Anatomia da próxima recessão global, por Nouriel Roubini

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Aos desequilíbrios financeiros já conhecidos, somam-se três prováveis choques de abastecimento – todos gestados pelos EUA. Agora, de nada adiantará inundar de dinheiro os mercados. Das entranhas de uma crise, pode surgir outra maior

Há três choques negativos de abastecimento que poderiam desencadear uma recessão global em torno de 2020. Todos refletem fatores políticos que envolvem relações internacionais. Dois envolvem a China, e os Estados Unidos estão no centro de todos. Mais importante: nenhum deles pode ser aplacado pelas ferramentas tradicionais de política macroeconômica contracíclica.

O primeiro choque potencial deriva da guerra comercial e monetária entre Estados Unidos e China, que ampliou se no mês passado, quando o presidente norte-americano, Donald Trump, ameaçou impor tarifas adicionais às exportações chinesas e rotulou formalmente a China como “manipuladora de moedas”. O segundo diz respeito à guerra fria de lenta maturação entre EUA e China sobre tecnologia. É uma rivalidade com todas as marcas de “Armadilha de Tucídides”. A China e os EUA disputam entre si o domínio sobre as indústrias do futuro: inteligência artificial (IA), robótica, 5G e outras. Os EUA incluíram a gigante chinesa Huawei em sua lista de companhias estrangeiras que representam, supostamente, uma ameaça à segurança nacional. Embora a Huawei tenha se beneficiado de exceções temporárias, que lhe permitem continuar usando componentes norte-americanos, o governo Trump anunciou, esta semana, que está acrescentando 46 parceiras da Huawei à lista.

O terceiro grande risco relaciona-se às fontes de abastecimento de petróleo. Embora os preços tenham caído nas últimas semanas, e uma recessão desencadeada por uma guerra comercial, monetária e tecnológica tenda a deprimir a demanda por energia e reduzir os preços, um confronto dos EUA contra o Irã poderia ter efeito oposto. Se ele degenerasse em confronto militar, os preços globais do petróleo poderiam disparar e provocar uma recessão, como ocorreu nas conflagrações anteriores no Oriente Médio em 1973, 1979 e 1990.

Todos estes três choques potenciais teriam efeitos estagflacionários, elevando o preço de bens de consumo importados, componentes intermediários e tecnológicos, além da energia – reduzindo, ao mesmo tempo, a produção, ao cortar cadeias internacionais de abastecimento. Pior: o conflito movido pelos EUA contra a China já está impulsionando um processo mais amplo de desglobalização, porque os países e empresas já não podem contar com estabilidade de longo prazo nas cadeias integradas de valor. À medida que o comércio de bens, serviços, capital, trabalho, informação, dados e tecnologia tornar-se cada vez mais balcanizado, os custos de produção global crescerão em todos os setores.

Além disso, a guerra comercial e monetária e a competição tecnológica amplificarão umas às outras. Considere o caso do Huawei, hoje líder global em equipamentos 5G. Esta tecnologia será em breve a forma-padrão de conectividade para a infraestrutura civil e militar mais crítica – para não mencionar os bens de consumo que estão conectados por meio da emergente Internet das coisas. A presença de um chip 5G implica que tudo (de uma torradeira a uma máquina de café) poderia se converter num aparelho de escuta. Significa que se a Huawei for amplamente vista como uma ameaça à segurança nacional, também o seriam milhares de exportações de bens de consumo chineses.

É fácil imaginar como a situação atual poderia levar a uma implosão em grande escala do sistema global de comércio. A questão, portanto, é se os formuladores de políticas monetárias e fiscais estão preparados para um choque prolongado – ou mesmo permanente – de abastecimento.

Na sequência dos choques de estagflação dos anos 1970, estes formuladores apertaram as políticas monetárias. Agora, porém os grandes bancos centrais, como o Fed norte-americano, já estão praticando o afrouxamento das políticas monetárias, porque a inflação e as expectativas de inflação permanecem baixas. Qualquer pressão inflacionária de um choque de petróleo será vista pelos bancos centrais como um mero efeito no nível de preços, mais que uma alta persistente da inflação.

Ao longo do tempo, os choques de abastecimento tendem a se converter em choques negativos de demanda, que reduzem tanto o crescimento quanto a inflação, ao deprimirem o consumo e os investimentos. Sob as condições atuais, os gastos das empresas nos EUA e em todo o mundo já estão severamente deprimidos, devido às incertezas sobre a probabilidade, severidade e persistência dos três choques potenciais.

Na verdade, à medida em que empresas dos EUA, Europa, China e outras partes da Ásia reduziram os gastos de capital o setor global de tecnologia, manufatura e indústria já está em recessão. A única razão para isso não ter se traduzido em recessão global é que o consumo privado permanece forte. Se os preços dos bens importados subir mais, como resultado de qualquer um destes três choques de abastecimento, o aumento da renda real (ajustada à inflação) disponível das famílias sofreria um choque, o mesmo ocorrendo com a confiança dos consumidores, o que conduziria a economia global a uma provável recessão.

Dado o potencial para um choque negativo de demanda no curto prazo, os bancos centrais estão corretos ao reduzir as taxas de juros. Mas os responsáveis pelas políticas fiscais deveriam também se preparar para uma resposta de curto prazo. Um declínio agudo no crescimento e na demanda agregada convidaria ao afrouxamento fiscal contracíclico, para evitar uma recessão muito severa.

A médio prazo, porém, a melhor resposta não seria uma acomodação aos choques de abastecimento, mas um ajuste a eles, sem novos afrouxamentos. Afinal de contas, os choques de abastecimento oriundos de uma guerra comercial e tecnológica seriam mais ou menos permanentes, assim como a redução do crescimento potencial. O mesmo aplica-se ao Brexit: deixar a União Europeia condenará o Reino Unido a um choque de abastecimento permanente e, portanto, a um potencial de crescimento menor, a longo prazo.

Tais choques não podem ser revertidos por meio de políticas monetárias ou fiscais. Embora eles possam ser geridos, no curto prazo, tentativas de mitigá-los permanentemente acabariam levando tanto a um aumento da inflação quanto das expectativas de inflação, que subiriam muito além das metas dos bancos centrais. Nos anos 1970, os bancos centrais mitigaram dois grandes choques de petróleo. Os resultados foram o crescimento, de forma duradoura, da inflação e das expectativas de inflação; déficits fiscais insustentáveis e rápido crescimento da dívida pública.

Por fim, há uma importante diferença entre a crise financeira global de 2008 e os choques de abastecimento que poderiam atingir a economia global hoje. Como naquele ano houve principalmente um grande choque de demanda, que deprimiu o crescimento e a inflação, foi possível enfrentá-lo, de forma adequada, com estímulos monetários e fiscais. Mas desta vez, o mundo estaria se deparando com choques prolongados de abastecimento, que iriam requerer um tipo muito distinto de resposta política a médio prazo. Tentar consertar o dano por meio de estímulos monetários e fiscais de duração indefinida não seria uma opção inteligente.

 Sexo, sexualidades e os dramas dos desequilíbrios sexuais

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O mundo contemporâneo vive momentos de excessiva mercantilização, os indivíduos compram e vendem de tudo neste novo mercado capitalista, desde produtos, mercadorias e serviços até amor, sexo e amizades, as negociações são intensas e o comércio cresce de forma acelerada, transformando tudo em negócios lucrativos e negociáveis, como os chamados homem econômico que subsidia as bases da economia moderna.

Nesta sociedade, os valores materiais estão se sobrepondo aos valores do espírito, a religião tende ao predomínio dos valores monetários, deixando de lado os valores enobrecedores que sempre foram as bases das verdadeiras religiões, que agem como seu conceito mais consistente, a religação do indivíduo a uma força ou um ser superior. Os templos são suntuosos, os cofres destas igrejas estão abarrotados de recursos amoedados, os indivíduos mais abastados garantem uma grande soma de dinheiro em troca dos deslizes cotidianos, compramos de tudo e usamos os recursos materiais para tentar limpar a nossa consciência, tão congestionada com os valores do dinheiro e do imediatismo do momento.

Neste mundo em constantes transformações percebemos uma grande movimentação nos mercados do sexo, novas formas de sexualidade estão gerando constrangimentos nas famílias e nos indivíduos, levando a violência física e ao desequilíbrio moral, degradando os valores e criando desavenças e desestruturações familiares, além de medos e inseguranças. A sexualidade reprimida de muitas pessoas encontra neste mercado uma larga oportunidade de desequilíbrios e desajustes, neste mercado o sexo é estimulado, sem responsabilidades e compromissos, e com valores monetários envolvidos crescendo de forma acelerada e garantindo lucros extraordinários de uns poucos em detrimento de outros.

O sexo vem perdendo seus mais intensos sentimentos, a sexualidade irresponsável busca prazeres imediatos e fogem das responsabilidades, os indivíduos buscam os gozos e não os compromissos, querem uma vida marcada por divertimentos e sem compromissos, como nos informa o grande sociólogo polonês Zygmunt Baumann, na obra Amor Líquido. Nesta obra, o autor reflete sobre os novos relacionamentos, todos centrados na busca pelo prazer e no distanciamento dos transtornos e das decepções, sem ligações e sem retornos, sem compromissos e sem decepções e comprometimentos.

Neste novo mercado encontramos um potencial explosivo, somente o mercado do sexo e da sexualidade movimentam mais de US$ 400 bilhões anualmente, agitando um mercado bilionário, caracterizado por filmes, viagens, turismos, academias, estética e beleza, gerando empregos e movimentando os sistemas econômico, financeiro e bancário. O mercado percebeu rapidamente que as energias emanadas do sexo são uma das mais potentes do ser humano, um potencial avassalador que quando utilizado de uma forma serena pode gerar frutos positivos e imediatos, mas quando usados de forma equivocada tende a gerar constrangimentos violentos, dores e desequilíbrios intensos nos cidadãos.

As informações trazidas pela Doutrina Espírita nos levam a reflexões intensas, mostrando-nos que muitos dos desequilíbrios oriundos da sociedade estão relacionados aos desajustes sexuais, sexualidade destrutiva, gerando dores em irmãos que partiram para o mundo espiritual e ainda se encontram muito fortemente atrelados as energias sexuais, estes indivíduos apresentam grandes dramas na sexualidade, vivem pensando em sexo, em prazeres sexuais e desejos escabrosos, perpetuando diuturnamente como satisfazer estas vontades, com isso, se aproximam dos casais mais incautos e se satisfazendo mais intimamente, parasitando os desejos alheios e permanecendo muito atrelado ao sexo e aos gozos imediatos.

A Doutrina Espírita nos mostra a importância do sexo na sociedade, as relações devem ser responsáveis e os valores nelas envolvidos devem ser sólidos, os indivíduos devem ver o sexo como uma grande oportunidade de crescimento e de consolidação de uma base moral e espiritual mais consistente nos indivíduos, um movimento que pode culminar em relacionamentos mais intensos e estruturados, chegando muitas vezes na construção de uma nova família, baseada em valores mais verdadeiros de amor, respeito e solidariedade.

São muitas as obras espíritas que nos trazem informações sobre a temática da sexualidade, dentre eles destacamos Sexo e destino, ditado por André Luiz e Vida e Sexo, ditado pelo espírito Emmanuel, ambos psicografados pelo médium Francisco Cândido Xavier. Estas obras analisam a questão do sexo, suas energias e as responsabilidades e vínculos que geram entre os indivíduos, afinal nesta permuta de energias os espíritos trocam mais do que valores materiais, se integram e se tornam mais humanos e sentimentais.

Relacionamentos ocasionais e esporádicos são cada vez mais constantes nesta sociedade, a busca do prazer aumenta e as consequências muitas vezes são deixadas de lado, nestes casos muitos são surpreendidos com uma gravidez indesejada que se levada a cabo pode trazer graves constrangimentos para os envolvidos, desde desequilíbrios futuros até constrangimentos para o herdeiro que retorna do mundo espiritual, tendo nos pais pouco responsáveis e imaturos um envolvimento direto e uma responsabilidade intensa por seus passos futuros.

O espiritismo nos mostra que nos relacionamentos irresponsáveis e nos encontros esporádicos, sem sentimentos e valores desconexos, ocorridos em locais insalubres e deselegantes, muitos casais são acompanhados por entidades de baixo padrão vibratório, irmãos que mesmo desencarnados ainda não conseguiram se desvincular do mundo material, sua busca por prazer é tão insana que se refugiam em locais de vibrações semelhantes para se satisfazer com os prazeres de casais incautos e desequilibrados. Muitos relacionamentos estão marcados pela presença de inúmeras entidades, o casal foge para um local distante e acredita estar sozinho no local, mal podem imaginar que ao chegarem neste ambiente, encontram uma infinidade de entidades inferiores e espíritos de baixo padrão vibratório que se comprazem com as gotas de prazer deste encontro marcado pelo anonimato e pela insensatez.

Segundo Francisco Cândido Xavier, mais de cinquenta por cento dos irmãos desencarnados não tem consciência de que desencarnaram, são entidades que partiram para o mundo dos espíritos e ainda permanecem presos à matéria, sentindo os prazeres do sexo, das drogas e das bebidas, nesta situação se aproximam de irmãos incautos e passam a extrair destes indivíduos gotas destes prazeres, atuando como verdadeiros vampiros espirituais, mesmo não querendo fazer mal ao seu hospedeiro, acabam-lhe gerando fortes constrangimentos, desde os emocionais, até os físicos e os espirituais. Em épocas nem tão remotas, muitas pessoas foram internadas em hospitais psiquiátricos como loucos ou como desequilibrados devido a presença de entidades que viam neles um espaço de prazeres e satisfações materiais. O desconhecimento das questões espirituais sempre trouxe grandes distúrbios na sociedade, levando muitas pessoas a tratamentos dolorosos, muitos deles sendo vitimados por choques elétricos e dores das mais intensas, sendo confundidos e chamados de loucos eram na verdade, apenas irmãos desequilibrados, muitos deles perturbados pelas energias do sexo descontrolado.

