Racionalidade econômica, Liberalismo e Reformas do Estado Nacional  

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Muito se discute na sociedade brasileira as medidas que estão sendo propostas pelo governo com o intuito de tirar a economia da letargia e iniciar um novo ciclo de crescimento econômico, deixando para trás um período de caos e degradação da estrutura produtiva, marcado pelo incremento do desemprego, redução na renda e no salário agregados e uma piora considerável nos indicadores macroeconômicos, como juros, inflação e investimentos.

Nesta discussão encontramos uma miríade imensa de visões e pensamentos econômicos se alternando com o intuito de defender ou de criticar as medidas e as propostas que embalam o atual governo, muitas opiniões estão baseadas em um achismo que nos parece estrutural, onde os liberais defendem uma redução sistemática do Estado como forma de encontrarmos o crescimento da economia e, de outro lado, os grupos de economistas e pensadores da heterodoxia, ou algo parecido com o pensamento descrito como de esquerda, onde este último detona as medidas e destaca sua ineficiência, um embate infantil e muito mais ideológico e partidário do que científico e racionalizado.

Neste debate marcado por muita desinformação e desconhecimento, encontramos equívocos de ambos os lados, uns acreditando que os grandes e estruturais problemas nacionais não serão resolvidos sem uma participação ativa do Estado Nacional, enquanto de outro lado, encontramos teóricos acreditando que o mercado será o grande condutor da economia, o responsável pelos investimentos e pela condução da sociedade, visões antagônicas baseadas em ideologias e pouco centrada em racionalidade econômica e em experiências práticas, isto porque ambos os modelos não passam de experiências teóricas e experimentais, nenhuma delas existe no mundo real, este sim baseado em grandes organizações que dominam o mercado e controlam os governos nacionais, muitas vezes fragilizando-os e colocando em xeque o sistema democrático.

Os grupos à esquerda querem nos fazer crer, que os desequilíbrios econômicos recentes foram inteiramente gerados pelos governos posteriores, julgam ser os donos da verdade, os grandes defensores da população brasileira mais humilde e terem as formas para melhorar as condições e os indicadores macroeconômicos e os desequilíbrios sociais e políticos, mais Estado e incremento nos investimentos governamentais, sem estas medidas o país tende a chafurdar na lama da degradação econômica.

Depois de um período de forte crescimento econômico e grandes investimentos nos chamados campeões nacionais, a herança deixada por governos descritos como de esquerda são bastante controversos em toda região, crescimento econômico acelerado num primeiro momento com fortes repasses para todos os grupos sociais, gerando um grande contingente de ganhadores, euforia e uma suposta exuberância, numa equação que, claramente, não se sustentaria num período de tempo maior, obrigando os governos a escolhas complexas que impactariam sobre a popularidade, levando muitos governantes a optarem por políticas populistas com repasses financeiros elevados e endividamento num futuro próximo. Os grupos de esquerda brasileiros se esquecem facilmente de que, na crise atual vivida pela sociedade brasileira o DNA esquerdista se faz presente de forma evidente, foram políticas públicas generalizadas para os grupos mais vulneráveis e políticas de isenção fiscal para os mais aquinhoados que levaram o país a esta degradação econômica, nos momentos de abundância os gastos foram excessivos e a prudência, fundamental na gestão pública e na iniciativa privada, foram deixadas de lado, com isso, o endividamento público cresceu e a atividade econômica se degradou, levando o país a uma recessão sem precedentes em décadas recentes, com mais de 28 milhões de trabalhadores desempregados, subempregados e na informalidade, além de uma quebradeira generalizada em empresas privadas, desde micro, pequenas, médias e grandes conglomerados.

De outro lado encontramos governos imbuídos de pensamentos descritos como liberais, defendem firmemente políticas de abertura econômica, menos intervencionismo estatal, privatização e uma forte desregulamentação do sistema produtivo, reduzindo benefícios trabalhistas e estimulando um empreendedorismo que nunca fez parte do ideário social brasileiro, nesta visão o Estado é o grande responsável pelo caos econômico e a suposta esquerda é comparada a um comunismo que nunca se instalou com ênfase da sociedade brasileira, discurso confuso, elitista e altamente ideologizado.

Neste embate poucos estão preocupados com os reais problemas da sociedade brasileira, restringem a discussão a questões apenas de ordem econômica, nos discursos defendem que primeiro precisamos arrumar os indicadores destruídos pelos governos de esquerda e depois vamos criar as bases para um crescimento sólido e consistente, elevando a economia brasileira a um novo patamar com investimentos externos crescentes e Bolsas de Valores batendo recordes de exuberância, enquanto isto o lado real da economia, o lado do emprego e da sobrevivência vai ficando para segundo plano, afinal a prioridade é a economia.

Reduzir o tamanho do Estado é uma necessidade urgente e imediata, olhar para os indicadores de solidez fiscal é fundamental, aumentar a produtividade da economia é condição sine qua non para alcançarmos um melhor patamar nesta economia globalizada, altamente oligopolizada, dominada pelas finanças e centrada em novas tecnologias disruptivas e revolucionárias, onde os menos adaptados tendem a se frustrar em um futuro imediato, sem emprego, sem Estado e sem perspectivas. Neste ambiente de conflitos econômicos e desafios crescentes, os grupos políticos precisam se conscientizar, que todos os países que conseguiram se tornar desenvolvidos e deixar para trás a armadilha da renda média o fizeram com uma forte e consistente parceria entre os governos de plantão e os setores empresariais e de mercado, o desenvolvimento é fruto desta união destes agentes econômicos e produtivos, superar esta dicotomia é urgente e extremamente necessário para retomarmos os rumos que perdemos desde as crises externas dos anos oitenta.

Neste momento estamos tomando contato com reformas importantes para a retomada do crescimento econômico, depois da exitosa Reforma da Previdência, outras medidas urgentes estão entrando na pauta do governo, dentre elas destacamos as reformas Tributária, Administrativa e do Estado Nacional, todas elas essenciais para reencontrarmos o crescimento econômico, sem elas a bancarrota total estará cada dia mais próxima e seus impactos serão mais ameaçadores, com fortes tendências de sublevação social, como estamos visualizando em várias regiões do mundo, desde os vizinhos Chile, Bolívia e Peru, até sociedades consideradas mais desenvolvidas, como Hong Kong e Barcelona.

Reformar o Estado Nacional é um dos maiores desafios dos governos, neste momento o Ministro da Economia, Paulo Guedes, enviou para apreciação dos congressistas, algumas medidas que se forem adotadas tendem a revolucionar os órgão públicas, desde transformações efetivas no funcionalismo público, com flexibilização da estabilidade até redução de salário em momentos de crise econômica, além de medidas concretas para reduzir o número excessivo de municípios no país, muitos deles criados em momentos de euforia financeira, com pouco ou nenhuma sustentação econômica e produtiva, transformando-os em mais espaço para gastos públicos exagerados e poucos resultados efetivos para a população, degradando ainda mais os serviços prestados por este ente federativo.

Muitas destas propostas são vistas como importantes e imprescindíveis para estimular a solidez fiscal do Estado Brasileiro, embora muitas delas sejam vistas como ambiciosas, acreditamos que estas só seriam propostas por governos mais sintonizados com o pensamento da direita, isto porque afetam diretamente grupos políticos fortemente atrelados ao pensamento da esquerda, embora ambiciosas estas medidas são importantes e devem suscitar o debate sobre qual país queremos e imaginamos para um futuro imediato.

Em um ambiente de grandes instabilidades, fazem-se necessário a adoção de inúmeras medidas de impacto, dentre elas, destacamos uma forte reversão de muitas isenções fiscais e tributárias, calculadas em mais de 330 bilhões de reais, que beneficiam grandes grupos organizados que extraem do Estado Nacional altas somas de recursos públicos para suas próprias benesses, levando o governo a fortes desequilíbrios em suas contas, com isso, os serviços públicos se degradam rapidamente e os mais prejudicados são as classes menos favorecidas que mais utilizam os serviços públicos. Mudar esta equação insana não deve ser uma tarefa para um ou outro grupo político, mas para todos aqueles que pensam a sociedade brasileira e vislumbram um futuro mais consistente, com serviços públicos melhores, mais eficientes e contas públicas equilibradas.

Vivemos em um país dual, com realidades contraditórias e crescentes, de um lado estamos discutindo sobre os desafios da Quarta Revolução Industrial, estimulando as start-up, propondo práticas educativas empreendedoras e inovadoras, debatendo sobre desafios dos recursos humanos, da inteligência artificial, da internet das coisas e da qualificação para o século XXI e, ao mesmo tempo, nos encontramos um país marcado por um contingente de 100 milhões de casa sem saneamento básico, onde crianças e jovens crescem com esgoto a céu aberto, sujeito a doenças primárias e alimentação precária, vivemos em duas ou mais sociedade, uma no século atual enquanto outra se rasteja nas trevas da degradação, da marginalidade e na corrupção generalizadas.

As transformações da sociedade mundial estão num ritmo muito acelerado, os governos devem adotar políticas efetivas e atuam mais na regulação, consolidando as instituições e capacitando a mão de obra, fortalecendo as empresas nacionais e investindo recursos em pesquisa, ciência e tecnologia, todas estas ações devem ser concatenadas com a iniciativa privada visando uma melhora na produtividade da economia e uma maior empregabilidade dos trabalhadores nacionais, deixando de lado o Estado gigante, lento e ineficiente, marcado pelo excesso de atribuições econômicas e caracterizado por serviços públicos de péssima qualidade, a economia do século XXI se caracteriza pelo conhecimento e pela inovação, estamos muito atrasados mas temos, internamente, as energias necessárias para nos consolidarmos como um dos eixos deste sistema global de inovações e conhecimento, desde que nos libertemos de uma visão medíocre e patrimonialista que está na raiz da sociedade brasileira. A Reforma do Estado é fundamental e deve ser feita de uma forma efetiva e abrangente, mas não podemos deixar que os esforços destas reformas recaiam apenas sobre os trabalhadores das classes sociais mais aviltadas e degradadas, a reforma deve ser feita e todos os grupos sociais, tantos os mais aquinhoados e a classe média, devem dar seu quinhão de contribuição para a melhoria do Estado e para o desenvolvimento inclusivo e estruturado da sociedade brasileira.

Privacidade, Sigilo, Intimidade, Laços Humanos – e Outras Perdas Colaterais da Modernidade Líquida – Zygmunt Bauman

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Alain Ehrenberg, analista particularmente inspirado da ainda curta – mas já dramática – história do indivíduo moderno, tentou apontar a data de nascimento da revolução cultural do modernismo tardio (ao menos de sua ramificação francesa) que deu origem ao mundo da modernidade líquida que ainda habitamos, elaboramos e reformulamos dia após dia.

Ehrenberg escolheu uma tarde outonal de quarta-feira nos anos 1980, quando uma certa Vivienne, uma “mulher francesa comum”, declarou em um programa de entrevistas na televisão, diante de alguns milhões de espectadores, que seu marido Michel sofria de ejaculação precoce, razão pela qual ela jamais havia experimentado um orgasmo durante toda a sua vida de casada.

O que havia de tão revolucionário no pronunciamento de Vivienne que justificasse a escolha de Ehrenberg?

Dois aspectos reciprocamente interligados: primeiro, algo quintessencialmente, até etimologicamente privado era tornado público – ou seja, era dito diante de todos que desejassem ouvir, ou ouvissem por acaso.

Segundo, a arena pública, ou seja, um espaço aberto de acesso não controlado, foi utilizado para discutir e dar vazão a um assunto de relevância, pertinência e emoção inteiramente privadas.

Juntas, essas duas reviravoltas legitimaram o uso público de uma linguagem desenvolvida para conversas privadas e mantidas entre um número restrito de pessoas selecionadas.

Mais precisamente, essas duas novidades interconectadas deram início à mobilização em público – para o consumo e uso de audiências públicas – de um vocabulário desenvolvido a fim de narrar experiências subjetivas e vivenciadas em privado (Erlebnisse, em oposição a Erfahrungen).

Conforme os anos se passaram, no entanto, ficou claro que o verdadeiro significado daquele evento havia sido a obliteração dá até então sacramentada divisão entre as esferas “pública” e “privada” da vida humana corpórea e espiritual.

Ao observamos o episódio em retrospecto, com todas as vantagens que a perspectiva nos proporciona, é possível dizer que a aparição de Vivienne diante de milhões de homens e mulheres franceses colados às telas de suas televisões também introduziu aos espectadores – e, através deles, todos os seus entes queridos e estimados e, por fim, o resto de nós – em uma sociedade confessional.

Trata-se de um tipo de sociedade até então inaudito e inconcebível, em que microfones foram instalados dentro de confessionários, cofres eponímicos e depositários dos segredos mais secretos, do tipo de segredos que só seriam revelados a Deus ou a seus mensageiros terrenos e plenipotenciários.

É uma sociedade em que alto-falantes conectados a esses microfones foram colocados em praças públicas, locais antes voltados para a vazão e ostentação de questões do comum, de interesses, preocupações e urgências compartilhados.

E assim a origem da sociedade confessional foi o momento do triunfo final da privacidade, que havia sido a invenção primordial da modernidade – mas também o início de sua queda vertiginosa a partir do ápice de sua glória.

