com nossos semelhantes, fazemos alguma caridade e doamos um pouco do que ganhamos para os mais necessitados, neste instante acreditamos que seremos salvos e vamos acordar num local parecido com um paraíso, ledo engano.

Como nos mostra a vasta literatura espírita, a morte não existe, estamos com uma veste física e quando nos despedirmos do mundo material, passamos a usar outra veste material, quando desencarnamos e acordamos passamos pelo primeiro julgamento, onde vamos acordar? A resposta para esta indagação nos mostrará o que somos na intimidade, o que cultivamos no interior, se riquezas sólidas e verdadeiras que as traçam não comem ou se valores materiais que se esvaem com o transitar da vida material para a do espírito. A coleção A vida no mundo espiritual, composta de treze obras, psicografia de Francisco Cândido Xavier e ditada pelo espírito de André Luiz, nos leva a um mergulho no mundo dos espíritos, nesta coleção os autores nos mostram realidades da existência humana, falando sobre obsessões, reencarnações, medos, traumas e alegrias, o conhecimento presente na literatura espírita é uma grande benção de Deus para que consigamos deixar nossa ignorância de lado e passemos a cultivar pensamentos, hábitos e vontades mais consistentes.

Encontramos muitos indivíduos na atualidade clamando por provas quando o assunto é a realidade espiritual da vida, são cegos espirituais que sentem prazer em negar tudo quanto não lhes convém aceitar, porquê, se assim procedessem, teriam que alterar completamente o comportamento moral, adotando novos métodos existenciais de comportamentos. Estão sempre em busca de provas, como se todas as demonstrações dos séculos, das pesquisas honestas de mulheres e homens de alta importância nas várias ciências, examinando cuidadosamente os fenômenos mediúnicos, de nada valessem.

Neste cenário encontramos muitos cegos guiando outros cegos, muitos se dizendo verdadeiros profetas e angariando um séquito de seguidores, antes na casa das dezenas, quem sabe centenas, hoje com as redes sociais encontramos milhões de seguidores, pessoas que pouco enxergam se colocam como os condutores, o resultado desta atrocidade é uma grande catástrofe que estamos mergulhados, precisam enxergar as realidades da vida para depois começarmos o auxilio para aqueles que não conseguem visualizar, mas para que consigamos enxergar precisamos ter a coragem de seguir Jesus e ter a humildade de compreender que éramos cegos e agora vemos…

Um balanço da economia brasileira nos tempos de Bolsonaro

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Depois de quase 11 meses de governo Jair Messias Bolsonaro, muitos analistas se esforçam para fazer um balanço dos sucessos e dos fracassos deste governo na seara econômica. De um lado alguns comentaristas destacam as boas medidas econômicas, exaltando o governo e tentando mostrar que o país encontrou seu caminho e estamos iniciando um ciclo de forte crescimento econômico, para este grupo estamos iniciando num mini milagre na economia brasileira. De outro lado encontramos analistas detonando as medidas de cunho econômico, destacando a visão liberal deste governo e suas políticas a favor do mercado e contra a classe trabalhadora, num verdadeiro antagonismo cuja verdade nem sempre é apregoada como deveria, as crenças ideológicas, as vontades e os desejos se sobrepõem aos fatos na maioria das vezes.

Neste debate encontramos tantas rivalidades e intolerâncias que, muitas vezes, evitamos de participar mais ativamente em decorrência do fanatismo e da agressividade dos contendores, onde devemos destacar que esta intolerância não se restringe a um dos lados, ambos estão eivados de sentimentos de agressividade e buscam impor suas ideias e pensamentos, muitas vezes se utilizando de notícias falsas, as chamadas fake News, ou denegrindo aqueles que defendem teses e pensamentos diferentes, gerando confrontos que, em muitos momentos, descambam para violência física e agressividade verbal.

Analisando as ideias econômicos deste governo, podemos salientar que muitas delas são importantes e trarão benefícios para a sociedade, a desburocratização e a redução do papel do Estado na economia olham para o norte correto, estas medidas tendem a atacar alguns feudos que sempre se beneficiaram com a ineficiência do setor público, gerando dificuldades para vender facilidade, alimentando a corrupção e abrindo espaço para seus ganhos imediatos e elevados, extraindo da sociedade seus vultosos patrimônios financeiros e monetários.

O Estado tem um papel importante e fundamental na economia brasileira, muitas das conquistas só foram possíveis graças a atuação direta no planejamento, na regulação e nos investimentos em infraestrutura e no fomento industrial. Neste período nos tornamos uma das maiores economias do mundo, mas infelizmente nos fechamos e passamos a gerar graves constrangimentos internos, com benefícios a grupos organizados e pouca efetividade em políticas de inclusão, este Estado se tornou obeso, caro e ineficiente, mantê-lo assim importa pouco aos grupos mais fragilizados da sociedade.

Neste período algumas medidas foram propostas pelo atual governo, onde destacamos um amplo programa de desburocratização, onde foram reduzidos muitos processos e informatizados outros, dando maior celeridade as demandas da população e incrementando a produtividade do setor público e da economia de uma forma geral. As políticas desburocratizantes sempre estiveram na pauta dos governos anteriores, todos sabemos da necessidade desta desburocratização, a grande dificuldade da implementação destas medidas é a força política dos governos para aprovar estas propostas, sabendo que grupos que mais ganham são muito organizados e muito bem estruturados politicamente, num momento de perigo vão se unir para impugnar estas mudanças, pois sabem que serão fortemente afetados pelas medidas, como os funcionários públicos, os donos de cartórios, os advogados e escritórios que prestam estes tipos de serviços e ganham muito com esta burocracia exagerada que extrai recursos da população que busca estes serviços.

Nas discussões sobre desburocratização, que acreditamos ser bastante necessária, encontramos um viés muito voltado para os setores empresariais, muito para o mundo dos negócios e pouco para os trabalhadores, neste caso, percebemos um desequilíbrio em prol das forças do mercado que podem cobrar seu preço num dos momentos futuros. Os empresários acreditam que a liberalização beneficia os trabalhadores, que terão mais empregos, isto nem sempre acontecem e se acontecer, o que percebemos, é a criação de empregos degradados, com cargas de trabalho elevadas e ganhos reduzidos. Na medida provisória conhecida como Liberdade Econômica encontramos propostas de trabalho nos finais de semana e nos feriados, reduzindo com isso, o poder dos acordos coletivos e dos sindicatos, fragilizando os trabalhadores e aumentando a precarização no mercado de trabalho. Recentemente alguns tribunais chancelaram estas medidas criando uma jurisprudência perigosa para a sociedade. Reclamamos da fragilidade e da desagregação das famílias, mas adotamos e estimulamos a implementação de medidas que aumentam a carga horária de trabalho, degrada as condições dos trabalhadores e depois nos perguntamos: o que está acontecendo com as famílias brasileiras? Na verdade, foram degradadas pelas forças de um capitalismo selvagem, que mata o trabalhador e degrada seus rendimentos, mas ao mesmo tempo consegue produzir mais a preços reduzidos, gerando um desequilíbrio estrutural que já nos foi contado no século XIX, todos sabemos dele, mas continuamos a ignorar de forma veemente.

O viés pró mercado deste governo pode agradar a muitos empresários e banqueiros que querem extrair lucros e ganhos ascendentes na sociedade, mas estas medidas desequilibram as forças de poder e criam condições para problemas futuros, como estamos encontrando em outros locais da sociedade internacional, um exemplo mais próximo está em nosso vizinho, o Chile, mas outros países apresentam situação parecida, como Bolívia, Hong Kong, dentre outros. No momento em que escrevemos este texto, encontramos nos jornais informações de que as manifestações chegaram a Colômbia, onde a população se anima e sai as ruas com reivindicações variadas. O Chile sempre foi visto por muitos como um exemplo de políticas liberais, marcadas pela meritocracia e pelo reconhecimento dos esforços individuais, neste país encontramos todos os serviços públicos privatizados e transferidos para a iniciativa privada, famílias endividadas e jovens sem perspectivas, consequência de uma política que olha apenas para a oferta e deixa de lado a demanda, o poder aquisitivo e as perspectivas de trabalho dignos e decentes para seus trabalhadores, vistos como consumidores e não mais como cidadãos.

Uma proposta que surgiu recentemente e gerou grandes críticas foi a Medida Provisória do Contrato Verde e Amarelo, conhecida como uma mini reforma Trabalhista, nela o governo reduz a tributação para as empresas que contratarem jovens de 18 a 29 anos em primeiro emprego. A queda na arrecadação será bancada pela cobrança da contribuição previdenciária de quem recebe seguro desemprego, esta cobrança gerou graves constrangimentos para o governo, que sofreu duras críticas da oposição e dos especialistas.