Neste novo ambiente, a sociedade está tomando contato mais intimamente com a homossexualidade, neste momento estão reencarnando uma grande quantidade de pessoas com desequilíbrios na área da sexualidade, que reencarnam nesta condição como forma de se reequilibrar com as leis divinas, estes irmãos se encontram em um amplo e positivo processo de educação de suas sexualidades, devido à anos de desajustes e desequilíbrios que precisam ser revistos, só assim estes irmãos vão conseguir se preparar melhor para novas oportunidades na matéria.

O Espiritismo nos mostra que a homossexualidade não deve ser vista como algo negativo, muitas famílias enxotam filhos e membros do seio familiar devido a manifestações homossexuais ou bissexuais, maltratam e agridem estes indivíduos e muitas vezes os humilham, acreditando que tê-los na família deve ser visto como uma punição de Deus. Outros mais desequilibrados acabam matando seus familiares, se rendendo ao rancor e ao ressentimento que, muitas vezes, se encontra no âmago de seu ser e num momento de insanidade e desesperança.

Muitos casos de homossexualidade ou de bissexualidade estão vinculados a desequilíbrios em vidas anteriores, muitos irmãos mal barataram as questões sexuais, humilharam ou agrediram irmãos homossexuais e, nesta vida, passam por vivências que antes condenaram como forma de desenvolver a solidariedade, o respeito e a empatia, deixando de lado as críticas mais ácidas e os julgamentos, tão comuns em pessoas superficiais e hipócritas.

O desenvolvimento tecnológico abriu novos espaços para a manifestação do sexo e da sexualidade, as redes sociais expõem as agruras sexuais dos indivíduos, que perdem o pudor de se mostrarem em câmeras e aplicativos, alguns fazem destas exposições espaços de lucratividade e de rendimento, transformando o sexo em um negócio altamente lucrativo, faturando milhões e vivendo no lucro, no consumo irresponsável e na alienação intelectiva. As redes sociais, como nos foi dito por Umberto Eco deu voz aos idiotas, levando-os a uma exposição excessiva, onde fotos e vídeos circulam sem nenhum puder, buscando performance e rentabilidade, valores materiais e luxo, deixando de lado os verdadeiros valores da vida. Quando estes irmãos desencarnam e retornam ao mundo espiritual se frustram com suas opções superficiais e imediatistas, percebendo o quanto perderam tempo na vida, deixando uma oportunidade de crescimento passar e se deixar levar por prazeres que pouco contribuem para seu desenvolvimento espiritual e emocional.

Quando os jovens homossexuais ou bissexuais, nos anos 90, passaram a se ver na internet, nos canais de streaming e nas TVs por assinaturas, começaram a se comunicar e passaram a criar comunidades, que cresceram e ganharam adeptos, com isso, passaram a compreender que sua situação vivida por eles devia ser vista como algo natural, a homossexualidade e a bissexualidade se transformaram em um drama menor que poderia ser compartilhado com outras pessoas e, com isso, suas dificuldades poderiam ser reduzidas e deixadas para trás.

O amor e o sexo devem caminhar lado a lado, os valores ligados ao sexo e a sexualidade devem ser vistos como uma preservação do templo maior dos seres humanos, que tem em seus corpos um santuário que devem ser entregues quando os indivíduos retornarem ao mundo espiritual, a responsabilidade pelas nossas vestes materiais é de cada pessoa, intransponível, podemos usar da forma que acharmos conveniente, mas não devemos abusar deste uso, pois se assim o fizermos, seremos responsáveis pelo desgaste excessivo que impusermos ao nosso corpo material.

A visão que aprendemos nas letras espíritas não nos condenam por atitudes e comportamentos, somos livres para atuar e comandar nossos comportamentos, mas devemos ter em mente que assim como somos livres para decidir devemos ter consciência de que nossas escolhas e decisões tem importância e consequências, muitas delas imediatas que vão seguir conosco durante muitos anos.

No livro Nosso Lar, psicografia de Francisco Cândido Xavier e ditado pelo espírito André Luiz, somos levados a conhecer a vida de um médico que quando acorda no mundo espiritual recebe a informação que seu desencarne foi obra de um suicídio indireto, o facultativo não queria se suicidar, mas abusou de seu corpo material de uma forma muito insana, viveu muitos relacionamentos e prazeres, muitos deles ligados ao mundo da sexualidade, e naquele momento teve de prestar constas a sua consciência, esta sim implacável e avassaladora.

Com estas novas formas de sexualidade, a sociedade passou a se ver de forma mais escancarada, neste momento passou a denegrir os indivíduos que apresentavam algumas dificuldades nesta área, com isso, passou a reprimir e tentar matar estes sentimentos que os homossexuais cultivam intimamente, desta forma aumentou os desequilíbrios emocionais dos indivíduos e abriu espaços para que os irmãos desencarnados que apresentavam o mesmo padrão vibratório se aproximassem e passassem a vampirizar estes indivíduos viventes no mundo material.

Somos dotados de energias variadas e atraímos as mais variadas energias no cotidiano, o sexo é um grande gerador de energias, segundo os especialistas as energias do sexo perdem apenas para as energias da mente, seu potencial é imenso, quando bem treinadas e educadas elas podem nos conduzir a amplos espaços de crescimento, atraindo boas vibrações e irmãos desencarnados, agora, quando deixamos estas energias nos dominar e nos comandar, atraímos entidades de baixo teor vibratório que nos causam graves constrangimentos no cotidiano.

Aqueles que vivem da exploração do sexo, quando deixarem o mundo material terão que responder por muitos desajustes e desequilíbrios impingidos a outros seres humanos, sem tirar a responsabilidade individual de cada indivíduo, somos chamados para um encontro com nossa consciência, é neste momento que encontramos as maiores dores, as maiores frustrações e os mais intensos sentimentos de que perderam tempo importante que não voltam mais, neste momento temos que nos perdoar e seguir em frente nos instruindo e nos capacitando para que quando uma outra oportunidade aparecer nós não mais nos envergonhemos de nossas decisões e comportamentos equivocados.

Suicídio, Depressão e as dores da alma da sociedade contemporânea

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A sociedade mundial vem passando por grandes transformações nos últimos trinta anos, modelos anteriormente responsáveis por forte crescimento econômico, geração de emprego e melhora nas condições de vida da população estão sendo substituído por paradigmas caracterizados por crises econômicas constantes, desemprego, desesperanças generalizadas e sentimentos de medo e melancolia, levando os indivíduos a medidas extremas, assustadoras e que pioram a situação de forma acelerada.

Neste ambiente de grande conflagração, percebemos um crescimento das violências em todos os grupos sociais, as famílias vivem momentos de grandes dificuldades, as empresas se encontram marcadas por medos e preocupações com novas tecnologias e aumento de despensas de funcionários, os governos vivem instantes de inquietações devido a acordos internacionais e pressões sociais e políticas, o mundo do século XXI é realmente um mundo de grandes preocupações, medos e desesperanças.

Diante destas crises e incertezas, as pessoas estão cada vez mais propensas a desatinos, os suicídios estão crescendo de forma acelerada, a cada quarenta segundos uma pessoa se suicida no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), gerando graves constrangimentos em seu entorno, desequilibrando familiares e gerando um ambiente de desespero e inseguranças, muitos recorrem a estas medidas extremos acreditando que assim vão conseguir fugir de suas dores, acreditando que conseguirão resolver suas dificuldades, esquecem-se de que o suicídio é o maior crime que o ser humano comete contra si, abrindo mão de seu corpo físico e fugindo de uma oportunidade que recebe para evoluir e se desenvolver, tal como nos mostra a lei de Deus.

Como este problema afeta milhares de pessoas em toda a sociedade internacional, o mês de setembro foi escolhido para a prevenção do suicídio, este mês recebeu a designação de Setembro Amarelo, uma forma de conscientização da sociedade dos males causados por este gesto insano e altamente irresponsável, onde o desespero do ser humano e a total falta de equilíbrio o leva a tirar a sua própria vida e mergulhar em choros e desajustes generalizados.

A mobilização da sociedade pode ser o caminho encontrado pelas instituições para reduzir os suicídios, campanhas de conscientização estão ganhando força e encantando as comunidades, peças de teatro falando sobre a temática, aplicativos que vasculham as redes sociais em busca de pensamentos ou frases que possam estimular o suicídio e identificar pessoas depressivas ou comunidade de indivíduos que são mais propensos a este gesto insano, a tecnologia pode auxiliar no atendimento e na reflexão sobre este tema tão atual, assustador e responsável por dores, constrangimentos e perturbações.

A Doutrina Espírita nos traz grandes informações sobre a temática do suicídio, nos mostrando através de uma literatura imensamente rica e variada as dores que acometem os indivíduos num momento como este, mesmo compreendendo que o indivíduo que se suicida está envolto em grande desespero, nos mostra que, muitos destes irmãos, ainda estão sendo acompanhados por entidades infelizes que o estimulam ao ato extremo, são irmãos doentes da alma, cujos corações se veem cercados por negatividades e ressentimentos, atuando para levar estes indivíduos mais incautos e desequilibrados, antecipando encontros revestidos em mágoas, ressentimentos e rancores.

A Doutrina nos relata as aflições e as agruras que esperam todos que optam pelo suicídio, escolhendo um caminho escuro e sem luz, uma escolha terrível com graves consequências, levando o indivíduo, rapidamente, a perceber que suas escolhas foram equivocadas e a fuga encontrada foi muito mais uma ilusão passageira do que uma solução para as verdadeiras dificuldades que o levaram até este gesto insano e altamente degradante.

A obra de Yvonne do Amaral Pereira dialoga com as questões ligadas ao suicídio e nos mostra o acordar do suicida no mundo espiritual, suas lembranças corroendo seu coração e pairando fortemente sobre sua mente, suas dores físicas e principalmente os remorsos que se avolumam na alma, criando medos, ressentimentos e uma forte sensação de desampara e desesperança, sentimentos que corroem a alma e transborda para seus irmãos encarnados de uma forma bastante intensa e insana.

Na sociedade contemporânea, percebemos um incremento vertiginoso do suicídio, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a cada quarenta segundos uma pessoa se suicida no mundo, estes indivíduos para cometer estes gestos insanos devem estar em momentos de grande desespero, atentar contra a própria vida deve ser visto como uma atitude extrema que causa dores fortes e indescritíveis na alma e no coração das pessoas.

Além do suicídio, percebemos um crescimento acelerado da depressão e da ansiedade, somente esta primeira acomete mais de quatrocentas milhões de pessoas na comunidade internacional, gerando sentimentos degradantes e medos generalizados e obrigando as autoridades mundiais a repensarem muitas das políticas que se disseminaram pela sociedade nos últimos trinta anos, marcadas pela crescente competição entre pessoas, empresas e países e uma busca alienada por bens e recursos monetários que acaba transformando tudo em mercadorias comercializáveis nos mercados internacionais.

Os vazios dos indivíduos, a superficialidade das relações sociais, a competição selvagem e degradantes, as dificuldades de ascensão social, o poder do dinheiro e os medos com os rumos da sociedade, estão levando os indivíduos a caminhos perigosos. A busca pelo possuir, pelo ter e pelo comprar está escondendo da natureza dos relacionamentos o verdadeiro eu de cada indivíduo, as razões da existência e os sentidos da vida, culminando em seres cada vez mais imediatistas, materializados e altamente instáveis, se comportando igualmente ao sistema econômico dominante da sociedade internacional.

O modelo econômico dominante na sociedade internacional gera um incremento na instabilidade e nas incertezas nas pessoas, possibilitando graves desequilíbrios nos indivíduos, obrigando setores ligados a saúde a aumentarem os investimentos em pesquisas e em novas drogas, com isso percebemos que os dispêndios destes setores estão nos níveis mais elevados dos últimos anos, levando a criação de drogas e medicamentos que dopam os indivíduos e os tiram da realidade social, evitando uma maior reflexão sobre as causas desta insanidade coletiva que, ao mesmo tempo, que incrementa as descobertas científicas e tecnológicas, levam os indivíduos a acelerarem as dores da alma e os desajustes emocionais e psicológicos.

As fugas e os medos atemorizam os indivíduos, somados à convicção de que a vida é única e pessoal, levam cidadãos incautos a comportamentos imediatistas, deixando de lado a construção de relacionamentos mais sólidos e serenos, boicotando o meio ambiente, a preservação da vegetação e deixando de lado a ética e a moral, tudo isto ajuda a compreender como estamos desolados e, como seres humanos, perdidos em um mundo cujas estruturas estão em franca destruição e novas bases estão sendo construídas, cabendo a cada indivíduo uma busca pelo seu equilíbrio interior sob pena de perder a razão e se entregar para uma sociedade degradante e patologicamente afetada.

Na sociedade contemporânea os indivíduos estão cada vez mais vazios e cheios de pobreza espiritual, concentram-se em valores transitórios e confundem conceitos fundamentais, se entregam as facilidades materiais e deixam de lado os valores do espírito, da imortalidade da alma e da continuidade da vida. A Doutrina dos Espíritos nos traz uma outra forma de enxergar a realidade, desde a publicação de O Livro dos Espíritos (1857), uma nova realidade foi revelada para a sociedade mundial, enfraquecendo os valores materiais e deixando claro que a vida transcende a matéria, somos espíritos estagiando em corpos materiais, a verdadeira vida está no mundo dos espíritos, a matéria é transitória.