A hora de sua vitória (pois é isso que foi) pírrica: a privacidade invadiu, conquistou e colonizou o âmbito público às custas da perda de sua autonomia – seu traço definidor, e também seu privilégio mais estimado e ferrenhamente defendido.

Mas, para melhor compreendermos as reviravoltas atuais desse enredo, vamos começar do começo.

O que é “privado”? Qualquer coisa que pertença ao âmbito da “privacidade”.

Para descobrir o que se entende por “privacidade” em nossos dias, contudo, vamos visitar a Wikipedia, site conhecido por buscar e registrar de forma ágil e diligente o que a sabedoria popular acredita/aceita que seja a verdade a respeito de uma questão, seja essa verdade qual for, e por atualizar suas descobertas dia sim, dia não, seguindo assim a uma curta distância seus alvos, conhecidos por correrem mais depressa até mesmo do que os seus perseguidores mais dedicados.

Como era possível ler na versão de língua inglesa da Wikipedia em 14 de julho de 2010, a privacidade é a capacidade de um indivíduo ou de um grupo de isolarem a si próprios ou informações a seu respeito e, assim, revelarem-se de forma seletiva… Às vezes, a privacidade é associada ao anonimato, o desejo de passar desapercebido ou sem ser identificado no âmbito público.

Quando algo é privado para uma pessoa, isso geralmente significa que há algo dentro delas considerado especial por natureza, ou sensível do ponto de vista pessoal… A privacidade pode ser vista como um aspecto da segurança, em que a interação entre os interesses de um grupo e de outro se tornam especialmente claros.

E o que é, por outro lado, a “arena pública”? Um espaço com acesso livre para qualquer um que nele deseje ingressar.

Tudo o que pode ser ouvido ou visto em uma “arena pública” pode, por princípio, ser ouvido ou visto por qualquer pessoa. Levando em conta que (para citarmos novamente a Wikipedia) “o grau em que se expõem informações privadas depende de como o público receberá essa informação, algo que varia conforme o local e ao longo do tempo”, manter um pensamento, um evento ou um ato privado ou torná-los público são, por óbvio, ações tão contraditórias quanto – em razão do limite móvel que os separa e conecta – interdependentes.

Os âmbitos do “público” e do “privado” tendem a estar sempre em pé de guerra, assim como as leis e normas de decência que se vinculam dentro desses âmbitos. Para cada um desses dois âmbitos, o ato de se autodefinir e autoafirmar é executado em oposição ao outro âmbito.

De regra, os campos semânticos dessas duas noções não estão separados por limites que permitam ou incentivem o tráfego de duas mãos, e sim por linhas de frente – de preferência, intransponíveis e fortificadas de ambos os lados da fronteira, a fim de deter os invasores e vira-casacas que costumam se instalar junto às barricadas, mas, sobretudo, os desertores que tentam fugir do seu próprio lado.

Mas, de regra, mesmo antes que seja declarada uma guerra e que ações belicosas tenham lugar (ou no caos em que há uma trégua), essas fronteiras toleram apenas um tráfego seletivo, pois o tráfego livre desafiaria a própria noção de linha divisória, assim tornada redundante.

O controle e o direito a decidir quem ou o que tem permissão para ultrapassar essa linha e de quem ou o que está destinado a ficar apenas de um lado, assim como o direito de decidir que itens de informação têm a prerrogativa de permanecerem privados e quais são autorizados, induzidos ou obrigados a se tornarem públicos é, de regra, alvo de disputa ferrenha.

Durante a maior parte da era moderna, temia-se e esperava-se que o ataque à atual fronteira entre público e privado e, ainda mais importante, a revogação unívoca e a mudança arbitrária das regras existentes para o trânsito na fronteira viessem exclusivamente do lado “público”.

Havia uma forte desconfiança de que as instituições públicas pretendiam invadir e conquistar a esfera do privado e subjugá-la, assim reduzindo severamente o âmbito do livre-arbítrio individual ou de grupo, privando indivíduos ou grupos humanos de abrigo e, por consequência, da segurança pessoal ou grupal.

Os demônios mais sinistros e atormentadores que assombraram a “modernidade sólida” foram retratados por George Orwell de forma sucinta, mas ainda assim vívida, através de sua imagem recorrente da bota que pisoteia um rosto humano.

De forma algo inconsistente, mas não infundada, suspeitava-se que as instituições públicas tinham propósitos insidiosos, ou que malignamente erguiam barricadas para impedir que muitas preocupações privadas tivessem acesso à ágora ou a outros locais de livre circulação de informações – locais onde era possível negociar a transplantação de problemas particulares ao nível das questões públicas.

Por óbvio, o histórico igualmente abominável de duas variações do totalitarismo típicas do século XX, semelhantes em sua ganância e crueldade (que, como se quisessem somar ao desespero a falta de perspectivas, pareciam ter exaurido entre elas todo o espectro das escolhas imagináveis.

Enquanto uma dessas variantes reivindicava o legado do Iluminismo e de seu projeto moderno, a outra vituperava esse ato fundacional da modernidade como um triste equívoco, ou mesmo um crime, rejeitando o projeto moderno por considerá-lo uma receita para o desastre), conferiram veracidade a essas suspeitas, e também uma justificativa para a ansiedade que delas emanava.

A esperança de satisfazer as demandas de autoafirmação individual e construção comunitária e, ao mesmo tempo, desarticular o conflito entre a autonomia e o pertencimento foi investida em tempos recentes nas tecnologias de ponta conhecidas por facilitarem de forma espantosa o contato e a comunicação entre humanos.

Por outro lado, a frustração da esperança investida nesse processo vem ganhando força e se difundindo.

Para terem uma chance de sequer serem notadas, as mensagens eletrônicas tendem a ser abreviadas e simplificadas de modo a entregar todo o seu conteúdo antes que a atenção seja interrompida e se desloque para outro lugar – necessidade que as torna completamente inadequadas para a transmissão de ideias profundas, que exigem reflexão e contemplação para que sejam absorvidas.

A tendência de abreviar e simplificar mensagens, de torná-las cada vez mais superficiais e, assim, ainda mais favoráveis à deriva, marcou desde o início a breve mas tempestuosa história da Rede Mundial de Computadores.

Partimos de cartas elaboradas e atenciosas para os e-mails, e deles às ainda mais abreviadas e simplificadas mensagens de celular, até enfim chegarmos aos “tweets” que não admitem mais que 140 caracteres [1].

Se aplicarmos o princípio darwinista de “sobrevivência do mais apto” ao mundo eletrônico, a informação com maior chance de capturar a atenção humana seria aquela mais breve, mais superficial e menos carregada de sentidos: frases ao invés de argumentos elaborados, palavras avulsas ao invés de frases, fragmentos de gravações sonoras ao invés de palavras.

O preço que todos pagamos por termos mais informação “disponível” é o encolhimento do significado de seu conteúdo; o preço de sua pronta-entrega é a redução radical de sua significância.

A outra ambivalência endêmica à nova tecnologia da informação, intimamente interligada à anterior, é a imensa facilidade de se construir comunidades, que vem em conjunto com a facilidade igualmente imensa de desmantelá-las.

Usuários do Facebook se gabam de estabelecerem quinhentas “novas amizades” em um dia – mais do que consegui ao longo de uma vida de oitenta e cinco anos. Mas isso não revela que, quando falamos de “amigos”, temos em mente tipos bem diferentes de relação?

Diferentemente da formação para o qual o termo “comunidade” (ou, se assim quisermos, qualquer outro conceito que se refira ao lado público da existência humana, a “totalidade” das associações humanas) foi originalmente cunhado, as “comunidades” da Internet não são pensadas para durar, e muito menos para se equipararem à sua duração no tempo.

É fácil se juntar a elas, mas também é fácil deixá-las ou abandoná-las no exato instante em que a atenção, as simpatias e antipatias e os humores e modismos se bandearem para outro lado, ou no momento em que o tédio gerado por “mais do mesmo, sempre o mesmo” vier à tona e fizer com que o estado atual das coisas pareça monótono e pouco apetitoso, como cedo ou tarde há de acontecer sempre em uma vida e em um mundo bombardeados o tempo todo por ofertas novas (e cada vez mais tentadoras e sedutoras).

As comunidades da Internet (recentemente denominadas de forma mais precisa como “redes de contato”) são construídas e dissolvidas, ampliadas ou reduzidas pelas ações múltiplas oriundas de decisões/impulsos individuais de “se conectar” e “se desconectar”.

Elas são, portanto, eminentemente intercambiáveis, frágeis e irremediavelmente meióticas. É por esse exato motivo que muitas pessoas criadas no cenário líquido-moderno atual comemoram sua chegada e preferem-nas às comunidades “à moda antiga”, lembradas por monitorarem a conduta diária de seus membros e mantê-los em rédeas curtas, combatendo qualquer sinal de deslealdade ou até mesmo contravenções ínfimas, e fazendo com que mudar de ideia ou deixar essa comunidade tivesse um custo exorbitante ou fosse mesmo impossível.

É justamente seu estado perpétuo de transitoriedade, sua assumida natureza temporária, porque sempre provisória, sua não exigência de qualquer compromisso de longo prazo (e muito menos de caráter incondicional) ou de lealdade única e disciplina rígida que as tornam tão atraentes para muitas pessoas.

Em resumo: podemos deduzir que, para fazer da liberdade individual algo genuíno, devemos fortalecer – e não enfraquecer – os laços de solidariedade inter-humana.

O comprometimento de longo prazo gerado por uma solidariedade sólida pode ser visto como uma espécie de bênção, mas o mesmo vale para a ausência de comprometimento que torna a solidariedade desinibida e pouco confiável.

A privacidade e o público coexistem em uma relação repleta de som e fúria.

Ainda assim, se os dois não estiverem presentes, a proximidade humana se torna tão inconcebível quanto a água sem a presença simultânea do hidrogênio e do oxigênio.

Cada um desses parceiros precisa do outro para atingir sua inteireza; nesse tipo de coexistência, os atritos de uma guerra seria o suicídio de ambos.

Hoje, como no passado e no futuro, o autocuidado e o cuidado pelo outro apontam para a mesma direção e recomendam a mesma estratégia e a mesma filosofia de vida. Por isso, é improvável que a busca por uma trégua – ou o som e a fúria – chegue ao fim.

[1] Hoje, diferentemente do que ocorria à época em que este artigo foi escrito, a rede social Twitter permite até 280 caracteres por mensagem. (N.T.)

“Há uma crise de confiança nos políticos e nas empresas” diz Eric Ries

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Revista Época Negócios – 31 de Outubro de 2019.

Para o criador da teoria da startup enxuta, quem vai mudar essa situação é uma nova geração de empreendedores que se preocupam com a inclusão, a sustentabilidade e o futuro da humanidade.

Considerado um dos maiores gurus do empreendedorismo, Eric Ries se tornou uma lenda ao criar a teoria da Lean Startup, ou Startup Enxuta, em 2011. É dele a regra sagrada seguida por 10 em cada 10 empreendedores: crie um produto minimamente viável, teste, mude, teste de novo, até chegar em um produto inovador e, ao mesmo tempo, capaz de conquistar o mercado. E, quando tiver conseguido, faça tudo de novo.

A metodologia foi explicada generosamente pelo autor no best-seller A Startup Enxuta, que vendeu mais de 1 milhão de cópias em todo o mundo. Mais recentemente, em 2017, Ries repetiu a dose com O Estilo Startup, onde defende que todas as empresas devem adotar a mentalidade de uma startup. “Pense como uma startup ou morra” é um de seus mantras – segundo ele, essa é a única maneira de sobreviver em um mundo cheio de incertezas.

De volta ao Brasil – ele esteve aqui pela primeira vez em 2015 – para uma palestra no HSM Expo 2019 (no dia 4 de novembro), Eric falou com exclusividade à Época NEGÓCIOS. “Minha lembrança mais marcante do Brasil é a energia dos empreendedores que conheci. Mais tarde, também me encontrei com vários brasileiros que moram no Vale do Silício. São sempre eles que mais me procuram depois dos eventos”, diz. Confira a seguir os principais trechos da conversa.

Faz dois anos que você lançou O Estilo Startup. Na época, dizia que, para sobreviver às incertezas, era preciso pensar como uma startup. Tenho a impressão de que o mundo ficou ainda mais maluco de lá para cá.
Sim, eu acho que você tem razão (risos). Com todos os conflitos políticos e comerciais acontecendo no mundo hoje, a incerteza nunca foi tão forte. O que eu percebo nesse momento é que existe uma enorme crise de confiança. As pessoas não confiam mais nos políticos, e boa parte delas desconfiam também das grandes empresas. Quer dizer, houve um tempo em que as pessoas colocavam suas esperanças nas grandes companhias de tecnologia. Acreditava-se que elas estavam fazendo coisas importantes, que iriam mudar o mundo. Mas essa sensação também já ficou para trás.