As privatizações se transformaram em uma grande celeuma, sobre este tema encontramos divergências imensas, de um lado o governo propõe uma desestatização geral de empresas públicas, onde foram listadas mais de 600 empresas estatais ou com participação do Estado. Pelas propagandas do governo, a venda destas empresas liberaria bilhões de reais para a redução da dívida pública, com isso, as taxas de juros se reduziriam de forma mais consistente e sobrariam recursos para os investimentos em melhorias na infraestrutura física e em questões sociais, tais como educação, saúde e segurança pública, setores muito mal avaliados pelos governos brasileiros de uma forma geral. De outro lado encontramos grupos políticos que se opõem muito fortemente as privatizações, acreditam que muitas destas empresas são estratégicas para o país e sua venda só interessaria para os donos do capital e para os grandes oligopólios internacionais que, quando adquirirem estas empresas, terão papel significativo nas decisões estratégicas do país, que perderá a autonomia e a soberania sobre seu sistema produtivo.

Nesta discussão, percebemos um forte teor ideológico, vender empresas estatais e abrir espaço para o capital privado deve ser visto como uma estratégia de fortalecimento do capitalismo nacional, mas faz-se importante entendermos quais são as empresas que serão repassadas aos grupos privados e quanto será arrecadado com esta alienação? Outro ponto que deve ser pensado é como o Estado Nacional conseguirá regular estes setores que forem repassados a iniciativa privada, mantendo seu poder e ainda garantindo espaços de lucratividade e o interesse dos conglomerados estrangeiros.

Se temos mais de 600 empresas estatais ou participação em empresas estatais, precisamos analisar os ganhos que estas empresas estão trazendo ao setor público, será que a manutenção destes conglomerados está gerando os retornos necessários que a sociedade almeja? Para responder estas indagações, faz-se necessário aumentar as pesquisas científicas, feitas pelos institutos vinculados aos governos e órgãos privados e analisar os retornos que estas empresas estão trazendo para a coletividade. Se o saldo for positivo estas empresas devem ser fortalecidas e estruturadas para que se reduzam as influências políticas perniciosas que tantos constrangimentos trouxeram ao capitalismo nacional. Nesta discussão, os debates que estão sendo levantados pelo governo são saudáveis, pena que os grupos estão indo para o debate defendendo ideias e teorias antigas e ultrapassadas, as privatizações devem acontecer e não devem mais ser postergadas mas cabe a sociedade encontrar um caminho mais consistente para que consigamos encontrar os horizontes do progresso e do desenvolvimento inclusive que beneficie a todos e não um crescimento que gerava benesses para poucos grupos sociais organizados e estruturados.

O governo está propondo medidas liberais, muitas delas fazem sentido e visam dar uma maior eficiência para a estrutura produtiva, estas propostas movimentarão muito a sociedade e trarão impactos gigantescos, mas devem ser debatidos de forma democrática e inclusiva. O apoio incondicional as medidas privatizantes tiram o espaço para as discussões críticas e intensificam a intolerância, podendo levar os debates a confrontos mais do que verbais, podendo gerar conflitos físicos e intransigências. O modelo que embalou a sociedade brasileira nos últimos séculos está sendo reformado de uma forma bastante estrutural, de um modelo centrado nos recursos governamentais e na solidariedade entre classes e grupos sociais (embora controversos), está sendo todo transformado e o que está sendo colocado no lugar apresenta muitos pontos críticos que podem gerar graves desequilíbrios na sociedade brasileira, deixando grupos mais expostos e fragilizados socialmente.

Reduzir o tamanho e o papel do Estado na sociedade é algo difícil na sociedade brasileira, mas estamos num momento único para fazer esta redução, a crise econômica e as deficiências fiscais estão levando os governos a encampar propostas mais ousadas, muitas são necessários mas devemos ficar atentos, porque até o momento as medidas impactam muito mais rapidamente sobre os grupos mais vulneráveis da sociedade e, como estamos vendo, nada de medidas mais agressivas que impactem diretamente sobre os grandes grupos econômicos. A reforma mais importante aventada pelo governo é a reforma tributária, reverter o modelo injusto e concentrador de benesses para os grupos mais abastados deve ser um dos nortes mais importantes a serem adotados pelos governos, sem uma reforma tributária que deixe de lado os indicadores degradantes que sempre nos caracterizou, dificilmente vamos conseguir superar nosso subdesenvolvimento.

Com o pacote trazido a público recentemente, o governo traz uma discussão nova e bastante polêmica, envolvendo o chamado pacto federativo, com a proposta de acabar com cidades menores de cinco mil habitantes que geram menos de 10% dos recursos utilizados para cumprir com suas despesas. Por esta proposta, o governo angariou muitos desafetos, prefeitos e vereadores destes municípios, além de funcionários de órgãos públicos que viram nesta medida uma ameaça a seus empregos e a seus rendimentos futuros. No Brasil temos mais de 5,5 mil municípios, destes mais de 1,2 mil se encaixam na situação citada acima, com isso, correm sérios riscos de perder o status de municípios. Embora a medida possa ser vista como polêmica por muitos cidadãos, este assunto deve ser discutido mais intimamente pela sociedade, muitas destas cidades não conseguem sobreviver sem a ajuda dos governos estadual e federal, com isso, muitas delas deveriam voltar a condição de distritos e seus recursos deveriam ser investidos na melhora dos serviços públicos, na desburocratização e nas questões sociais, como educação, saúde e segurança pública.

A aprovação da reforma da previdência deve ser vista como algo positivo, a sociedade e os agentes econômicos comemoraram de forma efusiva, se adentrarmos numa discussão mais efetiva sobre o tema, devemos destacar que sua aprovação está mais relacionada aos esforços do poder legislativo do que ao empenho do Executivo, que ainda permanece muito frágil na composição e na articulação política, tendo grandes dificuldades para aprovar seus projetos, o que pode comprometer a governabilidade no médio prazo e enviar aos agentes econômicos uma péssima imagem do governo, comprometendo projetos importantes num futuro próximo. Os avanços desta reforma mostraram para a sociedade que estamos em condições de fazer uma discussão mais consistente sobre temas econômicos complexos, deixando de lado medidas salvacionistas e colocando discussões sérias na mesa de debate, convocando os grupos envolvidos e construindo consensos para a melhora dos indicadores econômicos.

Os grupos de esquerda atuam como atuaram no governo Fernando Henrique Cardoso (1995/2002), sendo implacáveis com as propostas trazidas pelo governante, se fossem propostas pelo presidente eram medidas neoliberais e que serviam apenas para beneficiar os banqueiros e os donos do dinheiro, prejudicando os trabalhadores e as classes menos abastadas. Mas para a alegria do governo Bolsonaro e seus apoiadores, neste momento as esquerdas não possuem o mesmo poder que já tiveram nos anos 90, com isso, o governo se mostra muito pouco eficiente e consegue bater cabeça todos os dias, sem articulação política e marcado por falas preconceituosas, postagens agressivas e comentários chulos e degradantes. As medidas liberais estão sendo propostas e sendo levadas a frente, alegrando os donos do dinheiro e gerando perspectivas incertas no futuro, neste momento, percebemos que a elite econômica brasileira deixou de lado valores mais civilizatórios para apoiar grupos políticos de direita que conseguissem entregar as reformas liberalizantes em curso. Na verdade, como dizia Nicolau Maquiavel, os fins justificam os meios.

Sem oposição organizada, os governistas conseguem, eles mesmos, dificultar a condução do governo, no meio ambiente encontramos medidas que aumentaram a devastação, os órgãos de pesquisas foram desacreditados pelo governo, as organizações não governamentais (ONGs) foram colocadas como responsáveis pelos nossos equívocos anteriores e vistas como inimigas e aproveitadoras. Com isso, mostramos ao mundo que não temos projeto algum para o meio ambiente, assim como para outras áreas, tais como a educação e os direitos humanos, estamos realmente numa nau sem rumo governada por lunáticos que se dizem conservadores nos costumes e liberais na economia.

Na Educação, percebemos um movimento preocupante, propostas oriundas do Ministério da Educação propõem que as faculdades privadas, elas mesmas se regulamentem, ou seja, o MEC deixa que as próprias faculdades criem instrumentos de regulação. Este movimento nos preocupa, se nossos indicadores estão defasados e as desigualdades crescem de forma acelerada, imaginem se, a partir de agora, as próprias instituições educacionais forem as responsáveis pelas regras e pelas regulações de seus mercados?

Um balanço do governo Bolsonaro me parece muito prematuro, muitas de suas políticas econômicas foram implementadas no governo anterior, de Michel Temer, e estão trazendo frutos no momento atual, dentre as propostas em curso, acreditamos que muitas delas são interessantes e só seriam implementadas por governos com perfis mais liberais, coisa não imaginada nos governos petistas, como as privatizações, concessões, redução do papel do Estado e desregulamentações. Neste balanço, o que mais me preocupa é que, quando os investidores apoiam e aplaudem com veemência, os resultados não demoram muito a chegar, num boom inicial de crescimento seguido por momentos de estagnação e crise econômica, onde reforçamos nossos mais tenebrosos estigmas de colônia dependente e periférica, que Deus tenha piedade deste país.