Vivemos um mundo de grandes transformações de todas as naturezas, todas as bases que sustentam esta nova sociedade estão em franca modificação, se compararmos com as sociedades anteriores centradas nas famílias, nas escolas e nos locais de trabalho, percebemos mudanças extraordinárias com impactos generalizados sobre todos os indivíduos. As famílias estão sendo alteradas, os modelos tradicionais estão dando espaço para novas configurações, transformando as noções de gêneros e de relacionamentos. As escolas que sempre foram vistas como o local do conhecimento e dos conteúdos intelectuais estão perdendo seu pedestal, na atualidade outras arenas estão surgindo e alterando os modelos escolares, como as redes sociais, as plataformas de palestras e aulas, como educação a distância, youtube, plataformas de streamings… dentre outros.

O mundo do trabalho em constante transformação está alterando rapidamente o emprego e as ocupações dos indivíduos, exigindo uma intensa qualificação, cursos e novas capacitações e, mesmo assim, não mais garantem que estes indivíduos consigam se posicionar no mercado de trabalho, gerando medos e ansiedades em todos os grupos sociais, dentre eles os jovens e os adolescentes que percebem nestas mudanças uma grande dificuldade de progresso, levando-os, muitas vezes a depressões, ansiedades e nos extremos suicídios como uma forma de fugir das pressões sociais e familiares que os oprimem intensamente.

Percebemos nesta sociedade um grande distanciamento dos membros da família, os familiares pouco conversam, com o aumento das atividades as pessoas estão cada vez mais concentradas em seus afazeres do cotidiano, os pais estão envoltos em trabalhos e estudos que deixam seus filhos para segundo plano, muitos acreditam que o mergulho nas atividades profissionais tende a garantir recursos para satisfazer as necessidades pessoais dos filhos, esquecendo que estão deixando de lado a construção de relacionamentos muito mais sólidos e consistentes, o estar presente no cotidiano dos filhos, o conversar e o acompanhar diário tende a servir como um grande elixir contra vários vícios contemporâneos, auxiliando na construção dos anticorpos necessários para afugentar as crianças e os adolescentes de drogas, violências e a criminalidade crescentes.

O papel dos pais é fundamental para construir famílias mais sólidas e relacionamentos mais consistentes, quando este ente se distancia dos filhos e os deixa em segundo plano, muitos desajustes passam a acompanhar estes adolescentes, transformando a família e contribuindo para que vícios e desequilíbrios destruam as relações, cabe aos país ou responsáveis a criação e a educação dos seus filhos e não mais deixá-los de lado e terceirizar seu papel e sua responsabilidade no cotidiano dos menores e, muitas vezes, indefesos.

O livro Memórias de um suicida, de Yvonne do Amaral Pereira, nos mostra que a fuga das dificuldades não se dá via suicídio, muitos daqueles que se enveredaram por este caminho tiveram que encarar as agruras desta decisão deplorável e insana, passaram uma longa temporada em regiões trevosas, conviveram com as mazelas humanas, as dores mais íntimas e a degradação dos seres humanos, tudo isto serve de alerta para que os indivíduos repilam imensamente este caminho, cujos males se apoderam da alma e causam graves constrangimentos ao coração.

Vivemos em uma sociedade doente, as dores da alma acometem todas as classes sociais, não diferenciando países, crenças e nacionalidades, gerando mágoas e ressentimentos intensos, a raiz destes desequilíbrios está na ausência de Deus e dos valores verdadeiros da solidariedade, do amor e da família, somos indivíduos em constantes transformações, a busca do conhecimento não deve se restringir aos conhecimentos materiais, sempre imediatistas e superficiais, temos que nos enveredar também pela busca dos valores do espírito, que estão inseridos no íntimo de cada ser humano e foram inscritos pelas variadas experiência que tivemos e dos sentimentos que cultivamos, este mergulho é essencial e inadiável e deve ser feito de forma individual, sem este mergulho viveremos em um mundo superficial e continuaremos a culpar os outros indivíduos pelas inconsistências que vivemos e nos atrelamos intimamente.

A sociedade mundial está percebendo que estas patologias estão gerando graves constrangimentos para toda a sociedade, com o incremento da depressão, da ansiedade e do suicídio, o ambiente se sobrecarrega de energias negativas e contaminadas de incertezas e desequilíbrios, estas energias estão acometendo as pessoas e levando as comunidades a degradações morais que nos impedem de entender e de compreender os verdadeiros valores da vida, perpetuando dores intensas e misérias morais e limitações espirituais.

O suicídio, a depressão e a ansiedade são patologias que crescem de forma acelerada na sociedade contemporânea e nos mostra intimamente que os verdadeiros valores da vida são mais simples e modestos do que os indivíduos querem acreditar, a consciência tranquila, o coração carregado de paz e de solidariedade e o trabalho no bem nos levam a construir valores morais e éticos sólidos que tende a nos levam para caminhos mais seguros e eficientes, a dois mil anos recebemos estas informações de forma serena e equilibrada e, mesmo depois destes anos, ainda insistimos em buscar a felicidade em riquezas materiais e passageiras, com isso, mergulhamos em depressão, ansiedade e enveredamos para o suicídio.

A empresa do tráfico de drogas e a proliferação da pobreza no norte e no nordeste. Entrevista especial com Roberto Reis Netto.

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 Por: Patricia Fachin | 06/09/2019

Os altos índices de violência nos estados do Norte e Nordeste podem ser explicados pelo fato de que essas regiões foram privadas de “políticas públicas de desenvolvimento regional”, diz Roberto Magno Reis Netto, especialista em segurança pública pela Universidade Federal do Pará. A falta de políticas públicas, acentua, “acabou desembocando em um verdadeiro apartheid social, que aos poucos foi integrando essas pessoas a outras economias menos formais e, dentre elas, as economias ilícitas, as economias do crime”.

Nos últimos anos, Reis Netto tem estudado a integração de presídios às redes territoriais do tráfico de drogas no Norte do país e, consequentemente, a atuação das facções na região e suas implicações sociais. Altamira, município que foi palco da construção da hidrelétrica de Belo Monte nos governos Lula e Dilma, é um exemplo “marcante” da violência no estado do Pará, onde as facções estão em expansão desde 2010. Cidades como essa, menciona, propiciaram o surgimento de uma massa de trabalhadores que, por estarem abandonados à própria sorte, encontraram no tráfico “uma grande possibilidade de inserção”.

Igualmente, o pesquisador também vem investigando a relação do tráfico de drogas com a proliferação da pobreza na região Norte. Segundo ele, “o tráfico se dá utilizando, e muito — é uma hipótese que estamos levantando —, a droga enquanto dinheiro-mercadoria, isto é, se negocia o transporte da droga com uma parcela da droga transportada. Por exemplo, se alguém transporta 100 quilos de droga e recebe por esse transporte 10 quilos de droga, e se essa pessoa comercializa a droga na sua região, o traficante está possibilitando um ganho de valor agregado muito maior do que poderia ser possibilitado em dinheiro, fora os problemas de câmbio que teria na região e os problemas de se tornar visível para os órgãos fiscais, que fragilizam o negócio. Quando um traficante paga o transporte da droga com uma pequena quantidade de droga, quem recebe o resíduo pode contratar pequenos varejistas, pulverizar essa droga por aí e conseguir um ganho de valor pelo seu refino e diminuição do seu grau de pureza, lucrando bastante na própria região. Com isso, o que está acontecendo? A pessoa está extraindo dinheiro da sua própria região para si mesmo, que pode ser disfarçado por uma série de mecanismos de lavagem de dinheiro e, sim, realocando a economia e o poder local. Se isso, no fim das contas, resulta em pobreza? Eu penso que toda a concentração de dinheiro nas mãos de alguém, na outra ponta vai ocasionar pobreza”, afirma.

Na entrevista a seguir, concedida por WhatsApp à IHU On-Line, ele adverte ainda que “temos que olhar para o tráfico como uma empresa, temos que entender o fluxo de capitais dentro do tráfico de drogas como um verdadeiro fluxo de caixa. Enquanto ficarmos olhando o tráfico de drogas como crime demonizado feito por pessoas que não usam terno e gravata, estaremos agindo de forma mais do que completamente equivocada, inclusive quanto a se pensar sobre a legalização ou a não legalização [das drogas]”.

 Roberto Reis Netto é graduado em Direito e mestre em Segurança Pública pela Universidade Federal do Pará – UFPA, e doutorando em Geografia, na linha dinâmicas territoriais na Amazônia, com ênfase em geografia e segurança pública. Atualmente é professor do curso de graduação em Direito, na Escola Superior Madre Celeste – ESMAC, e instrutor no Instituto de Ensino de Segurança Pública do Pará – IESP.

IHU On-Line — Segundo o Atlas da Violência 2019, os estados do Norte e Nordeste estão entre os mais violentos do país. A que atribui esse quadro?

Roberto Reis Netto — O Norte e o Nordeste estão despontando em termos de violência por serem regiões historicamente esquecidas por uma série de políticas públicas de desenvolvimento regional. Não falo, por exemplo, das políticas de desenvolvimento da Zona Franca e de projetos; falo de políticas públicas voltadas ao atendimento dos setores básicos da população, como educaçãosaúde, integração de diversas áreas pauperizadas a outras, que realmente prestam serviços nas cidades. Então, isso acaba desembocando em um verdadeiro apartheid social, que aos poucos vai integrando essas pessoas a outras economias menos formais e, dentre elas, as economias ilícitas, as economias do crime. Principalmente quando falamos na rede de tráfico de drogas, em nível nacional, regional e local, estamos falando de uma rede que funciona à imagem e semelhança de uma verdadeira empresa, porque costuma agregar pessoas para diversas funções. As funções da ponta do varejo são ocupadas pelas parcelas mais esquecidas da população, justamente aquelas pessoas mais pobres, que acabam vendo na economia do tráfico uma possibilidade de conseguir o que o mercado formal não lhes dá.

IHU On-Line — O senhor já comentou em outras ocasiões que o crescimento econômico e populacional de Altamira, no Pará, estimulado pela construção da usina de Belo Monte, fomentou a atuação das gangues na cidade. Pode nos contar como aconteceu esse processo? Qual é o perfil dos membros dessas gangues?

Roberto Reis Netto — O caso de Altamira é justamente um exemplo marcante disso. Com o estabelecimento dos grandes projetos, não só nesse município, mas em vários outros, é muito fácil de observar um grande fluxo populacional que se estabelece nessas áreas, principalmente durante a fase de construção da hidrelétrica de Belo Monte. Essas mesmas pessoas que, obviamente, no início são aproveitadas e lastreadas pelas empresas dentro de empreendimentos e vilas, logo em seguida são abandonadas à própria sorte, dentro de uma economia que acaba se estabelecendo nas cidades. Essas pessoas que a princípio habitariam a vila de operários, logo em seguida começam a ocupar as zonas precárias das cidades ou os chamados aglomerados subnormais, isto é, as invasões que vão surgindo ao longo desse processo. De novo: áreas esquecidas pelo Estado, que vão propiciando o surgimento de uma massa de trabalhadores, que alguns chamam de massa de trabalhadores de reserva ou exército de reserva no mercado de trabalho, que é muito utilizada pelo tráfico de drogas, justamente por serem pessoas que estão lá, à própria sorte, querendo ingressar em uma economia ou em algo que lhes renda esses bens de consumo que a sociedade tanto promete. O tráfico chega com uma grande possibilidade de inserção.

As facções acabam batizando grupos locais (as gangues), como ocorre com o Comando Vermelho – CV. Observamos que são pessoas com um perfil predeterminado específico, que é o mesmo perfil das pessoas que estão encarceradas neste exato momento: na sua maioria, pretos e pardos, que compõem, pelo IBGE, a chamada raça negra; em segundo lugar, pessoas extremamente jovens, figurando entre os 18 e 29 anos; pessoas de baixa escolaridade, que só cursaram até o ensino fundamental; e, obviamente, pessoas oriundas de zonas pauperizadas da cidade, a maior parte também presa por crimes contra o patrimônio, como roubo e furto, e por tráfico de drogas. Em primeiro lugar, observamos os crimes contra o patrimônio, seguido do tráfico de drogas no estado do Pará. Essa tendência se repete em vários outros estados da federação.

IHU On-Line — É possível identificar a partir de que momento as facções passaram a atuar nas regiões Norte e Nordeste do país? Essas regiões têm alguma especificidade que faz com que as facções atuem ali?

Roberto Reis Netto — Não existe um lastro predeterminado. Dois delegados do estado do ParáDr. Fernando de Souza Rocha e Dr. Mac Dowell Fortes Silveira Cavalcanti Filho, estão pesquisando a história das facções no estado. Alguns pesquisadores relatam que a primeira aparição do Comando Vermelho na região teria se dado por meio de uma pessoa ainda na década de 1990, mas não há dados precisos a respeito disso. Com certeza, ao longo dos anos 2000 houve um estabelecimento dessas facções em nosso estado [Pará], as quais em seguida se consolidaram com mais força na década seguinte, quando houve a grande expansão das facções criminosas, principalmente no Pará. No Amazonas esse fenômeno é um pouco anterior, sobretudo por conta da importância que o Amazonas tem em relação aos países que são produtores de cocaína. Há também alguns relatos anteriores em relação, principalmente, ao Acre e, residualmente, ao Amapá. Mas no Pará, a principal inserção das facções foi no início dos anos 2000 e a grande expansão foi na década de 2010.

Quanto à especificidade, temos que considerar que o Norte e o Nordeste têm uma rota direta, com muitos rios, com um espaço aéreo de difícil fiscalização, com matas que permitem uma circulação à revelia dos órgãos fiscais do Estado em diversos sentidos. Então, esse território acaba sendo muito importante para o fluxo das drogas que vêm da região Andina, como PeruColômbia e Bolívia, embora hoje se fale também na Venezuela. Mas, notadamente, segundo o World Drug Report, esses países são os principais fornecedores de cocaína e dos produtos que dão origem à cocaína, como a pasta base.

Então, justamente pela possibilidade de escoamento do produto rumo à Europa via portos do Norte ou da chamada rota Caipira, principalmente no estado de São Paulo, o Brasil e o Norte e Nordeste adquirem uma importância muito forte nessa rede de escoamento internacional. Quanto menor a fiscalização, mais barato sai para transportar o produto à Europa, onde ele ganha um valor agregado muito maior.

