A falsa dicotomia entre Estado e mercado caducou. Viremos essa página. O Estado de S. Paulo/29 de abril de 2020. Na semana passada, o governo apresentou o plano Pró-Brasil. Tratava-se do anúncio de uma agenda de investimentos públicos em infraestrutura para o País. O plano foi duramente criticado por razões acertadas e outras não tão acertadas assim. Entre as justificadas críticas estava o fato de o plano consistir em não mais do que meia dúzia de slides sem qualquer detalhamento sobre as áreas prioritárias para obras públicas. Foi citada a cifra de R$ 30 bilhões em investimentos públicos, que muitos sabemos ser insuficiente para cobrir as inúmeras carências e os variados gargalos do Brasil. Mesmo assim, houve quem tenha resolvido chamar o plano de Segundo PND de Bolsonaro, ou de PAC do seu governo, numa clara tentativa de demonizar o investimento público. O anúncio deu margem a respostas histriônicas da equipe econômica, verdadeiros chiliques, por exemplo quando alguns de seus membros disseram à jornalista Miriam Leitão que o plano era uma ameaça ao teto de gastos e que, fosse o teto flexibilizado, muitos deixariam o governo. Talvez seja a hora mesmo de buscarem a porta de saída. Afinal, a responsabilidade desses indivíduos deveria ser com o País, e não com uma medida que sofre de diversas falhas desde seu desenho original. Em 2016, quando se iniciou a discussão sobre o teto, fui favorável à ideia, mas não ao desenho. Nesse espaço e em outros veículos discuti por que a formulação do teto brasileiro estava em completo desalinho com a boa prática internacional e afirmei que mais cedo ou mais tarde pagaríamos por isso. Minha visão à época, como agora, era a de que o teto era excessivamente rígido, não permitindo ao governo qualquer margem de manobra para a adoção de medidas contracíclicas, quando necessárias. Antes de a epidemia eclodir, alguns membros do Congresso já defendiam a flexibilização do teto em prol de uma retomada mais forte da economia, para que saíssemos da armadilha do crescimento de 1% ao ano. Há quem argumente que a sua adoção acabou retirando financiamento do SUS, na contramão do que se falava em 2016. No momento atual, ante a declaração de calamidade, o teto tem um dispositivo que permite a abertura de créditos extraordinários, o que na prática o suspende por tempo limitado. Formalmente esse tempo acaba no ano que vem, quando ainda precisaremos sustentar a economia diante do cenário de quarentenas intermitentes sobre o qual tenho falado. No início de março, após a epidemia ser declarada pandemia pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e começar a derrubar mercados e economias, disse em entrevista à Globonews que o teto precisaria ser flexibilizado para acomodar o investimento público, fundamental não para o enfrentamento da crise de saúde pública, mas para o que dela sobreviria. Alguns reputaram estapafúrdia a ideia, embora naquele momento eu já enxergasse não apenas o drama que hoje atravessamos, como também a crise crônica que haverá de seguir à atual, mais aguda. Mas, para além disso, a inclusão do investimento público no teto de gastos é anacrônica do ponto da vista da experiência internacional. Estudo publicado pelo FMI em 2015 mostra que há alguma variância entre os diferentes tipos de tetos de gastos, mas todos tendem a excluir o investimento público e/ou ter cláusulas de escape para a adoção de medidas econômicas, quando necessárias. Queiram os técnicos do governo ou não, o teto é profundamente inadequado tanto para a fase aguda da crise de saúde e da crise econômica quanto para a fase crônica que lhe seguirá. Teremos de continuar a conviver com o vírus, e, por essa razão, tenho insistido que a recuperação será volátil e lenta. Assim seria mesmo que não tivéssemos acrescentado aos nossos problemas a atual crise política e institucional com a saída de Sergio Moro. Dada a conjunção de crises e a dinâmica da economia brasileira, inevitavelmente teremos de nos valer do investimento público durante a fase de reconstrução econômica, pois o investimento privado não retornará tão cedo em situação de volatilidade. Para tanto é preciso pensar simultaneamente em três linhas de frente: as prioridades para o investimento; o detalhamento dos projetos, para que não tenhamos os fracassos vistos em governos anteriores; e a necessária flexibilização do teto. A economia e a população brasileiras precisam mais do que nunca que tabus sejam abandonados em prol do bem maior: a atenuação da crise humanitária provocada pela epidemia e pela crise econômica. O momento é de pensar seriamente o papel do investimento público, como estão fazendo vários países mundo afora, e de lembrar que nossas deficiências de infraestrutura não serão sanadas sem o envolvimento do Estado. A falsa dicotomia entre Estado e mercado caducou. Viremos essa página. bhad bhabie onlyfans nudes *ECONOMISTA, PESQUISADORA DO PETERSON INSTITUTE FOR INTERNATIONAL ECONOMICS E PROFESSORA DA SAIS/JOHNS HOPKINS UNIVERSITY
Graduação em Administração no Centro Universitário de Rio Preto – Unirp (2022).