A imperfeição humana, a reencarnação e a evolução espiritual

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Na sociedade contemporânea, muitas são as dúvidas que surgem na cabeça das pessoas, muitos se indagam sobre os sentidos da existência, outros questionam da existência de Deus, muitas são as indagações e todas elas tem suas respostas, cabe ao ser humano buscar responder estas indagações, umas encontramos nas reflexões filosóficas, outras estão escondidas nos escaninhos das religiões, enquanto outras estão nos mananciais da ciência, o Espiritismo compila todas estas indagações e nos leva a viajar por mares, muitas vezes, antes navegados, desde que tenhamos curiosidade, dedicação e queiramos aprender.

A Doutrina Espírita destaca que como seres imperfeitos estamos sempre vivendo nos dois lados da vida, alterando vivências nos mundos material e imaterial, nestas excursões aprendemos e evoluímos para atingirmos um estágio maior de desenvolvimento espiritual, quando nossas viagens são reduzidas e passamos a vivenciar novas experiências ruma a um progresso cada vez maior, esta viagem depende de cada ser humano, uns a fazem de uma forma mais rápida enquanto outros demoram um bocado mais nestas andanças, mas todos vamos conseguir atravessar com êxito esta caminhada.

A descoberta da vida espiritual é uma contribuição imensa do Espiritismo, com ela nos foi dado a conhecer a existência de outros mundos, como nos mostrou a física quântica, com seus mundos convivendo simultaneamente, estamos muito próximos destes mundos, mas ao mesmo tempo estamos deverás distantes. Nestas andanças da ciência e do pensamento científico a Doutrina dos Espíritos nos descortina uma nova vida, onde os valores se transformam e passamos a acreditar na imortalidade da alma e nas vivências em outras épocas e lugares, com sensações, medos e percepções diferentes.

Somos seres imensamente imperfeitos e interesseiros, pensamos muito mais em nossos prazeres e em satisfazer nossas vontades do que no coletivo, invejamos outras pessoas que acreditamos ser profissional de sucesso ou exitosa no relacionamento, almejamos valores de terceiros e desejamos coisas que não são nossas, não que queiramos extrair diretamente de outrem, mas desejamos que este produto, esta mercadoria ou até mesmo esta pessoa, esteja ao nosso lado no cotidiano. Num mundo muito centrado no eu, estamos sempre desejando algo de alguém, observamos seu sucesso e não percebemos seus esforços, adoraríamos ter seus recursos financeiros e desdenhamos da grande carga de trabalho e dedicação, queremos o que vemos e nos é aparente, mas esquecemos daquilo que está escondido, seus esforços, estudos e dedicações, desta forma nos tornamos seres infelizes e cada vez mais interesseiros e imediatistas.

A Doutrina dos Espíritos nos concede um grande manancial para construir uma nova experiência no corpo material, não podemos mais alegar ignorância como fizemos durante muitos séculos, a literatura disponível é vasta e de grande valor espiritual, desde romances passando por dissertações, desde contos passando por biografias, o acervo é variado e de grande valor moral, cabe a cada indivíduo se debruçar nestes conhecimentos e utilizá-los para sedimentar nossa caminhada, afinal estamos cheios de caminhos pedregosos e esburacados, o espiritismo nos abre um novo mundo e uma nova realidade, dando-nos novas experiências e valores mais consistentes.

Através de nossas imperfeições atraímos obsessores constantemente ao nosso lado, através de nossas fragilidades morais atraímos energias deletérias a todos os momentos, nos esquecemos que podemos buscar o equilíbrio e compreender as razões dos progressos dos seres humanos, desde que entendamos que todas as grandes conquistas exigem esforços e dedicações intensas e entregas verdadeiras, sem elas nossas conquistas são cada vez mais temporárias, frágeis e centradas em um reduzido mérito.

Assistimos a televisão e vemos todos os dias nas mais variadas mídias digitais o crescimento acelerado da violência, da corrupção e de crimes dos mais violentos possíveis, nos assustamos com a sociedade e perdemos nossa confiança nos seres humanos e nos esquecemos que vivemos num mundo atrasado, marcado por provas e expiações, onde estamos aqui para sublimar todos os desajustes que acumulamos em vidas e em momentos anteriores, sem superar tais dificuldades não conseguiremos encontrar uma felicidade mais intensa e verdadeira que está reservada para cada indivíduo, desde que passemos a procurar nos locais corretos, não nos prazeres da matéria, mas nos valores do espírito.

As reencarnações anteriores nos servem de baliza para nosso crescimento atual, quando acumulamos valores mais consistentes, valores espirituais, marcados por bons sentimentos e atos mais consistentes, somos assistidos por espíritos mais evoluídos e nos aproximamos de energias mais salutares que nos ajudam em nosso progresso, somos inspirados e aceitamos a inspiração dos espíritos superiores e rumamos a um desenvolvimento espiritual. Quando acumulamos valores mais materializados e deixamos os valores do espírito de lado, atrasamos nosso progresso espiritual e não sentimos as inspirações dos bons espíritos, mas daqueles que vibram no mesmo diapasão, com isso, retardamos nosso progresso e acrescentamos mais equívocos para outras vivências no mundo material.

Somos o que nós nos deixamos fazer conosco nas mais variadas encarnações que vivenciamos, nesta viagem passamos pelas mais variadas experiências, encarnamos em corpos femininos e depois em corpos masculinos e vice-versa, fomos ricos e pobres, passamos por experiências variadas, sentimos as dores do abandono e do desajuste material, vivemos em culturas de opressão e experimentamos momentos de liberdade, deixamos de lado nossos valores éticos e exercitamos nossos valores morais, tudo isso nos auxiliou a moldar nossos valores mais íntimos, somos hoje um misto de todas estas experiências no mundo material, a reencarnação é uma grande dádiva de Deus e em ela temos muita dificuldade de compreender a justiça divina, sem a reencarnação construímos um mundo baseado numa falsa meritocracia.

A evolução humana é demorada e exige grande dedicação, a razão existe no mundo a uns quarenta mil anos, como nos mostrou o espírito André Luiz, neste período reencarnamos entre 800 e mil vezes, nestas experiências acumulamos progressos em várias áreas, passamos a dominar novos conhecimentos e novas culturas, línguas e vivências. Neste emaranhado de encarnações nos tornamos únicos e individuais, mas criados e mantidos por um Deus maior, de amor, de misericórdia e de solidariedade, nestas experiências percebemos que somos seres humanos e para evoluir precisamos estar sempre próximos, um auxiliando o outro, com isso progredimos e impulsionamos o progresso de nossos semelhantes.

O médium mineiro Francisco Cândido Xavier, analisando a chamada transição planetária, destacou que o Planeta Terra se tornará um mundo de regeneração somente a partir de 2057, ou seja, depois de duzentos anos da codificação espírita. Neste momento vivemos um período de grandes inquietações, as transformações são intensas, rápidas e aceleradas, gerando desesperança e muito medo, neste momento percebemos que nosso planeta está recebendo entidades inferiores, agressivas e que se comprazem com o mal, com a dor e com a violência. Estas entidades estão saindo das catacumbas do umbral, são espíritos que não mais queriam reencarnar, são entidades que viveram durante muitos séculos em condições de indignidade e foram, compulsoriamente, escaladas para retornar ao mundo material, estão tendo mais uma chance de se libertar destes sentimentos degradados e se resistirem e continuarem cultivando intimamente estes valores serão degradados para mundos inferiores, estão tendo suas últimas chances de se libertar deste mal e desta ignorância que cultivaram durante séculos, o mundo não mais pode esperar por estas entidades para continuar sua trajetória de progresso e de desenvolvimento.

Muitas doutrinas religiosas não acreditam na reencarnação, o próprio catolicismo a aboliu de suas fileiras no século V, algumas correntes passaram a acreditar no dia do juízo final, noutros no sono eterno, acreditam que a vida é única e não retornamos mais a este mundo, o espiritismo rechaça fortemente estes valores e destaca a reencarnação como o instrumento mais consistente para entendermos a justiça divina, sem a reencarnação não conseguiríamos compreender as dores do mundo, as desigualdades crescentes, as doenças em curso em crianças em tenra idade, os pecados originais e os assassinatos sanguinários e violentos, as propensões e as inspirações do bem e do mal, sem reencarnação não conseguiríamos compreender os verdadeiros significados da vida.

Evoluímos dos dois lados da vida, na obra Memórias de um suicida, de Yvonne do Amaral Pereira, nos deparamos com a história do grande escritor português Camilo Cândido Botelho, na obra percebemos como o escritor posterga o retorno ao mundo material, permanecendo no mundo espiritual, por mais de quarenta anos, neste período Camilo se dedicou imensamente ao estudo, lendo, fazendo cursos, conversando com os sábios da espiritualidade, aprendendo sempre e, com isso, angariou as forças necessárias para seu retorno ao mundo material. O escritor sabia que para progredir espiritualmente precisava retornar a matéria, seus equívocos foram inúmeros e apenas com a experiência de uma nova encarnação poderia começar a reconstruir seu equilíbrio, embora tenha aprendido que o equilíbrio para o suicida demora muitos anos, segundo lhe informaram mais de duzentos anos.