IHU On-Line — A disputa entre as facções nos presídios se manifesta nas ruas do Pará? Ainda nesse sentido, como os jovens são afetados ou cooptados pelas facções?

Roberto Reis Netto — A disputa das facções é muito mais sensível dentro dos presídios. Inclusive, neste momento, estou em São Paulo defendendo um trabalho sobre isso, falando sobre uma cartografia biopolítica das facções criminosas. Até mesmo a forma como se dá a morte de uma pessoa dentro da cadeia, mostra a potencial presença de uma facção. Por exemplo: em 2018 despontou no estado do Pará o número de suicídios, que na verdade não são suicídios, são simulações de suicídios para evitar inquérito contra as pessoas que cometeram o verdadeiro homicídio dentro do cárcere.

Quanto às ruas, as facções costumam evitar o conflito: a primeira regra é evitar o conflito, porque isso chama a atenção da polícia, da imprensa e dos órgãos de segurança pública em geral, tornando visível a ação das facções, quando na verdade elas têm o interesse de que suas redes fiquem no anonimato, fiquem escondidas. Porém, é muito comum observarmos casos de pessoas que são mortas. Por exemplo, se uma pessoa é identificada como pertencendo a uma facção, a outra facção costuma rastreá-la e aplicar-lhe uma pena, que costumam chamar de “decreto”, condenando essa pessoa a uma morte cruel, muitas vezes filmada e disseminada pela internet como exemplo para os contrários.

IHU On-Line — Quais são as implicações sociais da existência do tráfico no Norte e no Nordeste? Ele contribui para a proliferação da pobreza nessas regiões?

Roberto Reis Netto — Neste momento, como uma parte muito importante da minha tese, estou defendendo algo que se vincula à ideia do que você perguntou: se o tráfico ajuda na proliferação da pobreza. Na verdade, o tráfico se dá utilizando, e muito — é uma hipótese que estamos levantando —, a droga enquanto dinheiro-mercadoria, isto é, se negocia o transporte da droga com uma parcela da droga transportada. Por exemplo, se alguém transporta 100 quilos de droga e recebe por esse transporte 10 quilos de droga, e se essa pessoa comercializa a droga na sua região, o traficante está possibilitando um ganho de valor agregado muito maior do que poderia ser possibilitado em dinheiro, fora os problemas de câmbio que teria na região e os problemas de se tornar visível para os órgãos fiscais, que fragilizam o negócio. Quando um traficante paga o transporte da droga com uma pequena quantidade de droga, quem recebe o resíduo pode contratar pequenos varejistas, pulverizar essa droga por aí e conseguir um ganho de valor pelo seu refino e diminuição do seu grau de pureza, lucrando bastante na própria região. Com isso, o que está acontecendo? A pessoa está extraindo dinheiro da sua própria região para si mesmo, que pode ser disfarçado por uma série de mecanismos de lavagem de dinheiro e, sim, realocando a economiae o poder local. Se isso, no fim das contas, resulta em pobreza? Eu penso que toda a concentração de dinheiro nas mãos de alguém, na outra ponta vai ocasionar pobreza.

IHU On-Line — A sua pesquisa de mestrado tratou sobre a integração de presídios às redes territoriais do tráfico de drogas. Quais são os principais resultados dessa pesquisa acerca da integração dos presídios às redes de tráfico?

Roberto Reis Netto — Quanto à minha pesquisa de mestrado, que está disponível na internet, foram identificadas seis estratégias das quais o tráfico de drogas, sejam os grandes traficantes, as facções ou os pequenos traficantes, costumam se valer para integrar as cadeias e as redes territoriais externas. A primeira delas é a busca por uma associação interna entre os presos de modo a aproximá-los e unir suas próprias redes, fortalecendo seus vínculos e seus poderes internos e, com isso, sua capacidade de gestão dos negócios. Em segundo lugar, eles buscam, por meio dessa associação interna, uma associação externa, ganhando mais espaço com as redes pelos contatos que têm fora da cadeia, como os parentes, advogados e facções aliadas. Em terceiro lugar, costumam cooptar agentes do sistema penitenciário — este é o tema de um artigo que vou publicar em breve, que é uma parte inédita da minha dissertação —, seja pelo dinheiro, que é a forma preponderante, seja pelo medo, que é um fator que nós encontramos no estado do Pará, seja, residualmente, por concordância ideológica, o que ninguém pode afirmar se existe no Brasil. É muito comum observar que as facções usam os agentes penitenciários pela facilidade de eles estarem nos dois mundos — interno e externo — como importantes trunfos de poder.

Em seguida, costumam estabelecer uma rede interna de tráfico de drogas, e a droga não vale só como um comércio dentro da cadeia; ela também é um trunfo de poder, porque quem controla a droga, controla a população carcerária e a massa de consumidores. Além disso, observamos que eles costumam usar meios de comunicação e essa é uma estratégia muito forte para conseguirem manter a informação com o mundo externo, que são inseridos pelas formas mais diversas dentro das cadeias, tal qual as drogas — hoje se fala até no uso de drones, por exemplo. E, finalmente, há um enfrentamento direto com o poder público, seja de forma velada, por greves brancas e de fome, seja por uma forma mais direta, por meio de fugas e rebeliões. No Pará, no ano de 2018, houve uma tentativa de fuga que resultou na morte de 22 pessoas, inclusive de civis que, infelizmente, passavam pela região no momento do ataque realizado por uma determinada facção. As facções ainda se utilizam de meios de contrainteligência, que são formas de neutralizar as ações dos órgãos de inteligência, evitando que eles levantem informações sobre as facções. Basicamente foram essas seis estratégias identificadas.

IHU On-Line — Sua pesquisa de doutorado é sobre as estratégias de intangibilidade territorial dos macroagentes do tráfico de drogas. Pode explicar em que consiste?

Roberto Reis Netto — Quanto à minha pesquisa de doutorado, ela vai tentar verificar os agentes que estão no nível acima daqueles visíveis. Aqueles que são apontados como violentos, estigmatizados, dessa vez não são os que me interessam, pois quero saber quem está acima deles, agregando a questão em nível regional e internacional. Como esses caras fazem para não serem vistos, notados ou identificados? Essa é a grande proposta da minha tese de doutorado, por isso que falo em uma intangibilidade territorial: eles não conseguem ser atingidos, embora, às vezes, até sejam vistos.

Quanto aos territórios em disputa, certamente podemos falar dos presídios de toda a região em que as facções se instalaram como fornecedores de drogas dentro das redes da Região Amazônica e a principal rede do Centro-Sul, que é a chamada Rota Caipira, que começa em Mato GrossoMato Grosso do Sul e se estende por São PauloRio de Janeiro e todas as áreas portuárias anexas a esses dois estados, além de outras que são mais residuais, mas também existem.

No Pará, especialmente nas regiões metropolitanas, há uma presença marcante das facções, principalmente nos centros urbanos agregadores de capital, que é para onde o dinheiro com certeza vai para ser lavado. Então, certamente podemos falar nessas regiões, além de outras cidades que representam “nós” dentro da rede, como, por exemplo, Altamira, que tem uma representatividade muito forte dentro do Primeiro Comando da Capital – PCC, que é vinculado ao Comando Classe A – CCA. Essa facção surgiu localmente associada ao PCC por meio de um jogo de transferência de internos, permitindo a cooptação de um deles há alguns anos, e ao Comando Vermelho, que é a principal facção hegemônica no estado.

IHU On-Line — Como surgiu a facção Comando Classe A – CCA?

Roberto Reis Netto — O surgimento da facção CCA ocorreu por meio das transferências de internos, que é algo que estudo no artigo que será publicado. As transferências de internos são apontadas como o principal meio de disseminação da ideologia das facções. Assim, a CCA surgiu dessa forma em Altamira, por meio de um preso que foi mandado para o regime federal e já voltou faccionado pelo PCC.

IHU On-Line — Quais são as relações do Comando Classe A com o PCC e o CV?

Roberto Reis Netto — As relações entre o PCC e o CCA seguem a lógica nacional em nosso estado: elas estão em conflito neste exato momento porque são as duas grandes transportadoras nacionais. Pela ilegalidade das funções, elas concorrem de maneira violenta, principalmente dentro dos presídios. O massacre de Altamira é um grande exemplo disso.

IHU On-Line – Também existem milícias atuando no Pará?

Roberto Reis Netto — Sim, existem milícias, mas suas características ainda são muito distantes das milícias cariocas que exploram o tráfico de drogas e uma rede de serviços ilegais, como abastecimento de gás e rede de TV a cabo ilegal dentro de determinadas áreas dominadas por esse poder paralelo. No Pará não é assim. No estado, as milícias estão associadas à figura do matador, aquele indivíduo que quer fazer justiça com as próprias mãos, eliminando o criminoso, mas ao mesmo tempo promete segurança para um determinado conjunto de comerciantes, os quais pagam esse indivíduo para se livrarem das más pessoas da região.

IHU On-Line — As facções que atuam nas regiões Norte e Nordeste têm relações com a classe política no âmbito municipal, estadual e federal?

Roberto Reis Netto — A literatura costuma apontar a existência da associação à classe política nos âmbitos municipal, estadual e federal. Mas, neste momento, no atual nível da minha pesquisa de mestrado, os entrevistados, até mesmo por serem pessoas ligadas ao Estado, não me apontaram a existência disso. Ouvi relatos de que no Amazonas teve todo um conjunto de relações acordadas politicamente para o estabelecimento de facções em determinadas cidades, mas é uma informação sensível e prefiro não entrar em detalhes. No entanto, na região metropolitana de Belém, no município de Ananindeua, tem um caso muito específico de um vereador que teria ligação com o tráfico, o qual chegou inclusive a ser preso cerca de um ano atrás numa megaoperação que ocorreu na região. Então, existe. É difícil dizer, mas onde corre muito dinheiro, certamente corre política.

IHU On-Line — Deseja acrescentar algo?

Roberto Reis Netto — Gostaria de desmistificar algo que é muito importante dentro da minha tese: temos que olhar para o tráfico como uma empresa, temos que entender o fluxo de capitais dentro do tráfico de drogas como um verdadeiro fluxo de caixa. Enquanto ficarmos olhando o tráfico de drogas como crime demonizado feito por pessoas que não usam terno e gravata, estaremos agindo de forma mais do que completamente equivocada, inclusive quanto a se pensar sobre a legalização ou a não legalização [das drogas]. Neste momento, por exemplo, não me julgo a favor da legalização ou descriminalização das drogas; é preciso uma forte política educacional nesse sentido no país. Porém, temos que desmistificar uma coisa muito forte: o tráfico de drogas não é uma atitude criminosa por si; antes de mais nada, é uma atividade econômica que foi criminalizada e que dá muito dinheiro. E é sob essa ótica que temos que compreender o tráfico de drogas no país e no mundo.

IHU On-Line – O pacote anticrime proposto pelo ministro Moro dá conta de entender e investigar o fluxo de capitais do tráfico de drogas? Que avaliação faz do pacote?

Roberto Reis Netto – Eu concordo com o pacote do ministro Moro em muitos sentidos, porque esse endurecimento há tempos era necessário. Só que de outro lado, tem que ser feita uma crítica de que não adiante somente repetir os erros do passado, no sentido de que o tráfico de drogas tem que ser realmente enfrentado enquanto empresa e não enquanto uma atividade que é desempenhada supostamente em favelas, em aglomerados subnormais, em zonas de explosão. É necessário compreendermos que o tráfico é articulado num nível muito mais alto do que o nível desses locais precarizados. O tráfico, inclusive, se imbrica e envolve os níveis políticos do nosso Estado, e a corrupção é algo diretamente ligado a esse mesmo tráfico. Portanto, o pacote é muito interessante, traz medidas muito importantes, mas se ele não for bem aplicado e se não for feita a autocrítica que ele merece, ele é só mais uma medida de repressão e não vai combater a essência real do problema.

Nesse sentido, tem um ponto a se elogiar dentro do pacote do ministro Moro, que é o investimento em órgãos de atividade em inteligência. Só que todo órgão de atividade em inteligência exerce uma função cuja atuação final depende do gestor. Então, os órgãos de inteligência vinculados à Presidência da República dependem de uma decisão final do presidente. É ele quem vai dar eventual basta no tráfico de drogas. Os governos dos estados, a mesma coisa. As superintendências da Polícia Federal, a mesma coisa. Enfim, ainda se depende muito de uma atuação política realmente comprometida com os propósitos da segurança pública. É isso que estamos aguardando. O pacote pode geralmente criar isso. Está dando poderes para que isso aconteça, mas, no fim das contas, repito, depende de uma atuação concreta, coerente e politicamente vinculada com a Constituição da República por parte dos órgãos com poder decisório final.

 

 

 

 

Poderia o capitalismo ser menos brutal?

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Joseph Stiglitz e Ladislau Dowbor

Em manifesto, 102 executivos-chefes de megacorporações prometem refrear a própria voracidade e não pensar apenas nos lucros. Revisão dos dogmas neoliberais ou jogada de marketing? Joseph Stiglitz e Ladislau Dowbor comentam:

“O mercado consegue fazer com que as empresas não enxerguem no longo prazo e não invistam suficientemente em seus trabalhadores e comunidades. Por isso, é um alívio que líderes corporativos, que supostamente deveriam ter uma visão profunda e interna do funcionamento da economia, finalmente tenham visto a luz e se atualizado com a economia moderna, mesmo tendo demorado mais de 40 anos para perceber isso”, escreve Joseph Stiglitz, economista e prêmio Nobel da Economia, em artigo publicado por Outras Palavras, 04-09-2019. A tradução é de Simone Paz.