Apesar de tudo isso, estou otimista em relação ao futuro. Em meio ao caos, você vê dezenas de startups surgindo, e essas empresas têm um jeito diferente de pensar. Elas estão preocupadas com o longo prazo, com o futuro da humanidade, com o que é preciso fazer para deixar a sociedade mais inclusiva e sustentável. Seu propósito é muito forte, então não vão cometer os mesmos erros que seus antecessores. Então eu acredito que essa nova geração vai mudar esse cenário, e as pessoas vão voltar a acreditar nas empresas, e em seu poder para melhorar as coisas.

No cenário atual, você ainda defende que as grandes companhias pensem e ajam como uma startup?
Acho que nunca foi tão importante pensar como uma startup. Mas, desde que lancei o livro, vejo muitas companhias tentando fazer a mudança e fracassando. Algumas delas até acreditam que estão no caminho certo, mas não chegaram nem perto. Recentemente, conversei com o CEO de uma grande empresa, e ele estava orgulhoso, dizendo que havia ensinado a teoria da Startup Enxuta para 6 mil funcionários. Perguntei o quanto isso representava em termos de porcentagem, e ele respondeu que era 10% dos funcionários. Bom, isso é muito pouco. Eles nunca vão conseguir mudar desse jeito. Para grandes corporações, pode levar anos e anos até que realmente consigam fazer a transformação.

Já conversei com vários CEOs sobre as dificuldades em adotar novas metodologias, como lean startup ou agile. A maioria me diz que o mais difícil é transformar a cultura da empresa. Você concorda?
Essa também é a minha experiência. Mudar a cultura corporativa é sempre a parte mais difícil. Você não pode eliminar de uma hora para outra algo que vem sendo acumulado ao longo dos anos, e está gravado na mente de todos os funcionários. Não basta chegar para eles e dizer: “Agora, mude!”. Não funciona assim. É um processo longo, difícil e doloroso. E a maioria das companhias não está realmente disposta a passar por isso. E, mesmo quando estão dispostas, é realmente difícil. Mesmo que estejam fazendo tudo certo, pode levar alguns anos para chegar lá. Mas eu acredito que a nova geração de empreendedores vai fazer as coisas diferentes desde o começo. E é por isso que, no caso delas, vai dar certo.

Se você tivesse que dizer a um CEO qual a mudança mais importante para implantar na companhia, o que diria?
O mais importante é aprender a organizar em pequenos times autônomos. Comece com um time, que combine diferentes tipos de talentos e expertises. E daí deixe eles à vontade para experimentarem novas ideias, produtos ou serviços para a empresa. Juntos, eles chegarão a um protótipo que possa ser testado no mercado. E vão poder testar esse produto com muito mais rapidez do que a empresa faria. Nesse momento, você vai perceber como uma startup funciona, e como o processo é mais ágil e eficiente. Então esse é um bom começo.

Outro ponto importante é mudar a mentalidade da empresa. O problema é que são muitos participantes: você tem que transformar as mentes de funcionários, gerentes, fornecedores e investidores. No caso dos investidores, costuma ser muito difícil. Eles não entendem por que vão ter que esperar mais pelo retorno do seu investimento, que é o que acontece para quem adota o Estilo Startup. Eles não querem saber isso. Se a empresa tiver recursos próprios para inovar, pode tentar contornar esse problema. Mas, se quiser inovar continuamente, vai ter que trabalhar com investidores, não tem jeito.

Você já disse que o corporate venture mata as startups. Ainda acredita nisso? Ou há casos em que esse tipo de parceria funciona?
Eu acredito que o corporate venture é muito ruim para as startups, sim. É uma pena que tanta gente ainda insista nesse modelo. Eu diria para os CEOs que esse é o jeito mais preguiçoso de tentar inovar: pedindo a alguém de fora que tenha as ideias, ou então criando programas para encontrar quem já está inovando. Até que um CEO crie uma startup dentro da própria empresa, até que tenha essa referência, ele não vai entender como funciona uma startup. E, sem saber disso, não vai conseguir organizar um bom programa de startups. Não vai saber o que está procurando, nem como achar. A mudança tem que partir de dentro da empresa.

Seu empreendimento mais recente é a Long-Term Stock Exchange, uma nova bolsa de valores para o mercado americano. A proposta da LTSE foi aprovada em maio pela Comissão de Valores Mobiliários dos EUA. Quais são os próximos passos?
Ainda há mais algumas fases a percorrer, mas queremos começar a atuar no final deste ano. Eu acredito que as pessoas estão subestimando o impacto que essa iniciativa pode ter. Nossa ideia é criar um novo tipo de bolsa de valores, uma plataforma que recompense investimentos e estratégias de negócios com foco no longo prazo [pelas regras do LTSE, quanto mais tempo ficar com suas ações, mais poder de voto os acionistas terão]. Dessa maneira, as empresas não precisaram buscar o retorno imediato, e terão mais incentivo para inovar.

 

O Brasil não tem pobres, apenas empreendedores que precisam de tempo

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Esther Solano – Carta Capital – Outubro 2019

No neoliberalismo, o sucesso e o fracasso são despolitizados. Tudo se resume ao mérito ou culpa do indivíduo

Saía de casa para visitar, com meus alunos, o Centro de Memória Sindical em São Paulo, quando se atravessou a vida com seus paradoxos. No primeiro semáforo depois de sair de casa, um homem vendia cinco panos por 10 reais, caminhando entre os carros. O vendedor devia ter uns 50 anos, visivelmente empobrecido, visivelmente cansado e visivelmente triste. Ainda mais triste que o olhar do homem que vendia panos eram as palavras escritas num cartaz que ele levantava com uma mão: “Sou empreendedor, só preciso de tempo”. Senti um nó na garganta e no estômago quando li essas palavras, por causa da violência tão monstruosa que elas escondiam. Ele, cujo negócio se resumia a cinco panos por 10 reais, não era pobre, era empreendedor.

O neoliberalismo, ainda mais em um país periférico como o Brasil, aniquila. Isso sabemos muito bem. Mas aniquila com maestria, com um virtuosismo de cair o queixo. A racionalidade neoliberal penetra as mentes, adentra-se pelos corações até invadir tudo. A racionalidade neoliberal constrói-se em uma lógica perversa do sujeito do desempenho, o empreendedor de si mesmo, o homem batalhador. Como consequência, a vida despolitiza-se. A conquista é produto unicamente de nosso trabalho e de nosso esforço. Ao longo destes anos, nas minhas entrevistas com conservadores brasileiros de classes populares ouvi coisas do tipo “eu ganhei Minha Casa Minha Vida, mas não que tenha casa agora pelo programa ou pelo PT. Eu teria conseguido do mesmo jeito, porque eu me esforço muito e eu merecia”. Ou “meu filho conseguiu entrar na universidade pelo Fies, mas isso não teve nada a ver com o Fies, realmente foi ele que trabalhou duro e estudou muito”. Eu mereci porque trabalhei.

Meu mérito, minha conquista. Meu fracasso, minha culpa. A culpa também é produto da lógica do neoliberalismo. O sucesso despolitiza-se, mas o fracasso também. Lembro-me da entrevista de uma mulher adolescente, digamos que de nome Bárbara, negra e periférica, que iria votar em Jair Bolsonaro e repetia, convicta, o discurso da meritocracia. Ela me disse “eu vou prestar o vestibular, e não tem essa de que eu tenho menos oportunidades que os jovens brancos de classe média. Isso é mimimi, racismo reverso. Vou estudar muito e se eu não conseguir será minha culpa, será porque eu não sou boa o suficiente para estudar”.

Bárbara, mulher negra periférica, me disse, com calma e contundência, que racismo, pobreza e machismo, no Brasil, são “vitimismo”. Penso com frequência nela. Não sei se ela entrou na faculdade. Se não, com certeza ela sente que o fracasso foi culpa dela, mas, calma, o neoliberalismo também tem resposta para isso, basta combater a dor com remédios. Você não é um vencedor, é um fracassado, sente culpa, mas, tranquilo, não pense demais, não se insubordine, não se inquiete, pelo amor de Deus não vá protestar na rua nem caia na loucura de arranjar um movimento social, sindicato ou partido, tome remédio. O adoecimento mental, resultado do modelo da sociabilidade meritocrática, resolve-se não com política ou luta, mas com pílula. “Patologizar” a vida é a saída.

João Doria soube muito bem jogar esse jogo na sua campanha eleitoral para a prefeitura de São Paulo, em 2016. Ele era o João Trabalhador, que acordava cedo e, suando a camisa, conseguiu se transformar no Doria empresário. Querer é poder. Você é foda, você é um vencedor, basta ter vontade e correr atrás. Todo mundo pode ser um empresário de sucesso. Do neoliberalismo ao coaching, outra ferramenta feroz de controle e violência. Entrem numa livraria e folheiem as obras de autoajuda e coaching nas prateleiras. Parece que você tem a obrigação de estar sempre feliz e de ser um campeão. Tristeza ou derrota não aparecem no vocabulário. Eu sinto arrepios com esses livros e sempre lembro da Bárbara. A partir de hoje lembrarei também do homem que vendia panos. Ele não era pobre, era empreendedor.

 

Sofrimentos cotidianos, provas e expiações na visão espírita

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O sofrimento acomete a sociedade mundial desde os primórdios da humanidade, somos sempre vitimados por dificuldades, dores e provações e estamos envoltos por problemas dos mais variados tipos, não importando a classe social, grau de instrução e o gênero, somos todos passíveis de sofrimentos, de quedas e de dificuldades, afinal estamos num mundo imperfeito, com pessoas imperfeitas e cheio de contradições.

A Doutrina Espírita nos traz uma visão nova sobre a questão do sofrimento humano, vivemos num mundo de provas e de expiações e neste mundo somos muito atraídos pelo sofrimento e pelas dores do cotidiano. Na questão 931 de O livro dos Espíritos, Allan Kardec pergunta ao Espírito da Verdade: Por que são mais numerosas, na sociedade, as classes sofredoras do que as felizes? E recebe a seguinte resposta: “Nenhuma é perfeitamente feliz e o que julgais ser a felicidade muitas vezes oculta pungentes aflições. O sofrimento está por toda parte. Entretanto, para responder ao teu pensamento, direi que as classes a que chamas sofredoras são mais numerosas, por ser a Terra lugar de expiação. Quando a houver transformado em morada do bem e de Espíritos bons, o homem deixará de ser infeliz aí e ela lhe será o paraíso terrestre”.

A Doutrina Espírita nos mostra claramente que os momentos de alegrias e de dificuldades se alternam na vida dos seres humanos, nenhum destes são totalmente felizes, alternamos momentos de felicidades, de alegrias e sorrisos sinceros com momentos de decepções, dores e dificuldades. As alegrias eternas ainda não pertencem ao mundo atual, mas num futuro próximo poderemos vivenciá-la, desde que entendamos a realidade da vida e passemos a trabalhar intimamente visando um progresso e uma evolução constantes, para isso devemos viver em concomitância com as Leis divinas.

Num mundo marcado pelo crescimento das tecnologias, as redes sociais ganharam espaço e relevância nesta sociedade e passou a moldar comportamentos e atitudes, muitos indivíduos colocam fotos nas redes destacando sorrisos e alegrias, muitas delas artificiais e momentâneas, criando para outrem a ilusão de uma felicidade inexistente, atraem com isso olhares de inveja e de cobiça, em muitos casos, de rancor e de ressentimento de pessoas invejosas e infelizes, que ambicionam e invejam a felicidade alheia, incapazes de construir para si uma felicidade verdadeira, sólida e consistente.

Muitas pessoas ricas e profissionalmente de destaque, indivíduos que conseguiram acumular um patrimônio vultuoso, com recursos para viagens e passeios paradisíacos, detentoras de famílias estruturadas, muitas vezes se queixam de sofrimentos, de dores emocionais e de vazios espirituais e existenciais, são indivíduos que possuem tudo para serem considerados felizes, mas se declaram depressivos e excessivamente melancólicos, males modernos que acometem a sociedade mundial e vitima milhões de pessoas no mundo. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), mais de 350 milhões de indivíduos sofrem de depressão no mundo, a chamado moléstia da alma e, da forma como a sociedade global está caminhando, muitos outros serão afetados por esta doença, cujas dores são imensas e exigem tratamentos médicos e espirituais.

O sofrimento, como nos disse o Espírito da Verdade, está por todos os lados e afeta todas as pessoas, independe de classes sociais, etnias e preferências sexuais, isto acontece porque somos passageiros de uma sociedade caracterizada como de provas e de expiações, onde as felicidades são passageiras e os amores materiais são temporários e inconsistentes, numa sociedade marcada pelas contradições e os indivíduos pelas incertezas e instabilidades crescentes. O Espiritismo nos mostra ainda, que os sofrimentos humanos estão inscritos no subconsciente de cada indivíduo, todos sabemos os motivos de nossas infelicidades e de nossas dores, a explicação está dentro de cada pessoa, no interior de cada indivíduo, mas para podermos acessar estas dores necessitamos refletir sobre nossos comportamentos, refletir sobre nossas vidas e sentimentos mais íntimos e, numa sociedade como a nossa, termos tempos para nossas reflexões é um dos maiores desafios da sociedade e do cidadão da contemporaneidade.