Noutra obra de relevo, também nos deparamos com experiências de crescimento do espírito no mundo espiritual, na obra Missionários da Luz, de Francisco Cândido Xavier ditado pelo espírito de André Luiz, nos deparamos com a história de Segismundo, nela percebemos como o trabalho consciente e responsável pode auxiliar no progresso e no desenvolvimento do espírito, embora marcado por graves desequilíbrios e desajustes, o melhoramento de Segismundo foi verdadeiro e suas obras foram tão grandiosas que atraiu auxílio de espíritos de escol, como Bezerra de Menezes e o instrutor Alexandre, somente o trabalho remove de nossos escombros os mais severos equívocos e dificuldades, fazendo com que consigamos evoluir e adotar a máxima atribuído a Chico Xavier: Embora nenhum de nós possamos refazer os erros do passado, todos podemos começar novamente e fazer um novo final.

Perseguições invisíveis, agressividades e inimigos espirituais

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Vivemos em uma sociedade de grandes extremos, num mundo materializado onde o dinheiro e a posição social são instrumentos de classificação dos seres humanos, todos vivem num constante embate para a sobrevivência. O ambiente descrito parece comum a muitas pessoas, o que muitos não sabem é que este confronto não se dá apenas no mundo material, os embates entre os dois polos da vida são constantes e motivam grandes reflexões entre os indivíduos, estamos sendo testados constantemente e devemos nos preparar para não sermos conduzidos pelos inimigos espirituais desencarnados, que são responsáveis por estimular muitos confrontos e impulsionar mágoas e ressentimentos dos dois lados da vida.

O trabalho no bem sempre nos equilibra e nos abre espaço para o crescimento e para o desenvolvimento espiritual, mesmo sendo algo que nos faz muito bem e nos conforta, os espíritos ora inferiores atuam no sentido de desequilibrar e gerar constrangimentos para estes colaboradores da Doutrina Espírita, buscando com isso desestabilizá-los e criar maiores desajustes e constrangimentos, afastando-os das obras edificantes e mantendo-os na escuridão da ignorância, por vingança de disputas anteriores ou por prazer em vê-los desequilibrados e constrangidos.

A Doutrina Espírita nos mostra que estamos sendo testados todos os momentos por irmãos desencarnados, alguns desafetos declarados estão motivando sentimentos menores como forma de incrementar confrontos e estimular uma violência gratuita, gerando constrangimentos e desequilíbrios que, em muitos casos, se perpetuam por muitos séculos, gerando rancores, ressentimentos e desafetos em todos os planos da vida, em algumas obras de vulto da Doutrina Espírita percebemos perseguições que duram mais de duzentos anos, criando um enorme rastro de violência, lágrimas e destruições.

Nos grupos mediúnicos encontramos um exemplo claro destes desafetos, irmãos desencarnados que, por ora, se comprazem com o bem, usam de todos os artifícios e artimanhas para impedir os médiuns, os passistas e os doutrinadores de participar dos trabalhos, isto porque sabem que o trabalho em curso tende a dificultar a atuação destes irmãos no desajuste de seus desafetos. Como conhecem o pensamento espírita ou suas ferramentas mais imediatas, usam seus conhecimentos para afastar os trabalhadores da jornada do bem, adotam posturas desprezíveis, se utilizam de atitudes e comportamentos mesquinhos e usam os piores recursos para evitar os medianeiros de trabalharem no bem e no auxílio daqueles irmãos que sofrem em desespero e em desalinho com os ideais superiores de amor, de paz e de solidariedade.

Estes irmãos que vibram num diapasão inferior, que se comprazem com o mal e se mobilizam para impedir o progresso, conhecem a força e os sentimentos superiores dos discípulos de Jesus, reconhecem na Doutrina Espírita conceitos consistentes para melhorar a conduta dos seres humanos e, com isso, usam de todos os instrumentos que possuem para impedir a adesão de seus perseguidos em suas fileiras, temendo que as portas abertas do desequilíbrio sejam fechadas e a influência espiritual que possuem seja encerrada por completo.

Muitas pessoas acreditam que ser médium é um privilégio concedido a poucas pessoas, o que a maioria desconhece é que todos somos médiuns, como nos diz Allan Kardec em O Livro dos Médiuns: “Toda pessoa que sente a influência dos Espíritos, em qualquer grau de intensidade, é médium. Essa faculdade é inerente ao homem. Por isso mesmo não constitui privilégio e são raras as pessoas que não a possuem pelo menos em estado rudimentar. Pode-se dizer, pois, que todos são mais ou menos médiuns. Usualmente, porém, essa qualificação se aplica somente aos que possuem uma faculdade mediúnica bem caracterizada, que se traduz por efeitos patentes de certa intensidade, o que depende de uma organização mais ou menos sensitiva”. A mediunidade é algo inerente a todos os seres humanos, a diferença é a intensidade e as características desta mediunidade, uns são psicofônicos, outros psicógrafos, outros doutrinadores, outros oradores, alguns de efeitos físicos, dentre outros tipos…

A mediunidade auxilia no progresso dos indivíduos, deve ser vista como um instrumento para o crescimento espiritual e coletivo da humanidade, os médiuns apresentam uma grande sensibilidade e, com isso, devem auxiliar aqueles que necessitam de uma orientação espiritual, motivando-os ao estudo e a reflexão sistemáticas como forma de compreender o verdadeiro e real significado da vida, estimulando os indivíduos a cultivarem mais valores espirituais e menos valores materiais, como estamos vendo na sociedade contemporânea, onde as pessoas estão se perdendo no materialismo e no imediatismo e deixando de lado valores morais e espirituais, estes sim os verdadeiros valores da vida e do ser humano.

O médium atrai muitas energias negativas e necessita de vigilância constante, isto porque em muitos momentos acaba atraindo espíritos desequilibrados e muitas entidades que desconhecem sua verdadeira situação, irmãos desencarnados que desconhecesse a existência de vida pós-morte e se encontram perdidos, algo muito mais comum do que as pessoas imaginam. A mediunidade para ser bem desenvolvida precisa de estudo, cabe as pessoas dotadas desta sensibilidade uma busca constante por conhecimento, a leitura da obra de Allan Kardec é imprescindível, o pentateuco espírita (O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Céu e o Inferno, A Gênese e O Evangelho segundo o Espiritismo) serve como uma bússola para a compreensão das realidades da vida.

Encontramos muitos espíritos que se comprazem com o mal, se desdobrando para evitar os trabalhos dos médiuns encarnados, entidades que sentem prazer no mal e no desequilíbrio se unem para gerar transtornos e constrangimentos para os médiuns que, segundo eles, ousam trabalhar para difundir os ideais trazidos para humanidade por Jesus Cristo. Estes irmãos se utilizam de sua invisibilidade para criar dificuldades e desviar estes trabalhos, estimulando caminhos alternativos e afastando-os das obras do bem, sentem prazer com as quedas e trabalham incessantemente para que as casas espíritas sejam fechadas e os ideais da Doutrina dos Espíritos sejam colocados de lado ou esquecidos.

Muitas pessoas sentem este ataque das entidades inferiores quando começam a frequentar a casa espírita, estes irmãos se organizam para que se atrasem aos trabalhos, estimulam seus melindres mais íntimos e buscam criar constrangimentos no cotidiano para que se afastem do trabalho, temem que as atividades no bem transformem estes irmãos e estes passem a ter controle e autonomia sobre suas vidas e suas escolhas mais íntimas e pessoais.

Os médiuns que se encorajam a trabalhar para o bem e para o crescimento do amor e da solidariedade, percebem que, com isso, se transformam em alvos dos irmãos que vibram no diapasão dos desajustes, sendo por eles perseguidos constantemente, onde são estudados intimamente para perceber seus desequilíbrios e, num segundo momento, atuar diretamente para inviabilizar seu trabalho, afastando-os das atividades do bem e transformando-os em motivos de escárnio e de desventuras. Na sociedade contemporânea encontramos inúmeros casos de médiuns dotados de grandes capacidades mediúnicas que se deixam levar por sentimentos menos dignos que trazem intimamente, estes sentimentos estão em suas entranhas mais íntimas e os espíritos inferiores buscam nestas entranhas estimular para que estes desequilíbrios gerem constrangimentos maiores para o médium e que, com isso, atinja a doutrina e fragilize seus ideais mais sinceros de amor e de solidariedade.

Nas reuniões mediúnicas encontramos espíritos inferiores agressivos, que ameaçam os trabalhadores da casa, se acreditam dotados de um poder sobrenatural, ofendendo e querendo agredir fisicamente, mas são contidos pelos mentores da casa, estes irmãos insatisfeitos com sua condição ameaçam até mesmo os familiares dos médiuns, seus filhos e parentes mais próximos, mostrando-nos, com isso, como a atuação do médium na casa espírita deve vir acompanhada de seus familiares, criando um conjunto de energias salutares para evitar a influência das entidades inferiores que se comprazem com o mal, o rancor e o ressentimento.