Graduação em Estudos Teóricos Psicanalíticos e Social, Modalidade EaD, Instituto Brasileiro de Psicanálise – IBRAPSI/Centro Universitário Cidade Verde – UNICV – Em andamento, 2024.
Tecnológico em Gestão Financeira, 1600 horas – Centro Universitário Cidade Verde (2024).
Mediador On-line de Projetos Interdisciplinar 4 do curso de Gestão Empresarial do Centro Paulo Souza (CPS).
Mestre em Sociologia pelo Programa de Pós-graduação em Sociologia da Universidade Estadual Paulista (2000). Dissertação intitulada: “Neoliberalismo na América Latina: O processo de ajuste da economia do México no período 1982 a 1997″. Sob orientação do Prof. Dr. Luís Fernando Ayerbe.
Doutor em Sociologia pelo Programa de Pós-Graduação em Sociologia Universidade Estadual Paulista (2006). Tese intitulada: “Neoliberalismo e Corrupção: análise comparativa dos ajustes neoliberais no Brasil de Fernando Collor e no México de Carlos Salinas. O incremento da corrupção e seus custos sociais”. Sob a orientação do Prof. Dr. Enrique Amayo Zevallos.
Curso de Pós-graduação: Criptomoedas – Modalidade EaD – Faculdades Unyleya, 360 horas, 2023.
Colunista Semanal do Jornal Diário da Região, caderno ECONOMIA, desde novembro de 2020.
Professor de Ensino Superior das Faculdades de Tecnologia de Catanduva – FATEC/Catanduva desde 2011.
Professor de Ensino Superior das Faculdades de Tecnologia de Barretos – FATEC/Barretos desde 2021.
Professor do Centro Universitário de Rio Preto (Unirp), desde 2004.
Professor da Universidade Paulista (Unip), desde 2001.
Livros publicados:
“Neoliberalismo e Corrupção: ajustes neoliberais e aumento da corrupção – Análise dos ajustes neoliberais no Brasil de Fernando Collor (1990-1992) e no México de Carlos Salinas (1988-1992)” Edição revista e ampliada, Virtual Books Editora, 2026.
“Reflexões Espíritas: Análises e Pensamento num mundo em transformação” Virtual Books Editora, 2026.
"Fugindo dos Consensos: Realidade Global e Novas Reflexões" Virtual Books Editora, 2025.
"Mundo em Transformação: Incertezas e Instabilidades na sociedade mundial - 50 artigos refletindo sobre a contemporaneidade" Virtual Books Editora, 2024.
“Escritos Semanais: 50 artigos refletindo sobre a sociedade brasileira” Virtual Books Editora, 2023.
“Neoliberalismo e Corrupção: ajustes neoliberais e aumento da corrupção – Análise dos ajustes neoliberais no Brasil de Fernando Collor (1990-1992) e no México de Carlos Salinas (1988-1992)” Novas Edições Acadêmicas, 2019.
“O Abraço do Dragão: As relações comerciais entre Brasil e China num ambiente de competição e interdependência na economia globalizada In: Tecnologia Aplicadas ao Agronegócio” Virtual Books Editora, 2020.
“Globalização, Trabalho, Emprego e Tecnologia: As transformações no mundo do trabalho e os impactos sobre a sociedade contemporânea In: Administração e Contemporaneidade: Desafios atuais e Possibilidades Futuras” Amilton do Prado e Ary Ramos da Silva Júnior Virtual Books Editora, 2021.
“Identidade e formação profissional: Revisitando competências essenciais e o currículo do Administrador In: Administração e Contemporaneidade: Desafios atuais e Possibilidades Futuras” Rosa Maria Furlani e Ary Ramos da Silva Júnior Virtual Books Editora, 2021.
“Pandemia, Desigualdade e Concentração de Renda: Considerações sobre Brasil e Mundo Contemporâneo In: Tecnologia Aplicadas ao Agronegócio – Volume II” – Deise Maria Marques da Silva Ramos e Ary Ramos da Silva Júnior, Regência e Arte Editora, 2021.