Numa sociedade marcada pelas provas e pelas expiações, faz-se necessário que entendamos as raízes das dificuldades do mundo, mesmo vivendo neste momento histórico e caminhando para um mundo novo, como nos mostra os escritos de Transição Planetária, ainda chafurdamos na lama e na pobreza de um mundo onde os odores estão atrelados ao ressentimento, a inveja e ao egoísmo, sentimentos fortes e dominantes que ainda não nos conduz a um crescimento mais sólido e consistente, como o espiritismo nos mostra com clareza e maestria.

No mundo de provações, nos mostra Joanna D Angelis no livro Plenitude, psicografia de Divaldo Pereira Franco, os sofrimentos são vistos como instrumentos de educação e de progresso espiritual, quando conseguimos vencer as dificuldades damos um passo consistente para um progredir fundamental para nosso desenvolvimento espiritual, ambicionados por todos os espíritos encarnados no mundo material. As expiações servem para que nos reeduquemos enquanto espíritos, ao passar por estas experiências dolorosos conseguimos melhorar nossos comportamentos e, em muitos casos, voltamos para um momento anterior, quando cometemos equívocos e degradamos nossos passos para o progresso, como um suicida que ao se entregar aos deslizes do suicídio engendra dores imensas em seu caminhar, para estes, as expiações servem para reconstruir o caminho perdido anteriormente.

As dores das provações, segundo os bons espíritos são agressivas e violentas, mas são suportadas pelo indivíduo, são dores que lhe acometem o corpo físico ou os vazios do espírito, mas que, com força de vontade, perseverança e fé em Deus são suportados e superados. As expiações são mais severas e agressivas, muitas vezes aparecem como dores morais ou deficiências e limitações físicas que impõem aos indivíduos grandes dificuldades, obrigando-o a uma grande força de vontade para superar este momento de dores, lágrimas e intensas desesperanças.

Nas provações os espíritos que estão reencarnando podem participar dos planejamentos para a reencarnação ou são representados por espíritos amigos ou protetores espirituais que trabalham com o objetivo de auxiliar para que a reencarnação atinja seus mais auspiciosos êxitos e o irmão em prova consiga crescer espiritualmente e se desenvolver moralmente, angariando novos e consistentes valores. Nos sofrimentos de expiação percebemos uma outra realidade, estes irmãos são obrigados a aceitar o que lhe é imposto pelo plano superior, estes indivíduos ao reencarnar tendem a passar por uma situação que lhe é imposta pela espiritualidade como forma de se reeducar e construir novos espaços de consolidação espiritual.

As expiações são muito mais severas para o espírito, neste processo ele perde a condição de escolha e tudo lhe é imposto, obrigando-o a aceitar e buscar trabalhar para que seu espírito consiga se reeducar das agruras e dos desequilíbrios anteriores, fruto da imperícia do espírito que, mesmo cometendo equívocos severos não está sendo condenado ao degredo eterno, isto não existe nas Leis de Deus, mas o espírito precisa se reeducar para trilhar novos momentos de crescimento espiritual e de desenvolvimento moral.

No livro Memórias de um suicida, psicografia de Yvonne do Amaral Pereira, Camilo Cândido Botelho e seus amigos descobrem na vivência no Instituto Maria de Nazaré, que suas próximas encarnações seriam marcadas por dores acerbas, nesta situação muitos deles não poderiam escolher quais seriam suas limitações físicas ou emocionais, numa próxima vida. Todos sabiam das limitações que seriam obrigados a conviver, mas nenhum deles poderia influir nas escolhas e nas imposições da espiritualidade maior, imposições estas com um único objetivo, o de levar estes indivíduos novamente ao caminho do progresso, caminho este por eles abandonados no momento do suicídio.

No livro Ação e Reação, ditado pelo espírito de André Luiz e psicografado pelo médium mineiro Francisco Cândido Xavier, nos deparamos com as experiências de vida de Adelino Correia, hoje um espírita consciente e devotado ao estudo e as atividades doutrinárias, cuja história nos mostra equívocos e dificuldades em vidas anteriores quando como Martin mandou matar seu pai para casar com sua madrasta. O crime se efetivou, mas a perseguição sofrida foi tão intensa que Martin nunca conseguiu ser feliz no casamento, as lembranças do ato insano e a perseguição de seu pai desencarnado o levaram a loucura e, posteriormente, no mundo espiritual passou a sofrer as agruras de suas atividades na matéria, mas trabalhou incansavelmente para se melhorar e conseguir progressos e avanços espirituais. No retorno ao corpo físico Martin reencarna como Adelino Correa e traz no corpo físico as marcas de um eczema agressivo, como conseguiu algum avanço no mundo espiritual os espíritos superiores o auxiliam para que o eczema se concentrasse apenas em uma parte de seu corpo material, isto porque anteriormente esta doença cobriria todo seu corpo físico.

O livro nos mostra como muitas de nossas atitudes pode reduzir nossas dores, Adelino Correia como trabalhador dedicado e imensamente caridoso, onde auxiliou muitos enfermos e crianças abandonadas, dentre elas algumas que, em vidas anteriores os auxiliaram em seus desatinos e, principalmente, aquele que foi seu genitor, tendo com isso, méritos suficientes para ter suas dificuldades reduzidas e seu amparo cada vez maior e mais consistente. O livro Ação e Reação nos mostra que em todas as ações que engendramos na vida somos impactados por uma reação, quando nossas ações são positivas e edificantes recebemos da própria espiritualidade maior, reações saudáveis, equilibradas e positivas, com isso, a Doutrina dos Espíritos nos mostra que os chamados carmas são conceitos imprecisos, acreditar que estamos condenados numa encarnação nos parece muito equivocado, temos sim as dificuldades, mas se agirmos de forma concernente as Leis de Deus os nossos “carmas” serão, com certeza, reduzidos e minimizados pelos espíritos de luz.

No estudo dos sofrimentos humanos, encontramos na literatura espírita muitas obras de vulto, nelas descobrimos que nos momentos de dores e dificuldades, muitas pessoas se colocam como vítimas, bradam contra Deus e acreditam não ter escolhido passar por aquelas situações de sofrimentos. A Doutrina nos mostra que, se não escolhemos nos foi imposto, aí percebemos ser uma expiação, o que é muito pior e preocupante, agora, na imensa maioria dos casos, foram os encarnados que pediram, melhor, suplicaram por aquelas provações como forma de educação e posterior progresso espiritual.

Os sofrimentos e as dificuldades da vida sempre existiram e sempre existirão para os seres humanos, a forma como a encaramos estas dificuldades é de fundamental importância para que consigamos extrair delas, instrumentos de progresso e de aprendizado, para que construamos um mundo íntimo mais consistente e vinculado aos mais nobres sentimentos e valores emanados pelo Cristo, este sim os valores eternos da vida.

Mediunidade e trabalho mediúnico: a atuação dos mentores espirituais

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A Doutrina Espírita nos mostra como os espíritos podem influenciar na vida das pessoas encarnadas, muitos desconhecem estas atuações, outros as minimizam, mas todos percebem que os mundos estão interligados e influenciam um ao outro, nestas atuações encontramos o trabalho de variados espíritos, desde os mais caridosos e protetores até aqueles que se comprazem com o mal e com a negatividade, a escolha destas entidades é uma opção de cada um de nós, cabe ao nosso pensamento e as nossas atitudes a atração de bons ou de maus espíritos.

Desde tempos imemoriais nos deparamos com lendas e histórias que falam da atuação de espíritos na vida das pessoas, influencias das mais variadas, uns inspirando-as ao bem, ao estudo e aos bons pensamentos, enquanto outros com tendências mais agressivas, buscando vinganças e revanches de problemas anteriores ou a desforra de desajustes pregressos, somos constantemente instigados por estes irmãos, que vibram de acordo com seu progresso evolutivo, neste assunto é importante destacar, que todos nós já passamos por momentos parecidos, todos já vivenciamos atitudes trevosas com relação a nossos semelhantes e, por isso, nenhum indivíduo deve criticar as atitudes dos outros, embora condenemos, devemos orar e trabalhar para que este irmão, que por hora vibra no diapasão da negatividade, possa acordar e se posicionar de forma diferente com relação a vida e seus sentimentos, transformando seus pensamentos e atraindo energias mais consistentes.

Muitas vezes encontramos pessoas fazendo o sinal da cruz como forma de proteção contra a presença de espíritos, acreditando que um mero gesto pode afastar algo que está inscrito em uma lei natural, todos estamos convivendo lado a lado, o mundo físico e o espiritual estão juntos, a própria física quântica tem nos mostrado a existência de vários mundos convivendo lado a lado, somos espíritos e ao nosso lado estamos cheio de entidades espirituais, em vez de nos benzer devemos nos melhorar para que aqueles que nos acompanharem sejam entidades boas e nos traga sentimentos melhores e mais edificantes, preparando-nos para os caminhos de progresso e desenvolvimento do mundo.

Nos trabalhos mediúnicos, encontramos uma atuação muito efetiva dos espíritos de luz, entidades que se comprazem com o bem e o auxílio, que despendem seu tempo e suas energias para ajudar todos aqueles irmãos que chegam no mundo espiritual sem compreender sua trajetória e marcados por muitas dúvidas, medos e grande desesperanças, são irmãos sofredores que se julgam esquecidos e sem perspectivas nenhuma com relação ao futuro. Neste momento, muitos destes irmãos que ainda acreditam em Deus se julgam totalmente esquecidos pelo plano maior, acreditando-se tratados e agredidos e desenvolvem um forte desejo de vingança, bradando contra a religião e se dizendo esquecidos por Deus ou por outras entidades superiores que outrora diziam acreditar, muitos destes irmãos se tornam perseguidores e atraem energias parecidas de rancor e de ressentimento.

Muitos desconhecem como são feitas as reuniões mediúnicas e como os espíritos superiores trabalham em benefício dos irmãos sofredores, nestes momentos são eles os responsáveis por trazer para as reuniões as entidades com maiores dificuldades, juntando-as de acordo com suas histórias, suas dores e dificuldades, ao juntar estes irmãos ambicionam atender o maior número possível de irmãos desencarnados que, nestas reuniões ouvem e assistem as conversações com o doutrinador servindo de amparo e auxílio imediato para todos que passam pelas mesmas dores e constrangimentos, servindo como um verdadeiro bálsamo de luz para que todos possam crescer e se desvincular de suas mais íntimas e secretas dificuldades momentâneas.

O trabalho destes espíritos se desenvolve em várias frentes, são eles que escolhem as entidades e as aproximam, são eles que pesquisam as histórias destes irmãos sofredores e necessitados, buscando na tela mental de cada um deles passagens, lembranças e experiências para auxiliar o doutrinador nestes eventos, munindo-os de informações para que estes possam auxiliar os irmãos desencarnados neste momento de dores e dificuldades intensas.

Muitas entidades que vão se manifestar no trabalho mediúnico estão na Casa Espírita recolhidas desde os trabalhos de dias anteriores, muitos destes espíritos acompanhavam encarnados que foram ao Centro Espírita sentindo a influência negativa dos irmãos . Neste momento os irmãos do plano espiritual são mantidos em isolamento na casa para que no próximo trabalho mediúnico possam se manifestar, conversar com as equipes encarnadas, contar suas experiências e angariar o amparo e o conforto necessário para a compreensão das dificuldades vividas, são entidades que mereceram o amparo e se prepararam para a intervenção espiritual, embora muitos ainda não acreditem no auxílio, as rogativas foram feitas por familiares, amigos e irmãos interessados em sua melhoria e equilíbrio espiritual.

Ainda no mundo espiritual, a casa espírita é higienizada, todos os locais são limpos e equilibrados, sendo retirado deste local energias menores, desajustes e desequilíbrios, objetivando o melhor auxílio possível para todos que serão atendidos no decorrer da assistência espiritual, embora não possamos ver o trabalho, tenhamos a certeza e a convicção de que, o mundo espiritual nos ampare e nos auxilia muito mais do que imaginamos, dando-nos o suporte necessário para que vençamos nossas mais íntimas dificuldades e limitações.

Outro ponto que devemos destacar neste trabalho, é como as conversações são encaminhadas para muitas entidades que estão em outros locais, sabemos que muitos são os necessitados, muitos deles não puderam ser trazidos para o trabalho assistencial, mas foram socorridos e levados indiretamente, todas as conversas entre os irmãos desencarnados e os doutrinadores são amplificadas para que todos os ausentes sejam premiados com a benção de poder ouvir e se conscientizar de suas dificuldades e necessidades de trabalho espiritual.

No mundo material os auxílios também se abundam, muitos são os médiuns que faltam de suas atividades na casa espiritual, alguns se deixam levar por intervenção de irmãos que buscam atrapalhar e esvaziar o trabalho assistencial, outros se ausentam por qualquer dor ou desconforto físico ou emocional, com isso, acabam fazendo os gostos dos espíritos inferiores, acabam deixando de participar dos trabalhos, deixando de atender aos necessitados e de contribuir para seu próprio reequilíbrio espiritual e emocional, neste momento percebemos como os espíritos superiores se desdobram para que todos os desencarnados que foram trazidos não deixem de ser atendidos, sobrecarregando fortemente alguns trabalhadores materiais.