Será exagerado dizer que o capitalismo está à procura de novos rumos? As grandes corporações atuam no espaço planetário, onde não há governo, regulação ou regras do jogo. As maiores simplesmente não pagam impostos, ou recolhem 0,05% dos lucros como a Apple. Os desastres ambientais e sociais estão se generalizando, mas para as corporações trata-se de “externalidades”. A desigualdade atinge níveis explosivos, mas os bancos vão bem. Em paraísos fiscais temos 200 vezes mais recursos financeiros do que o a Conferência Mundial sobre o Clima decidiu, e mal consegue, levantar. Fraudes em medicamentos, alimentos que generalizam a obesidade, inclusive infantil, trambiques em emissões de veículos, agrotóxicos e antibióticos nos alimentos — é um clima de vale-tudo.

A indignação está se generalizando, e 181 corporações (gigantes como AmazonJP MorganApple etc.) decidiram que o credo que valia desde os anos 1980, com Milton Friedman, de que as empresas devem pensar apenas nos lucros, não é suficiente. Os impactos ambientais e sociais que provocam fazem parte das suas responsabilidades. Após 40 anos de neoliberalismo irresponsável, há novos caminhos? É saudável recebermos a notícia com ceticismo, a cosmética corporativa tem longa tradição. Mas também é fato que pelo jeito as corporações estão sentindo o calor da irritação social. Stiglitz faz a proposta essencial: novas leis e regras devem ancorar essas boas intenções corporativas. (Ladislau Dowbor)

Nas últimas quatro décadas, a doutrina prevalecente nos EUA tem sido a de que as corporações devem potencializar os valores para seus acionistas — isto é, aumentar os lucros e os preços das ações — aqui e agora, não importa o que aconteça, sem se preocupar com as consequências para os trabalhadores, clientes, fornecedores e comunidades. Logo, a declaração que defende um capitalismo consciente e que foi assinada este mês por quase todos os membros da Business Roundtable causou um grande alvoroço. Afinal de contas, trata-se dos executivos-chefes das companhias mais poderosas dos EUA, dizendo aos norte americanos que o mundo dos negócios é muito mais do que apenas balanços patrimoniais. E isso é uma baita virada de jogo, não é mesmo Milton Friedman, o teórico do livre mercado e ganhador do Prêmio Nobel de Economia, influenciou não somente espalhando a doutrina da supremacia dos acionistas, mas também garantindo que fosse inscrita na legislação estadunidense. Ele chegou a declarar “há somente uma responsabilidade social nos negócios: usar seus recursos e comprometê-los em atividades que aumentem seus lucros”.

A ironia está no fato de que logo após Friedman ter promovidos tais ideias, e mais ou menos na época em que elas se popularizavam e consagravam nas leis da administração corporativa — como se fossem baseadas em teorias econômicas sólidas — Sandy Grossman e eu, num conjunto de artigos do final dos anos 1970, demonstramos como o capitalismo acionário não melhorava o bem-estar social.

Isto é obviamente verdadeiro quando há tantas “externalidades” relevantes, como a mudança climática, ou como quando as corporações contaminam o ar que respiramos e a água que bebemos. E isto é ainda mais verdadeiro quando nos empurram produtos prejudiciais à saúde, como bebidas açucaradas que colaboram com a obesidade infantil, ou analgésicos que desatam uma epidemia de vício em opióides, ou quando exploram os vulneráveis, como é o caso da Trump University e tantas outras instituições de ensino superior norte-americanas com fins lucrativos. E também é real quando lucram exercendo o poder de mercado, como tantos bancos e empresas de tecnologia fazem.

Mas é ainda mais verdadeiro de modo geral: o mercado consegue fazer com que as empresas não enxerguem no longo prazo e não invistam suficientemente em seus trabalhadores e comunidades. Por isso, é um alívio que líderes corporativos, que supostamente deveriam ter uma visão profunda e interna do funcionamento da economia, finalmente tenham visto a luz e se atualizado com a economia moderna, mesmo tendo demorado mais de 40 anos para perceber isso.

Mas será que esses líderes empresariais pregam essa mudança de verdade, ou seria somente uma declaração num gesto retórico, em face de uma reação popular contra o tão disseminado mau comportamento? Há razões para acreditar que eles estão sendo mais do que apenas um pouco dissimulados.

A principal responsabilidade das corporações é o pagamento de impostos, e entre os signatários da nova visão empresarial estão mega-evasores de impostos, incluindo a Apple, que, de acordo com suas contas, continua utilizando paraísos fiscais, como Jersey. Outros deles, apoiaram a nova política de impostos proposta em 2017 por Donald Trump. Ela reduz os impostos para corporações e bilionários, elevará os impostos para a maioria das famílias de classe média e fará com que milhares percam seus seguros de saúde — num país com o nível de desigualdade mais elevado, os piores resultados na área da saúde, e a menor expectativa de vida, entre os principais países economicamente desenvolvidos. E embora esses líderes de mercado defendam que o corte de impostos traz mais investimento e melhores salários, os trabalhadores acabam recebendo apenas uma ninharia. A maior parte do dinheiro acaba sendo utilizada para recomprar ações, o que serve para, basicamente, alinhar os bolsos dos investidores e dos executivos-chefes com esquemas de incentivo e valorização das ações.

Um senso de responsabilidade sincero e verdadeiro faria com que líderes de corporações aceitassem regulamentações mais fortes para proteger o meio ambiente e para melhorar a saúde e segurança de seus empregados. Algumas poucas companhias automobilísticas (HondaFordBMW e Volkswagen) têm feito isso, defendendo regras mais firmes do que as impostas pelo governo Trump, já que o presidente atual trabalha no desmonte do legado ambiental construído por Barack Obama. Há inclusive executivos de empresas de bebidas não-alcóolicas que parecem estar envergonhados pela sua influência na obesidade infantil, a qual costuma levar à diabetes, pois eles sabem disso.

Porém, embora muitos executivos-chefes queiram fazer o correto (ou tenham familiares e amigos que se preocupam com essas questões), eles sabem que têm concorrentes que não. Deveria existir condições equitativas, que garantissem que empresas conscientes não se vissem prejudicadas por aquelas que não têm preocupação alguma. É por isso também que muitas corporações desejam e pedem normas contra as propinas, e querem regras que protejam o meio ambiente, além da segurança e saúde nos locais de trabalho.

Infelizmente, muitos dos grandes bancos cujo comportamento irresponsável provocou a crise financeira global de 2008 não estão nesse grupo. Mal havia secado a tinta da legislação da reforma financeira da Lei Dodd-Frank, em 2010 — a qual endureceria as normas, com o intuito de evitar a recorrência das crises — quando os bancos começaram a trabalhar para revogar algumas das medidas-chave. Entre eles, estava o JP Morgan Chase, cujo diretor é Jamie Dimon, presidente atual do Business Roundtable. Considerando as políticas norte americanas, tão pautadas pelo dinheiro, não surpreende o fato de que os bancos tenham esse êxito todo. Uma década após a crise, alguns bancos ainda lutam contra ações judiciais movidas por aqueles que foram prejudicados em vista de seu comportamento irresponsável e fraudulento. Eles esperam que seus grandes bolsos permitam-lhes permanecer na disputa mais do que quem os processa.

A nova postura dos diretores mais poderosos dos EUA é, obviamente, bem-vinda. Mas teremos que esperar para ver se se trata somente de mais um golpe publicitário, ou se eles realmente estão sendo verdadeiros. Enquanto isso, precisamos de uma reforma legislativa. O pensamento de Friedman não só deu aos executivos-chefes uma desculpa perfeita para fazerem tudo o que sempre quiseram, como também conduziu leis de governança corporativa que deram suporte e incorporaram o capitalismo acionário na estrutura legal dos EUA e na de tantos outros países. Isso precisa mudar, de modo que as corporações não só possam, como sejam obrigadas a considerar as consequências de seu comportamento sobre os demais colaboradores.

Socorro e assistência espiritual aos irmãos desencarnados  

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A morte sempre esteve no centro das discussões mais íntimas dos seres humanos, as reflexões sobre o significado da vida, o que existe depois da morte? Para onde vamos?…São perguntas feitas todos os momentos na intimidade, neste espaço mais íntimo surgem reflexões que dificilmente podem ser debatidas e discutidas em público, mas fazem parte das indagações humanas a séculos, quem sabe milênios e, para a grande maioria, tende a demorar muitos séculos para serem discutidas e analisadas mais racionalmente.

As religiões, em sua grande maioria falharam em explicar e responder as perguntas acima, muitas delas evitam de comentar sobre estes assuntos e criam dogmas e verdades que não devem ser contestadas, com isso, os indivíduos se veem perdidos e sem explicações mais sólidas e consistentes, afastando muitas pessoas das fileiras religiosas, principalmente no atual momento da sociedade global, marcado por indagações e reflexões constantes, onde a ciência ganha adeptos e busca respostas mais diretas, enquanto muitas religiões se limitam a estimular dogmas e aceitações cegas e unilaterais dos fiéis.

A Doutrina dos Espíritos, codificada por Hippollyte Leon Denizard Rivail, posteriormente conhecido como Allan Kardec (1857), trouxe novas informações sobre a vida, seus significados, seus sentidos mais íntimos e nos revelou que a morte não existe e somos frutos de muitas existências sucessivas, onde nascemos, desencarnamos e retornamos novamente, em busca da perfeição e do crescimento espiritual. Esta nova doutrina não se restringe apenas a uma visão religiosa do mundo, suas análises são muito maiores, mais amplas e significativas, contemplando análises científicas e filosóficas.

Algumas visões religiosas acreditam que existem apenas uma única existência, por esta visão a morte é o fim de tudo, quando morremos deixamos o palco da vida e tudo se faz fumaça. Outras convicções religiosas acreditam severamente que quando morremos permanecemos dormindo até o fim do mundo, quando seremos acordados e julgados, se condenados seremos enviados ao fogo eterno, enquanto se formos absolvidos neste julgamento seremos levados ao céu, local onde vão os justos e os herdeiros de Deus.

A Doutrina dos Espíritos, codificada por Allan Kardec, nos traz uma visão bastante diferente das anteriores, mostrando-nos que a morte não existe, apenas alteramos nossas energias e migramos para um novo local, onde não mais teremos o corpo material, este local é conhecido como o mundo espiritual, onde nos encontraremos em espírito, o verdadeiro componente eterno da existência, mais sútil, mais dinâmico e mais consistente.

Por esta visão, quando morremos perdemos os invólucros materiais e nos percebemos espíritos, num primeiro momento a grande maioria das pessoas se encontra em situação de choque, dominados pelo medo e pelas dificuldades de compreensão e de adaptação. O médium mineiro Francisco Cândido Xavier nos relata, que a grande maioria daqueles que retornam ao mundo espiritual não conseguem se desapegar da matéria e permanecem levando a vida como anteriormente, ou melhor, querendo e achando que continuam levando a vida como em momentos anteriores, ignorando os claros sinais de que algo diferente aconteceu, como quando são ignorados pelos familiares ou por outras pessoas na sociedade.

Ao chegar no mundo espiritual todos os indivíduos pegam caminhos diferentes, cada pessoa apresenta sua história pessoal, seus méritos e merecimentos, suas vivências e seus trabalhos, seus sentimentos e valores mais íntimos, tudo isso deve ser analisado e levado em consideração neste momento, diante disso, percebemos que todos os nascimentos são diferentes enquanto todos os desencarnes também são diferentes, tudo vai depender dos nossos merecimentos.

No filme Nosso Lar, conhecemos a trajetória de André Luiz, que quando acordou no mundo dos espíritos estava num ambiente bastante assustador, tenebroso e degradado, marcado por gritos, desequilíbrios, choros e violência, este local recebeu a denominação de Umbral. Ao acompanhar a história do médico desencarnado, tomamos contato com uma realidade preocupante e aterrorizante, afinal de contas o ambiente era desolador e nele André Luiz permaneceu durante mais de sete anos, passando fome, frio e muitos medos. No momento do resgate, depois de anos vivendo em condições deletérias, a primeira pergunta feita para o socorrista no momento do resgate foi: Porque vocês demoraram tanto tempo para me socorrer neste ambiente assustador? A resposta do socorrista Clarêncio foi direta e enfática: Estávamos aqui o tempo todo, você que não nos deu a atenção necessária.

Através desta resposta podemos perceber que os socorristas estavam ao lado de André Luiz durante todos estes anos, mas infelizmente, as energias eram bastante diferentes, enquanto os socorristas vibravam em um diapasão superior, mais sublime e equilibrado, as vibrações do médico desencarnado eram densas e marcadas por ressentimentos, mágoas e constrangimentos.  A mesma experiência percebemos na obra Memórias de um suicida, psicografia de Yvonne Pereira e ditado pelo espírito Camilo Castelo Branco, nesta obra percebemos como os socorristas do Instituto Maria de Nazaré, a Legião dos Servos de Maria, não conseguiam se aproximar do escritor desencarnado, ainda muito materializado, isto porque as energias e os pensamentos eram bastante diferentes, sem esta integração a aproximação não se efetiva o socorro.

Estas obras nos mostram como os irmãos trabalham cotidianamente no mundo espiritual, se desdobrando para auxiliar todos que passam por dificuldades variadas, dentre estes destacamos aqueles que auxiliam os recém desencarnados, aconselham, conversam e instruem estes irmãos despojados dos corpos materiais, mas ao mesmo tempo, tão atrelados a matéria, tão centrados em energias físicas e tão ignorantes sobre os verdadeiros valores da vida.