Neste embate constante entre forças dos dois lados da vida, é importante destacar, que os trabalhadores da seara do bem estão sempre muito bem protegidos pelos seus guias e simpatizantes, que se utilizam das forças do bem para proteger e perpetuar os trabalhos para que os valores do Cristo sejam eternos e sempre vencedores. Numa situação de embates constantes, cabem aos médiuns trabalhadores da seara do bem, a perseverança e o trabalho constante, além disso, um forte controle sobre seus pensamentos e o cultivo de hábitos simples e saudáveis, visando á fragilização dos irmãos que ora se comprazem com o mal e o fortalecimento dos ideais propostos e estimulados pelos prepostos do Cristo.

Quando estamos em momentos de invigilância, fragilizados e descuidados, abrimos nosso campo mental para a atração destas entidades inferiores, oferecendo campo as mentes desequilibradas que se acercarão de nós e, encontrando desguarnecidas as nossas defesas, terão possibilidades concretas de conseguir o nosso afastamento e de se regozijarem com a nossa queda. Como disse o espírito Emmanuel, mentor espiritual de Francisco Cândido Xavier, quando foram apresentados, e o primeiro lhe mostrou as credenciais necessárias para o trabalho sob as hostes de Jesus Cristo, enfatizando que para este trabalho eram necessários “Disciplina, disciplina e disciplina”.

            Os obsessores se utilizam de métodos conhecidos pelos espíritas, mas mesmo assim, muitos sucumbem a sua atuação e se rendem ao trabalho de desagregação do trabalho espiritual, dentre os métodos podemos destacar a ideia do comodismo para afastar as pessoas das reuniões, gerando argumentos tais como “as reuniões são boas, mas hoje não vou porque trabalhei muito”, “eu já produzi muito nas reuniões, por isso faltar hoje não faz mal” ou “eu sou muito assíduo, todo mundo falta menos eu”, todos estes argumentos são estimulados pelos espíritos inferiores para que os trabalhadores se afastem dos trabalhos, faltando numa semana e depois se ausentando na outra, quando vai ver o trabalhador acaba abandonando as atividades, alegrando os obsessores e deixando de trabalhar seu instrumento mediúnico, gerando constrangimentos individuais e coletivos.

Os perseguidores espirituais são astutos e inteligentes, se utilizam de sua capacidade reflexiva para fragilizar os trabalhadores do bem, estudam suas limitações e incutem em suas mentes pensamentos de perseguição, incrementando seus melindres e disseminando a desconfiança, com o intuito de fragilizar o trabalho e reverter uma luz que hora se acende para o esclarecimento, o equilíbrio e o fortalecimento dos ideais da espiritualidade maior.

Os espíritos esclarecidos não cansam de nos estimular para o bem, todos os momentos possíveis estão tentando nos alertar, reiterando a cada dia os apelos à nossa reforma íntima. Como nos diz Suely Caldas Schubert, na obra Obsessão e Desobsessão, “A maioria de nós ainda somos bastante teóricos, sabendo de cor e salteado páginas, citações, livros, mas pouco conseguindo vivenciar os ensinamentos adquiridos”.

O trabalho mediúnico desenvolvido com os verdadeiros ideais de Jesus Cristo nos auxilia no desenvolvimento e no crescimento espirituais, este instrumento não nos foi dado para que guardemos numa gaveta e olhemos para a janela e enxerguemos as dores alheias, na verdade são instrumentos de progresso e crescimento da humanidade, o amor e o saber devem andar juntos e de forma concomitante. Como nos disse o médium mineiro Francisco Cândido Xavier: “Quem sabe pode muito, mas quem ama pode mais”.

  As raízes do sofrimento humano

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Vivemos em uma sociedade marcada por muitos medos, dores e sofrimentos, os espíritos superiores nos mostram, constantemente, como estas dores estão crescendo e os seres humanos estão, cada vez mais, perdidos e atordoados, gerando um mundo marcado por ambiente degradantes, caracterizados por energias densas e desagradáveis, levando pessoas a cultivarem ideias de suicídio, incrementando a depressão, a ansiedade e a desesperança. Neste mundo de transformações aceleradas, o medo está dominando os corações e a esperança de um futuro melhor está diminuindo rapidamente. Nesta sociedade centrada na concorrência e na competição, os indivíduos estão preocupados com sua sobrevivência cotidiana, se entregam ao trabalho e transformam suas vidas em uma constante busca por dinheiro e retornos monetários, mergulhando em um trabalho cada vez mais agressivo, que toma grande parte da vida das pessoas, restringindo os seres humanos a um verdadeiro sobreviver via trabalho, emprego, qualificação e capacitação constantes, deixando valores mais consistentes de lado, como família, amores e religião. São inúmeras as preocupações para o indivíduo do século XXI, que o ser humano está deixando de lado seus valores mais consistentes, muitos destes valores vem sendo construídos pela coletividade a alguns séculos, datam do período conhecido como Iluminismo, como tolerância, liberdade, respeito e companheirismo, com isso, estamos vivendo uma sociedade onde as pessoas estão amedrontadas, o trabalho está gerando traumas intensos, os relacionamentos estão gerando frustrações e as famílias não mais conseguem suportar os dramas humanos, neste mundo de competição o dinheiro ganha relevância, promete satisfação, alegrias incomensuráveis e entrega desolação, solidão e frustrações. Neste turbilhão de informações e tecnologias que surgem todos os dias, estamos ficando cada vez mais individualistas, estamos sempre nos deixando levar pelo imediatismo e pelos prazeres do agora, com isso, estamos perdendo a capacidade de colaborar e de cooperar, como nos diz o historiador israelense Yuval Harari: “Nós humanos somos os únicos mamíferos que conseguem cooperar em grandes quantidades. Coloque 10 mil chipanzés em um estádio e você tem o caos total”. A Doutrina dos Espíritos nos mostra, que vivemos numa sociedade onde nos encontramos todos os momentos com entidades espirituais, irmãos que passaram do mundo material para o mundo espiritual, estes espíritos nos influenciam muito mais do que imaginamos, muitos pensamentos que cultivamos e acreditamos serem nossos, na verdade são inspirações que nos são trazidas por irmãos de outros planos da vida. corinna nudes Num momento como o que estamos vivendo, marcados por grandes inquietações, conflitos generalizados, medos e desesperanças, além de uma época de grande degradação do meio ambiente, as energias que circundam o Planeta Terra tendem a ser negativas e degradantes, com isso, cultivar bons pensamentos, boas leituras e estimular sentimentos saudáveis nos auxiliam e nos servem como uma vacina para os males da contemporaneidade. Nesta atual situação da sociedade mundial, muitos irmãos do mundo espiritual, espíritos abnegados que se esforçam para que as ideias de Jesus Cristo sejam difundidas e possam contribuir para o crescimento espiritual da sociedade, estão preocupados e receosos do crescimento deste negativismo e desesperança. Estas entidades acreditam, que o mundo contemporâneo está passando por momentos de fortes transformações, mesmo percebendo o crescimento de constrangimentos na coletividade, estes acreditam que são momentos passageiros de uma mudança estrutural, onde os ganhos futuros serão maiores e mais consistentes para o planeta, mas para que isto se efetive, faz-se necessário que o ser humano compreenda a situação que passa a humanidade, um momento de transição e reequilíbrio, onde os valores devem passar por grandes transformações, a tecnologia está mudando o ser humano, mas os valores espirituais devem prevalecer, muitos dos desequilíbrios e dos sofrimentos humanos estão centrados na ausência de Deus, a tecnologia e os valores monetários e materiais estão levando os indivíduos a se afastarem do essencial, dos valores mais consistentes que nos foram dados pelo Criador. Os sofrimentos estão atrelados aos excessos, tudo que é excessivo nos prende e nos limita em nossas potencialidades. Na sociedade contemporânea os prazeres materiais são dominantes, somos direcionados e estimulados por programas de computadores e algoritmos que nos conhecem muito mais das nossas vidas do que nós mesmos. Evitamos o famoso conheça-se a ti mesmo porque este conhecer nos leva a uma reflexão que pode nos assustar, neste autoconhecimento podemos nos preocupar com as descobertas, levando-nos a comportamentos assustadores que podem nos afastar dos padrões de normalidade de uma sociedade que atribui valores aos indivíduos que mais acumulam recursos financeiros.

Os sofrimentos humanos são fruto de nossas escolhas e de nossas trajetórias, antigamente podíamos alegar ignorância e desconhecimento, na atualidade este desconhecimento é algo que não podemos mais aceitar, os conhecimentos estão em todos os lugares, nas telas dos computadores, nas mais variadas mídias digitais e nos templos religiosos e nas casas espíritas, precisamos apenas aceitar nossas escolhas e entender que somos na atualidade aquilo que fizemos de nossa vida em momentos anteriores e que seremos no futuro aquilo que plantarmos no momento atual, quem planta degradação, orgulho e ressentimento, em momento algum colherá tolerância e solidariedade.