Os médiuns de incorporação, os chamados médiuns psicofônicos nos relatam ainda, que durante dias percebem a presença de entidades que se manifestarão por intermédio deles nas reuniões mediúnicas, sentem suas energias, seus pensamentos e, em muitos casos, se sentem mal com a companhia destes irmãos, que neste momento se comprazem com sentimentos menores e atuam para que seus sentimentos e energias se propaguem em todo ambiente. Estes irmãos serão atendidos nas reuniões, esclarecidos e encaminhados para atendimento em local especializado e os médiuns serão fortalecidos e sairão do encontro mais tranquilos e equilibrados, não podendo sair do trabalho com estas energias negativas e estes constrangimentos oriundos dos irmãos desencarnados.

No livro Obsessão e Desobsessão, Suely Caldas Schubert nos mostra uma reunião mediúnica onde a espiritualidade reuniu inúmeros jovens que havia desencarnados de forma parecida, todos eles foram vitimados em acidentes de automóveis, neste instante um dos jovens que havia sido preparado para a conversa com o doutrinador recebe informações abençoadas que passam a ser ouvidas por todos aqueles jovens que lá estavam e ouviram a conversação, devida a grande quantidade de espíritos vitimados por acidentes automobilísticos os espíritos superiores reúnem todos num mesmo momento e todas as palavras emitidas pelo trabalhador encarnado serve como conforto para todos os jovens desencarnados, a grande maioria sem entender o que tinha acontecido com suas vidas, sendo instruídos através da comunicação e, posteriormente, em momento oportuno, em conversação mais íntima e pessoal, visando o esclarecimento do espírito.

O trabalho mediúnico é um verdadeiro intercâmbio entre os dois planos da vida, esta atividade nos mostra que a soma das forças e dos ideais auxiliam a todos, os encarnados devem se conscientizar de que são importantes e fundamentais neste momento, sua presença, sua assiduidade e dedicação constroem laços sólidos com as entidades do bem do mundo espiritual, criando vínculos de amor, confiança e solidariedade entre estes irmãos em locais e momentos diferentes, mas todos trabalhando em busca de um bem comum, o auxilio desinteressado centrado no amor, na comunhão e no respeito mútuo.

A Doutrina Espírita desde 1857, quando da publicação de O Livro dos Espíritos, obra de Allan Kardec, nos traz grandes informações sobre a vida, a existência humana, os sofrimentos e os medos que nos acometem no cotidiano, somos por esta esclarecidos e informados de que nossos comportamentos anteriores moldam nossa situação contemporânea e que nossas atitudes atuais servem para que construamos nossas experiências futuras. Nesta viagem somos auxiliados diuturnamente pelos bons espíritos, que nos inspiram em bons pensamentos e para que executemos boas obras, pois estas serão nossas maiores advogadas nos caminhos que trilhamos no mundo e nas experiências as quais abraçamos e cultivamos na intimidade.

Depois da codificação de O livro dos Espíritos não mais podemos alegar ignorância sobre as leis de Deus, somos espíritos encarnados e convivemos ao lado de entidades desencarnadas, os trabalhos mediúnicos nos auxiliam a compreender como somos pequenos e quase insignificantes, mas temos nossas responsabilidades perante as leis da vida, dentre elas trabalhar para nosso crescimento espiritual e desenvolvimento moral e auxiliar no máximo que pudermos na evolução de outros seres. A caminhada é imensa, as vantagens do mundo tentam nos tirar do caminho correto, mas devemos perseguir com afinco e perseverança nossos sonhos e ideais, deixando pelo caminho pegadas de amor e de solidariedade, trocando o julgamento fácil, os prazeres materiais e as falas desnecessárias e compreendendo que caminhar ao lado da espiritualidade é a única forma de construirmos um futuro de crescimento e evolução espiritual.

 

 

 

A Doutrina Espírita nos mostra como os espíritos podem influenciar na vida das pessoas encarnadas, muitos desconhecem estas atuações, outros as minimizam, mas todos percebem que os mundos estão interligados e influenciam um ao outro, nestas atuações encontramos o trabalho de variados espíritos, desde os mais caridosos e protetores até aqueles que se comprazem com o mal e com a negatividade, a escolha destas entidades é uma opção de cada um de nós, cabe ao nosso pensamento e as nossas atitudes a atração de bons ou de maus espíritos.

Desde tempos imemoriais nos deparamos com lendas e histórias que falam da atuação de espíritos na vida das pessoas, influencias das mais variadas, uns inspirando-as ao bem, ao estudo e aos bons pensamentos, enquanto outros com tendências mais agressivas, buscando vinganças e revanches de problemas anteriores ou a desforra de desajustes pregressos, somos constantemente instigados por estes irmãos, que vibram de acordo com seu progresso evolutivo, neste assunto é importante destacar, que todos nós já passamos por momentos parecidos, todos já vivenciamos atitudes trevosas com relação a nossos semelhantes e, por isso, nenhum indivíduo deve criticar as atitudes dos outros, embora condenemos, devemos orar e trabalhar para que este irmão, que por hora vibra no diapasão da negatividade, possa acordar e se posicionar de forma diferente com relação a vida e seus sentimentos, transformando seus pensamentos e atraindo energias mais consistentes.

Muitas vezes encontramos pessoas fazendo o sinal da cruz como forma de proteção contra a presença de espíritos, acreditando que um mero gesto pode afastar algo que está inscrito em uma lei natural, todos estamos convivendo lado a lado, o mundo físico e o espiritual estão juntos, a própria física quântica tem nos mostrado a existência de vários mundos convivendo lado a lado, somos espíritos e ao nosso lado estamos cheio de entidades espirituais, em vez de nos benzer devemos nos melhorar para que aqueles que nos acompanharem sejam entidades boas e nos traga sentimentos melhores e mais edificantes, preparando-nos para os caminhos de progresso e desenvolvimento do mundo.

Nos trabalhos mediúnicos, encontramos uma atuação muito efetiva dos espíritos de luz, entidades que se comprazem com o bem e o auxílio, que despendem seu tempo e suas energias para ajudar todos aqueles irmãos que chegam no mundo espiritual sem compreender sua trajetória e marcados por muitas dúvidas, medos e grande desesperanças, são irmãos sofredores que se julgam esquecidos e sem perspectivas nenhuma com relação ao futuro. Neste momento, muitos destes irmãos que ainda acreditam em Deus se julgam totalmente esquecidos pelo plano maior, acreditando-se tratados e agredidos e desenvolvem um forte desejo de vingança, bradando contra a religião e se dizendo esquecidos por Deus ou por outras entidades superiores que outrora diziam acreditar, muitos destes irmãos se tornam perseguidores e atraem energias parecidas de rancor e de ressentimento.

Muitos desconhecem como são feitas as reuniões mediúnicas e como os espíritos superiores trabalham em benefício dos irmãos sofredores, nestes momentos são eles os responsáveis por trazer para as reuniões as entidades com maiores dificuldades, juntando-as de acordo com suas histórias, suas dores e dificuldades, ao juntar estes irmãos ambicionam atender o maior número possível de irmãos desencarnados que, nestas reuniões ouvem e assistem as conversações com o doutrinador servindo de amparo e auxílio imediato para todos que passam pelas mesmas dores e constrangimentos, servindo como um verdadeiro bálsamo de luz para que todos possam crescer e se desvincular de suas mais íntimas e secretas dificuldades momentâneas.

O trabalho destes espíritos se desenvolve em várias frentes, são eles que escolhem as entidades e as aproximam, são eles que pesquisam as histórias destes irmãos sofredores e necessitados, buscando na tela mental de cada um deles passagens, lembranças e experiências para auxiliar o doutrinador nestes eventos, munindo-os de informações para que estes possam auxiliar os irmãos desencarnados neste momento de dores e dificuldades intensas.

Muitas entidades que vão se manifestar no trabalho mediúnico estão na Casa Espírita recolhidas desde os trabalhos de dias anteriores, muitos destes espíritos acompanhavam encarnados que foram ao Centro Espírita sentindo a influência negativa dos irmãos . Neste momento os irmãos do plano espiritual são mantidos em isolamento na casa para que no próximo trabalho mediúnico possam se manifestar, conversar com as equipes encarnadas, contar suas experiências e angariar o amparo e o conforto necessário para a compreensão das dificuldades vividas, são entidades que mereceram o amparo e se prepararam para a intervenção espiritual, embora muitos ainda não acreditem no auxílio, as rogativas foram feitas por familiares, amigos e irmãos interessados em sua melhoria e equilíbrio espiritual.

Ainda no mundo espiritual, a casa espírita é higienizada, todos os locais são limpos e equilibrados, sendo retirado deste local energias menores, desajustes e desequilíbrios, objetivando o melhor auxílio possível para todos que serão atendidos no decorrer da assistência espiritual, embora não possamos ver o trabalho, tenhamos a certeza e a convicção de que, o mundo espiritual nos ampare e nos auxilia muito mais do que imaginamos, dando-nos o suporte necessário para que vençamos nossas mais íntimas dificuldades e limitações.

Outro ponto que devemos destacar neste trabalho, é como as conversações são encaminhadas para muitas entidades que estão em outros locais, sabemos que muitos são os necessitados, muitos deles não puderam ser trazidos para o trabalho assistencial, mas foram socorridos e levados indiretamente, todas as conversas entre os irmãos desencarnados e os doutrinadores são amplificadas para que todos os ausentes sejam premiados com a benção de poder ouvir e se conscientizar de suas dificuldades e necessidades de trabalho espiritual.

No mundo material os auxílios também se abundam, muitos são os médiuns que faltam de suas atividades na casa espiritual, alguns se deixam levar por intervenção de irmãos que buscam atrapalhar e esvaziar o trabalho assistencial, outros se ausentam por qualquer dor ou desconforto físico ou emocional, com isso, acabam fazendo os gostos dos espíritos inferiores, acabam deixando de participar dos trabalhos, deixando de atender aos necessitados e de contribuir para seu próprio reequilíbrio espiritual e emocional, neste momento percebemos como os espíritos superiores se desdobram para que todos os desencarnados que foram trazidos não deixem de ser atendidos, sobrecarregando fortemente alguns trabalhadores materiais.

Os médiuns de incorporação, os chamados médiuns psicofônicos nos relatam ainda, que durante dias percebem a presença de entidades que se manifestarão por intermédio deles nas reuniões mediúnicas, sentem suas energias, seus pensamentos e, em muitos casos, se sentem mal com a companhia destes irmãos, que neste momento se comprazem com sentimentos menores e atuam para que seus sentimentos e energias se propaguem em todo ambiente. Estes irmãos serão atendidos nas reuniões, esclarecidos e encaminhados para atendimento em local especializado e os médiuns serão fortalecidos e sairão do encontro mais tranquilos e equilibrados, não podendo sair do trabalho com estas energias negativas e estes constrangimentos oriundos dos irmãos desencarnados.

No livro Obsessão e Desobsessão, Suely Caldas Schubert nos mostra uma reunião mediúnica onde a espiritualidade reuniu inúmeros jovens que havia desencarnados de forma parecida, todos eles foram vitimados em acidentes de automóveis, neste instante um dos jovens que havia sido preparado para a conversa com o doutrinador recebe informações abençoadas que passam a ser ouvidas por todos aqueles jovens que lá estavam e ouviram a conversação, devida a grande quantidade de espíritos vitimados por acidentes automobilísticos os espíritos superiores reúnem todos num mesmo momento e todas as palavras emitidas pelo trabalhador encarnado serve como conforto para todos os jovens desencarnados, a grande maioria sem entender o que tinha acontecido com suas vidas, sendo instruídos através da comunicação e, posteriormente, em momento oportuno, em conversação mais íntima e pessoal, visando o esclarecimento do espírito.

O trabalho mediúnico é um verdadeiro intercâmbio entre os dois planos da vida, esta atividade nos mostra que a soma das forças e dos ideais auxiliam a todos, os encarnados devem se conscientizar de que são importantes e fundamentais neste momento, sua presença, sua assiduidade e dedicação constroem laços sólidos com as entidades do bem do mundo espiritual, criando vínculos de amor, confiança e solidariedade entre estes irmãos em locais e momentos diferentes, mas todos trabalhando em busca de um bem comum, o auxilio desinteressado centrado no amor, na comunhão e no respeito mútuo.

A Doutrina Espírita desde 1857, quando da publicação de O Livro dos Espíritos, obra de Allan Kardec, nos traz grandes informações sobre a vida, a existência humana, os sofrimentos e os medos que nos acometem no cotidiano, somos por esta esclarecidos e informados de que nossos comportamentos anteriores moldam nossa situação contemporânea e que nossas atitudes atuais servem para que construamos nossas experiências futuras. Nesta viagem somos auxiliados diuturnamente pelos bons espíritos, que nos inspiram em bons pensamentos e para que executemos boas obras, pois estas serão nossas maiores advogadas nos caminhos que trilhamos no mundo e nas experiências as quais abraçamos e cultivamos na intimidade.