No mundo contemporâneo, marcado por um forte materialismo, pelos prazeres do dinheiro, do sexo e das benesses do poder político e econômico, muitos desencarnados chegam ao outro lado da vida sem conhecimento sobre o mundo espiritual, são irmãos que dedicaram toda uma encarnação para a matéria, ignoravam os saberes do espírito e se viram, logo após o desencarne, em condição de materialismo extremado. Segundo os bons espíritos, na atualidade, estes casos se repetem com uma grande constância, a grande maioria dos desencarnados não sabe que não possuem mais corpos materiais, acreditam-se vivos e com saúde, e preferem ficar ao lado de familiares causando nestes graves constrangimentos, mesmo não querendo fazer o mal, a ignorância e o desconhecimento das Leis de Deus os levam a constranger e prejudicar aqueles que mais amam.

São muitos os espíritos socorristas que se dedicam ao auxilio dos irmãos desencarnados, muitos deles resgatam aqueles que se encontram em situação de desespero e desesperança, muitos se refugiam em regiões abissais e são detidos por entidades trevosos que lhes causam graves torturas e se comprazem com as dores infligidas aos semelhantes, vivendo em uma simbiose de dominação, rancores e ressentimentos.

São muitas as obras da literatura espírita que destacam a existência de colônias no mundo espiritual, são cidades organizadas e estruturadas que foram construídas para socorrer e auxiliar os desencarnados e, ao mesmo tempo, dar trabalho e ocupação para os espíritos, todas estas atividades garantem aos trabalhadores uma remuneração, os chamados bônus horas, que servem para adquirir produtos necessários para a ‘sobrevivência’ neste novo local. Nos relatos de pesquisadores espíritas, principalmente nas obras do Dr. Inácio Ferreira, o mundo material é uma cópia muito imperfeita do mundo espiritual, somos mais influenciados pelos espíritos do que nós, na nossa ignorância, imaginamos.

Nestas obras o Dr. Inácio Ferreira nos narra suas experiências depois da morte, seus novos trabalhos e as atividades desenvolvidas, nela percebemos uma constante busca por conhecimentos, leituras e estudos, tudo isto para compreender melhor o significado da existência e alcançar o progresso que todos almejamos. O livro Nosso Lar destaca os mais variados trabalhos de André Luiz no mundo espiritual, depois de anos no Umbral, quando chega a colônia espiritual acredita que está em condição de trabalhar como médico, profissão de sua última experiência no mundo material, mas percebe que a medicina deste lado da vida é muito diferente daquela desempenhada no mundo físico.

No mundo espiritual devemos buscar atividades todos os momentos, a perspectiva de descanso depois da morte, como muitos indivíduos acreditam, não passa de mais uma das ilusões que cultivamos, o mundo imaterial nos possibilita uma grande infinidade de trabalhos, estudos, capacitações e aprendizados, com isso, nos capacitamos para uma posterior reencarnação na matéria plena em êxito e sucesso, como almejamos.

Os trabalhadores que se dedicam ao trabalho, como dona Laura, mãe de Lísias, da obra Nosso Lar nos relata que aqueles, como ela, que trabalham com as crianças, evangelizando e educando, no mundo espiritual recebem bônus hora dobrado, isto porque estão preparando aqueles que, brevemente, retornarão ao mundo físico, contribuindo para que estes pequenos tenham maior chance de êxito nesta nova oportunidade.

Os mundos espirituais nos proporcionam oportunidades variadas, encontramos nestes locais todas as instituições que percebemos existirem no planeta Terra, a organização social e política é exercida por espíritos evoluídos e dotados de grandes sentimentos de justiça e de valores elevados, nestes locais não existem indicações nem proteção de amigos e familiares em detrimento de outros, existem a verdadeira meritocracia, onde todos são habilitados para o progresso, as oportunidades são dada para todos e o progresso espiritual ocorre através das energias emanadas diretamente de cada indivíduo, não existindo os chamados apadrinhamentos que distorcem os verdadeiros valores da sociedade.

A morte como os indivíduos a conheciam ganhou um novo contorno com o surgimento do Espiritismo, com esta revelação enviada por Deus e encaminhada pelos espíritos superiores, passamos a compreender melhor como se dá quando somos despojados do corpo material e nos encontramos em espírito, neste momento descobrimos a grandiosidade da obra divina e como devemos agir para merecermos o progresso espiritual. Diante da codificação trazida para a humanidade por Allan Kardec, percebemos que não mais podemos alegar ignorância com relação as coisas e os ensinamentos da vida, basca que busquemos compreender estas leis tendo em mente que somos todos irmãos e todas as nossas atitudes contam no processo de evolução e desenvolvimento do espírito.

Economia Brasileira, recuperação e superação do subdesenvolvimento

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Vivemos em uma sociedade marcada por grandes transformações estruturais, os setores econômicos e produtivos estão sendo redesenhados pelas novas tecnologias, o mundo do trabalho está em constante alteração e as perspectivas econômicas do capitalismo global são assustadoras, levando muitos economistas a previsões pessimistas e assustadoras.

Neste ambiente de instabilidades no capitalismo global, a economia brasileira se encontra em um momento de reestruturação econômica depois de uma queda acentuada de mais 8% no produto interno bruto e desemprego de mais de 12% da população, uma recuperação tão sonhada, mas cada vez mais distante, com impactos ainda mais preocupantes.

Depois de oito meses do governo atual, toda e qualquer culpabilidade com relação as questões econômicas seriam, no mínimo, uma grande incoerência, afinal em tão pouco tempo dificilmente as autoridades econômicas conseguiriam reverter uma situação de degradação que nos encontramos desde 2014, com grandes impactos sociais e políticos, mesmo sabendo que o governo não pode ser o único culpado, a paciência da sociedade e dos mercados estão diminuindo, as pesquisas mostram uma queda consistente na popularidade do presidente Jair Bolsonaro.

Mesmo assim, os sinais emitidos pelo governo se mostram insuficientes para que a economia volte ao seu fluxo de crescimento, percebemos uma agenda liberal bastante necessária para o país, mas insuficiente para a recuperação afetiva da economia, muitos são os problemas que precisamos superar e não conseguiremos sem um Estado forte e eficiente. Entendemos por Estado forte não uma instituição gigante, mas uma instituição dinâmica e flexível, que tenha consciência de suas responsabilidades e se posicione numa posição para impulsionar o crescimento econômico e levar o país ao tão sonhado desenvolvimento.

Depois de ano de recessão e baixa recuperação econômica, o desemprego chegou a indicadores desesperadores, temos no país atualmente mais de quarenta milhões de desempregados, subempregados e trabalhadores na informalidade, cujas perspectivas de retorno ao mercado ou aquisição de um emprego formal são reduzidas, com isso, temos um sistema econômico se movimentando aquém das suas potencialidades.

Alguns especialistas defendem uma atitude mais agressiva do governo federal, mesmo sabendo que a crise fiscal é muito severa e a regra de ouro ou mesmo a política de teto dos gastos limita a capacidade fiscal do Estado, faz-se necessário a adoção de uma política mais efetiva, afinal temos um contingente de trabalhadores que estão sem perspectivas a algum tempo, um setor da sociedade que precisa de uma atenção maior por parte das autoridades.

O grande problema que o país enfrenta no campo econômico está diretamente ligado ao esgotamento fiscal deste modelo, depois de gastos crescentes nas últimas décadas, o Brasil precisa de um forte ajuste fiscal que contemple a redução dos gastos, para isso, é necessário uma reversão do crescimento das despesas que crescem de forma acelerada nas ultimas décadas, este modelo precisa ser reconstruídos para que o setor público volte a ter protagonismo no desenvolvimento, o que na atualidade não esta acontecendo.

Depois dos ajustes iniciados em 2014, o setor público reduziu rapidamente seus investimentos e retirou algumas instituições que sempre foram fundamentais para financiar o crescimento econômico, como a saída do BNDES, da Petrobrás e das instituições bancárias federais, como o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal, o Banco do Nordeste, dentre outros…

Estas instituições, historicamente, sempre financiaram o crescimento dos investimentos, principalmente no período 1995/2013, quando foram responsáveis por parte considerável dos dispêndios financeiros e monetários, desde os gastos com programas das áreas da habitação, infraestrutura, construção civil, energia, petróleo e gás, dentre outros. Com as políticas ora em curso, baseadas nos preceitos de abertura econômica, liberalização e desestatização, onde o Estado está saindo dos investimentos de longo prazo e abrindo espaço para a iniciativa privada, os dispêndios se reduziram e o retorno ainda não se percebe no médio prazo, gerando perspectivas negativas para todo o sistema produtivo, sem os gastos governamentais os recursos privados não se efetivam na mesma rapidez e na mesma direção, reduzindo as perspectivas futuras da economia.

Para que o modelo liberal proposto pelo Ministro da Economia, Paulo Guedes, tenha o mínimo de sucesso no longo prazo, faz-se necessário que as instituições reguladoras estejam atuando de forma sólida e responsável, sem as interferências dos setores políticos e sem as indicações de pessoas desqualificados para as diretorias. Com as nomeações de apaniguados e asseclas incompetentes, pouco conseguiremos num futuro muito próximo, apenas transferiremos para a iniciativa privada empresas públicas, dando lhes um poder demasiado que pode gerar graves constrangimentos para a democracia brasileira, aumentando a concentração da renda e o poder de grandes grupos financeiros transnacionais.

Nestes oitos meses de governo, poucas políticas efetivas foram adotadas pelo ministério da Economia, alguns destacam a Reforma da Previdência, cuja necessidade poucos contestam, mas sabemos que o governo federal teve pequena participação na aprovação desta medida, o maior responsável foi o presidente do Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia. Outra medida defendida pelo governo federal no campo econômico ainda está envolta em incertezas e desconhecimentos, refiro-me o projeto denominado Liberdade Econômica, cujas medidas de desburocratização e incremento dos negócios, onde muitas medidas de incentivo ao empreendedorismo e a inovação estão sendo gestadas. Neste ambiente de busca pela liberdade econômica, devemos buscar o equilíbrio nestas medidas, auxílio aos empreendedores e empresários devem existir e ser estimuladas pelo governo, mas estas medidas devem também contemplar os trabalhadores e os consumidores, agindo dos dois lados do negócio, o lado da oferta e o lado da demanda, quando atua apenas de um lado, baixando custos e facilitando a demissão de funcionários, os resultados esperados nem sempre acontecem no prazo esperado e os custos futuros podem ser proibitivos.

Outro ponto importante que devemos destacar é que a economia internacional se aproxima de uma recessão, os negócios estão em queda e as perspectivas estão bastante negativas, de um lado a guerra comercial entre Estados Unidos e China está gerando desaceleração e trazendo os primeiros impactos de queda dos fluxos comerciais, os preços dos produtos e mercadorias estão aumentando nos Estados Unidos, gerando inflação e queda na renda e nos salários dos consumidores norte-americanos, com impactos nas vendas das empresas, gerando questionamentos políticos e críticas intensas ao presidente Donald Trump.

A Argentina, um parceiro fundamental para a economia brasileira, se encontra em uma situação preocupante, com a aproximação das eleições presidenciais e a perda de popularidade do atual mandatário, Maurício Macri. Os ventos econômicos são decepcionantes, ainda mais sabendo que os concorrentes mais consistentes são peronistas, como a ex-presidente Cristina Kirchner, responsáveis por gestões anteriores de pouco sucesso e, para muitos, os responsáveis por levar a economia argentina a beira do caos e da recessão, com graves custos sociais, políticos e econômicos.

Neste ambiente de crise econômica e de aproximação de uma recessão internacional, os movimentos econômicos brasileiros devem ser feitos de forma estratégica, as privatizações em curso podem trazer grandes investimentos para a economia brasileira, neste ambiente de instabilidade global as decisões podem trazer grandes recursos para os cofres públicos, mas para isso, o governo federal precisa melhorar sua articulação política no Congresso Nacional, isto porque muitas destas medidas liberalizantes necessitam de apoio e aprovação do legislativo federal, área que o governo tem tido grandes dificuldades na atualidade, haja vista as perdas recentes nas votações parlamentares.

No campo econômico, encontramos muitas medidas sendo gestadas pela equipe econômica, são medidas que atuam no lado da oferta, mas apresentam pouca efetividade no lado da demanda, com exceção das políticas heterodoxas de estimulo a demanda via liberação dos recursos do FGTS/PIS-PASEP que estão sendo costuradas atualmente, mas que apresentam pouco potencial na recuperação da economia no curto prazo.

Outra medida que parece estar sendo discutida no seio do governo e do Congresso Nacional é a Reforma Tributária, medida fundamental para repensar o nosso sistema tributário, marcado pela alta burocracia, ineficiência e cumulatividade, além de ser um sistema altamente regressivo e concentrador de renda, onde os grandes grupos financeiros e os grandes investidores pagam poucos impostos, com a somatória de isenções e subsídios, enquanto a classe média é altamente onerada e os grupos mais pobres fortemente tributados. O grande problema desta medida é que muitos são os entraves para uma reforma desta magnitude, obstáculos maiores do que os da reforma previdenciária, a reforma tributária envolve uma ampla gama de interesses difusos e fantasmas obscuros, para ter êxito nesta medida o governo federal precisa mostrar para a sociedade sua alta capacidade de negociação e organização, que nos parece distantes do que aconteceu nestes últimos oito meses, quando o governo se mostrou fraco nas negociações e incompetente na sua organização interna, com falas desnecessárias e acúmulo de inimigos imaginários em excesso.

Alguns especialistas propõem medidas mais consistentes no lado da demanda, onde destacamos o economista-chefe do banco suíço UBS, Tony Volpon, dentre estas medidas destacamos a retomadas de obras públicas paradas e gastos em infraestrutura, calcula-se que o país tenha mais de sete mil obras paradas, estes negócios poderiam vir acompanhados de recursos privados que seriam remunerados de forma atrativa, com estas medidas muitos setores seriam estimulados e os empregos seriam impulsionados com fortes benefícios para os trabalhadores.

As políticas econômicas devem atuar diretamente para estimular o sistema econômico, no cenário atual percebemos um incremento das incertezas, o câmbio está em forte desvalorização, fenômeno este mais atrelado aos desequilíbrios globais do que as fraquezas internas, neste cenário externo negativo percebemos uma deterioração da balança comercial, mesmo sendo números pouco expressivos, podem sinalizar desajustes futuros maiores e mais consistentes.

