Pessimismo

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A sociedade internacional vem vivendo momentos ricos e cheios de movimentações, o desenvolvimento tecnológico está transformando o sistema econômico e produtivo, criando novas ocupações, gerando novos desafios para as organizações e para os trabalhadores, nascem diuturnamente novos modelos de negócios, grandes conglomerados perdem espaço nos mercados e estão sendo superados por empresas menores, dinâmicas e mais flexíveis, estamos imersos em uma verdadeira revolução, onde os mais flexíveis, ágeis e preparados saem na frente, enquanto aqueles mais acomodados perdem espaço e são substituídos rapidamente.

Neste momento percebemos o incremento de grandes movimentações nos países europeus, onde milhares de pessoas, liderados por jovens e adolescentes, estão saindo de suas casas para protestar contra as péssimas condições de sobrevivência, o aumento dos custos de vida e uma queda vertiginosa dos salários, gerando uma insatisfação generalizada, um medo crescente do futuro, uma desesperança, além de agitações sociais e grandes preocupações para os governos de plantão.

No Oriente Médio percebemos um aumento das guerras e dos conflitos militares, onde os governos atacam diretamente seus vizinhos, estimulando matanças indiscriminadas, devastando cidades e regiões inteiras, gerando custos materiais elevados, deixando famílias destruídas, criando um ambiente de ressentimento, medo e desesperança, neste cenário, a construção da paz e da prosperidade demandam investimentos variados de toda a comunidade internacional.

Na América Latina percebemos o incremento de governo de extrema-direita, reeditando uma política econômica ultraliberal, entreguista e subserviente, reduzindo o papel do Estado na economia, diminuindo os investimentos sociais, arrochando os salários, degradando as aposentadorias e levando a classe média a uma inanição, estimulando o caos econômico, vendendo patrimônio a preço de banana, devastando e cultuando governos autoritários e preservando os donos do poder econômico, garantindo as benesses financeiras, os subsídios fiscais e tributários e perpetuando as imunidades crescentes que mancham a trajetória do judiciário.

Destacamos ainda, o incremento da degradação do meio ambiente, o aumento da temperatura dos oceanos está impactando em todos os continentes, calotas de gelo estão desprendendo e percebemos a descoberta de novos vírus e bactérias pré-históricas, adormecidas há milênios, liberando volumes elevados de gases de efeito estufa (como metano e CO₂) e elevando o nível dos oceanos. Neste cenário, percebemos o crescimento de uma visão ultrapassada e equivocada da importância da ciência para a humanidade e, fortalecendo, erroneamente, um negacionismo e uma ignorância crescente nos indivíduos que flertam, abertamente, com a degradação da vida humana e destruindo a civilização.

As guerras permeiam a sociedade internacional, nestas últimas décadas percebemos inúmeros conflitos bélicos e militares que se espalham para todas as regiões do mundo, com impactos variados sobre cidades e regiões. Na contemporaneidade, marcada por novas tecnologias e novas formas de destruição, assistimos ao prelúdio de inúmeras guerras fratricidas entre potências nucleares, lideradas com governantes insanos cujas consequências podem levar a extinção total do planeta.

Neste ambiente, percebemos um cenário de desafios e oportunidades, gerando pessimismos, insanidades e desesperanças. Os desafios contemporâneos são inúmeros e variados, cultivar o otimismo é fundamental para superarmos os desafios atuais, mas, antes de tudo, precisamos construir um novo consenso social, enfrentar a polarização insana e reescrever os valores humanitários, lutando pela justiça e pelo bem-estar coletivo. Acredito que, recentemente, demos um passo positivo.

Ary Ramos da Silva Júnior, Bacharel em Ciência Econômica e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitário.

Ary Ramos
Ary Ramos
Doutor em Sociologia (Unesp)

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