Depois da codificação de O livro dos Espíritos não mais podemos alegar ignorância sobre as leis de Deus, somos espíritos encarnados e convivemos ao lado de entidades desencarnadas, os trabalhos mediúnicos nos auxiliam a compreender como somos pequenos e quase insignificantes, mas temos nossas responsabilidades perante as leis da vida, dentre elas trabalhar para nosso crescimento espiritual e desenvolvimento moral e auxiliar no máximo que pudermos na evolução de outros seres. A caminhada é imensa, as vantagens do mundo tentam nos tirar do caminho correto, mas devemos perseguir com afinco e perseverança nossos sonhos e ideais, deixando pelo caminho pegadas de amor e de solidariedade, trocando o julgamento fácil, os prazeres materiais e as falas desnecessárias e compreendendo que caminhar ao lado da espiritualidade é a única forma de construirmos um futuro de crescimento e evolução espiritual.

 Pobreza, concentração de renda e desigualdade no Brasil do século XXI

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O mundo globalizado vem gerando grandes transformações na sociedade mundial, com impactos generalizados em todas as regiões e países, afetando empresas, organizações sociais e trabalhadores, criando constrangimentos e preocupações em todo o globo, o futuro nunca foi tão incerto e assustador para uma parcela substancial da população internacional, gerando novos medos, desesperanças e incremento na violência e no xenofobismo. Neste ambiente de novas discussões, encontramos visões diferentes e complementares, uns mais entusiasmados e otimistas, acreditando na panaceia da tecnologia e da inclusão digital como instrumento de inserção social e melhora na qualidade de vida da população, de outro lado, encontramos os mais céticos e pessimistas que veem este momento como mais um período de degradação social e desigualdade crescente, as promessas abundam, mas a realidade é sempre assustadora e imediata.

Os teóricos mais animados com as mudanças em curso acreditam que o mundo do trabalho está se transformando e seus impactos serão muito melhores para toda a coletividade, divulgam dados do incremento da produtividade do trabalho e do aumento da riqueza da sociedade que geram grandes comemorações, neste novo momento, o trabalho deve se transformar e novas ocupações estão ainda sendo construídas, para estes estudiosos, nos próximos anos mais de setenta por cento da população estará ocupada em atividades que ainda não foram criadas, profissões que estão sendo pensadas pela sociedade e pelo rápido crescimento da tecnologia e das novas formas de inovação.

Segundo estes teóricos, o momento ainda está fortemente caracterizado por incertezas e instabilidades, estas serão reduzidas com o passar dos tempos e a sociedade tende a iniciar um grande ciclo de prosperidade e progresso, onde a grande maioria poderá usufruir destas novas facilidades que estão sendo introduzidas em todas as áreas e locais, gerando mais riqueza e criando novas oportunidades para todos os grupos sociais, o mundo que estamos construindo nos trará grandes benefícios num futuro muito próximo.

Olhando para a sociedade brasileira, muitas são as dúvidas que surgem de nossas reflexões, em um país como o nosso o Estado tem uma grande relevância e sempre foi um dos atores mais importante para alavancar o crescimento econômico, com investimentos em várias áreas e setores, impactando a coletividade e criando bases concretas para promover novos investimentos e uma geração mais sólida e consistente no emprego e nas melhorias sociais.

Neste ambiente, ao nos depararmos com os dados das pesquisas que nos foram trazidas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os sentimentos que nutrimos são de indignação, desesperança e medo. Por estes dados percebemos que mesmo sendo uma das economias mais ricas da sociedade mundial, mesmo sendo detentores de solos e terras altamente produtivas, somos uma sociedade marcada por uma alta concentração de renda com bolsões enormes de pobreza, exclusão e indignidade, com isso, estamos caminhando a passos largos a uma sociedade de fortes rupturas, cujos impactos podem ser assustadores e muito perigosos.

A sociedade brasileira apresenta, e todos temos consciência disso, uma alta concentração de renda, somos uma das economias que mais concentram renda da sociedade internacional, somos um país onde os mais ricos recebem 34 vezes o ganho dos mais pobres, um verdadeiro escárnio em pleno século XXI, uma vergonha que todos os brasileiros deveriam repudiar de uma forma mais enfática, nos manifestando diretamente contra esta barbárie e nos manifestando contra esta verdadeira incivilidade.

A sociedade brasileira apresenta um contingente de mais de 100 milhões de cidadãos que não possuem esgoto e saneamento básico em suas residências, com isso, percebemos gastos em saúde pública que poderiam ser evitados, levando aos cofres públicos mais de 1 bilhão de reais que poderiam ser utilizados para melhorar as condições de vida da população. Neste ambiente encontramos muitas discussões sobre tecnologia, máquinas de última geração, inteligência artificial, internet das coisas, indústria 4.0 e pouco nos importamos com esgoto e saneamento básico, condenando, com isso, uma grande quantidade de cidadãos a indignidade e a degradação, sendo que muitos deles estão desempregados, na informalidade, no subemprego ou até mesmo, estão desalentados.

A concentração excessiva da renda na sociedade brasileira é histórica, somos uma sociedade que se conhece excludente, desde tempos imemoriais nos destacamos como uma sociedade com marcas profundas de degradação, trazemos em nossas entranhas mais de 300 anos de escravidão, o patrimonialismo que se apodera de recursos estatais e empregos públicos, a marginalização e exclusão dos grupos mais vulneráveis. O incremento da concentração da renda, na contemporaneidade, tem outras raízes mais conjunturais, onde destacamos uma forte recessão econômica que nos acompanhou no período 2014/2017, cujos custos sociais e econômicos foram imensos, levando um grande contingente que tinham conseguido ascender socialmente em anos anteriores, a voltar para a pobreza e para a indignidade, avanços e retrocessos estão na raiz de nossos indicadores e, com isso, nossa concentração de renda se torna cada vez mais estrutural.

Depois deste baixo crescimento econômico do período citado acima, o país está tendo grandes dificuldades para recuperar uma melhora no cenário econômico, saímos da recessão, mas não conseguimos engatar um novo período de crescimento econômico, com isso, percebemos uma grande degradação no mercado de trabalho e perspectivas sombrias para inúmeros grupos sociais que prescindem dos gastos e dos investimentos estatais, que atualmente se encontram em forte retração.

Os dados da concentração de renda na sociedade brasileira nos mostram uma situação dramática e muito perigosa, nela vemos que os 10% da população com maiores ganhos detinham, no ano passado, 43,1% da massa de rendimentos, algo em torno de R$ 119,6 bilhões. Na outra ponta, os 10% da população mais pobres ficaram com apenas 0,8% dos rendimentos, algo em torno de R$ 2,2 bilhões. Com isso percebemos que a distância entre os grupos é muito elevada, gerando instabilidades e incertezas das mais graves, com possíveis impactos sociais e políticos severos, ameaçando as bases da democracia e colocando em xeque as instituições econômicas, políticas e judiciais.

Os dados disponibilizados pelo IBGE nos mostram que a concentração de renda tem forte conotação regional, o Sudeste, que concentra 40% da população, concentra uma massa de rendimento superior a de todas as outras regiões somadas. Nestes dados, descobrimos que a região Nordeste possui e menor média de salário, R$ 1497,00, enquanto a região sudeste, com R$ 2572,00 apresenta a maior média salarial.

Pelos dados levantados percebemos que o Índice de Gini, que mede a desigualdade em uma escala de 0 (perfeita igualdade) a 1 (máxima concentração) aumentou em todas as regiões do país e atingiu o maior patamar da série histórica, 0,509. Depois de um período de melhorias sociais e crescimento econômico, do período 2003/2013, o Brasil volta a ver seus indicadores de renda degradados, denotando que neste período recessivo, o Brasil passou a incrementar sua concentração de renda e sua população perdeu renda e piorou suas condições sociais, com desemprego crescente e degradação na renda.

Depois da publicação de O Capital no século XXI, (2014) Thomas Piketty ganhou importância na sociedade mundial, suas pesquisas estimularam novas discussões na seara dos economistas, que passaram a ver a alta desigualdade com mais atenção, percebendo ser ela um detonador de graves crises e desequilíbrios nas economias nacionais. Numa das pesquisas feitas pela Escola de Economia de Paris, o Relatório da Desigualdade Global, que congregam pesquisas domiciliares, contas nacionais e declarações de impostos de renda, sustentam uma conclusão ainda mais assustadora para a sociedade brasileira, que segunda a pesquisa os 0,1% mais ricos se apropriam de 28,3% dos rendimentos brutos totais, enquanto os 50% mais pobres ficam com apenas 13,9% do conjunto de todos os rendimentos. Os resultados destas duas pesquisas são todos estarrecedores para a sociedade brasileira, devendo servir como um alerta para os grupos dominantes, sem uma melhoria nestas condições estaremos condenados e muito próximos de uma situação simular a uma barbárie social.

As pesquisas econômicas com relação a pobreza passaram a ganhar relevância e levaram o americano nascido na Índia Abhijit Banerjee, a franco-americana Esther Duflo e Michael Kremer, também dos Estados Unidos, a ganhar o Nobel de Economia deste ano, por seus trabalhos no combate à pobreza, quem sabe com esta manifestação da Academia  Real de Ciência da Suécia a comunidade internacional passe a compreender que os lucros das empresas são fundamentais, mas que este não deve ser conquistado com a degradação das condições de vida da população, com mais concentração da renda e com mais indignidade social.

Neste ambiente de grandes riquezas no capitalismo internacional, onde a produção extrapole os 70 trilhões de dólares, recursos estes que poderiam garantir uma renda de uns US$ 10 mil para cada um dos 7 bilhões de cidadãos do mundo, percebemos uma pequena quantidade vivendo em condições de altíssimo luxo, ostentação e desperdício e uma grande parte vivendo na indigência, na pobreza e na falta de perspectivas, sem saneamento básico, sem alimentação e sem condições de sonhar com um futuro melhor, muitos se entregando a criminalidade, a violência e formas abjetas de sobrevivência.

Na realidade brasileira encontramos dados similares, o que nos mostra como estamos criando uma sociedade explosiva e extremamente excludente, onde as cadeias e as carceragens das delegacias estão abarrotadas de pessoas pobres, negras e excluídas de uma sociedade cuja marca mais evidente é a exclusão social, onde os assassinatos acontecem a céu aberto, onde os presídios estão dominados pelos marginais, onde a classe política fica discutindo assuntos sem interesse para a população, criando crises e desentendimentos para postergar os debates mais consistentes e imprescindíveis para reduzir o desemprego e melhorar as condições de vida da população. Neste ambiente, percebemos discussões para aumentar a impunidade daqueles que matam demais e oficializar uma situação onde os oprimidos armados matam seus semelhantes em nome de uma justiça de fachada, onde os verdadeiros marginais usam ternos e gravatas importadas e transferem para os pobres e marginalizados o pagamento de seu luxo e de sua inoperância.

“Neoliberalismo e Corrupção: ajustes neoliberais e aumento da corrupção”

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 “Neoliberalismo e Corrupção: ajustes neoliberais e aumento da corrupção – Análise dos ajustes neoliberais no Brasil de Fernando Collor (1990-1992) e no México de Carlos Salinas (1988-1992)” – Novas Edições Acadêmicas, 2019.

Por Ary Ramos da Silva Júnior

A presente obra editada pela Novas Edições Acadêmicas, faz parte da tese de doutorado defendida pelo autor em Sociologia, na Faculdade de Ciências e Letras (FCL), da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Araraquara, defendida em maio de 2006. O trabalho teve por objetivo comparar dois países latino-americanos que viviam momentos intensos de adoção de políticas neoliberais, naquele momento os ventos do chamado Consenso de Washington, reunião feita na capital norte-americana com a presença de economistas, cientistas políticos, intelectuais, presidentes, ministros de Estado e empresários, todos defensores das ideias e dos princípios neoliberais que clamavam por abertura econômica, desregulamentações, privatizações, desestatizações e redução sistemática do papel do Estado na sociedade latino-americana, estas políticas eram defendidas como a forma mais efetiva e imediata de levar estas economias para o tão almejado desenvolvimento econômico, ambicionado por todas as economias.

Nos anos 1980, as ideias neoliberais se espalharam pelo mundo de forma acelerada, levando para todos aos países em desenvolvimento, a adoção de políticas baseadas em redução do papel dos Estados na economia, sendo substituídos pelos mercados, vistos nesta ideologia como os grandes gestores do progresso e do crescimento dos países, a América Latina foi invadida por estas ideias, deste as iniciadas no Chile a partir de 1973, depois da queda do presidente eleito Salvador Allende e da ascensão de Augusto Pinochet, responsável pela adoção de políticas fortemente neoliberais, somadas a um governo autoritário e repressor, com milhares de mortos, desaparecidos, torturados e violentados.

Estas políticas se espalharam por toda a região e passaram a ser adotadas pela grande maioria dos países, desde a Argentina, Colômbia, Equador, Paraguai, Venezuela, Uruguai, Bolívia, Peru, México em 1988 com Carlos Salinas de Gortari e, o Brasil, a partir de 1990 com a ascensão do presidente Fernando Collor de Mello, neste momento estes países passam sentir na pele a adoção de novas políticas e a construção de um novo modelo, baseado nos mercados, onde os Estados passavam a ocupar um papel secundário.