O ambiente contemporâneo da economia brasileira está centrado nas incertezas e na insegurança econômicas, as promessas anteriores tiveram grande repercussão nos mercados e na sociedade com um todo, levando o candidato Jair Bolsonaro a ganhar o cargo mais alto da sociedade brasileira. Depois de oito meses estas medidas estão gerando inquietação na sociedade, os investidores estão assustados com o fraco crescimento econômico brasileiro, a população está cansada com as promessas de forte crescimento e melhores condições de emprego, o grande problema é que, depois de alguns meses estas promessas não estão sendo cumpridas e as perspectivas para a economia estão longe de se efetivar, enquanto isso, milhares de famílias ficam no desalento e na indignidade, vendendo o almoço para comprar a janta, neste cenário o país se afasta efetivamente do tão sonhado e desejado desenvolvimento econômico.

 

Algumas comentários e considerações sobre o filme Kardec

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Nos últimos anos a temática espírita vem fazendo sucesso nos cinemas nacionais, desde que Nosso Lar chegou aos cinemas e arrebatou uma grande quantidade de pessoas, outras obras foram levadas aos cinemas como As mães de Chico Xavier, A vida continua e Chico Xavier. Recentemente estreou nos cinemas brasileiros o filme “Kardec”, que mostra a trajetória do codificador da Doutrina Espírita, responsável pela decodificação de uma doutrina que se atribui uma visão religiosa, filosófica e científica sobre questões fundamentais para a humanidade, um filme bem feito e marcado por muita sensibilidade.

O filme Kardec estreou nos cinemas brasileiro no mês de maio de 2019, foi produzido pelo cineasta Wagner Assis, baseado no livro de Marcel Souto Maior, destacando a importância do biografado para a Doutrina Espírita, mostrando ainda a perseverança como instrumento de compreensão das dificuldades e a confiança nesta mensagem como um novo momento que se abria para toda a humanidade, um momento de reflexão, estudo e busca pelo conhecimento, onde se descortina a existência de um novo mundo, o mundo dos espíritos.

Para aqueles que não conhecem a trajetória deste grande homem, Hipollyte Leon Denizard Rivail, posteriormente chamado de Allan Kardec, descrito como um sujeito respeitado na sociedade francesa da época, pedagogo influente e bastante conceituado na área da educação, discípulo de Pestalozzi, responsável pela publicação de várias obras de referência sobre educação, pedagogia e a reforma do ensino na sua terra natal, a França.

No início dos anos 1850, as elites econômicas e políticas da capital francesa estavam em polvorosa, as revelações trazidas pelas chamadas mesas girantes eram motivo de encontros, festas e convescotes reunindo a nobreza, a intelectualidade, os empresários e os inúmeros céticos, todos querendo entender um fenômeno novo e revolucionário que reunia inúmeras pessoas ao redor de uma mesa para ouvir as revelações e as previsões dos “espíritos”.

Como destaca o filme, inicialmente o pedagogo não acreditava nos fenômenos espirituais que se difundiam entre as classes mais abastadas da Europa, zombava de todos aqueles que ousassem comentar e defender tais novidades, destacando a ausência de comprovações científicas, vistas por ele como as limitações deste pensamento. Mesmo cético com o movimento e as reuniões, foi convencido a assistir uma sessão, o que o levou a alterar suas convicções, tornando-se o grande divulgador do pensamento espírita, responsável por trazer ao mundo a chamada Terceira Revelação, segundo a qual, a morte não existe e estamos sempre em companhia de espíritos, que mesmo não possuindo corpos materiais, podem influenciar na nossa vida muito mais do que imaginamos, muitas vezes até mesmo nos controlando.

Allan Kardec foi o nome utilizado por Hipollyte Leon Denizard Rivail, este pseudônimo foi usado para diferenciar toda a obra anterior do pedagogo francês, dos novos escritos relacionados a doutrina espírita. Este nome lhe foi revelado em uma reunião espírita, segundo as entidades que assessoravam os trabalhos, este era seu nome em uma de suas encarnações anteriores, quando estava encarnado como um druída, na região conhecida como as Gálias.

O filme mostra a importância de sua esposa Amélie Gabrielle Boudet na divulgação de todo o pensamento espírita, uma mulher a frente de seu tempo, bastante inteligente, dedicada e apaixonada, auxiliou Kardec desde o início e contribuiu diretamente para a divulgação de uma nova forma de encarar a realidade social e espiritual, eram realmente um casal de destaque, sem a presença e dedicação da esposa, dificilmente Hipollyte Leon Denizard Rivail, depois Allan Kardec, seria hoje conhecido como o codificador da doutrina Espírita.

O filme Kardec mostra ainda as dificuldades financeiras do casal, os esforços para cumprirem seus compromissos financeiros e garantirem a sobrevivência, mesmo assim ambos eram dedicados trabalhadores, viviam em perfeita harmonia e possuíam um respeito elevado da comunidade da época, como professores ambos engordavam o orçamento com aulas particulares, um movimento natural e bastante conhecido no século XIX.

Nestas comunicações os espíritos informaram que o trabalho seria muito árduo e geraria grandes defecções, críticas e ameaças generalizadas, pessoas que se diziam amigas e confidentes se afastariam e os trairiam, ameaças seriam constantes, críticas e comentários maldosos aconteceriam em todos os espaços e as recompensas demorariam tempos, mas a mensagem teria que ser trazida para a humanidade, os tempos eram chegados para que o mundo conhecesse as realidades do mundo espiritual e, se por um acaso, Allan Kardec recusasse a empreitada, ou falhasse no intento, outros estariam sendo preparados para a missão.

No período retratado pelo filme Kardec nada nos é informado sobre a infância de Hippolyte Léon Denizard Rivail, iniciamos com o personagem em seu ofício mais nobre, professor e pesquisador, inquieto e competente acompanhamos seu comportamento, suas dúvidas e reflexões, passando pelas descobertas referentes a Doutrina, as acusações, as perseguições, até sua prisão, mostrando nos que, todos que se comprometem com o bem e com a verdade, embora recebam sempre o apoio e a proteção dos bons espíritos, são perseguidos e agredidos pelos espíritos ora marcados pelo mal e pelos seus asseclas encarnados, uma leva de indivíduos que se acreditam homens de bem e são, na verdade, grandes detratores da verdade e do conhecimento.

Ao analisar a história de Hippolyte Léon Denizard Rivail, percebemos que sua missão como codificador da Doutrina Espírita só teve início quando este completou cinquenta anos, nascido em 1804 e desencarnado em 1869, foi apenas em 1854 que o pedagogo francês começou suas investigações sobre as novas revelações, isto acontece porque foi justamente neste período que a espiritualidade maior percebe que os ventos da inquisição estavam se fragilizando na Europa e abrindo espaço para novas visões religiosas, mesmo assim, o filme destaca os vários problemas que Allan Kardec teve com o catolicismo, cujas ideias do codificador eram vistas como heréticas e desprovidas de significado e coerência, sendo por isso muito perseguido pela Igreja, que o via como uma ameaça e o excomungava como um herege.

A vida do codificador sempre foi pautada pela honra e sensatez, conhecido por todos como um grande intelectual, membro ativo da comunidade científica francesa, suas novas ideias e pensamentos foram muito contestadas por intelectuais da época, mesmo tendo a força para seguir em frente, sentindo o amparo e a proteção dos bons espíritos, todas estas críticas eram por ele muito sentidas. Como membro ativo de intelectuais e pesquisadores, viu seus escritos ignorados e sua presença contestada, sendo convidado a se retirar da Academia de Ciências, onde seus pares nem o deixaram refletir sobre os motivos que o levaram a esta conversão e muito menos analisar seus métodos de pesquisa e investigação, mostrando a intolerância e as dificuldades dos homens da ciência de entabular um debate fiel e respeitoso quando confrontado com novas ideias, novas teses e novos movimentos religiosos e científicos.

Hippolyte Léon Denizard Rivail como um homem da ciência, buscou desde o início de suas pesquisas o desenvolvimento de um método de análise, uma metodologia que pudesse dar as teses nascentes um caráter mais científico e menos religioso, para isso, desenvolveu um método de investigação onde abordava inúmeros médiuns sobre os mesmos temas, estes médiuns eram sensitivos de vários países e regiões diferentes da Europa, depois destas inquirições o codificador analisava as respostas e percebia as semelhanças, com isso redigia suas obras e trazia para a humanidade a Terceira Revelação, com informações relativas ao sentido da vida e a missão de cada um dos indivíduos.

A codificação foi possível graças ao trabalho desinteressado de muitos médiuns, todos dedicados a uma nova forma de encarar as realidades da vida, eram pessoas comuns, crianças, jovens e mulheres de mais idade que se comprometeram a conversar com Allan Kardec sobre os contatos cotidianos com espíritos, vozes e seres invisíveis. Dentre as médiuns destacamos as irmãs Julie Baudin (15 anos) e Caroline Baudin (18 anos), Ruth Japhet e Aline Carlotti (20 anos), todas retratadas no filme foram essenciais para a codificação do pensamento espírita, suas mediunidades eram de grande impacto para a época e, por trazer para a sociedade revelações que contrariavam interesses, foram perseguidas, humilhadas e detratadas.

Uma delas, Ruth Japhet, se rebelou contra Allan Kardec quando não viu seu nome na primeira publicação, O Livros dos Espíritos, mesmo com as explicações dadas pelo professor e as justificativas por ele apresentadas, preferiu se isolar e não mais participar dos trabalhos. Neste caso percebemos a vaidade e o personalismo presente e, com certeza, influências espirituais negativas para que a médium deixasse o trabalho de codificação, limitando os encontros, as pesquisas, as inquirições e os conhecimentos posteriores.

Com a publicação de O livro dos Espíritos, as ideias espíritas passaram a ser conhecidas por várias partes do mundo, as publicações iniciais foram implementadas pelo editor Pierre Paul Didier, muitos livros foram vendidos e muitas conferências foram realizadas com o intuito de difundir e divulgar a nova revelação. Do sucesso inicial, percebemos as reações da Igreja Católica, detentora ainda de um grande poder na região, que manda prender e queimar muitas caixas com livros espíritas, uma verdadeira política de censura ao pensamento livre emanados pela Revolução Francesa, baseadas no Liberdade, Igualdade e Fraternidade e pelo iluminismo, mensagem esquecida pelo clero católico, centradas em interesses autoritários, arrogantes e imediatistas que, embora exitoso num primeiro momento, estimulou uma grande curiosidade da população na leitura daquelas obras, gerando uma imensa publicidade a nascente Doutrina Espírita.

O filme Kardec destaca a perseverança de Allan Kardec que, nos últimos quinze anos de vida, foi um fiel divulgador da Doutrina Espírita, sendo responsável pela publicação de obras imprescindíveis para a consolidação do espiritismo, desde O Livro dos Espíritos. O Livro dos Médiuns, O Evangelho segundo o Espiritismo, A Gênese, O Céu e o Inferno e O que é o Espiritismo, todas estas obras mais a publicação da Revista Espírita e inúmeros artigos e documentos referentes a doutrina, um trabalho incansável e de grande relevância para a comunidade internacional, um homem a frente de seu tempo, cujos escritos mostraram ao mundo a existência do chamado mundo dos espíritos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Pensamento, crescimento espiritual e desenvolvimento moral.

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O pensamento sempre foi visto como um agente transformador da vida cotidiano e do indivíduo, responsável desenvolvimento dos seres humanos e pela criação de riqueza e de progresso, quando bem utilizadas, ou para a destruição e para a pobreza, dependendo dos indivíduos e da forma como se relacionam consigo próprios e com seus fantasmas interiores.

A Doutrina dos Espíritos nos mostra efetivamente que o pensamento é fonte de criação e de consolidação de uma vida melhor e mais consistente, desde que aprenda a controlar seus pensamentos, suas vontades e seus desejos mais íntimos, para isto faz-se necessário, grandes reflexões, treinamento e um autoconhecimento que todos devemos buscar como forma de atrair boas energias e caminhar mais rapidamente para o progresso espiritual e para o desenvolvimento moral.

A Doutrina dos Espíritos nos traz grandes informações para que compreendamos a importância do pensamento na coletividade, quando nos entregamos para pensamentos deselegantes e rasteiros atraímos para nosso lado espíritos com os mesmos interesses e sintonia, somos aquilo que pensamos e atraímos o que nossa sintoniza íntima e pessoal, por isso a importância de controlarmos nossos pensamentos cotidianos.

Temos no espiritismo uma vasta literatura falando a respeito do tema, estes livros destacam a importância do pensamento como forma de atrair energias mais consistentes e destacam ainda, como os maus pensamentos podem nos gerar graves constrangimentos, pois atraem energias que nos enfraquecem e nos tira do caminho do progresso. Com esta bibliografia não mais podemos alegar desconhecimento, como os teóricos da autoajuda sempre enfatizam, se acreditarmos em algo e trabalharmos intensamente para que este algo se materialize, temos grandes chances de obter sucesso nessa empreitada.

Muitas são as histórias de espíritos atraídos por pensamentos levianos, entidades que ora se comprazem com estas energias, sentem necessidades desta sintonia e busca pessoas que pensam como ela, que desejam as mesmas coisas e vibram no mesmo diapasão, criando uma verdadeira simbiose com males dos mais nefastos possíveis e imaginados.

Encontramos nas reuniões mediúnicas uma grande leva de espíritos que nos relatam suas experiências de vampiros espirituais, são irmãos que desencarnaram e tem esta consciência e passam a utilizar esta invisibilidade para se aproximar de irmãos mais fracos e atrelados aos poderes da bebida e do álcool, nesta relação ambos bebem o mesmo elixir e satisfazem, criando uma verdadeira simbiose entre estes dois seres, um vivendo no mundo material, encarnado e dependente do álcool e do vício, enquanto outro está no mundo dos espíritos, desencarnado e também fortemente dependente da bebida, ambos não se conheciam, apresentam trajetórias diferentes, mas se unem para satisfazer os vícios do álcool e da dependência da bebida.