Nas reuniões mediúnicas, as entidades elevadas nos mostram os desajustes dos seres humanos, pedem oração e conduta serena, nos orientam em nossas escolhas e nos mostram as degradações do mundo, as lutas fratricidas e as ambições que cegam os seres humanos e os aproximam dos animais mais cruéis e desumanos da sociedade, estas imagens são reais e verdadeiras e nos influenciam muito mais do que imaginamos em nosso cotidiano.

Pesquisas recentes feitas no Brasil nos mostram que, para 78% da população, o trabalho ou a falta dele são responsáveis por doença e sofrimento, o trabalho que deveria ser fonte de regozijo e crescimento pessoal, passou a ser um grande gerador de desajuste e desequilíbrio, a carga excessiva, as cobranças crescentes, as metas impossíveis de atingir, os baixos salários, os medos de demissão e as grosserias dos gestores, todas estas questões somadas estão contribuindo para que o cenário profissional se transforme num grande gerador de mágoas e degradação.

Neste cenário de tantas transformações estruturais, os indivíduos estão esquecendo os ensinamentos deixados pelo Mestre de Nazaré, todas as suas mensagens estão sendo lidas e estão emocionando os indivíduos mas, ao mesmo tempo, não estão gerando as transformações que o mundo requer, as pessoas leem, mas não compreendem, as pessoas frequentam os cultos religiosos, mas não deixam seus ensinamentos adentrar seus corações, as pessoas conversam sobre assuntos engrandecedores, mas se negam a sua transformação pessoal, as resistências dos seres humanos são imensas e, com isso, perpetuam as lágrimas, muitas delas escondidas, e os rancores e ressentimentos, energias que corroem e maltratam as pessoas e geram sentimentos inferiores que se apoderam dos mais incautos e imediatistas.

Muitos indivíduos acreditam que suas dificuldades são oriundas de outras existências, aceitam seus equívocos e limitações e acreditam que não vão conseguir, pelo menos nesta encarnação, encontrar um outro caminho e deixar para trás os transtornos identificados. Alguns acreditam na reencarnação, se dizem adeptos da Doutrina dos Espíritos e acreditam que podem deixar seus dramas para uma outra oportunidade de retorno ao corpo físico, o grande problema deste raciocínio é que, com a redução das famílias no mundo contemporâneo, muitos espíritos teriam que aguardar uma nova oportunidade, coisa que nem sempre acontecerá facilmente, neste ínterim o espírito ao se conscientizar do equívoco cometido se arrependerá de não ter encarado seus problemas mais diretamente.

Seguindo este pensamento, muitas pessoas atribuem suas dificuldades a outras vidas e outras experiências físicas, acreditam que muitas de seus dramas, conflitos ou ressentimentos são originários de outras vivências, com isso se esquecem que a maior parte dos nossos desequilíbrios são construídos nesta vida material e devem ser resolvidos agora, evitando um retorno com as mesmas marcas que nos constrangem na atualidade. Muitos rancores acumulados em relacionamentos tóxicos, muitos conflitos familiares, muitos ressentimentos em amizades degradantes e muitos dramas pessoais são aumentados e acabam gerando problemas muito maiores, levando muitas pessoas a transtornos variados, atraindo uma gleba de entidades espirituais que vibram no mesmo diapasão, estes irmãos acabam aumentando os seus dramas e transformando pequenos contratempos em desequilíbrios acentuados que são levados por muitas encarnações, prendendo ambos os espíritos num espiral de desajustes e ressentimentos.

A preocupação dos espíritos superiores com o Planeta Terra é intensa e verdadeira, estas entidades percorrem todos os cantos do globo terrestre e percebem os dramas individuais e coletivos aumentarem de forma exponencial, países em crises constantes, irmãos se agredindo, famílias sendo destruídas com requintes de crueldade, governos conspirando contra sua população, indivíduos gananciosos planejando novos saques e pilhagens materiais, neste ambiente marcado por desequilíbrios individuais e coletivos, deslealdade e desavenças, onde as energias dominantes são deverás degradantes, os irmãos que ora se comprazem com o mal, o rancor e o ressentimento se locupletam fortemente e percebem que seus caminhos de degradação estão abertos, influenciando os irmãos mais incautos e desprotegidos, transformando-os em verdadeiras marionetes, seres humanos manipuláveis e controlados, cujas energias são fragilizadas e seus sentimentos ignorados, uma obsessão que se transforma rapidamente em possessão, aumentando os dramas pessoais e coletivos da humanidade.

Vivemos um momento de grandes inquietações, um momento de transição e grandes transformações, todas as estruturas estão sendo destruídas e reconstruídas, neste momento muitos dos dramas individuais e constrangimentos coletivos estão vindo a tona e perturbando os seres humanos, que num gesto tresloucado se afastam de Deus e das filosofias saudáveis e buscam crenças e religiões mais materializadas, muitas delas cheias de rituais, muitas destas buscas servem para uma convenção social e não se transformando em um espaço de reflexão e crescimento espirituais, com isso, percebemos um ser humano cada vez mais perdido e insatisfeito, com seus dramas íntimos aumentados e suas esperanças reduzidas, está na hora deste ser que se diz racional se voltar para suas origens espirituais, buscando Deus e construindo em locais sólidos e consistentes, deixando de lado valores transitórios e cultivando os verdadeiros valores espirituais, está na hora do reencontro do indivíduo com seu Deus, este sim tem potencial de elevação, equilíbrio e desenvolvimento moral e espiritual. Sem este reencontro, o ser humano continuará buscando as origens do seu sofrimento em outras pessoas e se desviará de compreender que a verdadeira origem de seus males e de seus sofrimentos estão em suas decisões equivocadas e em suas ambições desmesuradas e desequilibradas.

“O diagnóstico de Guedes sobre o Estado não se sustenta”, segundo Oreiro.

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IHU – 11/11/2019

 O Plano mais Brasil, um novo pacote econômico enviado pelo governo ao Congresso Nacional na semana passada, que inclui três Propostas de Emenda Constitucional – PECs – a PEC do Pacto Federativo, a PEC dos Fundos Públicos e a PEC Emergencial –, é fundamentado na ideia geral de que “para recuperar o crescimento da economia brasileira de forma mais sustentável, tem que diminuir o tamanho do Estado”, diz o economista José Luis Oreiro à IHU On-Line, na entrevista a seguir, concedida por telefone. Segundo ele, com este pacote o governo diz à sociedade que “é possível reduzir o volume de serviços que o Estado brasileiro presta à população”.

Para o economista, um exemplo concreto de que o governo quer reduzir a participação do Estado nos investimentos sociais se manifesta nas propostas de desindexação, desvinculação e desobrigação dos gastos sociais. “No fundo, Guedes quer acabar com a distinção entre despesa obrigatória e despesa discricionária desindexar as despesas públicas, porque muitas delas são indexadas à avaliação da inflação, como era o caso do salário mínimo”, afirma. Com uma possível desindexação do salário mínimo à inflação, argumenta, “corre-se o risco de ter uma situação na qual uma parte significativa dos benefícios previdenciários e de assistência social no Brasil não seja corrigida nem mesmo pela inflação. Isso, obviamente, vai aumentar a desigualdade de renda e a pobreza”.

Apesar de o governo argumentar que a PEC do Pacto Federativo possibilitará maior flexibilização aos gestores dos entes federativos em como administrar os recursos com saúde e educação, o economista pontua que “deixar isso a critério do político de plantão” não é “correto”. De outro lado, ele admite a possibilidade de “discutir se as atuais alíquotas para saúde e educação são as adequadas. “O Brasil está passando por um processo de envelhecimento, e quando a população envelhece, a proporção de velhos aumenta e a proporção de jovens diminui. Desse modo, é razoável que em algum momento tenha que se ajustar a vinculação de gastos em saúde e educação a fim de reduzir a alíquota para a educação e aumentar para a saúde, porque basicamente quem tem problema de saúde são os velhos e quem precisa de educação são os jovens. Mas se, de fato, estamos vivendo uma transição demográfica em que o percentual de jovens vai diminuir nos próximos 20 anos, então é razoável que se ajustem os percentuais de receitas aplicados à saúde e à educação”, pondera.

Entre os poucos pontos positivos do pacote econômico, Oreiro cita a proposta da PEC dos Fundos Públicos de usar o dinheiro de alguns fundos para abater a dívida pública. “Existem 220 bilhões de reais parados em 281 fundos públicos no Brasil. Seria interessante fazer um mapeamento desses fundos e ver quantos de fato não têm razão de ser e podem ser extintos para usar o dinheiro para abater a dívida pública. Essa é uma ideia bastante razoável”, destaca.

José Luís Oreiro possui graduação em Ciências Econômicas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ, mestrado em Economia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro – PUC-Rio e doutorado em Economia da Indústria e da Tecnologia pela UFRJ. Atualmente é professor adjunto do Departamento de Economia da Universidade de Brasília.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – O pacote econômico apresentado pelo ministro Paulo Guedes inclui três PECs – PEC do Pacto Federativo, PEC dos Fundos Públicos e PEC Emergencial – e é considerado a maior reforma dos últimos 30 anos. Quais são as diretrizes, linhas gerais, que fundamentam o pacote econômico do governo?