O livro faz uma reflexão sobre o pensamento neoliberal, destacando a força dos grandes agentes econômicos na difusão desta ideologia e na tentativa de impor aos países da região e países em desenvolvimento de outras regiões as ideias liberalizantes. Segundo este pensamento, o atraso econômico destes países estava atrelado ao crescimento excessivo do Estado, que inicialmente foi o grande fomentador dos investimentos que culminaram na construção de alguma estrutura industrial, sem esta atuação estatal, dificilmente estes países conseguiriam construir algum modelo industrial, isto porque a industrialização dos países periféricos era mal vista pelos países industrializados, que estavam receosos de que surgissem mais concorrentes para sua economia.

No México, os avanços neoliberais foram mais intensos do que no Brasil, embora ambos tivessem uma histórica econômica bastante parecida, o gigante do norte estava muito próximo dos Estados Unidos, e sofriam destes uma influencia bastante agressiva, ainda mais quando o país assinou a entrada no Tratado de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA), assinado em 1992.

O México adotou inúmeras medidas liberalizantes, abriu sua economia, privatizou empresas estatais, retirou muitas estruturas microeconômicas reguladoras e assinaram outros acordos comerciais relevantes com outros países e regiões, se transformando em uma economia fortemente dependente dos Estados Unidos, a relação comercial entre eles aumentou de forma acelerada, levando a uma intensa dependência de seu vizinho do norte, responsável pela importação de mais de 80% de suas vendas externas, com isso, toda crise que afetasse os norte-americanos afetariam diretamente os mexicanos.

Devemos destacar ainda, que neste momento a sociedade mexicana descobriu uma relação bastante incestuosa entre grupos econômicos e agentes políticos, uma situação existente á algum tempo, mas apenas desbaratada neste período. A relação entre as medidas liberalizantes e a corrupção se mostrou mais evidente neste momento, com a saída de cena do Estado através da venda de empresas para a iniciativa privada, os grupos privados deixaram á mostra as mazelas políticas e as relações incestuosas entre Estado e Mercado, a corrupção se mostrava presente na sociedade mexicana á muitos anos, com desperdício de bilhões de recursos, enriquecimento de grupos privados e degradação social e política.

A relação entre medidas neoliberais e a corrupção se mostrou mais evidente em toda a região, a compra de empresas estatais, os lobbies para a desregulação e a desregulamentação de alguns setores econômicos, o poder financeiro dos grandes conglomerados econômicos e monetários, todas estas medidas levaram estas instituições a corromper o Estado Nacional e seus representantes, em troca ganhavam licitação, leilões e adquiriam empresas públicas, muitas delas verdadeiros monopólios, transformando estes monopólios públicos em verdadeiros monopólios privados, dotados de grande poder e capacidade de controle e dominação na sociedade.

O governo Carlos Salinas de Gortari deu prosseguimento a um incremento da dependência dos Estados Unidos, consolidando um modelo econômico baseada nas chamadas maquiladoras que se transformaram num amplo instrumento de atração de empresas para produção e posterior venda aos parceiros do norte, nesta trajetória os mexicanos se consolidam como meros montadores de mercadorias, onde o incremento de valor agregado inexiste e os ganhos são reduzidos, se limitando a poucos empregos com salários reduzidos e baixa especialização.

O Brasil, também analisado na obra, também passou por situações semelhantes, as medidas liberalizantes adotadas internamente geraram graves constrangimentos para a estrutura industrial, aumentando a competição interna e levando muitos grupos econômicos e financeiros á bancarrota, inclusive setores tradicionais e importantes na história econômica nacional. O grande responsável por esta abertura foi o presidente eleito em 1990, Fernando Collor de Mello, responsável por uma abertura econômica extremamente agressiva, cujos impactos sociais foram desestabilizadores, com incremento da pobreza, da violência e da marginalidade.

Depois de décadas de proteção, a indústria nacional perde os subsídios e as medidas protecionistas são retiradas, como foram medidas adotadas muito rapidamente a liberalização teve impactos econômicos generalizados, aumentando as falências de negócios nacionais, muitas empresas nacionais foram vendidas para grupos estrangeiros, gerando uma forte e acelerada desnacionalização. Estas políticas transformaram o cenário nacional e abriram espaço para produtos mais eficientes e de qualidade superior, a entrada destes produtos levou muitas empresas privadas nacionais a falência, gerando uma forte desindustrialização e perda de relevância deste setor na economia nacional.

As políticas neoliberais serviam a grupos estrangeiros fortes e consolidados, que viam nesta política uma forma de entrar no mercado dos países latino-americano, aumentando sua presença na região, ganhando novos mercados e ganhando musculatura financeira para a concorrência, este movimento foi incentivado pelos países desenvolvidos, pelos grandes conglomerados internacionais e por muitos teóricos associados aos países desenvolvidos, que viam nesta política um estímulo aos investimentos internacionais.

O Brasil adotou muitas destas políticas, a abertura econômica estimulou a entrada de empresas estrangeiras, as privatizações trouxeram investimentos e reestruturação destas empresas, aumento do desemprego e uma contração da renda agregada. As medidas liberalizantes geraram alguns benefícios, mas aumentou a degradação social, o desemprego e a exclusão social, com isso, a sociedade passou a perceber as dificuldades e os entraves na construção de um país mais produtivo, eficiente e com melhores recursos humanos numa sociedade em constantes transformações.

Políticas neoliberais e corrupção apresentam grande correlação, analisando as bases do capitalismo brasileiro, percebemos que o Estado apresenta um poder fundamental na sociedade, as empresas estatais sempre foram responsáveis por investimentos centrais na sociedade, a desestatização fragilizaria os grupos políticos dependentes destas nomeações, que passaram a exigir contrapartidas em troca do apoio ás teses privatizantes, incrementando as negociatas, os compadrios e a corrupção, deixando a mostra como se organiza a sociedade brasileira em benefício daqueles que desperdiçam os recursos públicos, gastando-os de forma ineficiente e faturando com os superfaturamentos e com os aditivos.

No Brasil os casos de corrupção eram frequentes, o presidente Fernando Collor perdeu o cargo com suspeita de corrupção, a implantação de medidas liberalizantes mostrou como os agentes políticos negociavam o dinheiro público e transformavam as negociações políticas, que devem ser saudáveis e necessárias, em um verdadeiro balcão de negócios em prol de interesses especiais organizados e estruturados financeiro e politicamente.

Embora o período analisado no livro compreenda o governo Fernando Collor, os casos de corrupção e malversação dos recursos públicos estão sempre estampando capas de jornais e revistas, gerando apreensão da população e contribuindo para difundir a tese de que todos os políticos são iguais e que a política deve ser descrita como a ciência do roubar e do enganar a população, um engano clamoroso. A política é um instrumento de organização social e de melhoria nas condições de vida da população, os excessos acontecem e devem ser corrigidos e evitados.

A corrupção no período Fernando Collor cresceu de forma acelerada, gerando movimentos intensos na população, levando milhares de pessoas às ruas e criando um movimento intenso e bem-sucedido de repúdio a todas as denúncias de corrupção. Neste período acreditávamos que as manchetes de revistas e jornais não mais retratariam casos tão flagrantes de corrupção, lendo engano, vendo em perspectivas o país passou por mais dois grandes momentos de denúncias de corrupção, o primeiro em 2005/2006 com as investigações do chamado Mensalão e, mais recentemente, os movimentos iniciados com as investigações que ficaram conhecidas como Operação Lava Jato, deste momento percebemos que os movimentos de controle e governança devem ser perseguidos com afinco e determinação, pois estes marginais devem ser combatidos para que a sociedade encontre seu caminho de progresso e desenvolvimento, visando reverter toda esta dívida social criada e mantida desde tempos coloniais e que afeta uma parcela considerável da sociedade brasileira e mexicana.

Atualmente o mundo conta com algumas instituições que se debruçam sobre estudos e pesquisas para investigar o tamanho da corrupção global, os dados são assustadores e envolvem trilhões de dólares, das instituições destacamos a Transparência Internacional, cujas pesquisas são conduzidas em todas as regiões do mundo e suas conclusões nos levam a questionar muitos valores envoltos no chamado capitalismo internacional.

Ao estudar estes dois grandes países da região e perceber que, tanto Brasil quanto o México, apresentam histórico de forte intervenção do Estado na economia e uma cultura baseada em regimes autoritários, descobrimos que o atraso destas sociedades quando comparadas com outros países desenvolvidos está num crescente desperdício dos recursos públicos e no incremento da corrupção, ambas extraindo recursos volumosos destes países, algo em torno de 5% do produto interno bruto, recursos estes necessários e fundamentais para diminuir os abismos existentes entre os grupos sociais, onde uma parcela considerável desta população vive em condições deploráveis e degradantes.

Os espíritos, suas influências nas vivências cotidianas

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Muitos indivíduos acreditam que vivemos sozinhos nesta sociedade, não creem na existência de espíritos e atribuem estas crenças a pessoas ignorantes e fanáticas, outros acreditam que espíritos não existem e não fazem o menor sentido acreditar em sua existência, muitos o fazem para atribuir a outrem suas decisões equivocadas e suas atitudes desprovidas de sentido, neste caso a crença em sua existência serve como um verdadeiro instrumento para terceirizar decisões equivocadas que todos tomamos no cotidiano. Os seres humanos sempre acreditaram na existência de uma força maior, ou pelo menos uma grande quantidade, um Deus ou uma divindade qualquer, este todo poderoso pode ser descrito como uma entidade onipresente, onisciente e onipotente, cabendo a cada indivíduo aceitar e louvar a sua existência e seus poderes, temendo-o para que não fosse vítima de sua ira ou de sua agressão, esta força era descrita como severa e todos deveriam temê-lo, sob pena de ser punido de forma exemplar e autoritária. A Doutrina dos Espíritos, codificada em 1857, pelo pedagogo francês Hippollite Leon Denizard Rivail, nos mostra uma realidade bastante diferente, suas revelações nos mostraram a existência de mundos que se interligam diretamente, somos espíritos que nos revezamos em locais da existência humana, num momento estamos encarnados e “presos” a um corpo material ou estamos livres e vivendo como espíritos, todas estas vivências e experiências existem para que alcancemos o progresso e o desenvolvimento enquanto seres humanos. Quando encarnados trazemos as limitações da matéria, estamos “presos” no mundo material e temos nossas potencialidades reduzidas, neste momento devemos nos asseverar de que estas limitações são provisórias e servem como instrumento de depuração e de reequilíbrio, para que construamos valores morais e espirituais emergenciais para nosso progresso e nosso desenvolvimento como espíritos eternos e imortais. Nos escritos que nos foram enviados pelos espíritos, os indivíduos encarnados estão em convivência contínua com os irmãos desencarnados, estes últimos estão mais próximos dos encarnados do que imaginamos, somos por eles influenciados e muitas vezes somos por eles controlados e dominados, gerando verdadeiros desajustes e desequilíbrios espirituais, emocionais e psicológicos. Os ensinamentos espíritas eram revolucionários e rompiam com tradições antigas e arraigadas na sociedade, às influências de seres desencarnados geravam grandes constrangimentos para movimentos religiosos tradicionais que, na maioria das vezes desacreditavam na existência de espíritos, muitas religiões importantes defendiam a tese de que ao morrer o indivíduo esperaria pelo grande tribunal, onde seríamos julgados pelos nossos gestos e nossos comportamentos, se condenados seríamos conduzidos para o exílio eterno e se absolvidos elevados nos padrões de desenvolvimento. Nesta concepção muitas perguntas ficavam sem respostas, o destino de todos ainda era uma grande incógnita e deveríamos acreditar no poder de Deus e na intervenção desta entidade na vida e nos rumos de cada um de nós. Indagar, perguntar e buscar respostas eram visto como atitudes de indivíduos de pouco fé, cujas indagações eram mal vistas pelas entidades superiores, deveríamos acreditar cegamente nos conhecimentos e crenças da religião. Maui Waui porn video Perseguições á nova Doutrina foram motivadas pelos ensinamentos trazidos, pelo estímulo ao conhecimento, ao estudo e a reflexão, o Espiritismo estava centrado na leitura, nas discussões salutares e na busca constante pela verdade e na defesa intransigente da ciência, que motivaram o codificador a defender a tese de que se a Doutrina defender ideias e a ciência mostrar que estas ideias são equivocadas, aceite as explicações da ciência.

Depois dos avanços e desafios trazidos pela Revolução Industrial, pela urbanização, pelo incremento da tecnologia e por muitas teorias que abarcavam várias áreas da ciência e do conhecimento humano, o mundo sentia a necessidade de um conjunto de ideias e pensamentos religiosos para poder estimular a compreensão da sociedade e da evolução dos seres humanos. Neste momento surge a chamada Terceira Revelação, a codificação do Espiritismo mostra para a sociedade que vivemos no mundo material, mas somos espíritos, estagiamos na matéria e voltaremos ao mundo espiritual e nesta alternância somos estimulados ao progresso intelectual, moral, espiritual e psicológico, sem estes avanços continuaremos fazendo estágios no mundo material, que deve ser vistos como uma verdadeira escola, cujos conhecimentos são fundamentais para nosso progresso e desenvolvimento.

O século XIX pode ser descrito como um período de grandes descobertas e conhecimentos, as novidades trazidas pelo mundo espiritual nos ajuda a compreender, que muitos dos nossos pensamentos, muito de nossas descobertas e muitas das nossas ideias não são verdadeiramente nossas, são inspirações que nos são trazidas por espíritos em condições mais avançadas no desenvolvimento, espíritos mais avançados no amor e na solidariedade, espíritos irmãos que nutrem empatia e nos auxiliam em nosso progresso, mesmo sabendo que muitos dos aplausos serão canalizados para os encarnados.