A morte do corpo físico não transforma nenhum dos seres humanos, o espiritismo sempre nos mostrou de forma detalhada esta questão, somos o que somos no mundo material e quando nos transferimos para o mundo espiritual, permanecemos da mesma forma, dotados dos mesmos sentimentos, dos mesmos valores e das mesmas necessidades. Se apresentamos desejos indiscriminados pelo álcool, se sentimos necessidade de beber vamos continuar com estes desejos quando retornarmos para o mundo dos espíritos.

Embora entendamos que a morte é uma passagem para a vida imaterial, para o mundo invisível, a Doutrina Espírita destaca que nossos avanços são patrimônios que carregamos por toda nossa existência, todos os tesouros vinculados ao conhecimento, a moral e a ética, nos acompanharão por toda nossa trajetória e nos habilitarão para o crescimento espiritual que deveríamos buscar com afinco e dedicação.

A integração entre os dois mundos, o material e o imaterial, é intensa. Estamos todos os instantes ao lado de irmãos em outros planos da vida, nesta integração somos influenciados por eles e nos deixamos ser influenciados pelos irmãos do mundo espiritual, se nossos interlocutores são bons e dignos estes nos auxiliam em nosso progresso, nos transmitem energias de paz e de equilíbrio e nos inspiram nas atividades do cotidiano. Agora, quando estes irmãos estão ainda dominados pelos sentimentos menores, pelas mágoas ou pelos ressentimentos, ao nos vincularmos a estes irmãos sentimos estas energias nos acercando, nos influenciando e, muitas vezes, nos dominando.

As energias que atraímos estão intimamente ligadas aos momentos da vida que vivemos, aos pensamentos que cultivamos, aos desejos que alimentamos e as nossas ações no cotidiano. Se nos deixarmos levar pelo desânimo e pela chateação atraímos irmãos nas mesmas condições e temos estas energias se fortalecendo dentro de nós, moldando nossos gestos, nossas atitudes e nossos comportamentos.

Muitas vezes encontramos irmãos mergulhados no sexo desvairado, buscando prazeres e gozos físicos desequilibrados, transformam sua existência em uma busca por prazeres sexuais, deixando de lado uma vida mais consistente e estruturada. Na sociedade contemporânea, a indústria do sexo gera bilhões de dólares anualmente e fazem a fortuna de seus detentores, que estimulam a sexualidade precoce de jovens e crianças e os prazeres da sexualidade distorcida, estes irmãos quando voltarem ao mundo espiritual, depois do desencarne, vão compreender que as riquezas da vida são muito maiores e mais importantes para o crescimento dos indivíduos do que os prazeres do sexo.

A mente é fonte criadora, nossos pensamentos podem conspirar ao nosso favor ou podem nos gerar constrangimentos atrozes, isto porque atraímos para nosso lado entidades e energias compatíveis com nossos pensamentos e estas facilitam a aproximação de espíritos que possuem os mesmos pensamentos, criando vínculos muitas vezes de difícil separação.

A Doutrina Espírita nos mostra que quando nos conscientizamos de nossos deveres espirituais e buscamos, verdadeiramente, as energias necessárias para concretizar estes deveres, atraímos para o nosso lado, entidades habilitadas a nos auxiliar, estas entidades são amigos espirituais especializados neste trabalho, que nos inspiram e nos auxiliam neste empreendimento, dando-nos as energias necessários para que o projeto se desenvolva e os resultados  sejam promissores, basta que queiramos e nos dediquemos que seremos auxiliados, motivados e estimulados para que o trabalho tenha êxito.

Muitos pesquisadores descobrem a cura de doenças ou desenvolvem tecnologias que tendem a auxiliar no desenvolvimento da humanidade nos próximos anos, muitas pesquisas tomam rumos novos e impensados inicialmente, isto acontece porque muitos dos pesquisadores se abrem para a inspiração de entidades desencarnadas, que auxiliam para o bem comum. Muitos desconhecem que, no mundo espiritual, os espíritos trabalham cotidianamente, o trabalho é uma benção de Deus e todos devemos trabalhar em prol da coletividade, auxiliando no progresso e no bem-estar das comunidades.

Muitas pessoas se deixam levar por pensamentos negativos, atraem pensamentos menores de desânimo e de negatividade, acreditam que nunca vão conseguir alcançar seus intentos, nunca vão poder usufruir de uma vida mais confortável e promissora, como seus colegas ou conhecidos, mesmo trabalhando estão sempre vendo suas dificuldades aumentarem, estas pessoas precisam aprender a cultivar hábitos mais saudáveis de pensamento, pensar em progresso, viver o progresso e, com isso, tendem a atrair energias desta natureza.

Educar o pensamento nos auxilia muito em nosso progresso espiritual, emocional e moral, quando tomamos a consciência de que nossos pensamentos contribuem ativamente para nosso desenvolvimento, observamos mais o que passa pela nossa cabeça e buscamos educar nosso pensar, controlando as energias que atraímos e trilhando um caminho mais consistente, sem educação do pensamento agimos como se fossemos uma antena que capta energias variadas das mais diferentes áreas e locais, desta forma nos abrimos para que outros nos controlem, nos dominem e monitorem nossas vidas, nossos comportamentos e nossos desejos.

Para que consigamos esta educação do pensamento precisamos desenvolver uma disciplina mental muito grande, analisar todos os pensamentos e ideias que passam pela nossa cabeça no cotidiano, neste momento de análise devemos perceber como alimentamos estas energias e como elas nos influenciam no dia a dia, um exercício artesanal que deve ser feito com constância, desta forma passamos a conhecer nossos pensamentos.

Analisar nossas inclinações também nos ajuda imensamente, todos podemos analisar o que tem dentro de nossos corações, nossos desejos, nossas vontades e pensamentos. Quando somos dominados por sentimentos materializados em excesso, quando sentimos afinidade com o sexo desregrado ou com a ambição desmedida, devemos compreender que não estamos no caminho correto, neste momento a melhor decisão é mudar nossas atitudes e alterar nossos pensamentos, pois se continuarmos no caminho anterior tendemos a colher desequilíbrios, incertezas e constrangimentos, além de choro e ranger de dentes.

Na sociedade em que vivemos, somos todos os momentos estimulados a buscar uma educação mais aprimorada e mais consistente, as novas tecnologias estão nos impulsionando ao estudo e ao conhecimento, passamos parte substancial de nosso tempo nos capacitando e nos aprimorando, mas nos esquecemos de nossa saúde emocional e espiritual, restringimos nossa vida a uma atividade material e imediatista e nos esquecemos de que o verdadeiro ambiente de progresso e desenvolvimento dos indivíduos está no mundo dos espíritos, somos espíritos habitando corpos materiais e não o contrário. Nesta viagem pelo mundo exterior nos esquecemos de nosso mundo interior, nossos conflitos, nossos desejos e nossas necessidades, deixando de encarar as dificuldades e de resolver nossos desequilíbrios mais íntimos, com isso ficamos mais suscetíveis para as influencias externas, deixando nossos pensamentos desprotegidos e atraímos irmãos desencarnados mais propensos ao mal, que nos causa constrangimentos variados.

O pensamento é uma fonte de crescimento e desenvolvimento espiritual, nossa mente possui instrumentos fantásticos para nos conduzir ao progresso, mas para isso temos que nos conscientizar da importância do pensamento na condução de energia e na consolidação de nossos interesses, a Doutrina dos Espírito nos mostra como o pensamento pode nos impulsionar para o progresso ou nos conduzir diretamente para caminho nem tão agradáveis, cabe a cada indivíduo se atentar para esta realidade e construir as pontes necessárias para seu progresso, deixando nossos pensamentos agiram para atrair bons espíritos e boas energias para construirmos nosso desenvolvimento espiritual.

 

‘Pais têm receio de assumir o papel de careta da família’, diz Rosely Sayão

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Rosely Sayão faz convite para pensar a educação dos filhos

Júlia Marques, O Estado de S. Paulo 01/09/20192019.

SÃO PAULO – Formada em Psicologia há mais de 40 anos, Rosely Sayão já dialogou com diferentes gerações de pais sobre a educação dos filhos. Ela não hesita em avaliar que hoje está mais difícil. Pesam sobre os adultos mais exigências de performance – que transferem às crianças – e há dificuldades em pôr limites, sem cair no exagero de regras. Em meio a isso, está a tecnologia, mensageira de um volume de informações difícil de processar. Se os desafios aumentaram, cresce a necessidade de pensá-los. No próximo domingo, Rosely estreia uma coluna quinzenal no Estado, um verdadeiro convite para refletir sobre a vida em família e as relações com os filhos.

A composição das famílias mudou e a tecnologia chegou para ficar. Está mais difícil educar?

Hoje é muito mais difícil educar os filhos. A própria palavra educar não era usada antes pelos pais: era “criar”, que significava tomar cuidados necessários para que o filho crescesse. Educar tem uma complexidade que levou pais e mães a quase se profissionalizar. Ao passar por muitas transformações de mundo, a família foi sofrendo interferências. Os adultos deixaram de ocupar o lugar central na família e os filhos é que passaram a ocupá-lo. Outra questão é que é preciso ser feliz a qualquer custo. Não posso educar, dizer não. Cerco de cuidados para que seja feliz e isso impede a boa educação.

A composição das famílias mudou e a tecnologia chegou para ficar. Está mais difícil educar?

Hoje é muito mais difícil educar os filhos. A própria palavra educar não era usada antes pelos pais: era “criar”, que significava tomar cuidados necessários para que o filho crescesse. Educar tem uma complexidade que levou pais e mães a quase se profissionalizar. Ao passar por muitas transformações de mundo, a família foi sofrendo interferências. Os adultos deixaram de ocupar o lugar central na família e os filhos é que passaram a ocupá-lo. Outra questão é que é preciso ser feliz a qualquer custo. Não posso educar, dizer não. Cerco de cuidados para que seja feliz e isso impede a boa educação.

Falta a adultos colocar limites?

Os pais têm receio de assumir o papel de “careta” da família. Não querendo ser “caretas”, ultrapassados, querem ser mais próximos dos filhos, quase para trocar confidências. Fica difícil determinar limites e, quando determinam, são exagerados. Há regra em demasia na vida das crianças.

Sobre o fato de o pai ter medo de ser “careta”, qual a origem?

No nosso valor sociocultural de que é preciso ser jovem para sempre. Se o pai e a mãe assumem seu papel, é como se estivessem envelhecendo, e isso não é bom para eles.

As crianças têm celulares, tablets. Os pais lidam bem com esses recursos?

Tenho visto dificuldades. Oferecer objeto tecnológico é legal para os pais porque a criança fica hipnotizada. Os pais estão com pressa. Ao mesmo tempo, dizem que é inevitável a tecnologia. Sim, assim como é inevitável que os filhos vão dirigir carros, mas na época certa. Quanto mais tarde, melhor. Tem muito mundo real para a criança descobrir.

É importante que as crianças tenham a vivência do concreto?

Para conseguir lidar bem com o virtual, é preciso conhecer o real e saber fazer a transposição. Vejo crianças com ausência de relacionamento com outras que têm canal no YouTube. É difícil porque elas não têm muitos relacionamentos para entender o que chama a atenção, o que pode magoar.

Vivemos um momento de desconfiança em relação à escola. Qual a importância dela?

Antes de ir à escola, a criança tem contato com alguns espaços públicos, mas sempre mediado pela família. As crianças crescem e têm de assumir seu jeito de estar no espaço público e a escola é fundamental. Se queremos que os mais novos evoluam e melhorem esse mundo, não podemos restringir a escola em seus ensinamentos. Eles têm o direito de conhecer o lado B que a família não quer saber. É isso que dá liberdade, a possibilidade de fazer escolhas.

Chamam a atenção questões como depressão, bullying e até automutilação entre crianças. Esses problemas estão crescendo ou tem se falado mais sobre? Partem da dificuldade dos pais?

As crianças têm trânsito absolutamente livre no mundo adulto, mas ele, com todas suas mazelas, é um tanto quanto incompreensível para as crianças. Como pode um pai matar o filho? Como um pai mata a mãe? Não têm estratégia pessoal para fazer frente a uma informação dessas. São coisas que caem sobre os ombros das crianças e, na impossibilidade de lidar bem com isso, transformam em sintomas. Além disso, tem a pressão desmedida da sociedade sobre os pais e dos pais sobre os filhos por uma boa performance.

É preciso proteger as crianças dessas informações?

É impossível impedir o acesso. O que podemos fazer é minimizar, explicar de modo simples. E tentar oferecer o melhor da infância possível. Mais idas às praças para que tenha contato com natureza. E deixar brincar, na areia, no barro, na água.

Fala-se do diálogo com crianças, mas como fazer isso?

Todo mundo confunde diálogo com persuasão. Não se trata de convencer. O diálogo com os filhos é mais escuta do que fala. Diálogo é discutir a partir do ponto de vista deles.

A senhora fala sobre um excesso de informações, perturbando a vivência dos pais. O que planeja para as colunas? Será espaço para mais dados ou reflexões?

Mais reflexões. A educação dos filhos acontece no momento em que estão dormindo ou sossegados, que é quando penso. Quero promover o espaço de pensar. Será que não estou exagerando no que quero para meu filho? Estou querendo demais por ele? Sendo muito severa ou não estou ocupando plenamente o lugar de pai? Quero questionar o que temos exigido dos mais novos, refletir sobre a falta de companhia adulta que adolescentes sentem. Vamos falar sobre relacionamento familiar, considerando a família maior, ascendentes, descendentes. E vou questionar muito a escola.