José Luis Oreiro – O fundamento, ou seja, o que está na cabeça do Paulo Guedes é que, para recuperar o crescimento da economia brasileira de forma mais sustentável, tem que diminuir o tamanho do Estado. Esse é o fundamento mais geral e ele já vinha falando isso há muitos anos em artigos que escrevia no jornal O Globo. Para ele, o modelo social-democrata adotado no Brasil durante os governos FHC e Lula havia levado o país a uma armadilha de baixo crescimento e, portanto, só seria possível voltar a ter um crescimento elevado se retirasse o Estado. Esse fundamento mais geral se desdobra em algumas outras hipóteses.

Na argumentação do Guedes está implícita uma visão muito antiga em economia, que foi descartada pelo Keynes em 1936, quando ele escreveu “A Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda”, que se chama a visão do Tesouro. Essa era a visão do Tesouro inglês no final da década de 1920 e início da década de 1930 sobre a possibilidade de usar o investimento público para tirar a economia britânica da grande depressão de 1929. Segundo a visão do Tesouro, toda vez que o governo aumentasse o seu investimento, isso iria reduzir na mesma magnitude e instantaneamente o investimento privado. Então, teria um efeito de deslocamento que faria com que, quando o governo aumentasse o investimento público, o investimento privado incidiria na mesma magnitude. Guedes tem este modelo na cabeça: ele acha que para aumentar o investimento privado, tem que reduzir o gasto público e é isso que está embasando, em termos mais gerais, a proposta dele.

IHU On-Line – O diagnóstico dele é correto ou não para enfrentar a atual situação econômica do país?

José Luis Oreiro – É completamente equivocado e ultrapassado. Primeiro, porque essa visão do Tesouro mostrou que, a não ser em casos excepcionais em que a economia está operando com pleno emprego da força de trabalho, o efeito de deslocamento, se ele existe, não é completo. O mesmo ocorre quando a economia está operando muito abaixo do pleno emprego, como é o caso da economia brasileira agora, que está operando com um hiato do produto de 5% – ou seja, o PIB está 5% abaixo do potencial. Temos um desemprego em sentido amplo, que envolve não só os que não estão trabalhando, mas aqueles que deixaram de procurar trabalho porque já desistiram e as pessoas que gostariam de trabalhar mais horas – isso representa aproximadamente 25% da força de trabalho. O Brasil está operando muito abaixo da força de trabalho e tem todo um espaço para estimular a economia por intermédio de investimento público. Esse diagnóstico de que o crescimento da economia é baixo porque o Estado está inchado, que é o argumento do Guedes, não se sustenta.

Numa das transparências (slides) da apresentação dele, que se chama “máquina que gasta muito”, ele fez uma conta de que em 2018 o governo brasileiro, nas suas três esferas, estaria gastando 49,2% do PIB. Mas essa conta está errada. O economista Sérgio Gobetti do Ipea, já mostrou que nessa conta existe um erro de dupla contagem por conta dos funcionários inativos da União, que são contabilizados duas vezes.

Outro erro é que adiciona os saques do FGTS como se fossem despesa pública e, além disso, considera os juros brutos e não os juros líquidos da dívida pública, pois o governo tem um determinado volume de dinheiro em caixa que também recebe juros. Então, ao serem feitas essas correções, a despesa cai para 41% do PIB, ou seja, um número muito menor do que aquele que o Paulo Guedes está mostrando. A justificativa que o Guedes apresenta para o seu plano emergencial é feita em cima de dados incorretos, ou seja, é aquilo que podemos chamar de contabilidade criativa.

IHU On-Line – As PECs propostas pelo governo indicam, de fato, uma redução da atuação do Estado? Pode nos dar alguns exemplos de como a proposta de redução do Estado se manifesta nessas propostas?

José Luis Oreiro – O primeiro exemplo são os “três Ds”: desindexaçãodesvinculação e desobrigação. No fundo, Guedes quer acabar com a distinção entre despesa obrigatória e despesa discricionária e desindexar as despesas públicas, porque muitas delas são indexadas à avaliação da inflação, como era o caso do salário mínimo – está na Constituição que ele tem que ser reajustado pelo menos pela inflação e existiu uma regra nos governos Lula e Dilma em que ele era reajustado segundo a inflação do ano anterior mais o crescimento do PIB de dois anos antes. O salário mínimo, por sua vez, indexa as despesas previdenciárias, ou seja, nenhum benefício previdenciário pode ser menor do que o salário mínimo. Então, ao desindexar o salário mínimo – e esse é um exemplo concreto do que pode acontecer caso a PEC seja aprovada, o que acho pouco provável –, corre-se o risco de ter uma situação na qual uma parte significativa dos benefícios previdenciários e de assistência social no Brasil não seja corrigida nem mesmo pela inflação. Isso, obviamente, vai aumentar a desigualdade de renda e a pobreza.

desvinculação é retirar a obrigatoriedade dos entes federativos de aplicarem até “x”% das suas receitas em saúde e educação. Isso também é algo que vai no sentido de reduzir o tamanho do Estado. No fundo, o que essas PECs estão querendo fazer é reduzir a dívida pública, dando calote não nos credores, mas em parte da sociedade, porque as PECs preveem, entre outras coisas, uma redução de até 25% do salário dos servidores públicos, permitem a desindexação de benefícios previdenciários e de assistência social à inflação. No fundo, é um pacote desenhado para atender aos interesses dos rentistas do Brasil. O governo vai sacrificar uma parte expressiva da população para garantir o pagamento de juros e das amortizações da dívida pública.

IHU On-Line – Especificamente sobre a fusão dos gastos obrigatórios com saúde e educação, tanto o governo quanto aqueles que são favoráveis à mudança afirmam que ela vai permitir uma maior flexibilidade para que os gestores possam utilizar esses recursos de acordo com as necessidades de cada estado ou município. Quais são suas ponderações sobre esse argumento?

José Luis Oreiro – Existe uma razão de ser dessas vinculações: por pior que sejam os serviços de educação e saúde no Brasil, eles são universais. Essa foi a maneira encontrada para transformar essas políticas em políticas de Estado e para não depender do político de plantão do momento. Até acho que é possível discutir se as alíquotas de saúde e educação são as adequadas. Dou um exemplo: o Brasil está passando por um processo de envelhecimento, e quando a população envelhece, a proporção de velhos aumenta e a proporção de jovens diminui. Desse modo, é razoável que em algum momento tenha que se ajustar a vinculação de gastos em saúde e educação a fim de reduzir a alíquota para a educação e aumentar para a saúde, porque basicamente quem tem problema de saúde são os velhos e quem precisa de educação são os jovens. Mas se, de fato, estamos vivendo uma transição demográfica em que o percentual de jovens vai diminuir nos próximos 20 anos, então é razoável que se ajustem os percentuais de receitas aplicados à saúde e à educação. Agora, deixar isso a critério do político de plantão, não acho correto.

IHU On-Line – Outro ponto que tem sido defendido pelo governo e por aqueles que são favoráveis ao pacote econômico é que ele permitirá o equilíbrio fiscal. Do ponto de vista fiscal, o pacote se sustenta ou não?

José Luis Oreiro – Do ponto de vista fiscal, estão adotando mais do mesmo. A ideia implícita de ajuste fiscal que vem desde o Joaquim Levy, passando pelo governo Temer e agora pelo governo Bolsonaro é que, para crescer, primeiro tem que cortar gastos. Primeiro, o Levy cortou pesadamente os gastos em investimentos e com isso aprofundou a recessão de 2014. Em 2016, o governo colocou o Teto dos Gastos que todo mundo sabia que era insustentável por conta dos gastos previdenciários que ainda vão crescer durante um tempo a 3% ao ano em termos reais. Em algum momento, isso levaria não só à necessidade da reforma da previdência, que acabou acontecendo, mas também à discussão sobre os gastos obrigatórios, particularmente os gastos com o funcionalismo público. Então, o que a PEC vai fazer é aprofundar esse modelo de ajuste fiscal, o qual vai aprofundar a crise, porque quando se cortam gastos se gera uma redução do PIB e isso ocasiona uma redução da arrecadação tributária. É como dar um tiro no próprio pé. Este modelo está equivocado.

Ajuste pela receita

Deveríamos pensar num ajuste fiscal que viesse pelo lado da receita: cobrar impostos dos mais ricos, particularmente, impostos de lucros e dividendos distribuídos, fazer uma reforma tributária que diminuísse o peso dos impostos indiretos e aumentasse o peso dos impostos diretos e sobre propriedade. No Brasil, os impostos sobre propriedade arrecadados pelos municípios são muito baixos. Em Brasília, onde estou morando, pago mais de Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores – IPVA do que de Imposto Predial e Territorial Urbano – IPTU, o que é um absurdo, porque o imóvel vale seis, sete vezes mais do que o valor do automóvel. Então, tem um espaço para municípios arrecadarem mais, aumentando o IPTU e o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR. Essa é a discussão que está sendo feita na Europa. Enquanto lá se discutem políticas via reformas tributárias para diminuir a desigualdade por meio da distribuição de renda, aqui estamos querendo desvincular gastos com saúde e educação, cortar os salários do funcionalismo público, como se o percentual do PIB no Brasil gasto com funcionalismo público fosse muito alto; não é.