A atuação dos espíritos superiores está atrelada a uma boa conduta dos indivíduos, quando atraímos boas energias, quando oramos com fervor, quando fazemos o bem e desenvolvemos nossa empatia e solidariedade, quando fazemos caridade, quando emitimos bons pensamentos e cultivamos bons valores morais, sentimos a presença destes irmãos em nossa vida e em nosso cotidiano, estes irmãos nos inspiram, nos auxiliam e nos protegem, além de nos amparar em momentos de medos e incertezas, como nos momentos que vivemos na contemporaneidade.

A Doutrina dos Espíritos vem nos mostrar que nossas atitudes cotidianas vão definir os rumos e os caminhos que vamos seguir num futuro imediato, mostra-nos ainda, que muitas vezes somos conduzidos a novas encarnações com variados desajustes físicos, emocionais ou sensoriais, estes devem ser encarados não como uma punição de Deus, mas como um processo educativo. Muitos cidadãos teimam em acreditar que se trata de uma punição, com esta visão, acabam se descontentando com Deus, se afastando da religião e se transformando em pessoas descrentes, a Doutrina nos mostra que tudo deve ser visto como um processo de reeducação espiritual. Estas limitações tendem a auxiliar estes irmãos num processo de auto-reflexão, gerando uma depuração espiritual que abre espaço para um maior entendimento de como são regidas as leis de Deus, quando as afrontamos somos levados a uma reparação e quando as aceitamos e as desenvolvemos somos inspirados e conduzidos a novas experiências de progresso e desenvolvimento.

A Doutrina dos Espíritos assusta muitas pessoas e angaria inúmeros detratores e até inimigos declarados, muitas pessoas se esquivam das reflexões espíritas, pois se assustam com suas mazelas espirituais interiores, temem uma reflexão mais íntima porque não querem descobrir situações de desequilíbrios de vidas passadas, muitos querem se ver como heróis, mocinhos, príncipes ou rainhas, mas na verdade são indigentes espirituais, suas vivências anteriores de encarnações pregressas revelam situações degradantes de corrupção, de detrações, de atentados contra a honra alheia, de maldades verdadeiras, de violências e desrespeitos, estas experiências explicam as condições lastimáveis que vivem na contemporaneidade, suas dificuldades e medos cultivados intimamente.

Muitos acreditam que ao fugir desta situação pregressa degradante estão tomando as melhores atitudes e agindo de forma correta, neste momento é importante destacar que o passado de cada indivíduo é marcado por inúmeros equívocos e constrangimentos, todos somos verdugos de nós mesmos, cometemos erros, todos passamos por momentos de desajustes e desequilíbrios, todos cultivamos vícios variados, todos desejamos o mal alheio e trabalhamos para que este mal se efetivasse, esta história pregressa todos temos em comum e não devemos nos esconder desta realidade dolorosa e lastimável. Se tivemos um passado com tantos descaminhos, devemos compreender que todos estamos condenados a um futuro glorioso, desde que nos encaremos como seres humanos, deixemos de lado as atitudes mesquinhas e equivocadas e nos amparemos na convicção de temos todas as condições de construir um futuro promissor e centrado nos ideais e nos conhecimentos que nos são mostrados pelo Espiritismo.

Algumas obras nos mostram experiências assustadoras de espíritos que se compraziam no mal, na degradação e na violência cotidianas, espíritos ora atraídos pelos adornos do mal e do desajuste, entidades que vitimaram inúmeros indivíduos, geraram dores das mais violentas possíveis e que, depois de experiências reparadoras conseguiram se fortalecer e se transformaram em verdadeiros agentes do amor e da solidariedade, irmãos que aceitaram seu passado de dificuldades e desequilíbrios e compreenderam que não poderiam alterar o passado, mas que, com certeza, conseguiriam construir um novo futuro, como nos asseverou o médium mineiro Francisco Cândido Xavier.

No livro Sexo e Destino, psicografia de Chico Xavier e ditado pelo espírito André Luiz, acompanhamos a trajetória das famílias Torres e Nogueira, entrelaçadas em um novelo de degradação sexual, fragilidades morais e desequilíbrios emocionais, e percebemos o quanto espíritos desencarnados influenciam na vida das pessoas que se encontram no corpo material, nesta obra acompanhamos o irmão Moreira canalizando seu poder espiritual para comandar a vida de Cláudio Nogueira e influenciá-lo em decisões equivocadas, os espíritos estão presentes em nossas vidas muito mais do que imaginamos.

O esquecimento dos valores morais está gerando graves constrangimentos para o ser humano na sociedade contemporânea, a degradação do Meio Ambiente, o incremento do poder e da influência do dinheiro e dos valores materiais, o crescimento acelerado da desigualdade e da pobreza, o xenofobismo, as guerras e a violência entre países e dentro das próprias nações, todas estas situações estão conduzindo a coletividade a uma intensa destruição e a grandes extremos. A perda dos valores centrados na solidariedade, na ética e no amor podem conduzir a humanidade a situações de desesperança e sofrimentos, retomar os vínculos com a espiritualidade, ouvir as inspirações dos bons espíritos e se deixar conduzir por energias saudáveis e edificantes são medidas emergenciais que todos os indivíduos devem cultivar para que o mundo volte a ser um espaço de crescimento e desenvolvimento coletivo.

A Doutrina dos Espíritos foi trazida para a humanidade com este objetivo, sua missão é combater o materialismo que crassa a sociedade mundial, muitas vezes acreditamos que esta religião, filosofia ou ciência, como a conhecemos, não está tendo êxito em sua missão, mas na verdade a transformação é lenta e está em curso, muitos não conseguem enxergar os movimentos em curso, mas todos sabemos que o grande condutor do Planeta Terra é o Mestre Jesus, diante disso, percebemos que como o condutor é competente as coisas devem acontecer rapidamente e a melhora não tardará a chegar, como nos avisou Francisco Cândido Xavier, em 2057 a Terra será um mundo de regeneração, exatamente duzentos anos depois da codificação da Doutrina Espírita, o tempo está cada vez mais próximo e cabe a cada um de nós se preparar para esta nova empreitada, afinal, não temos mais tempo a perder com questões menores e inconsistentes.

 

 

 

 

 

Prevenção do Feudalismo digital, por Mariana Mazzucato

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Do Project Syndicate

Ao explorar tecnologias que foram originalmente desenvolvidas pelo setor público, empresas privadas de meios digitais adquiriram uma posição no mercado que lhes permite extrair lucros massivos de consumidores e trabalhadores. Reformar a economia digital de forma que sirva a fins coletivos é, portanto, o principal desafio econômico do nosso tempo.

LONDRES – A obtenção e o uso de dados pelo Facebook e por outras empresas de tecnologia estão finalmente conquistando a atenção que merecem. Considerando que os dados pessoais vêm se tornando o produto mais valioso do mundo, serão os usuários os donos ou os escravos da economia das redes?

As perspectivas de democratizar a economia das redes sociais permanecem pequenas. Os algoritmos estão se desenvolvendo de maneira a permitir que as empresas lucrem com nosso comportamento passado, presente e futuro – ou o que Shoshana Zuboff da Harvard Business School descreve como nosso “excedente comportamental”. Em muitos casos, as plataformas digitais já conhecem nossas preferências melhor do que nós, podendo nos levar a agir de forma a produzir ainda mais valor. Nós realmente queremos viver em uma sociedade onde nossos desejos e manifestações mais íntimos estão à venda?

O capitalismo sempre se destacou ao criar novos desejos e ânsias. Mas com o fenômeno big data e dos algoritmos, as empresas de tecnologia conseguiram agilizar e ao mesmo tempo inverter este processo. Em vez de apenas criar novos bens e serviços, antecipando o que as pessoas podem querer, elas já sabem o que queremos e estão vendendo nossos “eus futuros”. Pior ainda, os processos algorítmicos usados ​​frequentemente perpetuam os preconceitos raciais e de gênero e podem ser manipulados para obter lucro ou ganho político. Embora todos nos beneficiemos imensamente dos serviços digitais, como a pesquisa no Google, não nos registramos para que nosso comportamento fosse catalogado, modelado e vendido.

Para mudar isso, será necessário focar diretamente no modelo de negócios vigente e, especificamente, na fonte de rendas econômicas. Assim como os proprietários de terras, no século XVII, que calculavam os aluguéis sobre a inflação do preço da terra, e assim como os barões mercenários que lucraram com a escassez de petróleo, as empresas de plataformas digitais atuais estão extraindo valor através da monopolização de serviços de busca e comércio online.

Certamente, é claro que setores com alta externalidade de rede – quando os benefícios para cada usuário aumentam de acordo com o número total de usuários – irão produzir grandes companhias. É por isso que as empresas de telefonia cresceram tanto no passado. O problema não é o tamanho, mas como as empresas baseadas em rede exercem seu poder de mercado.

As empresas de tecnologia originalmente usavam suas amplas redes para atrair diversos fornecedores para o benefício dos consumidores. A Amazon permitiu que pequenas editoras de obras vendessem títulos (incluindo meu primeiro livro) que, de outra forma, não teriam chegado às prateleiras das livrarias locais. O mecanismo de busca do Google costumava devolver uma variedade diversificada de fornecedores, bens e serviços.

Entretanto, hoje ambas as empresas usam suas posições dominantes para reprimir a concorrência, controlando quais produtos os usuários veem e favorecendo suas próprias marcas (muitas das quais têm nomes aparentemente independentes). Enquanto isso, as empresas que não anunciam nessas plataformas encontram-se em séria desvantagem. Como Tim O’Reilly argumentou, com o tempo, essa busca de aluguel enfraquece o ecossistema de fornecedores aos quais as plataformas foram originalmente criadas para servir.

Em vez de simplesmente presumir que os recursos econômicos são iguais, os formuladores de políticas devem tentar entender como os algoritmos da plataforma digital alocam valor entre consumidores, fornecedores e a própria plataforma. Enquanto algumas delas podem refletir a concorrência real, outras estão sendo manuseadas pela retirada de valor, e não por agregar valor.

Portanto, precisamos desenvolver uma nova estrutura de governança que começa com a criação de um novo vocabulário. Por exemplo, chamar as empresas de plataforma digitais de “gigantes da tecnologia” implica que investiram nas tecnologias das quais lucram, quando foram realmente os contribuintes que financiaram as principais tecnologias subjacentes – da Internet ao GPS.

Além disso, o uso generalizado de direitos fiscais e contratações trabalhistas independentes (para evitar os custos de seguro de saúde e outros benefícios) vem corroendo os mercados e instituições que dependem da economia digital. Em vez de falar sobre regulamentação, precisamos ir além, abraçando conceitos como co-criação. Os governos podem e devem estar moldando os mercados para garantir que o valor criado coletivamente atenda a objetivos coletivos.

Da mesma forma, a política de concorrência não deve se concentrar apenas na questão do tamanho de uma empresa. A divisão de grandes empresas não resolveria os problemas de retirada de valor ou abusos dos direitos individuais. Não há razão para supor que muitos Googles ou Facebooks menores operariam de maneira diferente ou desenvolvessem novos algoritmos menos exploradores.

Criar um ambiente que recompense a criação de valor genuíno e puna a retirada de valor é o desafio econômico fundamental de nosso tempo. Felizmente, os governos também agora estão criando plataformas para identificar cidadãos, coletar impostos e fornecer serviços públicos. Devido a preocupações nos primeiros dias da internet sobre o uso indevido oficial de dados, grande parte da arquitetura de dados atual foi construída por empresas privadas. Mas, as plataformas governamentais, agora tem um enorme potencial para melhorar a eficiência do setor público e democratizar a economia digital.

Para realizar esse potencial, precisaremos repensar a governança de dados, desenvolver novas instituições e, dada a dinâmica da economia de plataforma, experimentar formas alternativas de propriedade. Para citar apenas um dos muitos exemplos, os dados gerados ao usar o Google Maps ou o Citymapper – ou qualquer outra plataforma que dependa de tecnologias financiadas pelos contribuintes – devem ser usados ​​para melhorar o transporte público e outros serviços, em vez de simplesmente se tornar lucros privados.

Certamente, alguns argumentam que a regulamentação da economia digital impedirá a criação de valor orientada pelo mercado. Mas eles deveriam voltar e ler seu Adam Smith, cujo ideal de “mercado livre” era livre de rendas, não do Estado.

Algoritmos e big data poderiam ser usados ​​para melhorar os serviços públicos, as condições de trabalho e o bem-estar de todas as pessoas. No entanto, essas tecnologias estão sendo usadas atualmente para minar os serviços públicos, promover contratos de zero hora, violar a privacidade individual e desestabilizar as democracias do mundo – tudo em prol do ganho pessoal.

A inovação não tem apenas uma taxa de progressão; também tem uma direção. A ameaça representada pela inteligência artificial e outras tecnologias não está no ritmo de seu desenvolvimento, mas em como elas estão sendo projetadas e implantadas. Nosso desafio é estabelecer um novo rumo.