Chile, por exemplo, gasta como proporção do PIB mais do que o Brasil: 4,7% do PIB, enquanto no Brasil é 4,5%. Nos EUA são gastos 10% do PIB com funcionalismo público. Então, existe um mito de que há um descontrole das contas públicas porque se gasta com funcionalismo público. Isso não é verdade. O descontrole das contas públicas se deu basicamente por causa da queda de receita tributária decorrente da crise de 2014 e 2016 e das desonerações feitas pela dona Dilma em 2012 e 2013.

IHU On-Line – Algum ponto do pacote pode ser positivo para o país?

José Luis Oreiro – Talvez a proposta dos fundos seja interessante, porque tem muito dinheiro parado em fundos, que não estão sendo utilizados. Outra coisa que achei interessante no pacote é o controle das isenções fiscais e subsídios. Não sou contra a desoneração tributária, mas isso tem que ser feito de forma muito criteriosa com base na análise de custo benefício, coisa que não foi feita, diga-se de passagem.

Sobre a PEC dos fundos públicos, segundo a apresentação do ministro, existem 220 bilhões de reais parados em 281 fundos públicos no Brasil. Seria interessante fazer um mapeamento desses fundos e ver quantos de fato não têm razão de ser e podem ser extintos para usar o dinheiro para abater a dívida pública. Essa é uma ideia bastante razoável. Mas aí não se trata de passar a régua e acabar com todos os fundos; tem que olhar caso a caso.

IHU On-Line – Tem algum outro ponto das PECs que precisaria ser reconsiderado, na sua avaliação?

José Luis Oreiro – A ideia de fazer um ajuste emergencial cortando salário dos servidores e serviços é uma maluquice do ponto de vista econômico e social. Do ponto de vista econômico, porque torna a política fiscal ainda mais pró-cíclica. Uma política fiscal pró-cíclica é aquela que vai na mesma direção do ciclo econômico: quando a economia entra em recessão, o governo arrecada menos e então ele pode reduzir os gastos com o funcionalismo em até 25%, o que vai reforçar a queda do produto em função da queda de demanda. Esse é um argumento econômico.

O argumento social é que se o governo vai reduzir o salário do servidor público, reduzindo jornada de trabalho, então o que ele vai fazer, por exemplo, com os professores? Vai reduzir a jornada de trabalho dos professores e eles vão dar menos aulas? Se é assim, então vai ter que haver menos alunos. Vai reduzir a jornada de trabalho dos médicos? Se reduzir a jornada dos médicos, terá que haver menos atendimentos médicos para a população. Vai reduzir a jornada de trabalho dos militares? O que vai se fazer com o Exército? As Forças Armadas deveriam ser, em termos dos servidores da União, aproximadamente 40% dos servidores. O governo vai reduzir em até 25% os salários dos militares, juízes, promotores? No fundo, o governo está dizendo que pode reduzir os serviços que o Estado presta à população. É isto que está nesta PEC: a ideia de que é possível reduzir o volume de serviços que o Estado brasileiro presta à população. Isso não faz o menor sentido.

 

 

O fim do Neoliberalismo e o nascimento da História, por Joseph Stiglitz.

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O declínio simultâneo da confiança no neoliberalismo e na democracia não é coincidência ou uma mera correlação. O neoliberalismo prejudica a democracia há 40 anos.

Jornal GGN

NOVA IORQUE – No final da Guerra Fria, o cientista político Francis Fukuyama escreveu um famoso ensaio chamado “The End of History?”. Ele argumentou que a queda do comunismo eliminaria o último obstáculo que separava o mundo inteiro do seu destino de democracia liberal e economia de mercado. Muita gente concordou.

Hoje, à medida que enfrentamos uma retirada da ordem global liberal baseada em regras, com governantes autocráticos e demagogos à frente de países que contêm bem mais da metade da população do mundo, a ideia de Fukuyama parece peculiar e ingénua. Mas reforçou a doutrina económica neoliberal que prevaleceu nos últimos 40 anos.

A credibilidade da fé do neoliberalismo em mercados desenfreados como sendo o caminho mais seguro para a prosperidade partilhada está na unidade dos cuidados intensivos nos dias de hoje. E com razão. O declínio simultâneo da confiança no neoliberalismo e na democracia não é coincidência ou uma mera correlação. O neoliberalismo prejudica a democracia há 40 anos.

A forma de globalização prescrita pelo neoliberalismo deixou indivíduos e sociedades inteiras incapazes de controlar uma parte importante de seu próprio destino, tal como Dani Rodrik da Universidade de Harvard explicou de forma tão clara e tal como afirmo nos meus recentes livros Globalization and Its Discontents Revisited People, Power, and Profits. Os efeitos da liberalização do mercado de capitais foram particularmente odiosos: se o principal candidato à presidência num mercado emergente “perdesse a graça” em Wall Street, os bancos retirariam o seu dinheiro do país. Os eleitores enfrentavam então uma escolha dolorosa: ceder a Wall Street ou enfrentar uma grave crise financeira. Era como se Wall Street tivesse mais poder político do que os cidadãos do país.

Mesmo nos países ricos, era dito aos cidadãos comuns: “Vocês não podem defender as políticas que desejam” – fosse ela a proteção social adequada, os salários decentes, a tributação progressiva ou um sistema financeiro bem regulamentado – “porque o país perderá competitividade, os empregos desaparecerão e vocês sofrerão”.

Tanto nos países ricos como nos pobres, as elites prometeram que as políticas neoliberais levariam a um crescimento económico mais rápido e que os benefícios iriam ser repartidos para que todos, inclusive os mais pobres, ficassem em melhor situação. Para se chegar a esse patamar, os trabalhadores teriam, contudo, de aceitar salários mais baixos e todos os cidadãos teriam de aceitar cortes em importantes programas governamentais.

As elites alegaram que as suas promessas eram baseadas em modelos económicos científicos e na “investigação com base em provas”. Bem, após 40 anos, os números estão aí: o crescimento diminuiu e os frutos desse crescimento foram na sua esmagadora maioria para um punhado que está no topo. À medida que os salários estagnavam e o mercado de ações subia, o rendimento e a riqueza espalhavam-se para os mais ricos, em vez de se espalharem para os mais pobres.

Como é que a restrição salarial – para alcançar ou manter a competitividade – e a redução dos programas governamentais podem resultar em padrões de vida mais elevados? Os cidadãos comuns sentiram como se lhes tivessem vendido uma lista de artigos. Estavam certos em sentirem-se enganados.

Agora estamos a enfrentar as consequências políticas deste grande artifício: desconfiança das elites, da “ciência” económica em que se baseava o neoliberalismo e do sistema político corrompido pelo dinheiro que tornou tudo isso possível.

A verdade é que, apesar do nome, a era do neoliberalismo estava longe de ser liberal. Impôs uma ortodoxia intelectual cujos guardiães eram totalmente intolerantes à dissidência. Os economistas com perspetivas heterodoxas eram tratados como hereges a ser evitados ou, na melhor das hipóteses, desviados para algumas instituições isoladas. O neoliberalismo continha poucas semelhanças com a “sociedade aberta” que Karl Popper defendia. Tal como George Soros enfatizou, Popper reconheceu que a nossa sociedade é um sistema complexo e em constante evolução, no qual quanto mais aprendemos, mais o nosso conhecimento muda o comportamento do sistema.

Em nenhum lugar essa intolerância foi maior do que na macroeconomia, onde os modelos predominantes descartaram a possibilidade de uma crise como a que vivemos em 2008. Quando o impossível aconteceu, foi tratado como se fosse uma inundação em 500 anos – um fenómeno insólito que nenhum modelo poderia ter previsto. Ainda hoje, os defensores dessas teorias recusam-se a aceitar que a sua crença nos mercados autorregulados e a sua rejeição de externalidades como inexistentes ou sem importância levaram à desregulamentação que foi essencial para alimentar a crise. A teoria continua a sobreviver, com tentativas ptolomaicas de ajustá-las aos factos, o que atesta a realidade de que as más ideias, uma vez estabelecidas, geralmente têm uma morte lenta.

Se a crise financeira de 2008 não conseguiu fazer-nos perceber que os mercados sem restrições não funcionam, a crise climática certamente deveria conseguir: o neoliberalismo acabará literalmente com a nossa civilização. Mas também está claro que os demagogos que querem que viremos as costas à ciência e à tolerância só pioram as coisas.

O único caminho a seguir, o único para salvar o nosso planeta e a nossa civilização, é um renascimento da história. Temos de revitalizar o Século das Luzes e reafirmar o nosso compromisso de horar os seus valores de liberdade, respeito pelo conhecimento e democracia.

Joseph E. Stiglitz, University Professor at Columbia University.